Um pouquito deprimente, o espetáculo que se vê através das paredes de vidro fosco do PSD. A luta e a pedinchice por um lugar nas listas de candidatos a deputados nas próximas eleições de 30 de janeiro, são o espelho dos dirigentes deste país.
Políticos sem qualquer sentido de serviço público, apenas almejam um cadeirão estofado e uma manjedoura que não os obrigue a dobrar muito a espinha. Mas se tiver que ser, paciência, dobram na mesma.
Quem está de fora vê melhor e quem está de fora, mas já esteve dentro, vê melhor ainda. No Facebook, um antigo deputado do PSD escreveu que “mudou o pote e as vontades mudaram, eis a dança da marmita, poderá mudar um dia, com outro sistema eleitoral, com este, é assim a Lei do Chefe e do pote.”
fonte Facebook de Luís Nobra
Ouvem-se principalmente os lamentos dos órfãos de Paulo Rangel, abandonados e a viver um sentimento de traição e despeito. Rangel não zelou pelos seus, foi lamber feridas para Bruxelas, onde ainda tem mais ano e meio de “marmita” bem fornecida.
Dentro do saco, os gatos esgatanham-se e bufam. O problema é a falta de decoro. As eleições implicam todos os partidos que pretendem concorrer, mas não se vê em nenhum outro tanta “vitalidade” interna e discussão “democrática” por um lugar ao sol.
Ivo Lucas está acusado de homicídio por negligência devido ao acidente onde morreu Sara Carreira, filha do célebre cantor Tony Carreira.
Trata-se de um desfecho mais do que esperado das investigações sobre o acidente. Ivo era o condutor da viatura e conduzia acima do limite de velocidade permitido na A1.
Igualmente acusada está a fadista Cristina Branco que seguia noutra viatura que se despistou, o que veio a causar o acidente com o carro de Ivo Lucas. Aliás, o acidente envolveu quatro veículos ligeiros, junto à saída da A1 para o Cartaxo, no sentido Porto-Lisboa. O óbito de Sara Carreira foi declarado no local, registando-se ainda três feridos que foram transportados para o Hospital de Santarém. Ivo Lucas ficou ferido com uma fratura num dos braços. O jovem arrisca, agora, uma pena que pode ir até 5 anos de prisão.
Ivo Lucas e Sara Carreira eram namorados
Tony Carreira ainda não reagiu publicamente a esta notícia. O advogado do músico confirmou que a família já foi notificada da acusação.
Telefonei à minha rica amiga. Estava inconsolável. Não por causa do que tinha acabado de acontecer ao marido da amiga Maria de Jesus. Em relação à detenção do João, pareceu-me até aliviada. “Pode ser que não me chateiem por causa das coisas que guardei aqui em casa…”, disse, para logo mudar de assunto.
“Sabe, há dias saí de casa e esqueci-me da carteira.” Aqui começou um relato lancinante sobre as injustiças deste mundo. O esquecimento da carteira fez com que não tivesse qualquer meio de pagamento quando chegou à portagem da autoestrada para Lisboa. Desfez-se em desculpas pelo intercomunicador, o portageiro de serviço apenas lhe perguntou como se chamava e qual a morada e levantou a cancela.
Passado uns dias recebeu no correio a notificação para pagar os 80 cêntimos da portagem. Tinha 8 dias. Voltou a esquecer-se.
“Está a ficar muito esquecida”, fiz-lhe notar. “Não seria melhor ir ao médico?”, uma sugestão minha, a idade não perdoa a ninguém, certo? Bom, o que fui dizer! Insultou-me de tudo, sempre com aquele tom amável própria das “tias”.
Mas lá me contou o resto da história. Esquecido o pagamento dentro dos prazos legais, chegou nova carta, desta vez da Repartição de Finanças. A coima é de 25 €, porque veio com redução ao abrigo do regime geral de infrações tributárias. Caso contrário seria de 99,70 €. Ou seja, o Estado cobra uma multa a que chama imposto por conta de uma empresa privada concessionária de uma autoestrada, multiplicando 125 vezes o valor da portagem. “É uma extorsão legalizada. Não tem outro nome”, revoltou-se a minha amiga, e com toda a razão.
O valor da portagem é de 0,80 cêntimos. A coima é de 99,17 €
Se ela se voltar a esquecer de pagar, ainda vai presa. Muitas histórias para contar, no futuro, nos serões com a Maria de Jesus e o João. “Sim, porque ele não vai ficar muito tempo numa cadeia horrível e cheia de piolhos e de gente feia. Não lhe podem fazer tal maldade”, disse ela convencida de que o amigo ainda tem trunfos na manga.
Para fim de conversa, ainda me disse que tinha aconselhado o amigo João antes da fuga. “Eu bem lhe disse para ir para Veneza. Foi burro, não quis. Em Veneza andam todos mascarados, ninguém se conhece na rua. Em África, um branco é como um farol, foi apanhado.” E se calhar tem razão…
Esta conversa deixou-me a pensar nas disparidades da aplicação de Justiça. Por um lado, o tipo que desfalca em dezenas de milhões o banco que dirige e é tratado nas palminhas pelas instituições do Estado e, por outro, a cidadã que paga com língua de palmo um esquecimento fortuito. Cada um à sua escala, evidentemente.
Foi uma hora de glória para a Polícia Judiciária, o anúncio da detenção de João Rendeiro, em Joanesburgo, na África do Sul. Na conferência de imprensa, Luís Neves, diretor da PJ, confirmou a detenção executada pela polícia sul africana. Revelou-se satisfeito porque “fizemos a nossa parte”, foi a expressão utilizada que poderá encerrar alguma crítica a outras partes do processo judicial. Ou não.
Rendeiro entrou na Africa do Sul a 18 de setembro, quando Maria de Jesus “cantou” no interrogatório da PJ, já eles sabiam onde o fugitivo estava acoitado.
De 20 a 24 de novembro houve uma reunião de chefias da PJ e da polícia sul africana e foi a partir dessa reunião que o cerco a Rendeiro se executou até à sua detenção, esta manhã.
Rendeiro vai agora resistir ao pedido de extradição. Em princípio ele terá meios financeiros suficientes para contratar os melhores advogados sul africanos. Mas vai ser uma tarefa inglória, a Africa do Sul é conhecida por alguma “venalidade” na cooperação com entidades estrangeiras, ainda há dias aceitou extraditar para os EUA um antigo ministro moçambicano acusado de fraudes na América.
São dez, todas lindas e esbeltas. Imponentes, soberbas. Magníficas. Todas têm um porte, uma altivez, inigualável. Quem olha para elas, fica apaixonado.
Umas são mais altas que outras, mas todas têm formas perfeitas, curvas por onde sabe bem passear o olhar e… passar a mão, ao de leve, sentir-lhes a firmeza e o cheiro. Apetece abraçá-las, mas não é fácil.
Bom, espero que quem esteja a ler este artigo goste de árvores. Antigas. Velhas. Árvores com história e que já viram muita História acontecer à volta delas. Que viram passar o tempo e lhe resistiram. Mas, depois disto, espero que quem não goste de árvores mude de opinião. Há poucas coisas tão boas como sentar debaixo de uma grande copa, faça sol ou chova.
Uma árvore velha é um testemunho de tempos antigos. Em Portugal há árvores mais antigas que a própria nacionalidade. Elas já cá estavam antes de haver portugueses. E, por isso, são mais do que nós e merecem-nos respeito. E que as protejamos.
Isto para dizer que há um concurso para “Árvore do Ano 2022”. São dez concorrentes. Podemos vê-las a passar na “passerelle” virtual da natureza e conhecer a história de cada uma delas. O link para essa viagem é este aqui.
Mas deixo-vos as fotografias das dez beldades. Escolham uma e votem. E amem as árvores.
Sempre que há eleições, os pequenos partidos protestam. Nunca são incluídos nos debates televisivos. Só à força eles são admitidos nesses fóruns destinados apenas aos eleitos pelos deuses.
Agora, o Partido Livre antecipou-se e avançou já com uma providência cautelar contra os três canais generalistas – RTP, TVI e SIC – para cortar o mal pela raiz.
No passado dia 3 de dezembro, A SIC, a RTP e a TVI reuniram-se com oito partidos representados na Assembleia da República: PS, PSD, BE, CDU, CDS, PAN, IL e Chega. Mas “esqueceram-se” de incluir o Livre que, no entanto, também elegeu um deputado, embora mais tarde Joacine Katar Moreira tenha abandonado o partido. A verdade é que o Livre elegeu tantos deputados como o Chega ou o IL mas, pelos critérios televisivos, ficou de fora.
Essa reunião serviu para apresentar aos partidos um esboço de calendário para os debates nos vários canais.
Uma semana mais tarde, o protesto do Livre foi anunciado numa conferência de imprensa em que as televisões não marcaram presença. Mas passou nas redes sociais.
O deputado Ventura perdeu a imunidade que o estatuto lhe confere e vai ter de responder num inquérito judicial, a propósito de afirmações que fez sobre o historiador e fundador do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas.
Há cerca de duas semanas, foi noticiado que o Ministério Público tinha pedido à Assembleia da República o levantamento da imunidade parlamentar do deputado Ventura, para que possa ser constituído arguido e ouvido por suspeita de um alegado crime de difamação agravada. O pedido foi aceite, votado por unanimidade pela Comissão Permanente da Assembleia da República, único órgão parlamentar que funciona depois do decreto de dissolução emitido pelo Presidente da República no passado dia 5.
O que disse Ventura sobre Fernando Rosas? “Apenas” que, nos idos de 70 do século XX, Rosas tinha sequestrado e torturado homens e mulheres. E levou com um processo em cima. A ver vamos no que isto dá.
O antigo juiz Rui da Fonseca e Castro apresentou recurso da sua expulsão da magistratura no Supremo Tribunal de Justiça. Segundo o jornal Expresso, que deu estampa a esta notícia, o recurso deu entrada no Supremo dia 7 de dezembro.
Enquanto juiz, Rui da Fonseca e Castro encabeçou uma campanha de difamação contra algumas figuras do Estado, nomeadamente o Presidente da Assembleia da República e definiu-se como líder de um movimento negacionista da pandemia com apelos à população para rejeitar a vacinação contra o covid-19.
O recurso agora apresentado não deverá ter acolhimento do Supremo Tribunal de Justiça. Rui da Fonseca e Castro acusa na praça pública sem apresentar qualquer prova do que diz, nenhum tribunal superior poderá aceitar tal comportamento. Aliás, não será de estranhar se, mais tarde ou mais cedo, Rui Fonseca e Castro vier a ser condenado por difamação, entre outras coisas.
Discursoou delírio
Se no dia 7 apresentou o tal recurso, no dia 5 proferiu um discurso que, por si só, voltaria a ser motivo para o expulsar. Repetiu os insultos e acusações contra os mesmos de sempre, a saber:
1- Ferro Rodrigues é um “verme” e “pedófilo”, assim como Paulo Pedroso. O “baboush” António Costa será conivente com Ferro e Pedroso.
2- Eduardo Cabrita é apelidado de “assassino”, terá já (diz Rui Fonseca e Castro) dois homicídios às costas e a sua saída do Governo aconteceu apenas quando alegadamente houve garantias de que processos contra ele seriam arquivados.
3- O vice-Almirante Gouveia e Melo tem um tratamento carinhoso, é o “capitão Igloo” que foi, agora, substituído por um “veterinário”.
4- A ministra Francisca van Dunen é apelidada de “falsificadora”.
5- Paulo Portas foi mencionado como estando infetado pela “variante maricon”. Quanto a Portas, Rui Fonseca e Castro recuperou velhas histórias sobre a “Catherine Deneuve” de cabeleira loira que abusava de crianças que se prostituíam no Parque Eduardo VII (processo Casa Pia).
Por fim, Rui da Fonseca e Castro avisa (ou ameaça?) os agentes da polícia que colaboram com o regime de que “as coisas vão correr mal, quem estiver no lado colaboracionista pagará”.
Plano para controlar a população mundial
A diatribe inclui, ainda, o tema da pandemia e vacinação. As vacinas não passam de “substâncias experimentais” e andamos todos a ser enganados. A pandemia não é uma doença relevante, será antes uma espécie de ferramenta para acionar um plano de controlo da população mundial. “Estamos a lidar com mentirosos, que nos mentem do princípio ao fim”, avisa-nos o homem.
Os esforços para se tentar controlar uma doença contagiosa e nova são entendidos por ele como manobras. “Mentiram desde o início da pandemia”, diz Rui da Fonseca e Castro, concluindo que “a vida nunca voltará ao normal”, prevendo-se a morte (prematura, talvez) “de todos os que tomaram a vacina”.
Este tipo que foi juiz, treinado para julgar à luz da lei e das evidências, atreve-se a dizer que no futuro “não haverá propriedade, não haverá liberdade, as crianças de hoje serão os escravos do futuro” e, para mal dos pecados de muitos, até “o futebol parece estar com os dias contados”. “É o que acontece quando acreditamos em assassinos, corruptos e pedófilos”, remate final deste craque do direito. E quem não acredita nisto é apelidado de otário.
Apresentamos um excerto desse discurso que temos vindo a citar. Apenas o início…
Eduardo Cabrita saiu de cena, continuando em cena. Isto é, saiu do Governo mas fica na Assembleia da República como deputado. Sempre são mais dois meses de salário e um subsídio de reintegração quando deixar de ser deputado.
Cabrita foi um ministro sem jeito. Tornou-se num peso morto político, um engulho para o PS e o Governo de António Costa. Mas deve ter terminado por aqui uma longa carreira de seguidismo e obediência partidária. Não se lhe reconhece nenhum outro mérito.
Cabrita afundou-se politicamente quando rejeitou qualquer responsabilidade no acidente que vitimou mortalmente um trabalhador da manutenção de uma autoestrada por onde ele passava, num veiculo conduzido a alta velocidade por um motorista contratado pelo Ministério da Administração Interna. Na altura disse “Eu era o passageiro”. Devia ter dito “Eu sou o ministro”. Agora ainda tem um tempo para dizer “Eu sou deputado”. Diga o que disser, não dará um único voto a ganhar ao PS nas próximas eleições.
Morreu José Eduardo Pinto da Costa. O irmão de Jorge Nuno distinguiu-se profissionalmente como médico legista e professor universitário. Era um homem de grande cultura. Referência da Medicina Legal. Violinista amador e amante de teatro.
Era o mais velho de seis irmãos, talvez o mais brilhante intelectualmente, embora tenha sido ultrapassado em termos de popularidade pelo mano Jorge Nuno, presidente do FC Porto.
Tornou-se numa figura incontornável da cidade onde sempre viveu, o Porto. Talvez por isso, os canais de televisão concorreram para o ter como comentador de acontecimentos do quotidiano e da política. Tinha um discurso assertivo e muitas vezes controverso. Foi sempre contra o aborto,mas a favor da eutanásia, por exemplo.
Morreu o velho das longas barbas brancas. Também nisso, uma figura marcante.
Pinto da Costa, comentador no programa da RTP “Praça da Alegria”