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Onze suínos e um vice-presidente

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Uma das táticas do Chega para ir angariando projeção é fazer um alarido sempre que a ocasião surge. Tem sido assim desde o início, tem dado resultados até agora.

Agora há dois alaridos a tomar forma: o da vice-presidência da Assembleia da República e o da vara de porcos.

título do jornal Expresso online

O primeiro alarido não tem nenhuma razão de ser. O Chega (que se diz anti-sistema) nem devia querer um lugar tão institucional, tão sistema, tão regimental. A não ser que Pacheco queira colocar uma bomba-relógio para fazer explodir a bancada da presidência da Assembleia da República.

O segundo alarido está relacionado com esta frase: “Vamos ter 11 suínos na AR, entre eles, um terrorista assassino de extrema-direita. A luta não será na AR, mas na rua! Preparem-se!”

Mamadou Ba escreveu no Twitter (onde é seguido por inúmeros militantes do Chega). Mas se o ativista pelos direitos das minorias étnicas escreveu ou disse apenas isto, não há a certeza quem são os deputados a que se refere. Podem ser uns onze quaisquer, de qualquer grupo parlamentar.

Provavelmente, se Mamadou investigar bem, vai até encontrar mais uns quantos além dos onze que identificou. Ou seja, o Chega está, mais uma vez, a por-se em bicos de pé, a dar nas vistas, vitimizando-se quando até pode ser que os suínos sejam de outros partidos. E o próprio Chega já vilipendiou adversários políticos com mimos equivalentes ou piores.

Vodafone, a luta continua

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A Vodafone trata o ataque cibernético como se já tivesse retomado o controlo absoluto sobre todas as operações, mas a meio desta manhã havia notícia de várias perturbações do serviço, nomeadamente na televisão por cabo. Em muitos lugares o serviço não funcionava, pura e simplesmente, e os écrans revelavam isso mesmo.

No site da empresa, a Vodafone diz que “iniciou o restabelecimento dos serviços base de dados móveis sobre a sua rede 4G na sequência de uma intensa e exigente operação de reposição.”

Apesar do tom otimista, o comunicado (o segundo desde o deflagrar desta crise) admite que “este arranque está de momento condicionado a zonas restritas do País, estando gradualmente a ser expandido para o maior número possível de Clientes. O serviço está igualmente sujeito a algumas limitações, nomeadamente no que respeita à velocidade máxima permitida”.

As recentes dificuldades no serviço de televisão não constam deste comunicado.

Sim, a Liberdade

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Na sexta feira, sentei-me no café Oásis para meter o totoloto (ainda não vi a chave).

A emprega de mesa de 18, 20 anos apareceu e perguntou “posso ajudar?”, preparada para me dizer que não podia estar a usar a mesa para preencher totolotos. Mas eu tinha-me sentado para comer. Os totolotos serviram para me entreter enquanto ela conversava com os clientes habituais. E nunca se sabe. Podem voltar a sair-me 21 euros!

Diálogo travado entre nós:

– Sim, claro, com certeza. Traga-me, por favor, essa vossa sopa do dia de agrião e uma garrafa de água natural.

– Tem certificado de vacinação?

Olhei para ela com solenidade e disse não com a cabeça e com a palavra.

– Sopa, sem certificado, não pode.

Larguei a caneta com a qual marcava as cruzes. Encostei-me na cadeira.

– Não posso. Então, diga-me lá o que é eu posso comer aqui?

– Serviço de refeições, à mesa, nada.

– Mas deve haver alguma coisa que eu possa comer aqui, não é? Diga lá a menina. Dê-me uma ajuda.

– Só o que está ao balcão. Serviço de balcão.

E apontou.

Olhei para trás. Bolos de toda a sorte. Minipizzas. Salgados diversos. Fruta. Salada de fruta, pudim…

– Então e se eu lhe pedir um rissol?

– Rissol pode.

– Então faça assim: traga-me dois pastelinhos de bacalhau e um Compal Vital.

– Vital de quais?

– Daqueles de manga, laranja, cenoura.

– Ok.

Almocei pastéis de bacalhau. Estavam saborosos. Fiquei com a memória do sabor. Tenho de voltar esta semana.

No regresso ao carro tentei apanhar um casal de pombos velhinhos, maltratados pelo frio e pela fome, mas tiveram o descaramento de ter força para voar e fugir. Podiam ser felizes comigo. Dar-lhes-ia um resto de vida confortável. Contei a C. Respondeu-me que eles ainda querem ser livres. Sim. A liberdade. Também não me hei-de deixar capturar.

(in Diário da Revolta – 8 de Fevereiro de 2022, Facebook de Isabela Figueiredo)

Cinemas em Cascais – para uma retrospectiva…

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O recente falecimento de Lauro António trouxe-me à baila recordações cinematográficas de infância. Como foi o contacto dos cascalenses no final dos anos 40 e anos 50 adiante com essa arte tão nobre? Fui, então, ao baú das recordações, na certeza de que outros também aqui poderão despejar as suas, para as completar.

O Dragon Ball

Permita-se-me, todavia, que, antes de entrar no assunto, conte uma cena passada a 16 de Novembro de 2007, no decurso das Jornadas de História, em Seia, a propósito de Lauro António.

Conversávamos com ele e o filho Frederico Corado e alguém disse, a determinado momento, para o rapazinho que estava ao lado:

– Olha! Este é Dragon Ball!

O miúdo mirou o Frederico de alto a baixo, com ar incrédulo:

– Não é nada!

– É! – retorquiu o pai. – Queres ver?

E o Frederico fez a voz do Dragon Ball, como estava habituado a fazer nessa altura. O miúdo aninhou-se todo, junto ao pai, num contentamento:

– É mesmo!

Tinha estado ao pé do Dragon Ball! Certamente terá contado a façanha a todos os amiguinhos.

Esta, portanto, a minha dupla homenagem: ao génio de Lauro António e, na pessoa de seu filho, a todos os actores que, incógnitos, emprestam a sua voz diariamente a personagens dos desenhos animados, para delícia de milhares de crianças!

Foi na batemilha

No centro de Birre, nos finais dos anos 40, havia uma batemilha ao lado da taberna da Srª Conceição (Maria da Conceição Viana, casada com Francisco Domingos). O local predilecto para a pequenada jogar à bola de trapos sem se enlamear. Aí paravam as camionetas para descarregar o abastecimento à taberna (ai, aquele cheirinho forte aos barris do carrascão de Torres!…) e foi aí que eu vi cinema pela primeira vez.

O homenzinho trazia um petromax para o pessoal se ajeitar; a parede da casa serviu de ecrã, o petromax apagou-se e começou o barulho do desbobinar da fita. Que filme foi não sei, mas desconfio de qualquer coisa do Bucha e Estica. Creio que esse animatógrafo ambulante terá vindo outras vezes e decerto o pessoal acabava por lhe dar umas moeditas, porque, mesmo muda, a fita fazia soltar boas gargalhadas.

Na vila

Na vila, o meu primeiro encontro com o cinema foi no Parque Atlântico, aí pelos primeiros anos da década de 50. Ficava do lado direito de quem sobe a Av. Valbom, antes do que são hoje as Galerias Girassol (inauguradas a 3 de Junho de 1970, um empreendimento de Joaquim Baraona). Não, não fui ver; ou melhor, não entrei para a esplanada ao ar livre. O filme era projectado num ecrã (ou seria numa parede?) para poente e, com os meus pais, eu fiquei no passeio contrário. Já não podiam comigo ao colo para eu ver melhor, mas creio que eles ainda conseguiam lobrigar alguma coisa. Ouvir ouvia-se. Recordo bem o filme que estava a passar quando fomos por ali: «Aldeia da Roupa Branca». E minha mãe muitas vezes cantarolava essa canção da Beatriz Costa. «Água fria… da ribeira!…».

Veio depois o Cine-Teatro S. José, no centro da vila, ali mesmo ao lado do Jardim Visconde da Luz. Iniciativa de José Afonso Vilar Júnior, um empreendedor vidente, que comprou o terreno à Câmara.

Em ampla reportagem, com abertura na 1ª página e conclusão na última, o jornal «A Nossa Terra» não regateou aplausos a José Afonso Vilar, que lograra materializar um «empreendimento há tanto tempo desejado e quando outros se viram forçados a dele desistir».

Foram arquitectos Joaquim Ferreira e Gonzaga Bronze, esclarece José Leite no seu blogue «Restos de Colecção»; os cálculos de estabilidade estiveram a cargo do engenheiro N. Abrantes  e J. Custódio encarregou-se do estudo das fundações, aspecto nada fácil por o edifício estar no leito de cheio da Ribeira das Vinhas.

Solene, com presença de Américo Tomás, a inauguração no dia de S. José (19 de Março) de 1959. «Um acontecimento notável», uma inauguração «com pleno êxito», escreve o «A Nossa Terra», que continua:

«É uma demonstração de poder criador, da grande civilização da nossa importante região, e assinala uma época de extraordinário progresso no concelho de Cascais. A nova casa de espectáculos, fruto de uma iniciativa oficial, executada por um particular, não pode deixar de ser considerada como um património moiral de nós todos, filhos e habitantes desta terra. Assim o compreendeu o público que teve a dita de assistir à memorável sessão inaugural.»

Foi representada, na circunstância,  a peça «Tá-Mar», de Alfredo Cortez, pela Companhia do Teatro Nacional. O repórter do jornal «A Nossa Terra» não deixou de salientar a boa acústica da sala, que permitiu ouvir bem, até nos lugares mais elevados do 2º balcão «as características expressões e pronúncia dos naturais da Nazaré».

Seguiu-se-lhe «O Processo de Jesus», uma das peças mais na berra nessa altura, lembro-me bem. Igualmente a cargo da Companhia de Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro.

Sim, primeiro foi teatro e só depois cinema. Capacidade para 998 espectadores distribuídos pela plateia e dois balcões. Viria a encerrar a 26 de Janeiro de 1978.

O edifício acabaria por se transformar completamente, na década de 80, segundo traça do Arquitecto Gil Graça; e a foto – que retiro, com a devida vénia, do blogue «Cinemas do Paraíso» – mostra como era o edifício antigo.

O Oxford

Em 1975, se não erro (prometo que vou investigar mais…), abriu o Cine Académico, onde é hoje um dos centros de acolhimento da Igreja Universal do Reino de Deus, a meio da subida da Av. 25 de Abril. Transformou-se, mais tarde, no Cinema Oxford.

Na página «Comunidade Cascais Nostalgia», além de se mostrarem dois bilhetes para um espectáculo a 5 de Outubro de 1990, vem o comentário de Ana Teixeira Dias sobre as cadeiras brancas: «Sentávamo-nos e fazia pufffff!». Era verdade: esse ‘abaixamento’ das cadeiras de napa branca fez sensação!

Tive ocasião de ir à inauguração do Oxford. Passou o filme «Eram os Deuses Astronautas?», realizado por Harold Reinl, baseado no livro – que muita atenção despertara – de Eric Von Däniken (1968). Tivera o filme estreia mundial a 26 de Abril de 1970. A ideia, colhida mormente a partir de imagens do antigo Egipto e, sobretudo, de Tiauanaco, nos Andes, apontava para ter havido uma incursão de extraterrestres, pois só de considerável altitude se entendiam, por exemplo, desenhos inscritos na paisagem e, por outro lado, ¿como se teriam conseguido edificar as pirâmides?.

Fechou o Oxford nos anos 90.

Os salesianos

Sempre foi preocupação dos Salesianos dar sadias ocupações aos jovens. Por isso, não há escola salesiana que não tenha um teatro, a fim de se incentivarem os estudantes a prepararem festas com peças de teatro, cantares, declamações… Tinha, por isso, a Escola Técnica e Liceal Salesiana de Santo António do Estoril um amplo teatro, que, ao domingo à tarde, passava cinema.

Não era gratuito, que eu me lembre, mas quase, porque tínhamos caderneta e, se no quadradinho desse dia estivesse marcado que o menino fora à missa, a entrada era bem facilitada! Eu ia de Birre a pé até lá para ver sobretudo filmes de cowboys, que era o que estava na moda. Depois do filme, comprava meia dúzia de suspiros, que havia sempre uma senhora com eles ao pé da estação…

As sessões de cinema prosseguiram durante muito tempo, pois recordo que ainda na década de 60 vi lá alguns filmes, o «Quo Vadis?», por exemplo, a 31 de Dezembro de 1960.

Em suma:

Não temos, que eu saiba, uma história das salas de cinema de Cascais como existe o livro, dos já consagrados Manuel Eugénio Fernandes Silva e José Ricardo Fialho, «Teatros de Cascais» (edição da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril, 2017), que dedicam ao S. José as páginas 304-305, mais de imagens que de texto (quatro breves parágrafos, sobre teatro).

Haverá por aí quem tenha recordações, quiçá até bilhetes e programas. Valerá a pena guardá-los ou fazê-los chegar ao Arquivo de Cascais, onde serão devidamente tratados e oportunamente disponibilizados para quantos desejem saber algo mais sobre este aspecto da história cultural da nossa terra. Este ‘ensaio’ – meras lambuzadelas num quadro a completar – consubstancia, pois, esse desafio!

Vodafone assaltada por piratas

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A Vodafone assumiu o rombo. No site, a empresa avisa os clientes que “foi alvo de uma disrupção na sua rede, iniciada na noite de 7 de fevereiro de 2022 devido a um ciberataque deliberado e malicioso com o objetivo de causar danos e perturbações.”

No comunicado, a Vodafone confirma que a “situação está a afetar a prestação de serviços baseados em redes de dados, nomeadamente rede 4G/5G, serviços fixos de voz, televisão, SMS e serviços de atendimento voz/digital.”

Não são apenas os clientes particulares a ver o serviço paralisado, também as empresas e os organismos públicos que utilizam este operador não conseguem comunicar, problema que se pode tornar muito complicado no caso dos bombeiros, INEM ou, se fosse o caso, as próprias Forças Armadas. Ou seja, a segurança do Estado corre sérios riscos.

A Vodafone não sabe ao certo, mas incluiu no comunicado a convicção de que não houve roubo de dados de clientes…

Segundo tem sido noticiado, este ciberataque ainda não foi reivindicado nem terá sido pedido qualquer resgate por parte dos atacantes. Como não há maneira de confirmar estas informações, damos a informação com todas as reservas. Lembramos que o ataque aos sites da SIC e Expresso foram reivindicados pelos piratas Lapsus$ Group. O ataque aos sites da Impresa aconteceu no início de janeiro e tanto o Expresso como a SIC continuam a não ter acesso a eles e mantêm “sites provisórios” nos respetivos serviços online.

As notícias dizem, ainda, que a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T) da Polícia Judiciária está a investigar o ciberataque à Vodafone. Também o SIS, os serviços de informações e o Centro Nacional de Cibersegurança, estão a monitorizar o caso.

Para ultrapassar estas falhas nas comunicações, o Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal (INEM) tem recorrido a sistemas alternativos como o SIRESP, feitos via rádio. Também há corporações de bombeiros a sentir dificuldades nas comunicações. Alguns terminais de Multibanco também ficaram inoperacionais e há notícia de dificuldades em algumas áreas de netbanking como, por exemplo, a validação de operações através de sms.

Este ataque foi dirigido apenas contra a Vodafone Portugal, nenhumas das outras empresas de telecomunicações foram atacadas. É caso para dizer que ficam para a próxima.

Silvano, o invisível

O deputado José Silvano cedeu a sua palavra-passe de acesso ao sistema da Assembleia da República. A palavra passe foi usada pela deputada e colega de bancada Maria Emília Cerqueira. Os deputados dizem que a intenção foi a de facilitar a consulta de documentos e não, nunca, jamais em tempo algum, para que Maria marcasse a presença de Silvano no hemiciclo quando ele estivesse ausente.

O caso foi denunciado e o Ministério Público sentou os dois deputados no banco dos réus. O tribunal considerou que não ficou provado que Maria tivesse feito a malfeitoria de que estava acusada de “marcar o ponto” de Silvano.

Silvano considerou que “não provado” significa “absolvição” e convocou uma conferência de imprensa para dizer que precisariam de nascer duas vezes para ser tão honestos quanto ele, ou algo semelhante a isto. Que tudo não passou de uma tramoia de adversários políticos. A ser assim, há políticos cheios de má-fé e capazes de mentir só para obter ganhos…

Este quid pro cuo talvez pudesse ter sido tirado a limpo através das imagens gravadas pela ARTV. Mas foi? É que não há deputados invisíveis… que se saiba, é claro.

Ironias desenhadas a lápis de carvão pelo cartoonista Hélder Dias.

Propostas indecentes

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Lembro-me das palavras da Maria Judite, “a melhor resposta é a que fica por dar”, mas não consigo. As melhores palavras são as primeiras que saem, purinhas, o fogo de palha, que arde num instante e depois se extingue; esclarece sem se tornar na água choca portuguesa. Serão as palavras mais insensatas, não servirão para o trabalho diplomático, mas as únicas que têm sentido. As que suporto. Aquilo que me parece lógico.

Portanto, escrevem aqueles Exma. Sra., Vossa Excelência, o seu maravilhoso trabalho… quer trabalhar de graça? Temos aqui uma proposta maravilhosa para si. Tenho vontade de responder: Caro senhor, fui ao dentista a semana passada tirar um molar. Demorou menos de uma hora. Paguei 100 euros. Não achei caro.

A seguir vou colocar um implante que custa 1500 Euros. Um implante é um parafuso que atarraxa no osso do maxilar sobre o qual se acopla uma coroa de um material que eu gostava que fosse ouro, para parecer uma escritora do terceiro mundo, mas não tenho papel. Quantas horas de trabalho vossa excelência me está a propor por 75 euros? Assim. Sem mais. Só isto. É a única resposta que me ocorre e a única válida. A que se deve dar. É o que respondo mentalmente. Devo pensar e responder depois? Sim. Então, não devo? E se amanhã a minha resposta for a mesma?

(in Diário da Revolta, 7 de fevereiro – Facebook de Isabela Figueiredo)

Bebé em risco

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Índices pandémicos a baixar em Portugal. Hoje, o boletim epidemiológico regista 17.019 novas infeções e 36 mortes associadas à covid-19. Estão internadas 2.560 pessoas, mais 49 do que no domingo, enquanto nas unidades de cuidados intensivos estão menos duas, num total de 178.

O número de casos ativos voltou a diminuir, agora são 608.147, menos 20.663 do que no domingo.

Bebé de 13 meses em estado grave

O bebé de 13 meses internado com covid-19 desde a madrugada de sábado nos cuidados intensivos do Hospital São João, no Porto, “continua estável e com evolução favorável”, segundo fonte hospitalar citada pela agência Lusa.

Contudo, mantém-se “o prognóstico reservado”. O bebé apresenta “um quadro clínico compatível com a existência de uma miocardite”. A direção hospitalar informou que o bebé está “clinicamente muito doente”, com arritmias cardíacas muito difíceis de controlar, está a ser ventilado mecanicamente e entrou num choque cardiogénico, em que o coração deixa de ser capaz de assegurar a circulação do sangue pelo corpo e houve a necessidade de colocá-lo em ECMO.

No Hospital de S. João deram entrada desde o início da pandemia três casos de covid-19 em idade pediátrica.

Surto na cadeia de Braga

Embora com menos casos graves, a pandemia continua a provocar mazelas. Quinze reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga testaram positivo para a covid-19, tendo sido encaminhados para uma enfermaria do Estabelecimento Prisional do Porto, foi hoje anunciado pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

Os doentes estão assintomáticos. Segundo as autoridades prisionais, este surto não está a afetar o normal funcionamento da cadeia.

Fronteiras mais abertas

Deixou hoje de ser obrigatório a apresentação de teste negativo ao vírus SARS-CoV-2 para entrar em Portugal. Para passar a fronteira, basta a apresentação de um certificado digital covid-19 ou um comprovativo de vacinação reconhecido.

Termina, assim, a medida que estava em vigor desde 1 de dezembro do ano passado e que impunha a todos os passageiros que chegassem a Portugal por via aérea a apresentação de um teste negativo ou de um certificado de recuperação.

The Voice Portugal e os talentos que ficam sem voz nem palco

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Chegou ao fim mais uma edição do programa The Voice Portugal. Mais um grande vencedor, muitos aplausos e risos, confettis a cair. O programa é bem produzido, tem muitos ingredientes cativantes e alguns irritantes, também. O pior deles é o “vote, vote, vote”, num apelo insistente para as chamadas de custo acrescentado, receita que deve suplantar a da publicidade.

os finalistas do The Voice Portugal em 2022

É um concurso, uma competição. E se há um vencedor há centenas de perdedores que são quem verdadeiramente faz o programa. Potenciais artistas que, em muitos casos, apenas por circunstancialismos fortuitos não caíram na graça dos deuses. E ficaram resumidos aos sonhos desfeitos, às frustrações, às desilusões, com um caminho ainda mais incerto.

Estava a ver o programa e a lembrar-me de uma peça de teatro que vi há tempos, na sala do Centro de Artes de Lisboa. Uma peça escrita por um grupo de jovens atores, saídos da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Um retrato sobre a instabilidade e a incerteza, entre a permanência e a desistência, e os “cadáveres” da arte e do talento que ficam pelo caminho da precariedade. Uma das cenas tem tudo a ver com este tipo de programas televisivos…

vídeo – excerto de O Que resta É o Amor, peça de teatro

Os novos portugueses

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Descendentes de judeus sefarditas podem ser portugueses, se quiserem. Nos úiltimos seis anos, mais de 56 mil quiseram…

Por que razão os descendentes dos judeus sefarditas expulsos de Portugal há 600 anos têm direito à nacionalidade portuguesa e pessoas de outras origens ou etnias não têm os mesmos direitos?

A lei que permite aos sefarditas obter a nacionalidade portuguesa dispensa-os de saber falar português, basta que provem pertencer a uma comunidade judaica com tradições sefarditas. Trata-se evidentemente de um tratamento de privilégio. Esta questão só agora está a ser discutida porque se soube que o multimilionário russo Roman Abramovitch adquiriu a nacionalidade portuguesa, alegando ser descendente de judeus sefarditas. Portugal terá ganho mais um multimilionário, embora isso não contribua nada para bem-estar da comunidade. A pergunta sem resposta é qual a verdadeira razão para Abramovitch querer a nacionalidade portuguesa. A outra pergunta que convinha saber a resposta é porque razão Portugal concede este privilégio aos judeus de origem sefardita.

Se se trata de uma questão de arrependimento pelas perseguições e massacres que vitimaram milhares de judeus nos 300 anos de Inquisição, só ficaria bem dar as mesmas possibilidades aos povos que escravizámos e massacrámos durante séculos e com os quais temos uma real proximidade cultural e social.

Nos últimos seis anos, Portugal atribuiu a cidadania portuguesa a 56.685 descendentes de judeus sefarditas, segundo dados do Instituto dos Registos e Notariado (IRN) e do Ministério da Justiça.

Roman Abramovich é português desde o passado dia 30 de abril de 2021.

Roman Abramovitch, português.