Início Site Página 321

AMÉRICA COME CEREAIS RUSSOS

0

Os norte-americanos continuam a comer cereais russos, apesar de toda a retórica contra a guerra e das sanções económicas por eles mesmo decretadas.

Segundo noticiou a agência Reuters, a Danone aumentou recentemente as exportações para os Estados Unidos dos seus produtos de alimentação infantil. Desde 2010 que a Danone está implantada na Rússia, onde tem empresas subsidiárias dedicadas à agroindústria para produção de leite e cereais.

A Danone é a segunda maior empresa mundial de fórmulas alimentares infantis. Fornece os mercados de mais de 130 países e tem fábricas espalhadas por todo o mundo, da África do Sul à Nova Zelândia, de Portugal ao Brasil, da Rússia aos Estados Unidos. É uma empresa global, demasiado grande para se compadecer com embargos políticos.

Ninguém melhor que os próprios americanos compreendem isto. Agora, quando as prateleiras dos supermercados americanos começaram a ficar vazias com falta deste tipo de alimentos, a Danone aumentou a sua quota de mercado, pôs as fábricas a produzir mais e aumentou o ritmo dos cargueiros com contentores cheios de latinhas de leite em pó.

A crise é real. Mesmo quando os produtos chegam às prateleiras dos supermercados americanos, foi decretado racionamento para se tentar evitar açambarcamentos.

vendas de produtos alimentares infantis limitadas a 3 unidades por consumidor, diz o letreiro

ACIDENTES COM TROTINETAS E BICICLETAS

0

A circulação de trotinetas elétricas na vida pública transformou-se num problema. O número de acidentes está a subir, com consequências graves para os acidentados. Os condutores das trotinetas e, também, das bicicletas elétricas, normalmente não usam capacete de proteção e os traumatismos cranianos são a consequência mais comum dos acidentes.

O ACP acaba de divulgar números fornecidos pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central, segundo os quais acontecem cerca de 30 acidentes por mês com este tipo de veículos, com consequências graves que implicam internamento e cirurgias.

Estima-se que em Lisboa sejam efetuadas mais de 60 mil viagens de trotineta ou de bicicleta elétrica por dia, a avaliar pelo número de utilizações das bicicletas e trotinetas disponibilizadas pelos sistemas de aluguer.

Outro problema é a falta de seguro sempre que no acidente estejam envolvidos condutores menores de 18 anos. As seguradoras não se responsabilizam e as empresas de aluguer ainda menos, uma vez que não têm modo de impedir a utilização dos veículos por menores de idade.

Estas questões carecem de regulação legal. Em Portugal, não há lei alguma sobre a idade mínima para o aluguer de bicicletas e trotinetas elétricas. O uso de capacete devia ser obrigatório e devidamente fiscalizado pela polícia.

O MILITANTE QUE O PS EXPULSOU

0

Na entrevista que nos concedeu, Maximino Serra “abre o livro” sobre o aparelho partidário que o expulsou. O PS não prescinde apenas de um militante com 48 anos de intensa atividade partidária. Deita fora um notável combatente pela liberdade.

vídeo

Republicano, pertenceu a um grupo de revolucionários que se propunha derrubar o regime. Numa cronologia resumida, Maximino Serra fez parte da campanha presidencial de Rui Luís Gomes, em 1951, que foi proibida pelo regime. Em 1958 foi um dos ativistas da campanha do general Humberto Delgado. Em 1959 participou na Revolta da Sé. Em 1961 organiza o ataque ao quartel de Beja. O fracasso desta tentativa de golpe de estado levou-o a ficar ano e meio refugiado dentro da embaixada do Brasil, em Lisboa. Em 1963, assaltou um avião para fugir para Marrocos. Juntou-se ao movimento Portugueses Livres em Marrocos. Como refugiado político, viveu quase 10 anos no Canadá sob proteção da ONU. Regressou a Portugal em 1974 e aderiu ao PS.

Pois, foi este histórico da luta antifascista que o PS acaba de expulsar. Citando outro militante socialista, Cândido Ferreira, “a recente expulsão do ‘histórico’ Maximino Serra, um venerável ancião de 87 anos, é mais uma prova de que a atual família socialista se distancia progressivamente da herança moral e da declaração de princípios dos Fundadores do Partido.”

 

VARÍOLA DOS MACACOS, contágios misteriosos

0

O primeiro caso surgiu em Inglaterra há cerca de um mês, mas já se espalhou por 15 países. Em Portugal há 14 casos (todos na zona de Lisboa), é a informação oficial fornecida pela DGS.

A varíola dos macacos é uma doença viral. O contágio dá-se por contacto direto com a pessoa infetada. Há grupos de risco, mas, basicamente, qualquer um pode ser contagiado. Por ser sexualmente transmissível, todas as pessoas devem estar de sobreaviso quanto a esta doença. Em casos mais graves, pode ser mortal.

O surgimento de focos desta virose quase em simultâneo, em diferentes países e sem uma lógica de contágio, é um mistério que médicos virologistas precisam de desvendar. Pode até ser um caso de polícia.

No recreio da guerra

As cenas diplomáticas fazem parte da guerra. Quando um Estado decide expulsar diplomatas de outro, a retaliação não se faz esperar. Há cerca de um mês, Portugal expulsou 10 funcionários da embaixada da Rússia, agora foi a vez de 5 portugueses terem de abandonar Moscovo.

Expulsar um diplomata traz prejuízo a alguém? Não. A maioria das vezes, os expulsos são funcionários menores. Daqueles que levam e trazem papéis, arquivistas, tiram o café ao chefe. Na verdade, ficar sem eles é um incómodo menor.

Nada disto é para ser levado muito a sério. Enquanto eles se entretêm a diminuir o staff das embaixadas uns dos outros, a guerra não pára e a “carne para canhão” permanece na trituradora…

Ontem, a Rússia anunciou a expulsão de 34 diplomatas franceses, 27 espanhóis, 24 italianos e 2 finlandeses, em retaliação por medidas semelhantes adotadas por aqueles países a seguir à invasão da Ucrânia.

Cartoons de Hélder Dias.

O prémio da “Ordem dos Médicos do Privado”

0

Este ano, o Prémio Miller Guerra foi atribuído a um médico pneumologista, António Ramalho Almeida. Dois anos depois da chegada de uma pandemia que afeta especialmente o sistema respiratório, mas não só, premiar um pneumologista parece fazer sentido.

Mas acontece que se trata de um médico que não trabalha no SNS. Apesar de no comunicado em que a OM anuncia a entrega do prémio se referir que este médico trabalhou no Centro Hospitalar de Gaia, a verdade é que não é lá que trabalha.

No site do Centro Hospitalar de Gaia não há sequer notícia da distinção. Lá estão notícias de outros prémios atribuídos a elementos que trabalham naquele hospital. É o caso de João Luís Barreto Guimarães, cirurgião,  que venceu o  XVII Grande Prémio de Literatura dst.

Ou, ainda, a distinção atribuída a Soraia Rodrigues, enfermeira especialista, que venceu o 1º prémio no Congresso Português de Cardiologia 2022 com um artigo sobre a reabilitação cardíaca.

Onde António Ramalho Almeida surge como pertencendo ao quadro médico é no site do Hospital da Luz (do antigo Grupo Espirito Santo Saúde), um hospital que sorteia automóveis pelos seus novos clientes…

Ou seja, não deixa de ser estranho que 2 anos depois de uma pandemia, a Ordem dos Médicos resolva premiar um médico do privado e não um médico do SNS.

Sem qualquer desconsideração pela carreira médica do premiado, este prémio teria outra dimensão e outro reconhecimento público, se tivesse sido atribuído a um dos tais heróis a que todos bateram palmas quando estávamos aflitos e a morrer com covid-19.

Assim, mais parece um prémio de carreirista do que um prémio de carreira. É como se fosse um prémio atribuído pela “Ordem dos Médicos do Privado”…

CADEIAS AINDA MAIS FECHADAS

0

Com o agravamento dos índices relativos à pandemia covid-19, a ministra da Justiça avisa que as condições de vida no interior dos estabelecimentos prisionais poderão vir a agravar-se.

Nos últimos dias, os novos casos detetados estão acima dos 30 mil diários e o número de mortes atribuídas ao covid-19 aproxima-se dos 30 óbitos diários.

contágios voltam a aumentar, fonte DGS

A nova ministra da Justiça parece querer seguir as políticas da anterior. Catarina Sarmento e Castro, congratulou-se com a ausência de mortes nas prisões portuguesas associadas à pandemia de covid-19. A ministra disse que as políticas aplicadas nas prisões mereceram “rasgados elogios e foi um sucesso mundial”.

Mas não no interior das cadeias. Reclusos e guardas prisionais têm criticado as medidas do Governo, embora por razões diferentes.

Ontem mesmo, a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR), em comunicado, expressou desagrado pelas políticas restritivas que permanecem nos Estabelecimentos Prisionais, enquanto fora deles tudo tende a voltar ao normal.

A APAR  acusa o Governo de sacrificar os reclusos, com a justificação de “evitar contágios”, em vez de apostar na formação sanitária, distribuição de máscaras, abastecer as cadeias com gel de desinfeção, detergentes e desinfetantes para os espaços comuns e sanitários.

Para a organização representativa dos reclusos, a opção do Governo tem sido sempre a via mais fácil, ou seja, “reduzir o número de visitas” ao arrepio da lei, “separar os reclusos dos visitantes, com placas de acrílico, que impediam qualquer contacto físico” fazendo com que “durante mais de dois anos, os reclusos estiveram impedidos de tocar nos seus familiares, ainda que, no exterior, a vida voltasse a uma quase normalidade”.

A ministra parece pouco sensível a estes protestos. Diz que “as regras têm que ser ajustadas ao tamanho da equipa, ao número de pessoas, aos espaços”.

No comunicado, a APAR diz que vai pedir uma audiência com a ministra para tentar chegar a um acordo sobre políticas que não violem a lei de execução de penas.

AS GRUTAS DO POÇO VELHO

0

Famosas desde finais do século XIX, altura em que ali se fizeram as primeiras intervenções arqueológicas, sob a égide de Carlos Ribeiro (dos Serviços Geológicos de Portugal), constituíram o ai-jesus dos organizadores de um congresso internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas, que no ano de 1880 se realizou em Lisboa. Há narrativas entusiasmadas dos participantes.

Tempo houve, depois, em que a Junta de Turismo, pela mão de Abreu Nunes, pugnou pelo seu aproveitamento como importante foco de visitas turísticas. A morte de Abreu Nunes abriu caminho a um longo período de abandono, não sem que, no âmbito das comemorações dos 600 anos de elevação de Cascais  a vila, em 1964, se tenha mandado fazer, por iniciativa de D. António Castelo Branco, casas-abrigo para proteger as duas entradas.

Em 1983, o projecto retomou-se, ao tempo de Helena Roseta, mas as inundações deitaram tudo a perder. Em 2008, a Câmara viria a encomendar ao Doutor Victor S. Gonçalves, docente de Pré-História na Faculdade de Letras de Lisboa, o estudo exaustivo do que sobre as grutas se conhecia; daí resultou a monumental monografia «As Ocupações Pré-históricas das Furnas do Poço Velho (Cascais)», editada pela Câmara Municipal.

Abrir as grutas ao público foi, porém, sempre um anseio por concretizar. No Museu da Vila estavam os artefactos mais significativao aí encontrados – sim, porque as grutas foram necrópole na Pré-história! Outros há no Museu Geológico e Mineiro, em Lisboa.

artefato zoomorfo usado como pendente

Se o recurso à informática possibilita visitas virtuais, a emoção de penetrar no ventre da terra, acocorar-se aqui para não bater com o capacete na rocha, parar num dos recônditos que bem orquestrada iluminação logrou realçar… é outra coisa! Não para claustrofóbicos, claro, mas para quem adora a aventura, descobrir aquelas estalactites adossadas a uma das paredes, imaginar que numa daquelas covas poderão ter sido sepultadas pessoas há cinco mil anos!

Severino Rodrigues, Chefe da Divisão de Arquivos e Património Histórico do Município explicou, em linhas gerais, a história do monumento e manifestou quanto fora do agrado de toda a sua equipa e de todo o Departamento do Património chegar àquele momento.

Severino Rodrigues com os primeiros visitantes

Devidamente munidos de capacete e guiados por técnicas do Departamento, em fila mui cautelosa, embrenhámo-nos nas cavernas para, aí uns minutos quinze / vinte depois, sairmos do outro lado, a ver de novo a luz do Sol.

INTOXICAÇÃO ALIMENTAR EM TIRES

0

Serviram peixe estragado às crianças na Casa das Mães do Estabelecimento Prisional de Tires.

Aconteceu a 13 de maio, mas só agora o caso foi tornado público através de um comunicado da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR).

A Direção Geral de Reinserção e Serviços prisionais (DGRSP) reconheceu a ocorrência e diz que está a averiguar as causas da intoxicação.

Das cinco crianças levadas para o hospital, uma teve de ficar internada. As crianças são filhos de reclusas que permanecem com as mães até aos 3 anos de idade, excecionalmente é permitida a permanência de crianças até aos 5 anos.

A DGRSP diz que todas as crianças já regressaram ao estabelecimento prisional, onde estão a ser vigiadas pelos serviços clínicos.  Ainda não se conhecem todas as circunstâncias que levaram os serviços prisionais a servir peixe estragado a estas crianças. As refeições são fornecidas por uma empresa privada. A APAR lembra que o custo de cada refeição servida nas cadeias portuguesas não excede os 80 cêntimos. Ou seja, pelo preço depreende-se que a comida não pode ter qualidade.  

A intoxicação alimentar é um problema grave e que pode pôr a vida em risco. As pessoas infetadas com organismos patogénicos causadores de doenças transmitidos por alimentos podem ter desidratação grave, diarreia com sangue, prostração e alterações graves do estado geral e da consciência. Podem mesmo morrer, por causa disto.

SHIREEN, morta por um sniper

0

Manifestação em Lisboa, em protesto pelo assassinato de Shireen Abu Akleh. A jornalista palestiniana trabalhava para o canal de televisão Al Jazeera, na Palestina.

vídeo reportagem

Shireen Abu Akleh foi morta a sangue frio por um sniper israelita. A indignação está a dar a volta ao Mundo.

A manifestação de Lisboa aconteceu no Rossio. Lá se concentraram aqueles que sentiram necessidade de se unir contra uma ocupação militar que dura já há mais de 70 anos e a que as democracias ocidentais ou as potências militares nunca quiseram pôr cobro.

No Rossio juntaram-se ativistas palestinianos, representantes de alguns partidos políticos portugueses (PCP, Bloco de Esquerda) e de outras organizações da sociedade civil, nomeadamente o Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente. Todos unidos num discurso condenatório do acto criminoso, da ocupação israelita e da repressão que persiste sobre os palestinianos na sua própria terra.

Quase não houve cobertura jornalística do evento. Apenas a LUSA e a RTP (dos chamados OCS de referência). Uma ocupação que dura há mais de 70 anos não tem atrativos suficientes para os órgãos de comunicação social portugueses.

Um ativista do Hamas exibiu um pano durante breves segundos. O tempo suficiente para se perceber que tratava os judeus por nazis. O ativista e o pano foram retirados do local, sem demora nem alarido.

Shireen Abu Akleh morreu. Há mais de 70 anos que morrem palestinianos nas mesmas circunstâncias. E nunca até hoje a luta foi interrompida.