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JOÃO RENDEIRO, a tentativa de escapar ao inferno

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A morte de João Rendeiro numa cadeia da África do Sul (detido à ordem do Estado português) tem provocado reações um pouco por todo o lado, não sendo o Presidente da República o único a lamentar e a expressar desgosto pelo sucedido.

Para outros, a morte de João Rendeiro serve para comparar sistemas prisionais. Foi o que faz a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR).

Num comunicado, a APAR cita o Judicial Inspectorate for Correctional Services, organismo sul-africano congénere da portuguesa Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, afirmando que “na África do Sul morrem anualmente 32,2 reclusos por 10 mil detidos”, enquanto que, “em Portugal, a cifra é de 65,7 mortes por 10 mil reclusos”, acrescenta a APAR.

“Portugal teve, nos últimos cinco anos, mais de 300 mortos dentro das nossas prisões (a taxa de mortes nas cadeias portuguesas é o dobro da média europeia). Em 2019, registaram-se 64 mortes nas nossas prisões, 11 das quais por suicídio. Já no ano passado, 21 reclusos decidiram pôr termo às suas vidas, num período em que se contabilizaram 75 mortes nas cadeias portuguesas. O número de suicídios nas nossas cadeias subiu para 21 no ano de 2020”. São os números da desgraça que ocorre nas cadeias portuguesas e que constam no comunicado da APAR.

Números que fazem do sistema prisional português um dos piores entre membros da União Europeia, com as estatísticas mais elevadas de mortes nas cadeias.

“Nos últimos cinco anos já registámos mais de 300 mortes sem que um único processo de averiguação tenha dado quaisquer resultados no sentido de se poder responsabilizar o Estado e/ou os seus funcionários,” diz a APAR, lamentando que a PJ só tenha investigado 6” das 303 mortes que ocorreram nas prisões nestes cinco anos.”

A situação das cadeias portuguesas é, assim, preocupante e até justificativa da fuga de João Rendeiro.

O CORVO QUE DÁ BICADAS NO PASTEL DE NATA

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A Rua da Bombarda, em Lisboa, perto do Martim Moniz, tem o mais recente mural da cidade. A tinta ainda está fresca. Trata-se de uma obra de um artista do Luxemburgo, Alain Welter. O mural foi inaugurado com a pompa e circunstância possíveis, mas apesar de estarem numa visita de Estado a Portugal, os Grão-Duques do Luxemburgo não apareceram na cerimónia. E se eles não iam, Moedas também não foi.

A ausência de gente importante não terá sido por falta de cuidados na preparação do evento. Os residentes da zona bem se queixam do esmero com que a coisa foi conduzida…

No site da CML nada consta sobre a inauguração do mural nem sobre os protestos dos residentes. A notícia que lá vem apenas menciona que os Grão-Duques foram recebidos nos Paços do Concelho e que lhes foi oferecida a chave da cidade. E há uma foto da ocasião.

imagem partilhada do site da CML

Festival Eurovisão da Canção do Bandido

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O Festival Eurovisão da Canção foi utilizado como arma de marketing político. Talvez não tenha sido a primeira vez que aconteceu, não será seguramente a última. Mas, esta foi a vez em que deu estrondo. Não por causa de algum míssil de alta precisão, mas porque resultou numa manifesta injustiça.

A vitória da Ucrània não se suporta em nenhum critério artístico. Como já aqui dissemos antes, a canção não é a melhor, a melodia não fica no ouvido, o género musical não é do gosto comum dos europeus. E, no entanto, sabíamos no que ia resultar.

Foi como se todos os concorrentes tivessem ficado afónicos, excepto o da Ucrânia. Foi como se numa corrida todos os atletas tivessem corrido com uma perna amarrada, excepto o da Ucrânia. O chamado “voto popular” não é escrutinável. O “voto popular” é manipulável, tanto mais numa situação como a que se vive, depois da invasão russa. O “voto popular” não tem critério artístico, muito menos numa situação como a que se vive, depois da invasão russa. O “voto popular” resulta, como foi o caso, numa farsa.

JOÃO RENDEIRO: ANTES DE MORRER, ANDAVA BEM DISPOSTO

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fotograma de vídeo da CNN Portugal

Enquanto não forem divulgados os resultados da autópsia e de eventuais perícias forenses sobre a morte de João Rendeiro, todas as especulações são possíveis.

O que parece evidente é que o ânimo de João Rendeiro não estava em baixo. A CNN Portugal divulgou alegadas conversas por sms que Rendeiro estabeleceu com um “amigo de Lisboa” e o teor da conversa não revela que o detido estivesse deprimido.

fotograma de vídeo da CNN Portugal

O facto de João Rendeiro continuar a conversar com a mulher e com outras pessoas seria um estímulo para a resiliência face à situação em que se encontrava. Também parece evidente que o facto dele ter obtido um telemóvel dentro da cadeia revela esírito vivo e boas capacidades intelectuais. O homem continuava a recorrer a expedientes ilegais para atingir os seus objectivos.

Toda a gente fala em “suicídio”. É a ideia que se espalhou logo quando foi revelada a morte de João Rendeiro. Mas pode não ter sido assim.

O AMERICANO e suas mulas

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Os transportes públicos regulares nasceram no Porto. Faz amanhã (15 de maio) que se realizou a viagem inaugural do percurso Porto – Matosinhos – Leça da Palmeira.

Os veículos circulavam sobre carris, como se fossem comboios, mas eram puxados por cavalos ou mulas. O povo chamou “americano” a estas carruagens que surgiram primeiro nos Estados Unidos. Em 1832, em Nova Iorque e em 1834 em Nova Orleães.

Em Portugal, este tipo de transporte foi inaugurado em 15 de maio de 1872. A grande novidade tecnológica eram os carris que facilitavam o deslizamento do veículo sem necessidade de grande esforço dos cavalos.

Nos finais do século XIX havia em Portugal transportes públicos na maioria das cidades, graças ao “americano”. Braga, Coimbra, Figueira da Foz, Funchal, Lisboa, Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Porto, Leça da Palmeira, Matosinhos, São Martinho do Porto, foram as localidades onde surgiram as primeiras empresas de transportes públicos, graças ao “americano”.

Com o advento dos veículos movidos a eletricidade, em 1902 (em Lisboa) os mesmos carris por onde deslizava o “americano” foram depois utilizados pelos “carros elétricos”. Mas isso já é outra história.

GREVE DE FOME NA CADEIA DE MONSANTO

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Quinze reclusos iniciaram uma greve de fome e de sede no Estabelecimento Prisional de Monsanto, revela a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) em comunicado.

As razões do protesto estão relacionadas com as medidas restritivas que persistem neste estabelecimento prisional, ainda com a alegação do combate ao covid.

Segundo os reclusos, há dois anos que não podem frequentar a biblioteca nem o ginásio do estabelecimento prisional e as cantinas continuam impedidas de vender muitos produtos.

A APAR lembra que as cantinas são o único local onde os reclusos podem comprar artigos de primeira necessidade ou adquirir alimentos que ajudem a completar a dieta das cadeias, considerada de má qualidade e insuficiente. A APAR frisa que cada refeição custa apenas 0,80 cêntimos, pelo que se pode imaginar o que é dado aos reclusos para comer.

JOÃO RENDEIRO, a morte em circunstâncias estranhas

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João Rendeiro sempre disse que não voltaria a Portugal. Assim foi. A morte do banqueiro fugido à polícia necessita de uma explicação cabal. A tese de suicídio não convence, se é verdade que estava numa cela de 80 metros quadrados com outros 50 detidos. Aparentemente, foi encontrado enforcado. Resta saber se o penduraram já cadáver ou se subiu para o banco de livre vontade.

Eram conhecidas as tentativas de extorsão que sofria de outros detidos, que o consideravam rico. E era, embora o dinheiro não fosse dele. Rendeiro estava condenado em três casos de desvio de fundos e gestão danosa do BPP. E não se sabe que outro tipo de abusos o português terá sofrido, numa prisão considerada das mais violentas na África do Sul.

Mas, foi Rendeiro quem escolheu a sua própria sorte, ao fugir da justiça portuguesa. O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado. O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como processos relacionados com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

VAMOS LEVAR COM NOVA ONDA PANDÉMICA

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Estão a aumentar os contágios e as mortes associadas à pandemia covid-19. Nos últimos dias, a Direção Geral de Saúde registou números que podem significar que se está a formar uma nova onda pandémica.

Por exemplo, hoje (12 de maio) estão registados 24.866 novos casos. Há 7 dias, registaram-se 15.763. Ou seja, houve um aumento superior a 63%. Quanto a mortes, dia 12 registaram-se 25 mortes e dia 5 foram 22. A tendência é de subida, na última semana quase todos os dias registaram-se mais de 20 mortes, com picos nos dias 11 com 27 mortes e no dia 10 com 29 óbitos associados ao covid-19.

recorte da folha excell publicada pela DGS

Já se fala em nova onda pandémica, a sexta. A dimensão real do problema é uma incógnita. As pessoas deixaram de fazer testes de rastreio e abandonaram o uso de máscaras, exceto nos sítios onde continua a ser obrigatório: transportes públicos e instalações de saúde. O Governo admite já voltar a disponibilizar testes gratuitos à população em geral.

REVOLTA NA CHINA

Na China, nas cidades e regiões onde a pandemia voltou a revelar números considerados preocupantes, as autoridades voltaram a confinar as populações.

Para não parar a produção fabril, os trabalhadores estão a ser obrigados a permanecer no interior das fábricas. Trabalham e dormem dentro das fábricas. A revolta está a tomar conta das pessoas…

Quem é, quem é, o “campeão” dos noticiários?

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A agência de comunicação Marktest divulgou um ranking sobre o protagonismo noticioso. Depois de fazer contas ao número de notícias publicadas nas televisões e à duração das mesmas, a Marktest diz que Marcelo Rebelo de Sousa foi quem teve maior exposição mediática.

Cento e trinta e cinco (135) notícias com 5 horas e 16 minutos de duração durante o mês de abril, é o resultado mediático do labor presidencial.

Nas posições seguintes estão, em segundo lugar António Costa e, em terceiro lugar André Ventura. Depois aparecem, por ordem descendente, Inês Sousa Real, António Guterres, Rui Tavares, Fernando Medina, Mariana Mortágua, Augusto Santos Silva e Rui Rio.

Deste ranking, é notável o mediatismo concedido ao líder do Chega. É o triunfo do populismo caceteiro em todo o seu esplendor. Os jornalistas serão os primeiros responsáveis pelo relativo sucesso da extrema-direita em Portugal. E é igualmente notável o apagamento do líder do segundo maior partido português. Rui Rio deve andar a dormir na forma.

Também não deixa de surpreender a ausência de Jerónimo de Sousa. Nem mesmo os ímpetos persecutórios motivados pelo posicionamento do PCP quanto à guerra na Ucrânia geraram número de notícias suficiente para o dirigente comunista constar no ranking dos 10+ da Marktest.

Por fim, esta análise peca por aparentemente não considerar protagonistas estrangeiros. Caso considerasse, o grande vencedor, o campeão seria Volodymyr Zelensky. “Não há pai” para o Presidente ucraniano, em termos de popularidade e importância mediática.

fonte Marktest

FUTEBOL, Circo Romano

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Tiroteio no bairro do Cerco, no Porto, na sequência do assassinato de um homem na noite de sábado, no Estádio do Dragão.

Uma rixa entre adeptos do mesmo clube é coisa que não se entende. Mas aconteceu durante os festejos da conquista do título nacional pelo FC Porto. Nesses festejos, um homem foi assassinado.

O morto chamava-se Igor Silva. Há quem acredite que o crime pode ter tido motivações raciais. Igor vivia em Ramalde, um antigo bairro operário do Porto. Ramalde é sítio de gente pobre.

Igor Silva, 26 anos, assassinado no Estádio do Dragão

O principal suspeito, detido e identificado pela PSP, chama-se Renato Gonçalves. Foi identificado pela PSP e está detido preventivamente.

Renato Gonçalves, suspeito pela morte de Igor Silva

Outro suspeito é o pai de Renato, Marco Gonçalves, de alcunha “Orelhas”. A família Gonçalves vive no bairro do Cerco, um dos maiores bairros sociais do Porto. Um sítio mal-afamado, onde pululam traficantes de droga e carteiristas. Detido pela PSP e interrogado no Ministério Público, Renato apenas confessou ser autor de uma das 12 facadas que feriram de morte a vítima. E que depois terá fugido do local. O pai “Orelhas” está igualmente indiciado de participação no crime, mas está em parte incerta. Marco “Orelhas” é um conhecido “animador” da claque Super Dragões.

Marco “Orelhas”, suspeito pela morte de Igor Silva

Do tiroteio desta madrugada não houve vítimas, apenas ânimos exaltados. Foi dito que terá sido uma tentativa de alguém para vingar a morte de Igor. Disto tudo também se extrai a certeza de que os estádios de futebol são locais perigosos. E também se confirma que as claques dos clubes de futebol são santuários para criminosos. E a última certeza é que o futebol está a se transformar num circo romano. Nada disto é tolerável.