Início Site Página 323

MULHERES (e homens) EM LUTA

0

Foi uma manifestação de mulheres. Mulheres de diferentes profissões e condições sociais. Mulheres que lutam pela igualdade e justiça social, pelo fim da discriminação sexista.  Entre elas, mulheres com deficiência, para quem as palavras de ordem visíveis nos cartazes têm a dimensão de uma luta ainda maior.

A manifestação foi convocada pelo Movimento Democrático das Mulheres, mas aderiram várias organizações socioprofissionais como, por exemplo, a Associação Portuguesa de Juristas Democratas, a Associação Geral das Mulheres Chinesas em Portugal, a Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD), entre outras.

Diana Santos, que foi deputada pelo Bloco de Esquerda na anterior legislatura, participou na manifestação e deixou no Facebook um testemunho de alegria e de esperança, ao escrever que “Hoje foi tão bom… Ainda não tenho muitas palavras. Sinto tanto orgulho em nós (e em tantos outros que levamos em nós por não conseguirem estar) por fazermos parte da luta. Por sermos sopro de mudança. Não estivemos sós porque a luta por direitos humanos é uma responsabilidade de todas as pessoas”.

Para as pessoas com deficiência, as questões da igualdade e dignidade passam não apenas pelos preceitos legais mas, também, pelas acessibilidades aos edifícios públicos, aos centros comerciais, aos transportes públicas. Coisas simples que não apoquentam o cidadão, excepto quando se trata de alguém que se desloque numa cadeira de rodas, por exemplo.

E depois há o resto, que serviu de razão para se convocar esta manifestação. A violência doméstica, a exploração sexual, a desigualdade salarial, a precariedade laboral, a igualdade nos direitos. Enfim, tudo aquilo que traz justiça social e que ainda falha em Portugal.

(fotos partilhadas do Facebook de Diana Santos)

Devagarinho, Lisboa muda

0

A Avenida da Liberdade vai passar a ser via exclusiva para peões, aos domingos e feriados. A velocidade máxima do trânsito automóvel baixa 10 km/h, em todos os tipos de vias. Ou seja, em algumas ruas a velocidade máxima passará a ser de 30 km/h, noutras será de 40 ou de 70 km/h consoante o tipo de via.

Votaram contra o PSD/CDS, PCP absteve-se, votaram a favor o PS, Livre e Bloco. Foi quanto bastou para a proposta ser aprovada. Moedas (PSD) é o presidente da Câmara, mas não tem maioria.

Foi decidido ainda que o corte do trânsito automóvel aos domingos deve ser alargado a todas as freguesias, aplicando-se a “uma artéria central (ou mais) com comércio e serviços locais, para que todos os fregueses de toda a cidade possam experimentar fazer as suas deslocações de proximidade a pé de forma segura e confortável sem necessitar do automóvel próprio”, assim propôs o Livre.

Eurovisão da Canção, UCRÂNIA JÁ GANHOU

0

O Festival Eurovisão da Canção já tem vencedor. É a canção que representa a Ucrânia. Não é a melhor canção, não é a que fica no ouvido, não tem uma melodia interessante. A música do grupo Kalush Orchestra é uma fusão entre folclore e hip hop. Uma experiência que pode ser interessante, mas longe do gosto comum dos europeus. No entanto, as apostas colocam a canção no topo das preferências e todos dizem que serão eles a vencer. De acordo com o ‘site’ eurovisionworld, o tema da Ucrânia é o favorito para vencer o concurso.

A acontecer, é mais uma consequência da guerra na Ucrânia. Com a opinião pública ocidental a condenar a invasão russa, tudo o que cheire a apoio à Ucrânia torna-se num objetivo do marketing político.

“SAUDADE, SAUDADE”

Assim, à melhor canção restará o 2º lugar. Não sabemos se a canção portuguesa poderá lá chegar. Veremos o que acontece na final, que está marcada para sábado, 14 de maio. Antes, teremos uma segunda semifinal, dia 12.

Portugal é representado no concurso por Maro, que venceu em março o Festival da Canção com “Saudade Saudade”. Maro atua acompanhada por um coro feminino, que integra Beatriz Fonseca, Beatriz Pessoa, Carolina Leite, Diana Castro e Milhanas.

O HOMEM QUE DÁ DE BEBER ÀS ABELHAS

0
fotografia de Fernando Ferreira

Passava os tempos livres a correr pelos campos e ainda era criança quando fotografou o primeiro “bicho”. Foi só o primeiro de muitos. Hoje, homem feito, Fernando Ferreira é um fotógrafo da Natureza. Desenvolve um projeto raro de recolha e identificação da biodiversidade no município de Vila do Conde.

Não é um trabalho, porque é um hobby. Mas devia ser trabalho remunerado. Um homem que é capaz de dar de beber às abelhas, tem de ver reconhecido o trabalho que desenvolve.

vídeo de Fernando Ferreira

É um trabalho muito interessante. As fotografias são muito boas. Quando Fernando Ferreira nos diz que nunca teve formação em fotografia, deixa-nos boquiabertos.

formiga-leão, fotografia de Fernando Ferreira

“Desde miúdo, oito, dez anos, que sempre gostei de fotografia e de natureza, não fosse eu de uma geração em que passávamos todo o tempo livre que tínhamos, no meio da Natureza a brincar. A minha família era muito modesta e, infelizmente, de poucos recursos financeiros. Tive de ir trabalhar aos 12 anos para ajudar em casa”, explica-nos Fernando para dizer que a pobreza nunca lhe permitiu estudar fotografia.

“A fotografia começou como hobby. Mas, desde 2015 é onde ocupo o meu tempo, no projeto Biodiversidade na nossa Terra“.

“De manha bem cedo saio para o campo, às vezes passo lá todo o dia… Quando chego a casa, há o trabalho de seleção das  fotos e respetiva edição. Só pequenos ajustes porque não tenho formação em edição. Depois, todas as espécies que não conheço tento identifica-las com a ajuda de profissionais da área. Após a identificação, o trabalho de pesquisa sobre a espécie, de modo a criar uma pequena ficha técnica.”

morcego, fotografia de Fernando Ferreira

É nas redes sociais que Fernando exibe o trabalho do dia-a-dia. São sempre fotografias lindíssimas. Tem de ser possível viver desta atividade. O município, alguma instituição pública ou privada, devia olhar com olhos de ver para o trabalho desenvolvido por Fernando Ferreira. O projeto Biodiversidade na Nossa Terra tem um valor didático imenso. Deviam-lhe pagar na escala correspondente.

“Infelizmente, a minha esposa também ficou desempregada. Vivemos uma situação difícil. Também temos tido muita dificuldade para conseguir apoios para o projeto,” confessa-nos Fernando Ferreira que, profissionalmente, foi técnico de Informática até ter ficado desempregado.

“Estou a fazer com que estes registos sirvam como ferramenta de educação e sensibilização ambiental. Tenho feito algumas apresentações e palestras em escolas. A ideia é fazê-lo em, todas as escolas do município”, diz Fernando Ferreira. Mas o projeto tem validade para todas as escolas portuguesas. “Preciso é de apoios para poder prosseguir com este trabalho”, remata o entrevistado.

E depois perguntámos-lhe qual foi a fotografia que mais lhe agradou, até hoje? Em que circunstâncias foi feita?

“As fotos que mais me satisfazem, são de resgates de animais bem sucedidos (eu também faço resgate de animais). Uma das que mais gostei foi de uma Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus) – Juvenil, que depois de a ter salvo de uma morte certa, ao ir libertá-la numa floresta, sem explicação ela ficou no mesmo local mais de meia hora, enquanto eu lhe tirava fotos em várias poses…”

E à pergunta sobre qual foi a fotografia com que obteve o prémio que mais lhe agradou receber, Fernando respondeu:

“A fotografia em causa não recebeu nenhum prémio, mas foi escolhida entre muitas de muitos países, para ser capa de uma revista internacional, Wild Planet Photo Magazine. A Wild Planet Photo Magazine é uma revista inglesa dedicada à Vida Selvagem e a fotógrafos da Natureza de todo o Mundo. A revista é publicada todos os meses, e os sites contam com mais de 256.000 visitantes de 190 países”, explica-nos.

A fotografia de que falo é de um inseto que tem como nome comum Formiga-leão e foi registada na Reserva Ornitológica de Mindelo, a mais antiga Reserva de Portugal e uma das mais antigas da Europa”, diz Fernando Ferreira.

As fotografias de Fernando são muito boas. Já o futuro não se vislumbra tão agradável como deveria. Ainda assim, Fernando diz que “independentemente do que acontecer nunca irei deixar de registar a nossa biodiversidade… com o projeto Biodiversidade na nossa Terra, tudo vai depender de apoios financeiros.”

Redes sociais de Fernando Ferreira:

https://www.facebook.com/FernandoFerreiraPhotography

https://www.instagram.com/fernando_ferreira_photography

http://www.youtube.com/c/FernandoFerreiraPhotography

A MALDIÇÃO

0

Já houve quem sustentasse que a Rússia era uma espécie de país do Terceiro Mundo, mas provida de mísseis e de meios bélicos atómicos arrasadores. Só devido a isso pode fingir ser uma grande potência. Basta pensarmos que o seu produto interno bruto se situará ao nível de uma Itália, que não poderemos apresentar como um colosso.

A sua imponente dimensão territorial nunca correspondeu a uma realidade nacional homogénea. A Rússia é um mosaico de povos que se não estimam mutuamente e de crenças que coexistem em estado de tensão. Isto explica, em larga medida, que a unidade interna nunca tenha conseguido prescindir de um “poder cossaco”, de uma embriaguez de violência, de um autoritarismo congénito e de uma administração centralizada, servida por meios coactivos de natureza brutal. Se assim não tivesse sido, a Rússia já se teria dilacerado numa multiplicidade de independências e de autonomias.

A tentativa actual do putinismo de fazer regressar esse país à matriz imperial dos czarismos passados – o branco e o vermelho – mais não é do que o empenho de somar novas contradições a uma realidade de base que sempre foi contraditória.

A Autoridade, na sua forma mais conservadora e irretorquível, é o grande cimento agregador da alma russa. Ela é indiscutível a um tal ponto que se torna impossível falar de cidadania nos mesmos termos em que dela se fala no Ocidente democrático. O “cidadão” russo “cuida da vida” e espera que as diversas chefias instaladas cuidem do destino da colectividade. O contraditório das diversas decisões políticas não é visto, como entre nós, através do prisma da legitimidade assente na soberania da população, mas através da óptica na inelutabilidade da obediência devida a quem manda.

A tradição político-cultural da Ocidentalidade é inaplicável à Rússia. A razão mais forte desta inaplicabilidade assenta numa evolução histórica e social que sempre se fez ao arrepio do que designamos por Europa.

Nesta Europa a que nos reportamos, foram os servos da gleba medieval que se libertaram das cadeias da sujeição aos aristocratas e que se constituíram como burguesia. Esses servos tornaram-se prestimosos, promoveram-se socialmente, fizeram estudar os seus filhos em Universidades e acabaram por oferecer aos reis absolutos alguns dos seus principais conselheiros e ministros.

Na Europa constituiu-se, portanto, uma camada intermédia que pôde amortecer o conflito, sempre latente entre os que mandavam e os que obedeciam. Os caminhos de constituição da burguesia russa nada têm a ver com os que acabamos de expor. Os servos da gleba na Rússia foram os mujiques. Estes nunca conseguiram ser outra coisa senão miseráveis. Mesmo os proprietários com umas leiras de terra individualmente apropriada não puderam gerar uma burguesia. Estes “kulaks” foram mantidos sempre sob suspeita, quer pela aristocracia dos czares coroados – antes de 1917 – quer pela nova aristocracia dos czares burocráticos – depois de 1917.

Por estas razões, a Rússia nunca possuiu uma camada social que, firmada na sua força individualista e na sua autonomia de decisão, pudesse protagonizar a História. Por isso, a Rússia desconheceu inteiramente a realidade de um capitalismo burguês audacioso e empreendedor. Por este facto, a Rússia também desconheceu algo de comparável à revolução francesa de 1789, a partir da qual se organizou a revolução industrial.

Apesar disto, a Rússia sempre sentiu um fascínio imenso pelo mundo ocidental. O caso de Catarina, a Grande, é emblemático. A poderosíssima oligarca protegeu e estimulou o movimento iluminista e enciclopedista. Protegeu o mais que pôde Diderot, supriu-lhe todas as dificuldades económicas, instituiu-lhe uma tença e subsidiou-lhe a compra de livros para a biblioteca diderotiana. Quando morreu Diderot, essa biblioteca seguiu para S. Petersburgo. Algo de grosseiramente semelhante ocorre no presente, quando na Rússia de agora se fazem ouvir vozes oligárquicas a preconizar a formação de uma espécie de Eurásia, que ampliasse e unificasse, sob a égide da Rússia, os dois continentes contraditórios.

No plano cultural, a Rússia é de uma grandeza inequívoca, nada ficando a dever ao que de melhor se criou no mundo. Mas esta grandeza é quase toda proveniente dos séculos que antecederam 1917. Reportando-nos apenas ao domínio que melhor conhecemos, o domínio literário, diremos que o melhor da literatura russa se assume sob a forma do trágico, do culposo, do incómodo, do drama existencial. A grandeza incomparável da literatura russa advém do facto de se tratar de um produto macerado, quase de natureza autopunitiva.

Tolstoi foi um aristocrata de infeliz consciência. Sofreu na carne o drama de ser um terratenente de alma cândida. Dostoievsky é em toda a sua obra uma espécie de psicanálise da culpa em carne viva. Gogol exprime um riso triste, cuja desesperança se supera através de abordagens de significado grotesco. Anton Tchekov explicita nas suas peças um psicologismo subtilíssimo, compondo magistralmente uma galeria de personagens inseridas em famílias decadentes, nas quais se plasma um irrefragável mas difuso sentimento de perda (v. g. as peças “A Gaivota” , “O Cerejal” , “O Tio Vânia”). Mikhail Bulgakov reedita, em moldes mais modernistas, o grotesco de Gogol, refugiando-se num mundo onírico, todo ele percorrido por pulsões satânicas (“O Mestre e Margarida”, obra admirável) ou por paralelismos entre a condição da transcendência humana e as imposições da mais pura e dura condição animal (“Coração de Cão”, por exemplo).

Ou seja: a cultura literária russa expressa a nostalgia do que é sentido como insuficiente e dubitativo, como trágico no sentido etimológico. Do “realismo socialista” que irrompeu da revolução bolchevique, é melhor nada dizer, por piedade . É, em nosso entender, mesmo no que se refere a todas as obras de protesto político e social (Pasternak, Soljenítsin) um infinito bocejo tedioso …

Se colocarmos a nós próprios a pergunta “A Rússia, que futuro?” a única resposta que nos parece razoável dar é esta: a Rússia irá ter o futuro que o passado lhe preparou. É um país condenado às formas de servidão cívica provenientes de um passado histórico imemorial. A Rússia será Rússia enquanto estiver agrilhoada. É essa a sua alma e a sua condição endógena. Quando cortar as grilhetas, melhor, se um dia vier a cortar as grilhetas, desaparecerá para sempre como Rússia. Porque terá alienado a sua alma, que é simultaneamente a sua maldição.

Diz-me quem escolhes… mais um triste episódio!

0

Mas quem é Maximino Serra, porventura um desconhecido para a maioria dos leitores? Irmão mais novo do mítico Manuel Serra, sobre ele direi, simplesmente, que é talvez o maior herói da resistência antifascista ainda vivo. E que é, de certeza, um patriota com sólidas e íntegras credenciais, exibidas até à exaustão, durante mais de 70 (setenta!…) anos de luta tenaz e constante pelos valores da liberdade e da democracia.

Ainda jovem, Maximino Serra já se distinguia pela sua coragem e energia na luta contra a ditadura, tendo visto cair companheiros anónimos, a seu lado, durante o desastrado assalto de Varela Gomes ao Quartel de Beja, em 1961.

Referenciado pela PIDE e sem apoios logísticos, até mesmo traído por alguns infiltrados julgados seus amigos, ainda assim Maximino Serra logrou sair de Portugal para se abrigar onde conseguia sobreviver, passando as piores privações num conturbado desterro pelo Norte de África.

Antes e depois dessa ocorrência, acompanhou de perto Humberto Delgado, de quem se tornou íntimo e que só foi assassinado porque, em 1965, desprezou os seus repetidos avisos.

E, no entanto, embora a sua extraordinária “lenda” seja incontestável, nem assim evitou que fosse “expurgado” do PS, o seu Partido de sempre. Insisto na palavra “expurgo” porque, ao seu afastamento, dadas as circunstâncias em que decorreu o processo, nem sequer poderá ser atribuída a estatutária figura de “expulsão”.

Vale a pena debruçarmo-nos sobre o “crime lesa-PS” por que este militante socialista de sempre, foi condenado por ilustres desconhecidos de que nenhuma obra notável se conhece.

Homem de pensamento livre, e assumidamente rebelde que não se verga a desaforos nem se submete a tiranias, Maximino Serra entendeu inscrever o seu nome, como último suplente, numa lista candidata à Câmara de Alcobaça, integrando uma plataforma eleitoral independente que se apresentou sob a sigla “Nós Cidadãos”.

A razão dessa sua atitude baseou-se no apoio nunca negado a Rui Alexandre, ex-Presidente da Secção de Alcobaça do PS, e candidato já designado, mas que, por artes, foi afastado e humilhado pelas estruturas locais e regionais do PS, à última hora.

Quanto bastou para agora lhe ser movido um “processo de expulsão” que, de bem orquestrado pelos seus adversários internos, nem sequer teve conhecimento. Assim mesmo, Maximino Serra foi expulso de um partido dito democrático, sem que a Comissão de Jurisdição, ao contrário do que afirma, lhe tivesse, sequer, concedido o direito à defesa.

E ainda bem que assim aconteceu porque, conhecendo eu o meu amigo “Serrita”, como bem conheço, teria sido mais um “cabo dos trabalhos”, certamente com ele a responder em linguagem verbal, e gesticular, à medida daquela que os ucranianos usam contra Putin.

Filiado num Partido assente no sagrado princípio “unidade sim e unicidade não”, sempre reivindiquei o direito de, em eleições autárquicas, expressar o meu apoio a quem o entendesse, independentemente da cor política.

Ora, embora eu não tivesse integrado qualquer lista nas últimas eleições, e até tivesse expressado publicamente o meu apoio a algumas candidaturas do PS, ainda assim cometi uma exceção. Precisamente em Alcobaça, e na qualidade de ex-Presidente da Federação do PS de Leiria, aceitei o irrecusável convite do também meu querido amigo Rui Alexandre, de quem fui “mandatário de honra”.

O bom povo diz que tão ladrão é quem vai à vinha, como quem fica ao portão. Caso a Direção do PS não intervenha, e não ponha um fim fim neste disparate, mantendo a expulsão de Maximino Serra, exigirei no local próprio que também me seja movido um consequente processo de expulsão a que, a não ser sumário, tal como o de Maximino Serra, farei o possível por responder polidamente.

MARIDOS, do Cacém até ao Kosovo

0
fotografia de Catarina Lobo

É uma peça teatral inspirada num programa de televisão onde se tentou falar sobre um filme. Confuso? Deve estar. E com razão. Quem viu o programa de televisão, também ficou confuso…

No dia 21 de setembro de 1970, no programa de televisão “The Dick Cavett Show”, o anfitrião recebeu os três atores de “Husbands” (Maridos), Peter Falk, Bem Gazzara e John Cassavetes (que também realizou), com o objetivo de promover o filme. O programa redundou numa balbúrdia que só visto…

E foi a partir dessa balbúrdia que subiu ao palco do Auditório Municipal António Silva a peça “Maridos”, interpretada por Leonor Cabral, Joana Cotrim e Carolina Figueiredo, do Teatromosca.

No Cacém foi um êxito retumbante. A peça vai entrar agora em digressão. Faro, Coimbra e Pristina, no Kosovo, serão os palcos da digressão que incluirá, ainda, um retorno ao Cacém nos dias 2, 3 e 4 de junho.

Para comprar bilhetes (entre 5€ a 7€), é nos sítios habituais: Ticketline, Seetickets, AMAS – Auditório Municipal António Silva, DeVIR CAPa, Festival FEMART . Não há nem melhor nem mais barato.

Diz-me quem escolhes…

1

O reforço do Partido Socialista, na atual legislatura, concedeu-lhe o direito a nomear mais Conselheiros de Estado. A escolha da AR recaiu sobre três cidadãos: Carlos César, Sampaio da Nóvoa e Manuel Alegre, por esta hierarquia. Uma ordenação estranha, mas que fere a História e viola os Estatutos do Partido, ao ignorar a quota feminina. Será que nenhuma mulher, neste país, tem “categoria” para representar o PS?

Deixemos de lado a opção por Carlos César e Manuel Alegre, “senadores” sobre quem nada pende em desabono. Centremo-nos em Sampaio da Nóvoa, um “independente dito de esquerda” que nunca teve qualquer ligação ao PS, para além de se opor vivamente ao saudoso e respeitado Mariano Gago.

Tardiamente indiciado, pelo PS, como opositor a Marcelo, um ano depois já lhe tecia rasgados elogios. Fosse esse o critério e outra personalidade o suplantaria: refiro-me à “histórica” Ana Gomes que, do género feminino, nunca virou a cara à luta.  

Mas vale a pena debruçarmo-nos sobre a enigmática biografia de Sampaio da Nóvoa, para se perceber a “delicadeza política” desta nomeação: reza a sua história ter frequentado a Faculdade de Matemática, em Coimbra, “onde não concluiu o curso”. Por esclarecer, há quem contradite que, nesse período, apenas “andou a cabular”.  

Dado também o seu fracasso no futebol, na Académica, regressaria a Lisboa para frequentar um curso não oficial de Teatro, entre setembro de 73 e abril de 74, buscando uma “carreira” em que também falhou, apesar de inegável talento. Já no fervor do PREC, ficou célebre a cena em que, para surpresa familiar, se apresentou na casa paterna para almoçar com a namorada, mas na condição de “casado nessa mesma manhã”.

E foi nestas andarilhanças, sem ter obtido qualquer diploma em Portugal, nem mesmo à custa de passagens administrativas, então muito em voga, que, nos anos seguintes, foi cooptado Professor do Ensino Básico, em Aveiro. Nada de anormal, dada a sua formação básica…

Filho de “boas famílias”, seria mais tarde dotado de um Fiat 127 e remetido para a Bélgica, para uma espécie de ano sabático. Acabaria por se fixar em Genebra, onde se inscreveu numa Universidade prestigiada, numa espécie de voluntariado para frequentar um curso que não exigia habilitações superiores. Ao que consta, não houve fraude…

E é neste contexto, sem que lhe seja reconhecido qualquer título académico superior, e sem que a sua “tese” tivesse ainda sido reconhecida, na Suíça, que foi convidado para Professor da Universidade de Lisboa:

– Nós, cá, reconhecemos-te a tese. – Ter-lhe-á garantido o seu patrono, segundo notáveis declarações de Sampaio da Nóvoa a um órgão de informação.  

Uma decisão que se revelou precipitada, porque nunca o júri daquela exigente Instituição aceitou tão incertas credenciais. Motivo para Sampaio da Nóvoa “emigrar” até Aveiro onde, aí sim, lhe foi concedido “doutoramento”. E só então ingressou de vez na Universidade de Lisboa, de que depressa se tornaria Reitor. “Sem nunca ter entrado na Reitoria”, como também declarou em entrevista.  

Nunca qualquer destes factos, públicos, e amplamente divulgados, foram alvo de desmentido. Todos conhecemos um ex-primeiro ministro que obteve a sua licenciatura ao domingo, no culminar de um polémico processo que envolveu meia-dúzia de cadeiras, duvidosamente creditadas por uma “escola manhosa”. Neste caso, e apesar de eu próprio lhe ter colocado a questão olhos nos olhos, num debate televisivo, nunca Sampaio da Nóvoa forneceu informações precisas sobre a data, o curso e a escola onde adquiriu a licenciatura, grau académico registado em certas biografias.

Mais ainda. A seguir às presidenciais, e apesar de insistentes acusações de plágio por parte de prestigiados académicos brasileiros, também nunca contraditadas, Sampaio da Nóvoa passou a ser o único cidadão português que, sem pertencer à carreira diplomática, se tornou Embaixador. Um “algoritmo” fora de qualquer contexto lógico, até dada a visibilidade internacional do cargo que ocupou, na Unesco.  

Nada me liga a Ana Gomes, pessoa que nem sequer se dignou responder a vários pedidos de audiência, que lhe enderecei durante três décadas, movido apenas pelo interesse do meu país. Que pensará esta socialista muito bem informada, que passou por todos os filtros e foi uma diplomata brilhante, da nomeação para o Conselho de Estado de alguém com um percurso recheado de “equivalências”, na aparência ainda mais duvidosas do que as exibidas por um célebre ex-ministro, este do PSD?

Não se entenda este último parágrafo como proposta para Ana Gomes integrar o Conselho de Estado: tal como a maioria dos portugueses, há muito que estou de “saco cheio”, embora reconheça que contenha muitas peças valiosas, mas por entre demasiados “cacos” desnecessariamente escaqueirados, em causas que não partilho.

Mas voltemos a Sampaio da Nóvoa, alegadamente “defensor de causas sociais”, que também totalmente se ignoram. Neste capítulo, apenas se lhe reconhece uma condenação por excesso de litigância, no Tribunal de Oeiras, numa vã tentativa de desalojar uma Instituição sem fins lucrativos, que se dedica à Proteção de Menores com deficiências físicas e mentais. Estragava as vistas e desvalorizava o imóvel em que habitava, seriam os fundamentos da importante ação cívica que liderou.

Para terminar, sem ressentimentos que nunca alimentaria, mas apenas no exercício do dever cívico de escrutinar a verdade sobre as figuras públicas, declaro a minha disposição de me retratar perante Sampaio da Nóvoa, caso ele prove que o PS não cometeu mais um tremendo “erro de casting”.

Confesso, porém, que veria com alguma satisfação a sua renúncia voluntária ao Conselho de Estado. E passo a explicar porquê:

Num estilo sem dúvida muito apreciado, e em mais uma bela “colagem de citações”, Sampaio da Nóvoa logrou encadear magistralmente, em apenas três páginas, mais de uma dúzia de “heróis nacionais”, para no final perguntar:

– Afinal, quem és tu, Portugal?

E a resposta, traduzindo uma total ausência de ideias políticas, logo surgiu muito “natural”:

– Ninguém!

Por mim, preferia repor a legalidade estatutária dentro de um PS em que fui quase fundador, e em que continuo filiado e com as quotas em dia, que não militante, e ver o Conselho de Estado preenchido por uma mulher que, perante esta questão de quem é Portugal, ousasse responder:

– Tudo!

Joaquim Silva Pinto, 1936 – 2022

0

Morreu Joaquim Silva Pinto. Amigo de longuíssima data de Basílio Horta, de quem foi colega na Ação Nacional Popular (ANP) – o partido único no tempo de Salazar – e de Marcelo Rebelo de Sousa.

O autarca sintrense deve estar abalado. Já quase só sobra ele, daqueles tempos felizes da ditadura.

O Presidente da República mandou escrever no site da Presidência que lamentava a morte de Silva Pinto, depois de “uma vida dedicada a diversos cargos públicos, antes e depois do 25 de abril”.

Joaquim Silva Pinto foi um dos que derivou da ANP fascista até ao PS. Entrou nas fileiras socialistas por convite de Jorge Sampaio. Basílio Horta chegou muito depois, pela mão de José Sócrates.

Não se lhe conhece uma crítica a Salazar. Foi mais fácil ouvi-lo criticar Marcelo Caetano, de quem foi lugar-tenente. Defendeu uma tese em que ilibava o ditador de responsabilidades sobre a morte de Humberto Delgado, colocando o ónus na extrema-direita ainda mais reacionária.

Silva Pinto foi o exemplo de quem se valeu da agenda de contactos e das amizades para fazer carreira, fosse na política ou nas empresas.

ZELENSKY SHOW

0

O presidente da Ucrânia tem toda a legitimidade para fazer propaganda ao regime que dirige e para dar ânimo às tropas que combatem o invasor. E esperança ao povo que acredita nele. Só lhe ficam bem tais desígnios.

Mas confundir vídeos de propaganda com notícia, não devia acontecer. E o que vemos nos noticiários é a completa confusão entre o que é notícia e a propaganda. Muitas “notícias” são meras peças de propaganda. Mas há casos em que nem há a preocupação de disfarçar. Incluir a mais recente produção de propaganda de guerra produzida para Zelensky nos noticiários é uma falha grave à deontologia da profissão de jornalista.

O vídeo até é interessante. Imagem a preto e branco com contrastes bem definidos, som de estúdio, música de fundo, efeitos de chroma key. Uma realização cuidada, um texto eficaz, a coisa quase a roçar o cinematográfico. Mas não é uma notícia. Vi na CNN Portugal, mas talvez esteja a acontecer o mesmo nos outros canais. São uns macacos de imitação.