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GUARDAS PRISIONAIS ALVO DE PROCESSO JUDICIAL

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A Associação Portuguesa de Apoio aos Reclusos (APAR) anunciou, em comunicado de imprensa, ir mover um processo contra os guardas prisionais que tentaram ludibriar o sistema judicial, com acusações infundadas contra a APAR.

Tudo começou quando estes guardas prisionais, em representação de um dos sindicatos do setor, apresentaram uma queixa de difamação contra a associação de apoio aos reclusos. A queixa baseava-se numa declaração do secretário-geral da APAR afirmando que alguns guardas prisionais forneciam telemóveis aos reclusos.

Na acusação, segundo o comunicado da APAR, os guardas prisionais acrescentaram a palavra “todos”, querendo fazer crer que teria sido dito que “todos os guardas prisionais” traficavam telemóveis para dentro das cadeias.

No debate instrutório a acusação foi mandada arquivar. Os queixosos foram condenados a pagar as custas processuais, conforme manda a Lei.

Agora, a APAR considera que houve má-fé, “intenção de prejudicar”, “persistência do dolo” e que os referidos guardas prisionais exibem “um manifesto desajustamento profissional às funções a que estão imbuídos.” E com base nisto, contra-ataca com uma queixa no Ministério Público.

Não é a primeira vez, não será a última, que a APAR enfrenta reações corporativistas de dirigentes sindicais que, aparentemente, confundem a luta por melhores condições laborais com encobrimento de eventuais ilegalidades cometidas pelos seus pares.

FOGÕES A LENHA VOLTAM AO ATIVO

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As primeiras imagens do gasoduto russo sabotado foram agora publicadas e mostram um dos tubos completamente rebentado. A polícia dinamarquesa garante que os danos foram provocados por fortes explosões, informou esta terça-feira a agência Reuters.

As imagens foram obtidas com recurso a um drone subaquático privado e, segundo um jornal sueco, o Expressen, provam que desapareceu uma seção do gasoduto com cerca de 50 metros de comprimento.

As investigações das várias agências policiais com jurisdição na área, nomeadamente a polícia dinamarquesa, não indicaram ainda qualquer suspeito da autoria do atentado. Há quem diga que foram os próprios russos a explodir com o seu próprio gasoduto. Uma teoria hilariante e que é rejeitada em absoluto pelo Governo da Rússia.

Para usar o Nord Stream como arma na guerra contra a Ucrânia e criar dependência energética na Europa, teria sido mais lógico rebentar com outros gasodutos que existem na região e que levam crude e gás natural dos offshores dinamarquês e britânico para as refinarias em terra.

O operador dinamarquês Energinet inspecionou os seus próprios oleodutos na sequência dos danos causados ao Nord Stream 1 e 2, mas disse que não encontrou nada de anormal.

A Rússia, que construiu os dois Nord Stream com parceiros estrangeiros, diz que a sabotagem foi executada pelos Estados Unidos e seus aliados.

Da maneira como as coisas estão, vai ser muito difícil evitar que os preços da energia continuem a aumentar. A Rússia fornecia 40% das necessidades europeias e, por mais que os produtores do Golfo Pérsico, africanos ou mesmo os EUA tentem extrair, a distribuição do produto não está garantida, principalmente devido a questões logísticas.

A QatarEnergy, um importante fornecedor global de gás natural, disse que estava a trabalhar para expandir a sua produção e comércio de gás à medida que a procura aumenta, mas disse que não iria prejudicar compradores asiáticos por causa dos problemas da Europa.

Em Portugal, a GALP já avisou que o seu principal fornecedor de gás, a Nigéria, informou que vai reduzir as entregas de gás natural, alegando dificuldades na produção devido a problemas técnicos provocados pelo mau tempo.

Na zona a norte de Lisboa, um dos principais fornecedores de lenha costuma vender a cerca de 100 € a tonelada. Veremos o preço a que vai vender agora.

Cábula ou Ladrão?

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Nos meus tempos de faculdade tivemos durante todo o curso cadeiras de programação de computadores. Nos primeiros anos eram matérias relativamente simples, em cujos testes havia questões para as quais as respostas só poderiam ser uma ou duas distintas, não mais do que isso, e que faziam com que houvesse professores de vigilância aos examinandos.

Porém, no último ano, a amplitude e diversidade das possíveis respostas correctas era tal, que os alunos podiam levar para os exames toda a bibliografia que desejassem, todos os seus próprios apontamentos, sebentas, conversarmos uns com os outros durante essas horas, sairmos para ir buscar algo para comer e beber, pois que tipicamente a duração dos exames atingia largas horas. E havia um professor, sentado na sua secretária no palco de um anfiteatro com capacidade para 300, 400 alunos ou mais, e apenas lá para receber as respostas de cada um. Ninguém se preocupava com copianços, pois que era facílimo detectar quem havia copiado e o quê: a resolução de um problema com um algoritmo desenhado e implementado da mesma forma por dois alunos era tão rara como dois euromilhões ao mesmo jogador em duas semanas seguidas e mais improvável que uma segunda maioria absoluta do PS.

Pois bem, na escrita o princípio é exactamente o mesmo: duas pessoas não escrevem exactamente da mesma maneira, com as mesmas palavras, ao pormenor da vírgula, acerca do mesmo tema.

E é claro que quando isso acontece, é batota. É cábula. É copianço.

E, nos meus tempos de faculdade, os cábulas faziam batota, cabulavam, copiavam, mas ainda não se dizia que ’ plagiavam’.

Plagiar é, na mais fácil definição do termo, roubar aquilo que outra pessoa pensou e escreveu. Ou pintou, ou compôs, ou projectou, ou inventou.

Plagiar é pegar no trabalho intelectual de outrém e tomá-lo como seu. É, enfim, roubá-lo.

E quando um “jornalista” o faz, é grave, bastante mais grave que um garoto no banco da escola ou da faculdade.

Porque o “jornalista” descredibiliza-se a ele próprio, e descredibiliza o órgão para o qual vende o “seu” trabalho.

Mas quanto a mim mais grave ainda que enganar os seus leitores, esse “jornalista” defrauda, moral, intelectual e financeiramente, o verdadeiro autor do que ele alega e assume ter escrito pela sua própria mão oriundo do seu próprio intelecto.

Porém, o que verdadeiramente me diverte, é quando esse “jornalista”, passando sobranceira, arrogante e liminarmente um atestado de estupidez aos seus leitores e ao verdadeiro autor dos seus escritos, apresenta as esfarrapadíssimas desculpas de que se “esqueceu” de atribuir os devidos créditos (assim como se esqueceu de escrever a verdade da autoria) de que se enganou nas citações (ele chama citações a parágrafos inteiros que copiou em múltiplos textos) de que já pediu desculpas aos visados (não tinha pedido quando declarou que já tinha pedido).

E, pasme-se, não foi a primeira vez, nem a segunda vez que o fez – e que foi apanhado a fazê-lo. Temos malabar(t)ista!

Nos bancos da escola, quando um aluno era apanhado a copiar, o exame era anulado e eram essas as únicas consequências, as respostas dos exames ainda hoje não têm a prerrogativa de Direitos de Autor.

Na vida real, ainda por cima tratando-se da profissão que é, só o impedimento de continuar credenciado a exercê-la é reprimenda suficiente, este habilidoso-desmemoriado-aldrabão-ladrão não pode continuar detentor de carteira de jornalista, quanto mais não seja pelo insulto que isso representa a todos os Jornalistas que laboriosamente se esforçaram por a conquistar sem substerfúgios ou malabarismos ou fraudes. E a de Belanciano deve ser-lhe retirada – isso se ela também não tiver sido fotocopiada de um qualquer incauto seu colega em que o espertalhão apenas substituiu a fotografia – o que no caso em apreço também já não me surpreenderia.

Balenciano, como já sabes porque não és parvo (nenhum parvo faz o que tu fizeste e se faz passar por parvo como tu te fizeste e quer fazer dos outros parvos como tu quiseste) a resposta à pergunta do título é: “ambos”. É o que és, és um cábula e um ladrão.

Porque para além disso, vem a vergonha (se a tivesses – e não tens, claro que não tens) e vem a mortificação (se a sentisses – e não sentes, um ladrão tem sempre minimamente laivos de psico/sociopatia) mas assumamos que se tivesses vergonha, a sentirias aguda, pois que nunca mais ninguém acreditará numa palavra que possas escrever como sendo realmente da tua lavra, exceptuando, talvez, a tua assinatura em cheques, e apenas presencialmente.

Que com os antecedentes que carregas, convenhamos que também farão o teu gestor de conta no banco levantar o sobrolho de cada vez que pegares numa caneta.

P.S.: que fique claro nada me move contra a pessoa em causa, nem sequer o conheço de lado algum ou faço tenções de conhecer, se não de hoje para amanhã ainda me cruzava algures com um clone meu só porque tinha apertado a mão ao Belanciano, irra….

Mas é com complacênciazinhas destas, aparentes minudências no instalado lodo, que a podridão vai minando, que os favorzinhos se vão fazendo e que as alcavalazinhas se vão acumulando, é assim que as mãozinhas se começam a lavar umas às outras e as costinhas a coçar-se mutuamente, sem que daí comece a vir malus ad mundum mas que por isso se entranha cada vez mais a insidiosa maleita. Vide, aliás, o gritante corporativismo de toda a comunicação social na exposição desta vergonha, a começar por quem mais responsabilidades teria em o fazer sendo sua entidade empregadora, o jornal Público, que só levantou a tampa quando o ebulescente escândalo ameaçou fazer explodir a caldeira.

OS NEGÓCIOS E A SAÚDE PÚBLICA

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Médicos de todo o mundo reúnem-se em Fátima para discutir gestão de pandemias. Não se trata de uma reunião de “negacionistas” covid-19, mas sim de pessoas que pretendem discutir teses cientificamente sustentadas sobre as vacinas, eventuais problemas relacionados com a vacinação anti-covid-19 e o impacto das multinacionais farmacêuticas na tomada das decisões políticas.

Na hora em que ficámos a saber que a Pfizer admitiu não ter testado a capacidade da vacina da covid parar a transmissão antes de a lançar no mercado, através de declarações prestadas no Parlamento Europeu por um alto quadro dessa multinacional farmacêutica, este congresso irá certamente discutir estas questões, que ultrapassam em muito a mera questão clínica, extravasando para vários eventuais delitos criminais.

Depois da pandemia ser declarada, a Pfizer mais do que duplicou a faturação, e a vacina que produziu tornou-se no produto mais lucrativo da História, segundo o The Guardian, lembra a psicóloga Joana Amaral Dias numa publicação recente no Facebook.

Segundo um comunicado que nos chegou, trata-se de uma iniciativa da médica dentista Marta Gameiro, a que se associou o Movimento Cidadania Democrática, o evento conta com o apoio do World Council of Health e garantiu a coordenação científica do médico Cândido Ferreira.

O programa anuncia a participação de um grande naipe de oradores, entre os quais vários antigos bastonários da Ordem dos Médicos, mas também de peritos da Organização Mundial de Saúde e de investigadores de diversas universidades e institutos estrangeiros. Dos portugueses, destacamos os médicos Manuel Pinto Coelho ou Henrique Carreira, do estrangeiro virão David Bell, da OMS, Jessica Rose da Universidade de Tel Aviv ou o virulogista Geert Bossche da Fundação Bill & Melinda Gates dos EUA.

A troca de ideias e de conhecimentos, mas também o exercício da Liberdade de expressão, estão na génese deste congresso que terá lugar de 28 a 30 de outubro, em Fátima.

Ai, os saudosos ares da serra!

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Tem dois contraditórios efeitos a deslocação de pessoas do interior para o litoral: saindo, deixam de poder agir contra a desertificação; quando regressam, mesmo que por pouco tempo, cobre-as espesso manto de saudade e não querem deixar de poder agir contra o esquecimento.

Assim aconteceu com António Augusto Fernandes, hoje aposentado, depois  de ter sido professor em Viseu, nomeadamente na Universidade Católica.

Natural de Rebordainhos, uma aldeia do concelho de Bragança, plasmou agora em livro, sob o sugestivo título Ares da Serra, os cenários da sua infância e juventude: as gentes, os costumes, os lugares. Saudável é, mui saudável mesmo, esse intento, não apenas porque – como é o caso – facilmente nos deixarmos enlevar por uma lídima prosa que prende do princípio até ao fim, mas também porque, amiúde, como quem não quer a coisa, se acentuam contrastes, se verberam erros, se apontam soluções.

capa do livro Ares da Serra

O que sumamente interessa é a evocação. Ora dê-se uma vista de olhos por alguns dos títulos das 17 narrativas: «Memórias de um pobre paraíso perdido», «potriqueiros», «malha-à-eira!», «Em louvor do larego», «As metáforas do Aidinhas», «O Tio Rasca dos Pereiros», «O presépio do Doutor Caleja», «O tio Zé Miguel, contador de histórias», «Sei um ninho!»…

Logo se depreende que há todo um recordar de pessoas e de tradições, doutros tempos: «Para que não caiam de todo no olvido, deles aqui se lavra nota, porque a grande história é a que nos moldou a infância a que pertencemos ainda quando, no entardecer da vida, ela se vai esvaindo nas névoas da memória».

E aposto que, tal como eu, muito terão pegado no dicionário para ver o significado do provincianismo transmontano larego («o amigo do lar»). É o porco pequeno, entre o leitão e o cevado e o texto constitui bom pretexto para miudamente se contar a cerimónia da matança do porco. Bem, miudamente miudamente não, porque, a dado passo, o autor contém-se e explica:

«Passo em branco a parte mais cruenta do acto, não vá algum elemento mais zelote da ASAE vir meter o nariz inquisitorial na última das matanças que porventura ainda se realize em Rebordainhos para lhe aplicar a coima e consequente proibição definitiva. Para efeitos práticos e politicamente correctos, aqui se deixa exarado que as matanças acabaram prática e definitivamente. São apenas recordações medievais» (p. 43).

Por aqui se vê também como o Autor não perde – e não perde nunca! – a oportunidade de dar a sua bicada, mostrando, neste caso, o atrás referido contraste entre a norma prescrita pelos senhores da cidade e os hábitos de antanho! Por isso, mais nos apetece citar outro passo, por sinal do mesmo texto:

«Quem não recorda o perfume inebriante de um bom naco de lombo em vinha-de-alhos a rechinar sobre as brasas de carvalho, nas noites de invernia, enquanto se seroava e o vento zoava lá fora no arvoredo?» (p- 41-42).

A linguagem preciosa e precisa, a evocação que faz crescer água na boca.

Temos o rol dos nomes locais dos cogumelos ou rouquelhos (esta eu não apanhei no dicionário…): «as rocas ou freirinhas, os míscaros, as carneiras, os tortulhos, as mozinhas, as repolgas, as línguas de vaca… eu sei lá».

É assim: um estendal de palavras que os dicionários não registam e aqui se consignam para que se não percam de todo. Depois, as histórias do volfrâmio, a luta pela defesa dos baldios (mais uma daquelas saídas de bestuntos citadinos que pouco ou nada sabem das terras), a vinda dos emigrantes pelo verão. Ora leia-se:

«Era uma nova fauna que bulia com a quietude das aldeias, arrotando postas de pescada pelas tabernas, muito anchos nas estranhas vestimentas trazidas lá de fora e batendo com estrondo sobre o balcão, roxo de muitos tintos, as notas de cem e até de quinhentos mil-réis com que pagavam as romeias de vinho e cervejas aos patrícios a quem mingara a coragem para deixarem as courelas magras e desafiarem os caminhos do mundo» (p. 93).

Mas eu volto ao porco, para mais um naco de saborosa prosa:

«O cochino, durante a ceva, era tratado com cuidados de mulher parida, com todos os mimos: farelo, grão, nabos, castanhas, as perfumadas castanhas mamotas que os ganapos pilhavam do caldeirão onde se lhe cozia a vianda».

E, a propósito da vianda – não a do cochino, mas a das pessoas –, cá vai mais uma frase lapidar: «O passadio do dia-a-dia, de uma austeridade cenobítica, esbeltava os corpos, enrijava as almas e deixava-lhes o céu garantido». Assim, em duas penadas!

150 páginas, polvilhadas de imagens antigas, impressas com data de 2022, na Tip. Beira Alta, de Viseu. Etnografia e antropologia de mãos dadas, «a ruralidade castiça da terra transmontana», como sussurra Henrique Almeida numa das badanas.

A Pobreza e a ‘pobreza’

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fotomontagem com Laurinda Alves, vereadora da CML

No tempo da troika, algures em 2014, um casal de professores e dois filhos viveram debaixo de uma ponte durante uns meses. As prestações elevadas impediram-nos de manter a habitação. Quando por lá passei, até os móveis estavam ali. E viviam como se ali houvesse um tecto. Mantenho a minha imensa admiração por aqueles pais que conseguiam dar um ar de alguma normalidade a uma situação absolutamente anormal.

Também nessa altura, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Uma classe média que se foi desvanecendo e à qual foi muito difícil recuperar algum poder de compra.

Leio um relatório da Pordata, divulgado no dia 17, Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza, que refere que em 2020, e pela primeira vez em seis anos, Portugal registou um aumento no número de pessoas em risco de pobreza, apesar dos apoios sociais. Muitas destas pessoas, como o casal de professores que referi, tem filhos.

Claro que se fala na pandemia e nos dois anos passados em confinamentos: o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% em 2020 comparativamente a 2019. E acrescenta-se que o Covid-19 teve um forte impacto no rendimento dos portugueses, com mais famílias no escalão mínimo de IRS.

Agora veio a guerra e a consequente crise económica que obrigam muitas instituições a recorrerem mais ao Banco Alimentar para ajudar mais famílias carenciadas. Acresce a isto que muitas destas instituições, que recebiam donativos directos de grandes empresas, viram-nos cortados porque os gastos destas aumentaram exponencialmente. Um gestor de topo de uma grande multinacional dizia-me recentemente que os gastos só em transportes aumentaram mais de seis milhões de euros.

Os donativos particulares também diminuíram acentuadamente. Tradicionalmente eram feitos por uma classe média alta, que já desceu para média e que, a continuar tudo como está, em breve enfrentará o limiar da pobreza.

Mas basta olhar para as revistas cor-de-rosa ou alguns programas de televisão para se perceber o quão mais ricos estão os ricos e que o fosso já é de uma classe no limiar da pobreza, ou mesmo pobre, para uma classe alta à qual nada faltará.

De entre estes há, todavia, o que sofrem de uma outra ‘pobreza’. Prevista para hoje e felizmente cancelada, por indigna, foi uma ideia da vereadora independente, eleita pela Coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), Laurinda Alves – a tal que não queria levar pessoas sem-abrigo ao festival Rock In Rio, para não sofrerem tentações (!). Pois queria a vereadora fazer uma marcha e um piquenique destinados às ‘pessoas de maior vulnerabilidade social’.

Claro que todos lhe caíram em cima e o coro de críticas foi de tal ordem que o ‘evento’ foi cancelado. A maioria dos presidentes das juntas defendeu que ‘essas pessoas devem ser protegidas e não expostas’.

E, no âmbito desta ‘pobreza’, surge a notícia mais pobre: A organização da marcha anunciou que Marcelo Rebelo de Sousa também iria marchar ‘pelas 15h00, depois do almoço, para dar o ponto de partida’. Só não entendi se, se a marcha se tivesse realizado, o Presidente almoçaria em Belém com a vereadora ou iam almoçar com os pobrezinhos.

SNS – O virar da página?

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Durante décadas, em conferências e inúmeros textos, e perante flagrantes erros, desvios e omissões que, paulatinamente, conduziam o nosso SNS ao despesismo e a uma evidente degradação, não hesitei em propor criteriosas medidas terapêuticas, nunca postas em prática.

No início do séc. XXI, já por demais diagnosticadas insustentáveis doenças crónicas, e embora a pregar no deserto, nunca desisti de apontar as patologias mais preocupantes do SNS: a não existência de planos diretores, a desarticulação entre os vários setores, a insensatez nos investimentos, a ascensão de gestores políticos inaptos, a humilhação e liquidação das carreiras dos profissionais de saúde, a proteção a lóbis privados, a opacidade de contratos milionários e até aquisições polémicas, de que os célebres ventiladores chineses serão o exemplo mais recente.  

Em março de 2020, perante o total descontrole, incompetência e nepotismo amplamente demonstrados por autoridades da Saúde alheias aos graves sintomas e sinais, subitamente agravados pela pandemia, atrevi-me a prever um triste desenlace a curto prazo, que sintetizei numa sugestiva metáfora: a “morte temida” do SNS.

Não governa quem usa e abusa do poder e da comunicação social, mas quem sabe… e quem pode. Com o nosso “doente” a necessitar de urgente reanimação, o país depressa assistiu ao protelar de atos médicos e ao impensável crescimento de listas de espera, que prenunciavam uma profunda deterioração do conjunto dos cuidados públicos de saúde.

Já com o SNS a entrar em “coma induzido”, e os tambores da guerra a rufarem, deu-se o inevitável rolar de cabeças e umas tantas ascensões dentro do Ministério da Saúde, que poderão começar a fazer toda a diferença.

Tendo pela frente uma difícil e espinhosa missão, o Ministro Manuel Pizarro é alguém reconhecido entre os seus pares pela qualidade do seu exercício profissional e adquiriu depois formação e experiência políticas invulgares, enquanto acumulava um profundo conhecimento da orgânica do Ministério da Saúde, hoje traduzido numa rara visão, clara, dialogante e inteligente, do universo do SNS.

Qualidades que poderão, ou não, fazer toda a diferença, até porque suporte político interno não lhe faltará, sendo certamente um dos ministros mais influentes. Resta saber se terá capacidade e coragem para “arrumar uma casa” que a impoluta Joana Marques Vidal, em 2011, apontava como um dos centros de preocupação da Justiça, em Portugal.

Já sem forças para abandonar o leito, e numa derradeira alusão ao também saudoso António Arnaut, o inconformado socialista Prof. Carlos Carranca deixou-nos uma reflexão lapidar, que traduz bem o pensamento que enformou a recém-conquistada, mas efémera, maioria absoluta: O SNS é património do PS, se este o sonhar, respeitar e defender.  

Com a esperança média de vida a decair pela primeira vez desde que há registos, e dados estatísticos oficiais a recuar décadas, os portugueses atentos, e que bem conhecem as maleitas a corrigir, só podem desejar bom sucesso ao novo Ministro da Saúde.

O bispo decadente

O bispo Manuel Linda é uma pessoa que se entusiasma consigo mesmo. No site da Diocese do Porto escreveu que “aquele era um dia talhado para emoções. Passado pouco tempo, vi o que nunca tinha presenciado ‘ao vivo’: um homem e uma mulher, na casa dos trinta, empurrando, cada um deles, um carrinho onde não iam bebés, mas… cães. E como se fosse pouco, à noitinha, mais outra cena: dois atletas em bicicleta, cada uma delas com atrelado. Porque me chamou a atenção o perigo que corriam as crianças, fixei-me melhor: afinal, não eram miúdos, mas… outros dois cães.”

Entusiasmado com a retórica, twittou na sua página que o apego a animais de estimação é típico de sociedades decadentes.

Esse grande “animal” esqueceu o exemplo de Francisco de Assis, santo da ICAR, fundador da Ordem dos Franciscanos, e que tentou ensinar à Humanidade o dever da sã e justa convivência com todos os animais. Francisco, o nome que o atual papa escolheu para si. Mas Manuel Linda não tem nada a ver com essa igreja.

Cartoon de Hélder Dias, a retratar o momentum deste bispo da Igreja Católica…

TEMPESTADE CATASTRÓFICA

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Ilhas gregas atingidas por uma tempestade que deixou um rasto de destruição e morte.

Uma chuvada torrencial durante 3 horas provocou derrocadas e enxurradas absolutamente destruidoras.

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A IGREJA DO FAZ-DE-CONTA

cartoons de Hélder Dias

Histórias de padres católicos com “doenças do coração” são mais comuns do que poderemos julgar. Pessoalmente, conheço duas. Uma passada em Bissau com um missionário italiano do PIME e uma outra passada em Freixo de Espada à Cinta, onde um padre se apaixonou por uma amiga minha.

Ambos os casos foram tratados pela Igreja Católica de modo sigiloso. O padre de Bissau foi chamado a Roma, pediram-lhe que se isolasse num convento para refletir. O padre dourense também se isolou do mundo, mas não foi para Roma. O padre italiano voltou para os braços da sua amada, 18 meses depois. Largou a igreja, casou-se, vive feliz com a sua médica cubana algures no mundo. O outro acabou abandonado pela mulher que amava e voltou ao regaço da instituição.

Estas duas histórias servem como exemplo do modo como a Igreja Católica reage. Deteta as situações, tenta resolvê-las sem alarido público, mantendo as aparências.

cartoon de Hélder Dias

Se é assim com padres heterossexuais, será assim com os homossexuais e pedófilos. Para a Igreja Católica, o pecado estará na sexualidade, independentemente da forma em que se manifesta.

No caso da pedofilia, o pecado é mesmo criminoso. Mas estamos a falar de uma igreja socialmente desajustada, com pilares sustentados na misoginia, na acumulação de riqueza, nos privilégios sociais.  Coisas que sempre funcionaram a seu favor, até agora.

cartoon de Hélder Dias