Cábula ou Ladrão?

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Nos meus tempos de faculdade tivemos durante todo o curso cadeiras de programação de computadores. Nos primeiros anos eram matérias relativamente simples, em cujos testes havia questões para as quais as respostas só poderiam ser uma ou duas distintas, não mais do que isso, e que faziam com que houvesse professores de vigilância aos examinandos.

Porém, no último ano, a amplitude e diversidade das possíveis respostas correctas era tal, que os alunos podiam levar para os exames toda a bibliografia que desejassem, todos os seus próprios apontamentos, sebentas, conversarmos uns com os outros durante essas horas, sairmos para ir buscar algo para comer e beber, pois que tipicamente a duração dos exames atingia largas horas. E havia um professor, sentado na sua secretária no palco de um anfiteatro com capacidade para 300, 400 alunos ou mais, e apenas lá para receber as respostas de cada um. Ninguém se preocupava com copianços, pois que era facílimo detectar quem havia copiado e o quê: a resolução de um problema com um algoritmo desenhado e implementado da mesma forma por dois alunos era tão rara como dois euromilhões ao mesmo jogador em duas semanas seguidas e mais improvável que uma segunda maioria absoluta do PS.

Pois bem, na escrita o princípio é exactamente o mesmo: duas pessoas não escrevem exactamente da mesma maneira, com as mesmas palavras, ao pormenor da vírgula, acerca do mesmo tema.

E é claro que quando isso acontece, é batota. É cábula. É copianço.

E, nos meus tempos de faculdade, os cábulas faziam batota, cabulavam, copiavam, mas ainda não se dizia que ’ plagiavam’.

Plagiar é, na mais fácil definição do termo, roubar aquilo que outra pessoa pensou e escreveu. Ou pintou, ou compôs, ou projectou, ou inventou.

Plagiar é pegar no trabalho intelectual de outrém e tomá-lo como seu. É, enfim, roubá-lo.

E quando um “jornalista” o faz, é grave, bastante mais grave que um garoto no banco da escola ou da faculdade.

Porque o “jornalista” descredibiliza-se a ele próprio, e descredibiliza o órgão para o qual vende o “seu” trabalho.

Mas quanto a mim mais grave ainda que enganar os seus leitores, esse “jornalista” defrauda, moral, intelectual e financeiramente, o verdadeiro autor do que ele alega e assume ter escrito pela sua própria mão oriundo do seu próprio intelecto.

Porém, o que verdadeiramente me diverte, é quando esse “jornalista”, passando sobranceira, arrogante e liminarmente um atestado de estupidez aos seus leitores e ao verdadeiro autor dos seus escritos, apresenta as esfarrapadíssimas desculpas de que se “esqueceu” de atribuir os devidos créditos (assim como se esqueceu de escrever a verdade da autoria) de que se enganou nas citações (ele chama citações a parágrafos inteiros que copiou em múltiplos textos) de que já pediu desculpas aos visados (não tinha pedido quando declarou que já tinha pedido).

E, pasme-se, não foi a primeira vez, nem a segunda vez que o fez – e que foi apanhado a fazê-lo. Temos malabar(t)ista!

Nos bancos da escola, quando um aluno era apanhado a copiar, o exame era anulado e eram essas as únicas consequências, as respostas dos exames ainda hoje não têm a prerrogativa de Direitos de Autor.

Na vida real, ainda por cima tratando-se da profissão que é, só o impedimento de continuar credenciado a exercê-la é reprimenda suficiente, este habilidoso-desmemoriado-aldrabão-ladrão não pode continuar detentor de carteira de jornalista, quanto mais não seja pelo insulto que isso representa a todos os Jornalistas que laboriosamente se esforçaram por a conquistar sem substerfúgios ou malabarismos ou fraudes. E a de Belanciano deve ser-lhe retirada – isso se ela também não tiver sido fotocopiada de um qualquer incauto seu colega em que o espertalhão apenas substituiu a fotografia – o que no caso em apreço também já não me surpreenderia.

Balenciano, como já sabes porque não és parvo (nenhum parvo faz o que tu fizeste e se faz passar por parvo como tu te fizeste e quer fazer dos outros parvos como tu quiseste) a resposta à pergunta do título é: “ambos”. É o que és, és um cábula e um ladrão.

Porque para além disso, vem a vergonha (se a tivesses – e não tens, claro que não tens) e vem a mortificação (se a sentisses – e não sentes, um ladrão tem sempre minimamente laivos de psico/sociopatia) mas assumamos que se tivesses vergonha, a sentirias aguda, pois que nunca mais ninguém acreditará numa palavra que possas escrever como sendo realmente da tua lavra, exceptuando, talvez, a tua assinatura em cheques, e apenas presencialmente.

Que com os antecedentes que carregas, convenhamos que também farão o teu gestor de conta no banco levantar o sobrolho de cada vez que pegares numa caneta.

P.S.: que fique claro nada me move contra a pessoa em causa, nem sequer o conheço de lado algum ou faço tenções de conhecer, se não de hoje para amanhã ainda me cruzava algures com um clone meu só porque tinha apertado a mão ao Belanciano, irra….

Mas é com complacênciazinhas destas, aparentes minudências no instalado lodo, que a podridão vai minando, que os favorzinhos se vão fazendo e que as alcavalazinhas se vão acumulando, é assim que as mãozinhas se começam a lavar umas às outras e as costinhas a coçar-se mutuamente, sem que daí comece a vir malus ad mundum mas que por isso se entranha cada vez mais a insidiosa maleita. Vide, aliás, o gritante corporativismo de toda a comunicação social na exposição desta vergonha, a começar por quem mais responsabilidades teria em o fazer sendo sua entidade empregadora, o jornal Público, que só levantou a tampa quando o ebulescente escândalo ameaçou fazer explodir a caldeira.

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