O ano de 2035 marcará o fim da produção de automóveis com motores de combustão. A não ser que se invente algum combustível que permita continuar a usar esses motores sem libertação de carbono, a eletrificação é o caminho indicado.
A medida que foi hoje aprovada pela União Europeia representa a mudança mais significativa sobre o automóvel desde a sua invenção há mais de um século.
Na verdade, os principais fabricantes de automóveis do mundo já andam a preparar esta mudança há uns anos. A adaptação da indústria terá custos, fábricas poderão encerrar, mas ninguém foi apanhado de surpresa.
Claro que quem tem carros com motores de combustão poderá continuar a circular com eles, mas é previsível que aumentem significativamente as dificuldades de abastecimento (pela redução de postos e pelo aumento do preço dos combustíveis) e que aumentem, igualmente, as dificuldades na manutenção desses veículos.
A Europa vai, assim, acelerar a eletrificação automóvel e obrigar a indústria a reorientar os seus investimentos para essa área.
Zelensky ainda não conseguiu influenciar todo o mundo, para as suas teses de combate.
O continente africano será a zona do globo onde menos se simpatiza com a causa ucraniana.
Por razões da História, da luta dos africanos contra o colonialismo. A Rússia sempre apoiou as lutas de independência, contra a Europa colonialista e a América que a apoiava.
Vale o que vale, mas o caso da República Centro Africana é o exemplo.
Ainda que licenciada em História, com o Curso de Ciências Pedagógicas, e Mestre em Linguística Portuguesa Descritiva, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Emília Amor decidiu enveredar pelo ensino do Português, desde o ano lectivo de 1970/71.
Foi directora da Escola Preparatória da Moita e professora efectiva da mesma disciplina na Escola Básica 2, 3 Conde de Oeiras. Chegou a leccionar a disciplina Currículo e Didática do Português, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Integrou a equipa lexicográfica da Editorial Verbo (1994), como redactora da base portuguesa de diversos dicionários bilingues. Coautora do Dicionário Verbo da Língua Portuguesa (2006, 1.ª edição e 2008, 2.ª) e autora do Dicionário da Língua Portuguesa, Léxico, Gramática e Prontuário (Texto Editora, 2018). Foi membro fundador e dirigente da Associação de Professores de Português.
Foi atendendo a toda essa intensa actividade que a Associação de Professores de Português decidiu criar, este ano, e a atribuir anualmente o Prémio Emília Amor de investigação em Didática do Português | APP, com o objetivo de incentivar a investigação sobre a prática pedagógico-didática do Português.
Sirvam estas pinceladas para apresentar Emília Maria Marçal Amor, de 77 aninhos, natural de S. Sebastião da Pedreira, em cuja Maternidade Alfredo da Costa iam, então, nascer as crianças dos arredores, por não haver maternidade em Cascais. Seus pais têm ascendência alentejana (o pai, natural da extremenha Almendralejo, mas considerando-se alto-alentejano) e algarvia (a mãe, de Olhão), mas fixaram-se em Cascais. O habitual nessas décadas de 40 e 50, em que alentejanos e algarvios demandaram este rincão, onde – como ora rezam os slôganes – «sabe bem viver»!
E a apresentação vem a propósito do lançamento, a 5 de Novembro, do seu livro autobiográfico Pura Memória.
Caparide, anos 50
A recordar Caparide dos anos 50
Depois de ter escrito Didática do Português (Texto Editora, 1993) e Littera – Escrita, Reescrita, Avaliação, (F. C. Gulbenkian, 2004), tendo no prelo a obra que reúne 13 artigos, abarcando temáticas de Política da Língua, Currículo e Didática do Português (teoria e prática) e aguardando a oportunidade de dar a conhecer um livro de ficção, cujo objetivo principal é encenar, de forma sugestiva e inovadora, modos de estudo e de ensino da Língua, vem esta Pura Memória.
Lendo se verá se «pura» quer dizer simples, despojada, ou se, ao invés, o que se antoja normal, tal aparente ‘pureza’ se reveste, aqui e além, de incursões por outras épocas e lugares, para enriquecer o painel.
Em Pura Memória se retrata o que foram os anos de 1952 a 1956, em Caparide. Do ponto de vista pessoal, marcaram a transição – sempre interessante de se conhecer – entre um meio «acentuadamente rural» e «a genuína imersão de uma criança citadina num meio contrastante» e «o processo de escolarização – antigo ensino primário – marcado por todos os condicionalismos conhecidos, de lugar e de época».
Claro, «ao longo da narrativa, ocorrem alguns recuos ou alusões a tempos e espaços anteriores», assim como «escritos intercalados que, em síntese, constituem um efeito de ressonância do vivido no presente».
Retratam-se também personagens reais. Só de duas ou três, porém, a Autora manteve o nome real.
Enfim, pela pena arguta de Emília Amor, não será apenas a Autora que perante nós se vai revelando: é toda a vivência de um antigo lugar de muitas tradições. Recorde-se que temos a monografia A «Sociedade» de Caparide, da autoria de Carlos Manuel Pinto Pedro, publicada em 2013, por ocasião do centenário da Troupe União 1º de Dezembro Caparidense; recorde-se que, na parte alta do lugar, se situa uma villa romana!
O livro Pura Memória, de Emília Amor, vem, pois, preencher uma lacuna que se fazia sentir! Aguardamos a sua apresentação, que será feita pela Doutora Raquel Henriques da Silva, no próximo dia 5, na Biblioteca Municipal de S. Domingos da Rana, a partir das 15 horas. Todos estão convidados a comparecer!
Com quase todos os indicadores da qualidade da Saúde em grave queda, e perante a atual tentativa de promover uma drástica inversão de orientações no SNS, vai decorrer o Congresso Internacional Sobre a Gestão de Pandemias/Saúde, este fim-de-semana em Fátima.
Iniciativa de Marta Gameiro, médica-dentista de Ourém, o que explica a escolha do local. A organizadora garante que “Fátima não tem qualquer conotação político-ideológica.”
Marta Gameiro
O médico Cândido Ferreira, que tem a missão de zelar pelo cumprimento dos critérios científicos que regem o evento, assegura que neste congresso não entra “pressão de agentes corporativos ou de poderes político-económicos.” Cândido Ferreira, já jubilado, publicou recentemente um livro sobre esta temática, Covid–19, A Tempestade Perfeita – História Clínica da Pandemia.
Para por de pé um evento desta dimensão, Marta Gameiro recorreu à ajuda do Movimento de Cidadania Democrática. “Só assim foi possível registar a adesão de personalidades de relevo de mais uma dezena de países, incluindo investigadores e professores universitários, técnicos da OMS e até um Prémio Nobel da Química; a que se somam vários portugueses de grande prestígio cívico e técnico, incluindo ex-Bastonários da OM, professores catedráticos e outras figuras de indiscutível qualidade”, congratula-se a organizadora.
O silêncio dos media mainstream sobre este evento, até agora, não surpreende ninguém, mesmo se estamos a falar da questão primordial, a saúde pública.
A Polícia Judiciária investiga mais uma morte num estabelecimento prisional português. Desta vez foi no EP de Chaves. O recluso foi encontrado sem vida na noite de terça-feira. A autopsia dirá como morreu. A PJ deveria investigar as causas da morte, mas suspeitamos que vai ficar contente com as evidências de suicídio.
Hugo Couto estava a cumprir pena por ter sido apanhado a conduzir sem carta. Que se saiba, não atropelou ninguém, não causou estragos na propriedade de ninguém. Não tinha carta de condução. As cadeias portuguesas estão cheias destas bagatelas jurídicas, desde esfomeados que roubam maçãs no supermercado a infratores ao Código de Estrada.
Hugo Couto pediu assistência médica há mais de uma semana. Foi o sinal de que alguma coisa não estava bem. Segundo informações de outros reclusos, também tinha pedido para mudar de cela. As razões para este pedido não são conhecidas, mas alguma coisa ou alguém o incomodava. A cela era partilhada com outro recluso.
Nenhum dos pedidos foi atendido, sequer escutado. Hugo Couto enforcou-se, dizem notícias publicadas noutros locais que, no entanto, não explicam como foi isso possível. É um pouco estranho que, numa cela partilhada, alguém consiga montar uma forca sem que outros percebam e acionem os alarmes. E é estranho que continuem a existir prisões onde a estrutura das celas permita que alguém se pendure pelo pescoço até morrer.
A PJ tem a obrigação de investigar todas as mortes ocorridas nos estabelecimentos prisionais, mas na verdade não o faz. Nos últimos 5 anos morreram já mais de 300 reclusos, a PJ apenas investigou meia dúzia de casos. Até ao final de 2021, sessenta e seis mortes foram atribuídas a suicídio, mesmo sem qualquer investigação policial, talvez apenas pelo relatório da medicina legal. E nós sabemos bem que existem muitas dúvidas sobre isto e que se suspeita de que alguém anda a encobrir crimes violentos nas cadeias portuguesas.
A perceção com que ficamos é que está tudo errado no sistema prisional português. Aliás, Portugal tem sido sucessivamente condenado por tribunais internacionais, devido às más condições das prisões e aos maus tratos e abusos a que muitos reclusos são sujeitos.
Hugo Couto vai acrescentar mais um número a esta estatística, mas seria importante que os decisores políticos refletissem e agissem para acabar com este flagelo social.
Estava na cadeia por uma bagatela legal. Foi apanhado a conduzir sem carta de condução. Detido, julgado e condenado, morreu hoje na prisão.
O recluso estava no Estabelecimento Prisional de Chaves. Foi encontrado morto, na noite passada, no interior da cela, que partilhava com outro prisioneiro. Tinha 30 anos.
O corpo foi transportado para a morgue do Hospital de Chaves para ser autopsiado.
A investigação do caso está entregue à Polícia Judiciária de Vila Real. Mas já foi notícia que se trata de um suicídio por enforcamento. A confirmar-se, a depressão continua a matar nas cadeias portuguesas.
Uma morte inútil. Uma morte propiciada pela justiça, mesmo se não existe pena de morte no Código Penal português. Que sentido faz termos as cadeias cheias de pessoas apanhadas a conduzir sem carta de condução?
Segundo números de 2021 da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, 7,6% dos presos estão condenados por homicídios nas suas várias especificidades (qualificado, negligente, tentado, etc.) e 7,8% por conduzirem sem estarem habilitados com carta de condução. Há mais infratores ao Código de Estrada do que de qualquer outro código. Pelos números conhecidos, são mais de mil.
Se a regra para o castigo destes últimos fosse, por exemplo, uma multa pesada e a obrigação de trabalho comunitário (em quarteis de bombeiros, lavando os carros e ambulâncias, em lares de idosos, nas limpezas de matas e praias, nas brigadas de limpeza das autarquias, etc.) até conseguirem a carta de condução, as cadeias ficavam livres de mil reclusos, com uma enorme poupança para o Estado, e o assunto das cartas de condução resolvido.
Timor-Leste é um país rico em petróleo e gás natural, cheio de gente a viver na miséria. Nada que nos surpreenda, certo?
Quando a RTP tinha um correspondente em Timor-Leste, faziam-se reportagens sobre esse assunto. O vídeo feito em 2014 continua atual.
vídeo
E assim, os timorenses imigram para Portugal. E para o resto do mundo. Habituados à pobreza, acabam por aceitar condições de vida extremamente precárias.
ESCRAVIZADOS
A contagem mais recente diz que existem 825 cidadãos timorenses a viver em Portugal, sem casa, sem trabalho, vítimas de exploração e de toda a sorte de abusos. É um cenário de miséria e talvez a dimensão do problema esteja subavaliada.
O verdadeiro número de timorenses a viver nestas condições pode ser maior. Sem falar português, não recorrem aos organismos que lhes podem prestar apoio social e permanecem em guetos escondidos.
A grande maioria das situações encontradas constituem casos de tráfico humano, de mão-de-obra escravizada, canalizada para Portugal através de circuitos com ponto de partida em agências de viagens de Dili, a capital timorense.
Sem dinheiro para adquirir os bilhetes de avião, aceitam empréstimos e ficam submetidos a esses agiotas até terem a dívida paga com juros.
PREFEREM FICAR
O Alto-Comissariado para as Migrações (ACM) diz que dos 825 cidadãos timorenses a viver em situação de vulnerabilidade, quase 500 foram realojados em várias localidades do país. Estas pessoas passaram agora a receber apoio alimentar, igualmente.
Apesar das condições de vida que aqui encontraram, a maioria dos timorenses não pretende regressar ao país. Querem ficar e, agora, pedem ajuda para resolver a situação de ilegalidade em que caíram após os 90 dias de permanência autorizados para quem chega com visto de turista.
A falta de trabalho em Timor-Leste é um problema crónico que, eventualmente, se agravou nos últimos anos e parece estar a provocar um êxodo migratório considerável.
Nos últimos oito meses, entraram em Portugal 4.721 timorenses, segundo o SEF. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras atuou em 11 situações que envolviam timorenses por indícios de auxílio à imigração ilegal e de tráfico de pessoas. Os casos foram entregues ao Ministério Público para investigação.
A Ordem dos Advogados apresentou uma queixa contra o diretor da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves.
Em causa estão declarações de Luís Neves publicadas pelo jornal online Observador, onde o diretor da PJ afirmou que nos processos de criminalidade económico-financeira há “terrorismo judiciário”, expedientes processuais que “entorpecem os autos”, artifícios para arrastar os processos o mais possível, quiçá até à prescrição, de modo a evitar a decisão final, ou seja, a aplicação da justiça. E apontou o dedo aos advogados.
De facto, o que Luís Neves disse não é mais que a perceção generalizada que se tem sobre as causas da morosidade da justiça. O diretor da PJ falou o que se diz amiúde à mesa do café, quando se comentam notícias que indiciam a eventual existência de uma justiça para ricos e outra para pobres.
A queixa foi apresentada pelo bastonário Luís Menezes Leitão. Veremos que entraves encontra até ser arquivada… ou instruída.
O diretor da PJ, levado a comentar a reação corporativa dos advogados, disse não estar intimidado com a coisa.
Dois dos principais campos de gás da Rússia, Chanayda e Kovikta, ambos na Sibéria, já estão a bombar diretamente para a China através de um pipeline baptizado “O Poder da Sibéria”.
A estatal russa Gazprom começou a fornecer gás do campo de Chanayda para a China no final de 2019. O gás do campo de Kovykta começou agora a alimentar o mesmo gasoduto.
Segundo informações veiculadas pela agência Reuters, o gasoduto em questão atingirá velocidade de cruzeiro em 2027, com 38 mil milhões de metros cúbicos por ano de débito. Isto, se não acontecer nenhum “acidente” como o que inutilizou os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 que forneciam a Alemanha com gás russo.
A Rússia conseguiu finalizar uma infraestrutura colossal, com mais de 3 mil quilómetros de extensão, num período de extremas incertezas por conta das imposições de sanções provindas dos EUA e da União Europeia.
gasoduto O Poder da Sibéria
A China é o maior consumidor de energia do mundo e, a partir de agora, poderá converter para gás as indústrias que consomem carvão.
Depois de Obama, António Costa e, agora, Rishi Sunak. Num mundo desde sempre dominado por políticos de pele branca, surgem sinais que parecem contradizer o racismo institucionalizado nas sociedades ocidentais.
Obama cumpriu dois mandatos presidenciais e sobreviveu. Que se saiba, não foi alvo de qualquer tentativa de assassinato. Talvez porque a cor da pele não foi fator preponderante na sua governação da América. Ainda assim, a reação foi a que se viu, com a eleição do Presidente que se seguiu: branco, loiro, misógino, racista, trauliteiro.
António Costa foi eleito sob a capa partidária. Ninguém votou nele, as pessoas votaram no partido político. No entanto, Costa consagrou-se como político hábil a montar e desmontar geringonças e conquistou o seu próprio espaço político. Na segunda legislatura que cumpre, assiste-se ao crescimento da extrema-direita portuguesa. Veremos quem vota nele quando se candidatar à Presidência da República.
Rishi Sunak será a surpresa que confunde os mais desatentos. De onde veio ele? Como chegou a primeiro-ministro do Reino Unido? A explicação está nas elites. Sunak é riquíssimo, casado com uma senhora igualmente milionária. Frequenta os mais exclusivos clubs londrinos. E se é difícil aos ricos entrar no céu, tudo o resto é muito fácil.
Veremos que alcunha os ingleses vão inventar para Sunak. Tal como em português, não existe palavra inglesa para “samosa” (chamuça). Mas, quer a cor da pele quer o dinheiro na conta bancária, foram temas diferenciadores para a agência Reuters quando noticiou que Rishi Sunak iria ser nomeado primeiro-ministro.
A cor da pele e a riqueza de Rishi Sunak, elementos noticiosos da Reuters
Barak Obama é filho de um imigrante queniano. António Costa vem de uma família goesa. Rishi Sunak é de religião hindu, filho de uma segunda geração de imigrantes indianos nascidos já no Quénia. Se isto significa alguma coisa, que seja boa.