DA MISÉRIA DE DILI PARA A MISÉRIA DE LISBOA

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Timor-Leste é um país rico em petróleo e gás natural, cheio de gente a viver na miséria. Nada que nos surpreenda, certo?

Quando a RTP tinha um correspondente em Timor-Leste, faziam-se reportagens sobre esse assunto. O vídeo feito em 2014 continua atual.

vídeo

E assim, os timorenses imigram para Portugal. E para o resto do mundo. Habituados à pobreza, acabam por aceitar condições de vida extremamente precárias.

ESCRAVIZADOS

A contagem mais recente diz que existem 825 cidadãos timorenses a viver em Portugal, sem casa, sem trabalho, vítimas de exploração e de toda a sorte de abusos. É um cenário de miséria e talvez a dimensão do problema esteja subavaliada.

O verdadeiro número de timorenses a viver nestas condições pode ser maior.  Sem falar português, não recorrem aos organismos que lhes podem prestar apoio social e permanecem em guetos escondidos.

A grande maioria das situações encontradas constituem casos de tráfico humano, de mão-de-obra escravizada, canalizada para Portugal através de circuitos com ponto de partida em agências de viagens de Dili, a capital timorense.

Sem dinheiro para adquirir os bilhetes de avião, aceitam empréstimos e ficam submetidos a esses agiotas até terem a dívida paga com juros.

PREFEREM FICAR

O Alto-Comissariado para as Migrações (ACM) diz que dos 825 cidadãos timorenses a viver em situação de vulnerabilidade, quase 500 foram realojados em várias localidades do país. Estas pessoas passaram agora a receber apoio alimentar, igualmente.

Apesar das condições de vida que aqui encontraram, a maioria dos timorenses não pretende regressar ao país. Querem ficar e, agora, pedem ajuda para resolver a situação de ilegalidade em que caíram após os 90 dias de permanência autorizados para quem chega com visto de turista.

A falta de trabalho em Timor-Leste é um problema crónico que, eventualmente, se agravou nos últimos anos e parece estar a provocar um êxodo migratório considerável.

Nos últimos oito meses, entraram em Portugal 4.721 timorenses, segundo o SEF. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras atuou em 11 situações que envolviam timorenses por indícios de auxílio à imigração ilegal e de tráfico de pessoas. Os casos foram entregues ao Ministério Público para investigação.

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