ENTRARAM VIVOS, SAÍRAM MORTOS

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Centenas de pessoas concentraram-se no Rossio, em Lisboa, para uma manifestação em memória de três reclusos que morreram no interior das prisões portuguesas. São casos em que subsistem dúvidas sobre o que aconteceu. Dúvidas que os arquivamentos dos processos de inquérito apenas ajudaram a engrossar.

Daniel Rodrigues e Danijoy Pontes morreram na mesma noite no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Pouco tempo depois, Miguel Cesteiro apareceU morto na prisão de Alcoentre. Nos três casos há suspeitas de se tratarem de mortes violentas.

Entraram vivos e saíram mortos, foi o mote para a realização desta manifestação. Exige-se que o Estado esclareça as dúvidas sobre o que aconteceu a estas três pessoas que estavam detidas à guarda do Estado.

manifestantes subiram a Avenida da Liberdade

O ritmo a que se morre nas prisões portuguesas é elevadíssimo. A percentagem de suicídios é reveladora das falhas do sistema prisional. A imobilidade do Estado na resolução destes problemas pode confundir-se com cumplicidade e isso não deveria acontecer.

É evidente que quem vai parar a uma prisão portuguesa corre perigo de vida. O ambiente é de violência e castigos corporais. Os espancamentos são frequentes. O terror é o recurso mais frequente para controlar situações, dizem relatórios e testemunhos.

A aplicação da justiça em Portugal não contempla a pena de morte, mas ela existe e aplica-se com maior frequência a pessoas negras, ciganas e pobres. Precisamente os casos de Danijoy Pontes, Miguel Cesteiro e Daniel Rodrigues. E ninguém acredita em coincidências.

Foram estas as razões que levaram à realização desta manifestação. Solidarizaram-se com o protesto cerca de 50 organizações políticas e sociais, desde o SOS Racismo à associação Costume Colossal, dos Cavaleiros de S. Braz aos Precários Infléxiveis.

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