Emília Amor

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Emília Amor

Ainda que licenciada em História, com o Curso de Ciências Pedagógicas, e Mestre em Linguística Portuguesa Descritiva, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Emília Amor decidiu enveredar pelo ensino do Português, desde o ano lectivo de 1970/71.

Foi directora da Escola Preparatória da Moita e professora efectiva da mesma disciplina na Escola Básica 2, 3 Conde de Oeiras. Chegou a leccionar a disciplina Currículo e Didática do Português, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Integrou a equipa lexicográfica da Editorial Verbo (1994), como redactora da base portuguesa de diversos dicionários bilingues. Coautora do Dicionário Verbo da Língua Portuguesa (2006, 1.ª edição e 2008, 2.ª) e autora do Dicionário da Língua Portuguesa, Léxico, Gramática e Prontuário (Texto Editora, 2018). Foi membro fundador e dirigente da Associação de Professores de Português.

Foi atendendo a toda essa intensa actividade que a Associação de Professores de Português decidiu criar, este ano, e a atribuir anualmente o Prémio Emília Amor de investigação em Didática do Português | APP,  com o objetivo de incentivar a investigação sobre a prática pedagógico-didática do Português.

Sirvam estas pinceladas para apresentar Emília Maria Marçal Amor, de 77 aninhos, natural de S. Sebastião da Pedreira, em cuja Maternidade Alfredo da Costa iam, então, nascer as crianças dos arredores, por não haver maternidade em Cascais. Seus pais têm ascendência alentejana (o pai, natural da extremenha Almendralejo, mas considerando-se alto-alentejano) e algarvia (a mãe, de Olhão), mas fixaram-se em Cascais. O habitual nessas décadas de 40 e 50, em que alentejanos e algarvios demandaram este rincão, onde – como ora rezam os slôganes – «sabe bem viver»!

E a apresentação vem a propósito do lançamento, a 5 de Novembro, do seu livro autobiográfico Pura Memória.

Caparide, anos 50

A recordar Caparide dos anos 50

Depois de ter escrito Didática do Português (Texto Editora, 1993) e Littera – Escrita, Reescrita, Avaliação, (F. C. Gulbenkian, 2004), tendo no prelo a obra que reúne 13 artigos, abarcando temáticas de Política da Língua, Currículo e Didática do Português (teoria e prática) e aguardando a oportunidade de dar a conhecer um livro  de ficção, cujo objetivo principal é encenar, de forma sugestiva e inovadora, modos de estudo e de ensino da Língua, vem esta Pura Memória.

Lendo se verá se «pura» quer dizer simples, despojada, ou se, ao invés, o que se antoja normal, tal aparente ‘pureza’ se reveste, aqui e além, de incursões por outras épocas e lugares, para enriquecer o painel.

Em Pura Memória se retrata o que foram os anos de 1952 a 1956, em Caparide. Do ponto de vista pessoal, marcaram a transição – sempre interessante de se conhecer – entre um meio «acentuadamente rural» e «a genuína imersão de uma criança citadina num meio contrastante» e «o processo de escolarização – antigo ensino primário – marcado por todos os condicionalismos conhecidos, de lugar e de época».

Claro, «ao longo da narrativa, ocorrem alguns recuos ou alusões a tempos e espaços anteriores», assim como «escritos intercalados que, em síntese, constituem um efeito de ressonância do vivido no presente».

Retratam-se também personagens reais. Só de duas ou três, porém, a Autora manteve o nome real.

Enfim, pela pena arguta de Emília Amor, não será apenas a Autora que perante nós se vai revelando: é toda a vivência de um antigo lugar de muitas tradições. Recorde-se que temos a monografia A «Sociedade» de Caparide, da autoria de Carlos Manuel Pinto Pedro, publicada em 2013, por ocasião do centenário da Troupe União 1º de Dezembro Caparidense; recorde-se que, na parte alta do lugar, se situa uma villa romana!

O livro Pura Memória, de Emília Amor, vem, pois, preencher uma lacuna que se fazia sentir! Aguardamos a sua apresentação, que será feita pela Doutora Raquel Henriques da Silva, no próximo dia 5, na Biblioteca Municipal de S. Domingos da Rana, a partir das 15 horas. Todos estão convidados a comparecer!

capa do livro Pura Memória de Emília Amor

2 comments

  1. A Caparide da célebre villa romana na escrita memorialista de Emília Amor!
    O texto de José d´Encarnação é muito elucidativo do valor curricular e experiência pedagógica desta Professora de Português que, afinal, começou por se licenciar em História e dedicar-se à investigação.
    Assim, toda a experiência dos trabalhos anteriores no domínio pedagógico-didáctico, devem tornar-se agora um excelente termo de comparação com a matéria do livro autobiográfico (supomos) sobre a Escola dos anos 50 na localidade para onde a autora veio morar com os pais.
    Começamos por ficar com curiosidade sobre a descodificação do termo “Pura”, mas não menos com as características da localidade que uma menina, hoje tão versada nas matérias curriculares, foi encontrar no primeiro grau de ensino.
    Pela imagem de capa podemos reconhecer uma pureza (e riqueza) de ambiente, que já os romanos tinham descoberto, equivalente à pureza de discurso de quem está habituada a ensaiá-los. O resto será o prazer da descoberta.
    Um texto muito bonito que revela uma personalidade singular.

  2. No terceiro parágrafo: ” Assim (….) DEVE tornar-se.
    No fim do quarto parágrafo “…foi encontrar no primeiro CICLO de ensino”.

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