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O elogio do livro

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O Editor

O editor Zeferino Coelho foi galardoado com o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural. Responsável pela editorial Caminho, editou José Saramago, desde o primeiro livro, Levantado do Chão, e também vários dos galardoados com o Prémio Camões.

Louvou-se o seu exemplar empenho na difusão do Livro. Mais de 50 anos como editor, desde 1969; entrou na Caminho em 1977.

Zeferino Coelho (ao centro)

No seu discurso, declarou-se feliz, por ter sido premiado um editor; honrado, por o galardão consagrar o nome de Vasco da Graça Moura; surpreendido, porque nunca lhe passara pela cabeça que um editor pudesse vir a ser galardoado, ele, cujo trabalho se compara com o da rémora, a limpar o tubarão: o editor limpa para que o autor brilhe! Por isso, considerou ser esta uma homenagem também aso seus colegas editores; e fez questão em agradecer aos trabalhadores da sua equipa, que estiveram presentes no auditório.

A jovem jornalista e escritora

Catarina Gomes, 35 anos, jornalista: ­«É bom ter uma jornalista a entrar no mundo do romance», dirá Guilherme d’Oliveira Martins. Escreveu «Terrinhas». Com ele anhou o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís.

Catarina Gomes

Como o júri escreveu e foi, na ocasião, repetido, estamos perante «um romance que, a partir do ponto de vista de uma mulher tipicamente citadina, coloca em confronto o mundo rural e o mundo urbano. A memória dos pais, que quase religiosamente vão à terra para trazer batatas, as quais invadem a cozinha e o imaginário da narradora, fornece a visão irónica e, por vezes, mesmo hilariante, com que esta avalia a infância e enfrenta dores e dramas da idade adulta. A alegria e a comovente ternura na avaliação da vida e da morte, associadas a uma escrita fluida e elegante, dão a este romance um indiscutível alcance literário, que importa valorizar e divulgar».

Catarina fez questão de trazer uma batata para a acompanhar no breve discurso de agradecimento que fez. Declarou que a ideia de escrever um romance sempre a aterrorizara, «era demais para mim». Acontecera, porém, o confinamento da pandemia; não podia ir fazer as entrevistas e as reportagens programadas; agarrou, pois, no romance, que estava encalhado desde 2020. E concluiu que, afinal, «não há que ter medo da literatura; a literatura pode tratar de tudo, mesmo duma batata!».

O escritor consagrado

Quanto ao conhecido João Tordo, galardoado por ter apresentado ao concurso o livro Felicidade, sirvo-me também das palavras do júri:

João Tordo (ao centro)

«É um romance de formação emocional e afetiva de um homem constituído em narrador, embora sem nome que o identifique ao longo do livro. O dramatismo de solidão do narrador e protagonista de romance assume grande intensidade e poder de envolvência no leitor. Também a engrenagem se situa num plano de realização preciso mas criativo. Os nomes das três figuras femininas, Felicidade, Esperança e Angélica, projetam um simbolismo que expande o próprio processo imaginativo».

Situa-se o enredo nas vésperas do 25 de Abril. Há nele feitiço, assombração…

No agradecimento, «estou um bocadinho nervoso», aludiu ao facto de, amiúde, encararmos a vida e a morte presentes no mesmo lugar (uma das trigémeas morre); para ele, o narrador é assim como acontece na tragédia grega (penso eu que queria aludir ao coro, que, na tragédia grega, vai comentando o enredo), tragédia que pode terminar em comédia. Não perfilha o reinante «optimismo selvagem», antes o recrimina; sente que o pathos grego é empatia, paixão. Confessa: «Não sou opai mas um tio bastante empenhado». Sabe como é bom ter, no quotidiano, «um sítio onde é costume  deixar a chave do carro». Pugna pela inevitável mudança das nossas vidas.

A cerimónia

Abriu Mário Assis Ferreira, às 18 h. e 22 m, na qualidade de vice-presidente do Conselho de Administração da Estoril-Sol e – acrescente-se – como persistente alma mater das iniciativas culturais da empresa (a multipremiada revista Egoísta não foi esquecida.

Mário Assis Ferreira, Estoril Sol

Salientou como a cerimónia se contrapunha aos muitos fenómenos adversos que, nos últimos tempos, afetaram a vida da Sociedade – como as quebras abruptas da receita, o tenebroso quadro depressivo que se criara… – apresentando-se, pois, como símbolo das suas apostas pioneiras em prol da Cultura, resistindo a todas as provas, na honrosa tradição que faz da «promoção da Cultura um desígnio que sempre nos acompanhou nesta casa». No voto de que o contrato de concessão venha a ser revalidado (recorde-se que o concurso para novo contrato tem vindo a ser sucessivamente adiado, designadamente por causa da pandemia). Falou durante 12 minutos.

Guilherme d’Oliveira Martins deu conta do trabalho do júri. Curiosamente – e tal também aconteceu nas versões anteriores – não foi mencionado o número de concorrentes (e como a gente gosta de estatísticas!…) e referiu as razões que atrás se apontaram, justificativas da unanimidade das decisões. Não chegou ao quarto de hora o seu depoimento.

Procedeu-se de seguida à entrega dos prémios: o Senhor Ministro, as peças escultóricas representativas; o Dr. Assis Ferreira, os cheques.

Agradeceram os galardoados: João Tordo (11 minutos), Catarina Gomes (8 minutos) e Zeferino Coelho (7 minutos).

Pedro Adão e Silva quis dar os parabéns não como ministro mas na qualidade de leitor; apelou para que todas as entidades particulares colaborem, como o faz a Estoril- Sol, nesta campanha de promoção da Cultura, promoção que não pode ser apenas apanágio do Governo. Salientou que estávamos a comemorar uma «geração de ouro», estes ‘centenários’ (Saramago, Agustina, Natália Correia…). Referiu que os prémios são importantes, para lembrar os nomes dos nossos escritores (exemplificou: é muito difícil, hoje, ir a uma livraria comprar um livro de Fernando Namora, não há!) e para incitar à leitura. E como é importante atribuir bolsas para incitar à criação literária. Falou 12 minutos.

Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva

Fotos: Casino Estoril / Conceição Alves

Os desabafos do Presidente e a Revisão Constitucional

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O PSD propõe na próxima revisão constitucional um único mandato para o exercício da Presidência. Seis anos. Engraçado fazerem esta proposta hoje, quando ainda há bem pouco tempo os sociais democratas pretendiam prolongar o mandato de Joana Marques Vidal, ex PGR, depois desta completar seis anos à frente do lugar, obrigando a senhora a estar doze anos no cargo. Incoerências que me deixam desconfiado, em face da actual proposta de um único mandato presidencial. 

Nada disto é feito ao acaso. Os partidos agem de forma cirúrgica em função das suas agendas e estratégias políticas. Entretém-se com estas minudências, que a nós cidadãos dizem muito pouco. A sua preocupação é apenas conquistar e manterem-se no poder a todo o custo. 

Na constituição aprovada em 1976 estabeleceu-se que o mandato presencial teria uma duração máxima de cinco anos, sendo possível ao titular do cargo ocupá-lo por dez anos, desde que para isso fosse reeleito. Um tempo de permanência aceitável. E não faltam países com os quais nos gostamos de comparar, com normas constitucionais similares. 

Vivemos neste modelo desde o 25 de Abril. São quase 50 anos. A duração do mandato por cinco anos, trouxe algum prejuízo à democracia? Não vislumbro nenhum problema. Então para quê mudar? 

O mandato de cinco anos do PR, a par do mandato de quatro anos do governo, quando este não se prolonga por mais alguns meses, por razões de acerto com o calendário do ano parlamentar, é o único que condiciona a agenda e as ações do Presidente ao período de vigência de uma legislatura de governo.

O PR não pode dissolver a AR durante os primeiros seis meses do seu mandato, nem o pode fazer nos últimos seis meses do mesmo. Isto significa que numa legislatura, os poderes do PR apesar dos cinco anos de duração, ficam limitados durante um ano. Dito isto o poder efectivo do mais alto magistrado da nação resume-se em parte a quatro anos, tal como o do governo. 

Por norma constitucional as eleições legislativas nunca coincidem com as presidenciais. Têm de estar desfasadas, no mínimo noventa dias, evitando-se assim um vazio. Isso é bom para a democracia. Mantém o equilíbrio de poderes, obriga a alguns entendimentos institucionais mínimos, e acima de tudo condiciona o exercício do poder à Constituição da República, evitando jogadas políticas pouco sérias. 

Recuemos agora uns anos. A 2015 quando a PàF ganha as eleições legislativas, ficando no entanto em minoria no parlamento. O Presidente Cavaco Silva tentou forçar um governo minoritário da PàF, mesmo sabendo que este seria chumbado no parlamento. Irritado tentou a todo o custo evitar a posse do novo governo que se veio depois a formar com a Geringonça, ameaçando-o inclusive, com a demissão. Só não o fez porque, primeiro, não podia dissolver o parlamento, e, entretanto terminaria o seu mandato, deixando ao seu sucessor a responsabilidade dessa decisão, o qual só a poderia tomar seis meses depois de tomar posse. Um imbróglio para as tentativas de perverter a vontade do eleitorado. 

Enquadrem agora nesse período um mandato presidencial com a duração de seis anos, em vez dos actuais cinco, enquanto o do governo continuava nos quatro anos. E meditem se com este modelo agora proposto pelo PSD, alguma vez Cavaco Silva daria posse a um governo da Geringonça, uma vez que não teria os seus poderes limitados constitucionalmente, com a impossibilidade de dissolver o parlamento e convocar novas eleições. Com mais um ano de mandato, o então presidente jamais daria posse a esse governo, apesar de ser essa a vontade popular. Mesmo admitindo a remota hipótese de isso acontecer, imaginem o calvário dos governantes, sobre permanente pressão presidencial, com a ameaça de dissolução do parlamento até ele entrar nos últimos seis meses do seu mandato. 

Foi este condicionalismo constitucional de limitação dos actos e poderes presidenciais, que preservou incólume a nossa democracia. Apesar da pouca vontade do então titular do cargo, de ceder a uma  realidade política que lhe era adversa. Mas a democracia é isso. A expressão das maiorias que se formam. E não os desejos do PR.

Quando a Constituição foi aprovada em 1976 pelos juristas que a fizeram e votaram, sabiam bem que só assim o sistema semi presidencialista seria mantido. Era bom que nesta revisão constitucional de 2022/2023, os seus sucessores tivessem essa percepção e não se deixassem ludibriar por cantos de sereia. A democracia consolida-se pela limitação de mandatos e pelo equilíbrio dos vários poderes, evitando que a legitimidade de uns se sobreponha à de outros. 

Esta proposta não é séria. Traz água no bico. 

CRISTIANO RONALDO JÁ TEM NOVO CLUBE

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O convite está feito. Três embaixadoras do clube interessado dirigiram uma mensagem pública ao CR7 que, como está no Qatar, não as poderia receber pessoalmente. Sem clube, Cristiano não fica. Isso é certo.

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NÃO SOMOS COLÓNIA DOS EUA

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Quem não é receptivo ao investimento estrangeiro que produza riqueza na sua terra? Penso que ninguém.

Mas daí acharem-se no direito de ter um regime de exclusividade em detrimento de terceiros, parece-me errado. A nossa independência política também se garante com a diversidade da nossa actividade económica. 

Nunca tive grandes dúvidas. O imperialismo económico das grandes potências é uma ameaça à vida social e ao estado de direito dos países mais pequenos. A política norte americana tem um rol de interferências em múltiplos Estados, com especial incidência na América do Sul. De golpes de Estado a bloqueios  económicos. Cuba e mais recentemente a Venezuela, são um bom exemplo disso. Imaginemo-nos numa situação de extrema dependência dos EUA, sujeitos a sanções ou a um bloqueio económico, porque não alinhávamos com a política externa norte americana? Seria uma catástrofe. 

Todos desejamos que o investimento estrangeiro venha criar novos polos de desenvolvimento no país, em vários sectores de actividade, dos serviços à actividade industrial e agrícola. De preferência com tecnologias limpas. E se esse investimento estrangeiro criar bens de capital, que não são mais do que equipamentos de última geração, exportados para países de mão de obra mais barata, para a produção de manufacturas, criando uma interdependência entre eles e nossa criação tecnológica e científica, melhor para nós. É isso que faz a Alemanha. 

Dito isto, fico satisfeito pelo facto dos chineses investirem em Portugal, criando aqui um ou mais polos tecnológicos, abrindo uma janela de oportunidade à exportação desses produtos para o chamado mercado único europeu. Caso sejam essas as suas verdadeiras intenções. Aliás, prefiro isso a vê-los comprar empresas de renda fixa, como a EDP ou a REN, que nada acrescentam à riqueza nacional. 

Os norte americanos gostem ou não, têm de conviver com isso, e não pensar à boa maneira anglo saxónica, que Portugal é uma colónia sujeita aos interesses do império de sua majestade.

Não, não somos. 

PSP desobediente

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A PSP ensaiou hoje um ato de desobediência ao Estado. Os agentes de serviço na Assembleia da República não acataram uma ordem do Presidente da Assembleia da República. Tratou-se da recusa em abrir uma porta. Aparentemente, uma ninharia. Em concreto, uma desobediência. Em teoria, um ensaio para algo maior.

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A PSP fez saber, entretanto, que as portas das galerias já tinham sido abertas mas que, por não haver público, voltaram a ser fechadas. Terá sido então que Santos Silva exigiu que as portas fossem abertas.

O Presidente da Assembleia da República já disse, também, não querer exacerbar o caso e que nada do que aconteceu terá importãncia ou consequências.

No entanto, é público e notório que a PSP está no centro de várias polémicas, nomeadamente depois de uma reportagem da SIC onde se denunciou, mais uma vez, a infiltração da extrema-direita nas fileiras das forças de segurança. Não seria de estranhar que este ato de desobediência seja uma espécie de ensaio para outras cenas.

HAJA QUEM NOS DEFENDA DOS MAUS POLÍCIAS

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É estranho que tenha sido necessário aparecer na televisão para que os comandos da PSP e da GNR anunciassem a abertura de inquéritos internos. Ou seja, querem fazer crer que nada sabiam, até que a coisa foi denunciada publicamente.

Apetece lembrar o caso de Manuel Morais, o homem que foi perseguido dentro da PSP por ter denunciado os casos de racismo existentes.

As corporações tendem a proteger os seus, mesmo que esses elementos revelem ser canalhas da pior espécie. Escudam-se no inquérito em curso, na presunção de inocência e noutros mal-entendidos processuais e deixam que esses elementos se mantenham em funções e que, em muitos casos, continuem a prevaricar.

Foi o que aconteceu com a GNR, quando sete militares do posto de Odemira foram denunciados por maus tratos, tortura e sequestro de imigrantes asiáticos…

São conhecidas de há muito páginas nas redes sociais de agentes da PSP e militares da GNR onde se propagam ideais racistas. Durante muito tempo foram páginas despudoradamente abertas ao público.

Ideais que instigavam a atos abusivos sobre cidadãos negros, criando uma ideia de impunidade em quem os praticava. Como foi o caso sucedido no comboio da linha da Azambuja, em agosto dem 2021.

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Negar que estamos perante um problema grave e estrutural de infiltração da extrema-direita, do seu discurso de ódio e de violência nas forças de segurança em Portugal, é não querer resolver o problema.

É evidente que a grande maioria dos elementos das forças de segurança não são racistas nem criminosos. Mas há os que são. E são esses que devem ser combatidos, isolados, denunciados e extirpados das instituições a quem o Estado fornece meios para defender a sociedade.

A resistência aos ideais democráticos dentro da PSP e da GNR já tiveram expressões públicas, como foi o caso da tentativa de rejeição de novas regras de aprumo, apresentação e uso de uniforme na PSP, por diretiva do Diretor Nacional da PSP em setembro de 2020.

Essas novas regras obrigam os polícias a remover tatuagens com símbolos, palavras ou desenhos de natureza partidária, extremista, racista ou que incentivem à violência. Tinham seis meses para o fazer. Resta saber se o fizeram, se a regra foi imposta, se foi fiscalizada, que consequências teve. É verdade que o racismo não se remove por decreto nem se apaga com borracha. Mas, ao menos, que não existam racistas armados e fardados pelo Estado.

CANTARES DA TERRA, um espetáculo em Cascais

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Pouco a pouco, porém, o ar foi-se aquecendo, à medida que conhecidos ritmos e cantares se iam sucedendo. E bem cedo as palmas da mais de meia centena de espectadores começaram a pautar o que Cantares da Terra, emotivamente, entusiasticamente, nos ia oferecendo.

Uma viagem cantada, sim! Do Norte ao Alentejo, do vira ao cante, passando pelas inevitáveis marchas (tanto as de Lisboa como as de Cascais, que àquelas não ficam atrás, não!), pelo fado – tudo devidamente condimentado pelos originais arranjos de Marta Garrido.

Cantares da Terra, nado e criado em Cascais, com exímios tocadores de cordas e bonitas vozes femininas, é grupo que tem este mui saudável hábito de nos brindar com modas típicas de variadas regiões do nosso País.

Daí resulta sempre um concerto alegre, ritmado, pleno de boa disposição. Em simplicidade – o que também se deve referir.

Uma hora, pois, bem passada foi essa, no final da tarde de domingo, 22, em ambiente deveras familiar e participativo. Até a pequenita não resistiu ao magnetismo dos ritmos, saltou do colo da mãe e executou donairosos passos de dança, ali diante de todos!

Parabéns e… cá esperamos as anunciadas novidades para 2023!

A Junta de Freguesia de Alcabideche fez-se representar por dois dos seus vogais: Pedro Sousa e Teresa Lopes Ribeiro.

JORNALISTA DETIDO NA POLÓNIA SEM ACUSAÇÃO

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Detido desde 28 de fevereiro na Polónia, o jornalista Pablo Gonzalez recebeu só agora a primeira visita de um familiar, nove meses depois. Foi possível, finalmente, abraçar a mulher, olhá-la nos olhos, fazer perguntas, saber do mundo e da família. Tudo sob vigilância dos guardas prisionais da prisão de Radom, que nunca abandonaram a sala.

Há exceção de poucas notícias ralas sobre o que se passa com este espanhol, com dupla nacionalidade russa, ninguém incomoda o Governo da Polónia com esta questão.

A acusação é de espionagem, a favor da Rússia, claro. Pablo é filho de mãe espanhola e pai russo, é bilingue e tem dois passaportes. E nestes tempos inquisitórios, qualquer proximidade com a Rússia é olhado como apoio a Putin. E como estamos em guerra com a Rússia, a persecução e a injustiça são ferramentas que não se desdenham.

Pablo Gonzalez tem uma carreira no jornalismo independente, trabalha como freelancer para meios de comunicação social de diferentes partes do mundo. Nunca foi suspeito de produzir relatos tendenciosos, exceto quando a Polónia o deteve ainda a invasão russa na Ucrânia dava os primeiros passos.

Pablo Gonzalez

Pablo continua detido, sem acusação formal. A guerra, as suspeitas de espionagem, dão a este caso contornos algo especiais que permitem todos os abusos extra legais, seja nas condições do encarceramento, seja na duração da prisão preventiva, seja nas garantias de acesso ao processo e a advogados.

Para se defender do estado polaco, Pablo Gonzalez terá o apoio familiar e talvez apoio consular do Estado espanhol. Mas não existe nenhuma campanha de sensibilização da opinião pública sobre este caso. Nem os Repórteres Sem Fronteiras o incluem no rol dos jornalistas detidos em 2022. No site deste organismo, não existe nada sobre Pablo Gonzalez.

UM JORNALISTA CHATO

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Quando as perguntas são muito chatas, não há respostas para elas. O visado limita-se a chamar a segurança e o impertinente é afastado do local. Muitas vezes é detido.

Com o jornalista Tyler Hanses foi o que aconteceu, quando na fase de perguntas e respostas de uma conferência da Fundação Iniciativa Política, perguntou ao antigo conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, sobre os crimes de guerra americanos no Iraque e Afeganistão.

John Bolton foi embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas de 2005 a 2006, e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos de 2018 a 2019, com Donald Trump.

John Bolton

Bolton é amplamente considerado um falcão da política externa e é um defensor da ação militar dos EUA para forçar mudanças de regimes.

Na opinião de Bolton, os EUA deveriam avançar para a guerra contra o Irão, Síria, Líbia, Venezuela, Cuba, Iémen e Coreia do Norte.

É membro do Partido Republicano, as suas opiniões políticas são descritas como nacionalistas e neoconservadoras. É comentador no canal de televisão Fox News.

Deixem o Porto em Paz!

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A minha amiga tinha andado pelo Porto, a pé, de transportes públicos, de automóvel, e mostrou-se admirada com o estado de conservação da cidade: ‘nas zonas nobres tudo está recuperado ou em recuperação. Claro que há prédios altos e alguns horríveis mais afastados da Baixa. Mas vê-se que procuram estimar e tratar a cidade. Em Lisboa destroem tudo: as vivendas e os prédios da Av. da República, por exemplo, deram lugar a mamarrachos indescritíveis, de gosto muito duvidoso. E o que têm feito na zona das Avenidas Novas? E as lojas fechadas da nossa Baixa Pombalina? E os prédios entaipados?’.

As ruas da Baixa, conhecidas pelas lojas belíssimas e de luxo, são agora locais de venda de objectos de gosto, no mínimo, duvidoso, com lembranças de plástico, a maioria de origem chinesa, como se o artesanato em Portugal não existisse, e há portas e janelas entaipadas para impedir o acesso a toxicodependentes e sem-abrigo.

São Alojamentos Locais porta-sim, porta-não, que nada têm a ver com a cidade e frequentados por gente que se percebe não serem propriamente turistas, mas, talvez, imigrantes ilegais. O que, naturalmente, faz crescer a insegurança. No Porto, podem pôr os olhos na Rua das Flores, onde o AL tem ocupado uma grande parte, sem desfear a zona a quem por ali passeia.

Rua das Flores, Porto

A Lisboa, a belíssima cidade de Lisboa, parece restar somente a sua famosa luz…

Não está em causa o progresso ou a evolução, mas o desrespeito que sucessivos autarcas mostraram pela cidade e pelas as suas características. Nem a propósito, ao passar na Columbano Bordalo Pinheiro, outra zona que era de belas vivendas, verifico que a única que subsistiu está à venda. Ligo para o número de contacto e quem me atende informa que ‘o preço são seis milhões de euros, a casa é para demolir e ali ser contruído um prédio igual aos que estão ao lado’. Como se fosse uma grande informação, acrescenta que a Câmara de Lisboa já aprovou o projecto. E lá se vai a última vivenda da Columbano…

Recentemente tive acesso a uma carta enviada à Câmara de Lisboa por um cidadão estrangeiro que vive há alguns anos em Portugal. O casal não veio de um país em guerra ou a fugir de alguma coisa. Simplesmente optou por viver em Lisboa. O signatário da carta e a mulher não escolheram a Lapa ou Cascais para recomeçar, antes compraram casa em Campo de Ourique, um dos bairros mais ‘bairro’ de Lisboa, do qual falam com prazer e orgulho.

‘Adoramos Portugal. As colinas, os parques e florestas, as praias, o clima, o sol, a comida e o vinho, e mais. Mas, mais do que tudo, o povo faz este lugar especial’, escreve aquele cidadão, para acrescentar que a zona onde reside ‘é o melhor e o mais belo sítio da cidade’.

O casal pede atenção para problemas da sua rua: um armazém da Câmara Municipal, ‘totalmente abandonado, cheio de lixo e equipamento muito antigo, e o tecto de metal a cair’. Curiosamente, aquando do tornado em Lisboa que levou parte do telhado do Banco Alimentar, muitos dos pedaços daquele voaram para zona onde reside este casal. E apontam o facto de ‘o armazém parecer ter cabos elétricos e, quando chove, a água entra’.

Por outro lado, anotam as obras intermináveis junto ao Cemitério dos Prazeres e o facto de as ruas e calçadas estarem em péssimo estado, numa zona onde a população residente é, maioritariamente, muito idosa e sujeita a grandes quedas.

Lamentavelmente, o casal fala ainda da falta (imagine-se!) de contentores do lixo, já que, numa zona muito povoada, há somente alguns caixotes do lixo, sem possibilidade sequer de fazer reciclagem.

Mas isto é Lisboa de hoje, com ciclovias de localização dúbia, ruas sem arranjo, estradas perigosas e impraticáveis, casas a cair sem que haja possibilidade de reabilitação por motivos económicos e outros a comprarem-nas para destruírem o nosso património.

O Porto foi considerado o Melhor Destino de Cidade do Mundo 2022 nos World Travel Awards, em Mascate, Omã. Não sei se é um prémio de mérito. Visto o Porto como está, admito que seja. Mas lembro-me de quando se falava assim de Lisboa e como a têm vindo a estragar.

Agora, por favor, não estraguem o Porto!