Início Site Página 271

Carta Aberta aos meus Amigos

0
grafismo inspirado na capa do Le Monde Diplomatique, edição portuguesa

Para quê “perder tempo” com a crescente decadência da nossa governação, uma triste realidade que há muito antecipei? Perguntarão se também eu me “habituei”. Digo, simplesmente, que aquilo que ainda não tem remédio à vista, remediado está. Outros, com renovada energia, que avancem…  

Entretanto, sofri um súbito agravamento de uma doença neurológica muito rara e que quase me incapacitou fisicamente. Confiado à qualidade da Medicina Portuguesa, é com satisfação que posso anunciar que, desde há dias, gozo de um diagnóstico promissor e de um prognóstico airoso.

Doença autoimune, não se pode descartar que este meu “desarranjo” possa ter sido precipitado pelas vacinas anticovid, ou por uma forma fruste da doença, que terei contraído no verão. E deste modo se reforçam as 29 conclusões do I Congresso Internacional sobre a Gestão de Pandemias, em Fátima, de que fui redator e que, tendo merecido ampla divulgação, não viu contestada uma só linha. Tal como na política…

Reitero assim, neste final de ano, a minha proposta de “pacificação” entre a OM e os chamados “médicos pela verdade”, colegas dignos e que não merecem o labéu de “negacionistas”. Nesta quadra de Natal e, em tempos de reflexão eleitoral, proponho mesmo a amnistia de todos os profissionais injustamente acusados, até porque a maioria honrou a classe médica ao dar o seu melhor na frente da batalha. Centremo-nos em salvar o SNS.

Justifica-se ainda este meu curto interregno na política pela elaboração de vários livros e pelo meu constrangimento pessoal, perante a terrível sucessão de mortes de amigos muito próximos, ou de pessoas que simplesmente admirava, desde Adriano Moreira a António Mega Ferreira. Tem sido deveras doloroso…

Mesmo assim, não deixei de reagir recentemente contra a insanidade política do atual Ministro da Cultura e ao miserável “saneamento” do PS, a título póstumo, de Maximino Serra, o último dos heróis da resistência à ditadura. Reafirmo um princípio de sempre: “Diz-me por que causas e ao lado de quem te bates e dir-te-ei quem és!”.

Dispensando mais comentários que até serão imperiosos, mas que certamente não se ajustam a esta quadra, resta-me desejar que, em 2023, juntos possamos desatar alguns dos mais apertados nós que hoje flagelam a sociedade portuguesa.

Um forte abraço de amizade e gratidão a todos quantos me aturam.

E “façam-me o favor” de ser felizes!

MUITOS MILHÕES E UM CAMELO

0

Cristiano Ronaldo, o diplomata: “Estou ansioso por experimentar uma nova Liga, num país diferente.”

Cristiano Ronaldo, novo record: passa a ser o atleta mais bem pago da história do desporto mundial.

Estamos ansiosos por ver a Georgina de burka. Até porque não há trapinho que lhe caia mal…

GNR DETÉM 49 BÊBADOS AO VOLANTE

0

A frase batida “se conduzir não beba” não deixa de ser um slogan publicitário engraçado, mas não surte efeito. Os acidentes em que intervêm condutores alcoolizados continuam a causar vítimas, como foi o caso da artista Claudisabel, morta num acidente no passado dia 19.

O condutor do veículo que abalroou o carro de Claudisabel acusou uma taxa de alcoolémia acima do limite legal e corre, agora, o risco de ser acusado de homicídio por negligência.

Nas últimas 24 horas, a GNR deteve 49 pessoas por excesso de álcool no sangue, dado divulgado num comunicado a propósito da Operação “Ano Novo”. Relativamente à sinistralidade rodoviária, a GNR registou 230 acidentes, dos quais há a registar três feridos graves e 53 feridos leves.

Em relação ao acidente onde morreu Claudisabel, o teste de alcoolémia ao condutor foi feito no local e a GNR solicitou à equipa do INEM a recolha de sangue ao condutor para se efetuar uma contraprova laboratorial. Nesse segundo teste, irá confirmar-se o teor de álcool no sangue, no momento do acidente, e a eventual existência de substâncias psicotrópicas também.

Se se confirmar a acusação de homicídio por negligência, e caso venha a ser considerado culpado, pode acontecer que seja condenado a pena suspensa. É o que prevê a lei para penas de prisão até 5 anos, onde cabe o homicídio por negligência.

Uma pena suspensa pela vida de uma pessoa. Há quem ache pouco. Injusto.

PEDRO NUNO SANTOS

cartoon de Hélder Dias

Pedro Nuno Santos sai do Governo, mas fica como deputado na Assembleia da República. Tornou-se numa espécie de “enfant terrible” no grupo que rodeou António Costa, nestes anos de governação socialista. Logo veremos se António Costa ficou com alguma “pedra no sapato”.

Nunca se percebeu bem como foi que se aguentou quando anunciou, sem autorização, a solução para a construção do novo aeroporto de Lisboa. Caíu agora, na sequência deste caso com Alexandra Reis, pessoa de quem ele deve gostar bastante.

Na verdade, ninguém acredita que o ministro que tutela a TAP e que representa o acionista Estado na Assembleia Geral da TAP, não soubesse da indemnização de 500 mil euros recebida por Alexandra e, mesmo assim, tê-la convidado para novo cargo um mês depois. Noutro quadrante geográfico estariamos aqui a falar de corrupção.

A demissão de Pedro Nuno Santos aconteceu cerca de 24 horas após o ministro das Finanças, Fernando Medina, ter demitido Alexandra reis da Secretaria de Estado do Tesouro, onde ela apenas esteve durante um mês. Esta história resultou num escândalo que deitou abaixo um ministro e uma secretária de Estado, em 4 dias.

AUTOCARROS TODOS AMARELOS

0

Pode parecer estranho, mas é no próximo dia 1 de janeiro que arrancam nos concelhos a norte do Tejo os serviços da chamada Carris Metropolitana. Estranho, porque num dia feriado, prometem o início de um serviço com mais carreiras e novos horários em nove concelhos do distrito de Lisboa. Normalmente, num dia feriado, quase não há transportes públicos intermunicipais.

Mas, que seja. A Carris Metropolitana é uma iniciativa já experimentada a sul do Tejo. No início sofreu alguns reveses, porque constatou-se que não havia motoristas suficientes para cumprir com as promessas. Mas com o tempo, a empresa organizou-se.

A chegada da Carris Metropolitana a algumas localidades dos concelhos a norte de Lisboa é um anseio das populações, cansadas de serem mal servidas pelos operadores locais. A Mafrense, por exemplo, tem sido alvo de inúmeras críticas por prestar um serviço considerado deficiente, nomeadamente nas horas de ponta.

filas de utentes nas horas de ponta, Venda do Pinheiro

A nova rede vai seguir um outro sistema de numeração das carreiras. É possível utilizar o “conversor de linhas” do ‘website’ da Carris Metropolitana para saber as novas referências.

conversor de linhas no site da Carris Metropolitana

Os veículos serão todos amarelos e com o símbolo da Carris Metropolitana. Os operadores tradicionais não desaparecem. Os utentes é que passam a ter maior oferta.

Os preços não se alteram, o passe Navegante continua a custar 30 ou 40 euros, consoante seja municipal ou metropolitano.

A Área Metropolitana de Lisboa é composta por 18 municípios, sendo que três mantêm em exclusivo as transportadoras internas: os Transportes Coletivos do Barreiro (TCB), no concelho do Barreiro, a Mobi Cascais, em Cascais, e a Carris, em Lisboa.

Esta harmonização dos transportes colectivos na AML custou 1,2 mil milhões de euros. Uma pipa de massa. É bom que funcione, até porque os utentes preferiam que o dinheiro tivesse sido investido no prolongamento da rede do Metropolitano de Lisboa, nomeadamente para os concelhos de Loures, Mafra ou Sintra.

CURRICULUM DE CONVITES

Todos dizem que o CV de Alexandra Reis é impressionante e que a senhora é muito competente. Mas, se repararmos bem, não há assim tantas evidências quanto à competência.

É verdade que Alexandra Reis já deverá ter acrescentado no CV o exercício da Secretaria de Estado do Tesouro. Pena que tenha sido por tão pouco tempo…

Antes de chegar ao Governo, a convite do ministro Medina, estava ela na administração da NAV (empresa do Estado) para onde tinha ido a convite do ministro das Infraestruturas.

Antes disso, foi administradora da TAP, desta vez a convite de um acionista privado que, entretanto, já lá não está. Voltou a dedicar-se à Barraqueiro.

Antes da administração da TAP, tinha entrado na empresa como diretora de compras. Aliás, até chegar à TAP, a senhora tinha sido sempre uma operacional na área das compras de empresas como a REN ou a PT, empresas que tradicionalmente empregam boys & girls de partidos políticos.

Ou seja, se não fossem os convites, o que seria dela? A quantos concursos para emprego se candidatou e quantos venceu? Se alguém souber, que nos informe, para podermos atualizar este artigo.

Agora que foi despedida do Governo, Alexandra Reis está ainda mais disponível para novos convites, como rabisca o cartoonista Hélder Dias.

cartoon de Hélder Dias

COM BILHETE DE IDA

A fogueira onde ardia a secretária de Estado do Tesouro jamais se apagaria sem que ela saisse do Governo. Tal como fez com a TAP, Alexandra Reis poderá negociar os termos da sua saída, até porque está entre amigos. Quase família, digamos.

Para esta gente que só está habituada a despedir os outros, ser posto na rua é uma espécie de nódoa de molho de tomate na camisa branca. Fica feio. Assim, há de haver um comunicado do Governo a agradecer imenso a disponibilidade e o contributo e tudo o mais, talvez até uma promessa de novo cargo numa outra administração, lá mais para o verão, depois do pó assentar.

O caso de Alexandra Reis é de pouca relevância para este Governo. O problema de António Costa será conter os impactos mediáticos quanto ao papel desempenhado pelos seus ministros das Finanças e das Infraestruturas no caso.

Ninguém está a acreditar que quem tutela a TAP não sabia das intenções de saída de uma vogal do Conselho de Administração. Ninguém acredita que uma indemnização de meio milhão de euros possa ser negociada sem a concordância dos acionistas. A TAP só tem um acionista, o Estado. Esse acionista faz-se representar pelo ministro das Infraestruturas. O mesmo ministro que, três meses depois, vai buscar a indemnizada para novo cargo de uma outra empresa do Estado. Onde Alexandra esteve pouco tempo, porque o ministro das Finanças achou que não podia viver sem ela.

Por tudo isto, tornava-se urgente que Alexandra fosse de férias. Dinheiro para tal não lhe deve faltar.

cartoon de Hélder Dias

MEDIDAS DE UM GOVERNO SOCIALISTA

0

Em Espanha, o Governo socialista decidiu eliminar o IVA dos produtos alimentares básicos. A medida enquadra-se num vasto pacote de apoio às famílias e a vários setores da economia.

Os alimentos que passam a IVA zero são o pão, o leite, o queijo, os ovos, a fruta, os legumes e leguminosas, as batatas e os cereais. Antes tinham um IVA de 4%. O IVA do azeite e massas passa de 10 para 05%.

Além disto, foi anunciado que 4,2 milhões de famílias vão receber ajudas de 200 euros.

Mais algumas medidas:

Os preços do gás continuam congelados.

Os transportes urbanos têm uma redução de 30% no preço dos bilhetes.

Os transportes intercidades passam a ser gratuitos.

As rendas de casa têm um limite de 2% nos aumentos.

As distribuidoras de água, eletricidade e gás continuam proibidas de cortar os serviços por falta de pagamento.

As pensões aumentam 8,5% em 2023.

Pesca e agricultura têm apoios no preço dos combustíveis.

Estas são algumas das medidas hoje decididas no Conselho de Ministros do Governo espanhol. Porventura, gostaríamos que tivesse sido o Governo português a tomá-las.

A Espanha já conseguiu abrandar a inflação, na zona euro é o país com menor inflação, neste momento.

Segundo avançou o primeiro-ministro Pedro Sánchez, na conferência de imprensa, o total de recursos aplicados atingem os 45 mil milhões de euros, para proteger a classe média e trabalhadora e o tecido produtivo do país face ao aumento do custo de vida.

Com isto, Sanchez envergonha o “compadre” Costa. Portugal nem metade fez para apoiar as famílias e as empresas, comparativamente com Espanha. Vamos esperar mais uns dois ou três meses, a ver se Costa aprendeu alguma coisa com “su hermano”.

A cantiga do bandido

0

Afundada no edredão, ele finalmente enrolado a mim, é que estivemos zangados durante dois dias. Não entrou sequer na sala no primeiro, no segundo deixei-o dormir no sofá.

Uma ferida na testa, outra mais pequena no rosto. Foi grave e gratuito, pura violência doméstica! Mas… pode ser fruto de algo que não está bem com ele, talvez precise de um psicólogo. Terei que o levar ao Sr. Dr. que não tem acordo com o SNS. Cobra mais por consulta do que o meu Sr. Dr mas o amor move montanhas e contas bancárias.

A reconciliação acaba por dar algum sentido às maldades, é a parte melhor, ou a única boa. Pois, o amor é lindo mas invocado para fazer mal, magoar, matar, para se poder afirmar “Tu é que me obrigas a fazer isto!”. Não penso que o amor justifique barbaridades mas acredito que esteja entrelaçado com o rancor, o ódio, a violência. O ciúme, que é uma doença, mistura-se com todos estes sentimentos. As situações, as pessoas, as circunstâncias, podem ser brancas e pretas ao mesmo tempo. Mas em nome do amor não se justifica a violência. Nunca, jamais!

Já amei e fui amada, muito mimada até. A alguns parti o coração sem querer, com outros saí estilhaçada em mil pedaços, sobrevivi com o coração colado a cuspo. Mesmo assim acredito que o amor é a única coisa que interessa, mesmo que as separações possam ser um alívio para uns, para outros tortuosas, complicadas, sofríveis, complexas. Como escreveu Saramago “Somos mata-borrões, somos impregnados pelo outro, deixamos de ser quem somos e passamos a ser nós com o outro; por isso é que nas separações o mais difícil não é um separar-se do outro, é a separação da terceira pessoa que ambos criaram”.

Largo os pensamentos filosóficos, envio-lhe uma mensagem, recebo a habitual pergunta: “Não sabes que dia é hoje?”. Ups, esta situação já é um clássico e engano-me sempre no número. “Parabéns, muitos parabéns!” Ela lá me perdoa o esquecimento de mais um aniversário deles. Um clássico, sem dúvida…

Viajo pelas fotografias: ela linda de morrer, novinha, novinha, ele não  ficava atrás. Era um sedutor mas caiu de amores por ela que nem um patinho.

“Receba as flores que te dou, em cada flor um beijo meu”, uma das músicas que punha a tocar na jukebox do café com o seu maior sorriso, o seu mais doce olhar, a clássica cantiga do bandido. Consigo imaginá-lo, ainda hoje tem esse ar sedutor.

Só quando olho para as fotos é que consigo perceber que também eles foram jovens, silhuetas perfeitas, cheios de amor e paixão a pulsar entre eles. E foi assim que nasci. Sete anos depois de amor e paixão a pulsar nasceu o puto.

Lembro-me de me interrogar muitas vezes se as discussões eram consequências do amor. Foram muitas, mais do que uma vez pensei que mais valia estarem separados, que aquilo não fazia sentido. Depois lembro-me dos mimos que ele continua a dar-lhe, da força com que ela o leva, sempre levou. Como em qualquer lar que se preze, quem manda é ela mas fá-lo acreditar que é ele quem toma as decisões.

Construíram uma família literalmente do zero, sem a ajuda de ninguém, tinham-se  apenas um ao outro, tiveram-nos a nós contra a contabilidade da vida. Deram saltos no escuro, caíram, levantaram-se, não deixaram que a vida lhes desse a volta. Foram eles que deram sempre a volta. Por cima.

As discussões desvaneceram-se há muito muito tempo, ficaram cingidas ao “Mas não íamos agora às compras? Essa história não é nada assim, eu é que a sei contar! Onde é que puseste o comando da tv, ainda não sabes qual é o lugar dele?Porque precisas de uma hora para sairmos de casa?” e vai por aí fora. É uma perda de tempo mas o tempo é deles.

“Prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida”. Votos que viajaram pelo tempo, há mais de cinco décadas! São 18 615 dias juntos, por escolha, não por imposição sócio-cultural. Desconfio que vão continuar a viajar no tempo para sempre.

Aqui é o tempo de o meu companheiro pôr no portátil aquela música de que tanto gosto. Não se esquece de ligar a coluna de som. Olha-me com o seu maior sorriso, o seu mais doce olhar, a cantiga do bandido. Caio que nem uma patinha e, cega de amor, abro sempre uma lata de patê. Até que a morte nos separe.

JORNALISTA CONDENADA

0
Tânia Laranjo

Tânia Laranjo, jornalista a trabalhar na CMTV, foi condenada pela Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) a uma coima de 435,76 euros.

Diz a CICDR que em 27 de novembro de 2019 “a arguida Tânia Alexandra Ferreira e Castro da Costa Laranjo publicou na sua página pessoal da rede social Facebook uma imagem com as fotografias da então deputada da Assembleia da República Joacine Katar Moreira e do ativista Mamadou Ba com o texto ‘Black Friday – Promoção especial leve 2 e não pague nenhum’, estando a imagem acompanhada do texto ‘Não resisto’, escrito pela arguida”.

Ainda segundo a CICDR, “a publicação em causa gerou também comentários ofensivos, de incitamento à discriminação racial e ao ódio por vários utilizadores”, o que é a mais pura das verdades. Aliás, a publicação foi replicada até à exaustão por todos os racistas de Portugal.

Talvez por arrependimento ou por recear as consequências de tamanha bojarda, Tânia apagou essa publicação. Mas tarde demais, chegaram pelo menos três queixas à CICDR que ponderou durante estes três anos a decisão agora anunciada.

A jornalista ainda pode recorrer para os tribunais.