Início Site Página 235

AS INJUSTIÇAS DE UMA AMNISTIA EXCLUSIVA PARA JOVENS RECLUSOS.

0

A pobreza levou Eduardo Ferreira para o crime. Os pequenos bandidos são sempre apanhados e, em pouco tempo, Eduardo estava a contas com a justiça.

Mónica, a mulher, diz-nos que “ele não fez coisas muito graves, só fez porque passávamos dificuldades.” Enquanto Eduardo cumpre 4 anos e 10 meses de prisão, a vida de Mónica piorou bastante. ”A minha vida não está fácil. Sem ele, os meus quatro filhos choram muito”, confessa Mónica que desde que o marido foi preso nunca mais o viu.

Sim, esta família de S. Miguel, nos Açores, não está só separada pelos muros da cadeia, mas pela largura do oceano. Eduardo foi transferido para o estabelecimento Prisional de Sintra. Mónica não tem o dinheiro para as viagens e estadia e, assim, não vê o marido. Os filhos não vêm o pai. Se consultarmos a sentença do tribunal, não consta lá nenhuma pena acessória de impedimento de ver a família.

Mas o sistema prisional tem lógicas perversas que ignoram os laços familiares dos reclusos, ignoram a necessidade de manter a coesão famíliar na perspetiva de facilitar a reinserção social depois do cumprimento da pena.

Este é um dos casos que poderia beneficiar da amnistia que o Governo prepara para celebrar a visita do papa, durante a Jornada Mundial da Juventude que decorre em Lisboa de 1 a 6 de agosto. Mas não. Eduardo tem 36 anos e a amnistia é só para jovens até aos 30 anos de idade… Não importa se Mónica tem menos de 30 anos, nem importa se os 4 filhos do casal são crianças, a mais nova com apenas 4 anos de idade. Teriam eles direito a uma “amnistia”, se a ideia dos políticos não fosse tão curta.

TRANSFERÊNCIAS DE RECLUSOS SÃO PROBLEMA ANTIGO

Mónica já tem saudades dos dias de pobreza partilhada com o marido. “Ele foi preso aqui em São Miguel no dia 8 de marco de 2023 e dia 5 de abril foi transferido para a cadeia de Sintra. Nunca mais o vi.”

Os problemas provocados pelas transferências de reclusos das regiões autónomas para estabelecimentos prisionais do continente já foram motivo de muitas reclamações e manifestações de protesto. Há pouco mais de um ano, a RTP Açores reportou um desses protestos.

DRONES JÁ TRANSPORTAM PESSOAS

0

A um ano dos Jogos Olímpicos de Paris, um fabricante de drones apresenta por estes dias um protótipo de táxi aéreo. O fabricante alemão deste aparelho, a que chamaram Volocopter, pretende obter autorização para operar nos céus de Paris durante os Jogos Olímpicos.

Na intensa campanha promocional que decorre por estes dias, o Volocopter acaba de ser apresentado na feira de aeronáutica de Paris. Esta feira é considerada a maior do género em todo o mundo e, por isso, janela promocional imprescindível.

O Volocopter é um drone maior, igualmente elétrico. O aparelho está preparado para voar sem piloto a bordo, telecomandado à distância como qualquer drone. Mas, por enquanto, o Volocopter foi adaptado para transportar um piloto e um passageiro. Propor aviões sem piloto ainda é um risco. Quem vai aceitar voar num avião telecomandado?

vídeo promocional do fabricante

A verdade é que há mais de 200 empresas em todo o mundo a desenvolver os seus protótipos de aviões e helicópteros elétricos. Mas, para já, o Volocopter parece estar mais avançado. Há anos que andam a fazer voos de teste em França e na Alemanha e, agora, foi feito uma exibição na Arábia Saudita. Com grande sucesso, segundo se diz. Os sauditas serão os primeiros a alinhar nesta excentricidade, parece evidente.

Nos vídeos da empresa que desenvolveu o Volocopter, podemos ver a capacidade de voo do aparelho e as capacidades de transporte de pessoas e carga. O lema da empresa é “nada de estradas, nada de pontes, nenhum túnel, nada de carris, nenhuma poluição, nenhuma pegada.”

vídeo promocional do fabricante

A guerra na Ucrânia deu um grande impulso financeiro aos fabricantes de drones. As “encomendam aumentaram exponencialmente á medida que os drones foram revelando as suas capacidades. Primeiro, eram apenas objetos voadores utilizados na vigilância e deteção do inimigo, depois passaram a ser utilizados como bombardeiros. Os pequenos drones conseguem carregar bombas e granadas, silenciosamente voam sobre as posições do inimigo e largam as cargas explosivas com grande precisão. Tudo comandado à distância, através das câmaras de vídeo que equipam os drones. Matam que se fartam.

vídeo

O sucesso dos drones na guerra garante o financiamento para o desenvolvimento deste aparelho para poder servir a sociedade em tempos de paz. Claro que se transporta pessoas, transporta soldados…

O PAÍS QUE TEMOS

1

A avaliar por algumas notícias que passaram durante a semana, de raspão, nos media nacionais, em breve Portugal será só um país de curtas passagens para turistas ricos, para os novos turistas de caracol e para os nómadas digitais, que vão expulsando os moradores das grandes cidades. E cada vez mais, também um país para as hordas de asiáticos que cuidam da nossa agricultura industrial, mas só daquilo que os herbicidas e as máquinas não fazem.

Quase a secar a fonte das notícias que nos mantiveram entretidos, distraídos ou adormecidos – casos periféricos da TAP- durante dezenas de horas, depois de ouvidos um ex-ministro e outro no ativo, ainda houve ilustres comentadores que espremeram o caso, no domingo à noite, mas já só saíram previsões não consensuais sobre o futuro do ex-ministro das infraestruturas. Onde arranjar um caso que substituísse esta série?

A caricatura do primeiro ministro nas comemorações do 10 de Junho deu sinais de gerar algum sururu, que se esgotou entre a liberdade de expressão, o mau gosto do cartaz e a perda de credibilidade da luta dos professores. A oposição ainda tentou, no limite do desespero, transformar num caso escandaloso, uma escapadela, à socapa, do primeiro-ministro a Budapeste, a caminho da Moldova, e a duvidosa companhia do homólogo húngaro num jogo de futebol. Mas foi um mero casinho, neutralizado por outro jogo, Portugal X Bósnia Herzegovina, com Costa e Marcelo a torcerem juntos por Portugal.

Sem alarde – e se precisava! – foi notícia, na semana passada, a diminuição da diferença de salário entre jovens com formação superior e só com formação secundária, que nos últimos 10 anos desceu de 57% para 27%.

Como era previsível, os pivots limitaram-se a debitar estatísticas que não suscitaram qualquer debate. Não fora o comentador mor da SIC, LMM, com a sua pedagogia “explica-me como se eu tivesse 4 anos” e teria passado despercebida, como notícia de rodapé! Mas fez questão de acrescentar o óbvio à notícia, o comentador de serviço ao domingo a noite: repetiu os números e concluiu, pasme-se! – que com estes salários, os jovens continuarão a deixar o país, esvaziando-se assim a pátria, da “geração mais qualificada de sempre”.  Senti (eu e milhões de portugueses) a falta do Ricardo Araújo Pereira, porque a questão dos salários é por excelência um programa em cheio ‘Isto é gozar com quem trabalha’.

Também sem alarde nem comentários dignos de nota, (nem sequer do LMM) soubemos que no ano 2021/2022, no ranking das boas escolas, é preciso percorrer não o top 10, não o top 20, não o top 30, mas o top 40, para encontrarmos o nome de uma escola pública.  Acresce a isto que 40% das classificações atribuídas nos colégios privados foram 19 e 20 valores. E, é claro, soubemos que este insólito facto dará origem, como tantos outros, a uma rigorosa investigação, “até às últimas consequências”, ou seja, nenhumas.

De tão naturalizado, este pseudo facto de os alunos do ensino privado terem melhores resultados, como se os profs destes tivessem uma ética do trabalho e no público fosse uma bandalheira, a notícia já não suscita perguntas, indignação, protestos, manifestações, ou sequer um comentário. Nem da tutela (que promete averiguar o fenómeno dos muitos 19 e 20), nem de sindicalistas, nem de professores, porque tal conclusão é de tal forma insultuosa para estes que os deixa tolhidos de indignação. E logo neste ano em que a luta da classe atingiu níveis nunca antes alcançados.

Para quem só ouve ou lê as gordas, tendo por certo que muitos são pais e mães, a ideia que fica é que na educação, como na saúde, é preciso acabar com este “socialismo”, como dizem alguns betos da política, e privatizar tudo!

Mas ter 19 e 20 valores para quê?

Para entrar num curso de medicina, de engenharia aeroespacial ou de arquitetura, endividarem-se os pais para pagarem o alojamento e as propinas e meia dúzia de anos depois terem filhos graduados, pós-graduados, que conseguiram um bom emprego, mas não um salário que lhes permita arrendar ou comprar uma casa, casar, ter filhos, a menos que emigrem?!

Portugal tornou-se um país onde é preciso ser milionário para comprar uma casa, onde a classe média de jovens doutores e engenheiros recebe subsídios de renda de casa, onde acontece que até se pode ganhar melhor num call center do que num atelier de arquitetura!

Quem teve tempo para ouvir rádio, ficou também a saber que as profissões do futuro próximo, com emprego assegurado em qualquer parte do mundo, segundo dados do Fórum Económico Mundial, serão ligadas à digitalização, inteligência artificial, robótica e sustentabilidade.

Então, força aí, nos testes vocacionais! Orientemos todos os jovens para as tecnologias de ponta. Para quê as sociologias, as filosofias, as filologias, as artes, as humanidades…?

Para quê ensinar jovens a pensar a história, a cidadania, a democracia, a justiça, a solidariedade, a igualdade, a sobrevivência do planeta, se nada disto lhes assegurará, no futuro, uma agenda de trabalho digno?

E para garantir que teremos hortaliças para a sopa, tomares para a salada e frutos vermelhos para a sobremesa, poderemos, cada vez mais, contar com indianos, nepaleses, afegãos e outros asiáticos, para quem uma camarata num contentor é uma moradia de luxo (também a autoridade para as condições no trabalho irá averiguar até às últimas consequências).

“Deixem-se dessas tretas pedagógicas. Isto é para dar dinheiro” – dizia despudoradamente um diretor de uma escola privada, que tive o desprazer de conhecer.

Se os jovens, médicos, professores, jornalistas e dezenas de outros profissionais não têm hipótese, a curto prazo, de viver em casa própria, e se seguramente não haverá daqui a meia dúzia de anos, só experts em robótica, IA e afins, tenho uma ideia melhor: estimulemos as nossas crianças, em idade bem precoce, para serem influencers! Dizem-me que se ganha uma pipa de massa. Mas não se trata de influenciar com ideias. Ter ideias é um desperdício de tempo. Basta mostrar como usar um bâton, um cabelo de corte invulgar, umas calças que parecem saídas das lixeiras de roupa, fazer uns vídeos engraçados, divulgar nas redes e em breve será um/uma influencer de renome. Não digo que não sejam precisos uns meses para se tornar uma Kardashian ou uma Gio!  Mas sejamos claros: também não precisa de começar exibindo carteiras de dezenas de milhares de euros ou joias de milhões. Para isso talvez precise de um ano ou dois.

Disse-me uma amiga, muito entendida em redes sociais, que há mulheres a ganhar muito dinheiro a ‘postar’ fotografias dos pés. Parece que alimentam fantasias sexuais de muitos homens. E afinal, se tantas postam diariamente milhões de fotografias, do seu melhor ângulo, da sua melhor curva, do seu mais recente botox, o que há de extraordinário em mostrar, nas redes próprias para fetichistas sexuais, um belo pé de deusa grega, descalço ou em sapato de salto de agulha e ganhar dinheiro com isso?! Afinal são só pés! Pés livres… até do mau cheiro!

A REVOLTA DOS CARTOONS

0

Realmente, foi mau gosto. Que o diga Porky Pig. Se eu estivesse no lugar do próprio, ou melhor, nos cascos dele, teria feito já uma exposição e um pedido de indemnização do mau gosto que foi Pedro Brito lhe ter feito uma caricatura com a cara de António Costa… Nos tempos da Velha Senhora, Pedro Brito saberia o verdadeiro peso da régua… ou melhor, da palmatória.

Após a indignação que o nosso primeiro-ministro demonstrou pelo direito à livre expressão que o nosso país conquistou após o 25 de abril de ‘74, muitos outros cartoons se lhe associaram. Afinal, associar a mulher a uma vaca (Clarabela) ou a uma galinha (Clara d’Ovos), não é coisa que um desenhista possa, sequer, imaginar. Nem passar estas ideias para as crianças, pois estas imagens germinariam nas mentes dos pré-adolescentes preconceitos inconcebíveis! Ultrapassa o bom senso! Mais: associar a mulher a uma porca (Miss Piggie) é demais! E a uma rata (Minnie)? Obsceno!

Não quero nem imaginar que ministras Pedro Brito escolheria para caricaturar estas personagens!… Nem as ditas!…

Depois, há todo aquele ‘racismo’ de escolher animais a dedo: para bandidos, cães vira-lata (Irmãos Metralha); Onças (Bafo de Onça); Fuinhas (Professor Estigma); aves de rapina (professor Gavião); …

Haverá animais suficientes para retratar os políticos deste nosso País? É que, infelizmente, o Mancha Negra não teve filhos…

Os heróis lá se vão contentando com caras de rato (Mickey); cães (Pateta e Super Pateta), sapo (Cocas); … o que não é mau. 

…e pensar que crescemos a ver mulheres como vacas, porcas e ratas; bandidos como fuinhas; heróis como ratos e cães…

…mas sempre com caras de animais. Coitados de nós, que crescemos neste imaginário…

Só António Costa acha de ‘mau tom’ o seu ‘nariz de tomada’ e os lápis espetados nos olhos.

Ainda bem que Walt Disney já morreu. Em Portugal seria visto como racista, machista e indigente.

Agora a sério: que animal escolheria Walt Disney para caricaturar António Costa?

Leva-me a pensar em George Orwell e o seu livro “O Triunfo dos Porcos”. Nunca percebi porque decidiu que Snowball e Napoleon fossem porcos.

Agora entendo! Obrigado, António Costa!

(Nota da redação: os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores)

AMNISTIA PROPOSTA DISCRIMINA RECLUSOS

3

O que, aparentemente, seria uma medida consensual, afinal congrega críticas. Logo, porque este “perdão de penas e amnistia de infrações” só vale para reclusos jovens, com limite de idade até aos 30 anos.

Em comunicado, a Associação Portuguesa de Apoio aos Reclusos (APAR) vem manifestar desagrado por uma medida que discrimina os reclusos, “ofende o princípio de igualdade dos cidadãos perante a lei”, o que provoca uma distorção da aplicação da justiça.

Este perdão de penas e amnistia de infrações só para os mais jovens é influenciado, evidentemente, pela Jornada Mundial de Juventude, o evento que traz o papa a Portugal. Aparentemente, para a APAR, trata-se de uma relação que provoca um conflito ao estabelecer “distinções que não respeitam os limites constitucionais da igualdade de todos perante a lei e, por isso mesmo, não podem ser aplicadas pelos tribunais.”

A APAR lamenta não ter sido consultada sobre este assunto, o que teria evitado uma decisão do Conselho de Ministros que, assim, corre o risco de provocar críticas na Assembleia da República ou não ser ratificada pelo Presidente da República.

O QUE DIZ A PROPOSTA DE LEI

A proposta de lei prevê um perdão de um ano para todas as penas até oito anos de prisão, uma amnistia para contraordenações cujo limite máximo de coima aplicável não exceda 1.000 euros e para infrações penais cuja pena não seja superior a um ano de prisão ou a 120 dias de pena de multa.

Ficam de fora, crimes de homicídio, de infanticídio, de violência doméstica, de maus-tratos, de ofensa à integridade de física grave, de mutilação genital feminina, de ofensa à integridade física qualificada, de casamento forçado, de sequestro, contra a liberdade e autodeterminação sexual, de extorsão, de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, de tráfico de influência, de branqueamento ou de corrupção.

A última vez que o Governo aprovou medidas semelhantes de perdão de penas e amnistia de infrações penais, que permitiram reduzir a população prisional, ocorreu durante a pandemia de covid-19.

O DEPUTADO ARGUIDO

Montenegro diz que os deputados não representam o partido, não representam sequer o círculo eleitoral pelo qual foram eleitos, representam todo o país. Diz que os deputados estão na Assembleia da República a exercer um mandato pessoal. Tudo isto para tentar justificar a manutenção de Pinto Moreira em duas comissões parlamentares, mesmo depois de lhe ter sido retirada confiança política do PSD, o partido a que pertence.

Perante a insistência dos jornalistas que procuravam perceber a lógica das respostas, Montenegro disse ontem, em Palmela, que “não levo a mal as vossas perguntas e respondo, não tenho problema nenhum. Vou responder é sempre da mesma maneira (sic) e torno-me um bocadinho monocórdico, mas não há problema nenhum”.

Sem nunca encarar as câmaras de televisão, Montenegro recusou relacionar a permanência deste deputado nas comissões de Defesa e Saúde com eventual recusa do grupo parlamentar do PSD em aceitar a declaração de “falta de confiança política em Pinto Moreira” que Montenegro fez quando se soube da condição de arguido deste deputado.

A verdade é que, com ou sem confiança política, o voto de Pinto Moreira continua a ser contabilizado como voto do PSD nas votações que se realizem no plenário da Assembleia da República. Ou seja, a retirada da confiança política não passa de retórica.

Joaquim Pinto Moreira é arguido num processo relacionado com os cinco anos em que foi Presidente da Câmara Municipal de Espinho. A chamada “Operação Vórtex” da Polícia Judiciária investiga casos de corrupção e este advogado é um dos suspeitos constituído arguido.

O cartoon desta peça de humor político é de Hélder Dias.

EUROPA CRUEL

0

Ativistas pelos direitos humanos acusam as autoridades europeias de serem responsáveis pela morte de centenas de pessoas afogadas no Mediterrâneo, no naufrágio de uma traineira quando tentavam chegar a Itália, dia 14 de junho.

Segundo o relato dos poucos sobreviventes, havia cerca de 750 pessoas a bordo, muitas mulheres e crianças. Nenhuma mulher e nenhuma criança sobreviveu. Foram resgatados com vida 104 homens, foram recuperados 78 cadáveres. Todos os outros desapareceram. A estimativa é de pelo menos 600 mortes. Muitas famílias inteiras – pai, mãe, filhos – terão sido dizimadas neste naufrágio.

Desde que foi lançado um pedido de socorro, passaram 5 horas até que as embarcações de auxílio chegassem ao local do naufrágio. Nesse tempo, muita gente sucumbiu. Para serem encontrados, alguém terá de os ir procurar ao fundo do mar.

Os ativistas dizem que “a política europeia de fronteiras está a matar pessoas.” Dizem que a Europa tem uma “abordagem cruel” à questão dos migrantes africanos e asiáticos que procuram chegar onde pensam poder ter uma vida melhor.

Os ativistas acusam a Guarda Costeira da Grécia e a Frontex, organismo de vigilância e controlo de fronteiras externas da União Europeia, de saberem que o navio em questão estava com problemas (à deriva, sem motor) e de não terem antecipado uma ação que impedisse o naufrágio. Durante 14 horas esperaram, até que a traineira carregada de gente nos porões foi ao fundo. E por isso dizem que foi um crime.

A Frontex reconhece que o navio tinha sido detetado no dia anterior. Num comunicado, diz que “em 13 de junho, antes do meio-dia (09:47 UTC), um avião da Frontex avistou o navio de pesca dentro da região grega de busca e salvamento, em águas internacionais. O navio estava superlotado e navegava em baixa velocidade (6 nós) na direção nordeste.” Nada foi feito.

27 MIL AFOGADOS EM 9 ANOS

A ONG WeMove Europe escreve no seu site que a crise mundial se deve ao sistema político que “serviu a elite e maximizou o lucro durante demasiado tempo, e agora estamos a assistir a efeitos devastadores no nosso ambiente, na nossa economia, na nossa democracia e na nossa vida quotidiana.”

Estes ativistas acusam a União Europeia de cinismo político, face aos “valores frequentemente enunciados na UE: respeito pela dignidade e pelos direitos humanos, liberdade, democracia, igualdade, Estado de direito, pluralismo, não discriminação, tolerância, justiça e solidariedade” e a prática que possibilita a ocorrência de desastres como este onde morreram centenas de pessoas.

De acordo com os dados fornecidos pelo Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações, há quase 27 mil migrantes desaparecidos no Mediterrâneo desde 2014.

Quantos morreram pelo caminho, na caminhada desde os seus países de origem até ao ponto de embarque, na Síria, na Líbia, no Egipto, ninguém sabe dizer.

CRISTIANO RONALDO É FIXE

0

Foi o momento da vida de Inunssa Baldé, até hoje. Um momento inesquecível. Era um dos 50 mil que enchiam as bancadas do Estádio da Luz no Portugal-Bósnia, mas só ele teve engenho, arte e atrevimento para invadir o campo e conseguir chegar perto de Cristiano Ronaldo.

Também não deixa de ser curioso, a forma como Cristiano reagiu. Divertido, deixou que o invasor lhe pegasse ao colo. Uma empatia rara.

Baldé é da Guiné-Bissau, mas cobria-se com a bandeira portuguesa. Aquela bandeira passou a simbolizar o momento único que viveu e, certamente, será guardada com carinho durante muito tempo.

O realizador de televisão que dirigiu a transmissão do jogo não exibiu as imagens da invasão, mas alguns vídeos apareceram nas redes sociais, até porque das bancadas muitos gravaram a cena com telemóveis. Mas à medida que os vídeos publicados nas redes sociais são detetados, muitos têm sido bloqueados. Já as fotografias andam por aí à solta. Esta que exibimos, não sabemos de quem é.

RACISTAS ATACAM PSP

0

A Polícia de Segurança Pública utilizou a fotografia de um agente de etnia africana para publicitar o 40º Curso de Formação de Oficiais da Polícia.

A fotografia provocou reações virulentas e os comentários de teor racista entupiram as redes sociais da PSP. De tal maneira que tiveram de ser apagados. Sobreviveram apenas os menos indigentes, mas pela amostra que aqui deixamos, a título de exemplo, o cheiro devia ser execrável.

Acontece que a fotografia que tanto incomodou intolerantes e racistas não é a única que a PSP utilizou para promover a mesma iniciativa. Nesses casos, em que não surge em destaque nenhum agente da PSP racializado, as reações foram serenas.

Não terá sido o caso, mas publicações deste género constituem um isco fácil para rastrear racistas e disseminadores de discurso de ódio. A partir de agora, a PSP não poderá continuar a agir como se o racismo não fosse uma praga a exterminar. Os próprios conselhos que a PSP dissemina (por dever do ofício) servem para ela própria.

ANDAM A ESVAZIAR PNEUS

0

São mais uma ramificação da militância em defesa do clima e lutam pelo fim dos motores de queima de combustíveis fósseis. Intitulam-se “The Tyre Extinguishers” (os aniquiladores de pneus) e dedicam-se a esvaziar pneus de modo a que os veículos não possam circular e, portanto, não poluam o ambiente.

Assim à primeira vista parece uma tontice, uma brincadeira de crianças, mas não é. A par de outros movimentos radicais como, por exemplo, o “Just Spot Oil” (conhecidos pintar fachadas de empresas e borrar obras de arte em museus), constituem parte de uma frente internacional de ambientalistas dispostos a dar trabalho e algum prejuízo a quem persiste em poluir.

Estes “The Tyre Extinguishers” nasceram na Inglaterra, mas já se espalharam pela Europa e América.  O Channel 4 (canal de notícias inglês) já fez uma reportagem com eles, onde eles explicam porque se dedicam a prejudicar preferencialmente os proprietários de veículos SUV e 4×4, que ”são os que mais poluem”.

uma das vítimas em Lisboa

Em Portugal, o ramo tuga dos “The Tyre Extinguishers” chama-se “Exterminadores de pneus”. Os primeiros esvaziamentos ocorreram em Lisboa. A PSP ainda não lhes dedicou atenção especial, ao contrário do Automóvel Clube de Portugal (ACP) que já veio lembrar que tirar ar a pneus é um ato de vandalismo punível com prisão. O problema do ACP, além da questão “ideológica” (a inutilização temporária do veículo) tem uma evidente razão financeira. O ACP já deve estar a fazer contas ao trabalho que poderá vir a ter para desampanar veículos com pneus vazados… um serviço que ao abrigo do serviço de assistência em viagem é gratuito para sócios do ACP.

De um modo educado, os ativistas portugueses (à semelhança dos ingleses) deixam o “trabalho” assinado, com um papel entalado na escova do para-brisas, onde justificam porque andam a chatear os proprietários dos SUV e 4×4 e os aconselham a optar pela bicicleta ou pelos transportes públicos.

Não vai ser fácil combater este movimento. Primeiro, porque atuam de noite, quando as ruas estão vazias. Depois, escolhem bairros sossegados onde as pessoas estão habituadas a dormir sem sobresssaltos. E ainda porque parecem convictos do que se propõem fazer: “tornaremos impossível a utilização de veículos SUV e 4×4 no meio urbano. Pelo clima, pela saúde e pela segurança das pessoas”.

Twitter dos “The Tyre Extinguishers”