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ISRAEL MATA JORNALISTAS

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É o caso mais falado. Se quisermos ser verdadeiros, é o único caso mencionado pelos media internacionais. O jornalista da agência Reuters, Issam Abdallah, foi morto por um bombardeamento israelita no sul do Líbano.

Issam Abdallah era libanês, estava dentro das fronteiras do Líbano, preparava-se para um direto na Internet para a Reuters, quando um míssil disparado pela tropa israelita o matou.

A morte de Issam Abdallah foi testemunhada por outros jornalistas da agência France-Presse e da televisão Al Jazeera.

O Líbano garantiu que irá apresentar uma queixa formal no Conselho de Segurança da ONU pelo “ato deliberado” dos militares israelitas, segundo vem publicado na imprensa libanesa.

velório de Issam Abdallah, 14 de outubro de 2023

Os jornalistas não são beligerantes, não é suposto serem alvejados por militares. Mas acontece muito, como bem sabemos. “São coisas que acontecem”, disse à Reuters um porta-voz do exército de Israel.

Segundo a Resistência Palestiniana, são coisas que acontecem com demasiada frequência. Segundo esta fonte, Issam Abdallah foi o 10º repórter a ser morto (em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano) desde que o Hamas despoletou a ação militar Al-Aqsa Flood.

A lista completa:

1 - Issam Abdullah
2 - Ahmed Shehab
3 - Muhammad Fayez Abu Matar
4 - Said Al-Taweel
5 - Muhammad Sobh
6 - Hisham Al-Nawajah
7 - Asaad Shamlikh
8 - Muhammad Al-Salhi
9 - Ibrahim Muhammad Al-Lafi
10 - Muhammad Jarghoun

CHICOTADAS NA ÉTICA JORNALÍSTICA

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Primeiro inventaram que o homem corria o risco de ser chicoteado. Agora desmentem-se. Mas ninguém pede desculpa pelas porcarias que nos tentam impingir. O caso das alegadas chicotadas prometidas a Cristiano Ronaldo é paradigma do estado a que a informação noticiosa chegou.

Na imprensa, as frivolidades sempre venderam bem. No tempo do papel, alguns patrões fizeram fortuna a vender trampa impressa, como foi o caso da revista Maria, por exemplo. A faturação fez com que outros se interessassem pelo estilo e a coisa disseminou-se. Hoje, o lifestyle está por todo o lado.

Apostamos singelo contra dobrado como o tema já foi dissecado nos canais de televisão dedicados a estes temas mais mundanos ou nos sites dos jornais de referência.

Como exemplos, mostramos o diz-que-disse no Jornal de Notícias e no Observador. E depois querem que a malta pague para ler isto.  

Quanto às chibatadas, seriam devidas por Cristiano Ronaldo ter abraçado e beijado na testa uma senhora iraniana, quando a equipa do Al-Nassr foi ao Irão jogar.

Fatemeh Hamami, uma artista iraniana que tem 85% do corpo paralisado e pinta quadros com os pés, ofereceu um quadro a Ronaldo que lhe agradeceu com o abraço e o beijo.

Foi publicado que se tratava de “gesto proibido no Irão e considerado um ato de adultério, uma vez que Cristiano Ronaldo é casado com Georgina Rodríguez e a pena nesse país é de 100 chicotadas”.

A lei iraniana pode não prestar, mas ninguém confirmou antes a história das chibatadas. Era coisa para mais likes que chibatadas e que se lixe o interesse público e a verdade dos factos. Foi de tal modo que a embaixada do Irão em Madrid teve de desmentir que houvesse algum processo contra Cristiano Ronaldo por ofensas à moral e aos bons costumes.

Depois das chibatadas, já inventaram outra:

ESCONDIDO NA GAVETA

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Há 7 anos que o jovem escreve poesia. É como quem escreve canções. Quando lemos poesia, cantamos em surdina aquelas palavras em desalinho.

Meu irmão, deixa-me olhar teu rosto
no berço frágil que te construí
tardiamente agora
que não te tenho,
virado véu na aurora
e lume no céu.

Querido infante: olhos âmbar como sol
lágrimas da tua mãe de saudade –
peitos que te nutriram –, as tuas mãos
de pluma no paraíso hospedadas no
frio mármore de Carrara.

poema Ao meu irmão, Pequena Dolência (no prelo)
gravura de Bruna Lages Veloso

Às vezes fica difícil perceber o sentido certo que o poeta quis dar às palavras que escreveu. Fica ao critério do leitor, o poeta que nos desculpe. Tivesse escrito de modo mais escorreito. Na verdade, o poeta não quer saber das nossas dúvidas. E pode ser esse um dos encantos da poesia, a liberdade de pensamento. Do autor e do leitor.

“procurá-lo-emos”, disseste, o cantar
inexprimível desdobrado em mim, escondido,
a carpir sedento este tesouro;
vivo de dores dei-o todo – meu? não era –
num ápice sorvido e escrito imperfeito
estilhaços de apólogos renunciados.

descansa no instante pesado do sonho
tem fé no reconhecimento do meu cristal
que breve porá fim às horas malignas,
insónias, perfumes abafados nas margens
do leito. Uma hora suplicar-te-á
que incendeies, espero, e renoves
o rosto à falta de pecados.

Poema sem título, Pequena Dolência (no prelo)
gravura de Bruna Lages Veloso

Só mais um poema, antes de dizer adeus. Estamos para aqui a desvendar um livro ainda escondido na gaveta do poeta, a estragar a surpresa que o Pedro Lopes Adão prepara para quando o livro for apresentado, um dia destes.

I
Apenas sei que se consome quando diz
“(…) adeus!” – e di-lo agora
como um atalho, ululando a alma
sentindo o perigo à espreita
nas fendas de tantas vogais apoiadas
em mentirosas consoantes.

II
Moldar os ouvidos aos sons que queimam.

Poema Coração do Adeus, Pequena Dolência (no prelo)

gravura de Bruna Lages Veloso

Pedro Lopes Adão, aos 22 anos já publicou: Palavra em Queda, ed. Glaciar (2022) e Os Amorosos & Os Odiados, ed. Lema d’Origem (2023), Ars Longa, Vita Brevis, ed. Glaciar (2023). Recentemente organizou e coordenou o livro Alguns ensaios de quê? – Em homenagem a Ana Luísa Amaral, ed. Lema d´Origem (2023).

NÃO SÃO OS RICOS QUE PAGAM A CRISE

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Quem compra carros em 2º mão, vai pagar mais IUC. Carros e motas com registo anterior a 2007 vão ter aumentos no imposto de circulação nunca inferiores a 100%. É que ao IUC junta-se a taxa de CO2 que penaliza veículos mais antigos e de maior potência.

Tradicionalmente, o IUC apenas taxava a cilindrada. Estava dividido em 4 escalões.

Agora, junta-se a taxa de CO2, que aparentemente se rege pelo princípio do poluidor/pagador. Na verdade, mesmo que o veículo passe a maior parte do tempo parado à porta de casa, a taxa de produção de dióxido de carbono mantém-se. Este “aditivo fiscal” está igualmente dividido em 4 escalões.

Para saber quanto vai pagar em 2024, basta somar o escalão relativo à cilindrada com o escalão de CO2.

Diz o Automóvel Clube de Portugal (ACP) que haverá cerca de 4 milhões de proprietários de veículos velhos, carros e motas. É gente que pertence à chamada classe média empobrecida. Agora ficará um pouco mais tesa, no mês em que tiver de pagar o “selo”. Não tem dinheiro para comprar carro ou motas novos? Azar…

Na última coleta deste imposto, o Estado arrecadou 772,6 milhões de euros de receita bruta. É brutal, mesmo.

O JORNALISMO DECAPITADO

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Andam todos a mentir e há jornalistas a engolir a patranha e a disseminar a mentira. A história dos 40 bebés decapitados pelo Hamas não pode ser confirmada porque, provavelmente, nunca aconteceu.

Mas a mão que torce a verdade chega a todo o lado. O Presidente dos EUA disse que viu imagens, mas a Casa Branca, um pouco mais tarde, disse que ele não viu nada.

A mensagem sobre os 40 bebés foi inicialmente avançada por uma correspondente da televisão israelita i24, Nicole Zedeck, que disse em direto que soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram a existência de 40 cadáveres de bebés decapitados numa povoação israelita. Foi fogo na palha…

A mesma notícia repetida globalmente, mas nenhuma evidência, nenhuma fotografia, nenhum vídeo, nenhuma jura.

A repórter francesa Margot Haddad, do canal francês LCI, alegou, numa publicação no X, ter fotografias e vídeos dos corpos dos bebés decapitados, mas adiantou que “Nunca divulgarei estas imagens”. O normal seria dissimular o horror, mas exibir a prova do que afirma. Hoje é muito fácil tapar parte de uma imagem para evitar o horror, não deixando de exibir o fundamental.

O governo israelita confirmou à CNN Internacional a veracidade da notícia, mas a informação foi posteriormente desmentida por fontes oficiais das Forças Armadas.

O porta-voz das Formas Armadas de Israel, tenente-coronel Richard Hecht, afirmou à Sky News que não conseguia negar ou confirmar se, de facto, o Hamas decapitou crianças.

Tudo indica que a informação é falsa, mas entretanto fez o seu caminho, justificou muita brutalidade na retaliação israelita e terá, porventura, influenciado posições políticas inaceitáveis por parte da União Europeia.

MISS MARINA

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É suposto que a mulher eleita “Miss Portugal” seja paradigma da beleza feminina. É verdade que o conceito de beleza tem variantes, onde uns encontram formosura outros vêm feiura e, por isso, se costuma dizer que “gostos não se discutem”. Mas há um padrão. A “Miss Portugal” tem de ser boa, curvilínea, sexy, elegante, harmoniosa.

Esse é o principal problema de Marina Machete, que aos 28 anos acaba de vencer o concurso da mais bela de Portugal. Marina não é feia, mas está longe de ser uma mulher bonita. Talvez entre o naipe de concorrentes não houvesse nenhuma melhor, mas se foi isso o concurso deveria ter sido adiado até que a produção conseguisse encontrar mulheres bonitas dispostas a tentar. No mundo da moda e das passerelles não deve faltar gente a quem um título de beleza daria muito jeito.

Marina não tem uma cara bonita e o corpo… deve ser um verdadeiro campo de batalha entre a natureza e o silicone, doses cavalares de hormonas, cirurgias plásticas e trocas de sexo.

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Houve um tempo em que alterações cirúrgicas eram motivo de eliminação de candidatas a este tipo de concursos. Parece que essa barreira foi derrubada. Aliás, hoje só não é “Miss” quem não quiser, a julgar pela mulher transexual que venceu o concurso holandês, com um belo sorriso de favolas de coelho.

Miss Universe Netherlands 2023, Rikkie Valerie Kollé

O QUE FIZERAM AOS MÉDICOS?

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Hoje, há centros de saúde que demoram dois meses a entregar receitas de medicamentos pedidas pelos utentes. “É por ordem de chegada, a sua receita vai ser passada dia 31 de outubro. Como 1 de novembro é feriado, venha cá no dia 2”, relata um cidadão a quem pedimos um depoimento à porta do centro de saúde da Venda do Pinheiro.

Não importa se são medicamentos para doenças crónicas, agudas ou em evolução. Não importa se são medicamentos essenciais para o dia-a-dia do cidadão. “É por ordem de chegada do pedido de receita médica”.

Os médicos de família desapareceram ou estão em vias de extinção. Consultas do dia, não há. Consultas marcadas por um médico que entretanto se foi embora, são adiadas sine die. O que fazer com resultados de análises ou de exames que tinham sido pedidos, ninguém sabe responder. Não havendo consultas, não há médico a quem mostrar os exames clínicos efetuados. Estamos a falar de procedimentos realizados através do SNS, que o Estado paga aos laboratórios e clínicas privadas que os executam. Além de ser dinheiro deitado à rua, perdem-se também oportunidades de despiste atempado de doenças e, consequentemente, a possibilidade de as tratar precocemente. Não é só um prejuízo para a saúde das pessoas, é também um prejuízo imenso para o Estado que, mais tarde, terá de pagar tratamentos mais dispendiosos para doenças que evoluíram, entretanto.

O QUE VEIO DO ESPAÇO

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A máquina enviada pelos humanos em 2016 demorou dois anos a chegar ao asteroide, levou ainda mais dois anos até conseguir recolher as amostras e regressar à Terra, onde chegou dia 24 de setembro.

O que trouxe foi cerca de 250 gramas de materiais que irão ser meticulosamente analisados. Para já, pela análise aos primeiros resíduos, o asteroide Bennu parece estar carregado de compostos orgânicos e foram encontradas moléculas de água dentro de minerais semelhantes a argila.

As descobertas preliminares reforçam a hipótese de que objetos celestes como cometas, asteroides e meteoritos que bombardearam a Terra primitiva semearam o planeta com os ingredientes primordiais para a vida.

asteroide Bennu

O asteroide Bennu é um corpo pequeno, tem cerca de 500 metros de diâmetro, apenas, mas é velho. Tem mais de 4 mil milhões de anos e os cientistas acreditam que é uma relíquia do início do sistema solar. Como sua química e mineralogia atuais estão praticamente inalteradas desde que se formou, estudar Bennu é como abrir um livro sobre a criação do planeta Terra.

Nos próximos meses, as amostras serão parceladas em pedacinhos pequenos e distribuídas por cerca de 200 cientistas em 60 laboratórios espalhados pelo mundo, um modo de envolver mais pesquisadores e de tornar a investigação mais expedita.

a capsula quando chegou ao laboratório da NASA para ser aberta

João Baião: lançamento de livro ou encontro de amigos?

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Planeei ir ao lançamento do livro de João Baião, ao fim da tarde no Tivoli, em Lisboa. Ainda estive uns minutos numa fila ciosamente barrada por seguranças implacáveis. Entretanto, ao lado, chegavam VIPs que entravam sem qualquer constrangimento…

Os semi VIPs deambulavam por ali, fora da fila, a ver se lhes calhava em sorte uma escapadela lá para dentro…

A fila dos anónimos e provavelmente os verdadeiros fãs aumentava e não andava nem um centímetro.

Para abreviar e concluir: a minha carteira de jornalista não serviu para nada pois não estava credenciado.

Saí da fila, tirei umas fotos no exterior e fui embora. Afinal o evento era para quem? Preferencialmente para os amigos? Então, mais valia não terem anunciado. Se querem juntar os amigos façam festas privadas!

Na fotografia: Diana Chaves, de rosa, e Daniel Oliveira, semi encoberto. Se há aqui mais VIPs não faço ideia quem são e muito menos como se chamam.

A LEI DE TALIÃO

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Quando recuperou do choque, Israel começou a retaliar. Cercou Gaza, cortou água, alimentos e energia. Mas, na verdade, embora numa escala menos impiedosa, já é o que acontece há décadas em Gaza.

Desde 1948, quando Israel declarou a independência, Gaza é um imenso campo de refugiados palestinianos expulsos das suas casas e das suas terras. Em 1948 eram cerca de 130 mil. Hoje são mais de 2 milhões de pessoas a viver num dos territórios mais densamente povoados do mundo.

Gaza tem uma dimensão equivalente a menos de metade da ilha da Madeira. Não tem dimensão para resistir aos ataques de artilharia do exército israelita, mas é um local dificílimo de ocupar, perante resistência armada de guerrilha urbana.

A maioria das pessoas em Gaza vive na pobreza. De acordo com o Programa Alimentar Mundial, 63% já estavam em situação de insegurança alimentar. O “bloqueio total” imposto por Israel esta semana ameaça a sobrevivência de velhos e crianças. O corte de energia impede que os hospitais funcionem, embora o principal alvo seja impedir que os telemóveis possam ser carregados facilmente, de modo a complicar a comunicação entre guerrilheiros e, também, impedir a divulgação de imagens chocantes sobre a mortandade que por lá vai. E ainda não começou a invasão terrestre.