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O GÁS E O PETRÓLEO DA PALESTINA

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A existência de reservas de gás natural e de petróleo no offshore da Faixa de Gaza, contribui certamente para Israel manter um cerco económico e militar severo ao território.

A descoberta das reservas de hidrocarbonetos data do ano 2000. Não demorou muito para a British Gas assinalar duas áreas de exploração, Gaza Marine-1 e Gaza Marine-2, mas que ainda permanecem por utilizar.

mapa das reservas de gás e petróleo na Palestina, pontos verdes sinalizam petróleo e pontos vermelhos sinalizam gás

Israel impediu o negócio, apesar das reservas pertencerem à Palestina. Mas enquanto não houver um Estado independente palestiniano, capaz de exercer a soberania sobre o território, não há quem consiga travar as imposições israelitas que impedem a exploração desta riqueza, que iria beneficiar um povo que vive na miséria há décadas.

Quando Arafat era vivo e liderava a OLP, houve uma tentativa de chegar a acordo com o Egipto, de modo a que o gás pudesse ser bombeado para lá e uma parte dos rendimentos servir para financiar a subsistência da população da Palestina. Esse acordo foi boicotado. Quanto ao Hamas, que venceu eleições em Gaza em 2006, sempre foi ignorado nas discussões sobre os direitos de exploração e desenvolvimento dos campos de gás e petróleo.

As Nações Unidas chegaram a organizar conferências e estudos económicos sobre este assunto, iniciativas que nunca contribuíram para se encontrar uma solução satisfatória para os interesses da Palestina.

Do que se sabe, no golfo do Levante existirão 122 triliões de pés cúbicos de gás natural e ainda o equivalente a 1,7 mil milhões de barris de petróleo. Cerca de 60% pertencem à Palestina, o restante a Israel e ao Egipto.

Sem gás nem petróleo, até mesmo o fornecimento de água está dependente da boa vontade de Israel, que usa o acesso a este recurso essencial à vida como arma na luta pelo controlo do território, a economia da Palestina alimenta-se de algum turismo, da venda de artesanato e bugigangas no comércio de nível familiar, agricultura e pesca de subsistência e da ajuda internacional, quando não há bombas a cair do céu.

ANTÓNIO COSTA GANHA NA COMPARAÇÃO COM PASSOS COELHO

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Quando analisamos um OE ou a governação de um homem, e neste caso falo deste primeiro-ministro em concreto, que é o timoneiro da embarcação, nunca o poderemos fazer em abstrato. Até porque não dominamos os assuntos económicos de forma plena, para além dos nossos próprios interesses pessoais. Por isso o recurso aos analogismos são inevitáveis.

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Há sempre uma comparação entre o presente e o passado. E Costa explora isso muito bem. Até com uma certa ironia. Aquele “não” à pressão para demitir João Galamba, deixando Marcelo a falar sozinho, foi a de um político que não está disposto a viver em permanência em cima do arame, subjugado pela comunicação social, cada vez mais ligada ao poder económico, como se de um equilibrista se tratasse.

Eu um dia já escrevi isto:

“Chegará o dia em que o lastro da governação da PàF, de Passos Coelho e Paulo Portas, deixará a direita longe do poder por muitos e largos anos.”

António Costa apresentou um OE que até poderia ter sido apresentado por um líder do PSD, que não os desta geração de neo liberais, quase todos formatados naquela Católica School of Business & Economics, ou nas Escolas de Direito da mesma universidade. Tanto em Lisboa como no Porto.

Costa vende bem o seu produto, com o país a arder por causa do problema da habitação, sabendo que esse é o seu calcanhar de Aquiles. Mas, ainda assim, dá alguma coisa em troca. E acaba com o mito das contas certas, que é uma bandeira da direita, ainda que paga pelos mais pobres. Se os portugueses da grande Lisboa e do grande Porto, nomeadamente os jovens, se sentem frustrados por falta de casa, o que é inquestionável, há mais país para além dessas duas grandes metrópoles.

Costa não é bom nem mau. É só melhor que os seus antecessores. Fossem eles da oposição ou do próprio partido, como Sócrates, por exemplo. E corre o risco de deixar o poder daqui a três anos, com um índice de popularidade muito acima da saída de cena de todos os anteriores primeiros-ministros.

O GAMANÇO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

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A “arte” do gamanço em discussão no debate da Assembleia da República do dia 18 de outubro.

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A beleza dos velhos livros

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“Em frente de Notre Dame…Se for pela Igreja de Saint-Julien-Le-Pauvre, logo dá com ela entre o Sena e o Boulevard Saint Germain.

Espere…Vá antes pela Rue de La Huchette e logo a encontrará no nº. 37 de La Bûcherie”.

Era esta sugestão que aproveitava. Fazia o Boulevard Saint Michel a toda a velocidade, movida pelo desejo do encontro. Tantas histórias coloridas me tinham contado sobre o espaço!

Quando avistava a caixilharia verde, os jornais manuscritos em ardósias gigantes rente às portadas, as caixas enormes de madeira no passeio com exemplares usados à venda, gostava logo dela, da livraria mais conhecida do mundo, ou quase…E os meus dedos sacudiam a poeira das páginas devassadas e continuavam.

Cá fora pessoas descansavam nos bancos de madeira com um livro na mão, lá dentro o espaço apertado, nem por isso muito cheio de gente, estava apinhado de livros. Nas estantes, claro, e em cima de mesas redondas, em maples velhos que se casavam bem com os tectos com vigas de madeira, no chão…Eram tantos que eu nem sabia como explorar.

Não ia à procura de nenhum em especial e se fosse, ter-me-ia perdido…Como diria Picasso, “eu não procuro…encontro”. Muitos encontros tive essa tarde de grande avidez e pouco dinheiro!

As escadas…outro patamar onde descansava o piano e aquela espécie de cama onde alguém se instalava com um livro. E eu também, quando o jovem de cabelos compridos penteados em trança começava a tocar Sonho de Amor, de Franz Lizst. Eu…não sei se lia, se ia atrás dos passos de todos os escritores que por lá tinham passado, se dos acordes de Lizst como se fossem espirais de fumo de um cigarro.

Diziam-me que os recantos serviam de acomodação temporária a quem lá quisesse dormir. Escritores ou candidatos ao estatuto, que conseguissem provar mostrando credenciais e dispostos a dar umas horas de trabalho arrumando livros, podiam cumprir o sonho de dormir na Shakespeare and Company…

Chegava a pensar em ficar por lá.  A tentação era maior do que as ameaças do pó…Se o meu tempo em Paris não fosse tão limitado e eu vestisse a pele de aventureira, era capaz de ter cumprido essa vontade que ainda hoje me interroga com sisudez. Mas o estado da única casa-de-banho, que nem um chuveiro tinha, também não jogava a favor…

Hoje sinto que foi erro. Quantos sonhadores não teriam afagado aqueles pequenos nichos, entre o papel novo e o velho, impressos com o vigor criativo de autores famosos, ou não…Quantas partículas de pó, que dançavam pausadamente entre corpos em movimento, não teriam inalado como um bálsamo de mofo…

Cá fora ainda me sentava num banco com uma edição de Lettres D´Égipte de 1963, de Teilhard de Chardin. Não lia, não. De olhos semicerrados fixava a Notre Dame, ainda inteira do outro lado do rio, para inscrever melhor na memória as emoções do fascínio que me tomava, naquela tarde, o espaço que tanta gente célebre pisou .

Se lá voltar, melhor,quando lá voltar, hei-de dedicar-lhe um dia inteiro. E depois hei-de degustar um macaron colorido com os olhos na catedral enegrecida, depois de mais um atentado insano ao património religioso edificado, que aguentou séculos.

Os homens estão a tornar-se numa espécie estranhamente rara, que já nem sabe auscultar as oscilações da História e os sentimentos dos seus antecessores, mas o livro físico continua a mesma entidade silenciosa e dialogante, receptiva aos afagos de qualquer estranho.

OS QUE MORRERAM E OS QUE MENTEM

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Há dias, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que tinha visto “fotos de terroristas decapitando crianças” em Israel. Biden nunca viu essas fotos, porque não existem. Mesmo as Forças de Defesa de Israel tiveram de admitir que não têm provas das alegações de que o Hamas decapitou 40 bebês no dia 7 de outubro.

Mas a mensagem tornou-se viral. Os media europeus e americanos embarcaram nessa ação de propaganda israelita. Não é possível afirmar se o fizeram conscientemente ou se foi “apenas” por incompetência, fidelidade ideológica ou compadrio.

Tal como noutras guerras, atuais ou passadas, os media do sistema repetem afirmações de fontes próximas dos governos, sem se preocuparem em confirmar a veracidade do que publicam. Neste caso de Gaza, aceitam culpabilizar o Hamas em particular e os palestinianos em geral, pelos pecados do mundo.

Em Gaza estão 2 milhões de pessoas a serem aleatoriamente mortas por soldados que disparam mísseis a quilómetros de distância, friamente. E por políticos que, friamente, decidem matar à fome e à sede aqueles que escaparem às bombas.

Agora, Israel bombardeou um hospital. Há centenas de mortos, centenas de feridos. E o Presidente dos EUA diz que não foram os judeus a lançar aquela bomba.

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O lado palestiniano exibe sem pudor os efeitos deste bombardeamento. No local onde a bomba caiu, no pátio do hospital, no meio dos corpos, uma conferência de imprensa de médicos que se recusam a abandonar os feridos.

URSULA ALVO DE CRÍTICAS FEROZES

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Clare Daly, eurodeputada irlandesa, exige a demissão de Ursula von der Leyen da presidência da Comissão Europeia, devido ao apoio prestado indevidamente à retaliação israelita em Gaza.

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Clare Daly a malhar forte e feio, até que lhe cortaram o microfone.

Nota da redação: se tiver algum problema em visionar o vídeo alojado no YouTube, pode visioná-lo no Telegram, neste link aqui.

OLHA QUE COISA MAIS LINDA, MAIS CHEIA DE GRAÇA…

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“É um caminho que tenho realizado sempre com o propósito de aliar a sustentabilidade à arte.” Graça Padinha descobriu-se artista, quando se sentiu só, confinada pela pandemia. O isolamento, a “distância profilática”, a necessidade de satisfação intelectual levou-a para um caminho de criatividade que, hoje, é o seu modo de vida.

“Para mim é um desafio enorme, toda a transformação do processo criativo, dar beleza a algo que acabou o seu ciclo de vida.” Graça transforma aquilo que seria suposto ir parar ao lixo. Apanha garrafas abandonadas, mas também já há restaurantes que lhe guardam garrafas vazias.

“Utilizo mais materiais reciclados, tais como tampas de plástico, restos de tecido, jornais, brincos, colares” diz-nos a artista. Explica-nos que o seu processo criativo se insere no género designado por ‘steampunk’, um movimento artístico que conjuga artesanato com técnicas antigas e uma estética futurista, multidisciplinar e de uma diversidade que vai da literatura ao audiovisual, da moda às artes plásticas. É nesta espécie de caos estético que encontramos Graça Padinha.

“Sou uma autodidata pura, aprendi tudo por mim, fruto de muita pesquisa pessoal, dedicação, persistência e acima de tudo, paixão”, tudo à mostra nas redes sociais na “loja” Vidrosha, com porta aberta no Facebook.

Cada escultura leva 5 ou 6 dias de trabalho dedicado. As peças são moldadas, vestidas por medida e pintadas à mão. Aos 50 anos, Graça Padinha descobriu uma vocação neste género de arte. É também o seu modo de vida.

GUERRA CONTRA O HAMAS, uma história que se repete

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O Hamas chegou ao poder (2006) na Faixa de Gaza através do voto, em eleições vigiadas pela comunidade internacional. Na Cisjordânia, venceu a Autoridade Palestiniana, grupo político que deriva da histórica OLP de Yasser Arafat.

Israel e a comunidade internacional nunca gostaram de ver o Hamas a governar Gaza. E as agressões militares nunca pararam, assim como nunca parou o avanço dos colonos judeus sobre o território palestiniano, tanto na Cisjordânia como em Gaza.

Em 2014, aconteceu uma crise semelhante à de 2023, embora numa escala menor.

extracto de uma reportagem realizada para a Banda TV, televisão de Angola

Biden, o pistoleiro

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O Presidente Biden nega que os EUA possam ter algum problema para sustentar duas guerras, na Ucrânia e em Israel.

Na entrevista ao programa televisivo “60 minutes”, Biden revelou fanfarronice q.b.

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Biden acredita que a América saca mais rápido. Faz parte do ADN dos americanos, da cultura dos duelos à porta da tasca, ao pôr-do-sol.

E, no entanto, a tal nação “mais poderosa” perdeu já muitas das guerras em que se envolveu diretamente: Indochina, Laos, Vietname, Cambodja, Coreia, Afeganistão, Somália…

O nosso Zeca retratou bem a ‘pinta’ deste tipo de gente…

“Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já
Do branco ao tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no para andar
De espada na cinta, já crê que é rei de quem e além-mar…”

PRIMEIRO-MINISTRO A “VENDER” O ORÇAMENTO DO ESTADO 2024

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Depois do Governo ter entregue o Orçamento do Estado 2024 (OE) na Assembleia da República,

António Costa tem andado a espalhar a mensagem. Não basta ter a aprovação parlamentar garantida, é bom que o povo se aperceba das bondades do OE.

A tática do primeiro-ministro é lembrar os pecados da última governação do PSD: cortes salariais, congelamento de carreiras profissionais, incentivos à emigração.

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Sim, é bom não esquecermos as maldades de que fomos vítimas no tempo de Passos Coelho. Mas também devemos perceber o real significado das palavras de Costa quando fala que o salário mínimo nacional subiu 50% desde que ele chegou a primeiro-ministro e o emprego aumentou em 1 milhão de postos de trabalho.

A maioria dos trabalhadores portugueses ganha o tal salário mínimo, que ainda é apenas de 760 € brutos, mesmo sendo licenciados ou especializados em alguma profissão. Um salário mínimo que continua a ser demasiado baixo e que tem sido comido pela inflação.