ANTÓNIO COSTA GANHA NA COMPARAÇÃO COM PASSOS COELHO

No debate político, António Costa recorre frequentemente a comparações com a situação do país em 2015, quando o Governo era de Passos Coelho e do PSD. Na estatística fica a ganhar, mesmo se na percepção popular o grau de satisfação é baixo. É o que se passa, por exemplo, com o SNS.

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Quando analisamos um OE ou a governação de um homem, e neste caso falo deste primeiro-ministro em concreto, que é o timoneiro da embarcação, nunca o poderemos fazer em abstrato. Até porque não dominamos os assuntos económicos de forma plena, para além dos nossos próprios interesses pessoais. Por isso o recurso aos analogismos são inevitáveis.

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Há sempre uma comparação entre o presente e o passado. E Costa explora isso muito bem. Até com uma certa ironia. Aquele “não” à pressão para demitir João Galamba, deixando Marcelo a falar sozinho, foi a de um político que não está disposto a viver em permanência em cima do arame, subjugado pela comunicação social, cada vez mais ligada ao poder económico, como se de um equilibrista se tratasse.

Eu um dia já escrevi isto:

“Chegará o dia em que o lastro da governação da PàF, de Passos Coelho e Paulo Portas, deixará a direita longe do poder por muitos e largos anos.”

António Costa apresentou um OE que até poderia ter sido apresentado por um líder do PSD, que não os desta geração de neo liberais, quase todos formatados naquela Católica School of Business & Economics, ou nas Escolas de Direito da mesma universidade. Tanto em Lisboa como no Porto.

Costa vende bem o seu produto, com o país a arder por causa do problema da habitação, sabendo que esse é o seu calcanhar de Aquiles. Mas, ainda assim, dá alguma coisa em troca. E acaba com o mito das contas certas, que é uma bandeira da direita, ainda que paga pelos mais pobres. Se os portugueses da grande Lisboa e do grande Porto, nomeadamente os jovens, se sentem frustrados por falta de casa, o que é inquestionável, há mais país para além dessas duas grandes metrópoles.

Costa não é bom nem mau. É só melhor que os seus antecessores. Fossem eles da oposição ou do próprio partido, como Sócrates, por exemplo. E corre o risco de deixar o poder daqui a três anos, com um índice de popularidade muito acima da saída de cena de todos os anteriores primeiros-ministros.

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