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Uma fotografia e muitas histórias

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Amina recordava muitas vezes a história que a mãe contava. Cada vez que olhava para a fotografia na parede. A mãe falara da avó de Amina frequentemente. Contara o que sabia. Que vivia em “Al-Quds” e que aprendia costura em casa de uma vizinha. Faziam-no muitas vezes à janela, com vista sobre a cúpula dourada de Jerusálem.

A avó de Amina, Suleima, era uma jovem alegre e determinada. Não gostava do trabalho na quinta, embora todos os irmãos o fizessem. Todos os dias, depois de ajudar a mãe nas lides domésticas, ia para casa da vizinha com a casa grande. Lá aprendera a costurar e a bordar. Suleima aprendera depressa e estava a bordar panos de mesa para o dia do casamento do irmão mais velho.

Um dia, o marido da vizinha tirou-lhes uma fotografia. Tinha comprado a máquina em Jerusálem e queria experimenta-la. Estava sol e um dia bom para criar boas memórias, pensou. Suleima nem se apercebeu que estava a ser fotografada, absorta em pensamentos.

Andava algo preocupada. Tinha ouvido histórias de gente que se queixava dos sionistas. Que iam roubando terras aos agricultores e que os ingleses não faziam nada para impedi-los. O pai era professor numa escola para rapazes e também sabia que chegavam cada vez mais pessoas de outros países à Palestina. Mas estava confiante pois tinha amigos judeus, costumava fumar e beber chá com eles quando
acabava as aulas.

Amina recorda a mãe. Morreu na Jordânia em 1988. Fora com a mãe, Suleima, e os irmãos para um campo de refugiados, por altura da Naqba, deixando “Al-Quds” e alguns membros da família para trás. O pai de Amina fora morto em confrontos com colonos que vieram expulsa-lo da sua quinta. Suleima ficou viúva quando se preparava para fugir.

A mãe de Amina, Noor, nasceu em 1936. Suleima havia casado com um vizinho que se dedicava à agricultura. Ironia das ironias, porque Suleima detestava o trabalho do campo. Mas estava muito apaixonada e nem pensou duas vezes quando foi pedida em casamento. Tinha 24 anos quando deu à luz a primeira filha.

Suleima morrera antes, ainda no campo de refugiados. Não conseguiu cumprir o sonho de voltar à sua terra. Noor dizia a Amina que o ‘Regresso’ era o que todos ambicionavam. Noor passou a ser responsável pelos dois irmãos quando Suleima morreu. Noor sentia mais revolta e ódio do que Suleima, admitiu. Viu a criação do Estado de Israel, a Guerra dos Seis Dias, e o início da Primeira Intifada.

Noor casou com um jordano. Quando Amina nasceu, vivia em Aman. Noor contava que Suleima detestava os trabalhos agrícolas mas que gostava muito do marido. Temia por este e pelos filhos, porque chegavam cada vez mais sionistas e colonos e os conflitos aumentavam. Quando os ingleses sairam da Palestina, Suleima percebeu que o risco era maior.

Noor e a mãe, Suleima, deixaram a Palestina para sempre em 1947. Noor tinha 11 anos. Viu o pai morrer antes e viu a mãe muito triste mas não se recorda de a ver proferir uma palavra má, uma palavra de ódio. Noor, por sua vez, detestava o campo de refugiados e tinha saudades de correr por entre as árvores. Cresceu com revolta, amaldiçoava os israelitas e chorava longe de todos.

Amina olha para a fotografia. Suleima era muito bonita. Noor sempre disse que Suleima dizia que o avô de Amina também era um homem bonito. Amina sai ao pai, jordano, tem cabelos mais claros e olhos verdes. Amina tem nacionalidade jordana e tem dois filhos. Noor morreu de doença prolongada, sem nunca ter conseguido ver um estado palestiniano. Amina pensou que sim, que era possível com os
Acordos de Oslo, era fã de Bill Clinton.

Dois tios radicalizaram-se no campo de refugiados. A avó, Suleima, compreendeu a escolha dos filhos mas no seu intímo desejava que assim não fosse. Sabia que ser mártir era servir a pátria, desde que os sionistas expropriaram os vizinhos palestinianos das suas terras, há anos atrás, que sabia, mas não era destino que quisesse para os seus.

Amina olha muitas vezes para a fotografia. Sorri e sente tristeza, em simultâneo. Vê as notícias na televisão. Dá graças a deus que os filhos, adultos, vivem no Canadá.

GUARDAR A MEMÓRIA

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Chegamos, um dia, à idade em que olhamos para trás e, como escreveu o imortal António Machado, verificamos que «son tus huellas el camino». Sim, foste tu, afinal, que traçaste o teu caminho e, esse, o teu, as tuas pegadas não existiam antes.

E damo-nos conta de que, ao longo dessa jornada, muitas coisas alijámos – qual náufrago em aflição, para não se afundar – e muitas outras fomos guardando, por exemplo, «para arrumar quando estiver reformado»!… Depois, chega a reforma e, de um modo geral, é bem possível que o ritmo continue (as necessidades obrigam!…), mais pegadas haja e o tempo acabe por faltar!…

Há, porém, um dia, uma semana, um mês, em que, em jeito de bater com a cabeça na parede, decidimos mesmo parar.

Isso escreveu João Lourenço Roque, em Digressões Interiores 3 (Palimage, Coimbra, 2021,p. 224:

«Deu-me, durante dias a fio, para ‘arrumar’ a casa e a vida tão escuras e desarrumadas, remexendo estantes e gavetas, eliminando objectos, histórias, segredos e papeladas que deixaram de fazer sentido. Até cartas de amor, que mal me lembrava que existiam. Só guardei, não imagino até quando, algumas fotografias ou desenhos infantis que não tive coragem de queimar. Algumas coisas encaminhei-as para a Caritas, através da Junta de Freguesia. ‘Despedi-me’ da cadeirinha da Sara, nas viagens de carro com o Pai, como quem se despede da maior relíquia ou preciosidade. Ao rasgar tudo aquilo que rasguei, mais senti ter rasgado capítulos inteiros da minha vida». Assim é.

 Na 4ª carta, de D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, a Eduardo Prado Coelho, no Diário de Notícias (2003), no âmbito da série «Diálogos sobre a Fé», lê-se, a dado passo:

«Muitos de nós fizemos já a experiência de tentar arrumar os sótãos das velhas casas de família, onde as memórias se acumulam, significando que alguém se recusou a deitá-las fora. Um dia meti-me nisso, a arrumar o sótão da nossa casa de família».

Aconteceu-lhe, porém, que boa parte do que classificara como «lixo», vieram os sobrinhos e os irmãos e acharam que eram «tesouros de família».

Difíceis opções essas, as da escolha do que vai e do que fica. Difíceis, ainda mais, as possibilidades de destino: as bibliotecas estão cheias (os seus arquitectos esqueceram-se de prever espaço); as roupas, os objectos… inutilidades serão?

E as fotografias? Esquecemo-nos de pôr nas costas datas e nomes, na convicção de que nossa memória seria eternamente tenaz. Não é. Tudo se esvaiu no tempo. Nomes e lugares, até. E quase cedemos à tentação de tudo queimar – como o Lourenço Roque. Felizmente que, todavia, há cada vez mais responsáveis pelos arquivos municipais que têm plena consciência do manancial histórico que mesmo as fotos antigas de família constituem e não se recusam a guardá-las. Os trajes, as tradições, os ambientes, os hábitos… tudo isso uma fotografia pode documentar!

Não é, de facto, ainda hoje sem um estremecimento que recordo o que amiga minha me contou: vizinha do Michel Giacometti, no centro de Cascais, deu de caras, uma manhã, com uma quantidade de documentação na rua, pronta a ir para o lixo. Giacometti morrera e a casa estava a ser esvaziada. Não hesitou – e o acervo do etnólogo está hoje no Museu da Música Tradicional Portuguesa. Escapou por um triz!

Sinto que devia exarar uma conclusão meio lamechas, num apelo a quantos nestas ‘coisas’ podem ter intervenção. Hesito. Acho que fico por aqui – cada um saberá tirar a conclusão melhor!

O HOMEM PÁSSARO

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Na floresta brasileira, os índios andam nus. No palco onde se representa a peça Uirapuru, os atores também estão quase nus.

O autor inspirou-se no imaginário indígena, na espiritualidade desses povos, nas figuras mitológicas com histórias que os mais velhos passam aos mais novos, de geração em geração.

Uirapuru é um pássaro que canta como nenhum outro. O nome pertence ao dialeto tupi-guarani e significa “homem transformado em pássaro”. É um pássaro que nunca ninguém viu, mas que todos escutam quando canta nas profundezas da mata.

Os que ontem foram ao São Luiz, teatro municipal de Lisboa, escutaram, também, certamente, o Uirapuru cantar. Os que não foram, talvez possam ir hoje, se ainda houver bilhetes.

O ÚLTIMO ACTO

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O corpo de Carlos Avilez está em câmara ardente no palco do Teatro Experimental de Cascais, um dos marcos da vida do encenador.

Centenas de amigos, actores, alunos e ex-alunos da Escola Profissional de Teatro de Cascais (outra realização de Carlos Avilez), têm passado desde ontem para a derradeira cena em palco de Carlos Avilez.

O funeral realiza-se esta tarde, às 14 horas, para o cemitério da Guia.

RAZIA NAS REDAÇÕES DO JN, O JOGO E TSF

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A administração da Global Media anunciou um despedimento coletivo que vai afetar 150 trabalhadores. Segundo informação divulgada pelos delegados sindicais dos jornalistas no Jornal de Notícias,  serão “56 trabalhadores dos serviços partilhados e setor comercial, 40 da redação do Jornal de Notícias, 30 da TSF e um número ainda indefinido de O Jogo”.

Uma razia. Isto, menos de 24 horas depois do novo administrador, José Paulo Fafe, ter afirmado ao portal Eco que, relativamente a despedimentos, “não há decisão nenhuma”. Enganou-se, por certo. Ou então, mudou de ideias.

Os trabalhadores do JN solicitaram ao Sindicato dos Jornalistas a preparação de um pré-aviso de greve para os dias 06 e 07 de dezembro. Um plenário foi marcado para 30 de novembro.

No site do Sindicato dos Jornalistas, está escrito ser “inadmissível, inviável e impensável” a intenção do Global Media de avançar com o despedimento de 150 pessoas, “quase um terço dos cerca de 500 trabalhadores” do grupo.

Cenas recorrentes no setor da comunicação social. As administrações não têm nenhuma estratégia para recuperar o público que se afastou dos media tradicionais. Apenas sabem reduzir despesa, matando redações, aniquilando as empresas. Nem se percebe por que razão alguma vez estiveram interessados no setor.

QUANDO MARCO GALINHA CHEGOU…

O Global Media é um dos maiores grupos de media portugueses. Não tem um grande canal de televisão, mas está na imprensa, na rádio e no digital. Essencialmente, tem alguns dos títulos históricos da imprensa portuguesa, como é o caso do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e o Açoreano Oriental, entre outros.

Mas as coisas não têm corrido bem, pelos vistos. Quando Marco Galinha investiu nos media, tentou ficar bem na fotografia. Mas foi sol de pouca dura.

Marco Galinha em 2020

Sozinhos em Gaza

Desde 1948 (quando foi declarada unilateralmente a independência de Israel) que Israel tem andado a ocupar territórios onde vivem palestinianos. Invocando uma espécie de direito divino, alegadas razões históricas, a necessidade de autodefesa, Israel afasta de si os palestinianos, expulsa-os de casa, mata-os.

O que aconteceu em 7 de outubro, quando guerrilheiros do Hamas atacaram colonatos vizinhos de Gaza, não nasceu do vácuo (como afirmou Guterres). Tem raízes nessa opressão.

O ataque do Hamas serviu de pretexto para Netanyahu mandar avançar as tropas, declarar guerra e, assim, evitar o colapso do seu governo que estava iminente, por razões da política interna de Israel.

Dias antes, ainda em setembro, Netanyahu tinha estado na Assembleia Geral das Nações Unidas a mostrar o seu mapa do “novo Médio-Oriente”. Sem a Palestina. No novo mapa, tudo é Israel.

Depois de 7 de outubro, o exército israelita tem andado a matar a eito. Não importa quem sejam as vítimas, desde que sejam palestinianas. O número de mortos andará perto dos 20 mil. Estima-se que 25% das vítimas sejam crianças. Ou seja, 5 mil crianças mortas.

O que está em marcha é a implementação do Grande Israel, como facto consumado. Os radicais e a extrema-direita israelita não querem respirar o mesmo ar dos palestinianos. No fim da linha, o próprio Netanyahu quer Gaza só para ele.

cartoon de Hélder Dias

O POVO GOSTA DE CANTAR

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Dir-se-á: mais um encontrozinho, umas musiquinhas e pronto! De facto, não é bem assim. Primeiro, porque atingir o nº 10 – só com as interrupções motivadas pela epidemia – é digno de realce. Depois, porque, além do grupo Cantares da Terra, há sempre um grupo convidado. Finalmente, porque, se há números do reportório do grupo que, devido ao seu êxito, se mantêm e, por isso, se apresentam, há, todos os anos, renovação.

E, nesse aspecto, é de muito louvar não apenas o trabalho de conjunto mas, de modo especial, o aportado gosto musical e o talento de Marta Garrido, que sempre nos surpreende com novos arranjos. Uma cancão popular alentejana, por exemplo, ganha com os Cantares da Terra novo balanço e as vozes masculinas melodiosamente se casam com as femininas e o todo sai envolvido pelo harmonioso som dos instrumentos de corda e sublinhado, a contento, pelo acordeão que Marta Garrido domina a seu bel-prazer.

Marta Garrido

Foi, pois, bem agradável fim de tarde a que o público (que encheu o auditório) correspondeu alegremente.

Desta feita, o grupo convidado foi o Grupo Musical “Somos do Alentejo”, de Santiago do Cacém. Sempre o Alentejo a dar cartas, com o seu cante e outras modas tradicionais.

O grupo Somos do Alentejo

Dirigido por Manuel João Chuva, que bem vai mantendo o ritmo no seu cajón – que o mesmo é dizer, «caixote» ou «caixa de ressonância», instrumento que o governo peruano considera “Património Cultural da Nação” –, o grupo cascalense Cantares da Terra tem, neste momento, os seguintes elementos: João Gomes (bandolim e voz), João Adónis (viola/voz), Alexandre Alves (cavaquinho e voz), Vasco Torrete (viola acústica) José Rodrigues (viola baixo). Embora os homens também intervenham no canto, são as senhoras que, nesse âmbito, mais se evidenciam: as contraltos Maria Chuva e Beatriz Santos; as sopranos Sónia Alves e Mafalda Duarte. Permita-se-me relevar: a mezzo soprano Madalena Santos, que, além do mais, faz as apresentações; a já referida Marta Garrido, exímia no dedilhar do acordeão. E, para que tudo corra da melhor forma, aí está o talento de Paulo Músico Salgueiro, técnico de som.

O grupo Cantares da Terra

Um senão apenas: é pouco uma vez por ano! Nós gostaríamos de os ouvir mais vezes. Bem sabemos que há as digressões por esse país fora; que todos são amadores ocupados no ofício donde lhes vem quanto precisam para viver; mas se as entidades locais também mais se interessassem, decerto não dariam por mal gasto o seu empenho. Não é somente a música erudita que conta; o Povo também gosta de cantar!

JUSTIÇA E PERDÃO, os crimes da PIDE

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O lançamento de Um Pide com Alzheimer, editado pela Âncora e escrito pelo Guilherme Leite a partir das histórias que lhe contou o cão Gaspar, encheu a sala da Associação 25 de abril.

Foi uma sessão interessante, muito pela qualidade das pessoas que compareceram, que não se coibiram de contar outras histórias sobre a famigerada polícia política da ditadura salazarista.

Guilherme Leite dedicou o livro a Edmundo Pedro, antifascista falecido em 2018. Na sala estava a viúva de Edmundo, Lurdes Pedro, ela própria com atividade registada no apoio a ações subversivas da oposição salazarista.

Lurdes Pedro na 1ª fila

Paco Bandeira, Manuel Monteiro, Vasco Lourenço foram, entre outros, alguns dos animadores da sessão, com relatos na 1ª pessoa sobre vivências experienciadas no tempo da ‘outra senhora’.

Como disse Guilherme Leite, “podemos perdoar sem esquecer” os crimes da PIDE. Ao que Manuel Monteiro acrescentou que, “podemos perdoar, mas não podemos absolver” e que “para perdoar, faltou fazer justiça”.

Manuel Monteiro, “para perdoar, faltou fazer justiça”

O evento foi transmitido em direto nas redes sociais, quem estiver interessado poderá visionar a gravação arquivada na página do Facebook da Saloia TV.

José Lopes, de Paris de França

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José Lopes foi durante décadas uma figura da comunidade portuguesa em Paris. Fotógrafo, fazia reportagens de casamentos e funerais, baptizados e cerimónias das associações de emigrantes. Todos o conheciam.

José Lopes trabalhou também para o principal jornal da comunidade, o LusoJornal, de que foi fundador e foi, ainda, o fotógrafo do Créteil/Lusitanos, a principal equipa de futebol de 11 dos portugueses de Paris.

Foi operador de câmara durante muitos anos, quando o LusoJornal desenvolveu a área do audiovisual, tendo trabalhado para a RTP, para a SIC, para a TC Cabo Verde e ainda para a CLPTV.

Conforme se lê na mais recente edição digital do LusoJornal, “José Lopes conhecia a comunidade portuguesa como ninguém e deixa um espólio que devia ser recuperado por um Centro de arquivos porque detém parte da história desta comunidade portuguesa, sobretudo dos seus anos mais ativos onde, por falta de redes sociais, apenas ele registou e guardou imagens importantíssimas para a memória da comunidade portuguesa.”

A comunidade portuguesa emigrada em França acaba de perder uma das suas referências mais populares.

‘É extraordinário ver demónios em palco’

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A morte do encenador de teatro Carlos Avilez, aos 86 anos, surpreendeu-nos a todos. Ainda há 5 dias estreou a peça Electra de Eugene O’Neill, que Avilez encenou e que está em cena no novo Auditório Academia das Artes, no Monte Estoril. E há pouco mais de uma semana, o Teatro Experimental de Cascais (TEC), que Avilez fundou, festejou 58 anos de atividade. Estávamos em celebrações sucessivas e aconteceu isto…

Com a notícia do falecimento de Carlos Avilez, a coordenação do TEC suspendeu as sessões, que retomarão a 30 de Novembro.

“É tempo de refletir e deixar toda a equipa, pessoas envolvidas e todos os amantes de teatro processarem esta perda”, diz o comunicado do TEC, onde lembra o percurso do seu fundador, desde o Teatro Nacional S. João, ao D. Maria II, até à criação da Escola Profissional de Teatro de Cascais (EPTC).

Avilez não deixa apenas assinatura em enormes realizações cénicas, mais do que isso, deixou-nos gerações de atores. A EPTC é uma escola integrada no sistema público de ensino que proporcionou o acesso aos palcos a jovens de todas as classes sociais.

E são esses alunos e antigos alunos da EPTC quem mais sentem a perda. Fica aqui um exemplo, de quem se lembra que “é extraordinário ver demónios em palco, ninguém quer ver caras bonitas. Foi tanto o que foi vivenciado em três simples anos que parece impossível de acreditar! Tudo graças a esta Escola. Tudo graças ao Carlos Avilez.”