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Carlos Avilez

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Temos a certeza de que ninguém é eterno; contudo, quando estávamos com o Carlos, a sensação é que ele acabaria por o ser, porque ainda mal a peça mais recente acabara de estrear e já outra e outras se lhe antojavam pela frente. Uma sensação de perduração que nos contagiava.

Hoje, porém, sentimos a dolorosa realidade: essa eternidade era um sonho impossível – e o pano caiu.

Carlos Avilez, no entanto, vai sempre permanecer connosco. O seu génio incontrolável e sempre inesperado; a sua dedicação ao Teatro, como Educador, como Encenador, como Cidadão.

Descansa agora, Carlos, que bem no mereces. Nós, os teus Amigos de sempre, os teus estudantes, sabemos que continuas connosco, nessa enorme dádiva, misto perene de Ousadia e de Sonho!

COMO A INDÚSTRIA NACIONAL DE DEFESA PERDEU UM BOM NEGÓCIO

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Foi em abril de 2014, na altura a cena foi motivo de gozo generalizado. Não se sabe porquê, mas um canal russo na rede Telegram lembrou hoje a efeméride…

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Enquadrando a história. A Marinha Portuguesa apresentava o primeiro drone militar de tecnologia 100% nacional. Motivo de orgulho, o ministro da Defesa do governo da época foi à Base Naval do Alfeite para apadrinhar a arma.

Apesar dos testes previamente bem sucedidos, a sessão de demonstração oficial não se livrou do percalço que ficou registado em vídeo e que, pelos vistos, já deu a volta ao mundo e acaba agora a ser exibido nas redes sociais da Rússia.

Hoje, sabemos que foi uma oportunidade perdida para o equilíbrio da balança comercial do país. Com as guerras em curso, os drones transformaram-se numa arma, seja na versão kamikaze, na versão de bombardeiro ou na guerra eletrónica, os pequenos aviões não tripulados e comandados à distância tornaram-se imprescindíveis em qualquer arsenal militar. Podíamos estar a vendê-los como pãezinhos quentes…

Até sempre, Alice

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Não esperávamos.

Tu  confiavas também.

Quando escreveste A Volta à Vida em Vinte Livros (Apenas Livros, 2023), suspiravas, consciente ou não, por um regresso à vida normal ou quase normal. Nós acreditámos. Teus olhos macerados por tantos meses de luta contra a morte voltaram a brilhar. Não havia muitos estudantes, no dia da apresentação, 25 de Fevereiro; havia, porém, muitos colegas e, embora de fala tolhida, Alice, tu lhes transmitiste quanto era bom ler, quão era bom pegar num livro e dele retirar lições de vida, para a vida.

Por essas páginas perpassa, sabes bem, mui querida Alice Marques, sabes bem que perpassa toda uma experiência de docente de corpo inteiro. A docente que não impinge soluções e prefere suscitar perguntas para que, na reflexão, se encontrem respostas.

O teu múnus de professora jamais enjeitou o enorme prazer da escrita. Aceitaste, por isso, duas profissões. Sei o que é, porque também eu as não enjeitei. A gente, além da palavra na sala d’aula, precisa da palavra escrita. Na folha de papel. Professora e jornalista de corpo inteiro. Para intervir localmente, na vida da comunidade em que te enraizaste, uma Marinha Grande de revolução em riste por uma existência melhor. Para intervir complementarmente na senda da instrução dos teus meninos e meninas.

Daí nasce o Ponto & Vírgula, de que foste a timoneira indefectível. Tive o honroso privilégio de, pela tua mão, ser nesse jornal do Agrupamento de Escolas Calazans Duarte (Marinha Grande Poente) jornalista convidado. Ponto & Virgula, que também  foi acolhido no Jornal da Marinha Grande, constituiu  sempre fautorimenso de comunidade. Fazias questão, por exemplo, em sugerir entrevistas a personalidades que haviam sido estudantes na Calazans e agora já sabiam, exemplarmente, subir na vida.

Guardo, Alice, dolorosamente, as mensagens que, nas derradeiras semanas, após estares já impossibilitada de escrever, mesmo só com um dedo que fosse, as crónicas com que deliciaste os leitores do Duas Linhas. Gostei deveras, sabes bem, que tivesses aceitado o desafio que o Carlos Narciso e eu te lançámos. Há crónicas tuas que importa reler uma, duas, três vezes ou mais. Aquela, nomeadamente, em que contas, à tua maneira, a faina dos moços miseravelmente pagos para distribuírem refeições. Quase ouvimos o acelerar das motocicletas, sentimos o peso dessas mochilas, sabemos que têm muita pressa, muita, cada encomenda tem seu valor. Migalha a migalha. «Trabalhos merdosos» lhes chamaste tu (crónica de 26 de Março deste ano), em feroz contraposição aos trabalhos de m… Vale a pena reler.

Percorremos contigo, Alice, livros e países. Estamos-te gratos por isso, desde o teu primeiro livro. Mulheres de Papel (Livros Horizonte, 2004), a tua dissertação de mestrado em Jornalismo, anátema forte já então.

Não hesitaste em viver a vida como ela se te apresentava. Nos longuíssimos meses da tua doença, contigo aprendemos a nunca desanimar, a manter a esperança, mesmo que nenhuma luz se vislumbrasse ao fundo desse longo e soturno e bem doloroso túnel. Lição de vida, Alicinês! E vais continuar connosco, Professora! Descansa em paz!

Alice Ferreira Marques nasceu a 12 de Outubro de 1954, na Cordinhã, aldeia do concelho de Cantanhede. Passou 34 anos da sua vida como docente de História na Escola Secundária Calazans Duarte, na Marinha Grande. Sofreu um AVC a 7 de Junho de 2019 e um outro pouco tempo depois. Tolhida de movimentos, jamais abdicou de viver até que os pulmões e o coração desfaleceram, a 31 de Outubro passado. O seu exemplo de tenacidade e de inabalável cidadania vai perdurar connosco!

EXTREMA-DIREITA VENCE ELEIÇÕES

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A única solução para a Argentina teria sido o perdão da dívida. A oportunidade de recomeçar. Mas o sistema capitalista odeia deixar de ganhar dinheiro e as crises dão sempre jeito para trucidar governos mais preocupados com o bem-estar social. Foi o que aconteceu.

Quando um país tem 40% de pobres, percebemos para que servem os empréstimos do FMI. E a Argentina tem a maior dívida do mundo ao FMI. Não é uma dívida, é um abismo, um buraco negro por onde se escoa toda a riqueza que se produz.

Javier Milei é mais um exemplo do populismo que grassa pelo mundo, embora na Argentina isso nem seja novidade. Milei lê a Torah, diz que as alterações climáticas são uma mentira socialista, odeia adversários políticos. É uma figura fabricada pelos media, com base nas palhaçadas que se dispõe a representr em público.

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Agora que o desespero levou os argentinos a votar no ‘Trump das pampas’, Javier Milei, o novo governo vai vender tudo o que houver para vender. Não vai sobrar uma vaca. A Argentina vai perder a moeda nacional, a economia vai ficar sujeita ao dólar norte-americano, o povo vai continuar pobre mas, agora, sem escola pública, sem saúde pública, sem assistência social, nada.

A ideia será empobrecer ao máximo, comprimir os salários ao máximo, organizar a sociedade na repressão laboral e política, escravizar para dar lucro às multinacionais do hambúrguer, do futebol e do petróleo.

FINGIR DE MORTO

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Sim, é um fait divers. Uma notícia da treta. Mas não deixa de ser engraçada.

No Japão, país dos mais industrializados do mundo, com uma sociedade superorganizada, disciplinada, trabalhadora, alguém promoveu uma competição de absoluto relaxe. Vencia quem não fizesse rigorosamente n-a-d-a durante 90 minutos, mas não se podia adormecer.

Pestanejar era suficiente para se ser eliminado.

O ‘jogo’ durava 90 minutos. Não deve ser fácil fingir de morto durante tanto tempo.  

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Depois disto, temos de concluir que os japoneses são mesmo um pouco estranhos…

AFINAL, TALVEZ NÃO…

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A Ucrânia está a tentar acelerar o processo de adesão à União Europeia. Zelensky conta com a simpatia dos dirigentes europeus, de um modo geral, mas talvez não tenha o apoio de todos.

A Europa já está invadida por emigrantes ucranianos, muitos com o estatuto de refugiados, há quem esteja a ficar cansado de ver tantos recursos locais serem desviados para apoiar o esforço de guerra da Ucrânia e da sua população dispersa pela Europa.

Nos corredores da política europeia, chega o aviso de que alguma coisa pode correr mal, porque os Estados membros não chegaram ainda a acordo para conceder a Kiev mais 50 mil milhões de euros em ajuda, disse um alto funcionário europeu à Reuters.

Em agosto, Zelensky recebeu Ursula von der Leyen. Nesse encontro, o Presidente da Ucrânia disse esperar que o processo formal de adesão do país à UE começasse até ao final de 2023.

fotografia relativa ao encontro de agosto de 2023

De garantias regulares de que a UE apoiará a Ucrânia “o tempo que for necessário”, o funcionário disse que as últimas discussões no bloco sobre mais apoio a Kiev foram um “choque de realidade”.

Tudo terá de ficar decidido na próxima cimeira de líderes, dias 14 e 15 de dezembro, em Bruxelas. Aceitar a adesão de um país em guerra implica assumir as despesas dessa guerra e de tudo o que ela acarreta. Há quem não queira essa obrigação. Por exemplo, na Alemanha, há cada vez mais entraves à sangria que se verifica no orçamento alemão para as despesas da UE.

Embora tenha havido, até agora, um consenso para evitar que a Ucrânia vá à falência, permitir a adesão de Estado com os problemas que a Ucrânia tem parece estar fora de questão para alguns dos atuais membros da união, como será o caso da Hungria, por exemplo.

O Governo da Hungria anunciou a realização de um inquérito à população (não se trata de um referendo) sobre se a UE deveria continuar a suportar a Ucrânia, entre outras questões que afetam a soberania do país.

cartaz sobre o inquérito à população da Hungria

A fonte citada pela Reuters, sob anonimato, diz ainda que alguns líderes da UE propuseram voltar ao tema em março de 2024. Ou seja, empurrar com a barriga um problema que agora não tem solução.

SARA TAVARES

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O que fica são as canções, o que ela nos dizia quando as cantava.

Sempre que pusermos um disco dela a tocar, sempre que a rádio passar uma das suas canções, sempre que nos lembrarmos de ir ao YouTube clicar num dos seus vídeos, ela viverá de novo para nós.

A Sara mulher, portuguesa, cabo-verdiana, poderosa, antirracista, gente boa, margem esquerda, criativa, quente, sofrida, a pessoa que viveu comprometida com a decência e a ética.

Sara. Um ponto de luz que não se apagará.

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Um ponto de luz

Que me seduz

Aceso na alma

Um ponto de luz que me conduz

Aceso na alma

Por trás dessa nuvem

Ardendo no céu

O fogo do sol raia

Eternamente quente

+ 3 JORNALISTAS MORTOS

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Mais três jornalistas mortos pelo exército israelita. São eles Abdel Halim Awad, Sari Mansour e Hassouneh Salim.

A informação provém da Resistência Palestiniana, não explica as circunstâncias em que os três foram mortos, apenas sabemos que tudo aconteceu dia 18 de novembro, durante confrontos no campo de refugiados de Bureij, na Faixa de Gaza.

Desculpem, já perdemos a conta aos jornalistas mortos desde o início dos massacres em Gaza, na sequência do ataque do Hamas em 7 de outubro. Os números de fontes palestinianas falam em 53 jornalistas mortos, mas alguns deles serão libaneses, vitimas de bombardeamentos israelitas no sul do Líbano.

ISRAEL CONTINUA A MATAR

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O que pensará um piloto militar quando pressiona o botão para disparar os mísseis que o avião transporta? Será que quando regressa à base, ou no dia seguinte, vê as imagens dos mortos, das crianças estropiadas, das casas destruídas? Será que dorme de consciência tranquila?

Os ataques aéreos israelitas a bairros residenciais no sul de Gaza mataram, pelo menos, 47 pessoas no sábado, segundo a ONU.

Israel prometeu aniquilar o Hamas, após o ataque a Israel, em 7 de outubro, no qual morreram 1.200 israelitas. Há ainda os cerca de 230 reféns que o Hamas levou para Gaza e que ainda não foram resgatados.

Desde então, Israel bombardeou grande parte da Cidade de Gaza – o coração urbano do enclave – ordenando a saída de civis no norte e deslocando cerca de dois terços da população de Gaza de 2,3 milhões de habitantes.

1 milhão e meio de pessoas abandonaram a cidade de Gaza, acreditando que estariam a salvo no sul do território, conforme disseram as autoridades militares israelitas. Mas, agora, estão a bombardear sistematicamente o sul da Faixa de Gaza. As pessoas não têm para onde fugir.

As imagens dos cadáveres amortalhados vítimas do bombardeamento a uma escola da ONU, onde se tinham refugiado, dizem tudo sobre a frieza dos combatentes. Com o argumento de perseguir o Hamas, os soldados israelitas matam civis, homens, mulheres e crianças. Os números são avassaladores:  12.300 mortos, incluindo 5.000 crianças. As Nações Unidas corroboram este balanço trágico.

Do outro lado da balança, Israel reconhece a morte de 57 soldados, desde que teve início a retaliação contra o Hamas.

A grande maioria das vítimas palestinianas não tem nada a ver com o Hamas. E, no entanto, são mortas sem piedade, sem nenhuma razão aparente a não ser por serem palestinianas. A vingança israelita não é justa, por ser desproporcional. A retaliação israelita, nos termos em que está a ser executada, é um crime que tem de ser julgado.

Israel faz o que faz porque tem o apoio militar dos EUA e político da UE. E porque enfrenta um inimigo mil vezes mais fraco e sem aliados. Os palestinianos sempre estiveram sozinhos, na luta contra quem ocupou a terra onde viviam.

A MAIS BELA

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O concurso Miss Universo 2023 é o primeiro, desde sempre, que reuniu um lote extraordinário de candidatas: duas transgénero (Miss Portugal, Marina Machete, e Miss Holanda, Rikkie Kollé), duas mães, uma mais velha de 30 anos e uma gorda.

A gorda é a enfermeira nepalesa Jane Dipika Garrett que venceu o concurso nacional apesar de não ser o protótipo da mulher nepalesa nem mesmo o da modelo das passerelles da moda.

Jane Dipika Garrett

Jane é pesada, tem mamas grandes e um belo rabo. Isto, num mundo de mulheres magras, é de um atrevimento notável.

As duas transgéneros são fruta da época, em que a igualdade de géneros ultrapassou já tudo o que podíamos ter imaginado há uns anos, quando estas coisas começaram a ser discutidas.

imagem publicada no artigo MISS MARINA (duaslinhas.pt)

Há ainda vários casos de repetentes. Isto é, mulheres que já venceram antes outros concursos de beleza internacionais e que voltam, mais uma vez, a tentar a sorte. As más línguas dizem que é a evidência da falta de interesse de certames deste tipo, mas não é certo que seja assim.

A verdade é que há 84 candidatas, cada uma a ‘representar’ o seu país. Este ano, o concurso será exibido num canal próprio do YouTube. Nenhuma das transgénero nem a gorda estão no top das favoritas, segundo a opinião dos especialistas que acompanham a evolução da competição.

Dizem que as loiras costumam ser depreciadas neste tipo de concursos. Não sabemos se é verdade. Se não for, e se a política não fizesse parte deste tipo de cenas, apostariamos que a candidata russa teria algumas hipóteses de vencer.

Margarita Golubeva.

A final do concurso é hoje.