Galinha no Diário de Notícias

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Marco Galinha é o novo boss do Diário de Notícias, em particular, e da Global Media no seu todo. Depois da passagem mais ou menos infeliz do empresário angolano António Mosquito por este grupo de media, os mais distraídos poderão pensar que se trata de uma mera sucessão zoológica, mas não é bem assim.

Marco Galinha é mais um self-made man da região de Leiria (o que será que aquela terra tem?) e vem com ideias de transformar as coisas. A primeira ideia é fazer com que o Diário de Notícias volta a ser um jornal diário impresso em papel. À primeira vista, uma ideia perigosa em termos empresariais. A edição em papel de jornais e revistas está pelas ruas da amargura, com vendas a cair a pique e a tendência tem sido a de adaptar os títulos ao digital, com conteúdos de acesso livre e outros pagos, mas tudo no digital. Voltar ao papel soa a desvario de quem não sabe o que diz mas, mais uma vez, pode não ser bem assim.

Marco Galinha não é propriamente um novato na imprensa. Há dois anos que tem uma participação no Jornal Económico, tempo suficiente para alguém se arrepender mas, pelos vistos, não foi isso que aconteceu. Tentou, entretanto, concorrer à compra da Media Capital (TVI), mas acabou por não ir a jogo quando se acreditava que a Cofina tinha o negócio na mão.

Agora, o processo de aquisição da Global Media foi apreciado positivamente pela ERC. A luz verde surgiu no site dessa entidade reguladora no dia 28 de outubro, num relatório onde se explica que Marco Galinha, do grupo Bel, fica com cerca de 40% da dona do DN, JN e TSF, entre outros.

O mais interessante do relatório não é a conclusão, a ERC raramente existe para contrariar intenções empresariais, mas é a possibilidade de verificarmos quem é este empresário que a opinião pública desconhece.

Por aqui vemos que o forte do Grupo Bel de Marco Galinha é a distribuição e as máquinas de vending, aquelas onde enfiamos moedinhas para sacar garrafas de água, tabaco ou latas de coca-cola. Mas também entrou no setor industrial, com metalurgia e tecnologia espacial. Na área da Comunicação Social, é o patrão da Aximage (sondagens e estudos de mercado) e através da Megafin tem a participação no Jornal Económico já antes mencionada.

O que este relatório não diz, nem tinha de dizer, é se a expansão do Grupo Bel tem sido feita à custa de crédito bancário ou se este empresário anda a arriscar mesmo o seu próprio dinheiro. Mesmo sem pesquisar sobre este tema, sabemos qual a resposta. Depois da luz verde da ERC, não será a Autoridade da Concorrência que vai criar obstáculos à concretização definitiva do negócio, pelo que é a própria ERC, neste relatório, que nos dá já uma visão ampla da dimensão do empresário na Comunicação Social e nas outras áreas de negócio.

Sobre si próprio, numa entrevista à revista Visão, este empresário lembra aos restantes que foi campeão nacional de BTT, uma disciplina do ciclismo: “Eu vinha de campeão nacional de BTT e achava que queria ser campeão nacional nas empresas em Portugal. Eu sabia que era difícil mas não mais difícil. As regras são as mesmas: disciplina, organização, seriedade, não usar doping, ou seja, tinha de cumprir as regras”. E diz que assim tem sido.

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