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13%… ou mais ou menos?

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Em março, com o confinamento a começar, sugeri uma quebra na economia entre 8 a 10%. E poucos dias depois, ainda o “Ronaldo das finanças” não estava de cama feita, até ironizei sobre uma boa notícia: a previsão oficial apontava para 6%, muito abaixo da média europeia, o que era muita fartura para um país que dependia do turismo.

Tinha, nessa altura, sido levantada a questão dos apoios comunitários e, com a quebra do PIB a ser apontada como critério major, tanto irrealismo, denunciei, iria tornar Portugal pagante e não beneficiário.

Ontem, porém, já com as cifras oficiais a “beijarem” os 10%, vi adiantada outra hipótese ainda mais gravosa: 13%… se houver um novo surto.

Valha-nos a certeza de que, até hoje, esta “malta” não acertou uma. E fiquem os leitores descansados porque, é certo e seguro, esse horror está mesmo fora de questão.

A pandemia veio para ficar, mas o “pessoal” já aprendeu a lidar com o “bicho” e é mesmo assim o “tuga”: perdido o respeito pelo “adamastor”, navegará cumprindo assim-e-assim as regras de segurança. Com a barca a meter mais ou menos água, havemos de chegar às “Índias”. O “pico” está sob controlo, “achatado” num planalto tolerável, enquanto a polícia, sem máscara, “comemora” os santos populares caprichando em retirar balões e manjericos das varandas de Lisboa.

Afirmo-o com a mesma certeza de quem, até hoje, não falhou qualquer prognóstico: é verdade que a estirpe que chegou a Portugal, que logo percebi ser mais branda, é bisneta da original; tinha razão ao levantar dúvidas sobre a causa nunca bem esclarecida da morte por meningite do jovem de Ovar, que, em casos posteriores semelhantes, os italianos diagnosticaram como coagulação intravascular disseminada e os alemães concluíram como sendo uma reação endotélica; trabalhando sobre estatísticas que apontavam mais para a alquimia do que para a ciência, fiz previsões certas, e muito mais otimistas, do que as oficiais; e por aí fora… sobre a aquisição de recursos, sobre o uso de máscara e tudo o mais.

Em pleno Março emiti opinião, está tudo publicado, sobre as estratégias de tratamento e propus medidas como os que passo a transcrever:

“À mistura com a certeza da ineficácia de vários fármacos, e incertezas sobre a validade de outros – como a cloroquina que, devido à sua fraca rentabilidade económica, ainda não foi cientificamente testada -, o exercício da Medicina surge nesta crise como refém das regras impostas pela indústria farmacêutica, que nos remete para a investigação de novos e caríssimos fármacos e protela estudos inadiáveis.

Até a simples cortisona, INCRIVELMENTE, ainda não foi testada de forma científica e apenas aparece referida como possível de administrar em doses normais, dados os seus “efeitos colaterais”. 

Para ainda acrescentar:

“Sei destas matérias e não foi a prescrever doses normais de cortisona que salvei o primeiro rim transplantado em Portugal. E também não foi com baixas doses dessa “prótese” que, na peugada de outros pioneiros, inverti muitos desenlaces fatais ao longo da minha carreira.”

Para depois apelar às autoridades sanitárias e à comunidade médica, nacional e internacional, para não se concentrarem nas estratégias de tratamento em curso, algumas totalmente especulativas. E ainda escrevi mais:

“Que a maioria dos “ensaios” anunciados está a ser conduzida por multinacionais, que insistem em novos “medicamentos” caríssimos e de duvidosa valia. E esta é uma realidade e não “teoria de conspiração”.

Estando ainda a correr forte polémica sobre as vantagens da cloroquina, só ontem, e pela primeira vez quase três meses depois da tese que defendi, a ciência inglesa – que lidera este género de práticas experimentais e foi o país onde, no maior certame mundial, fui coautor do “melhor trabalho” apresentado em 2011 e realizado na Clínica de Leiria que criei – veio anunciar ao mundo uma evidência: se tivessem começado a usar dexametasona, em devido tempo, poderiam ter salvo cinco mil vidas, só em Inglaterra. A OMS saudou hoje essa “invenção”.

Mais palavras para quê, se a dexametasona é uma “cortisona” igual às outras e de que – também “por acaso” e tal como fiz com a hidrocloroquina – me abasteci logo em fevereiro. Para o que desse e viesse, a família e os amigos sabiam que, “antes de morrer”, teriam de falar comigo. A foto é bem explícita, mas ainda guardo as faturas…

A verdade a que os portugueses têm direito é, infelizmente, outra bem diversa. A queda na economia poderá até vir a ultrapassar os 13%, mas não será por causa do covid-19.

 Se isso acontecer… será por incompetência, roubalheira e má gestão.

Ildefonso contra Basílio, duelo em Sintra

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Primeiro ficou doente, depois ficou sem trabalho. Por fim, foi despejado da casa onde morava. Agora vive na rua. A história parece má, mas é pior do que parece.

Ildefonso passou a viver no carro, enquanto esperava pela ajuda solicitada à Câmara Municipal de Sintra, o concelho onde vive. Durante 14 meses morou no largo Dr. Virgílio Horta, paredes meias com a Câmara Municipal.

Mesmo nestas condições precárias, Ildefonso mantinha alguma dignidade de vida. Andava limpo e ocupava o tempo exibindo cartazes onde explicava a situação em que vivia e solicitando ajuda da Câmara Municipal.

Acontece que um vizinho se sentia constrangido com a presença constante do protesto de Ildefonso. E o vizinho Basílio mandou várias vezes a Polícia Municipal tirar dali aquele incómodo visual. A polícia expulsava-o do largo e ele voltava à noite. Na manhã seguinte, o edil Basílio tinha de passar por ele a caminho do escritório. Ildefonso tornou-se uma chatice, com toda a certeza.

Sentiu-se ameaçado pela Polícia Municipal e foi queixar-se à GNR. A vida de Ildefonso ficou ainda mais complicada no dia em que a Polícia Municipal lhe rebocou o carro onde dormia, apesar da viatura estar devidamente estacionada sem infringir qualquer norma do Código da Estrada.

Sem carro, Ildefonso ficou sem cama e sem roupa, todos os seus pertences foram com a viatura. Quando participou o “roubo” do carro na GNR, disseram-lhe que “o carro foi rebocado por ordens superiores”.  Pediu o livro de reclamações e foi-lhe negado.

Nas redes sociais o caso de Ildefonso ganhou foros de escândalo. O alarme deve ter soado no auricular de Basílio Horta. O presidente camarário mandou lavrar um comunicado onde acusa Ildefonso de se fazer de vítima, de recusar todas as ajudas disponibilizadas, ao que o cidadão responde ser tudo um “rosário de mentiras”.

A Câmara de Sintra diz que Ildefonso tem muitas famílias à sua frente, pessoas igualmente necessitadas e que também esperam por uma casa camarária. Basílio Horta gaba-se de administrar a Câmara Municipal “número um em gestão financeira” mas, pelos vistos, trata-se de um galardão à custa das necessidades dos munícipes mais desfavorecidos porque, entretanto, Basílio achou bem dar 2,8 milhões à família Melo pela compra do Monte Fleuri, para uns almoços e jantares a convidados muito especiais. Mas todos compreendemos que Basílio gosta de manter velhas amizades e amigos assim, que já vêm do tempo da “outra senhora”, têm de ser acarinhados.

Ildefonso e Basílio são dois obstinados que travam uma luta sem quartel. O primeiro reivindica direitos que acredita ter, o segundo desdenha-o profundamente. Ildefonso resiste, sem carro passou a dormir no mesmo local mas no chão. Instintivamente, Ildefonso sabe que resistir é vencer, a sua única hipótese é continuar ou morrer na tentativa. Neste duelo, Basílio já perdeu de qualquer modo. Perdeu no carácter, mesmo se continua rodeado por vereadores e assessores sorridentes e solícitos. Perdeu, mesmo se Ildefonso nunca conseguir ver as suas reivindicações satisfeitas, porque um tipo com poder tem o dever de não ser mesquinho.

Covid-19: Vamos todos ser vigiados

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Foi há dias anunciado que deixará de ser feita a apresentação diária em conferência de imprensa do relatório da Direção Geral de Saúde sobre o covid-19.

O argumento invocado foi a normalidade em que a situação epidémica estava a entrar, o que é um pouco estranho dado que o contágio continua a efetuar-se com níveis que deveriam merecer a atenção de todos, nomeadamente na Área Metropolitana de Lisboa.

Deixar de dar atenção, em termos públicos, à evolução da epidemia é dar mais um sinal algo estranho à população, uma vez que a pandemia continua e à conta dela há medidas draconianas na forja.

Outro sinal que justifica interrogações é o facto do acesso aos dados relativos à pandemia estar a ser dificultado com barreira de identificação, coisa que nunca aconteceu antes. Até ontem, o acesso ao relatório e a todos os elementos relativos ao combate contra o covid-19 foram públicos e de livre acesso, hoje deparamo-nos com um pedido de abertura de “conta”, como se pode verificar pelas imagens que juntamos.

A somar a isto, a notícia com origem em Bruxelas de que os cidadãos europeus vão começar a ser alertados sobre a proximidade a pessoas infetadas com covid-19 através de ‘apps’ de rastreamento de contactos que estão a ser lançadas na União Europeia (UE) e que funcionarão de forma interligada.

Já aqui tínhamos falado sobre este mecanismo de controlo dos movimentos das pessoas, eis que estamos agora perante o facto consumado.

Numa informação hoje divulgada, a Comissão Europeia anuncia que “os Estados-membros acordaram numa solução de interoperabilidade para as aplicações móveis de rastreio e alerta”, o que significa, então, que foram definidas “especificações técnicas para assegurar um intercâmbio seguro de informações entre as aplicações nacionais de localização de contactos”.

“Isto diz respeito à grande maioria das aplicações de localização que já foram – ou estão prestes a ser – lançadas na UE”, destaca o executivo comunitário, notando que, uma vez desenvolvidas e descarregadas pelos cidadãos europeus para os seus telemóveis, as “aplicações nacionais funcionarão sem descontinuidades quando os utilizadores viajarem para outro país da UE”.

Isto significa, então, que em qualquer parte da UE, um cidadão que tenha uma aplicação móvel de um país descarregada no seu telemóvel, poderá receber alertas “em relação à identificação de utilizadores declarados infetados”, sem que para isso tenha de fazer novos ‘downloads’.

Não esquecer que o que hoje vale para o combate ao covid-19 amanhã poderá ser utilizado em tribunal contra si. Quer isto dizer que uma vez implementado o mecanismo de rastreio das populações, facilmente essa utilização por parte dos Estados poderá ser desviada para os fins considerados necessários, nomeadamente a segurança interna.

No caso de Portugal, o país deverá passar em breve a dispor da ‘app’ Stayaway Covid para monitorizar a propagação do novo coronavírus, que está a ser desenvolvida pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência.

Amadora, arte urbana – expressão cultural

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A Amadora não é só nem apenas a cidade onde se realiza o célebre Festival Internacional de Banda Desenhada. Talvez a principal caracteristica da cidade seja a quantidade de murais que tem espalhados um pouco por todo o lado. É verdae que uma parte desses murais são dedicados à banda desenhada como forma de expressão e comunicação, mas muitos outros são obras primas, algumas assinadas por grandes artistas urbanos. Na Amadora há mais de uma centena desses murais.

É assim que a cidade se tornou numa referência nesse meio cultural, que não é um meio de grandes massas, embora a BD e a arte urbana tenham cada vez mais adeptos na população jovem.

Os murais da Amadora surgiram, quase todos, à volta de um projeto de expressão artística no espaço público denominado “Conversas na Rua”, uma iniciativa da Câmara Municipal.

É assim que pelas ruas da Amadora encontramos obras de artistas como Odeith, Akacorleone, Vile e Smile. São graffitis? São, é verdade, mas isso não diminui a qualidade artística e plástica que evidenciam. É arte em estado puro ao alcance do olhar de todos. É a mais pura arte democrática, digamos assim. E que bom seria se, em alguns destes murais, fosse possível ter um som ambiente musical, não acham?

E quando olhamos para um mural não podemos garantir que ele vá lá estar para sempre. Está exposto ao desgaste do tempo, da chuva e do calor, e ao desgaste do vandalismo também. Além disso, no espaço público, não há propriamente lugares reservados para ninguém e pode acontecer que outro artista pinte outra coisa sobre a primeira. Uma das características maiores da arte urbana é a sua efemeridade e a facilidade com que pode ser substituída por uma outra obra, de um outro artista. É a renovação em todo o seu esplendor. Quem quer ver a ”Mona Lisa” para sempre?

Ficam, então, convidados a dar uma volta pelas fotos que aqui deixamos e, quando apetecer passear, experimentem as ruas da Amadora, sem preconceito nem atrofias. Não se vão arrepender.

Na rua

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É deveras aborrecido não haver festejos dos Santos Populares. Deu-me cabo do negócio. Todos os anos preparo tudo com extrema higiene, um ambiente agradável para que as clientes saiam a agradecer mil. Algumas, de tão contentes que ficam, insistem em pagar mais do que é pedido. Mas atenção, não é qualquer uma que tem acesso ao meu serviço na noite de Santo António. Sou eu quem escolhe, não é público. É só para algumas.
Ponho-me à janela onde afixei ao lado uma placa discreta a dizer ladies toilet. As senhoras entram, pagam logo à entrada, são encaminhadas até à casa de banho a brilhar, usam-na, deixam-na a brilhar. Têm o necessário lá dentro, à saída um kit com papel para secar as mãos (de boa qualidade) e outros objetos só para senhoras.
Este ano não houve negócio para ninguém, nem pimba a ecoar pelas colunas, nem sardinhas e febras na grelha, nem mesas estendidas pelos vários largos que perfazem o bairro. Houve silêncio, a ausência da multidão na rua. Os catraios costumavam passar por aqui a caminho do castelo, regressavam 15 minutos depois, garrafa na mão, alguns sem saber se estavam a festejar o Santo António ou o São João. Este ano o Santo António foi um dia como os outros, uma noite igual a tantas outras.
É pela saúde pública que se calaram os santos. Tenho de aceitar, compreendo, aplaudo até a intransigência de fechar os negócios locais até às 19 horas. É pelo bem que os santos se calam.
Não fiz o meu negócio de duas horas, apenas duas horas, para que as senhoras pudessem retocar a maquilhagem, num espaço limpo com boa onda. Bem sei o que é estar no meio da folia dos santos, aflita, sem ter onde retocar a maquilhagem. É um tormento.
Mas porque não fazes negócio a noite toda? Fazias uns trocos valentes! Não, o negócio salva as aflitas, os trocos na caixinha servem para ir beber umas imperiais ao arraial e brindar ao Santo António. Sou lisboeta, bairrista, não há altura mais bonita da cidade como esta, Lisboa em festa! E se a noite de Santo António é a pior para se festejar – Lisboa é invadida por pessoas que na sua esmagadora maioria vivem fora da capital – o resto dos santos é Lisboa em estado puro.
O meu aniversário é no dia do outro santo mas não quero estar com os amigos num espaço fechado. Esvazio antes parte da mobiliária, cadeiras e mesas cá fora, na rua, garantindo a distância de segurança. Caldo verde, bifanas, uma sangria de frutos silvestres, minis. Muitas. E ainda uma salada rica para os vegetarianos. Não é preciso um mar de gente nem música pimba. Um punhado de amigos, comida, bebida, saúde! Estamos juntos, estamos vivos, estamos na rua pois Lisboa é na rua.
São João, padroeiro do Porto, é festejado pelo país inteiro excepto em Lisboa. Lisboa, excepto no largo do meu bairro, no dia 24 de Junho. És tão boa Lisboa!

Acusação contra Mexia e Manso nos retoques finais

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Mexia e Manso Neto vão ser formalmente acusados pelo Ministério Público por corrupção ativa, entre outros crimes, avança hoje o Observador em artigo reservado a assinantes.

Quando avançar com a acusação, o Ministério Público deverá ainda pedir para os arguidos serem impedidos de exercer funções e, inclusivamente, de entrar nas instalações da empresa. Os procuradores que investigam este processo contra Mexia e outros, alegam que há testemunhas a serem pressionadas para não falar livremente sobre o assunto.

No mesmo processo, o administrador executivo da REN, João Conceição, deverá ser alvo de acusação de dois crimes de corrupção passiva. Os procuradores querem mesmo que no final de um eventual julgamento António Mexia, João Manso Neto e João Conceição venham a ser proibidos de exercerem funções em empresas públicas e privadas.

Depois do Tribunal Constitucional ter rejeitado, recentemente, um recurso da defesa de Mexia para impedir que algumas provas pudessem ser validadas em julgamento, a investigação não deve agora demorar muito mais tempo para formalizar a acusação que levará Mexia e seus pares até à barra do tribunal.

A estátua do cónego

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Nos idos de 75, durante o PREC, o cónego Melo teve um papel destacado na propaganda anticomunista…  o padre foi mesmo acusado de pertencer ao ELP  e ao MDLP, organizações de extrema-direita que se envolveram numa rede bombista terrorista  que executou vários atentados…

O cónego foi, portanto, uma figura controversa e a estátua que lhe ergueram em Braga resultou de uma iniciativa privada… (terá sido provocação?). Bom, não foi iniciativa do Estado, nem do governo nem da autarquia, foi iniciativa de um grupo de cidadãos que obtiveram permissão para colocar ali a estátua por uma maioria de deputados municipais, curiosamente do Partido Socialista…

A falta de consenso revelou-se ao longo dos tempos, esta não é a primeira vez que a estátua já foi alvo de pichagens, já houve até manifestações de bracarenses a pedir que tirassem dali aquele monte de pedra…

Isto é, esta estátua é o exemplo acabado de um ornamento plantado na via pública que desagrada a muita gente. A bem da paz e da concórdia devia ser retirada… não faz nenhum sentido ter uma estátua de um padre politizado e que passava mais tempo em negócios privados que na missa…

Não se trata de uma obra artística notável, nada disso… é uma escultura sim, mas banal, não tem nenhum valor artístico especial, e não se trata de uma personalidade consensual… quem visitar Braga e passar pelo local onde a estátua está ficará com a percepção de que a cidade homenageia um padre que admitia matar outros seres humanos… enfim, uma coisa desagradável e sem nenhum justificação.

Ou seja, os adoradores do cónego podiam levar a estátua para um quintal privado e ainda faziam negócio cobrando entrada para os que lá quisessem ir em romaria… dou esta ideia de borla, aproveitem-na…

As ligações deste cónego Melo a atividades terroristas resultaram na suspeita de ser o mandante do atentado bombista que em 1976 matou um outro padre, mas de esquerda… o padre Max que estava ligado à UDP – União Democrática Popular, que mais tarde se juntou a outros partidos no Bloco de Esquerda.

A verdade é que as suspeitas nunca foram provadas e os assassinatos do padre Max e de uma outra pessoa que estava com ele quando a bomba rebentou, nunca foram castigados… as falhas da justiça portuguesa não são de agora.

Deselegância ou rudeza?!

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Confesso que me causa alguma urticária a dualidade de critérios na abordagem de alguns autarcas deste país a focos de pessoas contagiadas pelo covid-19.

Em Espinho, no Bairro Social da Marinha, os autarcas espinhenses acompanham o foco do COVID-19 numa família de cinco pessoas que é proprietária de um café. Todos sabemos que em zonas deprimidas urbanas, como são os bairros sociais, os cafés são espaços privilegiados de socialização entre pares.

O estabelecimento comercial só fechou na terça-feira passada e notifica-se pacificamente agora todas as pessoas que estiveram em contato com as cinco pessoas.

Entretanto, a Direção Geral de Saúde aponta já para 14 pessoas infetadas no bairro social, mas a autarquia contraria essa inflação e apenas confirma a existência de seis pessoas infetadas.

Recentemente, o autarca da Azambuja decidiu publicamente, sem autorização prévia das autoridades competentes, sugerir um cordão sanitário de segurança para o bairro social porque seis pessoas ciganas estavam infetadas com o COVID-19. E espantem-se que esse autarca “amigo dos ciganos”, ao contrário dos autarcas de Espinho, inflacionou o número de infetados de seis para nove infetados. A questão que fica é que assim teria legitimidade para o cordão sanitário?

A escassas centenas de metros do bairro social, o autarca de Azambuja tinha um número de 179 infetados no entreposto da SONAE e nunca esboçou uma tão grande preocupação ou sugeriu o fechamento do mesmo.

No Bairro da Jamaica, o foco de COVID-19 foi resolvido com notificações com armas em punho, cafés foram fechados e portas chumbadas.

Em Espinho, bastou uma volta na fechadura para fechar o café…

Em Moura, em dois dos três bairros ciganos fizeram-se cordões sanitários. Nesses bairros, sem alerta ou notificação, as pessoas foram despertadas por polícias e técnicos de saúde. Num deles, no bairro do Vale do Touro, as pessoas ficaram perplexas porque, sem aviso prévio, o presidente da Câmara de Moura os obrigou a fazer testes de rastreio e só faltou ter chamado os Rangers para forçar as pessoas aos testes. As pessoas recusaram, não porque serem negligentes, mas pelo destrato e desconsideração. Passados uns dias foram fazer os testes que, de resto, nunca consideraram desnecessários.

Não quero com isto dizer que o acompanhamento e isolamento de pessoas infetadas com o covid-19 seja uma bandalheira. É claro que as regras têm que ser cumpridas por uma questão de saúde pública, mas não consigo encontrar respostas para a dualidade de critérios na abordagem a negros e ciganos quando estes são focos de infeção do vírus.

A OMS ainda não comprovou que o vírus se propaga mais através de negros e ciganos…

Talvez o Rui Rio nos possa explicar o que se passa nestas diferentes abordagens. Talvez seja deselegância ou rudez.  Racismo não será, por certo…  Na sociedade portuguesa isso não existe!

Quando Liberdade rima com insanidade…

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Portugal está à beira de comemorar cento e cinquenta anos sobre a realização de um evento histórico, que a nossa “história oficial”, nem sempre feliz e justa, ainda procurava silenciar um século depois. 

Refiro-me às célebres “Conferências do Casino”, destacando aquela em que o “cavaleiro andante” Antero de Quental defendeu a liberdade, enquanto direito humano inalienável e valor imprescindível ao desenvolvimento dos povos.

Este conceito peregrinou durante gerações no imaginário dos portugueses e, com avanços e recuos, alguns “chamaram sua” à liberdade, enquanto outros deram a sua própria vida para ser consignada na Constituição, em vigor desde há décadas.

A liberdade é um conceito básico e estruturante de qualquer democracia, mas o seu reconhecimento, pela atual República, também nem sempre foi o mais “feliz e justo”, tendo sido várias vezes alvo de interpretações oficiais controversas e que, vendo, ouvindo e lendo, não podemos ignorar.

Choca a consciência nacional, por exemplo, o perdão concedido aos magistrados dos Tribunais Plenários e aos pides, muitos deles reintegrados com todas as honrarias e prebendas. Tal como confrange a proteção de que gozam os novos assaltantes de Bancos e de Instituições, por quem a República até frequentemente distribui galardões.

Quem esquece, mais do que um perdão que até poderia resultar de um sincero arrependimento, a atribuição da “Medalha da Liberdade” a uma figura sinistra que, já em plena democracia, dirigia um bando de sociopatas que se alimentava de extorsões e assaltos violentos? Que assassinava indistintamente os opositores políticos, fossem adversários ou “camaradas”? Que, ainda há pouco, declarava “ter transportado muitas bombas e que a sua única mágoa era nunca ter feito deflagrar nenhuma”?

Há vezes demais em que ficamos sem palavras, mas outras há em que o silêncio ainda mais magoa. Será hoje admissível calar, sem crítica, que a “República” possa conceder a “Medalha da Liberdade” a uma congregação que se limita a condenar alguns excessos terroristas indisfarçáveis, mas que ainda insiste na defesa de preconceitos medievais? Que distinção é esta, recusada às restantes minorias étnicas e religiosas que até permitem a livre visita aos seus santuários?  

E, finalmente, como não soltar um grito de protesto perante a ação de energúmenos que, à vista de todos, vandalizam estátuas de personalidades que representam o melhor que a Humanidade produziu e de que o Padre António Vieira é bom exemplo? Que lição pode essa gente esperar de “autoridades” que, de “liberdade em liberdade”, premeiam quem não merece? Que, nitidamente, estão mais interessadas na injeção de influências e dinheiro nas suas máquinas eleitorais, do que no normal funcionamento do Estado?

Que raio de República é esta, em que a liberdade não assenta no primado da razão, da lei e da ética, mas sim em interesses pessoais e corporativos?

Um Hipódromo Fantasmagórico

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Sport Club do Porto, é um eclético e centenário clube desportivo.

Entre as modalidades que os associados e atletas podem praticar está (ao que parece…) o hipismo.

Daí que, em 1999, tenha conseguido um contrato com o Governo – era então Primeiro-Ministro António Guterres e Miranda Calha o Secretário de Estado do Desporto – para a construção de um hipódromo no Freixo.

O custo total da obra estava orçado em 1.140.000 euros sendo que o Estado se comprometia a pagar 375.000.

No dia 31 de Dezembro desse ano o então Instituto Nacional do Desporto transferiu uma primeira tranche de 150.000 euros para o Sport Club.

Entretanto, e como é habitual no país, as remodelações governamentais foram-se sucedendo e os Ministérios mudando de nome ou, mesmo, desaparecendo.

Assim sendo não há que estranhar o facto de que, durante 15 anos, ninguém soubesse, nos diversos Executivos, quem substituía, e com que competências, o Instituto Nacional do Desporto.

Logo, ninguém se preocupou (nem tinha que preocupar, vendo as coisas por este prisma) em saber se o hipódromo tinha, ou não, sido construído.

Apesar de tudo, o Sport Club do Porto ia dando informações.

A 29 de Janeiro de 2002 comunicou que a aprovação da construção se atrasou “por causa da Câmara” mas que as obras iriam arrancar em Março.

A partir daí nem o Instituto Nacional do Desporto, nem o Instituto do Desporto de Portugal nem o agora Instituto Português do Desporto e da Juventude, seus sucessores, se preocuparam mais em saber do caso.

Até que, segundo o jornal “Sol”: “na sequência de uma carta do clube, resolveu fazer uma vistoria às obras realizadas (?), concluindo que, afinal, não havia novo hipódromo mas a requalificação de um já existente.”

Pelo que, a direcção do agora Instituto Português do Desporto e Juventude decidiu, por unanimidade, denunciar o contrato.

Isto porque a vistoria tinha concluído que: “ao contrário do previsto no contrato-programa, não foi construído um novo centro hípico do clube na freguesia do Freixo (o que também seria difícil já que não há qualquer freguesia com esse nome no Porto). Foram, sim, sendo executadas intervenções diversas de requalificação e novas construções no Centro Hípico localizado na Rua Silva Porto, cuja construção remonta a 1945” e que “as intervenções realizadas não foram alvo de parecer destes serviços”.

O director do Departamento Jurídico e de Auditoria do Instituto não poupou nas críticas e escreveu, nas suas conclusões, que houve “uma denegação das funções de controlo e fiscalização do Estado” ao longo dos anos e que o caso do “fantasmagórico centro hípico” revela a “profanação dos deveres que impendem sobre a administração pública”, uma vez que as regras de comparticipação financeira ao associativismo desportivo obrigam ao acompanhamento e fiscalização das obras em curso.

E conclui: “Os processos em causa apenas espelham uma inércia de dimensão confrangedora!”.

Perante isto a direcção do Sport Club do Porto enviou uma carta ao Instituto informando que tinha cumprido o contrato de 1999 porque fizera obras no velho centro hípico, nomeadamente, nos picadeiros, bancadas, tribuna técnica e boxes, e que não queria reivindicar mais nenhuma tranche.

Para aqueles a quem esta explicação pudesse parecer estranha, já que o contrato era claro no que respeita a construção de um novo hipódromo e não em remendos no já existente, o Presidente da direcção deixou um esclarecimento: “o hipódromo não pôde ser construído no Freixo por causa de dificuldades levantadas pela Câmara Municipal do Porto”, salientou que “o dinheiro foi gasto” no actual centro hípico e acrescentou, ainda, que é o Instituto que lhe “deve dinheiro”, referindo-se a um outro contrato para um campo de relva sintética, que data de 1997.

O Instituto dera, então, 30.000 euros como primeira tranche de apoio público ao clube sendo que o campo devia estar pronto até ao fim de 1998!…

Não sei se o Instituto vai dar mais dinheiro para o “fantasmagórico centro hípico”, mas a verdade é que, para já, houve a decisão de suspender os ofícios pedindo a devolução do dinheiro já entregue.

Segundo o Presidente do Instituto aqueles não chegaram a seguir porque foram recebidos novos dados do Sport Club do Porto “que estão a ser analisadas e entendeu-se não só reabrir a reavaliação do processo, no sentido de permitir a inclusão da informação que entretanto o clube entendeu fornecer, como também admitir a possibilidade de realização de novas diligências”.

Concluindo, não sei se há cavalos a correr num qualquer hipódromo no Porto.

Burros a pagar estas contas, isso não falta.

(o autor incluiu esta crónica no livro “Frasco de Veneno – Dose Final” a publicar brevemente)