Início Site Página 513

Cascais, postos de combustível sem cerveja depois das 20 horas

0

A imagem que documenta esta notícia, circula nas redes sociais há uns dias já. Trata-se do posto de combustível no Estoril, e a fila é de pessoas que, maioritariamente, queriam comprar bebidas alcoólicas, segundo testemunhos recolhidos em comentários no Facebook e Instagram.

Hoje, pelos mesmos motivos, a situação já não se poderá repetir, uma vez que a autarquia de Cascais emitiu um despacho a proibir a vem da de bebidas alcoólicas em postos de combustível.

A proibição tem horário e define que depois das 20 horas e até ao encerramento do posto de combustível não se podem adquirir bebidas alcoólicas nesses estabelecimentos. O referido despacho foi anunciado pelo presidente camarário na sua página do Facebook.

Lixo e desinfeção da via pública

0

A limpeza, manutenção e, agora, desinfeção de ruas e equipamentos públicos cabe às autarquias, nomeadamente às juntas de freguesia.

Enquanto vigorou o regime de confinamento, as autarquias nunca deixaram de efetuar esses serviços que, de resto, são essenciais para a contenção da pandemia.

Mas, agora, com cada vez mais pessoas a circular pelas ruas e a utilizar transportes públicos, a desinfeção das ruas está a tornar-se mais complicada. Com as pessoas a aglomerarem-se de novo junto às paragens de autocarro ou farmácias, por exemplo, os funcionários autárquicos encarregues do serviço de desinfeção não têm conseguido cumprir essa missão de forma cabal.

A agravar esta situação, principalmente em Lisboa, mas também na Amadora, as pessoas regressaram do confinamento com os mesmos maus hábitos que já tinham: deitam papéis para o chão, cospem na via pública, deixar cair pontas de cigarro por todo o lado, e as ruas voltaram a estar bastante sujas.

Durante o confinamento, muitas autarquias decidiram fechar espaços verdes e respetivos serviços de apoio, como bares e esplanadas, mas agora tudo está a funcionar de novo e com os mesmos problemas de antes da pandemia.

Na autarquia de Lisboa, estes problemas notam-se mais em jardins públicos, nas imediações de edifícios de escritórios e de locais onde funcionam serviços muito solicitados pelo público e nas imediações de supermercados.

 O lixo já era um problema. Agora, nas novas circunstâncias ditadas pela pandemia covid-19, é um problema acrescido. Todas as autarquias da região deviam ter este problema já solucionado, mas em Sintra, por exemplo, a recolha e tratamento de lixo continua a ser disfuncional, assim como a prevenção relativamente a despejos ilegais de lixo na via pública.

E há o “novo” lixo constituído maioritariamente por máscaras cirúrgicas abandonadas na via pública depois de terem sido utilizadas.

Então, é sempre bom lembrar que atirar lixo para o chão é punível com coima. De um modo geral, os regulamentos municipais estabelecem o dever de não abandonar os resíduos na via pública ou noutros locais não adequados a todos os cidadãos, o que abrange o  lançamento para o chão de qualquer resíduo, nomeadamente papéis, latas, vidros, restos de alimentos, beatas de cigarros e outros resíduos que comprometam a segurança e salubridade públicas ou depósito ou abandono de dejetos de animais.

A violação destas regras constitui contraordenação punível com coima de 250 a 2.500€ no caso de pessoas singulares e de 500 a 22.000€ no caso de pessoas coletivas, penalizações semelhantes estão em vigor em muitos outros países.

Autocarros sempre cheios, na hora de ponta

0

“Os autocarros vão sempre cheios”, dizem os utentes. Desde as 6 da manhã, quase todas as carreiras interurbanas com destino a Lisboa vão cheias, tão cheias como se não estivéssemos a sofrer o impacto de uma pandemia covid-19.

Nos municípios circundantes de Lisboa, os índices de contágio têm estado a aumentar mas, mesmo assim, as empresas de camionagem não cuidam de respeitar as orientações da Direção Geral de Saúde relativamente ao distanciamento entre passageiros.

As pessoas levam máscara posta quando entram nos autocarros mas, depois, lá dentro, viajam em pé, na maioria das vezes, encostadas umas às outras por falta de espaço.

A maioria dos utentes não usa luvas quando apanha um transporte público e, ao contrário do que seria suposto, nos autocarros não existem desinfetantes para as mãos, sendo que os autocarros também não são desinfetados com a frequência ideal, como é evidente.

Os desabafos nas redes sociais são muitos: “Hoje confirmei que os autocarros não têm dispensadores de desinfetante. O horário que está em vigor é o que existia na pré- pandemia para os domingos, com exceção das carreiras diretas que continuam a ser efetuadas. Por uma questão de prevenção evitei os horários das “horas de ponta” visto que fui informada que aí é caótico. Fui no que parte às 9h, quando chegou a Guerreiros com pessoas em pé e algumas sentadas ao lado uma das outras, ultrapassava já a lotação recomendada. Outra situação caricata é que não existe afixada informação sobre as alterações de horários.”

Desabafos.

Ataque à Academia de Alcochete: SIM, HOUVE TERRORISMO

0

A 15 de Maio de 2018, cerca de cinquenta imbecis, com as caras tapadas e aos gritos, invadiram a Academia de Alcochete do Sporting Clube de Portugal.

Tinham, como missão, “pedir contas” ao desempenho da principal equipa de futebol daquela agremiação.

Segundo aquele grupo de idiotas – constituído por uma maioria de catraios que nunca trabalharam na vida nem frequentam escolas, chefiados por dois ou três “jovens quarentões” que vivem do dinheiro recebido, “por baixo da mesa”, de dirigentes que, assim, compravam a sua fidelidade canina – havia que ser dada uma lição aos atletas que não respeitavam a camisola que envergavam.

Dentro da Academia houve pânico, há que reconhecer.

E houve agressões, a mais grave das quais com a fivela de um cinto na cabeça de um jogador, que teve de ser suturada com alguns pontos, umas bofetadas e muitas ameaças.

No dia seguinte, a Guarda Nacional Republicana fez vinte e três detenções.

E o número foi aumentando até terem sido presos praticamente todos os “invasores”.

Todos os órgãos de comunicação social ocuparam enormes espaços de papel e tempo no relato e análise do caso.

Não houve um português que não se tivesse pronunciado sobre o tema.

Justificava-se a atenção.

Os jogadores de futebol são endeusados e o acto bárbaro de uma agressão cobarde merece a mais acérrima das críticas.

Os jornais exigiam medidas exemplares.

Os comentadores radiofónicos e televisivos gastaram os adjectivos mais severos.

O povo considerou o acto como um crime de “lesa pátria”.

Fiquei expectante sobre a posição que os Magistrados tomariam.

A estes exige-se a ponderação que falta ao “Zé” e à “Maria” que não perdem a entrada de um arguido nos tribunais, para os apuparem e insultarem, ao mesmo tempo que repetem os pedidos de prisão perpétua e pena de morte repetidos, à exaustão, por alguns partidos pró-fascistas para quem só aquelas medidas chegam.

Os Magistrados tinham, sobre as suas secretárias, o processo e alguns jornais.

E, nas cabeças, registadas as declarações dos arguidos e os relatos de rádios e televisões.

O que resultava da consulta de uns e outras?

O processo e as declarações reconheciam ter havido agressões que deveriam ser consideradas ligeiras (uns pontos na cabeça de um jogador provocados por um dos invasores do espaço) e algumas bofetadas a outros.

Os jornais, as rádios, as televisões repetiam comportamentos altamente criminosos.

A Lei apontava para, no máximo, invasão de propriedade alheia e agressões de pouca gravidade

As opiniões publicadas – e, por arrastamento, a opinião pública – “exigiam” punições exemplares.

No entanto, com base na Lei, nem sequer se poderia determinar qualquer prisão preventiva já que as penas máximas a que os cinquenta invasores poderiam ser condenados seriam inferiores a cinco anos.

Ora, se havia alguma certeza naquele momento, a mais evidente é que o alarido que os “justiceiros” fariam, se a opção fosse deixar todos em liberdade até ao julgamento, seria imenso.

Uma vez mais, juiz que não alinhasse pelo trajecto apontado pela comunicação social seria arrasado.

Qual a “solução” encontrada?

Acusar todos os invasores de terrorismo!

A única acusação que poderia levar à opção pela prisão preventiva.

Isto para além de outras “vantagens” como, por exemplo, poderem fazer-se buscas domiciliárias a qualquer hora do dia ou da noite nas residências dos arguidos.

De repente, em Portugal, havia cinquenta acusados por terrorismo.

Um por dar com a fivela do cinto na cabeça de um jogador de futebol, provocando-lhe um ferimento que teve de ser suturado com alguns pontos, e trinta e nove por gritarem parvoíces e palavrões.

A todos foi decretada a prisão preventiva.

O ex-Presidente do Sporting Clube de Portugal (que, curiosamente, ficou em liberdade apesar de ser considerado o “responsável moral” de todos os crimes cometidos) foi, por si só, apontado como autor moral do ataque, ficando acusado de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada e 38 de sequestro.

Ilícitos que, no entendimento do Ministério Público, configuravam 97 crimes de terrorismo, puníveis com pena de prisão de dois a dez anos. 

A 28 de Maio de 2020, dois anos depois dos acontecimentos, foi lido o Acórdão de Sentença:

Caíram, como não podia deixar de ser, as acusações de terrorismo, associação criminosa e sequestro.

O ex-Presidente foi absolvido, tal como a maioria dos arguidos.

A diferença é que, muitos destes, o foram depois de terem cumprido vários meses de prisão preventiva.

Uma vez mais, uma interpretação envieseda da Lei permitiu que Magistrados as tivessem decretado.

E, disso, não terão de prestar contas a ninguém.

Assim, quando me perguntam se houve terrorismo no caso de Alcochete, não tenho dúvidas:

Claro que houve.

A artimanha usada para prender, preventivamente, mais de quarenta cidadãos, não pode ter outro nome.

(Vítor Ilharco é cidadão 100% benfiquista)

Lavem as mãos!

1

O que interessa haver o dia Mundial da Criança e estarem transcritos o seus direitos em Declaração Universal, se em cada minuto que passa cinco delas vão morrer de um vírus muito mais mortífero que a Covid19, que se chama FOME e para o qual sempre existiu vacina.

Só que os poderosos, aqueles que possuem essa CURA em abundância, negam-se a fazer a sua distribuição e ministrá-la a estes seres indefesos e, assim, em cada ano que passa mais de 2,5 milhões destas crianças estão condenadas a morrer…

E o que fazem agora esses arquétipos da Humanidade?

Pedem-lhes para que lavem as mãos!!

Toureiros acorrentados

0

Em Lisboa, quatro toureiros acorrentaram-se ao portão do Campo Pequeno, em protesto contra a falta de apoio do governo à atividade tauromáquica. Acorrentaram-se a um portão que não abre e estão todos de máscara, pelo que esperam estar, assim, a não incomodar ninguém e a cumprir com as orientações gerais da DGS quanto a medidas preventivas para evitar o contágio de covid-19.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, autorizou o regresso de todas as atividades culturais, à exceção da tauromaquia. Talvez os toureiros não se importam de fazer faenas à porta fechada, que é o que vai acontecer com outros espetáculos que atraem habitualmente multidões, casos dos jogos de futebol, por exemplo.

Através de um comunicado enviado aos jornalistas, Hélder Milheiro, secretário-geral da organização taurina Pró-toiro, critica o Governo e realça que os agentes da tauromaquia só podem “interpretar esta situação como forma de censura e discriminação, o que é inaceitável em pleno século XXI”.

Mas há cada vez mais pessoas a achar estranho que em pleno século XXI persistam espetáculos onde se torturam animais e estes compreendem e até aplaudem a decisão do governo que foi, de resto, confirmada na Assembleia da República pelo primeiro-ministro num dos últimos debates quinzenais com a oposição.

À semelhança do que acontece um pouco por todos os setores de atividades profissionais, a PróToiro garante que há “artistas” e famílias a passar dificuldades, e acusam o governo de desprezar o sofrimento destes trabalhadores.

No meio desta pequena polémica, os defensores da vida animal dizem que os aficionados desprezam o sofrimento dos animais que torturam na arena e dizem que está na hora dos toureiros se reciclarem em termos profissionais e só têm pena que os cidadãos em protesto não fiquem ali eternamente acorrentados como medida de distanciamento em relação aos animais.

nota: o autor deste texto é a favor da abolição das touradas

Crime, dizemos todos

0

Cresci com a imagem odiosa do Simon Legree e a sua violência racista sobre o Pai Tomás. Essas páginas faziam-me sofrer. Foi o primeiro livro que me marcou, li-o muito cedo. Comprei um colar com uma cruz de madeira, ainda em miúda, em homenagem à “Escrava Isaura” que eu via na televisão e que pus ao pescoço. A ideia do racismo foi-me incomportável desde que me conheço.

Como docente de inglês, sempre que pude e posso, falo aos alunos de Martin Luther King e Nelson Mandela. Muitos desconhecem totalmente o que foi a segregação racial nos EUA até há poucas décadas, assim como o regime do apartheid na África do Sul. A maioria, até. Acredito que estas imagens que agora chegam da América lhes provoquem interrogações. O meu filho, de doze anos, falou-me de vídeos e memes virais à conta de George Floyd. Eu sei as notícias, disse-me.

Ser racista não é só contar anedotas sobre negros. Conta-se anedotas sobre imensas etnias, grupos sociais, religiões. Não iria por aí. Ser racista é negar os direitos de igualdade e de justiça, o que vai muito mais para além de piadas, contadas por brancos ou não brancos. Ser racista é considerar que a cor da pele é impeditiva para coisas simples e básicas do quotidiano, como acesso à saúde, à educação, ao emprego, ao amor, à justiça, à dignidade. Ser racista é humilhar. É recusar o direito à mesma panóplia de benesses e de problemas que os cidadãos comuns têm, independentemente da sua origem e cor. Ser racista é querer um mundo separado, entre os que merecem e os que não merecem, entre os que podem e os que não podem, entre os que são e os que não são. É uma visão redutora e castradora da sociedade em que o poder de uns anula ou aniquila quem não faz parte da sua identidade. É um sério caso de crueldade identitária, de soberba discriminatória, de exclusão preconceituosa.

Nos EUA, a maioria dos americanos convive bem com as origens diversas da sua população. Do melting pot à salad bowl, a alegoria para a América não tem  esquecido as suas cores. Teria sido impossível construir a nação americana e sobretudo assistir ao seu desenvolvimento social e tecnológico nos séculos XX e XXI com convulsões constantes. O “American Dream” já foi possível, com todas as suas histórias de frustração pelo caminho. Era a América e nela tudo era possível. Apesar de tudo, alguns descendentes de africanos – e de escravos, se formos lá bem atrás – conseguiram singrar em áreas como a música, o cinema, a justiça, o desporto, o corpo policial, entre outras. Um presidente negro foi eleito e mostrou que o sonho era possível. Não está em análise a sua ação política, mais ou menos apreciada, é assim em democracia, mas o facto de o ter conseguido. Uma inspiração, nesse sentido.

Contudo, não tenhamos dúvidas, o racismo nos EUA é persistente. A extrema direita, nacionalista, de supremacia branca, não se evaporou definitivamente, nem com o fim da segregação oficial nos estados do sul. Bolsas de comportamentos racistas são frequentemente denunciadas, causando ondas de indignação ocasionais nos media e na sociedade.

O atual presidente dos EUA veio, sem dúvida, legimitar o discurso do preconceito. Contra países, contra nacionalidades, contra instituições, contra grupos, contra concidadãos. O seu lema Let´s Make America Great Again é essencialmente dirigido a uma América conservadora, evangélica, fechada e intolerante. Inventam bodes expiatórios para os infortúnios nacionais, geralmente económicos. Com um presidente assumidamente privilegiado e que exclui os mais fracos, as atitudes discriminatórias e racistas, se existiam antes, podem crescer em número e a descontração com que as exibem também. Para muita gente, o exemplo vem de cima. Sem exemplos de dignidade e tolerância e sem apelos à contenção por parte de um Presidente narcisista, não se pode esperar coexistência.

Estes tumultos de reação ao homicídio de um homem negro que foi friamente asfixiado por um polícia branco, refletem o profundo descontentamento de uma comunidade e de todos os verdadeiros democratas.  Atuações cruéis e crimes racistas não podem ficar impunes. A destruição e pilhagem que se seguiram não servem a causa e há mesmo americanos negros a proteger as suas casas e negócios, de armas na mão.

A violência não é o caminho, Luther King dizia-o claramente. Nem a vingança, mas o racismo endémico de alguma América também não se pode continuar a suportar.  Bom seria que quem preside aos seus destinos o entendesse. 

Covid-19 em Sintra: Marta Temido reúne com Basílio Horta

0

O presidente da Câmara Municipal de Sintra recebeu hoje a Ministra da Saúde. Marta Temido teve hoje várias reuniões com diversos autarcas e, sem nunca especificar em concreto os temas abordados nas reuniões, disse estar preocupada com os jovens,  “o novo grupo de infetados” na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde têm surgido o maior número de casos a nível nacional.

Os focos de epidemia detetados nos últimos dias na região de Lisboa e municípios adjacentes estão relacionados com a população migrante que vive sem condições nos centros urbanos. São estrangeiros imigrados e são portugueses vindos de outras regiões do país, são jovens e são mão-de-obra barata e indiferenciada, com pouco poder aquisitivo.

Estes jovens são o grupo social que mais necessita de apoio e as autarquias têm aqui um papel fundamental a desempenhar, uma vez que sabem onde eles vivem, onde eles se aglomeram nas horas vagas, os transportes públicos que utilizam no dia-a-dia, as condições de vida que usufruem.

A atuação das diferentes edilidades tem sido diversa. Algumas câmaras fornecem gratuitamente máscaras, outros municípios vendem-nas a baixo preço, outros nem por isso. Sintra, por exemplo, prometeu em meados de abril distribuir 1 milhão de máscaras pela população e ainda não cumpriu integralmente com essa promessa.

Talvez depois da conversa com a ministra da Saúde a atuação das câmaras municipais passe a ser mais coordenada e mais eficaz.

Sobre a questão de Sintra, em particular, Marta Temido não identificou quais as freguesias que, neste momento, são mais problemáticas mas concedeu que há “várias freguesias onde há maior incidência”, enumerando apenas os “sítios mais povoados, onde há mais concentração de pessoas”. Sublinhando que tudo tem que ser feito “com muito cuidado”, assegurou que “estamos no caminho certo”.

A partir do Palácio Valenças, Basílio Horta (ou alguém do seu secretariado) publicou no Facebook que “Temos todos a obrigação de estar focados na realidade quotidiana que vivemos, porque a situação de crescimento de casos positivos na Grande Lisboa não se pode manter por muito mais tempo”.

Pois não.

Este foi o segundo dia de encontros entre a ministra e as entidades municipais para debater melhores formas de controlar o surto de Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, onde foram já diagnosticados 11.142 casos de infeção.

O revoltoso que era de Alcabideche!

1

Desafiou-me Carlos Narciso para com ele colaborar neste seu espaço de Duas Linhas, a de Cascais e a de Sintra.

Aceitei de bom grado, na medida em que me será possível partilhar, desta sorte, informações e despretensiosos comentários acerca da História, das Artes e do Património Cultural, referentes sobretudo ao território cascalense.

Há sempre surpresas, outros olhares, novidades ou antiguidades que porventura haviam escapado e nos ajudam a fomentar comunidade, a revitalizar memórias e identidade.

Desta feita, a inesperada surpresa veio do Brasil. O professor Luciano Figueiredo, do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense (Niterói), escreveu à Junta de Freguesia de Alcabideche a tentar saber da genealogia e eventuais laços familiares conhecidos de Filipe dos Santos Freire (1678-1720).

Tivera acesso ao seu registo de nascimento, a que também acedemos depois, que reza assim (actualizo a grafia):

«Aos quinze dias do mês de Janeiro de 1678 baptizei e pus os Santos Óleos a Filipe, filho de João Vicente e de Maria Ferreira de Alapraia. Foram padrinhos o Pe. Sebastião Alves [e Isabel (?) Costa] de Alapraia».

Assina o Padre Cura Duarte Pinheiro.

E que interesse haveria neste alcabidechense?

É que estão a ser programadas para o corrente ano as comemorações dos 300 anos da chamada «Sedição de Vila Rica» (Vila Rica era, então, o nome da actual Ouro Preto, em Minas Gerais), de que Filipe dos Santos Freire foi um dos cabecilhas.

Havia sido, naturalmente, mal vista pelos potentados locais a lei segundo a qual aí vinham a ser oficialmente criadas casas de fundição do ouro em pó. Minerador, Filipe dos Santos Freire assumiu-se como o principal cabeça dos amotinados e acabou por ser condenado à pena capital. Enforcaram-no, arrastaram-lhe o corpo pelas ruas da vila e esquartejaram-no, após julgamento sumário perpetrado por uma junta formada pelo governador D. Pedro Miguel de Almeida Portugal, Conde de Assumar, e pelo ouvidor local.

Ora aqui está um herói a cuja naturalidade ainda se não dera a atenção devida!

                                                         

E dos vizinhos que emigraram, que notícias temos?

0

Lisboa, 31 mai 2020 (Lusa) – A presença de portugueses nas filas para receberem cabazes de ajuda alimentar na Suíça é apenas um dos sinais de como a crise provocada pela covid-19 está a afetar estes emigrantes, numa dimensão que começa agora a ser avaliada.

“Não são a maioria, mas vi muitos portugueses a irem buscar os cabazes de comida, o que me surpreendeu”, disse à agência Lusa o conselheiro das comunidades neste país, José Inácio Sebastião.

Recentemente este conselheiro participou numa iniciativa de oferta de cabazes alimentares em Genebra e ficou surpreendido por ver tantos portugueses a recorrerem a esta oferta.

“A maioria das pessoas que precisa desta ajuda é oriunda da América Latina, mas também são muitos os portugueses afetados pela perda de rendimento”, adiantou.

Neste país, onde residem 217.662 portugueses, ainda “é grande” a expetativa sobre o real impacto da pandemia. Mesmo os que mantiveram o emprego, mas não puderam exercer a atividade, tiveram perdas na ordem dos 80%, disse o conselheiro.

O setor da economia doméstica (empregadas de limpeza) foi o que mais afetou a comunidade portuguesa, assim como os trabalhadores temporários.

“Houve uma grande perda financeira”, disse.

Na Alemanha, a comunidade portuguesa tem sido elogiada pela forma como acatou as medidas de prevenção contra a covid-19, não se registando até ao momento um único português infetado, conforme disse à Lusa o conselheiro Alfredo Stoffel.

Residente em Sassnitz, este conselheiro da comunidade portuguesa explicou que “a pandemia atingiu todos os setores”.

“Não houve discriminação entre a sociedade alemã de acolhimento e as suas comunidades”, referiu, indicando o confinamento e o impacto financeiro como as principais consequências da doença.

Emocionalmente, adiantou, a pandemia afetou a vida desta comunidade – estimada em 114.705 portugueses – que, de um dia para o outro, se viu privada de conviver com os amigos.

A nível financeiro, ainda “é cedo” para uma avaliação rigorosa, mas as empresas tiveram de se adaptar e estão agora a começar a laborar e os trabalhadores a se aperceberem de como irão regressar ao trabalho.

Por essa razão, muitos “sentem-se inseguros” em relação à doença, receando uma nova vaga.

Em França, “todos foram apanhados” pela crise provocada pela covid-19, disse à Lusa o conselheiro da comunidade portuguesa Paulo Marques, que preside igualmente à Associação dos Eleitos Portugueses, Luso-Franceses e Europeus em França.

Com 595.900 cidadãos nascidos em Portugal, esta comunidade é a mais significativa em França e tem sido apoiada pelo Governo francês.

“É o que está a salvar as empresas francesas de portugueses”, adiantou.

Mas só a partir de 02 de junho, quando a retoma do trabalho for a 100%, é que a dimensão do impacto da doença e das medidas de confinamento será realmente conhecida, adiantou.

“Só então se saberá, mas acredito que em outubro já teremos uma noção mais concreta”, disse.

Segundo Paulo Marques, os setores mais afetados foram a restauração, com muitos estabelecimentos encerrados e outros a terem de se adaptar ao ‘take away’.

Um outro setor que está totalmente parado é o da organização de eventos, com os artistas a não conseguirem saber como será o dia de amanhã.

“Os artistas não podem expor, não há público, não há concertos, nem exposições”, lamentou, referindo que existiam “várias coisas programadas” que tiveram de ser desmarcadas, ou adaptadas à realidade virtual.

Nestas alturas, sublinhou, tem-se destacado o lado solidário da comunidade que tem procurado ajudar os portugueses mais velhos e que vivem em populações afastadas.

“Em França, durante dias e dias só se falava de máscaras, mas a população mais isolada não tinha acesso às máscaras. Fizemos algumas ações de entrega de máscaras e só isso ajudou estas pessoas a sentirem-se mais apoiadas”, acrescentou.

Atento a esta realidade, o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) tem vindo a manifestar as suas preocupações, nomeadamente com “os mais vulneráveis, idosos, cadenciados, desempregados e doentes”, disse à Lusa o presidente deste órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro.

Segundo Flávio Martins, a pandemia afetou várias empresas “por todo o mundo”, especialmente na área da construção e do comércio em geral, exceto o de alimentos.

SMM // VM

Lusa

(transcrição integral do texto publicado no site da Agência Lusa em acesso livre)