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Carta Aberta ao ministro das Finanças

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Exmo. Senhor,

Dr. MÁRIO CENTENO

M. I. Ministro das Finanças

Exmo. Senhor Ministro,

Os meus respeitosos cumprimentos.

Li, no mesmo jornal, duas notícias que me despertaram a atenção e me levaram a escrever a V. Exa..

Dizia a primeira:

“A Caixa Geral de Depósitos vai apresentar prejuízos que rondam os 2 mil milhões de euros, o valor mais elevado da história do banco público.

O antigo presidente da Caixa, José de Matos, dizia que o ano de 2016 seria o ano do regresso aos lucros no banco público. Mas a Caixa acaba por registar os prejuízos maiores da sua história muito por força das imparidades que o banco decidiu registar no âmbito do plano de recapitalização gizado por António Domingues e que está a ser executado por Paulo Macedo.”

E a segunda:

“O presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa, José Frias Gomes, admitiu que a instituição tem uma reserva financeira, explicando que esta se destina a assegurar financiamentos quando os valores dos donativos não cheguem para as necessidades.

José Frias Gomes reagia desta forma à notícia divulgada pelo Público, segundo a qual a Cáritas Diocesana de Lisboa tem, pelo menos há 10 anos, mais de dois milhões de euros em depósitos bancários, aos quais acrescem cerca de 320 mil euros investidos em obrigações.

Segundo o jornal, a instituição tem ainda imóveis contabilizados em quase 1,4 milhões de euros e averbou um lucro líquido de 119 mil euros em 2014 e 131.007 em 2013.”

Excelência,                                                 

Depois disto, lembrei-me de lhe escrever esta carta para lhe apresentar uma sugestão:

Porque é que V. Exa. não troca as administrações destas duas Instituições?

Os gestores da Caixa Geral de Depósitos recebem, diariamente, milhões e milhões de euros nos diversos balcões espalhados pelo país.

Alguns desses depósitos são obrigatoriamente feitos naquele banco por decisão governamental.

Sabemos que a imensa maioria desse dinheiro é entregue a ricos e poderosos como concessão de “créditos”.

No entanto, porque muita dessa gente não cumpre o contratado, essas entregas acabam por ser mais parecidas com dádivas do que com empréstimos.

No fim de cada ano o Estado tem de pagar, com “língua de palmo”, como dizia a minha avó, as más decisões dos gestores e a desonestidade dos clientes.

Já os gestores da Cáritas são muito mais cautelosos na entrega de dádivas aos pobres.

Claro que estes, é sabido, contentam-se com pouco e não são tão persuasivos como os ricos na altura de pedir dinheiro.

Falta-lhes a cultura, a apresentação (que também conta) é fraca, a linguagem é pobre, os argumentos são frágeis.

Limitam-se a falar de fome, de doenças, de necessidades primárias.

Os ricos falam de investimentos, criação de postos de trabalho, aumento das exportações.

E (há mesmo quem garanta) de comissões para os interlocutores.

Daí que as saídas de dinheiro da Caixa Geral de Depósitos sejam muito superiores ao concebível, levando a que, no fim do ano, os prejuízos atinjam aos dois mil milhões de euros.

Que todos pagaremos.

Já a Cáritas tem todo o cuidado, e contenção, na distribuição de dinheiro.

Segundo o Público, a instituição gastou, na ajuda aos pobres, em 2014, 147 mil euros, dos quais só apenas 11.314 correspondem a ajudas diretas, enquanto os donativos particulares recebidos rondaram os 325 mil euros.

Portanto, entregaram aos pobres somente um terço daquilo que a população lhes confiou para esse fim.

Um valor muito inferior ao gasto, nos ordenados dos gestores.

E eis como se pode ganhar milhões com a caridade.

Senhor Ministro das Finanças,

Será que V. Exa. já imaginou o senhor José Frias Gomes à frente da Caixa Geral de Depósitos?

O crédito malparado desapareceria pura e simplesmente.

O mais certo é que desapareceria qualquer um. Talvez com a excepção do concedido aos familiares, aos muito amigos e à Igreja.

Por sua vez os gestores da Caixa, pelos vistos uns mãos-rotas no que toca ao dinheiro dos outros, tornariam os pobres felicíssimos já que fariam o que compete a uma organização como a Cáritas e entregariam as verbas dadas, exclusivamente para esse fim, aos mais necessitados.

Ficaríamos todos felizes e seriam corrigidas duas situações absolutamente condenáveis.

Na realidade só mesmo em Portugal é que um banco do Estado pode dar prejuízo e uma organização caritativa lucro. Ambas na ordem dos milhões.

Será que só eu e que vejo isto assim?

Se for esse o caso peço desculpas a V. Exa. pelo tempo que lhe roubei.

Se o meu alerta servir para alguma coisa, e V. Exa. o aproveitar, aceitaria de bom grado um lugar na administração de uma das duas instituições ou, no mínimo, um aumentozito na minha reforma.

Creia-me V. Exa. com a mais elevada Consideração,

Vítor Ilharco

(in “Frasco de Veneno – 4ª Dose. “Frasco de Veneno” é o título genérico de uma série de livros publicados por este autor e esta crónica fará parte do IV volume (a quarta dose do veneno) que será publicado brevemente).

Cascais + violência

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Cascais volta a ser palco de violência. Depois do assalto na rua Direita que fez vários feridos entre o lojista assaltado, agentes da PSP e assaltantes, e que obrigou o Presidente da República a refugiar-se por precaução num hotel nas imediações, agora foi um ataque em grupo contra um adepto sportinguista.

Os agressores serão membros da claque No Name Boys (o pressuposto baseia-se na roupa com símbolos dessa claque que vestiam) e, segundo o relato policial, embora tivessem agido de cara tapada (máscaras cirúrgicas?) a vítima diz que consegue identificar alguns deles.

O grupo agressor teria cerca de 30 a 40 elementos e, de acordo com o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, os suspeitos agrediam a vitima, que se encontrava sozinha, quando um agente da PSP, em patrulhamento de prevenção criminal no local, se apercebeu da situação e interveio de imediato, altura em que os suspeitos cessaram as agressões e se colocaram em fuga em várias direções, não tendo sido possível intercetar nenhum deles.

“Apesar da oportuna intervenção do agente policial, que evitou consequências mais graves, a vítima sofreu várias lesões, sendo por isso transportado para uma unidade hospitalar”, refere a PSP.

É a segunda agressão em menos de duas semanas de adeptos dos No Name Boys contra elementos da Juventude Leonina. A primeira agressão ocorreu no dia 17, em Lisboa. Nessa altura, os desacatos aconteceram nas imediações do estádio de Alvalade. Os dois adeptos do Sporting foram internados no Hospital de Santa Maria em estado grave.

Se a tradição das claques se cumprir, a retaliação da Juve Leo já deve ter dia marcado.

A pantalha e as moininhas

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Há trinta anos assisti, na RTP, a uma cena daquelas que não dá para esquecer. Um pivô foi retirado da apresentação. Desatou a chorar como uma “maria madalena”. Podia ter ido chorar para a casa de banho, para um local mais recôndito da redacção, ou ter feito um esforço e aguentar-se até chegar a casa. Não, foi mesmo no meio da redacção. E chorou de uma forma copiosa.  O pivô em causa, apresentador de segunda linha, um homem já com alguma idade, estava, visivelmente, a sofrer de uma forma atroz. Ficou tudo atónito.

A pantalha afecta o discernimento de muitos dos nossos pivôs. Sejam homens ou mulheres.

Os actuais pivôs de primeira linha começaram como segundas ou mesmo terceiras linhas. Não pensem que são carreiras lineares, exclusivamente ditadas pelo mérito. Envolvem, nalguns casos, muitos outros aspectos – jogos de poder, medição de forças, fidelidades caninas, traições, facadas a eito, bastas vezes muita manha, falta de carácter e até sexo. As cadeiras da apresentação são cobiçadas de uma forma doentia e muitos pivôs vigiam-se, entre si, de uma forma apenas imaginável na selva. Jogadas acompanhadas e sempre cobertas pelas direcções de Informação. Aquilo é, genericamente, malta que gosta de aparecer na pantalha. É uma vida tranquila, mesmo muito tranquila, nalguns casos muito bem remunerada. Alimenta egos doentios.

Temos assistido, ultimamente, a comportamentos estranhos da parte de alguns pivôs, os quais começam, finalmente, a ser denunciados em alguns órgãos de comunicação social. Nunca se sabe quando é que um estúdio acaba transformado numa arena, num circo ou numa sala de espectáculos. Admito que, em casa, os telespectadores estejam muitos atentos, sempre à espera da maior das maluqueiras e que isso se transforme num aspecto aliciante. Viciante, mesmo. Estamos, na verdade, perante afrontas várias ao jornalismo, sob as mais diversas formas, incluindo os apartes, as considerações gongóricas, eternas, bem mais longas que as próprias respostas dos entrevistados, e a própria postura ameaçadora de um ou outro pivô.

Há pivôs que se acham acima de todos. Mais, acima de tudo. Estão cheios deles próprios. Melhor, fartos deles próprios. Andam naquilo há tanto tempo e de tal forma sem freio que perderam a noção do que fazem. O problema é ninguém lhes pôr travão. Já todos perderam a noção do ridículo, incluindo as direcções de Informação, as principais responsáveis pelo que se está a passar. Há bem pouco tempo tivemos na apresentação de um importante espaço noticioso, semana sim, semana não, alguém que não estava nada bem, em termos emocionais. Fizeram alguma coisa? Nada! Uma total falta de respeito pelos telespectadores. Mas, principalmente, uma enorme falta de respeito da hierarquia editorial pelo próprio pivô, que deveria ter sido de imediato retirado da função, assim se preservando a sua imagem e ajudando-o a cuidar da respectiva sanidade mental. Há mais pivôs a necessitarem de cuidados especializados. Estão à vista de todos.

A pantalha tolda-lhes as moininhas. Acreditem no que vos digo.

(o autor publica a mesma crónica no Jornal de Barcelos)

Isolamento social? Há quem viva assim a vida toda (entrevista em vídeo)

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PMM150309#Alvaro, Laurinda, Teresa, Isabel, Margarida and Vitor, in a reunion to make the first Litlle People Association of Portugal, all together in Lisbon.

Raul Tomé levou 8 anos a escrever um livro, o tempo necessário para conseguir entrar no “casulo” em que vivem fechadas as pessoas que sofrem de nanismo, uma doença que atrofia o desenvolvimento ósseo do corpo humano.

A obra, que resulta de uma tese de mestrado, intitula-se “Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho – Dinâmicas de inclusão e exclusão”, e aborda questões como a deficiência, o nanismo, o estigma, a exclusão social e, claro, a inserção profissional das pessoas com nanismo e as dificuldades que encontram no acesso ao mercado de trabalho.

“Este livro na realidade foi escrito por mim, mas não é nem nunca será meu”, diz o autor.

“O livro é das pessoas a quem se dirige, do bem que lhes possa fazer e da mudança social que possa operar”.

A entrevista com Raul Tomé.

Cascais, assalto quase apanha Marcelo

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O site cascais24 noticia que o Presidente da República teve de ser protegido pelos seguranças do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, no decorrer de um assalto violento em Cascais.

Tudo terá acontecido na terça-feira à noite, quando Marcelo se viu demasiado próximo da ação criminosa em que participaram várias pessoas armadas. O assalto foi a uma loja na rua Direita.

O Presidente foi levado para o Hotel Albatroz onde ficou até ser seguro regressar a casa. Em consequência da violência do assalto, o lojista teve que ser transportado pelos bombeiros à urgência do Hospital de Cascais.

Três agentes da PSP também ficaram feridos, embora apenas um deles tivesse necessidade de ser assistido na mesma urgência hospitalar.

A PSP acabou por deter três suspeitos, um dos quais também teve necessidade de receber posteriormente tratamento hospitalar.

Judiciária prende agentes da PSP

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São polícias nas horas de serviço e bandidos nas folgas, foram agora detidos no decorrer de uma operação da Polícia Judiciária.

Dois polícias foram detidos por pertencerem a uma quadrilha que operava em Lisboa e Setúbal. Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, a “Operação Dupla Face” destinou-se a desmantelar um grupo de criminosos que perpetrava assaltos violentos.

No total foram realizadas quatro detenções, indica o Comando Metropolitano de Lisboa, mas a operação “encontra-se em curso”.

Foram realizadas “mais de 30 buscas” e “constituídos mais de uma dezena de arguidos e diversas apreensões”.

A “Operação Dupla Face” investiga um grupo criminoso e violento, constituído por vários suspeitos, entre eles dois polícias, dedicando-se a uma série de atividades criminosas altamente lucrativas.

A investigação começou já há cerca de um ano e é dirigida pela Divisão de Investigação Criminal de Lisboa, sob a direção do Departamento Central de Investigação e Ação Penal da Polícia Judiciária.

Confinamento eterno

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O governo português e outros cinco países europeus, à semelhança do que a China fez, querem desenvolver aplicações para telemóvel que permitam rastrear os movimentos das pessoas, com quem nos encontramos, com quem falamos quando nos sentamos numa esplanada ou numa sala de reuniões no interior de um edifício qualquer.

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O combate à pandemia está a ter consequências muito para além da saúde, da economia, do ensino, enfim, muitos setores económicos e sociais têm sido afetados mas há questões de que ninguém fala e, com o tempo, serão as questões onde iremos ter maiores mudanças e consequências. Estou a falar, basicamente, da Liberdade.

O governo português e outros cinco países europeus, à semelhança do que a China fez, querem desenvolver aplicações para telemóvel que permitam rastrear os movimentos das pessoas, com quem nos encontramos, com quem falamos quando nos sentamos numa esplanada ou numa sala de reuniões no interior de um edifício qualquer.

Quais são os países: Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal. Este entendimento foi obtido numa reunião recente dos membros dos governos destes países responsáveis pelas áreas da digitalização… não foram ministros da saúde que acharam bem as aplicações de rastreamento… foram pessoas que trabalham na digitalização… no caso português estamos a falar do secretário de estado para a transição digital, ministério da economia e da transição digital.

Portanto, a motivação dos governos não é a questão da saúde pública… o que os motiva é a saúde da economia. Nada que na verdade não soubessemos já.

Mas estes membros do governo quando concordam em impor às pessoas o uso de uma aplicação que transmita em permanência onde estamos e com quem estamos, usam argumentos que podem ser válidos para as questões da saúde pública. Vou ler:

– “Com base nos trabalhos de epidemiologistas, encaramos a tecnologia como uma ferramenta útil do nosso tempo”

– “as aplicações de alerta e de rastreamento são um elemento importante na identificação das pessoas interligadas e podem limitar a propagação da doença e interromper as cadeias de transmissão, acelerando o processo de notificação das pessoas”

– O desafio “é desenvolver soluções técnicas eficazes para além das fronteiras dos Estados-membros, levando em consideração as especificidades nacionais”

Ou seja, a vigilância não ficará circunscrita ao espaço nacional, quando viajarmos continuaremos sob vigilância através dessas apliações que eles querem desenvolver – provavelmente já mandaram alguém produzir essas aplicações.

Em que é que isto colide com as nossas liberdades? Em tudo.

No início sei que a coisa será apresentada como uma necessidade para combater a atual pandemia, mas depois não será dificil encontrar novos argumentos, a saber: a necessidade de combater o terrorismo (todos somos suspeitos de sermos terroristas), a necessidade de conter sublevações da ordem pública (eles passarão a saber com rigor quem foi a uma manifestação), ou a necessidade de combater a criminalidade (todos somos assassinos ou assaltantes de bancos em potência)…

No início sei que a coisa será facultativa, até certo ponto… só usa quem aceitar, mas à medida que as pessoas se forem deixando convencer pela necessidade, pelo marketing e pela pressão social, quando esse número for relevante, passará a ser obrigatório sob um pretexto qualquer que na altura irão inventar.

É assim, vai ser assim, que seremos controlados.

No tempo da União Soviética, quando um estrangeiro chegava a Moscovo, entregavam-nos um impresso oficial que dizia no rodapé “é proibido perder este documento”. É proibido perder…

Daqui a um tempo, neste tempo de pós-democracia, iremos receber telemóveis que não poderemos perder com uma aplicação que não poderemos apagar. Será uma espécie de confinamento eterno.

Manifesto pelas Artes

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Todas as atividades económicas e sociais estão a ser afetadas pelas medidas de combate à pandemia covid-19, as artes e espetáculos não fogem a essa regra. Os museus só agora estão a reabrir, mas as salas de teatro, os cinemas, as exposições ainda continuam encerradas.

Milhares de artistas, atores, encenadores, técnicos e outros profissionais, continuam ser atividade e, em muitos casos, sem qualquer rendimento e sem qualquer apoio do Estado. E é neste capítulo dos apoios que a situação destas pessoas se diferencia da maioria dos demais.

Por causa disto, um grupo de pessoas lançou um manifesto que circula pela internet, que alerta os poderes públicos e políticos para reforçar “em todos os campos” as artes, aquando do levantamento das restrições às salas de espetáculos impostas pela covid-19.

Entre os primeiros signatários encontram-se o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, o encenador Castro Guedes, o escritor Fernando Dacosta, o artista plástico João Baeta, o cenógrafo José Carlos Barros, a psicanalista Luísa Branco Vicente, o musicólogo Mário Vieira de Carvalho, o economista Ricardo Paes Mamede, o programador cultural Nuno Higino e Luís Humberto Marcos, jornalista.

O manifesto pode ser assinado por quem quiser solidarizar-se com os artistas e demais profissionais do setor e a recolha de assinaturas irá prolongar-se online em artesalerta.com até domingo, pelas 20:00, para ser entregue “emblematicamente” a 1 de junho, dia de reabertura, ainda que previsivelmente com muitas restrições, das salas de espetáculo, durante a terceira fase de desconfinamento.

Os autores do manifesto, dizem saber que as transferências das expressões artísticas para o mundo digital é uma forma de manter as expressões artísticas perto do público, mas consideram que será errado subalternizar as artes em presença física.

Na missiva é ainda referido o papel da arte como “meio de combate à síndrome pós-traumática” da situação e “essencial às retomas económicas e sociais; e à preservação da condição humana: como dar uma flor a uma criança ou ser capaz de ir à Lua”.

“Será uma excelente oportunidade para fazer as artes e a cultura, em presença, saírem de um Estado de Calamidade, anterior à pandemia”, referem.

O documento será entregue aos presidentes da República e da Assembleia da República e ao Primeiro-Ministro, bem como à ministra da Cultura, grupos parlamentares de representação democrática, comissão parlamentar da área da Cultura e à Associação Nacional de Municípios para distribuição por todas as presidências e vereadores da Cultura das Câmaras Municipais portuguesas.

Um euro por português

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Se houve algo de evidente a retirar desta pandemia que nos tem afligido nos últimos meses foi a descoberta do pouco que cada português vale, na realidade.

Português que se preze tem sempre uma opinião abalizada, definitiva, incontestável que vai recolher na opinião publicada ou nos debates televisivos.

Opta por um jornal, ou por um comentador, e as opiniões destes passam a ser dogmas.

O facto do Quociente de Inteligência dos jornalistas, ou comentadores, que lhes servem de “mestres”, ser notoriamente abaixo do normal, apesar de ser evidente o baixo nível cultural da maioria dos que ocupam os espaços de opinião na nossa comunicação social, não impede que a maioria das discussões se decida com a frase: “é só leres o que o jornal diz” ou “foi o que ouvi na televisão”.

O jornal e a televisão passam à categoria de seres supremos.

Não quem nele escreve, não quem nela opina, mas “o” jornal e “a” televisão.

Os políticos sabem isso e, logicamente, temem a “opinião publicada”.

Porque, sabem, depressa se transforma em “opinião pública”.

Disfarçam dizendo que respeitam o pensar, ou o sentir, do Povo.

Na realidade só temem a imprensa.

O autarca, no caminho de casa para o local de trabalho, pode passar cem vezes com a roda do carro no mesmo buraco ao longo de meses. Este só será tapado no dia em que o jornal da terra publicar a fotografia com uma legenda de três linhas.

O deputado pode faltar cem vezes num ano, com a sua presença a ser assinalada por um companheiro ou funcionário, que só será obrigado a explicar-se se alguma estação de rádio der a notícia.

Um ministro pode ter um curriculum analisado e aprovado por todos os membros de todas as instâncias – muitos deles conhecedores de todo o trajecto do governante – até que um canal de televisão venha provar que o senhor doutor só tem o 12º ano. A partir daí tem que se explicar.

Estes escândalos foram diminuindo, ao longo dos anos, não por haver agora gente mais séria mas porque, actualmente, na maioria dos casos, são as administrações, e não os jornalistas, a ditar as regras de conduta das redacções.

Quem escreve não tem autonomia para além de redigir uma notícia nos moldes em que lhe é ditada.

A imprensa está, praticamente, na mão de multinacionais ou grandes empresas mais interessadas em que os seus jornais, rádios e televisões sirvam os seus interesses do que a verdade.

O Poder, que tem assim a possibilidade de conhecer bem quem são os seus potenciais inimigos, preocupa-se mais com a maneira de os satisfazer do que com a obrigação de governar em prol do bem público.

E mais fácil agradar aos magnatas da Imprensa do que a todo o Povo.

Só isto justifica o silêncio em relação aos milhares de milhões de euros roubados na banca – sem um único condenado – aos escândalos com desfalques astronómicos como os casos dos submarinos, siresps, Freeport, vistos gold, etc., etc., etc..

Os mesmos jornais que enchem as primeiras páginas com parangonas com assaltos a cafés, bombas de gasolina e supermercados esqueceram, há muito, os processos da banca, das empresas de telecomunicações, da corrupção de políticos.

Hoje, com a quebra de receita em vendas e publicidade, causada pela situação de pandemia em que vivemos, não tiveram os empresários da comunicação social, qualquer pejo em exigir (mas exigir mesmo) que o Estado os apoiasse com dinheiro.

Nem este teve qualquer problema em se ajoelhar e ceder.

Resta a consolação de sabermos que esta gente se vende por pouco.

Com onze milhões e duzentos e cinquenta mil euros o Governo comprou mais uns meses de notícias abonatórias.

Pouco mais de um euro por português…

Valha-nos a Santa Internet, e os jornais on line, refúgio dos que querem informação sem filtros.

Ana Gomes?

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Os partidos políticos serão, sempre, a base de qualquer democracia.

Em Portugal, porém, verificou-se uma profunda deterioração de regras de funcionamento, que conduziu a uma progressiva descrença na regeneração do nosso sistema político, sentimento hoje partilhado por milhões de cidadãos.

O mundo evoluiu vertiginosamente e os espectros partidários sofreram incríveis mutações, por toda a Europa.

Aqui, porém, assistiu-se à lenta agonia dos novos movimentos que pretenderam federar descontentamentos e protagonizar mudanças, todos caídos nos mesmos vícios das organizações que diziam querer substituir.

Perante estes fracassos, o poder ficou ainda mais à mercê de clãs de “jotinhas” sem ideias nem ideais, que apenas nos conduzem ao caos e a progressivo desajuste com o mundo real e com os valores tradicionais que fazem parte da nossa identidade.

Há quase um século que, em Portugal, as eleições presidenciais se revelam como estreitas nesgas para expor fragilidades e abanar poderes por demais incapazes de esconder o laxismo e até a incompetência e a corrupção.

Altamente condicionada por uma “censura” imposta pelos poderes político-económicos, é também nessas alturas que a comunicação social costuma libertar algumas pressões por demais conhecidas e denunciadas.

Foi perante a tentativa de silenciamento de um debate sério, sobre as alternativas que se colocam a Portugal nas próximas presidenciais, que surgiu a “revolta” de Ana Gomes, cidadã que conseguiu ganhar algum mediatismo na defesa de causas populares, não raro em confronto com poderosos.

Os atuais detentores do poder, jogando em sintonia, estão convencidos que as eleições de janeiro serão “favas contadas”.

Esta candidatura, porém, não lhes retira o otimismo.

Existe um caminho longo a percorrer e é possível que Ana Gomes se desligue das tricas do PS e apresente um projeto que possa mobilizar os milhões de portugueses que aspiram por um Presidente patriota, capaz de impor as mudanças inadiáveis, travar a pilhagem e repor o normal funcionamento das Instituições.

Um Presidente firme nas suas convicções, que preze o serviço público e valores como a Justiça e a Educação, que defenda uma classe média forte, que se distinga por uma vida em prole dos Direitos Humanos e no combate à exclusão social, que promova a investigação e a inovação, que respeite a ciência, a cultura e as artes nas suas diversas vertentes e que apoie intransigentemente o SNS.

Não por ânsia de protagonismo pessoal, mas na defesa intransigente dos valores sagrados consignados na Constituição que jurará defender, lançando um debate aberto e livre sobre todos os problemas do presente e os caminhos do futuro e congregando à sua volta todas as organizações da sociedade civil, partidos e não só, independentemente de serem popularuchas e da sua simpatia.

Ana Gomes, uma personalidade algo controversa, tem ainda algumas semanas para se revelar como polo aglutinador e não como mais um foco de divisão. Condição necessária a poder derrotar nas urnas um Presidente que se encontra altamente desgastado e que, até agora, só foi confrontado por cidadãos que se demarcam pelas posições que os portugueses mais detestam: demagogia inconsequente, racismo quase clubista e tiques de um fascismo que não volta atrás.   

Mergulhado Portugal num “pântano”, é com amargor que vejo crescer o predomínio de interesses convergentes que, firmes no seu castelo, continuam à prova dos “robins dos bosques” que, episodicamente, aparecem a rondar-lhes as muralhas.

Veremos, nas próximas semanas, se uma Ana Gomes serena, firme e sem crispações desaconselhadas, consegue entender os ecos da sociedade e rodear-se de pessoas que expressem a sentir e o querer de milhões de portugueses de boa vontade e de todos os quadrantes políticos.

Não precisamos de um candidato contra André Ventura mas sim de quem se proponha derrotar aquilo que Marcelo representa.

Se a candidatura de Ana Gomes não se vier a confirmar como renovadora e credível, poderá, contudo, vir a ser o ponto de partida para uma outra que possa vencer e presentear o povo português com um futuro que bem merece. 

Veremos o que o futuro próximo nos reserva.