Início Site Página 499

Futebol com público, sim ou não?

0

Quem aparece todos os dias na pantalha, passa à condição de “pessoa famosa” e começa a receber convites para estar em todo o lado. É o caso da diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, que foi vista ontem a participar na cerimónia do sorteio das competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

A bolinha que Graça Freitas tirou do saco preto foi uma espécie de cubo de gelo para as expectativas da Liga e dos clubes de futebol: não está garantido que os jogos tenham público nos estádios.

“O primeiro parâmetro é que a doença não esteja a circular de forma muito intensa. A intensidade da pandemia é que vai determinar a nossa capacidade de nos juntar. Todos desejamos que na próxima época o vírus tenha uma circulação controlada. Se isso vai acontecer? Não sei”, disse Graça Freitas. E quem fala a verdade não merece castigo.

Covid-19: situação agrava-se em Portugal e no Mundo

0

Seis mortes e 401 novos casos de infeção por covid-19, não é uma boa notícia para os portugueses.

Confirma-se, assim, a tendência que se verifica há cerca de uma semana para a subida dos índices da pandemia em Portugal.

O mesmo se passa em toda a Europa, de um modo geral. Em Espanha, por exemplo, ontem foram registados 3.781 novos casos, França registou 6.111 e na

Inglaterra o registo de ontem dava 1.522 novos casos. Ou seja, a proximidade com Espanha, a vinda de emigrantes de França e os turistas ingleses devem ser fatores que potenciam o aumento de casos em Portugal.

Seja como for, em Portugal os principais focos da pandemia estão em Lisboa e Vale do Tejo, com 182 casos (45%), e Norte que com 166 (41%) registam juntos a grande maioria dos novos episódios de infeção pelo novo coronavírus no país.

Ainda estamos no verão. Dizem que o pior ainda está para vir no final do outono e no inverno, épocas de excelência para a propagação de vírus.

Chineses compram sangue e lágrimas portuguesas

0

A junção da Mota-Engil com uma empresa chinesa, para se poder financiar, será um amargo engano para as expectativas portuguesas.

A moeda chinesa é para muitos uma engenhoca que tem permitido comprar empresas portuguesas ao preço de tiras de papel, se assim podemos simplificar.

A moeda de vários países como os Estados Unidos da América, Grã-Bretanha ou Portugal já não está -há muito tempo- indexada a valores reais como o ouro. O volume de negócios é enorme e não existe ouro suficiente para garantir essa correspondência. Existe apenas a garantia dos Estados.

O dinheiro que o Banco Central Europeu nos empresta ou oferece, com ar generoso, são meros números de computador ou tiras de papel de qualidade, para não poderem ser falsificadas. O Banco Central Europeu não tem qualquer fonte de receita que não seja a contribuição dos Estados e é muito murmurada uma alegada ordem de Draghi: “Passem as reservas de 1 para 3 mil milhões de euros no computador”.

Por sua vez os Estados imprimem dinheiro em conjugação com as politicas de equilíbrio do Banco Central Europeu e andamos de pescadinha de rabo na boca. Tenta-se assim manter os reais valores da economia e não os valores dos mercados. Embora os mercados se sobreponham à economia.

Tenho lido muito sobre esta matéria e tornei-me fã de Yanis Varoufakis, o ministro grego que mandou a Troika à fava.

Num livro que escreveu para explicar à sua filha a diferença entre economia e mercado, Varoufakis deixa claro que estamos presos por uma chusma de gente que não produz bens. Funcionários, policias, juízes, religiosos e por aí fora, que tiram partido do superavit. Ou seja vão ao bolo que nós produzimos. O pretexto é a ordem, a segurança, a legitimação do poder e por aí fora.

Estas subtilezas da economia e das finanças nunca foram explicadas, para que nós não entendamos o que são os mercados e quem nos vai ao bolso.

Abatemos os nossos barcos de pesca

No passado, Cavaco achou que deveríamos ser um país de serviços. E fizemos a troca por subsídios europeus. Melhor dizendo, trocámos coisas palpáveis por tiras de papel. Abatemos tudo. Acabámos com a frota de pesca, com o azeite, o leite. Aceitámos uma PAC – Plano Agrícola Comum e ficámos contentes com a massa.

Passou então tudo a vir do Brasil, Rússia, Índia e China para ser empacotado nos países europeus ricos com marcas chiques. Os portugueses, espanhóis e gregos ficaram com a escrituração.

A China aproveitou a ideia de a tornarem num grande mercado final de mil milhões de pessoas. Primeiro começou a produzir para os outros e depois para ela própria. Quem ao inicio mandava eram as multinacionais ferozes e sem pátria. Depois a China pediu para ter moeda à farta, para os chineses poderem comprar. E as multinacionais gulosas concordaram. E foi um pequeno passo até os chineses produzirem resmas da sua moeda. A última etapa foi trocá-la por dólares e euros. E pronto, os chineses afinal não eram parvos.

Passada uma geração, os chineses deixaram o chinelo e viajam agora pelo mundo e compram Portugal de alto a baixo.

Vende-se tudo até a cidadania

Esta foi a primeira pandemia. E não é necessário ler os livros todos de Varoufakis para perguntar: não seria melhor o Banco Central Europeu fazer o mesmo que os chineses fizeram policopiando tiras de papel? Ou ainda, porque razão a Organização Mundial do Comércio Livre permite que a China tenha trabalho escravo? Uma concorrência cruel e desleal. E quem deixa clonar todos os produtos? Porque se cala o Ocidente perante o esmagamento da cidade outrora livre de Hong-Kong, como se os tratados fossem para rasgar?

A Mota-Engil julga ter descoberto o ovo de Colombo. Mas quem o descobriu foram os chineses que dirigem os nossos bancos, a nossa saúde e até sectores estratégicos para a defesa nacional, como a electricidade.

E porque é que isto acontece? Porque há senhores a venderem o que é nosso. Coisas que foram construídas com suor e sangue de muitas gerações de portugueses, a ganharem salários miseráveis. Homens, mulheres e crianças fizeram hospitais, escolas, plantaram árvores e postes, meteram cabos, construíram estradas, arados e barcos, lavraram as terras, ergueram cidades inteiras.

E agora? Agora chegam uns senhores e compram um cartão de cidadão português, como quem compra um bilhete de cinema… e zás açambarcam a liderança de todas as empresas em função das estratégias de Pequim..

E os serviços de informação não reportam? E os deputados não pensam?

Para uma economia humana e saudável, Varoufakis receita o fim das contas off-shores e dos cofres privados alugados pelos bancos a portugueses nos subterrâneos da Baixa Lisboeta.

Sufocar com sacos de plástico

0

Há uns anos, os jornais e as televisões começaram a insistir em notícias alarmantes, não apenas sobre guerras ou atentados ou as falcatruas dos políticos, mas também sobre problemas ambientais. Foi a história da baleia morta que deu à costa numa praia espanhola com 29 quilos de plásticos no estômago ou as imagens dos enormes aterros a céu aberto onde se depositam milhões de toneladas de plásticos todos os dias ou o mar tépido da Indonésia cheio de plásticos flutuantes. Enfim, o horror, um Mundo a ficar soterrado e envenenado por plásticos.

A resposta da opinião pública europeia foi assertiva. A reação ao problema dos plásticos foi interessante. Surgiram várias organizações e movimentos, surgiram novos líderes e novas ideias.

Setecentos e cinquenta mil europeus assinaram uma petição contra a produção indiscriminada de plásticos que invariavelmente vão parar aos aterros, poluir os cursos de água e matar animais marinhos.

Em 2017, havia outdoors por todo o lado, imagens chocantes na imprensa, multiplicaram-se as conferências e as manifestações, formou-se opinião sobre estas questões.

Alguns meses mais tarde, em janeiro de 2018, a Comissão Europeia adotou uma proposta relativa aos plásticos que propunha medidas sem precedentes para reduzir os resíduos de plástico, incluindo a proibição de alguns plásticos descartáveis. A proposta seguiu para o Parlamento Europeu.

Em 2019, foi finalmente aprovada uma nova lei na União Europeia, que proíbe alguns dos piores plásticos em termos ambientais. As palhinhas, copos e talheres de plástico irão desaparecer já em janeiro de 2021.

A história, porém, ainda não acabou: neste momento, esta proibição de plásticos descartáveis está a ser implementada e promulgada em todos os países da UE, incluindo Portugal. Mas embora se trate de uma diretiva europeia, a implementação é da responsabilidade de cada um dos governos nacionais. E a industria está a tentar aproveitar oportunidades que sempre surgem circunstancialmente, com governos menos sensíveis com as questões ambientais.

A industria procura aliados por todo o lado, em Portugal o último movimento foi o da AHRESP, uma associação da hotelaria, que alega que a lei vai agravar a crise que surgiu com a pandemia covid-19. A crise é verdadeira, o argumento não. A crise existe porque a doença dificulta a concentração de muitas pessoas no mesmo local, atrapalha o turismo, obriga a novas regras de distanciamento físico e a novos hábitos de higiene e de comportamentos. Não tem nada a ver com o plástico. Mas a pressão sobre o Governo para protelar a entrada em vigor da Lei é evidente.

O muro

0

Lisboa têm agora um longo muro que mais parece uma prisão de oito andares em Alcântara, em cima do Tejo, e que marca o arranque da segunda fase da recente especulação imobiliária da cidade. O muro é a parede exterior um hospital privado e é considerado uma aberração.

Naquele local existiu a estação de recolha de camiões de lixo da Câmara e, por obra e graça de Pedro Santana Lopes, acabou na mão dos privados.

A ideia era construir um pequeno bairro típico com assinatura de um arquitecto famoso. Mas a volta foi dada. O mesmo aconteceu no Parque Mayer que nada valia quando foi comprado pelo senhor Névoa.

No Parque Mayer também entrou em cena Pedro Santana Lopes. Veio a ideia de colocar ali um Casino para reanimar o Parque e… zás! O Senhor Névoa trocou o seu Parque já valorizado por metade dos terrenos da Feira Popular. Mas isso é outra história, para contar mais tarde.

Os lisboetas já se habituaram a estas magias. Mas, apesar disso, vai ser difícil engolir aquele hospital que mais parece uma enorme prisão. Uma gigantesca bomba urbanística numa cidade gentil e rendilhada, como Lisboa.

A enorme muralha que agora se ergue em Alcântara transforma a zona num pavor, que nem a prisão de Alcatraz. E parece ter um objectivo claro. Abrir caminho às construções que já começaram junto à Ponte, na antiga fábrica do Açúcar – Sidul.

Consta que ali serão construídas três torres gémeas, para implodir urbanisticamente a zona ribeirinha ocidental de Lisboa, de casario baixo, muitas vezes modesto, mas típico e muito nosso. Aquelas construções aumentarão 100 vezes o número de automóveis numa zona imaginada para fruição. Iremos fruir para Loures, sem Tejo.

Porque ali vão aparecer centenas de apartamentos que ninguém conseguirá comprar, mas que serão vendidos não se sabe a quem. Parece um trocadilho mas tem sido uma constante nas últimas dezenas de anos.

Já o hospital nem sequer aproveita a vista panorâmica, no lado da frente, virada ao rio, numa primeira linha. Ou seja por detrás é um enorme e assustador muro. Pela frente é uma muralha branca com dois pirexes de vidro pouco generosos. O hospital é marca CUF – Companhia União Fabril, um grupo que vem dos tempos do salazarismo.

O País não precisa de tantos hospitais privados, porque pode financiar generosamente o Serviço Nacional de Saúde com os muitos milhões das lotarias, raspinhas e euro milhões..

Em resumo, temos centenas de prédios em ruínas ou desabitados em Lisboa e nas cidades e vilas do nosso País. E temos um Serviço Nacional de Saúde a precisar de se municiar para a segunda vaga de Covid-19. E o que fazemos? Nada! Alguém consegue explicar este contra senso?

O País podia seguir a política da Sesmarias (de 1382), que a Catalunha pôs agora em prática. Ou seja, os proprietários que não alugam as casas recebem metade das rendas de mercado durante 10 anos e ainda pagam uma valente multa.

Mas por cá nascem como cogumelos hospitais privados e apartamentos para ricos em tempo de vacas magras..

O País tem agora 750 mil desempregados.

É preciso acreditar…

0
É preciso acreditar, na voz de Luiz Goes

Eis o título duma canção de Luiz Goes que, em nova versão que me chegou hoje, muito me sensibilizou: até por que tive a felicidade de privar com o autor, médico e humanista como eu, e um cidadão exemplar e artista de rara sensibilidade que, talvez pela sua integridade e independência, depressa “passou de moda”.

Os autores do vídeo – boa gente de Coimbra isolada em tempos de pandemia – mais do que uma homenagem ou evocação, ousaram soltar um grito de alerta: “É preciso acreditar, que há de chegar a hora em que nos vamos abraçar de novo”.

Encerrados três minutos de oiro com esta mensagem de esperança, tão oportuna como necessária, encorajaram-me eles, logo pela manhã, a escrever uma crónica diferente.  Depois de meses e meses a denunciar graves falhas, erros e omissões na condução dos destinos do nosso país, é tempo de acreditar, mesmo que por entre as brumas da minha memória registe diariamente cenas que, ó Pátria, não levantam o esplendor de Portugal: refiro-me, entre outras trapalhadas, às repugnantes digressões à Holanda e Castela de altos responsáveis ou a cenas incríveis na gestão de saúde pública. Mas para quê continuar nesse registo negativo se, sem qualquer resultado, e sobre matéria sanitária, já em março avisava: “António Costa, pára, escuta e olha!…”

Difícil, no entanto, alimentar este meu otimismo matinal, quando aguardo, entre outras decisões sobre pretensos “crimes” que me são imputados, da decisão de uma vultuosa coima da ASAE que, numa “oportuna” primeira visita ao agroturismo que criei, e que merece classificações excecionais, entendeu ordenar “repor uma placa de proibição de fumar”, em parede exterior que estava a ser pintada. E também aplicar uma “pastilha” de milhares de euros, por tão grave e única infração…

Esquecidos hoje os contratempos, é meu desejo transmitir-vos apenas boas notícias, quase todas INCRIVELMENTE ignoradas pela comunicação social, mas que poderão contribuir para que possamos acreditar no futuro deste nosso Portugal.

Desde logo, realço a evolução do Museu de Arte e Colecionismo de Cantanhede, uma realização única no mundo e que, para além da preservação do nosso património artístico e histórico, muito poderá contribuir para o progresso daquela cidade. E o mesmo se passa em Setúbal, com a criação de um espaço ligado à arqueologia. Aproveito ainda para anunciar a criação do “Museu do Avental”, uma homenagem à mulher alentejana que, com essa indumentária tradicional, assim expressava o sua arte e orgulho, que não submissão ou obediência. Fosse outro tipo de aventais…

E por falar em mulheres, não resisto a falar das “manas Mortágua” por quem não morro de amores, mas com que me agradaria confraternizar, até para lhes repor algumas verdades, olhos nos olhos. Qualquer poder ilegítimo, como o do Estado Novo, legitima uma resistência proporcionada. O pai delas, Camilo Mortágua, hoje vilipendiado nas redes sociais por certa direita trauliteira e inculta, foi dirigente da LUAR, quase uma espécie de braço armado do PS durante o PREC. Era um patriota e pessoa de bem, com quem tive reuniões na defesa da democracia e de uma sociedade mais justa e que nos merece respeito.

Outra boa notícia foi a receção nas redes sociais ao meu comentário anterior “País de racistas?…”. Tendo merecido centenas de aplausos e apenas duas ou três críticas, assentes em erros de interpretação, deixo-vos agora parte da comovente prosa que aquela portuguesa, que como muitas outras deixámos para trás, me endereçou.

Com a permissão de Nawik Saraiva, tenho a certeza de que nenhum patriota português, seja de direita ou de esquerda, me contestará:

“Há dias, refleti sobre como certas pessoas têm o poder e a capacidade de cruzar o nosso caminho e deixar marcas tão poderosas, ao ponto de mudar o curso de nossa vida. Depois do texto que sobre nós escreveu, e ainda que tenha sido breve o nosso encontro, pude comprovar  a sua sabedoria, a sua paixão pelas pessoas e culturas e profissionalismo. O Dr. marcou a minha jornada nesta vida, enchendo-me de esperança e vontade de viver, fazendo-me crer que ainda existem médicos humanos e comprometidos com a verdade…”

Finalmente, outra boa notícia, é que nos próximos dias receberei seis músicos laureados em 2020, provenientes de diversos países e que, em confinamento e sem concertos, escolheram Portugal e a segurança da Casa da Urra como o local mais apropriado do mundo para umas semanas de lazer e criação. Tendo eu consultado a Internet, e para se ter ideia de uma iniciativa totalmente ignorada, posso anunciar que o menos “popular” desses artistas tem mais de 400 milhões de visualizações, na Internet. Em plena vindima e laboração da adega, por certo adorarão uma estadia e culinária imperdíveis, assim contribuindo para erguer Portugal.  

Como cantou Luiz Goes, é preciso acreditar, ainda que seja chocante o silenciar da comunicação e a irresponsabilidade e impreparação de muitos que administram os nossos destinos.

Bipolaridades

cartoon de Hélder Dias

Durante a entrevista, on the record, o primeiro-ministro disse que que iria esperar pelo relatório emitido pela Inspeção-Geral da Saúde. Foi o que apareceu transcrito na entrevista que o Expresso publicou.

Em off the record, depois da entrevista ter terminado, António Costa abdicou da postura de governante e disse que esses médicos eram “cobardes”. A frase gravada à socapa é  “o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia. E os gajos, cobardes, não fizeram”.

No dia seguinte, após uma reunião com a Ordem dos Médicos, o primeiro-ministro disse para todas as televisões que o quiseram transmitir, que apreciava inequivocamente o trabalho prestado pelos médicos, mas sem deixar de referir “que não podemos nunca confundir a árvore com as florestas, seja nos lares, seja a atuação de um médico, seja nos lares. Em relação a casos concretos, as autoridades competentes apurarão com a informação que já esta disponível”, reafirmou António Costa.

Na ocasião, o bastonário não teve oportunidade para reagir, ou não o quis fazer, mas pouco depois enviava uma carta a 55 mil médicos onde escreveu que Costa, ao contrário do que terá dito na reunião, em público “não relevou a mensagem de retratamento da mesma forma enfática que aconteceu na reunião”.

Salvar o Clima, manifestação convocada

0

Querem que seja mais uma grande manifestação na luta contra as alterações climáticas e foi hoje convocada para o próximo dia 25 de setembro. Será mais uma ação global inspirada na figura e na ação de Greta Thunberg, a jovem que inspirou milhões de outros em todo o Mundo para este combate.

Na convocatória no Facebook está dito que “toda a gente poderá participar de uma forma segura”, pelo que se adivinha que a ação global seja um somatório de ações individuais, ou coletivas mas de pequena dimensão, na rua ou na net, em que cada um dos participantes poderá expressar a sua condenação face à ausência de políticas concretas de defesa do ambiente.

Se bem se lembram, tudo começou com a greve às aulas à sexta-feira de Greta Thunberg, uma ação individual da ativista que resultou no movimento “Fridays For Future” (sextas-feiras pelo futuro).

No ano passado, a ação foi um sucesso, com grandes manifestações de rua em todo o Mundo no final de setembro. Este ano terá de ser diferente, devido à pandemia covid-19.

Num comunicado hoje divulgado, o grupo Salvar o Clima justifica a necessidade de continuar a lutar por esta causa, porque “tanto para o nosso governo como para as grandes empresas, o lucro continua a sobrepor-se ao nosso futuro”.

No documento, a defesa do clima passa “pelo fim das concessões para explorar combustíveis fósseis em Portugal, pelo investimento e a eletrificação da ferrovia; pela criação de um setor público que lidere o processo de produção de energia renovável, pelo cancelamento de quaisquer grandes projetos que acarretem um aumento de emissões de gases com efeito de estufa, pelo acesso equitativo a água potável e a alimentos, assim como pelo acesso à habitação de qualidade para toda a população”.

25 de setembro de 2020 será numa sexta-feira.

Covid-19: duas mortes e uma luz de alarme

0

Os números sobre a pandemia covid-19 de hoje fazem acender algumas luzes vermelhas. O alarme justifica-se não só pelas duas mortes registadas mas, sobretudo, pelos 362 casos novos registados.

A região de Lisboa e Vale do Tejo foi a que registou mais novos casos nas últimas 24 horas, com 214 infeções confirmadas, ou seja, 59,1% do total.

O facto de não haver divulgação dos números relativos aos concelhos, faz com que não se tenha uma percepção rigorosa daquilo que nos rodeia.

Os números de Lisboa e Vale do Tejo englobam, por exemplo, o surto de Vila Franca de Xira.

Ora, só em Vila Franca de Xira há notícia de 42 casos de infeção, todos no hospital: 19 doentes e 23 trabalhadores hospitalares entre médicos, enfermeiros e auxiliares. Neste surto já se registou a morte de um dos utentes do hospital, um idoso de 90 anos.

Em todo o país existem, no momento, 154 surtos activos: 60 na região Norte, seis no Centro, 66 em Lisboa e Vale do Tejo, 10 no Alentejo e 12 no Algarve.

Lisboa tem árvores que olham

0

Se nunca viu uma árvore a olhar para si, está na hora de reparar que, em Lisboa, há árvores com olhos.

Na verdade, os olhos das árvores não servem para as árvores nos verem mas, antes, para nós olharmos para elas.

Estranho? A arte pode ser estranha, realmente. Talvez os artistas Luke Egan e Pete Hamilton sejam um pouco excêntricos, não sabemos. Mas isso não importa nada, os olhos das árvores servem para nós fecharmos os olhos e refletirmos sobre as questões ambientais.

“Outro Olhar” é o nome da obra de arte assinada por esta dupla de artistas ingleses e que conta com 10 pares de olhos construídos a partir de tecidos recicláveis que são insuflados com ar natural.

Para ver árvores com olhos, dê uns passeios pelo Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade, Saldanha ou Cais do Sodré. É lá que estão as árvores que olham para nós.