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Covid-19: 45 mortos e Forças Armadas em estado de prontidão

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Hoje há o registo de 45 mortos e 2.596 novos casos confirmados de infeção covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

Dos 45 óbitos, 21 ocorreram na região Norte, 18 em Lisboa e Vale do Tejo, cinco no Centro e um no Alentejo.

Em relação aos internamentos, o número de pessoas hospitalizadas continua a subir, sendo agora 2.349 pessoas, mais 94 do que na segunda-feira, e destas 320 (mais 26) estão em Unidades de Cuidados Intensivos.

A região Norte continua a ter o maior número de novas infeções diárias, registando hoje mais 1.547 casos, na região de Lisboa e Vale do Tejo foram notificados 626 novos casos de infeção e na região Centro registaram-se 292 novos casos.

Alentejo, Algarve e regiões Autónomas tem poucos casos a registar.

Forças Armadas em estado de prontidão

O Governo colocou as Forças Armadas em estado de prontidão. A guerra é contra o covid-19 e o despacho assinado pelo ministro João Gomes Cravinho diz que “os ramos das FA contribuirão com os recursos humanos e materiais que se revelem necessários a apoiar as entidades competentes, no âmbito desta emergência de saúde pública”, sendo o Chefe do Estado-Maior General das FA incumbido de “reunir e ativar” os meios considerados necessários.

O primeiro-ministro, António Costa, propôs ao Presidente da República que seja decretado o estado de emergência “com natureza preventiva” para “eliminar dúvidas” sobre a ação do Governo para a proteção dos cidadãos.

O estado de emergência vigorou em Portugal no início desta epidemia, entre 19 de março e 02 de maio, na primeira vaga da pandemia.

De acordo com a Constituição, a declaração do estado de emergência pode determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias, por um prazo máximo de 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal.

A sua declaração no todo ou em parte do território nacional é uma competência do Presidente da República, mas depende de audição do Governo e de autorização do parlamento.

Em Portugal, onde os primeiros casos de infeção com o novo coronavírus foram detetados no dia 2 de março, já morreram mais de 2.500 pessoas com esta doença, num total de mais de 146 mil casos de infeção contabilizados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Galinha no Diário de Notícias

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Marco Galinha é o novo boss do Diário de Notícias, em particular, e da Global Media no seu todo. Depois da passagem mais ou menos infeliz do empresário angolano António Mosquito por este grupo de media, os mais distraídos poderão pensar que se trata de uma mera sucessão zoológica, mas não é bem assim.

Marco Galinha é mais um self-made man da região de Leiria (o que será que aquela terra tem?) e vem com ideias de transformar as coisas. A primeira ideia é fazer com que o Diário de Notícias volta a ser um jornal diário impresso em papel. À primeira vista, uma ideia perigosa em termos empresariais. A edição em papel de jornais e revistas está pelas ruas da amargura, com vendas a cair a pique e a tendência tem sido a de adaptar os títulos ao digital, com conteúdos de acesso livre e outros pagos, mas tudo no digital. Voltar ao papel soa a desvario de quem não sabe o que diz mas, mais uma vez, pode não ser bem assim.

Marco Galinha não é propriamente um novato na imprensa. Há dois anos que tem uma participação no Jornal Económico, tempo suficiente para alguém se arrepender mas, pelos vistos, não foi isso que aconteceu. Tentou, entretanto, concorrer à compra da Media Capital (TVI), mas acabou por não ir a jogo quando se acreditava que a Cofina tinha o negócio na mão.

Agora, o processo de aquisição da Global Media foi apreciado positivamente pela ERC. A luz verde surgiu no site dessa entidade reguladora no dia 28 de outubro, num relatório onde se explica que Marco Galinha, do grupo Bel, fica com cerca de 40% da dona do DN, JN e TSF, entre outros.

O mais interessante do relatório não é a conclusão, a ERC raramente existe para contrariar intenções empresariais, mas é a possibilidade de verificarmos quem é este empresário que a opinião pública desconhece.

Por aqui vemos que o forte do Grupo Bel de Marco Galinha é a distribuição e as máquinas de vending, aquelas onde enfiamos moedinhas para sacar garrafas de água, tabaco ou latas de coca-cola. Mas também entrou no setor industrial, com metalurgia e tecnologia espacial. Na área da Comunicação Social, é o patrão da Aximage (sondagens e estudos de mercado) e através da Megafin tem a participação no Jornal Económico já antes mencionada.

O que este relatório não diz, nem tinha de dizer, é se a expansão do Grupo Bel tem sido feita à custa de crédito bancário ou se este empresário anda a arriscar mesmo o seu próprio dinheiro. Mesmo sem pesquisar sobre este tema, sabemos qual a resposta. Depois da luz verde da ERC, não será a Autoridade da Concorrência que vai criar obstáculos à concretização definitiva do negócio, pelo que é a própria ERC, neste relatório, que nos dá já uma visão ampla da dimensão do empresário na Comunicação Social e nas outras áreas de negócio.

Sobre si próprio, numa entrevista à revista Visão, este empresário lembra aos restantes que foi campeão nacional de BTT, uma disciplina do ciclismo: “Eu vinha de campeão nacional de BTT e achava que queria ser campeão nacional nas empresas em Portugal. Eu sabia que era difícil mas não mais difícil. As regras são as mesmas: disciplina, organização, seriedade, não usar doping, ou seja, tinha de cumprir as regras”. E diz que assim tem sido.

Pão por Deus e outras coisas

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À hora a que escrevo está a terminar uma fase do ano que eu classificaria de especial pelo simbolismo de está carregada onde se congregam bruxas, e mortos, numa amálgama de tradições que remontam aos tempos dos bravos celtas, já lá vão uns 3.000 anos.

Pessoalmente não me lembro de ter alguma vez participado no Pão por Deus, acho mesmo que nunca me preocupei em dar alimento às almas perdidas. Mas há quem o faça na melhor das intenções dando seguimento aos que, em Lisboa, depois do terramoto de 1755, tomaram a iniciativa de ajudar os desalojados indo pedir aos que tinham escapado à catástrofe. Assim nascia o Pão por Deus que chegou até aos nossos dias vestido de outras vestes e em risco de se diluir perante o avassalador avanço do Halloween, essa outra tradição de origem pagã.

Pessoalmente acho pouca ou nenhuma graça àquela cena do Halloween importada dos Estados Unidos em grossos envelopes de agressivo marketing. Mas não tenho outro remédio senão aceitá-la. Tenho netos. Quem os tem percebe do que estou a falar.

Na minha condescendência até já recortei abóboras em caretas horríveis com uma vela acesa lá dentro que rapidamente teve de ser substituída por uma lâmpada eléctrica … de pilha. Aquilo lá ficou no seu sítio, a fazer de farol para melgas e outros viajantes noturnos.

Confesso que esta fase entre o 30 de Outubro e o 2 de Novembro me perturba um pouco apesar de, como já deixei claro, não ser um grande seguidor de tradições. A única que realmente ainda me incita o espírito e a memória é a do Natal que os meus pais teimosamente assinalaram todos os anos com a história que eu bebia com algum interesse sobre o Pai Natal que descia pela chaminé e depositava as prendas no sapatinho cuidadosamente depositado para o efeito.

O alvoroço era mais que furacão interior na minha alegre e despreocupada infância na terra onde o Natal é festejado em mangas de camisa, por muito que o competente presépio incluísse pedaços de algodão a fazer de neve.

Com a idade a atingir avançados números no calendário, sentado no banco da uma vida feita, municiado da respectiva tolerância e paciência, dou-me conta de que, afinal, ainda me emociono com a tradição quando recordo aqueles que deixei de ter ao meu lado, mesmo quando viviam noutros meridianos.

Os meus pais, avós, tios, primos e primas, familiares próximos, amigos, colegas de trabalho ou de profissão enchem-me a memória mais neste dia do que em todos os outros do ano, num desfile preocupante em que me sinto a progredir em direcção ao topo da fila. Não preciso de vestir de luto para sentir a dor da perda, o silêncio da ausência. Não preciso, no mais fundo de mim, de fazer uma saudosa – quiçá dolorosa -, romagem ao cemitério. Carrego na memória todos aqueles que se projectaram em mim, me preencheram pedaços da vida e seguiram para outros orientes, etéreos, extraterrenos, sublimes na minha grata memória.

Feitas as contas, ao herdarmos dos celtas os cerimoniais que enchem hoje o imaginário dos meus netos mais pequenos e ocupam o tempo e as finanças dos pais, porque o tal de progresso a isso leva, vamos assumindo o ritual transmitido pelos nossos ancestrais, com mais ou menos convicção.

Numa fase em que as nossas vidas deixaram de ser o que eram, se calhar não faz mal em aceitar novos pilares onde assentar crenças capazes de ocuparem o lugar de descrenças antigas e ir vivendo em estado de felicidade subjectiva. E voltamos ao básico.

Covid-19: 46 mortes e os feirantes podem trabalhar

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Portugal ultrapassou hoje os máximos de óbitos e internamentos por covid-19 desde o início da pandemia com o registo de 46 mortos e 2.255 doentes internados, 294 dos quais em cuidados intensivos, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Em relação aos internamentos, o número de pessoas hospitalizadas continua a subir desde há mais de uma semana, sendo agora de 2.255 pessoas, mais 133 do que no domingo, dos quais 294 (mais 10) estão em Unidades de Cuidados Intensivos.

Das 46 mortes registadas, 20 ocorreram na região Norte, 17 em Lisboa e Vale do Tejo, seis na região Centro e uma no Alentejo, no Algarve e na Madeira, respetivamente.

Feiras e mercados não ficam proibidos

O governo voltou atrás no que respeita às feiras e aos mercados de levante que, afinal, vão poder continuar a funcionar nos 121 concelhos sujeitos a medidas mais restritivas para conter a covid-19, caso tenham autorização das respetivas autarquias, confirmou fonte do Conselho de Ministros.

Eduardo Vítor Rodrigues e Fernando Medina, presidentes das áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, respetivamente, pediram hoje à Direção-Geral da Saúde (DGS) esclarecimentos sobre a proibição das feiras, preferindo que o caso seja tratado a nível municipal. No sábado, o Conselho de Ministros anunciou, após uma reunião extraordinária, que 121 municípios vão ficar abrangidos, a partir de quarta-feira, por medidas mais restritivas para conter a pandemia, entre as quais a proibição e feiras e mercados de levante

A corda rói pelo lado mais fraco

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Temos consciência da necessidade de adotar medidas para combater o crescimento do número de infetados do covid-19 que assola o nosso país nos últimos meses. Sabemos de antemão que um novo confinamento integral irá ser um descalabro para a economia.

Da última reunião do Conselho de Ministros  esperávamos com ansiedade o anúncio de medidas de prevenção ao elevado número de contágios. Aguardávamos medidas muito semelhantes a que países europeus já implementaram, e não foram muito diferentes: 121 concelhos em confinamento durante 15 dias, horários de fecho estipulados para estabelecimentos comerciais e restaurantes, mas o que surpreende pela negativa é o fecho das feiras e mercados de levante (espaços de comércio que se montam e desmontam). Inadmissível como se deixam centros comerciais abertos, onde já se comprovou em estudos que os riscos de contágio são maiores que nas feiras, porque o ar não se renova, e fecham espaços de comércio ao ar livre que se realizam em algumas horas…

O nosso governo, nesta altura, não deve ser seletivo, não se pode render aos grandes interesses económicos e fazer contas a receitas de impostos. Certamente que os centros comerciais têm mais trabalhadores e a receita contributiva é maior para os cofres do estado, mas nas feiras e mercados há milhares de famílias que igualmente contribuem com os seus impostos e que dependem do dia-a-dia para colocarem o pão na mesa. O nosso governo não pode discriminar cidadãos em função do valor que descontam, não podem ser sempre os mesmos a pagar as favas quando cientificamente se comprova que há menos risco de contágio nos mercados e feiras porque estes são realizados em espaços ao ar livre…

O confinamento da primavera trouxe enormes problemas económicos para todos os setores da sociedade, os feirantes pagaram bem caro o fecho dos mercados e feiras, foi um drama para a maior parte deles, pois dificilmente conseguiram aceder às compensações criadas pelo estado pelo excesso de burocracia no tratamento dos documentos requeridos. De março a junho uma boa parte dos feirantes teve que contar com o que tinham e não tinham para colocar comida na mesa, as “almofadas financeiras” duraram menos de um mês e tiveram que recorrer à solidariedade de familiares e de instituições. Sabe-se até que os mais velhos das famílias tiveram que abdicar do dinheiro das suas reformas para pagar os medicamentos para que o pedaço de pão não faltasse nas mesas.

Quando reiniciaram a atividade em junho foi outro problema, estávamos quase em pleno verão, apenas tinham material de inverno para vender. Sem dinheiro para comprar novo material, foram momentos difíceis para uma boa parte deles que sem ovos tiveram que fazer omeletes. Agora, quando alguns feirantes se estavam a recompor, vem mais um “tremor de terra”…

Este governo não pode ser tendencioso, a saúde pública está em causa para todos, com os efeitos colaterais económicos e sociais. A corda não pode roer pelo lado mais fraco. Se nos centros comerciais se asseguram as regras de prevenção através dos seguranças e vigilantes, nas feiras e mercados a mesma monitorização pode ser realizada pela polícia municipal ou fiscais das juntas de freguesia e municípios. Se for preciso diminuir espaços de venda para que a distância assegurada seja mantida que assim seja. Se os feirantes só podem atender 3 ou 4 pessoas de cada vez, que assim seja…

O covid-19 não tem uma apetência especial pelos mercados e feiras, ele é bem democrático no contágio embora depois as medidas de combate à pandemia sejam injustas e antidemocráticas, porque neste país uns são filhos e outros enteados…

Adão e Eva?

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A frondosa “árvore” da Arqueologia sempre me atraiu: por proporcionar histórias fantásticas e um constante tropeçar em segredos ocultos; pelos ramos que projeta sobre mistérios ainda por revelar; mas, sobretudo, por abrir novas pistas para uma melhor compreensão da génese do pensamento humano… de onde viemos, onde estamos e para onde vamos.

Tendo apreciado, ao longo da minha vida, inúmeros artefactos de quase todas as civilizações e épocas, esta é a altura certa para tecer comparações e extrair algum “sumo”: não uma “xaropada artificial”, adocicada com diletantismos detestáveis; antes um “extrato” despretensioso, isento de “corantes e conservantes”.

Nem podia deixar de ser assim. O território é tão fértil e a “produção caseira” tão abundante que, embora a necessitar de cuidados, toda a nossa “fruta” dispensa aditivos. Um clima privilegiado, a não concorrência com outras espécies, uma orografia que permitiu bons abrigos e o “confinamento” imposto pelo oceano facilitaram suaves povoamentos que aqui deixaram marcas geniais. Portugal é, de certeza, um dos países mais ricos do mundo, em achados arqueológicos.

Eis uma pequena amostra de um conjunto de milhares de peças do Paleolítico, porventura a mais copiosa e variada “jazida” encontrada numa só “estação”, em todo o planeta. Preservada desde há décadas, na sequência de uma abusiva extração de areias destinadas a cimento, toda esta “Pré-História” passou, entretanto, por estórias incríveis. 

Evitando páginas que ferem consciências, resumo a saga recente desta coleção a três frases: foi corajosamente salva, perante a intimidação ou mesmo o saque de diversas entidades, então alertadas; apesar de ulteriores tentativas, a “ciência oficial”, na aparência comprometida a orientações superiores, nunca ousou “tratá-la”; pior ainda, a “cultura vigente”, servida de quadros legais que permitem leituras transviadas, ainda hoje confunde este “resgate in extremis” com atos de pirataria. 

Um verdadeiro sarilho, num país moderno que é confrontado com um “achado” fabuloso, não obstante já estar irremediavelmente desenquadrado do local de origem, onde devia ter merecido oportuna “autópsia”. Um conjunto que, ainda assim, encerra “novidades” que devem promover uma profunda reflexão técnica, pois sugere uma das mais antigas “oficinas paleolíticas” do mundo e indicia a passagem de hominídeos, pelo nosso litoral, durante centenas de milhares de anos. Até à ocorrência de um cataclismo, muito mais recente, talvez há trinta mil anos…

Pela sua morfologia e composição, estes artefactos apontam ainda para que o povoamento da Europa se tenha iniciado pelo Estreito de Gibraltar, a partir dos povos berberes. Nada que surpreenda, porque esta é a tese recentemente adiantada por autores que se baseiam em estudos genéticos e que põem em causa a “verdade científica” de sermos caucasianos, tal como a generalidade dos europeus.

Longe de mim, um amador em áreas em que deve dominar a ciência, ousar promover opiniões mal fundamentadas, muito menos pôr em causa pessoas ou instituições em concreto. Porém, de tudo quanto vi até hoje, posso garantir que muita da nossa melhor arqueologia se encontra ainda por referenciar e na posse de particulares. Preocupado em “salvar” esse património, há muitos anos que procuro estancar o fluxo de algumas dessas peças para o estrangeiro, adquirindo-as e doando-as a entidades em que confio. Nos últimos meses, contudo, talvez devido a problemas de tráfego e dificuldades financeiras, têm-me sido exibidas peças incríveis, antes inimagináveis.

Estas são as imagens de duas “urnas funerárias” quase intactas, que há semanas me foram presentes para avaliação. Terão sido encontradas há cerca de setenta anos, perto de Chaves, por um arqueólogo amador. Não sendo perito, calculo que estas obras geniais possam ter sido criadas entre 4000 a 2200 AC.

“Património da Humanidade”, esta “Eva” e este “Adão”, bem “portugueses” antes de Portugal, mais do que peças raras que só nos podem encher de orgulho, espelham de forma soberana o feminino e o masculino, uma constante ainda presente na matriz sociocultural do nosso povo.

Um bom pretexto para, ligando tudo numa numa próxima crónica, desenvolver um tema bem polémico… que é a “igualdade de género”. Afinal, mais uma oportunidade para nova “excursão espiritual” em tempos de confinamento físico.

Aos 14 anos deram-lhe uma metralhadora

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Ando preocupado com o Senhor Favor, por causa dos ataques islâmicos no norte de Moçambique. Ele é poeta. E um padre ofereceu-lhe um livro do americano Walt Whitman. Nas nossas conversas misturou sempre poemas de Walt, versos seus e diálogos com ratos do campo. Os bichos traziam-lhe notícias vindas de longe. O Senhor Favor desde cedo tornou-se também perito em política internacional, por ter um Sony multi-ondas. Para captar a RFI, a BBC e mais.

Quando era miúdo acartou sacos de arroz para a Frelimo. Cresceu e deram-lhe uma AK-47, como atestado de maioridade aos 14 anos. Depois passou-se para a Renamo, porque os grandes da Frelimo foram viver para Maputo, junto dos sul-africanos. Para terem uma vida boa.

Passei longas horas em Maringué com este homem sábio. Eu não fumava. Mas o senhor Favor partia o cigarro artesanal ao meio. Eu lá me engasgava e tossia, mas satisfeito.

“Nada mais tenho” e sorria. Falava de Gebuza, de Durão, de Delors e depois de Obama e do G7 e do G20. E eu ouvia. “Vai mais uma metade?” Ó senhor Favor…“Ora, aceite por favor!” e ria com o trocadilho. Acompanhávamos as fumaradas com chá de menta e um pingo de lixívia.

O senhor Favor declamava Whitman. “Estranho! se ao passar, tu me encontrares e desejares falar comigo, porque não falar comigo? E porque não falaria eu contigo?” Brilhante. Uma amizade forte constrói-se com palavras simples.

Antes do anoitecer, antes do amanhecer

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Antes do anoitecer

Pus o filme a correr e avancei para o sono. Gosto de virar costas ao ecrã, seguir os diálogos até as vozes de calarem. Por volta das três da manhã deixei as pestanas caírem.

Acordei muito antes do despertador. Pus a nova cafeteira ao lume (a antiga morreu no final do confinamento), bebi uma caneca à janela, o dia estava quente, invadido pelo sol. Que bom.

Estendi cá fora a roupa que teimou em permanecer húmida, não obstante a temperatura máxima da máquina de secar. Agradeci ao sol a gentileza.

Engoli um sumo, peguei na mala, na máscara, no casaco verde, bem quentinho. Saí há pouco de uma constipação, não posso facilitar.

O Rossio estava movido, os Restauradores deixavam ver o verde quase infinito da avenida. Segui pela Rua da Palma, cheguei ao Intendente. Pouca gente, nenhuma gente que conheço, este largo já não é o meu. Subi a Almirante Reis, encontrei os frascos com tampas vermelhas para as especiarias. Não posso mais ver na bancada tantos sacos e saquinhos de plástico.

Comprei uma camisola bordeaux que vai bem com os meus batons mas o maldito vírus levou-me esse hábito, quando tiro a máscara os lábios estão meio esborratados. Pode ser efémero mas gosto dos meus batons fortes, detesto máscaras.

Comi uma salada, fiz sopa de legumes, um conforto quentinho para o jantar. Pus-me a falar online com amigos e as pestanas começaram a cair. Enrolei-me no lençol fresquinho, acordei com o primeiro alarme, levantei-me ao segundo. Uma sesta de hora e meia e saltei da cama revigorada. O dia continuava à janela mas pouco depois a noite raptou a luz, ainda não eram sete horas. A escuridão invadiu-me, a boa disposição escapou-me. Que maldade. O Inverno não chegou oficialmente mas entrou pela clandestinidade com a mudança de hora.

Olhei para os documentos que tinha de enviar e deixei-os estar. Não tive cabeça para continuar as conversas online, não tive coragem para arrumar a roupa de Inverno, não pus os edredões lavados na cama nem fiz a caminhada depois do jantar. Parecia que eram duas da manhã. Aproveitei a luz de dia ao máximo mas a noite precoce acabou por me roubar a energia. Não faz mal, amanhã chego outra vez a horas ao sol. Não me posso atrasar, a escuridão é pontual.

Antes do amanhecer

Acordo às sete, ainda é noite. Bebo o café à janela de frente para a escuridão. Regresso à cama, são só cinco minutos. Não foram, foram muitos mais, perdi comboios atrás de comboios para apanhar a luz do dia. Fujo da cama atrás dela, escolho uma fatia de bolo calórico no café. Três anos nas ancas, três minutos de prazer. Precisei dele. O sol está preguiçoso, eu também. Compras comigo, largo o supermercado, o sol larga-me com rapidez.

Passo pela fila invisível dos turistas à espera do 28. Do outro lado há uma fila bem visível dos sem abrigo à espera de uma refeição quente. Nem o maldito vírus nem o Inverno conseguiram acabar com ela. Apanho as escadas rolantes da Saúde, a praça fica cada vez mais longe, cada vez maior, mais feia. O Martim Moniz é feio, tão feio, é urgente um verde para que se possa respirar por entre o betão que ali reina.

Abro uma garrafa de vinho e peço ao Chico Buarque para cantar para mim.  Assim fez e antes de sair deu-me um abraço. Abraço a escuridão. Depois da visita da vizinha consegui finalmente acabar o filme da espia russa que passou para os EUA, depois para a Rússia mas ao serviço dos EUA. Uma indecisa. Passei os olhos pelas minhas séries preferidas, uma delas tinha um episódio novo. Fiz um chá e entrei nas três gerações daquela família que assistiu à morte do George Floyd e vive num mundo de máscaras. Tinha abraçado a noite mas a actualidade do episódio trouxe-me de volta à dura claridade destes tempos modernos. Sentei-me na mesa e comecei a escrever. A meio do texto a luz disse-me bom dia.

Covid-19: 37 mortes e feirantes sem trabalho e sem pão

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O boletim epidemiológico de hoje da Direção Geral de Saúde contabiliza mais 37 mortos e 3.062 novos casos confirmados de infeção covid-19.

Das 37 mortes registadas, 20 ocorreram na região Norte, 12 em Lisboa e Vale do Tejo, três no Centro e duas no Alentejo.

Há dois dias que os números relativos a novas infeções estão a baixar, embora se mantenham elevados, assim como se verifica igualmente uma ligeira tendência de diminuição do número de mortes.

Em relação aos internamentos, o número de pessoas hospitalizadas continua a subir há cerca de duas semanas, sendo agora 2.122 pessoas, mais 150 do que no sábado.

Nas últimas 24 horas são menos dois os doentes internados nas Unidades de Cuidados Intensivos, totalizando 284.Mas a subida foi acentuada durante toda a semana e é pouco provável que este índice vá baixar já.

Feirantes prometem luta

O presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes acusou hoje o Governo de “tirar o pão aos feirantes” por proibir, a partir de quarta-feira, as feiras em 121 municípios no âmbito das medidas para travar a pandemia. Com esta proibição, “fecham as feiras e mandam os portugueses para recintos fechados até às 22:00”, afirmou Joaquim Santos, considerando que “esta decisão é uma vergonha num país democrático”. Segundo este dirigente associativo, a atividade envolve um número muito acima das 200 mil pessoas.

Em declarações à agência Lusa, Joaquim Santos, acusou o Governo de “deixar ficar para trás milhares de feirantes” e prometeu “uma grande surpresa em Lisboa na próxima semana”, precisando que “vão pedir para trabalhar”. Joaquim Santos afirmou que a decisão do Governo é “lamentável e discriminatória”, representará “uma aniquilação da atividade” e terá “consequências gravíssimas, uma verdadeira pandemia social”, entre os feirantes.

“Só sairemos de Lisboa quando tivermos a certeza que podemos feirar”, disse.

Duas outras medidas aprovadas no sábado abrangem todo o território continental e não apenas estes 121 concelhos: limitação de grupos de seis pessoas nos restaurantes e prolongamento da situação de calamidade por mais duas semanas.

Fórmula 1 não voltará a Portugal em 2021

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No calendário dos Grandes Prémios de Fórmula Um (F1) para 2021 apresentado recentemente, o nome de Portugal não consta das 23 provas seleccionadas, entre as quais a estreia do G.P. do Vietname, em Hanoi. E está em discussão a hipótese de a F1 ir a Miami nos Estados Unidos. Boas notícias para os accionistas do negócio da F1.

Como em muitas outras situações, Portugal vê perder posições conquistadas nas mais diversas áreas por questões de dificuldades financeiras. Foi assim que se deixou ter o Grande Prémio no Estoril a partir de 1996. Falta de dinheiro.

Tudo parece indicar para já que os adeptos da F1 vão voltar a ter mais mais uns anos de ausência dos bólides em Portugal.

O evento do passado dia 25 de Outubro em Portimão com o tão ansiado retorno da F1 a Portugal levantou imensas discussões pelo facto de o Governo ter autorizado a presença de espectadores no máximo de 27.500, na condição de que fossem acauteladas todas as diretivas das autoridades sanitárias. Os homens do futebol fizeram ouvir as suas razões argumentando disparidade de decisões para eventos idênticos.

Ainda não foram apresentadas contas mas alguns observadores regulares da F1 admitem que pode ter havido um prejuízo substancial da ordem das dezenas de milhões e que o impacto da prova no incremento do turismo não terá projecção no tempo futuro. Sobretudo agora que se sabe que o nosso GP não se realizará.

Ao mesmo tempo convém lembrar que a pandemia que vivemos actualmente provoca avanços e recuos que levam a uma considerável dose de insegurança no lançamento de projectos futuros. Portugal, juntamente com todos os restantes países da Comunidade vê-se forçado a priorizar a questão da Covid-19 em prejuízo de outras iniciativas, tal é a fluidez em que se vive nestes dias. O calendário apresentado poderá não ser o efectivo.

Moto GP com ou sem?

É neste contexto que se realiza outro grande evento do desporto motorizado, o Grande Prémio de Portugal de MOTOGP, onde estarão presentes os maiores pilotos de motos do momento em cuja lista está incluído o piloto nacional Miguel Oliveira.

Volta a levantar-se a questão do público sendo certo que os adeptos das motos são muito voluntariosos em deslocarem-se dos mais longínquos locais para seguirem os seus “deuses” das duas rodas.

O efeito Miguel Oliveira vai necessariamente levantar o dilema de o público ser admitido para apoiar o nosso representante nacional ou, por outro lado, reduzir drasticamente a presença de espectadores no caso de se registar aumento dos valores da pandemia.

A prova, agendada para 20 a 22 do corrente mês de Novembro, será a última do Campeonato deste ano. Significa isto que Portugal será chamado mais uma vez a definir um título mundial, o que não deixa de ser marcante do ponto de vista desportivo.

Miguel Oliveira

(nota da redação: Entretanto, o primeiro-ministro António Costa já divulgou a decisão do Governo de não autorizar a presença de público no MotoGP que terá lugar no final de novembro, no Autódromo Internacional do Algarve. Os argumentos do Governo são o comportamento do público na prova de Fórmula 1, nas palavras do primeiro-ministro “absolutamente inaceitável e irrepetível” no contexto de pandemia em que vivemos).