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Covid-19 na empresa intermunicipal Tratolixo

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A progressão da pandemia está a afetar toda a gente, das escolas às empresas, dos lares aos hospitais, não há setores que não estejam em estado de emergência como, de resto, está o país. Todos os cidadãos estão a receber avisos nos seus telemóveis que pretendem sensibilizar as pessoas para os mais elementares cuidados a ter para tentar evitar o contágio: uso de máscara, desinfeção das mãos, distanciamento físico, etc.

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Quem tem filhos na escola, seja qual for a idade deles e o nível escolar que frequentem, sabe bem que há casos de contágio em muitas escolas, quem trabalha conhece casos de colegas que estão ou estiveram contaminados. Enfim, nas redes sociais há muitos ecos da pandemia, é fácil tropeçar em casos como o desabafo que “interceptámos” de um seguidor da página Saloia TV do actor Guilherme Leite

Saloia TV, Facebook

Segundo um comunicado divulgado pela Tratolixo em 16 de outubro, a empresa detetou 30 trabalhadores infetados com covid-19. “No final da semana passada, depois de se registarem 3 casos positivos no Ecoparque de Trajouce, a empresa decidiu realizar testes por PCR a todos os colaboradores deste Ecoparque, assim como a todos os colaboradores de outras empresas que prestam serviços neste Ecoparque. Os resultados dos testes apresentaram 30 casos positivos, que entraram de imediato em quarentena”, diz o comunicado da empresa.

O Ecoparque de Trajouce fica em São Domingos de Rana, Cascais, mas a Tratolixo tem instalações nos concelhos de Mafra, Oeiras, Sintra e Cascais. É, aliás, uma empresa intermunicipal, e há trabalhadores que transitam diariamente entre os vários polos da Tratolixo, nomeadamente os que transportam os resíduos para as instalações de Mafra, na Abrunheira, onde se processa o tratamento destes residuos.

Em outubro, segundo o mesmo comunicado, “todos os trabalhadores da Abrunheira (Mafra), que estão ao serviço e que quiseram ser testados, realizaram o teste PCR… (…) … e somente se verificou 1 teste positivo.”

Em 4 de novembro, na sequência do alerta recebido pela Saloia TV no Facebook, solicitamos à Tratolixo um ponto de situação sobre os casos de contágio na empresa. A empresa respondeu-nos, admitindo que “no dia 25 de outubro, foi-nos comunicado que 2 colaboradores de um fornecedor da TRATOLIXO que opera no Ecoparque da Abrunheira tinham testado positivo para a COVID-19. De imediato, as instalações foram desinfectadas durante o fim-de-semana”, garantiu o gabinete de imprensa da Tratolixo no esclarecimento enviado por email.

A empresa diz, ainda, que suporta o custo com os testes covid a todos os trabalhadores e garante que os que tiveram resultados positivos só regressarão ao trabalho depois de terem um teste negativo, embora as mais recentes regras da Direção-Geral de Saúde não obriguem a tanto. Todas as situações existentes na empresa têm sido reportadas às autoridades municipais de saúde. A Tratolixo garante que não existe nenhum foco da pandemia na empresa e que todos os casos surgidos tiveram origem no exterior. No entanto, sabemos que o manuseamento de lixo sempre foi uma atividade de risco para a saúde dos trabalhadores e com o covid-19 esse risco tornou-se exponencial.

Let’s make America great again!

À hora em que publicamos o cartoon de Hélder Dias, a situação eleitoral nos EUA é a que podemos ver no quadro abaixo. O candidato verdadeiramente democrata segue na frente e todo o Mundo democrático espera que assim continue.

O que se passa nos Estados Unidos da América tem influência no resto do Mundo, para o bem e para o mal. Foi depois de Trump ter sido eleito que o Mundo viu crescer uma onda revanchista da extrema-direita política, nomeadamente na Europa.

Sem Trump não teríamos o deputado Ventura, por exemplo. É o bafo fascista que vem da América que empolga os chegófilos.

Vá de retro Belzebu! Xô xô xô!!

Covid-19: mortes aliviam cuidados intensivos e novo estado de emergência

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Portugal contabiliza hoje mais 46 mortos e 4.410 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A DGS indica que das 46 mortes registadas nas últimas 24 horas, 20 ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, 17 na região Norte, oito na região Centro e uma no Alentejo.

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim revela que estão internadas 2.363 pessoas (mais 25 do que na quarta-feira). Em cuidados intensivos estão 320 pessoas, menos cinco que ontem, o que pode estar relacionado com o aumento do número de mortes. Se os doentes nos cuidados intensivos morrem e não são logo substituídos por outros, o número baixa.

Os casos confirmados distribuem-se por todas as faixas etárias, situando-se entre os 20 e os 59 anos o registo de maior número de infeções. Contudo, o maior número de óbitos continua a concentrar-se nas pessoas com mais de 80 anos.

Vem aí novo estado de emergência

O primeiro-ministro, António Costa, convocou para sábado uma reunião do Conselho de Ministros extraordinário para “concretizar” as medidas previstas no projeto de decreto presidencial do estado de emergência, que será votado sexta-feira no parlamento.

No sábado passado, o Governo esteve também reunido em Conselho de Ministros para aprovar um conjunto de medidas para o reforço da prevenção da covid-19 e, nessa altura, o primeiro-ministro anunciou que iria propor ao Presidente da República a declaração do estado de emergência nos concelhos com maior taxa de contágios com o novo coronavírus.

De acordo com a Constituição, a declaração do estado de emergência no todo ou em parte do território nacional é uma competência do Presidente da República, mas depende de audição do Governo e de autorização do parlamento.

O estado de emergência já vigorou em Portugal durante esta pandemia, entre 19 de março e 2 de maio, com duas renovações, por um total de 45 dias.

Assim, o Presidente da República enviou um diploma sobre esta matéria para a Assembleia da República que irá, agora, votar essa proposta.

O novo estado de emergência proposto pelo Presidente da República não permite o confinamento compulsivo, ao contrário dos anteriores, e tem como novidade permitir testes de diagnóstico do novo coronavírus obrigatórios para acesso a determinados espaços.

Também não há qualquer suspensão do exercício dos direitos de circulação internacional, de reunião e de manifestação, de liberdade de culto na sua dimensão coletiva, do direito de resistência, nem do direito à greve, como houve nos 45 dias no anterior estado de emergência. As escolas e as empresas não fecham nem os organismos públicos. Mas, nas suas deslocações, toda a gente tem de ter um comprovativo que as justifique. Repete-se a interdição de deslocações na via pública que não sejam justificadas.

A principal novidade do decreto é a possibilidade de poderem ser realizados controlos de temperatura corporal, por meios não invasivos, assim como a realização de testes de diagnóstico de SARS-CoV-2, para acesso e permanência em determinados locais.

Quando o Estado falha

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Um milhão e quatrocentas mil pessoas prescindem de uma profissão, de um modo de vida, de um emprego, para cuidarem de familiares incapacitados. São os chamados “cuidadores informais”, tratam dos pais, avós ou filhos que por doença ou acidente são pessoas dependentes, sem possibilidade de sobrevivência sem o apoio que os cuidadores informais lhes prestam.

Quem paga este trabalho? Ninguém. Eles substituem o Estado quando o Estado se ausenta e, como tal, prestam um serviço ao Estado, porque é ao Estado que cabe o dever de cuidar dos seus cidadãos.  

Nos últimos meses, devido aos efeitos da pandemia covid-19, que provocou o colapso de muitas respostas sociais, aumentou o número de cuidadores informais.

Um inquérito nacional da responsabilidade do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais dá conta desta situação. O estudo vai ser hoje apresentado, em Lisboa, no decorrer do Encontro Nacional de Cuidadores Informais, precisamente no Dia do Cuidador Informal.

Em declarações à agência Lusa, uma responsável da Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI), que integra o movimento, destacou como um dos principais resultados do inquérito o facto de este ter demonstrado que o número de cuidadores informais em Portugal é mais elevado do que que se estimava, consequência da pandemia. “Neste momento, e segundo os resultados do inquérito, o número duplicou e eu julgo que isto tem a ver realmente com o fecho das respostas sociais. Havendo este fecho e esta falta de respostas, o número de cuidadores realmente exacerbou”, diz Nélida Aguiar.

O inquérito revela dados já há muito percepcionados e algumas surpresas: “parece que muitos dos cuidadores informais não têm qualquer tipo de laço familiar com a pessoa de quem cuidam e isso mostra uma realidade que não foi vista, por exemplo, no Estatuto do Cuidador Informal, que apenas reconhece cuidador alguém com laços familiares”, realçou a Nélida Aguiar, membro da direção da ANCI.

“Todos sabemos que existem milhares de cuidadores em Portugal e têm muito poucos apoios, apesar de enfrentarem enormes desafios, não só económicos, sociais, emocionais”, acrescenta Nélida. A falta de apoio é, aliás, bastante clara para a quase totalidade dos inquiridos, já que 97,5% defende mais apoios para estas pessoas, sendo que 85,5% entende que deveriam ser apoios financeiros, 71% quer mais apoio ao nível da prestação de cuidados, 68,5% pede apoio laboral, 64% apoio psicológico e 49% apoio legal.

Nélida Aguiar defende que a pandemia não pode ser usada para continuar a atrasar todos os processos burocráticos e sublinha que mesmo antes do aparecimento da covid-19 o estatuto do cuidador informal já não respondia a todas as necessidades e que deveria, por isso, ser revisto.

“Eramos heróis e morremos pela Pátria”

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Ilídio Duarte tem 79 anos, foi mobilizado para Angola com 26. Mecânico de aviões na Base Aérea do Montijo, poderia escapar a essa mobilização mas foi avisado pelo comandante que, não indo para Angola, acabaria por ir parar a Moçambique ou, pior ainda, à Guiné. E ninguém queria ir para a Guiné.

E assim Ilídio Duarte lá foi juntar-se à Esquadra 94 estacionada em Luanda. “Fui enganado, mas ainda bem”, diz ele à medida que descreve a amizade que nasceu entre os camaradas de armas, até hoje.

“Ainda hoje, todos os anos, são organizados almoços” de forma a reviver esta amizade duradoura. O respeito é mútuo e Ilídio incentiva qualquer um a distinguir graduações. “Desafio-o a distinguir Generais de Sargentos e Sargentos de Cabos”, adianta.

Quando chegou a Angola, já estavam a ser utilizados os famosos Alouette 3, helicópteros que “rapavam” a superfície e que, já adaptados ao estilo de combate, serviam que nem uma luva a todos os operacionais que sobrevoavam a mata à procura do inimigo ou de soldados portugueses para salvar.

Inicialmente, quem manuseava o heli canhão eram soldados paraquedistas. Mas enjoavam muito com os voos rasantes e acabou por ser decidido dar aos mecânicos a tarefa de disparar o heli canhão, uma arma temível de 20mm que espalhava o terror no inimigo quando atacado pelo ar.

Ilídio Duarte chegou à guerra em 1967 e já só ouviu contar sobre as atrocidades cometidas seis anos antes, quando os povos africanos deram início à luta pela independência. Mas a guerra não faz ninguém santo, independentemente da cor da pele ou das motivações pessoais. Na guerra mata-se e morre-se com facilidade. A adrenalina é uma droga e os combatentes depressa se viciam nela. Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

Ilídio contou-nos histórias que não queremos reproduzir aqui. Ele sabe que houve excessos nos dois lados da “trincheira”. Morreram muitos civis, brancos e pretos, sem necessidade e sem justificação militar. Foram mortes que apenas serviram para espalhar o terror e desmoralizar. 

Ilídio, o guerreiro, carrega a Cruz de Guerra ao peito. “Éramos heróis e morremos pela pátria”, é a frase que usa para honrar os camaradas e amigos caídos em combate. Jovens sacrificados em nome de um desperdício político.

Castiguem, a gente gosta

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Há 19 anos convenceram-nos que devíamos abdicar de uma série de direitos, liberdades e do sigilo pessoal em nome do combate ao terrorismo e da segurança da nossa civilização global.

O 11 de Setembro de 2001 foi uma tragédia dantesca, demasiado perfeita para ter sido possível ocorrer daquela forma. Mas a realidade por vezes supera a ficção e no caso das Torres Gémeas, um filme da Netflix com este enredo pareceria pouco verosímil.

Mas acabámos por aceitar mudar os nossos hábitos quando viajámos de avião, na partilha de informação, que sabemos ser feita pelo Estado a partir da pegada digital que deixamos por todo o lado. Desde os cartões de crédito, às vias verdes, às câmaras públicas de vigilância…tudo testemunha o que fazemos, o nosso estilo de vida, o nosso potencial de consumidores.

Os movimentos políticos radicais e os governos à esquerda convenceram-nos, mais uma vez, que a fuga fiscal deveria dar lugar a uma ditadura fiscal, aceite logo por gente ingénua que achava que os impostos arrecadados iriam ser postos ao serviço do Estado Social. Afinal, o Estado passou a cobrar o que devia e o que não devia, sem que o contribuinte pudesse em tempo útil e de forma célere poder defender-se.

Hoje o dinheiro dos impostos continua a ser consumido por um Estado gastador que se alimenta a si próprio, continuando a criar milhares de funcionários, muitos inúteis, outros competentes e mal pagos, porque nunca houve uma avaliação séria do papel do Estado e da sua estrutura. Mas o cidadão comum que trabalha, sustenta família e pouco pode protestar, aguenta. E até gosta. Desde que haja um Presidente-enterteiner.

Quem da geração de sessenta e setenta lutou pela liberdade, contra a ideia de família como suporte de um regime paternalista, que sabia ser útil pagar a dois trabalhadores o que um devia receber, pois despesas divididas por dois é mais fácil haver contenção salarial, nunca pôde contar com o seu rendimento unipessoal. Salvo os da classe média-alta.

Quando sonhávamos com uma sociedade social-democrata, à sueca, com carrinhas Volvo para levar os filhos à escola, ou onde cada um vive por si sem truques de coligação matrimonial, chegaram os movimentos gay a reivindicarem não o direito à liberdade, não o natural direito à diferença, mas sim o direito a terem como modelo a sociedade assente na família, sempre conservadora, querendo desenterrar essa instituição burguesa que é o casamento.

Com a crise das dívidas soberanas passámos a aceitar a austeridade, o corte nos rendimentos, o roubo nas pensões de quem tinha descontado uma vida, aceitámos que a sociedade ideal é afinal aquela em que se anda de bicicleta, se pagam impostos-multa por usar um veículo tradicional, que quem amealha deve ser punido, e que o bom investimento é aquele em que o Estado utiliza o nosso dinheiro para se autopromover e assim os poderes políticos instalados poderem ganhar eleições, aumentando sempre a despesa.

Já não temos um Estado. Temos um reality-show com chamadas de votos acrescentados. E também perdemos a ideia de Nação. Se for caso disso, vendemos a chineses o que é estratégico do ponto de vista da economia e até da segurança nacional.

Depois veio o covid, um fenómeno tão perfeito de enredo como outra série Netflix. O vírus surge na China, perto de um laboratório farmacêutico, espalha-se pelo Mundo, mas a China está agora livre do vírus, enquanto o Mundo informado morre de medo, das complicações que o vírus gera, sem que ninguém pergunte pelo milagre dos chineses. Eles que comem cães, talvez comam o vírus à sobremesa.

Estamos num tempo em que o Estado já percebeu que pode proibir sem critério, sem coerência. Quem regressa do trabalho tem de esperar 3 horas para passar a ponte? As televisões em direto explicam ao Bom Povo Português, que tem de ser obediente e seguir as ordens, mesmo inconstitucionais, do grande líder. Se a tecnologia tudo mudou nos últimos 20 anos, as ditaduras também passaram a ser exercidas de outra maneira. O que conta é o resultado. E este resultado nem precisa de prognóstico no fim do jogo.

Marcelo rolo compressor

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Marcelo Rebelo de Sousa atropelou o entrevistador. Agora, passados uns dias, já podemos falar da difícil profissão de jornalista-entrevistador que tem pelo menos dois expoentes máximos na RTP, António José Teixeira e Vitor Gonçalves.

Ambos são frontais, simples na linguagem e regrados. O entrevistador não responde? Então está respondido. Já Fátima Campos Ferreira está melhor na moderação de grandes debates. Foram 18 anos a “virar frangos”.

António José Teixeira, veio da SIC e casou bem na RTP. É um jornalista de serviço público de televisão. Tem-se afirmado de forma repetida que o jornalismo ou é bom ou mau. E pronto. Não é a minha opinião. O jornalismo é um conjunto de variadíssimas formas de comunicar. Um jornalista pode ser bom na área das revistas cor de rosa. Ou no desporto. Ou no internacional. Poderá ter as mais variadas estratégias para deixar o entrevistado brilhar, mesmo quando o interrompe demasiadas vezes. Mas o jornalismo de serviço público deve privilegiar a pergunta exacta, enxuta. Quem quer ver, vê!

Marcelo está habituado a falar em roda solta. Começou o seu caminho televisivo na TVI. Foi empurrado para fora num episódio de contornos pouco claros. Na RTP teve liberdade. Quando o tempo amainou, voltou à TVI, para o one-man-show. Falava e respondia a ele próprio.

Nesta entrevista à RTP, Marcelo devia ter aceite o lugar de Presidente. Teria sido uma grande entrevista.  O que aconteceu foi um foguetório descontrolado que colocou o País em sobressalto. A paciência e o profissionalismo de António José Teixeira foram uma desesperada tábua de salvação. Mas muita gente mudou de canal a meio.

António José Teixeira, RTP

Covid-19: 59 mortes e 3 milhões 400 mil testados

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Hoje o boletim da Direção Geral de Saúde regista 59 mortes e 7.497 novos casos de infeção com o novo coronavírus, o valor diário mais elevado desde o início da pandemia. Este elevadíssimo número de infetados foi justificado por um atraso nas comunicações de um dos laboratórios de análises clínicas que funciona no Norte do país. De acordo com o boletim, o número de novos casos inclui o somatório de 3.570 casos que não foram comunicados atempadamente.

fonte DGS

Dos 59 óbitos, também o número diário mais elevado desde o início da pandemia, 34 ocorreram na região Norte, 18 em Lisboa e Vale do Tejo, cinco no Centro e dois no Alentejo.

Em relação aos internamentos, o número de pessoas hospitalizadas baixou, hoje é de 2.337 (menos 12 do que na terça-feira) mas há 325 (mais cinco) em Unidades de Cuidados Intensivos.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, os dados por concelho serão atualizados durante esta semana, devido ao erro já referido.

3 milhões 400 mil testados

Cerca de um terço da população em Portugal já foi testada, segundo revelou hoje o secretário de Estado e Adjunto da Saúde, afirmado que a capacidade de testagem foi reforçada em mais de 300% desde março. António Lacerda Sales diz que já foram testadas mais de 3,4 milhões de pessoas, o equivalente a cerca de um terço da população.

O esforço na testagem é significativo quando se tenta rastrear a existência de pessoas infetadas, mas vale para o momento em que a pessoa é testada apenas. Num momento posterior pode ficar infetada. O teste é uma “radiografia” sobre o que aconteceu, não garante nada quanto ao futuro. Para isso, precisaremos de uma vacina, o que ainda não existe.

Maturidade, precisa-se

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É covid a toda a hora. Conseguem fazer noticiários quase exclusivamente com a pandemia. Primeiro foram os lares. Agora, revelam particular empenho quando há hospitais perto da saturação nas enfermarias e cuidados intensivos. Ou quando há médicos e enfermeiros infectados em ambiente hospitalar.

Há dias, as três televisões generalistas abriram com a notícia de Ronaldo infectado. Não o disseram, mas, subjectivamente, em causa estaria uma eventual tragédia futura. Quando o homem deu negativo, só foi notícia na parte final dos noticiários. Lá se foi a tragédia…

Para as redacções, a pandemia transformou-se numa benção. Os noticiários ficaram monotemáticos. O que cria rejeição ou dependência. Há quem evite a adição que lhes pretendem impingir, lendo apenas, ao longo do dia, notícias recolhidas nas edições on-line dos jornais. Mas também há quem fique vidrado, colado ao écran,  maioritariamente idosos e pessoas menos esclarecidas. É gente que vai criando e transmitindo uma ansiedade doentia. Psicólogos e psiquiatras agradecem. As autoridades ajudam à festa, com a conferência de imprensa diária, onde não se limitam a transmitir factos.

Interrogo-me como será se os hospitais chegarem à situação de ruptura, face à verdadeira paranóia que invadiu os noticiários, cuja duração, ainda por cima, não tem paralelo em qualquer país civilizado. A manterem-se os actuais critérios editoriais, será criada uma situação de alarme absolutamente insuportável. Em democracia, os órgãos de comunicação social não devem ser regulados. Seria boa ideia, portanto, as direcções de Informação das tv’s começarem a dar sinais de alguma auto-regulação. Sinais de maturidade.

Muito fraca, a entrevista a António Costa, na TVI. Aquilo foi um passeio para o primeiro-ministro. Conseguiu-se, a custo, extrair um título, obtido, ainda por cima, a partir de um cenário impossível. Muito curto, convenhamos. Há quem diga que a TVI está subordinada aos interesses do PS. Começa a parecer que assim é. Estranhamente, a entrevista é feita a uma segunda-feira, sendo conduzida por Anselmo Crespo e Pedro Benevides. O mesmo dia da intervenção e entrevistas feitas por Miguel Sousa Tavares. Teria sido bem melhor confiarem-lhe a tarefa.

Boas reportagens no programa “Sexta às 9” do passado dia 23 de Outubro. Com destaque para os trabalhos sobre a nomeação para a Procuradoria-Geral Europeia e sobre o Lar do Comércio de Matosinhos.

O programa “Circulatura do Quadrado” vai para o ar quando calha. E às horas mais estapafúrdias. É estranho os respectivos participantes (Pacheco Pereira, Lobo Xavier e Ana Catarina Mendes) aceitarem tal tratamento.

Ninguém precisa de um aeroporto no Montijo

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Agora que o turismo implodiu por causa da pandemia, há quem tenha a secreta esperança de que o Governo desista do novo aeroporto de Lisboa a ser construído no Montijo. Não havendo necessidade, não haverá razão para se fazer uma obra com grandes custos financeiros (1,15 mil milhões de euros, sem derrapagens) e enormíssimos custos ambientais.

Mas, embora não se oiça falar nela, a intenção não morreu. A última vez que o primeiro-ministro se referiu à obra foi em junho para dizer que “o futuro vai contar com o aeroporto do Montijo e essa mensagem é da maior importância”. É verdade que quando disse isto, António Costa estava ao lado de Nicolas Notebaert, presidente da Vinci, empresa que comprou a Aeroportos e Navegação Aérea, vulgo ANA, a concessionária dos aeroportos de Lisboa e do Porto e, por tabela, do futuro aeroporto do Montijo. E também é verdade que naquela altura António Costa estava convencido de que a pandemia ia abrandar e possibilitar a reabertura plena do turismo e de todas as atividades relacionadas com o setor. Mas não foi assim e hoje sabemos que o turismo bateu no fundo e que vai demorar anos a recuperar e, portanto, talvez não faça sentido construir um aeroporto num local tão sensível para a preservação do meio ambiente.

PSD quer procurar alternativas ao Montijo

E se os ambientalistas são frontalmente contra a construção do aeroporto naquela localização, a oposição política ao Governo começa agora a procurar argumentos para também se opor a isso. O PSD considera que “é relevante identificar alternativas e ponderar soluções que não apenas respondam à procura, mas que tenham em consideração o papel que o mesmo pode ter no desenvolvimento regional e na coesão territorial”. Ou seja, Lisboa não pode ter tudo e o resto do país não é só paisagem.

A crise pandémica já atrasou o início das obras, previstas para este ano, e pode dar tempo necessário para os ambientalistas conseguirem embargar judicialmente a obra. Oito organizações ambientalistas recorreram aos tribunais e à Comissão Europeia para travar o aeroporto no Montijo, por considerarem “ir contra as leis nacionais, as diretivas europeias e os tratados internacionais”. As ações demoram tempo a serem apreciadas pelas instâncias solicitadas, mas pode ser que com a pandemia se consiga ter esse tempo.

Os argumentos dos ambientalistas são muitos. Fundamentalmente, baseiam-se no facto do novo aeroporto ir ficar em cima da Reserva Natural do Estuário do Tejo, uma área protegido por leis nacionais e internacionais que, no entender dos ambientalistas, não foram levadas na devida conta quando se procedeu ao estudo de impacto ambiental.

Os ambientalistas dizem que o Governo está a falhar nas obrigações de proteger as espécies e habitats da zona húmida mais importante do país, classificada como Reserva Natural e como Rede Natura 2000, por ser “das mais importantes da União Europeia”.