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Sintra perde encanto

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A Quinta de Santa Teresa à entrada de Sintra tem bom ar, espaço e até uma igreja, mas está abandonada por quem não precisa, que são poucos.

Ter casarões e deixá-los trancados ou a ruir, ameaça as características de Sintra antiga, tão elogiadas por Andersen ou Byron.

Quem passa na volta do domingo para comprar uns travesseiros, fica apreensivo: se eu pago 200 euros de IMI, quanto pagarão os donos daquele conjunto de edifícios?

Mas que não seja por isso… que seja pelo encanto que Sintra perde quando os seus palacetes são abandonados.

“Bruscamente no Verão Passado” em cena no Mirita Casimiro

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Estreou na sexta-feira, 10, no Teatro Mirita Casimiro, a 165ª produção do Teatro Experimental de Cascais: a peça «Bruscamente no Verão Passado», do americano Tenessee Williams (1911-1983).

Versão e dramaturgia da Dra. Graça P. Corrêa, investigadora em Ciência e Arte na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e docente no Mestrado em Encenação e Artes Performativas da Escola Superior de Teatro e Cinema, que, além da carreira académica, tem sido encenadora, cenógrafa e dramaturga. A encenação é de Carlos Avilez; a cenografia e figurinos, de Fernando Alvarez.

De interesse para a compreensão da peça são os textos de apoio facultados, organizados por Graça P. Corrêa, onde podem consultar-se: a ficha técnica do espectáculo; o texto da organizadora, «Violência e sublimidade», com desenhos de Fernando Alvarez; mui circunstanciada biografia do autor, que tem como cólofon a frase «As violetas nas montanhas quebraram as pedras!», inscrita no túmulo do autor, retirada da peça “Camino Real”.

Há, de seguida, um rol de frases de T. Williams. Se fora um historiador a transcrevê-las, poria o livro e a página donde foram retiradas. A internet está cheia de frases atribuídas a este ou àquele, mas desgarradas por completo do seu contexto. Por outro lado, uma selecção de frases é sempre a selecção de alguém que pensa de determinada maneira e, que, por isso, também nelas acaba por se rever. Uma das frases citadas particularmente me tocou: «Amigos são a maneira de Deus nos pedir desculpas pelas nossas famílias».

Na p. 10, aborda-se a relação do dramaturgo com o poeta, a utilização da poesia no teatro. Sebastien, o jovem assassinado «bruscamente no Verão Passado», era poeta; escrevia um poema por ano. Boa parte do texto da peça, nomeadamente a fala inicial da mãe a evocá-lo – excelente interpretação de Manuela Couto! -, está eivada, de facto, de mui saboroso halo poético.

Segue-se a entrevista dada a Dotson Rader (Paris Review 5, nº 81, 1981), em que Tenessee Williams fala da sua vida, da ala psiquiátrica em que, a dado momento, foi internado, da sua negação duma outra vida após a morte, ainda que admirasse «a imagem de Cristo, a Sua beleza e pureza, os Seus ensinamentos, sim…». Ilustra-a a fotografia de Tenessee, a fumar, pensativo, cabelos soltos, diante da folha branca da máquina de escrever…

Valerá a pena ler o ensaio de Graça P. Corrêa «Ecos autobiográficos e míticos em ‘Bruscamente no Verão Passado’» (6 páginas, ilustradas). Mostra a investigadora o paralelo entre Sebastian Venable, a personagem fisicamente ausente mas permanente em cena nas constantes alusões que lhe são feitas; são as circunstâncias da sua morte que, ao longo da peça, se tentam descortinar, até que, no final, perante a confissão de Catherine, o psiquiatra declara: «Acho que devemos, pelo menos, considerar a possibilidade de que a história da jovem possa ser verdadeira». Bem sugestiva a relação com a lobotomia, excisão de lóbulos cerebrais para tratamento, por exemplo, da esquizofrenia, prática a que está ligado o nosso Prémio Nobel Egas Moniz. E, também, o paralelismo entre a morte de Sebastien e o martírio de S. Sebastião e entre Catherine Holly (‘incarnação’ da sua irmã, Rose) e Santa Catarina de Alexandria.

Transcreve-se – antes da apresentação de pormenorizados currículos dos principais intervenientes no espectáculo – uma ‘introdução’ ao texto, da autoria do dramaturgo norte-americano Martin Sherman, datada de 1987, não se indicando, porém, donde foi retirada.

Então, e a peça?

Sim, tem toda a razão a pergunta, porque me perdi nos Textos de Apoio… Violet, a mãe, é superiormente interpretada pela experiente Manuela Couto; Catherine Holly é Bárbara Branco (excelente!); Bernardo Souto, um perspicaz e silencioso Dr. Cucrowicz; Teresa Corte-Real, a Sra. Holly; João Gaspar, George Holly, sempre de raquete de ténis a mostrar-se desportista; Luísa Salgueiro incarna a soturna Irmã Felicidade; e Lídia Muñoz (Miss Foxhill) movimenta-se para que nada falte a ninguém.

A minimalista nudez do cenário; o guarda-roupa creme, o ambiente creme – em que, amiúde, como é timbre de Carlos Avilez, o silêncio fala mais alto – e a mui regrada movimentação dos actores eficazmente contribuem para que se obnubile o drama que, durante 1 h e 45 m sem intervalo, mesmo a nossos pés se desenrola.

Escreve Graça P. Corrêa que todas as personagens da peça «surgem atormentadas por um ‘horror interno’ contra o qual lutam». Não é, de facto, uma comédia, mas sim o retrato cru de vivências complexas; contudo, a excelência da encenação e das interpretações – mormente as das duas protagonistas, a merecerem amplos encómios – faz-nos esquecer tudo o mais.

O espectáculo está em cena de quarta a domingo, até 2 de Agosto, a partir das 21.30 h.

Bicicletas paradas em Lisboa

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Trinta bicicletas paradas às 18 horas, num sábado, na Praça da Figueira sublinham a contestação ao excesso de ciclovias construídas em Lisboa – que retiram fluidez ao trânsito.

A ideia parecia interessante com turismo, mas agora as ciclovias estão quase desertas.

Foi um grande esforço também para agradar aos 510 mil habitantes. Mas esqueceram-se os milhares que vêm de fora, todos os dias. Só Oeiras e Amadora somam quase 400 mil habitantes.

Lisboa está cheia de colinas e montes. As bicicletas não servem as famílias activas com filhos. Ter duas bicicletas eléctricas razoáveis custa para cima de mil euros. Quem pode?

Zero contesta projeto na Penha Longa

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Há um projeto para a construção de um “aparthotel” na Quinta da Penha Longa que a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável – está a contestar.

O projeto pretende intervir numa área integrada no Parque Natural de Sintra-Cascais.

A Câmara de Cascais diz que já existiu um licenciamento para a construção desse “aparthotel” que caducou quando o promotor desistiu da obra e optou por apresentar um novo projeto que, agora, está a ser avaliado pelo impacto ambiental, avaliação da responsabilidade da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. Só depois dessa avaliação estar concluída, a autarquia irá decidir se concede o licenciamento urbanístico.

A construção desta infraestrutura engloba 150 unidades de alojamento num total de 348 camas, e a associação ambientalista alerta que se trata de uma construção em área sensível e em solo não classificado como urbano. Num comunicado publicado no site da Zero, esta organização diz que “estamos em presença de um projeto envolto num conjunto de direitos supostamente adquiridos que atropelam a legislação em vigor permitindo a construção em áreas sensíveis, em solo não classificado como urbano e em Reserva Ecológica Nacional, com base num regime de exceção com 33 anos, violando todos os instrumentos de ordenamento do território atualmente existentes”.

Acontece que a autarquia reconhece os tais “direitos adquiridos” quando, segundo a Lusa, afirma que “a pretensão do promotor funda-se em direitos adquiridos pelo estudo de localização do CTQPL aprovado em 17.02.1987 pelo secretário de Estado do Turismo”, lembrando que, de acordo com o Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Sintra-Cascais de 2004, “as novas regras deste regulamento não se aplicam aos empreendimentos turísticos que disponham de localização, informação prévia, anteprojeto ou projeto válido e eficaz”.

A bola está no campo da autarquia, aparentemente a empresa promotora dá como garantido o parecer favorável do estudo de impacte ambiental e, após a emissão dessa declaração, irá apresentar o projeto de licenciamento na autarquia.

A Quinta da Penha Longa é um resort de luxo situado na Serra de Sintra, pertence ao grupo Ritz-Carlton e, sim, não é qualquer um que se senta naqueles cadeirões e se deita naquelas camas.

Manifestação convocada para protestar pela morte de Ana

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Ana Oliveira, de 16 anos, faleceu vítima de atropelamento, na passada sexta-feira, quando passava numa passadeira, no Campo Grande, em Lisboa. Um automobilista não terá respeitado o sinal vermelho acabando por abalroar a jovem atleta, basquetebolista do Sporting.

Quem nunca pisou no acelerador que atire a primeira pedra, mas a verdade é que este tipo de acidentes não devia acontecer. E para não acontecerem bastaria que o limite de velocidade fosse substancialmente mais baixo e que as vias não convidassem tanto a abusar da velocidade.

As cidades, mas falamos de Lisboa, têm de ter outras prioridades que não seja apenas o escoamento do trânsito. Se querem mesmo retirar veículos automóveis das cidades, não podem tornar a vida fácil aos automobilistas. Em muitos países europeus, o limite de velocidade nos centros urbanos é bastante baixo, cerca de 30 kms/hora.

A zona do Campo Grande é uma zona de escolas, tem várias faculdades, museus e um jardim onde brincam crianças. Mas a estrada que passa por ali tem três pistas em cada sentido, assemelha-se a uma autoestrada.

Para protestar contra isto tudo, está a ser convocada pela internet uma concentração/manifestação de pesar pela morte da jovem Ana Oliveira que morreu quando levava a sua bicicleta pela mão a atravessar numa passadeira.

A convocatória é para a próxima 5ªfeira, dia 16, às 19 horas. No Campo Grande, em frente ao edifício da Câmara Municipal de Lisboa.

Polémica com as máscaras de Cascais

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Ninguém sabe dizer ao certo se são seguras e fiáveis as máscaras que a Câmara de Cascais vende ao público.

A Câmara decidiu em março fabricar as suas próprias máscaras, distribuí-las pelas IPSS do concelho e disponibilizá-las aos munícipes a preços justos, como forma de combater a escassez e especulação de preços à volta das máscaras cirurgicas.

Agora está a ser acusada de vender máscaras sem certificação,  a contestação espalhou-se rapidamente pelas redes sociais.

Chamada a pronunciar-se, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde informa que a produção e a comercialização destes produtos não obriga a certificação, mas obriga ao cumprimento de diferentes especificações técnicas e implica “uma apreciação, pelo Infarmed, de um relatório de conformidade do produto relativamente à sua colocação no mercado”. Mas o Infarmed nunca recebeu qualquer pedido de apreciação da qualidade das máscaras que a Câmara de Cascais produz e comercializa.

O Infarmed diz, ainda, que na hipótese das máscaras em questão não serem de qualidade cirúrgica, terá de ser a ASAE a apreciar a qualidade do produto. Mas a ASAE não assume qualquer responsabilidade, uma vez que se o produto é apresentado como sendo máscaras cirúrgicas, tem de ser o Infarmed a fiscalizar. E estamos nisto. Os organismos que deveriam zelar pela qualidade e fiabilidade do produto empurram a “batata quente” um para o outro.

A Câmara de Cascais, apesar de apresentar as máscaras na página do município como “cirúrgicas”, interpelada pelo Polígrafo, diz que as máscaras “têm aparência de máscara cirúrgica, mas são de TNT, não sendo artigo cirúrgico”. Por isto mesmo, autarquia entende que os dispositivos têm apenas de ser certificados como equipamentos de uso comunitário, pela população em geral, e não como produtos médicos, uma vez que não são usados por profissionais de saúde. A ser assim, deveriam ser fiscalizados pela ASAE.

Independentemente disso, a Câmara de Cascais afirma ter várias certificações relativamente a estas máscaras, a saber:

1- certificado de conformidade atribuído pelo Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), emitido em 6 de junho, para máscaras comunitárias de uso único, nível 2.

2- Certificado emitido por Equilibrium, laboratório de controlo de qualidade.

3- Certificado emitido pelo CITEVE, Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, que está habilitado a certificar máscaras sociais.

Estes certificados comprovam que o artigo cumpre os requisitos relativos à respirabilidade e capacidade de filtração de partículas para máscaras utilizadas no contexto da Covid-19, garante a autarquia, chamando a atenção para a não reutilização destas máscaras.

Calor, calor, calor

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Hoje vai fazer muito calor. No site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera indica um máximo de 37 graus para o distrito de Lisboa.

Na previsão para o país, temos tempo quente com céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade nas regiões do interior durante a tarde.

Vento em geral fraco do quadrante norte, sendo de leste na região Norte e no interior da região Centro até meio da manhã, soprando temporariamente moderado (até 30 km/h) a partir do início da tarde.

Nas terras altas o vento soprará fraco a moderado (até 30 km/h) do quadrante norte, sendo por vezes forte (até 40 km/h) até início da manhã, tornando-se moderado a forte (30 a 45 km/h)a partir do final da tarde.

Para a zona da chamada “grande Lisboa”, vamos ter um dia quente com céu pouco nublado ou limpo.

Vento em geral fraco do quadrante norte, tornando-se moderado (até 30 km/h) a partir do início da tarde. Subida de temperatura, em especial da máxima.

No telemóvel tem estas indicações igualmente. Exemplos de Lisboa, Oeiras, Amadora, Cascais e Sintra, esta manhã:

Para o resto da semana, convém andar pela sombra ou ficar em casa de persianas corridas e janelas abertas, para não deixar a habitação sobreaquecer. As temperaturas irão atingir em algumas zonas os 39 graus.

Caso de mutilação genital feminina na Amadora

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Uma mulher foi acusada pelo Ministério Público, através do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Amadora, de um crime de mutilação genital feminina, cometido nos primeiros meses do ano passado e em que a vítima foi a filha, uma criança nascida em 2017. A suspeita encontra-se em liberdade a aguardar julgamento e pode ser condenada numa pena entre 2 a 10 anos, conforme estipula o Código Penal.

A mutilação genital feminina é uma prática que em metade do Mundo é justificada pela tradição e, em parte também, pela religião. Na outra metade do Mundo é um crime. Consiste na amputação do clítoris, forma de tornar a mulher mais pura e, seguramente, mais submissa. A cerimónia é realizada quando a criança é ainda bastante jovem, normalmente entre os 2 e os 9 anos, mas os preceitos e os rituais variam bastante de país para país.

Em Portugal, apesar de ser proíbido e constituir crime, a prática existe no seio de comunidades de origem africana ou do Médio Oriente. Para evitar problemas com a Justiça portuguesa, muitas vezes as crianças são levadas de “férias” para as terras de origem da família e lá submetidas ao ritual.

No caso em apreço, de acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, em nota publicada no seu site, “no essencial ficou indiciado que a arguida, mãe da menor ofendida, nascida em 2017, em data compreendida no período entre 4 de janeiro e 15 de março de 2019, sem que para tal houvesse indicação médica em virtude de doença ou patologia clínica, com um objeto de natureza corto-contundente cortou a região vulvar da menor sabendo que com tal conduta mutilava a menor nos seus genitais, provocando-lhe dores, lesões e sequelas permanentes e aptas a afetar a fruição sexual daquela”.

O crime de mutilação genital feminina, está, desde 2015, previsto no Código Penal no seu artigo 144. “Quem mutilar genitalmente, total ou parcialmente, pessoa do sexo feminino através de clitoridectomia, de infibulação, de excisão ou de qualquer outra prática lesiva do aparelho genital feminino por razões não médicas é punido com pena de prisão de 2 a 10 anos”, diz a lei.

Em Portugal, em 2019, terão ocorrido 129 casos de mutilação genital feminina de acordo com dados recolhidos pelo projeto “Práticas Saudáveis – Fim à Mutilação Genital Feminina”, que é coordenado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, o Alto Comissariado para as Migrações e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Covid-19 “estacionou” em Lisboa

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A evolução da pandemia covid-19 em Portugal regista hoje mais seis mortes e 291 novos casos de infeção confirmados, em relação a ontem.

De acordo com o boletim diário da Direção Geral de Saúde, Lisboa e Vale do Tejo é a região onde o aumento dos casos continua a ser mais significativo, contabilizando 78% dos novos casos, ou seja, 226 dos 291, e cinco das seis mortes.

Nas últimas 24 horas, o número de pessoas internadas subiu de 459 para 462, mas diminuíram os internados em cuidados intensivos, de 68 para 64.

Continua a não haver atualização dos dados por concelho.

Por faixas etárias, o maior número de óbitos concentra-se nas pessoas com mais de 80 anos. Em termos de infetados, a maioria encontra-se na faixa etária entre 40 e 49 anos.

Covid-19: Belenenses SAD “apanhado em fora-de-jogo”

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A meio do jogo, precisamente no intervalo, André Moreira, guarda-redes do Belenenses SAD, teve de abandonar o estádio para cumprir o isolamento de 14 dias ordenado pela Direção-Geral da Saúde.

Um caso insólito, sem dúvida.

André Moreira já estava em isolamento profilático porque num estágio partilhou o quarto com um outro jogador que acusou positivo para o covid-19. Nunca teve sintomas e, apesar da quarentena ainda não ter terminado, foi designado para o jogo contra o Moreirense.

A ordem para abandonar o jogo foi dada diretamente pela Diretora Geral de Saúde, Graça Freitas, segundo informação prestada pela liga de Clubes, uma vez que o jogador ainda não tinha terminado os 14 dias de quarentena.

O Moreirense acabou por vencer o jogo por 1-0.

O Belenenses SAD arrisca-se a cair de divisão e a ficar com o plantel contaminado, se não tiver mais cuidado.