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Covid-19: 61 mortos e UCI a rebentar pelas costuras

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Números da pandemia um pouco mais baixos que ontem, exceptuando os internados em unidades de cuidados intensivos que não param de aumentar. Assim, segundo o boletim da DGS, nas últimas 24 horas registaram-se 61 mortos e 6.489 novos casos de infeção com o novo coronavírus.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 3.762 mortes. A DGS indica que das 61 mortes registadas nas últimas 24 horas, 33 ocorreram na região Norte, 15 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 12 na região Centro e uma no Algarve.

Em todo o território nacional, há 3.079 doentes internados, mais 62 que ontem, e 481 em unidades de cuidados intensivos (UCI), mais 23 do que na quinta-feira, um novo recorde.

477 escolas com covid-19

A situação nas escolas é preocupante, são 477 surtos ativos de infeção em escolas a nível nacional. O Governo não admite, de momento, antecipar as férias de natal dos alunos. “Não nos parece que as escolas sejam focos de grande intensidade”, referiu António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia da covid-19 de hoje.

O secretário de Estado da Saúde indicou que há 291 surtos em escolas na região de Lisboa e Vale do Tejo, 72 na zona Centro, 58 na zona Norte, 29 no Alentejo e 27 no Algarve. Estes números incluem estabelecimentos de todos os níveis de ensino, públicos e privados, desde creches a instituições de ensino superior, esclareceu mais tarde a Direção-Geral da Saúde. Turmas ou escolas só fecham “caso a autoridade de saúde o entenda, de acordo com a estratificação do risco”, esclareceu o governante.

Prolongado Estado de Emergência

O parlamento autorizou hoje o Presidente da República a declarar a renovação do estado de emergência em Portugal a partir de terça-feira para permitir medidas de contenção da covid-19, com votos a favor de PS e PSD. Votaram contra esta renovação do estado de emergência PCP, PEV, Chega, Iniciativa Liberal e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira. BE, CDS-PP e PAN abstiveram-se, enquanto a deputada não inscrita Cristina Rodrigues votou a favor.

Em relação à votação de há quinze dias, mudaram de posição o CDS-PP – até agora tinha votado sempre a favor e hoje absteve-se – e o Chega, que votou a favor na primeira declaração do estado de emergência, em março, e se absteve nas restantes, ‘estreando-se’ hoje no voto contra.

Sindicalismo de Proximidade

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A PSP (Polícia de Segurança Pública) tem cerca de 23.000 elementos. Uma relativamente pequena Corporação quando comparada com organismos idênticos da Europa.

No entanto, para assegurarem que tudo decorre com normalidade no que respeita à garantia de direitos (e, quem sabe, deveres) os polícias consideraram que deveriam estar representados por Sindicatos. Sindicatos, no plural. Num muito, muito, muito grande plural (se é que isto existe).

Criaram, com esse objectivo – e outros de que falarei adiante – associações para todos os gostos e classes. São tantas que poucos saberão o número exacto. O Jornal i garante que são doze, o Diário de Notícias fala de quinze e o Observador de dezasseis.

O primeiro dos diários mencionados, o Jornal i, escreveu que: “Segundo os dados do final de 2010, a que o i teve acesso, alguns não chegam, sequer, aos 100 associados. Como o SICC – Sindicato Independente da Carreira de Chefes, que há três anos contava apenas com 65 sócios. Ou o SPNP – Sindicato do Pessoal com Funções não Policiais da PSP, que tinha 45. Outras três estruturas não chegavam aos 200. O SOP – Sindicato dos Oficiais de Polícia contava com 190, enquanto o SNOP – Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia contabilizava 144 e o SNCC – Sindicato Nacional da Carreira de Chefes apenas 135. Mais representativos eram o SIAP – Sindicato Independente dos Agentes de Polícia com 444 associados e o SINAPOL – Sindicato Nacional da Polícia com 667.”

Se há algo que me deixa surpreendido é a capacidade que estes polícias têm para conseguirem nomes diferentes para tantos sindicatos. Mais dia menos dia, todavia, terão de começar a seleccionar, com mais cuidado, as características dos seus associados e, quem sabe, usando calão.

Por exemplo: “Sindicato dos Bófias que Fazem Trabalho de Secretaria”, “Sindicato dos Agentes Peritos em Arranjos Florais” (para quem não saiba já houve um deles que foi louvado pelo seu comandante pelos arranjos florais com que enfeitava as mesas da messe de oficiais), “Sindicato de Polícias Especializados em Deter Carteiristas”, “Sindicato dos Chefes Qualificados Para Agredir Adeptos de Futebol”, “Sindicatos dos Agentes Recordistas em Multas de Trânsito”, “Sindicato de Agentes Mestres em Strip-Tease” etc., etc.

O facto deste número elevado de agremiações poder levar à redução drástica dos seus associados não deve ser motivo de preocupação tendo em conta que alguns dos dezasseis já existentes têm mais dirigentes do que sócios, segundo informação do Diário de Notícias. As despesas para a criação dos sindicatos também são reduzidas se os fundadores tiverem algum cuidado. O mesmo jornal refere que a Associação Sindical Autónoma da Polícia, por exemplo, criada em Junho de 2012, tem sede em São Domingos de Rana, na casa do presidente Delmino Farinha, que se recusa a revelar o número de associados porque, justifica, os outros sindicatos “não divulgam os números correctos”. Ainda assim, garante que apesar de a estrutura serrecente “nem é das que tem menos”.

O SICC confirma que a estrutura só tem 65 associados e Mário Pires, o presidente, justifica: “Somos poucos porque o sindicato foi criado para congregar apenas os polícias que tiraram o curso de subchefe ajudante”.

José Teixeira é presidente de um dos mais recentes sindicatos, o Sindicato de Polícia pela Ordem e Liberdade que tem 261 sócios, dos quais 249 são dirigentes e delegados.

E esta pode ser a principal explicação para um tão elevado número de sindicatos, dirigentes e delegados. Na realidade, cada dirigente tem direito a quatro dias por mês para actividade sindical e os delegados, por sua vez, têm direito a 12 horas. Ora, partindo do princípio que os 3680 dirigentes e delegados sindicais registados em 2017 gozaram deste direito, o número de dispensas é impressionante.

Em 2015 foram concedidos 32 mil dias de dispensa que tiveram um extraordinário “impacto em toda a gestão e organização do trabalho em cada esquadra, equivalendo em cada um desses dias a menos quatro turnos de patrulhas que podiam ter sido feitas”.

O Jornal de Notícias esclarece que “no final do ano passado, o Governo fez uma proposta de lei sobre o assunto, mas o Parlamento ainda nem sequer agendou a sua discussão”. Até que os deputados cheguem a um entendimento a situação irá manter-se.

Cerca de 3.700 polícias, conseguem ser reconhecidos como dirigentes e delegados de mini-sindicatos e beneficiam de 32.000 dias de dispensa, por ano de trabalho ao serviço da PSP, para desenvolverem ninguém sabe que tarefas ao serviço de associações de tamanho ridículo e força inexistente. Dado que há 23.000 agentes, dos quais 3.700 são sindicalistas, há um dirigente ou delegado para cada seis polícias (incluindo o próprio representante dos sindicatos). Um verdadeiro “sindicalismo de proximidade”!

(o autor incluiu esta crónica no livro “Frasco de Veneno – Dose Final” a sair no final deste mês de novembro)

Um mundo urbano utópico destruiu o mundo rural

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Gonçalo Ribeiro Telles desapareceu há poucos dias, aos 98 anos de idade, mas deixou uma obra muito extensa na área da arquitectura paisagista. Em miúdo, ia muitas vezes a casa de um tio-avô que morava num 5º andar na Rua das Pretas, em Lisboa. Foi ali, à janela, a olhar para a cidade, que despertou no futuro arquitecto paisagista um espírito arquitectónico, paisagístico e crítico.

Político, passou por diversos Governos e esteve na génese de inúmeras medidas ambientais, ainda hoje vigentes. Visionário, Ribeiro Telles lamentava-se, contudo, em muitas das conferências e das entrevistas que dava, que os poderes instituídos não o deixavam fazer tudo aquilo que ele pretendia fazer. Ainda assim, fez muito, não só na capital (onde os Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian se destacam. mas também o Jardim Amália ou o Corredor Verde de Lisboa).  

Professor, tem dito que em face do mundo actual toda uma filosofia sobre áreas protegidas – muitas das quais tiveram a sua assinatura – e sobre a conservação da natureza está ultrapassada. Porque razão tem essa ideia? Porque o mundo rural está a acabar. Não se pode inventar todas as potencialidades e funções do mundo rural através de uma nova visão de conservação da natureza. É preciso encarar o problema de frente e não é com o desenvolvimento das áreas protegidas e com novos estudos que se chega a alguma conclusão.

Mas as áreas protegidas não são importantes? As áreas protegidas têm importância e continuarão a ter, mas como laboratórios, referências, modelos, pedagogia… e isso interessa a quem? Interessa principalmente aos que não são do mundo rural. As áreas protegidas foram feitas para desenvolvimento científico como laboratório e para dar a conhecer àqueles que não são do mundo rural qualquer coisa que possa justificar esse mundo. Ah, e para criar bons empregos desnecessários a pessoas que fazem parte da elite governativa. Mas o que se verifica hoje – e que é gravíssimo – é a queda drástica do mundo rural, o que vai arrastar todas as políticas relativas às áreas protegidas.

E de quem é a culpa para a queda do mundo rural? O principal culpado é o fenómeno urbano, que afastou as populações das aldeias, condenando à morte as aldeias, e tornando este país num caos… foi também a reflorestação errada, que acabou por provocar… desflorestação. Aliás, a desflorestação foi o primeiro acto de despovoamento. A desflorestação é um fenómeno urbano, pois parte de decisões tomadas nas cidades, decisões que preferem criar um grande mercado internacional em detrimento dos mercados locais. E é assim que se mandam vir produtos de locais a milhares de quilómetros de distância, aumentando aquilo a que chama a pegada ecológica, quando esses produtos podiam ser produzidos localmente.

E aponta alguma solução para os incêndios florestais em Portugal? Incêndios florestais? Portugal não tem incêndios florestais…

Como assim, Professor? Se todos os anos ardem milhares de hectares de floresta… Ardem milhares de hectares de eucaliptais e aglomerados de pinheiro bravo. Isso não é floresta. A verdadeira floresta felizmente não arde ou arde pouco. Conhece grandes incêndios em florestas de castanheiros ou no montado?

Pois, na verdade não. Mas mesmo os outros incêndios são muito prejudiciais para a biodiversidade, não? Claro. Nos tempos pré-históricos alguns incêndios tinham uma função útil, mas hoje em dia são completamente inúteis. Destroem os solos, dizimam milhões de animais e os seus habitats, e espalham muito CO2 que não faz falta nenhuma… além do mal que fazem às populações rurais, as quais só pensam em fugir para locais mais “seguros”, leia-se vilas e cidades… e até para o estrangeiro.

Mas não se pode fazer nada para conter esses tais incêndios? Desde que a pastorícia acabou e as aldeias começaram a ficar vazias ou quase só habitadas por velhos, ficou cada vez mais difícil evitar grandes incêndios nas manchas de eucalipto e pinheiro bravo. E a coisa é regular: os grandes incêndios vão repetir-se ciclicamente, é que a vegetação cresce e fica disponível para arder a cada sete, oito anos. E isto porque nesse intervalo os poderes políticos e económicos nada fizeram para o evitar ou mitigar. Sendo que os incêndios no futuro serão ainda mais catastróficos por causa do aquecimento global, coisa que muita gente, até cientistas, ainda não acredita.

Há nisto tudo um problema de ordem cultural? Exactamente, e isso ultrapassa até o problema económico. Esse problema de ordem cultural até destrói a esperança. O que vemos à volta é um caos distorcido. Há que recuperar uma dignificação do mundo rural para uma função essencial para a espécie humana, que é o contacto com a natureza, a produção de alimentos, fornecimento de água, etc.… enquanto é tempo.

Então, como vai ser a cidade do século XXI? Na relação urbano-rural temos de rever desde a base a ideia se necessitamos ou não do mundo rural. O maior problema é a destruição do mundo rural pela frustração do desaparecimento específico de espécies, pela morte das aldeias, não há caminhos locais, fecham-se escolas e outros serviços públicos. É claro que as pessoas que conseguem sair das aldeias, saem, e vão para as vilas e para as cidades. Ficam os que não conseguem sair, normalmente os mais velhos… e depois ainda há a questão da agroquímica, que vai acabar com o resto da agricultura tradicional.

Mas não se poderia transportar um pouco do mundo rural para as cidades? Hoje pensam-se as cidades em grandes edifícios, com muitos andares, com uma vacaria no 1º andar, com uma horta no telhado, com umas palmeiras nas empenas… utopia que só serve para desclassificar o mundo rural. Até porque o problema da biodiversidade está intimamente ligado com o mundo rural, não vale a pena fazermos charquinhos com rãs se não houver uma preservação e uma dignificação do mundo rural. Posso dar-lhe um exemplo aqui bem perto da falta de respeito do urbano intelectualóide pelo rural genuíno: o espaço que fica entre as dunas e a barreira das falésias da Costa da Caparica são os terrenos agrícolas mais produtivos da Europa, porque se conjugam ali uma série de factores propícios à agricultura, inclusive gente que sabe trabalhar a terra. No entanto, aprova-se um Polis que quer encher aquele espaço de construções para bairros sociais, em forma de caixotes intervalados com pequenos metros quadrados de relva que ainda por cima consome água da companhia…

Mas os bairros sociais também são necessários… Claro que são, mas não devem ser construídos em espaços agrícolas. Ainda há muito terreno com menores aptidões agrícolas que podem ser urbanizados.

Qual é a relação de um mundo que está a desaparecer, de um mundo de que dependemos historicamente, até dos seus conhecimentos, e como vamos substituir quer no tempo quer espacialmente esse mundo? Tudo se resume ao problema do desaparecimento das aldeias. É a própria história da humanidade que é mutilada. E depois também há motivos dos quais ninguém fala e que também afastaram as novas gerações do campo. Por exemplo, nos foros do Ribatejo e do Alentejo cresceram herdades ou companhias que enriqueceram muita gente, pela qualidade dos solos e a aposta certa em certas culturas. Mas isso também trouxe o reverso da medalha: os filhos e netos desses proprietários puderam ir estudar para as cidades e para o estrangeiro e quase nenhum voltou à sua terra – uma excepção ou outra no que toca aos vinhos, mas pouco mais.

Em resumo, muita coisa contribuiu para o desaparecimento do mundo rural: o não aproveitamento dos baldios, o fim da pastorícia, o alastramento da agroquímica com culturas cada vez mais intensivas em detrimento da agricultura tradicional adaptada aos solos e ao clima, os interesses da floresta industrial e da celulose, e em grande parte também por culpa dos que decidem estas coisas a partir de gabinetes nas grandes cidades sem nunca terem sujado as mãos na terra.

O problema da sustentabilidade já não se põe com o mundo rural mas com um mundo urbano utópico.

Uma questão de rabos

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A minha amiga rica encontrou em Itália um bom lugar para fazer yoga, uma coisa muito na moda. No yoga ela pode apreciar os glúteos dos homens.

Há uns anos em Portugal, fazer yoga era coisa extravagante. Tal como era frequentar a discoteca B.Leza, onde se dançava boa música africana. Fela Kuti, em “Roforofo fight”, e Cesária Évora com “Sodade” E viam-se rabos perfeitos.

Feka Kuti, “Rofororo Fight”

O B.Leza mudou-se para a beira Tejo. E o yoga passou, ao mesmo tempo, a fazer parte da rotina dos ricos. Que também começaram a dar um saltinho ao B.Leza, depois do T-Clube do José Trigo abalar para o Algarve.

No yoga e no B.Leza os rabos foram sempre muitos importantes. Por exemplo, no yoga, ela prefere ficar atrás de um belo rabo de homem. O inspira-e-baixa e expira-e-sobe é mais fácil, confessou-me. Em Lisboa, vai ao Holmes Place por ter fama de ser chique e é.

Em Itália vai para Bellagio, situada no meio das duas pernas de um lago maravilhoso. Um pé está em Como, outro Lecco. E se ela apanhar um táxi-boat para Laglio, encontra George Cloney na sua Villa Oleandra. Será fácil, basta seguir o cheiro do Nescafé. Bellagio é a vila do lago preferida pela minha amiga rica, quando passa por Itália. Pernoita no Hotel La Pergola com vistas maravilhosas para um azul polvilhado de veleiros.

Mas a minha amiga rica sente-se bem em qualquer lado, desde que os rabos dos homens sejam perfeitos. Põe óculos escuros Maui Jim e zás!… é um grande e delicioso passatempo, confessa-me. Uns glúteos vigorosos revelam um homem atlético, bem cuidado e potente. O que lhe interessa são os glúteos bem desenhados. É também uma questão estética. Ela delicia-se com “O Pensador” de Rodin, que tal como Saramago era filho de um policia. E depois?

Desde 2000 já morreram 15 portugueses em atentados terroristas

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Maria de Lurdes tinha 74 anos e foi com a neta passar uns dias de férias em Barcelona. Planeavam visitar museus, ir à praia, passear por uma cidade lindíssima mas não puderam fazê-lo. Morreram horas depois de terem chegado, vitimas de um atentado terrorista. Em nome do Daesh, extremistas islâmicos atropelaram dezenas de pessoas nas Ramblas com uma carrinha conduzida a alta velocidade.

Uma semana depois, a neta Maria foi cremada em Cascais, a avó enterrada no cemitério de Sintra. Depois disso, outros atentados vitimaram mais pessoas na Europa. As últimas semanas têm sido especialmente sangrentas, com quatro mortos a tiro em Viena de Austria, com um professor francês degolado na porta da escola, em Paris, com três esfaqueados em Nice e, ainda um padre baleado em Lyon.

Os jihadistas fazem uma guerra low-cost mas com grande sacrifício pessoal. Usam automóveis e facas e morrem às mãos da polícia. Mas criam um sentimento de insegurança nas populações e de impotência política nos governantes. Dois ingredientes da receita para a desgraça.

A Europa está a reagir a isto.  A principal responsabilidade na luta contra o terrorismo cabe a cada um dos Estados-Membros, mas agora há diretivas comunitárias para o reforço dos controlos nas fronteiras exteriores do Espaço Schengen, onde os vistos não são necessários para circulação interna.

As novas medidas foram decididas numa cimeira que reuniu o Presidente Macron, a Chanceler Merkel, o líder austríaco Kurz, o Primeiro-ministro holandês Mark Rutte, a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e o Presidente do Conselho Europeu, Charle Michel.

Macron disse que a Europa tem sido abusada por “pessoas que procuram entrar por motivos sinistros”. E acrescentou: “toda a falha nas fronteiras externas ou num país-membro é um risco na segurança de todos os estados-membros”.

Segundo a Deutsche Welle, o Presidente do Conselho Europeu Charles Michel defendeu a criação de um organismo europeu para formação de imãs na Europa e assegurar que os seus seguidores não contribuam para a divulgação de uma “ideologia do ódio”. Mas estas medidas têm de valer também para conter a onda crescente de racismo e xenofobia que trespassa a Europa, sob pena de não terem qualquer efeito na contenção dos terroristas islâmicos.

Portugal apoiará, com toda a certeza, qualquer decisão que seja implementada no sentido de reforçar a segurança. O país não tem sido palco de atentados, mas os portugueses têm pago a sua quota parte de vítimas. Os casos de Maria de Lurdes e da neta foram os mais recentes, infelizmente não serão os últimos. Desde o ano 2000 já morreram 15 portugueses vítimas do terrorismo. Cinco estavam nas Torres Gémeas, em Nova Iorque, no 11 de setembro de 2001, um estava em Bali nos atentados de outubro de 2002, outro em Marraquexe em 2011, outro no Mali em 2014, mais outro na Tunísia em 2015, três estavam no Bataclan, em Paris, em 2015, mais um no Burkina Fasso em 2016 e, por último, Maria de Lurdes e a neta.

Covid-19: novos máximos e velhotes a morrer

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Todos os dias há registo de um novo máximo, alguma vez os números terão de começar a baixar mas ainda não foi hoje. Segundo o boletim da Direção Geral de Saúde, hoje há registo de 6.994 novos casos de infeção e mais 69 mortes.

Desde o início da pandemia, Portugal já conta com 3.701 mortes associadas à covid-19. O Norte de Portugal continua a ser a região com maior incidência de casos, com 4.415 infeções nas últimas 24 horas, ou seja, 63,1% de todos os novos episódios de doença.

Quanto a internamentos, diminuiu o número de doentes acamados em enfermarias mas aumentou o números daqueles que correm sérios risco de morrer e que estão nos cuidados intensivos. Assim, há 3.017 doentes internados, menos 34 que ontem, e 458 em unidades de cuidados intensivos (UCI), mais 26 do que na quarta-feira, um novo recorde.

Faixas etárias mais atingidas

O maior número de óbitos concentra-se entre as pessoas com mais de 80 anos, com 2.504 (+43) mortes registadas desde o início da pandemia, o que não será de estranhar. Mais velhos, mais fracos, muitos a viver em condições longe das ideais em lares de terceira idade, onde a pandemia tem tido livre acesso.

Mas a faixa etária entre os 40 e os 49 anos é a que tem maior incidência de casos, contabilizando-se um total de 40.780 (+1.223) casos, seguida da faixa etária entre os 20 e os 29 anos, com 39.680 (+981), e da faixa etária dos 30 e os 39 anos, com 37.883 (+1.009). Isto é que podia ser evitado se as pessoas cumprissem com as regras de proteção que estão definidas: uso de máscara, distanciamento físico, higiene corporal.

Quanto vale um broche

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Quanto vale um broche de Anton Lachmann? perguntou a minha amiga rica, que deixou Lisboa, esvaziada pelo confinamento. Depende do broche, respondi, por mensagem. Se for um dos broches de Madeleine Albright, vale muito. Por exemplo, o “Blue Bird” de 1880. Mas isso é muito antigo, respondeu ela. Nesse caso tens um broche de 1970, feito por Cecile e Jeanne, também de Madeleine que foi secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros dos EUA. Coleccionava broches! E usava-os consoante a tarefa que tinha pela frente. De resto, escreveu até um livro sobre esse tema, “Read my Pins” (Leia os meus Broches, em tradução livre), onde desvenda essas mensagens subliminares que enviava aos seus interlocutores políticos.

Não vou revelar o nome da minha amiga, mas ela deixa-me publicar conversas, segredos e comentários dos locais que frequenta. Por exemplo sobre uma casa que tem em Sintra, que perdeu muito com a construção do modernaço Hotel Tivoli, em 1973, ao lado do Paço Real. Dom Afonso V morreu aí, chegou extenuado. Pediu um copo de água e faleceu de imediato. Foi em 1481.

Há uns anos aconteceu o mesmo com um casal amigo, disse ela. O senhor era brasonado dos 4 costados e antiquário. A esposa faleceu numa tarde de Verão muito quente. Ele bebeu um copo de água gelada e zás! morreu também.

Com ele, terminou uma das alas de Templários portugueses, que reclamava a herança de Jacques Molay, morto em 1314 por Felipe IV de França. O rei morreu pouco meses, depois da maldição lançada pelo Grão-mestre dos Templários.

Ele tinha dinheiro? perguntou a minha amiga. Tinha 15 mil soldados. Oh! Não! Pretendentes não me faltam! e pôs um LOL na mensagem, que é sinal de gargalhada. A minha amiga está agora em Milão. Deixou Lisboa, num jacto privado do aeródromo de Tires cujo preço da viagem é um pouco mais alto que os 89.49 euros do site da Edreams.

Amanhã conto-te quem encontrei aqui às compras na Versace da Galeria Vitório Emanuel, rematou a minha amiga.

Galerias Vittorio Emanuele, Milão

Noticiários Grotescos

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Aqui há uns tempos -talvez uns 15 dias- telefonei a um amigo. Interrompi-o. Encontrava-se a meio de uma actividade diária a que atribui importância. “Estava -disse-me- a ver um noticiário da televisão pública da Bélgica, um País onde passei uma temporada na juventude. Faço isto todos os dias, para ver se não esqueço o que é um noticiário a sério”. Aquilo bateu-me. Voltei a ligar-lhe a semana passada, na quarta-feira, especificamente para o questionar sobre o tempo de duração desse noticiário e que parte dedicava à pandemia. “Meia hora e bem menos de 10 minutos para o covid”, respondeu. A Bélgica é, se bem me recordo, o País europeu mais duramente atingido pela pandemia.

Voltei a olhar para os nossos noticiários televisivos da noite logo no dia seguinte, quinta-feira, dia 12 de Outubro. O Telejornal (RTP) teve a duração normal de 56 minutos. Apresentou 24 peças, 15 das quais relacionadas com a pandemia, praticamente 2/3 do noticiário. O Jornal da Noite (SIC) teve um tempo útil de 1h22′, com um alinhamento de 19 reportagens, 10 das quais dedicadas à covid. Mas uma destas peças teve a duração de 42 minutos. Ou seja, pelo menos 3/4 do noticiário foram dedicados à pandemia. Quanto ao Jornal das 8, da TVI, esticou-se por 1h23′, mais um minuto do que o noticiário da SIC. Dezanove das 30 peças apresentadas estavam relacionadas com a pandemia, sendo que duas destas peças tiveram uma duração de 7 minutos e de 15 minutos. Ou seja, passaram bem mais de 2/3 do noticiário ocupados com o vírus. Pelo meio dos alinhamentos vão metendo outras notícias, a maior parte das vezes sem grande nexo, prova de que têm a noção de que aquilo é uma seca monumental.

Não acredito que os responsáveis editoriais concebam alinhamentos como os que nos apresentam porque achem que assim é que deve ser, em termos jornalísticos. Fazem-no porque acreditam que a malta quer doses daquelas. Olham para os noticiários do lado e sentem-se reconfortados. Estão numa disputa consciente pelo grotesco, apresentando produtos altamente tóxicos. É para o lado que dormem melhor.

“Parece um catraio”, exclamou a minha sogra quando lhe apareceu na pantalha um dos pivôs, enfiado num fato de xadrez bem vistoso. É  verdade, podia bem ser um miúdo saído do Adão Juvenil, na baixa lisboeta, ali por volta dos anos 60. Outro dos pivôs também se apresentava de fato de xadrez, embora menos vistoso. Mas o melhor, mesmo, são as calças bem apertadas, por cima dos tornozelos. Parecem jokers. Tudo, presumo eu, para disfarçarem a idade, querendo passar por jovens, embora veja, na rua, pouco gente vestida como eles se nos apresentam. O cabelo é que já não perdoa.

Covid-19: 79 mortes e Governo prepara vacinação em massa da população

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No boletim de hoje da Direção Geral de Saúde estão registados 5.891 novos casos de infeção e 79 mortes associadas à doença covid-19 nas últimas 24 horas. Assim, desde o início da pandemia Portugal já registou 3.632 mortes.

Segundo o boletim, 54 por cento dos novos casos situam-se na região Norte, que contabilizou nas últimas 24 horas mais 3.191 infeções, seguido de Lisboa e Vale do Tejo, com 1.637 novos casos.

Agora, há 3.051 doentes internados, mais 23 que ontem, e 432 em unidades de cuidados intensivos, mais um do que na terça-feira, o mais alto número desde o início desta pandemia.

Governo prepara vacinação em massa da população

O Governo espera que haja vacina já no início do próximo ano. A ministra da Saúde disse hoje que há já várias decisões a serem tomadas como, por exemplo, o local onde as vacinas serão armazenadas e quais as prioridades relativamente à vacinação.

Como não vai haver vacinas para todos ao mesmo tempo, o Governo irá decidir quem tomará primeiro e os sucessivos grupos que terão acesso à vacina. Recorde-se que o Governo já prometeu disponibilizar a vacina gratuitamente e de forma universal pela população. Só ainda não decidiu se a vacinação será obrigatória ou voluntária.

 “Os organismos técnicos estão a trabalhar com resguardo, com tranquilidade, e apresentarão publicamente o planeamento num prazo relativamente curto, no início do mês de dezembro, o mais tardar”, disse Marta Temido.

A governante explicou que o país “tem de estar preparado” para fazer uma distribuição segura no que toca a garantir os circuitos de transporte, ter profissionais alocados para a administração das vacinas, ter os registos informáticos assim como garantir que são anotadas “reações adversa que eventualmente surjam”.

Quanto à vacina que deverá vir a ser escolhida, Marta Temido lembrou que essa é uma decisão que ainda não está tomada e que depende de vários fatores, desde as condições de segurança, eficácia e temporalidade assim como com a transparência associadas ao processo.

Cascais, munícipes desmentem autarquia no caso das hortas destruídas

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No seguimento do artigo publicado ontem e da onda de protestos que se elevou nas redes sociais, a Câmara Municipal de Cascais reagiu e diz que não passa tudo de “boatos”. Nega todas as acusações e afirma que o procedimento camarário foi articulado com os hortelãos em causa, que tudo se tratou de uma mera operação de limpeza solicitada por munícipes.

A Associação Desassociada reafirma, contudo, que a denúncia é verdadeira. Por email, responderam ao Duas Linhas que  “as hortas destruídas foram pelo menos quatro (embora o número real seja provavelmente superior, mas neste momento não temos como confirmar o número e não queremos dar informação falsa)”.

No caso da horta da Desassociada, “passaram pelo projecto dezenas de pessoas, sendo que actualmente estão activos cerca de 10 membros”, e relativamente às outras hortas envolvidas “eram maioritariamente trabalhadas por reformados que passavam grande parte do seu tempo nestes terrenos. Não cremos que cultivassem por necessidade absoluta, no entanto, não deixa de ser uma forma de subsistência que lhes foi retirada”, diz a Associação Desassociada.

A Câmara Municipal de Cascais garante, no Facebook, que vai “envolver os hortelãos” no processo de “requalificação”, mas não diz quando nem em que termos.

A Câmara não teria tido nenhuma dificuldade em contactar esta associação, como é evidente, e se não o fez foi, certamente, porque não quis. Por parte da Desassociada, eles reafirmam que  “não houve qualquer aviso por parte da CMC ou de qualquer outra entidade” e que “a razão para a destruição das hortas é a realização de um projecto do orçamento participativo (OP48) que não chegou a ganhar o concurso.”

Mesmo no Facebook da Câmara Municipal, as reações a este caso não são simpáticas para a autarquia. Os munícipes dão a cara nos protestos. Maria João Teixeira, por exemplo, diz que algo semelhante já aconteceu num terreno de que ela é proprietária…

Ou seja, mesmo em terrenos alheios e cujos proprietários não se importam que estejam a ser utilizados por hortelãos, a Câmara pretende intervir. Maria João Teixeira diz ainda que, no seu caso, “não percebo como é que não vieram falar comigo como proprietária em vez de abordarem o arrendatário. Ainda por cima dizerem ao senhor que os terrenos eram da Câmara quando na verdade aquela parte não pertence à Câmara mas sim a mim. Ontem pelas minhas mãos andei sozinha a limpar bidões e outros lixos que ele lá tinha, pois o estado de saúde do senhor não o permitiu cuidar das terras este último ano. Gostaria de saber como posso ter acesso ao plano mais descriminado da área de intervenção porque pelo que está disponível na net, a área requalificação entra já dentro de terreno que me pertence…”. A ser assim, a autarquia está com problemas de comunicação com os munícipes. Voltando à horta da Desassociada, outros comentários alinham pelo mesmo tom crítico.

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Parece provado, assim, pela quantidade de reações que confirmam o que dizem os membros da Associação Desassociada, que a Câmara agiu sem consideração pelos interesses dos munícipes envolvidos nestas hortas comunitárias. Não dialogou com as pessoas e não revelou os verdadeiros interesses que levaram a esta ação de “limpeza” que, no entanto, deixou os destroços no terreno…

Os terrenos onde a Desassociada estava tinham dono, sim, mas esse dono é a própria autarquia. Que é como quem diz, são todos os munícipes cascalenses.