Os números de hoje sobre a evolução da pandemia dizem que houve 74 mortes e 4.044 novos casos de infeção covid-19. Dizem igualmente que já morreram com este coronavírus 3.971 pessoas.
Quanto ao número de doentes internados, segundo o boletim da Direção Geral de Saúde, estão 3.241 doentes em enfermaria e ainda 498 em cuidados intensivos, quantitativos mais altos que ontem.
Os doentes internados em cuidados intensivos têm vindo a aumentar desde o dia 07 de setembro, quando estavam nestas unidades 49 pessoas, ou seja, 10 vezes menos do que o verificado hoje. Relativamente aos internados em enfermaria no mesmo período (em 07 de setembro estavam em enfermaria 332 pessoas), tem-se verificado um crescimento estando hoje nos 3.241.
A DGS indica ainda que das 74 mortes registadas nas últimas 24 horas, 35 ocorreram na região Norte, 20 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 10 na região Centro, duas no Alentejo e uma no Algarve.
A mais recente confidência da minha amiga rica: “Dei com a Brigitte Bardot a observar as mamas de Cristina Ferreira no Youtube. A miúda é engraçada, comentou. Tem umas mamas perfeitas, do tamanho de taça de champanhe. É assim mesmo que deve ser, comentou ela submersa em dezenas de gatos, esparramada no sofá”.
Acho que a minha amiga rica não aprecia muito gabar outras mulheres. A concorrência é feroz. Era, melhor dizendo. Hoje isso são coisas de menor importância… A conversa delas derivou para o preço da fama e de como isso é bom e facilita tudo na vida. Mas a Brigitte que abandonou tudo de livre vontade, para se dedicar aos animais, cortou logo as vasas, com a autoridade de quem conhece bem as chatices da fama: “Ora! Não diga isso querida!”
A Cristina Ferreira não sabe, mas tem em Florença uma fã. O relato da minha amiga rica prosseguiu assim: “Adoro essa miúda tem garra e diverte-me os gatos”, confessou Brigitte. “Queres ver?” E pôs aquilo para trás e para a frente. A cada risada da Cristina, os gatos agitavam-se. E nos guinchos sexys, eles trepavam pelas paredes. E a Brigitte ria, ria muito.
Raramente ficam sós muito tempo, as reuniões da Brigitte com a minha amiga têm sempre outras convidadas. “Uma das convidadas de Brigitte trouxe uns sapatos Christian Louboutin comprados em saldo por 1500 euros”, coscuvilhou a minha amiga. “Isso é uma pechincha”, exclamou Brigitte. “Eu julgava-te adepta de andar descalça e sem lingerie”. “Ó querida! Isso foi para as revista” – respondeu ela. E lá ficaram a apreciar as mamas Cristina Ferreira na TV. É um hábito das mulheres.
Os homens não comentam rabos, mamas ou pernas de homens. Quer dizer, a maior parte, alguns comentam. Os homens falam mais de futebol. Do Cristiano Ronaldo, do Messi e do José Felix, que custou 125 milhões de euros ao Atlético de Madrid, foram os argumentos da minha amiga, um bocadinho despeitada por tanta atenção dada à Cristininha.
“Mas isso é possível?” espantou-se Brigitte, quando a minha amiga rica falou em tanto pilim. “É! E o Ronaldo já foi vendido por 94 milhões de euros do Manchester United ao Real Madrid e 117 milhões do Real para a Juventus. É o mundo do futebol”, concluiu a minha amiga rica, que adora dinheiro como bananas. “Meninas!” gritou Brigitte, “deixem as mamas da Cristina em paz e falemos dos pés do Ronaldo!”
Adorava ter lá estado. Os meus pés não são nada de deitar fora, também…
A alcunha da tropa foi “Sintra”. Ter uma alcunha é da praxe e muitos eram conhecidos pelo nome da terra onde tinham nascido.
Joaquim “Sintra” Sequeira aprendeu o ofício de canalizador na tropa. Foi em Tancos, na Escola Prática de Engenharia. Mas ele nem sonhava que na guerra os canalizadores fazem muita falta. Em 1965 chegou ao pior sítio para se estar na guerra colonial: a Guiné.
Sequeira ainda ficou uns tempos em Bissau, a remodelar as casas de banho do Hospital Militar. Mas havia muitos quartéis na Guiné que nem casa de banho tinham. E lá foi ele resolver o assunto nos quartéis de Mansoa, Binta, Mansabá, Farim, K3, entre muitos outros que a memória não guardou.
mapa da Guiné Portuguesa 1966
“Fiz 22 anos em março de 66 no mato”, conta-nos Joaquim. Era costume, em ocasiões de celebração, deixar os soldados ir receber a correspondência da família em Bissau. O seu pai costumava enviar “umas garrafitas de vinho, umas postas de bacalhau e um ou outro chouriço”. Chega ao aquartelamento e encontra-se com o Sargento de uma companhia recém-chegada que precisava urgentemente de água nos lavabos. Ir tomar banho era cada vez mais perigoso devido à distância ainda considerável que separava os soldados do rio mais próximo. O tempo que se perdia para garantir segurança nas picadas e o risco que se corria em ser morto no caminho ou durante o banho no rio, tornavam a higiene muito complicada. O quartel precisava urgentemente de água corrente e, depois de um serviço bem feito, deram-lhe o prémio de voltar de avioneta para Farim, no norte, perto da fronteira com o Senegal.
À chegada a Farim encontrou no bolso uma nota de 100 escudos. Mais tarde descobriu que tinha sido o Sargento Joaquim Lageira, homem “honroso e amigo dos seus homens”, como agradecimento pela casa de banho construída no aquartelamento.
A guerra na Guiné foi muito difícil para a tropa portuguesa. “As estradas eram armadilhadas com bombas e eles estavam armados com Kalashnikov, uma arma de cadência superior à nossa G-3.” Dos que morreram, lembra com tristeza o “Chico Buca”, como era conhecido. Buca tinha acabado de chegar e morreu na primeira “batida” que o pelotão fez nas redondezas do quartel. Pisou uma mina e ficou lá enterrado em Farim. Na mesma ocasião, um outro morreu com um ataque de coração.
Convencido que os territórios dominados pelos Portugueses eram na verdade “províncias Ultramarinas” afirma ter ido defender uma região que era tanto nossa como a Madeira.
“Trabalhámos, sofremos e morremos”, é a síntese que o “Sintra” faz da guerra na Guiné. A sua mãe fê-lo prometer que enviava fotos com regularidade. As pernas e os braços tinham de estar visíveis, para ela ter a certeza de que o filho continuava inteiro. Aquela guerra não ficou só no mato, chegou às casas dos soldados nem que fosse na mais recôndita aldeia de Portugal.
O massacre continua. Hoje há registo de mais 73 mortes e 4.788 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde. Mas a tendência parece ser para diminuir, excepto no que diz respeito aos internamentos.
fonte DGS
O que o gráfico mostra é que desde o dia 19 que não há aumento de novos casos de infeção e que parece existir uma tendência para diminuir esse número. As previsões dos técnicos de Saúde apontam no sentido inverso. Veremos o que acontece nos próximos dias.
Portugal está perto de atingir a fasquia das 4 mil mortes, o que deverá acontecer dentro de uma semana aproximadamente, se a propagação da pandemia mantiver os níveis altos dos últimos dias.
Este gráfico indica que não tem havido grande oscilação no número de mortes que se tem situado entre as sete dezenas e as nove dezenas diárias, mas que os internamentos em unidades de cuidados intensivos estão sempre a aumentar. É este dado que demonstra a pressão que existe nos hospitais, onde não há muitas camas dedicadas a este tipo de urgência. Não basta haver uma cama para um doente que deixa de ter função respiratória. São precisos muitos equipamentos e técnicos capazes de os operar.
A DGS indica que, das 73 mortes registadas nas últimas 24 horas, 39 ocorreram na região Norte, 20 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 12 na região Centro e duas no Alentejo.
Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim indica um aumento nos internamentos em enfermaria, totalizando 3.151, mais 126 do que no sábado, e também nos cuidados intensivos, onde estão 491 pessoas, mais seis que ontem.
A região Norte é a que regista o maior número de novos casos, com 3.091 reportados nas últimas 24 horas. Na região de Lisboa e Vale do Tejo foram notificados mais 844 novos casos de infeção.
Tomámos conhecimento há uns dias que a UNESCO não irá reconhecer as touradas como “Património Cultural Imaterial da Humanidade” em necessidade de salvaguarda urgente, tal como pedido pela associação espanhola International Tauromaquia Association. Aplaudi entusiasticamente esta decisão, mas admito que continuo a ter dificuldade em entender a continuidade deste espectáculo tétrico, particularmente quando se celebra o vigésimo aniversário da Estação Espacial Internacional e se dão passos concretos para pôr seres humanos em Marte. Nesta fase do desenvolvimento da nossa espécie, já não deveria ser necessário ter de explicar porque é que as touradas já deviam ter desaparecido.
Como ando a rebentar de trabalho, quase que deixei esse facto escapar sem comentário, mas entretanto li o artigo de Florbela Fernandes, intitulado “O touro bravo não é um boi” e, depois do facepalm que se impõe quando se lê um disparate desta magnitude – que deixou o Darwin, Linnaeus e mais uma dúzia de naturalistas às voltas nas tumbas -, lá me sentei a escrever estas linhas. Estimada Anabela, um biólogo marinho (como eu) não é um veterinário, mas até eu sei que um touro bravo é uma das milhares de raças (ou sub-espécies) da espécie Bos taurus, que inclui outras raças como a famosa (e deliciosa) Angus, Charolesa, Longhorn do Texas e uma multitude de outras sub-espécies que o Dr. Google lhe mostrará se teclar “cattle breeds”, porque a língua inglesa disponibiliza sempre resultados mais profícuos. Irá notar que o touro bravo aparecerá em todas as listas que o Google disponibilizar, à semelhança das listas disponibilizadas em compêndios técnicos veterinários. E sim, dei-me ao trabalho de confirmar este facto junto da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, com quem tenho o privilégio de trabalhar em projectos variados há muitos anos.
Já vamos aos argumentos pró-toiros debitados pela Florbela, na sequência de uma visita à maravilhosa ganadaria Murteira Grave mas, antes disso, vamos só deixar algo bem claro: a tourada é um espectáculo durante o qual toureiros – e toureiras – espetam ferros no dorso de um mamífero senciente. “Senciente”, já agora, significa que tem sentidos apurados, que é um conceito com o qual alguém com formação de Assistente Social realmente deveria estar familiarizada. Outros organismos sencientes são, por exemplo, nós, os cães, os gatos, os hipopótamos, as girafas, os ursos, e a lista podia encher largos milhares de páginas. Mas não nos deixemos distrair e foquemo-nos neste ponto essencial: a tourada é um espectáculo durante o qual toureiros – e toureiras – espetam ferros no dorso de um mamífero senciente.
Este artigo devia acabar na frase anterior. Ponto. Porque não há justificação possível para o que está descrito na frase. Ponto. Mas, já que as associações pró-tourada – e a Anabela Fernandes – acham por bem defender algo que é indefensável, atiremo-nos ao exercício de desconstruir metodicamente os seus argumentos, um por um.
O primeiro argumento que normalmente invocam nesta discussão é que as touradas dão emprego a um vasto sector. Essa informação pode ser refutada citando a deputada independente Joacine Katar Moreira, com um sonoro e rotundo “MENTIRA!!!”
Vejamos: a AutoEuropa dá emprego a muita gente; o sector têxtil dá emprego a muita gente; o sector da cortiça dá emprego a muita gente; as telecomunicações dão emprego a muita gente e, mais uma vez, podíamos encher páginas de exemplos de sectores profissionais que empregam largos milhares de indivíduos. No caso das touradas, proponho-vos o seguinte exercício: já que foram ao Google pesquisar “cattle breeds” e viram muitos posters com touros bravos – entre outras raças – agora escrevam “cartaz tourada” e cliquem na opção ‘imagens’. De seguida poderão pegar numa folha de papel e começar a anotar os nomes que observam nas centenas de cartazes que o Google disponibiliza.
Deixem-me adivinhar: na vossa folha têm os apelidos Zoio, Palha, Moura, Bastinhas, Telles, Rouxinol, Salvador e mais uma dúzia de outros nomes que se repetem ad aeternum, certo? Bem espremido, entre toureiros – e toureiras –, grupos de forcados (que são amadores e, como tal, levam porrada à borla), ganadeiros e afins duvido que consigam encher, sequer, a folha com que iniciaram esta tarefa. É isso o vasto sector que tem de ser protegido a toda a força? Uma mão cheia de técnicos agrários que, na sua esmagadora maioria, tem outras fontes de rendimento?
Por falar em outras fontes de rendimento, tomemos o exemplo do João Moura, que nos deslumbrou a todos com o seu extraordinário talento para a manutenção de galgos de corrida, em fevereiro deste ano. Aliás, até podíamos divagar acerca do simbolismo dessa notícia, que ocorreu logo no início do ano e marcou o tom deste 2020 de que ninguém se vai esquecer. Mas regressemos ao João Moura e aos restantes comparsas, que se dedicam a outras actividades que, seguramente, não os deixarão passar fome se deixarem de espetar ferros em touros. Aliás, a julgar pelas fotografias que todos vimos do ex-toureiro-agora-criador-de-galgos, dir-se-ia que o cavalheiro não tem mesmo passado fomeca nenhuma desde que cessou a actividade de tourear. Já as fotografias dos galgos, sugerem alguma dificuldade com o conceito de “partilha”, mas pronto, ninguém é perfeito.
Aproveitemos este mote para sugerir uma actividade comercial que poderá proporcionar um rendimento razoável a este imenso grupo de profissionais, que serão responsáveis por uma fatia que não chega a qualificar-se como “ínfima” do produto interno bruto nacional. Aliás, tendo em conta que a maioria das touradas são subsidiadas pelos municípios, esta actividade retira valor ao PIB, em vez de o acrescentar. Mas voltemos à sugestão de outra actividade que ia avançar: carne de touro bravo.
Se estavam à espera que o biólogo marinho que escreve estas linhas fosse vegetariano e fervoroso defensor dessa filosofia, enganaram-se redondamente, porque o dito biólogo é, sim, um fervoroso defensor dos direitos dos animais – mas gosta de os comer. Lamento, mas estou/amos no topo da cadeia alimentar e tenho/emos polegares oponíveis, o que significa que, na vasta teia alimentar de que fazemos parte, este vosso criado é um grande apreciador de secretos. E não esqueçamos a deliciosa dobrada. Ok, ok, admito que as alterações climáticas me estão a empurrar numa direcção vegana, mas não misturemos alhos com bogalhos. Como já disse aos meus amigos vegetarianos e anti-tourada várias vezes: “Se cairmos numa ilha deserta e houver lá um touro, vocês ficam com os cocos e as mangas, que o entrecosto é meu.”
Assim sendo, deitámos por terra o outro argumento clássico, que dita o fim da raça ‘touro bravo’ caso proíbam as touradas. Efectivamente, os touros bravos podem ser comidos, à semelhança das restantes raças bovinas. Eu diria mesmo que o ambiente free range e biológico em que habitam permitirá aos seus criadores cobrarem valores premium, já que se trata de um produto gourmet. Quem sabe se essa fonte de rendimento lhes permitirá comprar uns saquitos de ração para galgo, antes que a Leishmaniose dê conta deles?… Afinal de contas, a comunidade tauromáquica assume-se como intensamente apaixonada pelos animais à sua guarda, não é?… Adiante.
Ainda nesta linha, não esqueçamos os parques zoológicos, ou mesmo reservas, em que turistas pagam somas consideráveis para ver animais no seu ambiente natural. A mim não me choca que se coloquem uns belos touros bravos numa lezíria e que a turistada tire umas fotografias com eles, confortavelmente instalados num jipe. Quem sabe se a visita possa começar com um briefing durante o qual lhes seja explicado o fim a que essa raça se destinava antes de se tornar objecto da nossa gula, não só gastronómica mas também fotográfica? Estão a ver, senhor@s toureir@s e ganadeir@s, como este biólogo marinho se preocupa com a vossa sobrevivência e se dá ao trabalho de vos apontar caminhos que garantam um rendimento saudável? Quem é amigo, quem é?
Impõe-se, neste momento, uma nova chamada de atenção para o argumento da Florbela Fernandes, que acrescenta que o propósito de vida do touro bravo é o “combate leal na arena”. “Leal”? A sério? Eu aplicaria “leal” a um combate em que os resultados são repartidos mais ou menos numa proporção de 50/50 ou, vá lá, 60/40… Ou seja, tínhamos metade dos touros a sair das arenas efectivamente maltratados mas, na outra metade, tínhamos toureiros a saírem de charola, rodeados de amigos chorosos envergando vestes negras uns dias depois… Mas, corrijam-me se estou enganado, esta proporção anda mais na casa dos 999/1, provavelmente até uma (ou mais) ordem(ns) de magnitude acima. Um resultado de uma contenda milenar que ronda os “999/1” (?) a favor dos seres humanos não se configura propriamente como “leal”, pois não?
Façamos um breve ponto da situação, voltando a lembrar que a tourada é um espectáculo durante o qual toureir@s espetam ferros no dorso de um mamífero senciente: É uma fonte de rendimento impactante para a economia nacional? Não é e os mesmos nomes repetidos nos cartazes provam-no; É a única fonte de rendimento para o sector que se dedica a esta prática? Não é e recordemos que a sazonalidade da mesma sempre obrigou a fontes de rendimento alternativas; O fim deste espectáculo significa o fim dos touros bravos? Não, porque estes podem ser criados para serem comidos – ou apreciados no seu ambiente natural -, que são destinos idênticos aos de outros mamíferos e são destinos naturais. Não há nada de natural em vender bilhetes para ver senhores – e senhoras – de collants rosa e sabrinas a espetarem ferros no lombo de mamíferos sencientes.
As mentes mais argutas viram na frase anterior uma excelente oportunidade para apontar o dedo ao biólogo marinho que escreveu estas linhas: “Olha o sexista do gajo, a insinuar que os homens não podem andar de collants rosa??” Meus caros – e caras – agradeço terem mordido o anzol que pendurei em frente às vossas faces, mas podem usar o que vos der na real gana, incluindo kilts, burkas, fishnets e afins, tapando as vossas partes pudibundas por baixo, ou deixando-as al fresco. É-me absolutamente indiferente. Citei os collants rosa em tom propositadamente provocatório, porque o meio tauromáquico é profundamente machista e creio que os seus constituintes nunca se deram ao trabalho de reparar num espelho quão sedutores parecem de leggings, jaqueta de lantejoulas, collants rosa e sabrinas. É só para saberem que não nos passou despercebido que é esse o uniforme que escolhem envergar quando espetam ferros no lombo de mamíferos sencientes. Eu cá teria optado por um daqueles fatos de macaco laranjas do filme Hostel, mas gostos não se discutem.
Partilho agora convosco um conceito que me parece aliciante para os indecisos, porque não tenho a presunção ingénua de tentar virar umª aficionadoª, da mesma forma que não há retórica socrática nem platónica neste Universo – ou nos outros – que me faça equiparar este banho de sangue a um bailado, parafraseando uma ex-líder política que saiu de cena tão rapidamente quanto as touradas já deviam ter saído. Recomendo então aos indecisos que fechem os olhos e imaginem uma tourada com outro animal qualquer. Um urso, um leão, um dragão de Komodo, um orangotango, um tubarão branco, o monstro do Loch Ness, a lista não tem fim. Agora descrevam os adjectivos – se conseguirem – que o vosso cérebro associou à imagem do animal da vossa escolha, cravado de ferros e a pingar litros de sangue para uma arena, enquanto uma turbe ululante aplaude o urseiro – de collants rosa, sabrinas e lantejoulas.
Já lá chegaram ou precisam de mais um bocadinho? É assim que o resto do mundo olha para as touradas. Vêem-nas como o espectáculo incompreensível que realmente são. Porque não há argumento que justifique o espetanço de ferros no lombo de um mamífero senciente. Não o faríamos a um urso, nem a um leão, nem a uma girafa, nem sequer a um jacaré, ao Yeti ou mesmo ao Sasquatch, então porque diabo o fazemos a um touro bravo e encolhemos os ombros, como se o animal tivesse sido posto na Terra para levar com ferros e mais nada? Aqui na Península Ibérica – e em mais algumas partes (poucas, felizmente) do mundo, crescemos a aceitar essa prática como normal. Mas não há rigorosamente nada de normal num espectáculo durante o qual toureiros – e toureiras – espetam ferros no dorso de um mamífero senciente.
E querem que vos seja profundamente sincero? Como biólogo posso avançar que, se o bicho não servir para ser comido, nem para ser visto, pois então que acabe. É preferível a extinção de uma raça – que não é uma espécie – do que mantê-la meramente para que se vendam bilhetes para vermos pessoas a cravar-lhes ferros no lombo. Recomendo que se guardem gâmetas em azoto líquido e que se fabriquem embriões – no ventre de fêmeas de outras raças bovinas – quando a sociedade tiver maturidade para tal. Se o método de fertilização in vitro funcionou com o meu Nikola, que completou 15 meses há dias, também funcionará com touros bravos, que merecem melhor do que andarem a marrar em capas vermelhas, para gáudio dos néscios que apreciam esse abuso.
Termino com a resposta a uma provocação que me atiram com frequência durante estes debates acalorados, nos quais me envolvo com frequência em almoços e jantares de família e amigos – agora tão distantes: “Eu queria era ver-te a ti lá em frente ao bicho, a pegá-lo!”. A resposta tem duas partes. Primeira: “Não, obrigado. Prefiro deixar o bicho sossegado.” Segunda: “Eu queria era ver-te a ti pegares o bicho mas selvagem, na lezíria, sem os cornos embolados e sem um aquecimento de quarenta minutos a levar com ferros no lombo.” Isso é que era um “combate leal”.
Agora sim vou terminar, com um recado para os membros da classe política, que dir-se-ia temerem a reacção adversa da população caso tenham a audácia de, um dia, proibirem um espectáculo em que se espetam ferros no dorso de um mamífero senciente. Aconselho os senhores – e senhoras – dirigentes políticos a passarem algum tempo nas redes sociais e verão que a população portuguesa já se afastou bastante das fotografias a preto e branco que as revistas National Geographic disponibilizavam quando se falava de Portugal há 40 ou 50 anos. Nessas fotos apareciam homens de camisa aos quadrados, com 4 dentes, barretes de lã preta, um cigarro no canto da boca e barba por fazer. As senhoras tinham fisionomia idêntica – incluindo a pelosidade facial – mas distinguiam-se dos cavalheiros pelas sete saias aos folhos. Éramos assim mais ou menos a meio do século passado e dir-se-ia que a classe política continua a ver-nos da mesma forma: pobres (de carteira e espírito), simples, derrotados, básicos na mais pura essência da palavra.
A classe política precisa de abrir os olhos e apreciar que todos andamos, agora, com smartphones que custam mais do que um ordenado mínimo nacional. Andamos bem vestidos, com logotipos variados – nem todos de contrafacção – e cheiramos a abundância. Aliás, vestimo-nos de licra (ocasionalmente rosa) e corremos pela cidade num esforço permanente de queimar o excesso de abundância das coxas, glúteos, barriga e cintura. Esta população, senhores dirigentes, não quer votar em quem apoia o espetanço de ferros no lombo de mamíferos sencientes. Esta população moderna e elucidada prefere votar em quem valoriza a Natureza e o bem-estar animal.
Está na hora, senhores – e senhoras – dirigentes, de entenderem que ganham mais votos junto dos milhões de nomes que não estão nos cartazes tauromáquicos, porque não são esses – poucos – apelidos que vos irão reconduzir nos cargos. Está na hora de darem finalmente um murro na mesa e pararem com um espectáculo que só nos embaraça internacionalmente. Para isso já chega o Chega, mas isso fica para outro dia.
Os transportes públicos em Portugal não davam um filme, ao contrário do que diz o ditado. Davam uma saga com várias sequelas e/ou prequelas. O género? Entre a comédia dramática e o thriller psicológico.
Fala-se muito no excesso de automóveis nas estradas portuguesas, no mal concebidas, planeadas, construídas e geridas que elas estão um pouco por todo o País. Fala-se dos flagrantes atropelos ao Código da Estrada que todos os dias acontecem, e o que é pior, frequentemente com desfechos dramáticos. Fala-se da necessidade de restringir o tráfego automóvel em nome da mobilidade urbana e do meio ambiente. Há quem aposte nas energias alternativas como a solução para os males da poluição atmosférica (a sonora e as carcaças de automóveis nas sucatas são outras histórias…). Há quem reclame, e bem, por redes de transportes públicos mais eficazes e ao alcance de toda a população, precisamente para descongestionar o tráfego cada vez pior, na era das Ubers, TGVD e outras coisas similares. Há quem fale no conceito de carro-centrismo e de tudo o que é negativo que esse culto às quatro rodas acarreta. Mas foquemo-nos nos transportes públicos.
Alguém considera aceitável ou até positivo que uma pessoa tenha de se levantar com duas horas (ou mais) de antecedência para chegar a tempo à escola, universidade ou local de trabalho (mesmo em época de restrições pela pandemia do COVID-19, há quem tenha de se deslocar nem que seja uma a duas vezes por semana)? Mesmo que a distância não seja tão grande? Imaginam os leitores do Duas Linhas o stress e a ansiedade? Pois eu não imagino: sei. Utilizadora de transportes públicos desde tenra juventude, pertenço com orgulho àquela minoria que deixa a aquisição de veículo automóvel para depois. Ou porque a vida está cara, ou porque o estacionamento está cada vez pior, ou por essas e outras razões. Sempre utilizei transportes públicos e já lhes conheço as manhas. Por exemplo, na véspera de greves convocadas pelos sindicatos, já sei que os transportes do sector vão ter “atrasos devidos a falha técnica” mesmo a tempo do trabalhador sair do seu turno e ir descansado para casa, ou como relatou um cidadão nas redes sociais numa dessas greves, fazer “piquete” a beber cervejas numa esplanada. Não são todos, mas que os há, há.
Também já sei que cumprir os (maus) horários é uma miragem, mesmo em época onde não deveria existir tanto carro a circular por via do tele-trabalho instalado: todas as desculpas são válidas, desde o clima instável que ora chove, ora faz sol, até às obras na via pública, passando pelos acidentes de viação mais ou menos expectáveis, o mau estado do piso, o estacionamento abusivo que impede a passagem dos veículos sem o perigo iminente de um toque ou de um choque frontal ou lateral… aqui entram vários factores, como a minha experiência me demonstrou: a falta de planificação urbana que não contemplou a explosão do número de automóveis nos últimos 25 anos, o desadequado dos horários dos autocarros, eléctricos e comboios, o deixar “ao Deus dará” as cidades pequenas e vilas no chamado “Portugal profundo” porque o que estava a dar (sobretudo nos tempos dos dinheiros abundantes da CEE) eram as estradas e os carros, e, claro, o facto de quem faz esses horários e percursos mais parece que não faz a menor ideia onde ficam as localidades e quais são as reais necessidades das pessoas. Ninguém gosta de perder 30 minutos – no mínimo – entre transportes, seja de manhã, seja para ir almoçar a casa (e dar a refeição às crianças, se as há, ou a familiares doentes se se tratam de cuidadores) ou ao fim do dia, onde já se está tão exausto que basta encostar a cabeça ao vidro do autocarro e dorme-se logo. Esta semana foi uma situação dessas: fui ao escritório da empresa onde trabalho, num dos pólos empresariais de Oeiras, e ao regressar a casa para almoçar e fazer o resto do dia de trabalho ao computador, as contas ao tempo saíram-me mal: o autocarro atrasou-se. Para além dos 20 minutos de espera (mais dez do que o suposto) ainda tive de esperar mais dez minutos pelo comboio na linha de Cascais, cujos horários também deixam muito a desejar.
Chego a pensar que por ser utilizadora de transportes públicos sou uma cidadã de terceira ou quarta categoria. Apesar de pagarem passes de custo de primeiro mundo. Parece uma tese absurda, mas tendo visto a atitude sobranceira, arrogante e incivilizada de certos cidadãos automobilistas que olham com desprezo para os transportes públicos, mais parece verídica. Isto sem falar no aparente desconhecimento flagrante da realidade que demonstram os administradores das empresas de transportes colectivos de passageiros, que não devem saber o que é andar nos mesmos. Conheci pessoas com automóvel que por curtos períodos de tempo não puderam utilizar os seus veículos. Pois bem, uma delas chegou a mencionar o andar de transportes públicos como um horror, pela quantidade de gente misturada… que dizer agora em tempos de pandemia, onde as empresas de transportes não se dignam a aumentar o número de composições, ou carruagens, ou viaturas, para tentar ajudar na luta contra a propagação do malfadado coronavírus, já que quem trabalha precisa de se deslocar de alguma forma.
Existe no Instituto Superior Técnico de Lisboa um doutoramento em Sistemas de Transportes, ao que sei; seria muito interessante que tanto os docentes, como os alunos e os investigadores saíssem mais dos seus gabinetes… e andassem de transportes públicos para verem a realidade do que estudam, por mais bem preparado que seja esse curso doutoral. Felizmente, no deserto da falta de debate sobre este tema, vão surgindo trabalhos interessantes. Chamo a atenção para dois trabalhos efectuados pelo projecto Fumaça:
1- Entrevista com Helena Amaro, doutoranda em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e pelo CHAIA – Centro de História da Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora. Fala-se sobre a dependência e os apoios ao veículo particular em detrimento dos transportes públicos, da descentralização da gestão dos transportes, a nível nacional, da acessibilidade fora dos centros urbanos e da mobilidade como fator de ascensão social.
2- Entrevista com Rosário Macário, doutorada em Sistemas de Transportes no Instituto Superior Técnico, professora e coordenadora do Mestrado em Planeamento e Operação de Sistemas de Transportes no mesmo instituto e administradora não executiva da consultora TIS – Transportes, Inovação e Sistemas. Fala-se sobre mobilidade nos centros urbanos; a descentralização da gestão dos transportes públicos; a redução do preço dos passes únicos que, diz, foi calendarizada para acontecer perto das eleições; e, ainda, o papel da iniciativa privada nos veículos coletivos de passageiros.
Recordo que países de primeiro mundo têm excelentes sistemas de transportes públicos e que mesmo membros dos Parlamentos desses países os usam sem qualquer problema. Por exemplo, Suíça e Inglaterra. Se calhar, era um bom exemplo a copiar, já que Portugal é, desde há largas décadas, exímio a copiar o que lá fora se faz. E nem é preciso ir de carrinho.
A minha amiga rica ligou-me por causa do livro de Cristina Ferreira “Pra Cima de puta” e do espanto que o título causou a Brigitte Bardot. Contou-me que lhe mostrou vídeos dos programas da Cristina Ferreira que estão no youtube e que a amiga também se espantou com a gritaria. Como a Brigitte gosta muito de animais, falou-lhe na amizade de Cristina com Goucha, que é gay e que ninguém se importa, felizmente.
Brigitte Bardot quis saber se na televisão portuguesa todos são assim. Ela lá lhe explicou que não, mas quando traduziu o título do livro “Pra cima de Puta”, Brigitte engasgou-se com o chá.
Mas o que foi que lhe deu, perguntou-me a minha amiga rica. Não sei, respondi-lhe. Mas li que é um livro sobre insultos que a Cristina Ferreira recebe todos os dias nas redes sociais, o preço da fama, informei solicito. Gosto muito destas conversas com a minha amiga rica.
Embalado, disse-lhe que já tinha lido um resumo do livro e que a coisa é de bradar aos céus. Estão ali transcritos centenas de comentários insultuosos, do pior que há. O povo é mesmo ordinário. E ainda bem que ela não se mete muito pela política, excepto quando convida políticos para shows culinários. Um dia ainda os vamos ver a lavar roupa à mão na pantalha da Cristina, vai uma aposta?
Mas voltando ao “putedo livresco”, vale a pena a leitura para quem tiver estômago e pachorra. Está lá tudo, do machismo à misóginia, do assédio à violência verbal. De A a Z, a rasquice suprema.
É um novo sintoma da pandemia do Covid-19? – perguntou incrédula. Talvez, mas também é disso que ela se alimenta e compra Chanel Nº5 e usa o melhor da Zara, respondi-lhe.
E ninguém lhe oferece uma viagem à Tailândia, para desanuviar? Não sei, respondi. Soube que a “miúda” teve um princípio de depressão mas curou-se ou era fita. A minha amiga deve ter sorrido do outro lado da linha, porque também tinha feito das boas. Lembras-te de quando eu apareci no aeroporto tapada apenas com um casaco de vison e zás?
E eu ri porque a Cristininha já deve ter feito pior, deixa-me dizer alegadamente com todo o respeito pela dona da TVI. Dona? Sim, dona, tem 2,5 % do capital vendido pela PRISA. E isso serve para quê? Para ser administradora. Com 2,5 %?
E ali ficámos a tagarelar, a cortar na casaca, ela na varanda da suite do Leone Blu, sobre o rio, e eu aqui, pelas bandas de Algés. Ainda me confidenciou, em segredo, que Brigite tinha vendido o Ferrari 250 GT do seu “ex” Roger Vadim, grande homem do cinema. Valeu 4 milhões de euros. Mas necessitava de salvar focas que são mortas com porretes no Canadá. Dinheiro mais bem gasto que os 300 mil euros no cenário do programa “O Dia da Cristina” na TVI, que foi usado meia dúzia de vezes e o programa acabou.
Sessenta e dois mortos, 6.472 novos casos de infeção com o novo coronavírus, 3.025 internados em enfermarias e 485 internados em UCI (cuidados intensivos), são os dados mais relevantes do boletim de hoje da Direção Geral de Saúde. Outro dado a levar em linha de conta é o total de pessoas que já foram infetadas, desde o início da pandemia: 255.970.
Das 62 mortes, 24 ocorreram na região Norte, 23 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 9 na região Centro, cinco no Alentejo e uma no Algarve. Não há óbitos a lamentar nas regiões autónomas. A região Norte continua a ser a que regista o maior número de novos casos, com 4.070 reportados nas últimas 24 horas.
Quem vai em 1ªclasse, quem vai no porão
Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que corremos o risco de levar com uma terceira vaga da pandemia, durante o próximo inverno: “… é provável que uma nova subida de casos, ou dito mais simplesmente, uma terceira vaga possa ocorrer entre janeiro e fevereiro e será tanto maior quanto maior for o número de casos um mês antes. Ou seja, importa tentar conter fortemente em dezembro o processo pandémico”. O Presidente da República lançou este aviso, ontem, na comunicação ao país na sequência da renovação do estado de emergência que se irá prolongar até ao próximo dia 8 de dezembro.
Na sua intervenção, o Presidente da República deixou alertas sobre a necessidade de “mais e melhores recursos” para os profissionais de saúde “como de pão para a boca” e sobre as desigualdades.
“Se é verdade que estamos todos no mesmo barco e todos sofremos, há uns que sofrem na primeira classe, outros na segunda, outros na terceira, outros nos porões. Tudo a lembrar que quem mais sofre mais deverá ser apoiado”, afirmou.
Chama-se Tom Ford, é um estilista norte-americano, tem iniciativas ligadas à proteção ambiental e algumas são bastante originais. A mais recente é a criação do prémio Tom Ford Plastic Innovation Prize, uma iniciativa que visa distinguir projetos de proteção e sensibilização ambiental (nomeadamente na substituição do plástico por materiais biodegradáveis).
Em simultâneo com este anúncio, apresentou um relógio inteiramente feito com lixo plástico recolhido no mar. Lixo que se transforma em relógios de luxo, gadgets caros.
Instagram de Tom Ford
Para produzir um modelo, são necessárias 35 garrafas, o que significa que, por cada mil unidades vendidas, foram recuperados 222,26 quilos de plástico do mar. Segundo as estatísticas, todos os anos vão parar aos oceanos mais de 8.000.000 de toneladas desse material. Os cientistas avisam que, se nada for feito até lá, em 2050 haverá mais plástico do que peixe no mar.
O relógio foi desenvolvido em parceria com o 52HZ, o departamento consultivo da associação ambientalista Lonely Whale. O relógio está aí, quem puder que o compre. Custa 995 dólares, cerca de 840 euros.
Quanto ao prémio, o primeiro vencedor será anunciado apenas em 2022. “Terá de ser uma solução real que possa ser massificada, desenvolvida e produzida”, esclarece Tom Ford.
A minha amiga rica viajou para Florença ao encontro de Brigitte Bardot, BB para os amigos. Ela adora a amiga portuguesa. Mas foi necessário explicar-lhe que Portugal não é Marrocos, porque BB queixa-se muito dos magrebinos a mijarem nos melhores monumentos da cidade.
Claro as pastelarias e bares italianos evitam os magrebinos, porque não têm dinheiro. E não têm dinheiro, porque não têm trabalho. E porque não têm trabalho, dormem em esconsos e mijam nos recantos. Está explicado.
A caminho de Florença, a minha amiga rica pensou que teria sido melhor um cruzeiro no Mediterrâneo. De Roma a Veneza, no Silver Spirit por 3240 euros. Mas Brigitte insistiu. Queria falar de cinema.
BB consagrou-se em 1957, no filme E Deus Criou a Mulher, do marido, Roger Vadim. Simone Beauvoir descreveu-a como “uma locomotiva da história das mulheres”. Brigitte era filha de gente endinheirada. Morava num apartamento de sete quartos no luxuoso 16º departamento de Paris. O cinema foi a vocação dela, ela foi o sex symbol dos cinéfilos. E as pessoas ricas têm um fascínio por estrelas de cinema. Basta lembrar Rainier do Mónaco.
Brigitte Bardot, 1968
O encontro entre as duas correu muito bem. A minha amiga rica ficou submersa em gatos e fartou-se de ouvir BB criticar a poluição do planeta. A extinção das baleias. O Greenpeace. Os ursos polares a morrer no degelo. Concordaram em tudo, até na enorme quantidade de baterias dos carros elétricos Tesla. O que farão às gigantes pilhas no fim do ciclo?
Mas a conversa acabou por se centrar em pilas. Porque razão os magrebinos não mijam no rio Arno. Claro, não perceberam. O problema não está no mijar. Está na má distribuição da riqueza. Quero lá saber, argumentou a minha amiga rica. Eu não sou a ONU. O Guterres já fez alguma coisa? Ui! E eu que não consegui responder!