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Covid-19: doentes em cuidados intensivos continuam a aumentar

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Em Portugal há 517 pessoas mais perto da morte do que seria de desejar. São os doentes internados em unidades de cuidados intensivos. Este é um novo máximo, nunca antes estiveram tantos em UCI como agora.

Desde o início da pandemia, morreram 4.127 pessoas por causa da COVID-19 em território nacional. Os dados constam do boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado esta quarta-feira.

Em relação a terça-feira, registaram-se mais 71 óbitos e 5.290 infetados. A maioria dos novos casos foram notificados na região Norte, com 3.224 novas infeções, ou seja, 61% do total de novos diagnósticos em todo o país.

De acordo com o boletim da situação epidemiológica, existem hoje 80.528 casos ativos da infeção em todo o país.

Senhoras e senhores!, o espetáculo continua

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Desde março que um grupo informal de trabalhadores dos espetáculos presta ajuda a cerca de 250 famílias de colegas que estão a passar dificuldades devido à falta de trabalho.

A União Audiovisual (assim se chama este coletivo de trabalhadores) surgiu depois da paralisação forçada da atividade cultural por causa da pandemia covid-19 e tem vindo a alargar o âmbito de ação, contando atualmente com quase 20 pontos fixos de recolha de bens alimentares em todo o país.

Este trabalho voluntário possibilita a distribuição de cabazes alimentares a 250 famílias, a maioria dos quais em Lisboa. E o número de pedidos de ajuda não cessa de crescer.  Em junho havia 160 famílias a receber esta ajuda, hoje são já 250. E há sempre gente a bater à porta.

Entre os profissionais apoiados “há sócios-gerentes que ainda não tiveram apoio, trabalhadores independentes que tiverem apoio em junho e agora não têm, há uns que tiveram agora e que não tiveram no início [da pandemia], e há uns que ainda não conseguiram ter nada” de apoios sociais anunciados pelo Governo, segundo declarações de Ricardo Queluz, um dos organizadores deste coletivo em declarações à agência Lusa.

A União Audiovisual está a apoiar desde técnicos de som, trabalhadores de espetáculo, artistas de teatro, cabeleireiras de programas de televisão e de cinema. “Estamos a falar de tudo o que esteja dentro do audiovisual” e cujo trabalho foi afetado, por ter sido cancelado, suspenso, adiado, por causa das medidas restritivas para conter a pandemia da covid-19.

Atualmente, existem pontos de recolha de alimentos em Évora, Aljezur, Faro, Olhão, Ponta Delgada, Coimbra, Lisboa, Queluz, Amadora, Pinhal Novo, Montijo, Almada, Feijó, Corroios, Caldas da Rainha, Peniche e Porto.

Além da recolha regular de bens alimentares nestes pontos fixos ou em espetáculos que se associam à UA, têm acontecido ações esporádicas de apoio aos profissionais. Uma delas, que arranca hoje, é o lançamento de uma plataforma ‘online’, temporária, de venda de produtos de ‘merchandising’ de artistas e de festivais e outros eventos marcados para este ano e que não aconteceram.

Na plataforma www.uncancel2020.pt estão disponíveis para venda mais de 2.500 artigos de bandas como Da Weasel e Um Corpo Estranho, de festivais como Rock in Rio, Alive e Paredes de Coura, e de marcas como a Worten e a Super Bock.

A iniciativa foi lançada pela agência Stream and Tough Guy, os artigos estarão à venda até 15 de dezembro e todas as receitas serão convertidas em cartões alimentares a distribuir através da União Audiovisual.

Quem quiser ajudar, ou precisar de ajuda, pode contactar a União Audiovisual pela Internet, a partir da página uniaoaudiovisual.pt.

Além da União Audiovisual, também a companhia de teatro Palco 13, com sede em Cascais, lançou uma campanha de angariação de bens alimentares e donativos para apoiar profissionais do setor, intitulada “Iniciativa nosSOS”, que foi concluída no final de outubro.

Segundo informação divulgada na página oficial do Facebook, foram distribuídos 263 cabazes ao longo de seis meses: “Esta iniciativa esgotou o valor dos donativos que foram feitos ao longo destes últimos meses e por essa razão, termina também esta ação, que só foi possível graças à generosidade e união de todos”, lê-se na página do Palco 13.

Violência contra mulheres continua

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No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra Mulheres, foram divulgados os números mais recentes deste flagelo social.

Segundo a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, foram acolhidas 625 e atendidos mais de 12 mil apelos de ajuda ou pedidos de informação. Cento e conquenta pessoas conseguiram autonomizar-se do agressor. Estes registos abrangem um periodo temporal entre 28 de setembro e 8 de novembro, apenas.

Já durante a primeira vaga da pandemia, entre 18 de março e finais de junho, a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica acolheu 848 pessoas, entre 499 mulheres, 328 crianças e 21 homens, além de ter feito 24.692 atendimentos.

Existem atualmente 180 estruturas de atendimento e, ao nível do acolhimento, 26 estruturas de emergência e 35 casas de abrigo.

Quando surgiu a pandemia, entrevistámos Daniel Cotrim, sociólogo ao serviço da APAV que, já então, revelava que as pessoas que testemunhavam situações de violência doméstica estavam cada vez mais atentas e reativas, o que é uma ajuda fundamental para as vítimas.

O dia de hoje servirá para a formalização do Pacto contra a Violência, que será feito através de uma transmissão online, tratando-se de uma rede de entidades que colaboraram na oferta de respostas de urgência e apoio a trabalho da RNAVVD durante a pandemia de covid-19, segundo revelou Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade.

Rosa Monteiro explicou que pretende que mais empresas colaborem com a rede nacional e que esse apoio pode materializar-se tanto na forma de material informático, como bolsas de formação ou bolsas de emprego

Os dados mais recentes do Governo revelaram que a violência doméstica já matou 20 pessoas até ao dia 19 de novembro, 16 das quais mulheres.

As participações de crimes de violência doméstica cresceram entre julho e setembro, com 8.228 ocorrências participadas à PSP e GNR, mais 1,12% do que as 8.137 no período homólogo de 2019 e mais do que as 6.928 registadas no segundo trimestre de 2020.

Também o número de pessoas presas por crimes de violência doméstica aumentou, assim como o de pessoas integradas em programas para agressores.

O amorzinho da Cristina Ferreira

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A minha amiga rica adora as bicadas da Brigitte e não arreda pé de Florença: “A Brigitte Bardot perguntou-me quem é o senhor Casinhas. E eu expliquei-lhe que é o Roger Vadim da Cristina Ferreira”. E ela franziu o sobrolho. “Faz filmes? Tem jeito? Controla bem o diafragma?” Questões muito técnicas. A minha amiga rica só conhecia o Casinhas por causa da Cristina passar a vida a falar do… Casinhas!

Brigitte quis saber se o Casinhas já tinha comprado o novo Aston Martin Superleggera, ela adora carros caros. Nunca saberemos se gosta mais de carros caros se de focas bebés, ursos polares ou gatos. Ela nunca se ralou com isso, costuma dizer que “até a Joan Baez tem um Aston Martin”, contou-me a minha amiga rica.

“Mais depressa comprará a Cristininha!”, disse-lhe eu, só para ouvir a reação. “Já tem revista, perfume, linha de roupa, sei lá”, confirmou a minha amiga rica, num tom algo despeitado. Brigitte Bardot deve ter escutado isto com algum enfado, imagino, de copo de Martini na mão, recostada na espreguiçadeira a olhar para o vale do rio Arno.

De casa dela, ao pôr de sol deste Outono quente, deve-se ver a silhueta da catedral e do belíssimo baptistério de 3 magnificas portas de 9 metros de altura cada. A mais antiga de 1330, de Andrea Pisano. A outra de 1424, de Lorenzo Ghilberti. A terceira também de Ghiberti, considerada por Miguel Ângelo como “a porta do paraíso”. Será que alguma vez na vida a Brigitte Bardot me vai convidar a ir lá?

“Como é que uma mulher poderosa, com belas mamas, sorriso brilhante, actriz de cima a baixo, máquina de fazer dinheiro, sócia de um empresário que tem navios de cruzeiro pelo Douro acima, tem um Casinhas e não um Vadin?” perguntou em tom jocoso a diva italiana à minha amiga que não deve ser tão rica quanto a outra… “São extravagâncias”, comentou a minha amiga. “O Cristiano Ronaldo também tem uma Georgina”.

“Ah! Mas essa nem grita, nem guincha, nem fala. Não faz nada”, rematou Brigitte. “Pois, olha!”, acrescentou a minha amiga rica, “pior é a Cristininha. A bíblia das fofocas diz que ela não tem homem, desde a separação do senhor Casinhas há 9 anos”. Brigitte piscou o olho. E largaram-se as duas numa risota pegada.

Se eu lá estivesse, teria estendido o braço para agarrar o meu gin Morus LXlV, de 4 mil euros a garrafa, a marca preferida da Brigitte segundo me confidenciou a amiga dela.

Covid-19: infeção generalizada pelas escolas do país

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Há 937 escolas com casos de covid-19, em todo o país. Os dados são fornecidos pela FENPROF. O organismo sindical elaborou uma relação de todas as escolas com casos e publicou-a no site. É um documento com 23 páginas, o que dá a dimensão do problema.

Mas ainda assim não é uma lista exaustiva. Não constam escolas do ensino técnico e profissional, por exemplo. E essas escolas não estão imunes à pandemia, por certo. No caso de Cascais, por exemplo, a Escola Profissional de Teatro de Cascais já teve vários casos de alunos e funcionários infetados. O Delegado de Saúde acompanha a situação e, portanto, são casos que foram certamente reportados a quem tem de recolher e tratar esses dados. Mas nesta lista da FENPROF não constam, conforme podem ver na lista antes mencionada, na parte que diz respeito às escolas do concelho de Cascais.

A Escola Profissional de Teatro de Cascais não consta da lista…

O organismo sindical acusa o governo de não prestar informações corretas sobre a situação que se vive nas escolas. Diz a FENPROF que “solicitou ao Ministério da Educação uma lista atualizada de escolas onde se registaram casos de Covid-19, bem como informação sobre os procedimentos adotados, mas não obteve resposta, apesar de o ministério estar obrigado, por lei, a disponibilizar essa informação.”

Entretanto, a Direção Geral de Saúde apenas reconhece a existência de 28 surtos em escolas, “número que ficava muito abaixo daquele que, através da comunicação social e por informação dos professores, era do conhecimento da FENPROF”.

A FENPROF diz ainda que os procedimentos adotados pelas escolas não são uniformes, o que pode indiciar desorganização nas orientações que o Ministério da Educação tem de dar obrigatoriamente. Na verdade, nem mesmo a comunicação de casos aos pais e encarregados de educação é uniforme. Por exemplo, se na mesma família existirem filhos colocados em diferentes escolas, a abordagem destas situações e a relação com as famílias dos alunos difere de escola para escola. Por exemplo, no caso da Escola Profissional de Teatro de Cascais, sempre que surge uma nova situação de contágio os pais e encarregados de educação de todos os alunos são contactados via email pela direção do estabelecimento, são identificados os casos (omitindo nomes ou qualquer pormenor revelador da identidade da pessoa doente) e explicadas as medidas que a escola tomou em termos de testagem dos contactos desse elemento, confinamento profilático de turmas ou encerramento da escola, situações que já ocorreram na EPTC.

comunicação aos pais e EE da EPTC

Na EB 2, 3 da Venda do Pinheiro, por exemplo, sempre que existe um novo caso de contágio nada é explicado. A comunicação é inútil e apenas perturbadora.

comunicação aos pais e EE da EBVP

Tanto mais perturbadora que, no caso desta escola de Mafra, as famílias receberam notificações de novos casos de covid-19 dois dias seguidos.

A FENPROF considera que as ações no âmbito escolar deveriam ser uniformes e que quando são detetados casos, todos os alunos da turma, professores e contactos próximos deverão ser, de imediato, testados, de forma a identificar eventuais outros casos de infeção, protegendo, dessa forma, toda a comunidade escolar e garantindo que a escola poderá manter-se aberta.

A situação relativamente á pandemia em ambiente escolar não parece ser boa, mesmo se o ministro da Educação já deu as suas ordens às instituições…

“As autoridades de saúde sabem que o encerramento das escolas tem de ser a última decisão numa cadeia de decisões para mitigar a propagação da Covid-19″, afirmou há dias o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no final de uma visita a uma escola da Amadora.

O ministro voltou a salientar a importância da manter em funcionamento o regime presencial. O ministro mencionou as aprendizagens dos alunos, e referiu-se também a saúde mental e física das crianças, um argumento um tanto anacrónico num enquadramento pandémico. Faltou-lhe, talvez, referir a razão mais forte: as escolas não fecham porque os pais das crianças têm de ir trabalhar, porque a economia não aguenta mais confinamentos.

Covid-19: 506 pessoas nos cuidados intensivos

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Portugal ultrapassou hoje os 500 internamentos em unidades de cuidados intensivos de pessoas diagnosticadas com covid-19, tendo igualmente subido para 3.275 os internamentos em enfermaria mais 34 que ontem,segundo a Direção-Geral da Saúde. 

Os doentes internados em cuidados intensivos têm vindo a aumentar desde o dia 07 de setembro, quando estavam nestas unidades 49 pessoas. Hoje estão 506 pessoas nestas unidades, mais oito do que na segunda-feira.

Os dados hoje divulgados pela DGS referem mais 85 mortos relacionados com a covid-19 e 3.919 novos casos de infeção covid-19.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 4.056 mortes.

Os Peugeot da polícia

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A Gendarmerie, a polícia francesa, acaba de receber 1200 viaturas novas, o que deve fazer corar de vergonha a PSP portuguesa. Mesmo levando em linha de conta a escala das corporações e dos próprios países, é evidente que a polícia francesa é tratada com mais algum cuidado do que acontece com a congénere lusitana.

A viatura escolhida foi um SUV topo de gama, o Peugeot 5008 (depois de concurso público), um “carrito” que vai até aos 185 kms por hora, o que chega e sobra para a grande maioria das perseguições urbanas ou rurais que a polícia tem de fazer ocasionalmente. Além disso é uma viatura suficientemente espaçosa para transportar toda a “palamenta” das viaturas policiais, desde os computadores de bordo, rádios de comunicação, GPS, algemas e caçadeiras de canos cortados. Cabe lá tudo e ainda tem 5 lugares para agentes da polícia e presumíveis bandidos detidos.

Este Peugeot 5008 vale cerca de 65 mil euros a unidade, mas é provável que compras em grandes quantidades sejam objeto de descontos generosos.

A intenção desta notícia não é provocar urticária à PSP ou à GNR, mas é para dizer que existe uma ligação com Portugal, embora ténue e involuntária. É que o dirigente máximo da Peugeot francesa é um português.

Na industria automóvel, Carlos Tavares é um dos mais conceituados gestores a nível mundial. Tem um curriculum que dispensa muitos comentários. Ingressou na Renault em 1981, mas ganhou destaque quando se juntou à parceira japonesa da Renault, a Nissan Motor Co Ltd. Tavares dirigiu as operações da Nissan na América do Norte, depois tornou-se diretor de operações da Renault, em 2011. Em 2013, Tavares foi contratado pela Peugeot para CEO do grupo, então em crise, para liderar uma reviravolta. Salvou as empresas da falência e iniciou uma série de aquisições e fusões, a mais recente foi a aliança entre a Peugeot (PSA) e a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) que cria o quarto maior fabricante mundial de automóveis, uma grande vantagem para amortizar investimentos em veículos elétricos e obter os melhores preços dos fornecedores de peças.

Ou seja, vender 1200 carros a uma agência estatal é peanuts para Tavares. Para se segurar, ele precisa de vender milhões de carros por ano. Não se tem saído mal, embora os sindicatos de trabalhadores não o apreciem muito.

Na foto final, Tavares aparece com o famosíssimo treinador alemão Jurgen Klopp e um tipo (administrador da OPEL) que se chama Michael Lohscheller mas que ninguém conhece. Carlos Tavares é o mais baixo, em estatura, mas seguramente o mais alto em impacto social.

Cristina Ferreira, marketing ou sentimento

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Ainda o livro de Cristina Ferreira, que ela própria intitulou “Pra Cima de Puta”. Já foi dito, aqui e noutros lugares, que se trata de uma denúncia da autora sobre a agressividade, ofensas e insultos que tem sofrigo nas redes sociais.

Não é uma autobiografia, porque a vida da Cristina Ferreira não se resume a isto, mas podemos dizer que é uma quase-autobiografia, uma vez que a vida dela, no que ao público diz respeito, é quase só esta relação de amor-ódio com quem vê televisão.

A Cristina Ferreira é um produto da televisão tabloide, do talk-show para famílias, desempregados e reformados, a maioria dos que podem estar em casa a manhã toda e que aceitam entreter o tempo com conversas de café.

É o drama, o horror das historietas tipo desgraças pessoais, das doenças incuráveis, da lágrima ao canto do olho e do Calcitrin ou outra panaceia qualquer para as maleitas do costume, às vezes a chalaça, muitas vezes a agenda das agências de comunicação. É o business da televisão para esse público alvo.

Ora, o impulso que levou Cristina Ferreira a dar publicidade aos insultos e ordinarice que a rodeiam pode ser genuíno, mas é também a chave para um sucesso de vendas. É a própria Contraponto, editora do universo Bertrand, que o confessava ainda antes do lançamento da obra, ao publicitar com vaidade que “em função do elevadíssimo número de encomendas em pré-venda, a editora Contraponto avançou já com a reimpressão desta obra, pelo que ainda antes de chegar ao mercado o livro ‘Pra Cima de Puta’ já está em 2.ª edição.”

Melhor que isto só mesmo outra estrela da pantalha, o José Rodrigues dos Santos, a quem a editora Gradiva paga os livros mesmo antes de estarem escritos.

Os argumentos da Cristina Ferreira não são de menosprezar e na página Facebook da editora Contraponto lá está o momento audiovisual fulcral, a dramatização… (veja o vídeo)

“No livro nenhum comentário identifica a pessoa que o escreveu. Este livro não é uma vingança nem uma vitimização. Este livro é para que algo seja feito para a regulação da ofensa e da injúria nas redes sociais. Este livro é para que eu, tu, todos, sejam respeitados. Este livro é para dar início a uma discussão de mudança”, lê-se no marketing livreiro da Contraponto, citando a autora.

Trata-se de um objectivo ambicioso, levar o legislador a agir para que “algo seja feito para a regulação da ofensa e da injúria nas redes sociais”. Mas é, sem dúvida, um objetivo justo.  Tiro-lhe o chapéu.

No entanto, adivinha-se uma batalha perdida. Muitos estão convictos de que tudo isto não passa de marketing e que a única coisa que interessa à apresentadora da TVI e à editora do “Pra Cima de Puta” é vender papel.

A longevidade está em Cascais

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Segundo reza a Bíblia, viveu o patriarca Matusalém 969 anos nesta terra. Exemplo maior e único de longevidade e se, hoje, ninguém aspira a ser tão idoso, certo é que não serão assim tão raros os que pensam poder chegar aos 100, «desde que com a cabecinha no sítio», amiúde se acrescenta e compreende-se bem porquê.

Até não há muito, raros eram – e dignos de grande festa – os centésimos aniversários, com direito a fotografia no jornal local e a refeição comemorativa com a grande família derredor ou mesmo na aldeia. Recorda-se que foi admiração Manoel de Oliveira ter ultrapassado essa marca e se haverem escrito crónicas a confirmar ser a actividade física e mental a grande fomentadora da possibilidade de uma idade avançada.

Contraria-se, assim, aquela perspectiva «reforma = igual a tempo para nada fazer». Lembro que um amigo meu me explicara que outro amigo comum e colega nestas lides da docência universitária «estava na cama».

– Na cama? Doente, não? – perguntei.

– Ouviste bem: ele está «na cama» e não «de cama»!

– Como assim?

– Acha que já fez muito na vida e, agora, outros que façam! Ele fica na cama!…

Desatámos a rir com a facécia, e ainda que soubéssemos não ser facécia mesmo. E o meu colega foi permanecendo na cama até que outro repouso, o eterno, lhe foi proporcionado.

Dois motivos me levaram a redigir esta crónica. O primeiro aí está: o de já estar a ser mais corrente a ultrapassagem do centenário; do segundo, ligado a Cascais, já se dirá em seguida. Em S. Brás de Alportel, como pode ler-se na agenda cultural cuja capa se reproduz, celebrou-se no domingo 25 de Outubro a Festa dos Centenários, através das redes sociais do Município. Nas páginas 16 e 17 da agenda (uma das poucas que teima em manter-se no papel!) está o «Dossiê Sénior», a fornecer de cada um dos sete «com 100 ou mais anos completados até março de 2020» (a festa fora planeada para esse mês…) os dados biográficos mais salientes: actividades desenvolvidas e descendência que tem. São eles: Maria Natália, nascida a 25 de Dezembro de 1919; Porfírio Lopes Dias, nascido a 1 de Junho de 1919; Maria Adélia, nascida a 3 de Junho de 1919; Selerinda Maria, nascida a 5 de Março de 1919; Maria de Sousa, nascida a 17 de Setembro de 1917; Joaquim Varela, nascido a 13 de Maio de 1915 e Maria da Conceição, que é a que está na capa e que, entretanto já faleceu, nascera a 22 de Dezembro de 1912!

O segundo motivo evoca o que já aqui se disse acerca do elogio feito a Cascais por Frei Nicolau de Oliveira no seu, Livro das Grandezas de Lisboa publicado em 1620: «E assim é a mais sadia terra que se sabe em Portugal e em que os homens mais vivem e mais sãos e donde de todo está desterrado um mal que a tantos consume a vida, que é a malenconia» (fol. 78 verso).

Vem, de seguida, o elogio às virtudes terapêuticas das suas águas, o que também se prende com a longevidade. Não se insiste hoje tanto que os idosos (e não só!…) bebam água? Não se proclama que emanam das águas poderes sobrenaturais? Quem se não lembrará daquela telenovela brasileira que fez as nossas delícias, em que o médico praticamente para todas as maleitas mandava beber água de determinada fonte? E ainda hoje, quando abrem ao público as vulgarmente chamadas «Termas Romanas da Rua da Prata», não há quem se muna de garrafões para de lá trazer água milagrosa?!…

Ora o Padre Marçal da Silveira, prior da Assunção, ao responder, em 1758, ao 22º quesito ordenado pelo Marquês de Pombal «se tem alguns privilégios, antiguidades ou outras coisas dignas de memória», depois de esclarecer que, no século XVII, no grande incêndio que lavrara nas casas do Senado, todo o arquivo ardera assim como «todos os seus papéis de maior porte», declara, não sem alguma solenidade: «As coisas mais dignas de memória é [sic] viver aqui a gente de idades mui avantajadas e com boa saúde».

E põe de enfiada, «para além do ermitão de Santa Marta que, já se disse, morrera de 120 anos», os seguintes:

Roque Fernandes, o «Borgeis», que faleceu a 28 de Maio de 1597, com 117 anos de idade, segundo consta a folhas 164, do Livro 2º dos Defuntos;

Catarina Luís, a «Negrela», com 108; Garcia Afonso, falecido a 5 de Setembro de 1580, o qual viu, em seus dias, vivos, filhos, netos, bisnetos e terceiros netos, a 4ª geração (Tomo I dos Óbitos, fol. 231);

Brícia Álvares, com 120, falecida em 17 de Maio de 1608; Brites Álvares, a «Estorninha», de 113 para 114 anos;

Brízida Ribeira, com 118, falecida em 18 de Maio de 1626 e seu pai, de 115 (tomo 3º do livro da freguesia, folhas 131);

No ano de 1651, Maria Lopes, a «Mata Sete», com 105 anos;

No século XVI, cinco homens com mais de 100 anos e sete mulheres de outros tantos mais. (Não sei o que significaria a alcunha Borgeis; negrela e estorninha são pássaros e as alcunhas aludiriam, pois, ao seu aspecto físico ou modo de andar).

Naturalmente, Ferreira de Andrade faz-se eco, em 1964, no seu Cascais – Vila da Corte (p. 139) desse auspicioso elenco; assegura ter ouvido dizer em pequeno que a pneumónica não matara ninguém no Linhó; e não hesita em atribuir toda essa longevidade à excelência do clima, «varrido pelos ventos da Serra e purificado pela proximidade do Oceano», detendo-se, nas p. 140-146, a falar das propriedades das suas águas, não sem, antes, ter ir buscar ao livro de Borges Barruncho (Apontamentos para a História da Villa e Concelho de Cascais, 1873, p. 64), a informação de que, entre 1868 e 1872, haviam sido nada menos do que 52 as pessoas aqui falecidas entre os 70 e os 80 anos, 19 entre os 80 e os 90, 8 dos 90 aos 100; e uma senhora que já era centenária «há muito tempo», pois na tabela figura na coluna dos 100 aos 110!… E também Borges Barruncho não hesita (p. 65): «As águas potáveis são excelentes». E pronto. Por aqui nos ficamos – não sem mui secreta esperança de que, «com a cabecinha no sítio»! – também nós, um dia, possamos engrossar esse tão auspicioso rol!

Casamentos forçados

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O casamento civil não permite fidelizações. Mas em Portugal um simples contrato de comunicações permite.  O divórcio pode ser pedido em qualquer circunstância. Mas no negócio das comunicações por telemóvel há fidelizações por 2 anos.

Em dezembro de 2019, a Autoridade da Concorrência analisou a fidelização e os custos de mudança no sector das telecomunicações e concluiu que a actual política de fidelização reduz os incentivos à concorrência e deixa os consumidores mais vulneráveis. A Defesa do Consumidor tem batalhado contra a fidelização, que distorce a liberdade individual e a livre concorrência. Sem sucesso.

Mas não é só a fidelização que atrapalha a liberdade e os bolsos dos portugueses. É também a não fidelização. Por exemplo, sabe quanto custa uma chamada para as informações da sua rede de telemóvel? Cada minuto pode custar um euro. Ou seja, liga para mudar o seu tarifário ou alterar o pacote contratado e a empresa “come-lhe” o saldo! Estão sempre a comer-lhe vorazmente o saldo.

Ao comprar, por exemplo, um cartão pré-pago com 7 mil minutos de chamadas ou sms, mais 2 gigabytes de internet por 10 euros, tem de carregar de imediato 5 euros. Parece um bom negócio. Mas se ligar para a sua operadora está frito. 5 minutos e o telefonema ficou a meio. Ou seja a operadora consumiu-lhe o carregamento de 5 euros e toca a carregar outros 5. Mesmo com os tais 7 mil minutos por utilizar.

Estas espertezas são as mesmas das televisões que usam chamadas telefónicas de valor acrescentado a começar por 76. Parece um número fixo mas não é, como já veio alertar a Provedora da Justiça.

Até o distante Estado do Mato Grosso no Brasil já se apercebeu destes abusos e proibiu as fidelizações telefónicas. Por cá os deputados da Assembleia da República continuam a passar ao lado das indicações da ANACOM e das sucessivas recomendações da DECO. Devem andar muito folgados dos bolsos. E a Alta Autoridade para a Concorrência muito distraída. Porque nem sequer repararam que as ofertas dos operadores chegam a ter semelhanças ao cêntimo.