Cascais, munícipes desmentem autarquia no caso das hortas destruídas

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No seguimento do artigo publicado ontem e da onda de protestos que se elevou nas redes sociais, a Câmara Municipal de Cascais reagiu e diz que não passa tudo de “boatos”. Nega todas as acusações e afirma que o procedimento camarário foi articulado com os hortelãos em causa, que tudo se tratou de uma mera operação de limpeza solicitada por munícipes.

A Associação Desassociada reafirma, contudo, que a denúncia é verdadeira. Por email, responderam ao Duas Linhas que  “as hortas destruídas foram pelo menos quatro (embora o número real seja provavelmente superior, mas neste momento não temos como confirmar o número e não queremos dar informação falsa)”.

No caso da horta da Desassociada, “passaram pelo projecto dezenas de pessoas, sendo que actualmente estão activos cerca de 10 membros”, e relativamente às outras hortas envolvidas “eram maioritariamente trabalhadas por reformados que passavam grande parte do seu tempo nestes terrenos. Não cremos que cultivassem por necessidade absoluta, no entanto, não deixa de ser uma forma de subsistência que lhes foi retirada”, diz a Associação Desassociada.

A Câmara Municipal de Cascais garante, no Facebook, que vai “envolver os hortelãos” no processo de “requalificação”, mas não diz quando nem em que termos.

A Câmara não teria tido nenhuma dificuldade em contactar esta associação, como é evidente, e se não o fez foi, certamente, porque não quis. Por parte da Desassociada, eles reafirmam que  “não houve qualquer aviso por parte da CMC ou de qualquer outra entidade” e que “a razão para a destruição das hortas é a realização de um projecto do orçamento participativo (OP48) que não chegou a ganhar o concurso.”

Mesmo no Facebook da Câmara Municipal, as reações a este caso não são simpáticas para a autarquia. Os munícipes dão a cara nos protestos. Maria João Teixeira, por exemplo, diz que algo semelhante já aconteceu num terreno de que ela é proprietária…

Ou seja, mesmo em terrenos alheios e cujos proprietários não se importam que estejam a ser utilizados por hortelãos, a Câmara pretende intervir. Maria João Teixeira diz ainda que, no seu caso, “não percebo como é que não vieram falar comigo como proprietária em vez de abordarem o arrendatário. Ainda por cima dizerem ao senhor que os terrenos eram da Câmara quando na verdade aquela parte não pertence à Câmara mas sim a mim. Ontem pelas minhas mãos andei sozinha a limpar bidões e outros lixos que ele lá tinha, pois o estado de saúde do senhor não o permitiu cuidar das terras este último ano. Gostaria de saber como posso ter acesso ao plano mais descriminado da área de intervenção porque pelo que está disponível na net, a área requalificação entra já dentro de terreno que me pertence…”. A ser assim, a autarquia está com problemas de comunicação com os munícipes. Voltando à horta da Desassociada, outros comentários alinham pelo mesmo tom crítico.

Parece provado, assim, pela quantidade de reações que confirmam o que dizem os membros da Associação Desassociada, que a Câmara agiu sem consideração pelos interesses dos munícipes envolvidos nestas hortas comunitárias. Não dialogou com as pessoas e não revelou os verdadeiros interesses que levaram a esta ação de “limpeza” que, no entanto, deixou os destroços no terreno…

Os terrenos onde a Desassociada estava tinham dono, sim, mas esse dono é a própria autarquia. Que é como quem diz, são todos os munícipes cascalenses.

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