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RTP capaz do melhor e do pior

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Excelente, a reportagem dos jornalistas Luís Miguel Loureiro e Luís Vigário no “Sexta às 9” do passado dia 29 de Janeiro, sobre os orçamentos participativos, propagandeados até à náusea a nível nacional e autárquico, com os quais se pretendeu colocar os cidadãos a contribuírem para a resolução de problemas do País.

A ideia nasceu há 5 anos. Em 2017 até correu bem – avançaram todos os 38 projectos vencedores. No ano seguinte, em 2018 , foram declarados vencedores 22 projectos, mas 14 ficaram na gaveta. Declarou António Costa, à época: “São projectos que melhoram a qualidade da despesa pública”. Na altura, até a célebre vaca voadora foi evocada e propagandeada, com um bonequinho a condizer e a bater as asas. Com a presença, obviamente, da actual eurodeputada Maria Manuel Leitão Marques, obreira da celebradíssima reforma administrativa e sobre a qual nada mais ouvimos desde que se “exilou”…

Os jornalistas dedicaram-se em especial a dois projectos, relativos às touradas e à recuperação do bom nome de ex-reclusos. Particularmente interessante este último (projecto Fonteiras), capitaneado pelo padre João Torres, alguém sem papas na língua, cujas frases foram verdadeiras marteladas no toutiço do Governo. “Dá a sensação -disse João Torres-, que a vaca voou para um País que a gente não sabe onde ela está!”.

O problema é que do Estado não receberam qualquer resposta com pés e cabeça para a ausência do dinheiro que era suposto receberem para a concretização do projecto vencedor”. Reparem, “há organismos do Estado que têm à frente gente demasiado incompetente. É que nem se dignam responder de forma técnica e profissional”, declarou o padre João Torres, que afiançou estar, daqui a 50 anos, na primeira fila de um qualquer auditório em que apareça alguém do Governo a promover um orçamento participativo, caso entretanto o seu projecto Fronteiras não seja executado. “Estaréi lá para lhe chamar mentiroso!”.  Habemus homem! Trezentos mil euros teriam poupado o Governo a este enxovalho público…

O “Sexta às 9” é um programa irregular no que respeita à qualidade do jornalismo que apresenta. Mas tem, indubitavelmente, por vezes, bom jornalismo. Transmite, porém, a sensação de que por ali se faz demasiada politica. E há por lá comentadores pouco recomendáveis e que aparentam ter tirado o passe no programa. À atenção da Direcção de Informação, que é para isso que existe, para estar atenta a eventuais excessos cometidos pela redacção e respectiva hierarquia.

Há dias, numa daquelas habituais acções de “picanco” pelos canais, dei, na RTP2, por um programa intitulado “Falar, falar bem, falar melhor”. Inenarrável! Abreviando, trata-se de uma “coisa” absolutamente confrangedora, apresentada por Margarida Mercês de Melo. O ritmo é de fugir, com “faladores” convidados sem qualquer capacidade de comunicação, os quais são chamados a fazerem opções que não têm de justificar. Os telespectadores mais frágeis em termos de conhecimentos da cultura e língua portuguesas ficam na mesma. O programa a que assisti teve como convidado Paulo Dentinho (para quem não sabe foi director de Informação da RTP), o qual brindou a audiência com mais uma proverbial prova da sua modéstia. Por alguma razão a RTP2 registou, o ano passado, a mais baixa audiência de sempre – 1,1 por cento!

Julgamento do caso Giovanni

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O julgamento sobre a morte de Luís Giovanni Rodrigues começa hoje. Se não houver adiamentos, os 7 arguidos irão passar os próximos tempos sentados no banco dos réus no Tribunal de Bragança.

Os arguidos “jogam em casa” e já conseguiram que o discurso mediático lhes seja favorável. A agência Lusa, por exemplo, diz que a violência que resultou na morte da vítima foi “instigada pelos jovens cabo-verdianos”, o que contrasta com os relatos iniciais de testemunhas que falavam precisamente o contrário. Em 2019, tentava-se justificar o sucedido com um alegado contacto físico entre Giovanni e a namorada de um dos arguidos. Hoje, o texto noticioso refere que “segundo consta do processo judicial, o jovem apresentava uma taxa de alcoolemia de 1,59 gramas por litro de sangue”, mas quanto à taxa de alcoolemia dos agressores nada.

É então provável que tudo seja feito para diminuir a culpa dos que bateram. Pode até acontecer que o tribunal conclua que Luís Giovanni morreu de moto próprio. Escorregou e bateu com a cabeça.

E pode também acontecer que, a ser assim, as ruas das cidades portuguesas voltem a ser palco dos protestos que vimos desfilar em junho de 2020.

Uma casa a precisar de obras, na Rua da Conceição

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Génio, louco, insatisfeito, desadaptado, vaidoso, desregrado, escritor. Mário de Sá Carneiro, são muitas as palavras para o descrever e, provavelmente, insuficientes. Nasceu em Lisboa e a cidade já tentou honrá-lo.

Mário de Sá Carneiro, Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

Tem uma rua com o seu nome e uma placa na casa onde nasceu. A casa, que devia ser património municipal, está há anos à espera de obras de requalificação. Na fachada, a placa que dá notícia sobre o pedido de licenciamento para as obras tem a data de 16/07/2018. Quase três anos para uma licença de obras. Não se entende a demora. Ou as obras são inconvenientes e deveriam ser desautorizadas ou, se não são, deviam já ter sido realizadas.

No site da Câmara Municipal de Lisboa consta a ficha correspondente a este pedido de licenciamento onde vem explicado que se trata de uma ampliação. Ora, estando o prédio entalado entre outros dois, não se percebe para onde querem ampliar o edifício.   Só se for para cima… não é boa ideia.

No topo do edifício, no terceiro andar mais precisamente, foi onde nasceu Mário de Sá Carneiro em 19 de maio de 1890. Morreu antes de fazer 26 anos, em Paris.

Paris é uma cidade requintada. Menos nos subúrbios, claro. Mas o centro histórico está bem preservado, tem vida. Não há casas abandonadas. A Rua Victor-Massé é o bom exemplo. Já a Rua da Conceição… a rua francesa está impecable, a portuguesa nem tanto… provavelmente em Paris as licenças de obras não demoram tanto tempo a sair da gaveta.

Rue Victor-Massé 29, Paris, casa onde morreu Mário de Sá Carneiro em 26 de abril de 1916

Covid-19: 203 mortes, 60 dias de confinamento

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Números de hoje no boletim epidemiológico: 203 mortes, 2.583 casos de infeção, 6.070 pessoas internadas (menos 274, a maior redução registada nos últimos dias), 862 doentes em unidades de cuidados intensivos (menos 15). Acentua-se a diminuição dos efeitos da pandemia, mesmo se os números continuam altos.

O confinamento está para durar, na reunião de peritos que decorreu hoje foi apresentada a hipótese de termos 60 dias de confinamento ininterrupto.

Relativamente às 203 mortes registadas nas últimas 24 horas, 115 ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, 35 na região Norte, 34 na região Centro, 16 no Alentejo, uma na região do Algarve, uma na região Autónoma da Madeira e uma na região Autónoma dos Açores.

Lisboa e Vale do Tejo tem 56,6% das mortes registadas nas últimas 24 horas.

O primeiro-ministro considerou que o atual confinamento está a produzir resultados, mas é necessário prolongá-lo face aos elevados níveis da pandemia e continuar a investir na testagem massiva e na capacidade de rastreamento.

Esta posição foi transmitida por António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter, depois de mais uma reunião no Infarmed, em Lisboa, sobre a evolução da situação epidemiológica em Portugal.

Por uma vez, o bastonário da Ordem dos Médicos concordou com António Costa. O bastonário também diz que “não se pode desconfinar já”. Isso só pode acontecer quando “diminuírem os internamentos de cuidados intensivos”, afirmou Miguel Guimarães.

Miguel Guimarães disse que vai ouvir o gabinete de crise da Ordem dos Médicos, frisando a importância dos médicos que estão no terreno, mas adiantou que as medidas de aligeiramento do confinamento têm de ser acompanhadas da diminuição da pressão dos cuidados intensivos.

Gente de bem é isto

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O coletivo de cidadãos chama-se “Campanha Alimentar e de Apoio Imediato”, agrega já sete associações comunitárias da região de Lisboa e Vale do Tejo, principalmente da linha de Sintra. São pessoas que lutam por minorar as dificuldades dos vizinhos mais necessitados. Na carta de apresentação que publicaram no Facebook, dizem ter como “objetivo obter apoios e donativos para serem distribuídos pelas populações, famílias e pessoas em situação de carência.”

José Baessa de Pina é um dos ativistas desta campanha e explicou-nos, em entrevista telefónica, que “os pedidos de ajuda chegam de todo o lado, até de pessoas da classe média que viram a vida desmoronar por causa da crise que se instalou com a pandemia”.

Os ativistas organizaram-se, apoiaram-se nas frágeis estruturas erguidas ao longo dos anos por associações locais, criaram vasos comunicantes entre eles e dirigem a ajuda conseguida para onde está a ser mais necessária.

José Baessa de Pina é vice-presidente da Associação Cavaleiros de S. Braz, no Casal da Boba, na Amadora, e conta que no ano passado, na primeira vaga da pandemia, distribuíram um pouco mais de mil cabazes alimentares, entre abril e agosto. Agora, as necessidades são maiores, a crise é mais profunda, há muito mais gente necessitada. “Pobres já somos todos”, diz José Baessa, e o problema agrava-se porque “há vergonha social, as pessoas não confessam estar a passar fome”, e muitos casos só são sinalizados quando atingem situações extremas.

Por isso eles ajudam as pessoas “sem alarido”. Gostavam, no entanto, de ter apoios que lhes facilitassem a vida. Por exemplo, o Banco Alimentar Contra a Fome não chega até eles porque só funciona em parceria com outras instituições como, por exemplo, as Misericórdias.

“A burocracia para chegar ao Banco Alimentar é desencorajante”, desabafa este ativista comunitário, lamentando que a Junta de Freguesia local lhes tenha fechado o espaço onde funcionavam porque “o protocolo acabou”. Infelizmente, “querem é documentos, documentos, documentos”, diz José Baessa que dá um exemplo curioso que funciona ao contrário da Junta de Freguesia de Arroios que, apesar de não ser daquela área, lhes tem prestado apoio solidário inestimável. “Muitos de nós nascemos na maternidade do Hospital Dona Estefânia, estamos registados na Freguesia de Arroios” e isso criou um laço de solidariedade que se reflete na doação de máscaras e de alimentos, por exemplo.

Nenhuma igreja se aproximou deles, nem católica, nem adventista, nenhuma, garante José Baessa, ao contrário do Centro Cultural de Cabo Verde que presta algum apoio e fez algumas doações de máscaras de proteção individual.

Neste mar de sinais contrários navegam estas pessoas associadas pela vontade de ajudar. Agradecem doações monetárias e produtos como, por exemplo, fraldas, produtos de higiene, comida, leite.

Além da fome, há também apoio para atividades escolares para crianças que fiquem sozinhas em casa e precisem de orientação para as aulas online. Na Associação Cavaleiros de S. Braz, por exemplo, o projeto BOBAEDUCA tem 17 crianças inscritas que precisam de ser acompanhadas no estudo.

Estamos a falar de gente boa que não está ali à espera de votos ou outras benesses.

Não roubarás…

Depois de ter metido demasiada água na execução do plano de vacinação, o coordenador do grupo de trabalho que está a executar esse plano, Francisco Ramos, demitiu-se e foi substituído por um homem habituado à água, o Almirante Gouveia e Melo.

Não é que o plano de vacinação já não tivesse uma forte componente militar. Tem. Foi até o ministro da defesa quem anunciou, em novembro do ano passado, que as FFAA iriam participar no planeamento e na logística do plano de vacinação. Deveriam ter antecipado todos os cenários possíveis da proverbial capacidade tuga para a aldrabice, mas não o fizeram. Acharam que era mais provável alguém querer assaltar uma carrinha de transporte de vacinas do que alguém passar à frente na fila dos enfermeiros, médicos e velhinhos. E não se julgue que são tipos mal-encarados, não. Há de tudo, independentemente do género, desde autarcas, gestores de hospitais, administradores de lares e IPSS e respetivos familiares, até padres.

Um escândalo que tem feito “correr muita tinta” nos velhos e novos media e que inspirou o cartoon de Hélder Dias.

Facebook quer silenciar grupos de política

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O algoritmo do Facebook vai passar a “esconder” as páginas dedicadas a temas sociais e à política. Quem o disse foi o próprio patrão, Mark Zuckerberg, num longo post publicado há dias.

“… we stopped recommending civic and political groups in the US ahead of the elections. We’re continuing to fine tune how this works, but now we plan to keep civic and political groups out of recommendations for the long term, and we plan to expand that policy globally” (deixámos de anunciar grupos de política e temas cívicos antes das eleições americanas. Vamos continuar a monitorizar esta iniciativa, mas a intenção é manter esses grupos sem visibilidade durante muito tempo e iremos expandir globalmente esta ação).

Acusado de favorecer a expansão do populismo e da extrema-direita em muitos países, o Facebook parece querer manter-se longe dessas chatices. Ou seja, esta rede social parece querer regressar às origens, quando servia para juntar famílias ou grupos de vizinhos, troca de fotografias, vídeos de bebés a fazer beicinho e tipos mais crescidos a fazer palhaçadas. É uma opção. Mas reduz o leque de frequentadores interessados em se manter nesta rede social, abre uma fatia importante de mercado para outras redes sociais.

Sobre o Instagram, rede social do grupo Facebook, nada se disse. Talvez a ideia de Zuckerberg seja, então, limpar o Facebook da guerrilha política e deixar que essas batalhas se concentram no Instagram. Sem problemas com a temática política continuam o Twitter, Youtube e outras redes, uma das quais nasceu agora e que se chama Clubhouse, um rede social que só suporta conversas sonoras, sem imagem nem escrita, que já está em grande expansão por todo o Mundo, apesar de só se poder entrar por convite.

Os milhões que a Mercedes vai pagar a Lewis Hamilton

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Desde Novembro do ano passado que corria a novela da assinatura ou não do contrato de Lewis Hamilton com a Mercedes para a presente época de Fórmula 1 (F1) – 2021.

Enquanto circulavam os mais variados boatos e especulações sobre a decisão do hepta – sete vezes – Campeão do Mundo de F1, Hamilton divertia-se algures na neve “preparando a próxima época” como ele dizia nas redes sociais para manter o tacho ao quente, assente nos seus sete títulos mundiais, nas suas 74 vitórias, nas suas 72 primeiras posições na grelha de partida em 156 Grandes Prémios.

Mas a novela ia correndo os seus capítulos até ao ponto de a própria Daimler vir a jogo a declarar que “há alternativas ao Campeão”, referindo-se sem o mencionar, ao jovem George Russel que deslumbrou todos com a excepcional exibição no circuito de Sakhir em substituição de Hamilton, atacado pela Covid.

Finalmente, Lewis e Toto Wolff assinaram um acordo mas só por um ano, contrariamente ao que Lewis queria, que era um contrato de três anos como habitualmente tinha com a equipa alemã. O piloto queria 220 milhões de euros. Mas a Mercedes, certamente com planos para o futuro próximo, caso Hamilton decida deixar o volante no final deste ano, aceitou a exigência de 45,5 milhões para esta época e o compromisso de se associar ao piloto numa Fundação para a diversidade e inclusão na Fórmula 1.

Acalmadas as águas, Hamilton terá o mesmo companheiro de equipa ao seu lado, o finlandês Valteri Bottas que já tinha o papel assinado desde Agosto, para calar as más-línguas sobre ele.

Pensa-se que a ideia-base é Lewis Hamilton assinar contratos ano a ano dado que os regulamentos da F1 vão mudar em 2022 e não há garantia de a Mercedes continuar a ter o carro dominador como até aqui.

Alguns analistas avançam a ideia de que Hamilton continuará a correr até obter o oitavo título, ultrapassando assim a marca de sete de Michael Schumacher. Um título que, seguramente, lhe dará argumentos para renegociar tudo outra vez e aproximar-se dos números de Messi e Neymar, três vezes superiores.

Covid-19: 196 mortes, números a descer

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Números continuam a baixar. Hoje há registo de “apenas” 196 mortes e 2.505 novos casos de infeção covid-19, segundo a Direção-Geral da Saúde. Mas o boletim da DGS revela também que estão internadas 6.344 pessoas, mais 96 do que no domingo, das quais 877 em unidades de cuidados intensivos, ou seja, mais 12. É expectável que os internamentos também venham a registar uma redução dentro de dias.

O número de óbitos hoje é o mais baixo desde 18 de janeiro, dia em que se registaram 167 mortes. Relativamente às 196 mortes registadas nas últimas 24 horas, 100 ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, 38 na região Centro, 32 na região Norte, 19 no Alentejo, quatro na região do Algarve e três na região Autónoma da Madeira.

Vacinação: ponto de situação

A campanha de vacinação já abarcou 397.404 mil pessoas, até hoje. Cerca de 292 mil já tomaram a primeira dose e cerca de 104 mil a segunda doses, números revelados pela ministra da Saúde.

Segundo Marta Temido, “abrangeram residentes e profissionais de estruturas residenciais para idosos, lares, unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados e estruturas equiparadas”, designadamente algumas estruturas para cidadãos portadores de deficiência.

“Também houve nestas inoculações já realizadas um número significativo de profissionais de saúde e já estão também aqui incluídas vacinações a pessoas com mais de 80 anos ou com entre 50 e 79 anos e uma das quatro comorbilidades identificadas como prioritárias para esta fase da vacinação”, explicou.

Variante britânica disseminada em Portugal

Um segundo caso de covid-19 associado à variante genética da África do Sul foi detetado em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Ricardo Jorge, que indicam que a circulação desta variante ainda “é limitada” no país.

O primeiro caso identificado em Portugal desta nova variante foi detetado no dia 07 de janeiro. Tratava-se de um homem de 36 anos, natural de África do Sul, residente em Lisboa, que está dado como recuperado desde o dia 17.

Já a chamada variante do Reino Unido está disseminada pelo país, segundo a mesma fonte.

Sobre a variante brasileira, detectada em Manaus, não há registo de nenhum caso em Portugal.

Desvio de vacinas, que crime é este?

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A advogada Marta Pinheiro presta serviços nas áreas de Direito Criminal e Familiar, preferencialmente. O caso do desvio das vacinas contra o covid-19 alastrou por todo o país, há centenas de evidências e de implicados nesse desvio. A situação já levou à demissão de dois altos responsáveis da área da saúde em Portugal. 

Pergunta: À luz da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, como comenta as declarações de Francisco Ramos, responsável do Plano Nacional de Vacinação, segundo o qual não faria sentido privar da segunda dose da vacina quem recebeu a primeira, ainda que sem merecer?

Resposta: Considerando que as vacinas, no mercado, requerem duas tomas, não fará muito sentido perder-se o efeito da primeira toma de quem as toma indevidamente, porque se assim fosse o prejuízo seria maior, pois à conta de tais pessoas gastar-se-iam três vacinas. 

O Ministério Público diz ter aberto averiguações sobre os casos divulgados pela comunicação social. Como se processam essas averiguações?

As averiguações realizadas pelo Ministério Público correspondem à fase de inquérito (investigação) auxiliados pelas forças policiais. Nesta fase analisa-se os documentos, ouvem-se testemunhas e tudo o demais necessário para averiguar da existência ou não de crime, e constituem-se como arguidos os indivíduos suspeitos da prática do crime (passando assim a ter direitos e deveres, no processo); caso se conclua pela existência de um crime, o Ministério Público elabora a competente acusação. 

O que será necessário acontecer para que alguém seja constituído arguido e, eventualmente, condenado? Que crimes seriam esses? 

A constituição de arguido depende de o indivíduo ser considerado suspeito ou não da prática do crime; com a constituição de arguido, passa a ter direitos e deveres, um dos quais é o de não prestar declarações, e o seu silêncio não o pode prejudicar.  Poder-se-á falar do crime de burla ou de peculato, caso estejamos perante um particular ou de um funcionário público. No primeiro caso falamos de burla (que depende de queixa e tem uma moldura penal até três anos de prisão), no segundo de peculato (uma moldura penal até oito anos de prisão). Em casos extremos, se ficar provado que quem tomou a vacina indevidamente, veio a provocar que um terceiro falecesse, por não ter tomado a vacina, aqui poder-se-ia falar em homicídio negligente.

À luz da legislação, este tipo de irregularidades ou crimes podem de facto levar a prisão efectiva ou apenas pena suspensa?  

O crime de burla permite a aplicação de uma pena de multa ou de prisão; no caso do crime de peculato apenas existe a possibilidade de pena de prisão de 1 a 8 anos. No caso de prisão, o Juiz pode ainda suspendê-la na sua execução, durante determinado período de tempo, se nesse período, os condenados praticaram novos crimes poderão ter que cumprir a prisão efetiva. Mas só as penas até 5 anos podem ser suspensas na sua execução. 

No que diz respeito às leis que regulamentam o exercício de funções públicas, se ficar provado que alguém cometeu irregularidades graves, pode ser impedido/a de voltar a exercer funções para o Estado? 

Na função pública, além de haver o processo crime poderá (e deverá) haver o processo disciplinar, que tem como sanção máxima o afastamento das funções naquele cargo. 

Quando estes casos terminarem, considera que poderá ser feita alguma espécie de jurisprudência? 

Os processo crimes entretanto abertos, que irão ter um desfecho, desfecho que acabará de certo nos tribunais superiores (como da Relação e do Tribunal Constitucional),manifestando-se sobre a interpretação das leis, dando assim origem a muitos acórdãos com decisões variadas. 

Marta Pinheiro, advogada