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As pragas rogadas pela Rainha Santa Isabel

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O túmulo de El Rei D. Dinis está a ser recuperado graças à iniciativa popular do jornalista Armando Seixas Ferreira, criador da página no Facebook “Vamos Salvar o Túmulo de D. Dinis”. E ao interesse da Câmara Municipal de Odivelas.

D. Dinis foi um Rei-poeta. Entre muitas boas coisas, plantou há 600 anos o Pinhal de Leiria, para reter o avanço do mar. Nós deixámo-lo arder por inteiro em dois dias, há três anos.

Mas naquele tempo, a vida não era fácil para as mulheres, nem mesmo sendo Altezas Reais. Isabel de Aragão foi oferecida ao Rei de Portugal, por conveniência das famílias reais de Portugal e Aragão. Era uma menina, tinha apenas 11 anos. O casamento foi por procuração, consumado um ano depois quando se celebrou a cerimónia na vila de Trancoso em 1282. Imaginem o trauma…

Rainha Santa Isabel

A Rainha apoiou-se o mais que pode na religião e em atos de caridade, de tal modo que era considerada uma mulher santa. A lenda sobre o milagre das rosas demonstra bem a animosidade que existia no casal real. Ela dava pão aos pobres, ele proibia-a. Além disso, a História relata que D. Dinis não lhe seria inteiramente devotado e visitaria as freiras bernardas do Convento de Odivelas. O que não vem nos livros, vive na tradição oral popular que jura ter a Rainha rogado várias pragas ao Rei por causa das humilhações que sofria.

Assim, o infortúnio de D. Dinis, após a morte, é explicado pela maldição dos desentendimento com a Rainha Santa Isabel. Por isso, a Rainha pediu para ser sepultada em Coimbra. O Rei escolheu Odivelas, sempre ficava junto das suas meninas. Ao contrário da tradição que colocava os túmulos dos casais reais lado a lado. O Papa Clemente V pediu a Isabel de Aragão que reconsiderasse, mas sem sucesso.

Durante séculos o túmulo foi maltratado, embora tenha escapado ao vandalismo das invasões napoleónicas. O que é um mistério. O túmulo nunca foi aberto. Mas foi muito mutilado e depois mal reparado pelos artesãos da Rainha Estefânia, no séc. XIX, que fizeram desaparecer a espada e as esporas da pedra. 

Já Almeida Garrett se indignara com o estado do túmulo, como conta na Lírica de João Mínimo, de 1829. Mas a coisa passou. E depois o Mosteiro de Odivelas serviu de lar ao Instituto de Odivelas. E agora o instituto foi transferido para o Colégio Militar. 

A Câmara Municipal de Odivelas deitou então mãos à preservação do mosteiro e do túmulo do Rei lavrador. Não tinha sido suficiente Garrett, foi necessário o alerta do jornalista Armando Seixas Ferreira. Jornalismo de mérito.

JRR/CN

Covid-19: pandemia em queda livre

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Portugal registou hoje 204 mortes relacionadas com a covid-19 e 3.508 casos de infeção com o novo coronavirus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Há um mês que o país não registava um número de novos casos abaixo dos quatro mil, valor que remonta ao dia 3 de janeiro, quando foram atingidos 3.384 casos.

Estão internadas em Portugal 6.248 pessoas com a doença, mais 90 do que no sábado, das quais 865 em unidades de cuidados intensivos, menos 26.

A Água de Colónia pode ser afinal de São Miguel

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A história oficial diz que a Água de Colónia, Eau de Cologne para os franceses, foi inventada por Giovanni Maria Farina, um italiano que se instalou na cidade alemã de Colónia no início do século 18. Já lá vão 300 anos e, à custa de tanto se repetir esta história, Farina é o inventor mesmo se não foi.

Na Alemanha alinha-se por este relato oficioso, há até um museu dedicado ao tema na cidade de Colónia, o Museu do Perfume. Nesse museu está a essência “original” criada por Giovanni Farina, inspirada pela memória que ele tinha do que era “uma manhã de primavera em Itália, logo após a chuva”, uma frase que cheira a marketing e não a flores.

Tudo isto seria pacífico se não houvesse uma dúvida sobre a verdade dos factos. E essa dúvida coloca a hipótese do inventor da Eau de Cologne afinal ser outro. Quem lança a dúvida é o historiador e arqueólogo amador açoriano Mário Jorge Costa, num texto publicado há pouco tempo no jornal digital ACDA – Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores.

Fotografia retirada do Facebook de Mário Jorge Costa

Pode ser lido nesse texto que “a hoje designada Água de Colónia, é um perfume que nasceu em Rosto do Cão, na ilha de São Miguel, nos Açores, em casa de Jorge Nuno Botelho, no Poço Velho, São Roque. Usava como ingrediente principal a essência da flor de laranjeira que era a sua componente principal desde 1582.” Rosto de Cão é, hoje, a denominação de uma região da ilha de São Miguel.

Ou seja, 100 anos antes de Farina, já os açorianos andavam bem cheirosos com a água perfumada que se produzia na ilha de São Miguel. Flor de laranjeira era a matéria prima que o açoriano Botelho utilizava para a sua “água de Colónia”.

Documentação para sustentar esta pretensão, provavelmente não há. Nos Açores já não se produz água perfumada e se quisermos comprar Eau de Cologne feita em Portugal teremos de nos contentar com a fabricada pela centenária empresa Ach de Brito e que é bastante agradável.

Se a “perfumaria” inicial tivesse sobrevivido ao tempo e à insularidade, hoje teríamos uma fábrica em Rosto de Cão a produzir Água de São Miguel, o que não deixa de ser uma ideia a repescar.

A ocasião faz o ladrão

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É chocante ver como a tradicional bonomia, o nacional porreirismo do português se transfigura completamente quando está em jogo algo de muito apetecível que deixa emergir uma catadupa de atitudes negativas, selvagens, próprias de predadores. E o pacífico, educado e sorridente cidadão português que diz “antes do mais, bom dia, boa tarde, boa noite” na televisão antes de iniciar sábias respostas a desgastadas perguntas, transfigura-se num ser desprezível, corroído pelo poderoso e tão apreciado “já agora….”, dominado pelo escondido egoísmo, chico espertismo, conveniente oportunismo a cujas forças ocultas não resiste. É próprio de quem se julga acima de tudo, acima de todos, e se elege ao paraíso dos todo-poderosos.

Apropriarem-se do que não lhes é devido é o que menos afeta os seus sonos. Atropelar a ordem estabelecida ignorando todo o trabalho de quem gastou horas a delinear um plano de vacinação nacional destinado a todos escorrega-lhes na pele da indiferença própria de uma casta.

Prenhes de poder local, quais imperadores de polegar para baixo na arena das conveniências, partem e repartem e ficam com a melhor parte imbuídos de quero, posso e mando. Mesmo sem razão e sem autorização apropriaram-se às escondidas de bens sociais excedentários na convicção de que ninguém iria dar por isso.

É inevitável estas atitudes abusivas não despertarem sentimentos de repulsa, mesmo de revolta, potenciadas pelas desculpas esfarrapadas e aviltantes de alguns que vieram justificar em público as razões do irrazoável.

As televisões agradecem o bónus de ficarem com o tema da semana.

Pessoas responsáveis de instituições de solidariedade, autarquias, INEM descobriram subitamente que estão também na linha da frente na luta contra a covid. Aproveitando sobras, saíram dos seus lugares nas listas e decidiram unilateralmente vacinarem-se e vacinarem familiares e amigos. Acham-se todos prioritários. Foram centenas de doses.

“A utilização indevida das vacinas contra a covid-19 pode constituir conduta disciplinar e criminalmente punível, em face da factualidade concreta que venha a apurar-se em sede de inquérito”, afirmou o Ministério da Saúde em comunicado. Descobertos e denunciados, aguarda-se a actuação do Ministério Público.

ex nihilo nihil fit, nada surge do nada.

Covid-19: 214 mortes, contágios diminuem

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Portugal registou hoje 214 mortes e 6.132 novos casos de infeção, segundo a Direção-Geral da Saúde publicou no boletim epidemiológico diário.

O boletim da DGS revela também uma diminuição no número de internamentos quer em enfermaria quer em cuidados intensivos. Estão internadas em Portugal 6.158 pessoas com a doença, menos 254 do que sexta-feira, das quais 891 em unidades de cuidados intensivos, menos 13.

A confirmar-se a tendência para baixar a força da pandemia, confirma-se a relação da evolução do contágio com a mobilidade da população. Esta diminuição está relacionada com o confinamento, uma vez que se verifica desde que as escolas foram encerradas, assim como os estabelecimentos comerciais não essenciais.

Viajar a partir da Rua dos Bacalhoeiros

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Foi apresentado como um projeto camarário destinado a apoiar o comércio local e a ideia de pintar o chão das ruas era precisamente para “dar nas vistas”, chamar a atenção. A Rua dos Bacalhoeiros foi uma dessas ruas escolhidas para tomarem uma cor diferente. Calhou ser azul.

Os pintores mal tinham começado a tarefa e já choviam críticas. Porque a tinta era tóxica e ia acabar a poluir o ambiente, porque bastava tornar a rua pedonal, porque era dinheiro mal gasto, porque era feio, porque era piroso, porque amarelo é que era, enfim… vontade de criticar não faltou.

O que nunca ninguém contestou foi o critério da escolha das ruas. No caso da Rua dos Bacalhoeiros, por exemplo, trata-se de um troço com 100 metros, aproximadamente. A seção entre as interseções com a Rua da Padaria e a Rua dos Arameiros. Uma pequena parte da rua com dois ou três restaurantes, apenas. Mais duas ou três lojas de produtos diversos. A maior parte da rua continuou como estava, com asfalto negro e tráfego rodoviário. Ou seja, na verdade, ali não fazia muito sentido chamar a atenção para o comércio local por várias razões, entre as quais já ser uma zona turística dada a proximidade com o Largo José Saramago e a Casa dos Bicos. Depois, porque a maior parte do “comércio” local é composto por restaurantes, atividade que naquela altura já não tinha mãos a medir para satisfazer a demanda, numa cidade sempre a abarrotar de turistas o ano inteiro.

Depois, chegou a pandemia. E o apoio que o comércio local realmente precisa não vem da cor do chão. Indo hoje à Rua dos Bacalhoeiros vemos o azul do chão a debotar e tudo fechado, restaurantes a ganhar bolor e lojas de artesanato com teias de aranha. De porta aberta, apenas a loja que vende produtos derivados de cannabis. Nestes tempos, a “viagem” pode ser uma tentação para muitos dos que estão fartos de confinamento.

Bom senso, o que falta a Portugal!

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A noite das eleições presidenciais foi para muitos motivo de sobressalto. Esquecem-se é das razões que levaram àquele resultado e, quase como que num compasso de magia, querem
atribuir culpas aos portugueses, como se fossemos todos irresponsáveis, fascistas, extremistas. O que sabemos bem não ser verdade. Devíamos perguntar o que leva quase 500 mil eleitores a votar num partido como o Chega.
Que fique claro, não gosto de extremos. Sejam de direita ou de esquerda. E farei com o Chega o que toda a vida fiz com o Bloco de Esquerda e com o Partido Comunista Português, combatê-los-ei democraticamente com propostas e com ideias.


Atribuir a todos os eleitores que votam na extrema-esquerda a ideia de que são comunistas e
totalitários e que apoiam a Coreia do Norte e a Venezuela é tão errado como atribuir a todos os
eleitores que votam na extrema-direita a ideia de que são fascistas e nazis. O que importava mesmo perceber são as causas. O que leva um cidadão a votar nestes partidos? E isso, verdadeiramente ninguém quer fazer. Dá trabalho e chegariam à conclusão de que a culpa está nos partidos do “sistema” cujas sobrevivências passam por depender do Estado e de terem na mão a máquina da função pública. É isso que dá verdadeiramente votos e leva a que Portugal não saia deste marasmo em que vive desde o 25 de Abril de 1974.
Portugal nunca evoluiu a uma velocidade única, há vários “portugais” dentro de Portugal. Há um Portugal do interior e do Norte esquecido e abandonado. Não foi à toa que o candidato do “bom senso”, Vitorino Silva, disse no debate com o candidato e presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que não se importaria de mudar o Palácio de Belém para Mogadouro, Sabugal, Vila Verde, Lousada, Penafiel, Ponte de Lima, Serra D’El Rei ou Aljustrel.

O que na verdade este candidato estava a dizer é que Portugal precisa de evoluir e que temos de parar de olhar Portugal na bitola Lisboa–Porto. Portugal, efectivamente, não é só isso, há mais para além disso, mas para muitos parece que o carro ou o comboio só vai mesmo de Lisboa ao Porto.
O que leva milhares de portugueses a votar no extremismo não são propostas reais para o
país, que muitos deles nem conhecem os programas eleitorais ou o que verdadeiramente os partidos propõem ao país. O que os leva a votar nestes partidos são frases bonitas que eles gritam nas televisões e que os órgãos de comunicação social dão ênfase, sem questionar o que eles querem dizer.
Dentro do Portugal dos doutores e dos engenheiros, há uma maioria dos cidadãos, agricultores, pescadores, comerciantes, feirantes, ardinas, actores, músicos, electricistas, canalizadores, donas-de-casa, funcionárias das limpezas, pedreiros, empreiteiros, bombeiros, polícias, auxiliares de ação educativa, auxiliares médico, cantoneiros, varredores. E estes não vivem dentro das máquinas do sistema, não andaram na Universidade e nunca terão oportunidade de ter um bom emprego, um bom carro, uma boa casa e, o seu maior sonho, é proporcionar uma vida com condições aos seus filhos. É este o sonho de qualquer pai e mãe. Era também este o sonho dos homens e mulheres que lutaram pelo fim da ditadura que existia antes do 25 de Abril. O que nos leva a concluir que 46 anos depois do 25 de Abril de 1974 continua tudo mais ou menos igual. Saímos de uma ditadura, mas a vida continua a não permitir a muitos portugueses sonhar com um amanhã melhor.


O Portugal do salário mínimo nacional de pouco mais de 600€, o Portugal dos que como os
meus pais se levantam todos os dias às 5h da madrugada para que não nos falte nada em casa, o Portugal dos que levam uma vida a trabalhar para acabarem com uma reforma de pouco mais de 200€, o Portugal dos jovens que estudam uma vida e acabam a ganhar pouco mais do que o salário mínimo nacional, o Portugal dos que nunca conseguiram e não conseguirão ter casa própria mas que trabalham arduamente para isso, o Portugal dos esquecidos e abandonados. É este Portugal, que não tem acesso aos milhões da máquina do Estado, que vota no extremismo.
Felizmente, temos ainda uma franja da população responsável e que não vota no
extremismo. Procura, como eu, votar em partidos de bom senso, com propostas exequíveis, que ofereçam algo diferente a Portugal. Mas que infelizmente saem sempre derrotados nas eleições pelas grandes máquinas bem oleadas, cujas motivações não é o bem estar dos portugueses ou a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, mas antes as negociatas que os irão favorecer. Infelizmente é a este Portugal que parece estarmos condenados. O Portugal do fracasso, dos negócios, do nepotismo, dos favoritismos. Mas até quando? Até quando vai Portugal aguentar este caminho? É por isso que digo que o que falta a Portugal, é bom senso.

Quando o autarca sonha

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O nosso desenvolvimento tem sido feito de golpes, que nos estragam a qualidade de vida. Já tinha acontecido com a Fundação Champalimaud, que teima em plantar aquelas bisarmas em cima do rio. Provavelmente para os cidadãos, dentro em pouco, usufruirem o Tejo olhando-o do Alto da Ajuda.

Para quê densificar de betão zonas de fruição? O projecto das Torres da Lusalite já está em consulta pública. É alegadamente do mesmo grupo promotor das Torres Marítimas de Alcântara.

maqueta do projeto Porto Cruz, Câmara Municipal de Oeiras

Para que servem tantas torres, em tempos de crise e com a população portuguesa a diminuir a olhos vistos, de ano para ano? É para chineses e franceses ou para os ingleses que nunca mais voltarão, agora que lhes deu um Brexit? E a marina é para ficar às moscas como a do Parque das Nações? Constrói-se para quê? Quem vai ganhar?

Com a pandemia, queremos planeamento. Não precisamos de casas fechadas. Necessitamos de sustentabilidade em todos os sectores. Para não estarmos sempre a patinar na crise de 1383-85. Quando não tínhamos rumo, nem pão!

Ser gente

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Charles Plumb, o piloto  saltou de para-quedas quando o seu bombardeiro foi abatido na guerra do Vietname, contava a mensagem, que será bastante conhecida já. Feito prisioneiro, só ao fim de largos anos logrou ser libertado. Um dia, já nos Estados Unidos, num café, alguém lhe perguntou:

– Você é Charles Plumb, o piloto que se salvou, não é?

– Sou, como é que sabe?

– Era eu quem dobrava o seu para-quedas! Parece que funcionou bem, não é verdade?

O piloto sentiu um baque. Nunca ligara importância a esse homem que lhe falava agora, tantos anos volvidos, com quem tantas vezes se cruzara e a quem, decerto, nunca dera os bons-dias!…
E surgiu-me, de novo, a história dos meus jovens vizinhos de cabelo multicolorido que me ofereceram um bonito banco de jardim: «Sabe, é que vocês são os únicos que nos dão os bons-dias!». Ainda hoje, a sua expressão me arrepia!… E deles me lembro quando no banco me sento…

Atropelam-se-me na memória palavras de reconhecimento e palavras de sincera discordância por parte de quem se cruza comigo. O gesto que fez bem, o gesto que marcou negativamente… Amiúde, mera expressão facial, duas ou três palavras… Ficaram na memória. Indelevelmente. Sinto-me responsável. E peço perdão por não ter sido oportuno. E fico contente quando me dizem, como há dias um amigo, ao telefone: «Não te apercebeste disso, mas a tua atitude deu-me alento». E a frase que alguém recebeu: «Bem haja pela sua enorme capacidade motivadora e por aquilo que ensina, talvez mesmo sem o saber».

A nossa responsabilidade enorme de cidadãos.

Evoco de novo aquele instantâneo na ilha Great Abaco, nas Baamas, em Maio de 1989. A equipa cruzou-se com uma senhora. Nós, uns estranhos. Saudou-nos num sorriso: «You welcome!».  Sorrimos também. E tenho presente o sorriso do condutor do autocarro que passa pelo meu bairro, quando lhe aceno. E a saudação habitual, em Londres, ao motorista quando se entra no autocarro e lhe agradecemos à saída!… Sim, esse o mundo de comunidade em que eu quero viver!…

No final da mensagem, em que me respondia à pergunta se estavam bem, a minha amiga escreveu: «Tenho saudades de falar com Gente!». Acabei por lhe telefonar, no pressuposto de que… seria gente. E ambos fomos mais gente!

(o autor também publicou esta crónica no blog “Notas e Comentários“)

Covid-19: 258 mortes, 10 doentes vão ser transferidos para a Áustria

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Depois de uma descida durante quatro dias, o número de mortos voltou hoje a subir.  Hoje, o boletim epidemiológico regista 258 mortes e 6.916 novos casos de infeção. O boletim da Direção Geral de Saúde revela também que estão internadas 6.412 pessoas, menos 84 do que na quinta-feira, das quais 904 em unidades de cuidados intensivos, mais 41 (o número mais elevado desde o início da semana).

Desde março de 2020, Portugal já registou 13.740 mortes associadas à covid-19.

Doentes portugueses a caminho da Áustria

Dez doentes portugueses vão ser transferidos para a Áustria, cinco com infeções graves pelo novo coronavírus e cinco com outras doenças ou cirurgias pendentes, confirmou hoje o Governo austríaco.

Em comunicado, o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, assumiu ser “uma questão de solidariedade europeia oferecer ajuda rápida sem burocracia para salvar vidas humanas”. O líder conservador austríaco já tinha falado no último domingo com o primeiro-ministro, António Costa, acerca da possível transferência de doentes.

“Tal como acolhemos no passado doentes de cuidados intensivos de França, Itália e Montenegro, queremos agora ajudar Portugal nesta difícil situação”, acrescentou o chefe do executivo austríaco.

A Áustria tem 300 pessoas doentes em UCI nos vários hospitais do país, mas o número tem vindo a diminuir desde final de novembro, quando chegaram a estar internadas mais de 700 pessoas em UCI.

Segundo a agência noticiosa EFE, os doentes portugueses serão transportados para clínicas em Viena e quatro outras regiões do país em aviões do exército federal austríaco, numa data ainda por confirmar pelos dois Governos, que estarão a finalizar os detalhes do acordo.