Quando o autarca sonha

Na margem lisboeta do Tejo vão nascer torres de betão como se fossem cogumelos. Para Alcântara já estavam prometidos três arranha-céus a competir com a Ponte sobre o Tejo. Agora é a vez da Cruz-Quebrada levar com mais cinco torres na antiga Lusalite.

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O nosso desenvolvimento tem sido feito de golpes, que nos estragam a qualidade de vida. Já tinha acontecido com a Fundação Champalimaud, que teima em plantar aquelas bisarmas em cima do rio. Provavelmente para os cidadãos, dentro em pouco, usufruirem o Tejo olhando-o do Alto da Ajuda.

Para quê densificar de betão zonas de fruição? O projecto das Torres da Lusalite já está em consulta pública. É alegadamente do mesmo grupo promotor das Torres Marítimas de Alcântara.

maqueta do projeto Porto Cruz, Câmara Municipal de Oeiras

Para que servem tantas torres, em tempos de crise e com a população portuguesa a diminuir a olhos vistos, de ano para ano? É para chineses e franceses ou para os ingleses que nunca mais voltarão, agora que lhes deu um Brexit? E a marina é para ficar às moscas como a do Parque das Nações? Constrói-se para quê? Quem vai ganhar?

Com a pandemia, queremos planeamento. Não precisamos de casas fechadas. Necessitamos de sustentabilidade em todos os sectores. Para não estarmos sempre a patinar na crise de 1383-85. Quando não tínhamos rumo, nem pão!

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