A Água de Colónia pode ser afinal de São Miguel

0
531

A história oficial diz que a Água de Colónia, Eau de Cologne para os franceses, foi inventada por Giovanni Maria Farina, um italiano que se instalou na cidade alemã de Colónia no início do século 18. Já lá vão 300 anos e, à custa de tanto se repetir esta história, Farina é o inventor mesmo se não foi.

Na Alemanha alinha-se por este relato oficioso, há até um museu dedicado ao tema na cidade de Colónia, o Museu do Perfume. Nesse museu está a essência “original” criada por Giovanni Farina, inspirada pela memória que ele tinha do que era “uma manhã de primavera em Itália, logo após a chuva”, uma frase que cheira a marketing e não a flores.

Tudo isto seria pacífico se não houvesse uma dúvida sobre a verdade dos factos. E essa dúvida coloca a hipótese do inventor da Eau de Cologne afinal ser outro. Quem lança a dúvida é o historiador e arqueólogo amador açoriano Mário Jorge Costa, num texto publicado há pouco tempo no jornal digital ACDA – Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores.

Fotografia retirada do Facebook de Mário Jorge Costa

Pode ser lido nesse texto que “a hoje designada Água de Colónia, é um perfume que nasceu em Rosto do Cão, na ilha de São Miguel, nos Açores, em casa de Jorge Nuno Botelho, no Poço Velho, São Roque. Usava como ingrediente principal a essência da flor de laranjeira que era a sua componente principal desde 1582.” Rosto de Cão é, hoje, a denominação de uma região da ilha de São Miguel.

Ou seja, 100 anos antes de Farina, já os açorianos andavam bem cheirosos com a água perfumada que se produzia na ilha de São Miguel. Flor de laranjeira era a matéria prima que o açoriano Botelho utilizava para a sua “água de Colónia”.

Documentação para sustentar esta pretensão, provavelmente não há. Nos Açores já não se produz água perfumada e se quisermos comprar Eau de Cologne feita em Portugal teremos de nos contentar com a fabricada pela centenária empresa Ach de Brito e que é bastante agradável.

Se a “perfumaria” inicial tivesse sobrevivido ao tempo e à insularidade, hoje teríamos uma fábrica em Rosto de Cão a produzir Água de São Miguel, o que não deixa de ser uma ideia a repescar.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here