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Planta venenosa comum em Portugal é eficaz antiviral

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Na região de Penacova chamam-lhe “Canafrecha”, denominação aparentemente ignorada pelos académicos. Na ficha técnica do Jardim Botânico da UTAD, a planta “thapsia garganica” não tem nome popular em português e, no entanto, é uma planta comum nas serras e planície do centro e sul de Portugal. Parece pouco provável que ervanárias e curandeiros nunca lhe tenham posto um nome e o termo “Canafrecha” não parece ser descabido. A verdade é que no meio académico apenas é conhecida pelo nome científico “thapsia”. Há várias variantes da mesma espécie, aquela que importa agora é a “thapsia garganica”, a que os ingleses também chamam “cenoura mortal” (deadly carrot) por ser venenosa.

Em Inglaterra, investigadores da Universidade de Nottingham descobriram que a substância que se extrai dessa planta, a tapsigargina, é um poderoso antiviral e que funciona eficazmente contra vários vírus, entre os quais os diferentes vírus da gripe e o coronavírus que provoca a covid-19.

Esta investigação conta com parcerias da Universidade Agrícola da China e do Instituto britânico Pirbright (especializado em virologia), obteve resultados promissores em experiências realizadas em células e em animais com a tapsigargina, que se revelou eficaz contra a infeção respiratória e com resultados inibidores da reprodução do vírus nas células infetadas. Como a tapsigargina é substância estável em ph ácido pode ser tomada por via oral, evitando as injeções ou o internamento hospitalar.

É mais uma janela de esperança na luta contra a pandemia que a Natureza nos oferece. É claro que esta planta só existe em locais onde o ambiente não foi ainda irremediavelmente danificado. É giro ser uma planta dos nossos campos. Mas não passa disso. Se se confirmarem as expectativas, quem a vai cultivar é a China.

Segredo de Estado

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O relatório do Banco de Portugal sobre o caso BES chegou, finalmente, à Assembleia da República. Mas continua a ser secreto. Isto é, os deputados podem discuti-lo à porta fechada, no segredo dos gabinetes, mas não o podem divulgar.

É bom lembrar que este relatório foi recusado várias vezes pelo Banco de Portugal, que só o entregou depois de ser exigido pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao Novo Banco. Esta comissão parlamentar foi constituída em dezembro de 2020 e, segundo o Bloco de Esquerda, o relatório do Banco de Portugal foi o primeiro documento a ser pedido.  

A razão porque o relatório constitui “segredo de estado” não é conhecida. Enquanto for segredo vai dar asas à imaginação popular e às teorias mais escabrosas de conspiração urdidas por projetos políticos indignos. O que se sabe é que esta questão, do Banco Espírito Santo, envolve um antigo banqueiro considerado o “dono disto tudo”, uma rede de escritórios de advocacia, uma rede de assessores especialistas em fuga ao fisco e transferências financeiras para offshores, uma miríade de empresas entre as quais as principais empresas do país, e o fracasso evidente do próprio Banco de Portugal na função que lhe cabe em exclusivo de fiscalizador da atividade bancária.

O caso BES pode ainda envolver subornos a agentes da política e financiamentos encobertos de campanhas eleitorais. Na TVI, a deputada Mariana Mortágua referiu, e não foi desmentida, que “o BES era o Banco do regime. Quantas campanhas terá financiado o BES? Conhecemos a de Cavaco Silva. Mas quantas campanhas foram financiadas pelo BES e outras empresas através destes esquemas?”, esquemas que também serviram de lavandaria financeira de negócios feitos com Angola, Venezuela, Alemanha onde despontam suspeitas que envolvem altas personalidades dos governos de alguns destes países e de Portugal.

Depois de tudo o que já se sabe sobre o caso BES, talvez o segredo que se quer manter seja o da incompetência (ou compadrio?) de alguns VIP da finança e da política. Ora, se for isso, é um esforço inútil, é uma tentativa de tapar o sol com a peneira. Todos sabemos que o anterior Governador do Banco de Portugal dormia a sesta.

Recordar o cerco ao parlamento em 1975, prevenir o futuro

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O Ministério Público deveria ter tomado a iniciativa. A imprensa já divulgou a complexa teia de suporte do Chega e as ramificações a extremistas infiltrados nas forças de segurança. Os serviços de informação identificaram a ameaça. 

Todos julgamos (e bem) que as polícias protegem os cidadãos e repõem a ordem. Mas quando vemos as imagens das manifestações das forças de segurança notamos muita agressividade.

O Chega deveria ter acabado no dia em que o seu líder desceu as escadas da Assembleia da República para se juntar aos polícias manifestantes. E admoestou o Parlamento.

O Estado Democrático de Direito pode não ser perfeito, mas é o melhor sistema. A Democracia portuguesa tem problemas, mas resolvem-se. O bota-abaixo nunca levou a lado nenhum. A não ser ao 28 de Maio de 1928, pela mão de três maçons aparvalhados que entregaram o poder ao ditador António Salazar.

A iniciativa de Ana Gomes é prudente. Não queremos acordar, um dia destes, com uns chifrudos à porta do Parlamento, como sucedeu inesperadamente em Washington. Ou como se passou em Portugal em 1975, quando os deputados estiveram sequestrados durante dois dias na Assembleia por milhares de operários da construção civil. Os deputados do PCP rejubilaram de apoio.

Que a história não se repita. Agora com o apoio do Chega, usando os policias. Abençoada Ana Gomes.

Covid-19: 225 mortes, Amadora-Sintra reabre urgências

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Portugal registou hoje 225 mortes relacionadas com a covid-19 e 7.914 casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim da DGS revela também que estão internadas 6.496 pessoas, menos 188 do que na quarta-feira, das quais 863 em unidades de cuidados intensivos, menos 14. Há quatro dias que o número diário de mortos está a descer.

Os dados de hoje revelam ainda que 10.760 pessoas foram dadas como recuperadas, fazendo subir para 573.934 o número de recuperados desde o início da pandemia em Portugal, em março de 2020. Hoje foi assim o quarto dia consecutivo em que o número de recuperados superou o de novas infeções.

O número de casos ativos em Portugal regista também um decréscimo nos últimos dias depois de um máximo atingido a 29 de janeiro de 181.811.

Hospital Amadora-Sintra reabriu urgências

O Hospital Amadora-Sintra já está a receber doentes respiratórios em ambulâncias desde as 08:00 de hoje, depois de se ter verificado um alívio nos serviços,

Desde a tarde de terça-feira o hospital não estava a receber doentes respiratórios em ambulâncias devido a uma sobrecarga no serviço de urgência específico para estes pacientes.

O hospital realizou na quarta-feira uma transferência de 20 doentes que contraíram a covid-19 para o Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto (15), e para o Centro Hospitalar de Gaia-Espinho (cinco).

Hoje estão 333 doentes internados, dos quais 37 estão em cuidados intensivos. O mesmo hospital transferiu, na semana passada, 120 pacientes para outras unidades hospitalares, na sua maioria doentes infetados com covid-19.

A loja onde Salazar mandava fazer ceroulas

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O senhor Ernesto Ferreira diz: “Só gastava lá quando faziam promoções e era quando o “rei fazia anos”. Mas dava gosto entrar vestido com um fato dessa loja no escritório e ver os colegas cheios de inveja. Bons tempos.”

A dona Paula Nunes dos Santos confirma: “Das melhores lojas de moda para homem.”

O senhor Vergílio Marques intervém: “Foi. Agora vende pastéis de nata. Vendia…”

A dona Maria Cândida Trindade lamenta: “Ontem passei por lá. Até mete dó.”

O tema desta conversa era a antiga Camisaria Pitta, na rua Augusta, tida como uma das melhores camisarias da capital, no tempo em que se faziam camisas por medida. O tempo que tudo muda e o advento do pronto-a-vestir, acabaram com um negócio.

Durante mais de um século (1885 – 2018), pela porta da Camisaria Pitta entraram celebridades e gente realmente rica. Consta que os livros de registo de clientes estavam avaliados numa fortuna devido à importância que tinham como documentos históricos e que, por isso, estavam guardados num cofre-forte numa casa na Rua do Crucifixo, mas ardeu tudo no grande incêndio de 1988. Sobraram as memórias.

Neto de António Rodrigues e filho de Victor Rodrigues, ambos camiseiros conceituados e que trabalharam décadas na Camisaria Pitta, Mário Rodrigues cresceu naquele ambiente de corte e costura e lembra-se das histórias que ouviu.

“Clientes famosos, tinha imensos. A começar por quase todos os brasonados portugueses que mandavam bordar nas camisas as suas iniciais, a coroa e o título.”

Vaidades, mas só isso dava trabalho a várias bordadeiras especializadas, diz-nos Mário Rodrigues que se lembra que o pai “que apenas desenhava e cortava e fazia as provas, fazia camisas, ceroulas e pijamas, chegou a fazer ceroulas para o Salazar”.

Depois da revolução de abril de 1974, a Camisaria Pitta deixou de fazer camisas por medida. O pai de Mário Rodrigues já tinha o seu próprio atelier e “a pouco e pouco os clientes que eram da Pitta, passaram palavra e começaram a frequentar a oficina do meu pai”.

Enquanto a Camisaria Pitta se limitava a vender camisas pronto-a-vestir, os lisboetas mais exigentes continuavam a vestir camisas únicas que o pai de Mário cortava e que ele entregava nos domicílios dos clientes.

“Lembro-me de um grande fadista da nossa praça que nunca tinha dinheiro e pagava as camisas com discos autografados, embora vivesse num palacete.  Outros queriam a manga direita mais larga, pois tinham o músculo mais desenvolvido por causa do ténis. Havia outro que mandava fazer 20 camisas, todas iguais e da mesma cor, para que quando entrasse numa reunião parecesse que a camisa estava impecável, fosse qual fosse a hora do dia, era administrador de um banco. A única vez que o meu pai me deu uma tareia, foi quando me mandou fazer uma entrega ao dono de um hotel, e como ele não quis pagar contra a entrega das camisas, eu sabendo das dificuldades financeiras dos meus pais trouxe as camisas para trás…”.

A Camisaria Pitta chegou a dar trabalho a dezenas de funcionários, todos especializados. Havia os camiseiros, a costureira mestra, as caseadeiras, as colarinheiras, as ajuntadeiras, as bordadeiras, as engomadeiras, as aprendizas, uma profusão de tarefas que funcionavam um pouco à semelhança das linhas de montagem das fábricas. Só que ali cada peça era única, moldada ao corpo do cliente. Um luxo.

Até 1977, o negócio manteve-se sempre na família do fundador. Mas os anos a seguir à revolução de 74 foram particularmente difíceis. Ainda se tentou a adaptação aos novos tempos, mas a casa acabou por fechar em 2018 para ser transformada numa pastelaria. Agora, com o confinamento, já nem isso é. Resume-se a um “postigo” onde se espera por alguém que passe ou por um Uber que tenha alguma encomenda de pastéis de nata…

fotografia registada em 4 fevereiro de 2021

Covid-19: 240 mortes, demite-se coordenador do Plano de Vacinação

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240 mortes, 9.083 novos casos de infeção, 6.684 pessoas internadas, das quais 877 em unidades de cuidados intensivos, mais 25 que ontem e este número representa um novo máximo de doentes internados em cuidados intensivos. Estes são os números do boletim epidemiológico de hoje.

Demissão do coordenador do Plano de Vacinação

Francisco Ramos, coordenador da task force para o Plano de Vacinação contra a Covid-19, demitiu-se do cargo, anunciou hoje o Ministério da Saúde.

Em comunicado, o Ministério esclareceu que a demissão de Francisco Ramos decorre de “irregularidades detetadas pelo próprio no processo de seleção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente da comissão executiva”.

Numa declaração enviada às redações, Francisco Ramos acrescentou que as irregularidades diziam respeito ao processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde daquele hospital.

“Ao tomar conhecimento de irregularidades no processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde do Hospital da Cruz Vermelha, do qual sou Presidente da Comissão Executiva, considero que não se reúnem as condições para me manter no cargo de coordenador da task force para a elaboração do Plano de Vacinação Contra a COVID-19 em Portugal. Assim, apresentei ontem, dia 2 de fevereiro de 2021, à Senhora Ministra da Saúde, a renúncia ao cargo”, escreveu na declaração.

O Ministério da Saúde indicou que o funcionamento da task force “mantém-se assegurado pelos restantes membros do núcleo de coordenação”.

Francisco Ramos deixa o cargo numa altura em que são públicas diversas situações de vacinação indevida de várias pessoas em várias regiões do país.

Doentes de do Amadora-Sintra transferidos para o Porto

O Hospital Amadora-Sintra iniciou hoje à tarde a transferência de 20 doentes internados em enfermaria para o Hospital de São João, no Porto, e para o hospital de Gaia. Vão ser transportados 15 doentes para o Hospital de São João e cinco para Vila Nova de Gaia.

O Hospital Amadora-Sintra não está a receber doentes respiratórios em ambulâncias, desde as 16:00 de terça-feira, devido uma sobrecarga no serviço de urgência. As ambulâncias têm sido desviadas para outros hospitais.

Vacina para todos (os amigos)

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Como sabemos, o ser humano é uma espécie tremendamente egoísta. “Primeiro estou eu e os outros que se lixem” e quem não pensar assim é visto como um tolo.
Em abono da verdade, todos nós nos achamos prioritários. Uns porque trabalham na segurança social, outros porque têm um restaurante, outros uma pastelaria. Uns porque são padres e têm uma mãe que vale mais do que a mãe dos outros – já agora, a senhora que é costureira e que faz bainhas como ninguém, também merece uma pica -, e outros porque as mulheres são médicas que estão na linha da frente, mas que se esqueceram que elas estão em casa há mais de um ano sem prestarem serviço. Por estes dias, ouvimos de tudo.
E no país do Chico Espertismo, continuamos a enterrar aos milhões no SNS, na TAP ou no Novo Banco. E sempre que existem estas crises, percebemos o porquê deste belo país, à beira-mar plantado, nunca ter dinheiro.

Toda a gente que tem poder se orienta e os burros dos contribuintes – que não têm cunhas – que fiquem para trás. É por isso que as empresas públicas são sumidouros de dinheiro. Porque há mais gente a tirar do que aquilo que lá conseguimos pôr, por mais que trabalhemos e descontemos.
Não sei tudo o que está a montante e a jusante do desvio de vacinas. Nem sei, tão pouco, se alguns desses desvios são legítimos ou não. Sei é que o tema está na ordem do dia. Todos sabemos que se há fumo também há fogo e o facto de ser notícia já é, por si só, tremendamente preocupante.
Todavia, não se apoquentem tanto com as vacinas, caros cidadãos, pois não é apenas no desvio delas que está o problema. O que se passa é muito maior do que o desvio de uns frasquinhos com o Santo Graal. Se numa altura tão complicada, se com um produto tão escasso e tão controlado estamos a deparar-nos com tantos casos, imaginem só tudo o que não acontece à nossa volta em tempos de não-covid.
Pensemos, então, a quantos “desvios” não estamos todos sujeitos ao longo de tantos e tantos anos, que vão desde umas canetinhas subtraídas do economato das finanças – mas que dão jeito aos putos lá para a escola -, a ex-primeiros-ministros capazes de viver na zona mais luxuosa Paris, mesmo assumindo-se como gente de posses humildes e “simples provincianos que tiveram a fatalidade de ascender na política”.
Não importa que Portugal seja governado à esquerda, à direita ou ao centro. Tanto faz! É necessário que consigamos assumir – quer o nosso povo queira ou não queira – que não é possível governar uma nação de gente mal-formada e trapaceira.

O futuro da mesquita enterrada debaixo da Sé Catedral

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O Partido Comunista apresentou uma proposta de resolução que “recomenda a salvaguarda integral, adequada valorização e integração museológica do conjunto monumental de estruturas arqueológicas islâmicas, localizadas no claustro da Sé de Lisboa”.

Esta intenção contraria a vontade expressa pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC) que prefere desmontar as estruturas encontradas nas fundações da Sé Catedral, alegadamente para garantir a estabilidade do edifício. 

Foi para reforçar a estabilidade da Sé Catedral (edifício com mais de 800 anos de existência), que se procederam a trabalhos de escavação nos claustros e se descobriram, a alguns metros de profundidade, estruturas e artefactos que os arqueólogos dizem pertencer à antiga mesquita de Lisboa, sobre a qual se construiu a Sé Catedral, após a conquista da cidade pelo primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, no ano de 1147.

No projeto que o PCP entregou agora na Assembleia da República está dito que a DGPC (organismo do Ministério da Cultura) “desautorizou as suas próprias trabalhadoras, duas arqueólogas que são as diretoras científicas dos trabalhos arqueológicos, pois ignorou e desvalorizou a sua interpretação dos vestígios”. Direção Geral do Património e arqueólogos nunca se entenderam e a discussão entre técnicos já extravasou para a política e para a opinião pública.

No passado dia 14 de outubro, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, determinou que os vestígios da antiga mesquita, referenciada como “almorávida”, deviam ser mantidos no local. A decisão da ministra Graça Fonseca dissipou a possibilidade de exumação destes vestígios, por razões de segurança, alegadas pela DGPC.

Agora, resta saber se a opção de manter as estruturas no sítio significa mantê-las enterradas e inacessíveis ou se significa criar ali a possibilidade dessas estruturas poderem ser interpretadas e visitadas por estudiosos e público em geral, salvaguardando a integridade da Sé Catedral e da utilização que a Igreja Católica lhe dá. Esta seria a opção que iria agradar aos amantes e aos profissionais da arqueologia, mas talvez de difícil concretização em termos de engenharia. Não que a engenharia não tenha recursos para manter a Catedral de pé e destapar a mesquita que está por baixo. Mas que ninguém tenha dúvidas de que será um exercício dispendioso. Talvez esse seja o verdadeiro problema.

Com papas e bolos… se distribuem vacinas

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Na passada semana, 126 funcionários do Centro Distrital da Segurança Social de Setúbal foram vacinados. O problema é que alguns deles não faziam parte da lista a quem eram destinadas as vacinas, nem eram considerados prioritários (categoria onde entram, por exemplo, pessoal médico e auxiliar e pessoal que trabalha nos lares de idosos). A polémica levou a que a então directora, Natividade Coelho, pedisse a demissão, a qual foi aceite. Seguem as averiguações como é da norma.

Já em meados de Janeiro, se soube que o autarca de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, tinha sido vacinado com o argumento de ser prioritário, uma vez que também é dirigente de uma fundação que possui um lar de idosos; enquanto que o coordenador do plano de vacinação, Fernando Ramos, manifestou dúvidas sobre a legitimidade deste “passar à frente na lista”, a autarquia diz que é “um procedimento normal”. 

Esta segunda-feira, o Ministério Público confirmou que abriu inquéritos que dizem respeito “a alguns dos casos vindos a público, desde logo os respeitantes à Segurança Social de Setúbal, ao INEM de Lisboa e ao INEM do Porto”, numa alusão ao famoso caso das vacinas que sobravam na cidade Invicta e que foram administradas ao pessoal de uma pastelaria bem próxima das instalações portuenses do INEM – no mesmo bairro onde estava uma corporação de bombeiros. O responsável pela delegação Norte do INEM acabou por se demitir no meio da polémica.

A indignação é de tal ordem que existe quem defenda a demissão imediata do coordenador do Plano Nacional de Vacinação Contra a Covid-19, uma vez que Francisco Ramos (o titular do cargo) assegurou em público que quem recebeu a primeira dose ainda que imerecidamente vai receber a segunda. Alegou que outra coisa seria “justiça popular que faria pouco sentido”, insistiu que não é papel dessa estrutura perseguir os “batoteiros” e colocar a segunda toma em causa seria “um espírito vingativo”. “Essa pergunta explica um pouco aqueles 11% ou 12% nas eleições presidenciais do passado domingo, um espírito vingativo que não me parece que seja muito bom para uma sociedade solidária como a nossa”, afirmou Ramos em declarações à SIC Notícias. 

Sem querer entrar em considerações legais ou criminais, que por si só dariam um muito vasto artigo à parte, gostaria de chamar a atenção para o plano moral e filosófico da questão – daí o conceito de “chico-espertice”.

Um fenómeno da psique comum em muitos povos (não se pense que é apenas apanágio dos “atrasados povos do sul da Europa”, como alguns gostam de pensar, porque imoralidade e falta de ética também acontecem nos povos do norte da Europa), a pequena corrupção/chico-espertice é transversal a todas as faixas etárias, sócio-económicas e culturais do País. O problema está na perspectiva pessoal da maioria das pessoas, fruto de vários factores. Ou seja: se forem os outros a fazer, brado contra eles. Tudo uma corja, corruptos, filhos desta e daqueloutra, malandros, cadeia com eles, aproveitadores, etc. Se for eu a fazer, não tive outra escolha, é uma questão de sobrevivência, ou ataco ou sou atacada, e por aí vai. Uma espécie de auto-justificação da corrupção reside no sub-consciente de cada pessoa, com a justificação primaz de que cada um desenrasca-se como pode nesta selvajaria. Os mais cínicos riem-se dos que mais ética têm, designando estes últimos de santinhos ou idiotas. “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo, ou não sabe da arte”, lá diz o ditado popular, vindo das profundezas da sabedoria do mesmo povo que, com justiça diga-se, grita ainda hoje (sobretudo pelas vias digitais, veículo moderno) contra “a cambada de corruptos e parasitas”. Mas então…? Não é a corrupção um defeito de carácter grave, um crime até, inscrito no Código Penal? Não é a chico-espertice uma característica má, perversa, obscura, injusta, um autêntico atentado ao bem público (a saúde, o desenvolvimento, etc.) e uma vergonha de comportamento, digno do tempo da “outra senhora”? Não somos nós um povo orgulhosamente democrata, que repudia o salazarismo (exceptuando os descontentes com a situação actual que são cada vez mais permeáveis ao flautista de Hamelin que é aquele senhor daquele partido político) e tudo o que de mau isso significa? Não querem os cidadãos um castigo exemplar para esse cancro que são as “cunhas”, os “compadrios”, a “troca de favores” e os “amiguismos”? Então, em que ficamos? 

Parecem surgir duas atitudes essenciais, e pouco habituais nesta frágil democracia que é a nossa (no sentido de exercício de cidadania democrática por parte da pessoa comum, do cidadão/da cidadã de todos os dias) que,  paradoxalmente, são simples de levar a cabo e complicadas de completar: uma educação (ou auto-educação) para a ética cidadã, levada a cabo nos media, nas escolas e nas famílias, onde a mentalidade e prática do chico-espertismo dê lugar à tão aplaudida e desejada meritocracia, e a acção pelos cidadãos para punir quem “sai dos eixos”. Só esta última enfrenta gigantescos desafios, como se pode verificar, por exemplo, pela cada vez menos amplitude de influência e acção da Provedoria de Justiça. Quem já recorreu a ela, autêntico bastião de defesa do Estado de Direito Democrático, sabe que por falta de recursos, que não da vontade, da exemplar equipa que a constitui, não só os processos são demorados, como muitas vezes a conclusão é favorável à causa que a pessoa defendeu, porém, esbarra neste aparelho de Estado das coisas pouco justo e no carácter não-vinculativo do parecer da Provedora, por mais bem feito que esteja. E isto é apenas um de muitos exemplos de como o mais persistente ensejo de cidadania esbarra numa espécie de parede intransponível. 

Devia haver uma vacina contra a corrupção e o chico-espertismo, dirão alguns, grupo no qual estarão, para mal dos seus/nosso pecados, pessoas que, à primeira oportunidade, fariam o mesmo que os criticados protagonistas das infelizes notícias das últimas semanas, alheios à catástrofe que é a mortalidade elevada por esta maldita pandemia, para não falar do desprezo egoísta com que encaram os efeitos a longo prazo deste coronavírus que veio desarranjar tudo para demonstrar que não vamos ficar todos bem. Era bom haver essa vacina, mas esta não cai do céu nem virá de modo sebastianista lá de longe numa manhã de nevoeiro.

Então, em que ficamos?

Covid-19: 260 mortes, políticos começaram a ser vacinados

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Os números da pandemia continuam altos, mas nos últimos dois dias registaram-se menos novas infeções diárias, o que talvez seja um sinal de que a pandemia está a enfraquecer. Ainda assim, o boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde regista hoje 260 mortes e 5.540 novos casos de infeção.

O boletim revela também que estão internadas 6.775 pessoas, menos 94 do que na segunda-feira, das quais 853 em unidades de cuidados intensivos, menos 13. Hoje foi o segundo dia consecutivo em que o número de recuperados superou o de novas infeções.

Desde março de 2020, há registo de 13.017 mortes associadas à covid-19. Relativamente às 260 mortes registadas nas últimas 24 horas, 116 ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, 65 na região Norte, 55 na região Centro, 17 no Alentejo e sete na região do Algarve.

A prioridade aos políticos com funções decisórias

Quanto à vacinação contra o covid-19, as autoridades sanitárias afirmam que mais de 338 mil pessoas já tomaram a 1ª dose e cerca de 68 mil as duas doses.

Segundo a Lusa, esta informação não bate certo com o que consta no monitor de vacinação ‘online’ do Centro Europeu para o Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), em que apenas estão registadas cerca de 166 mil primeiras doses administradas em Portugal.

A Direção Geral de Saúde diz que se trata de uma questão de comunicação e que “o problema já foi identificado e está em resolução pelas equipas da DGS e do ECDC”.

Um dos portugueses que já recebeu a 1ª dose da vacina é o presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque. O dirigente político concorda com o princípio de que os políticos com funções decisórias devem ser vacinados contra a covid-19, e, sendo assim, já recebeu a primeira dose da vacina.

“Quem está na linha da frente, quem tem de tomar decisões e tem situações de grande responsabilidade, acho que deve estar protegido, no sentido de manter o funcionamento das instituições”, disse Miguel Albuquerque a propósito deste tema que tem provocado polémica no meio político e nos media.