O futuro da mesquita enterrada debaixo da Sé Catedral

A controvérsia sobre o destino a dar aos vestígios arqueológicos que se encontram no subsolo da Sé de Lisboa chegou ao parlamento.

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O Partido Comunista apresentou uma proposta de resolução que “recomenda a salvaguarda integral, adequada valorização e integração museológica do conjunto monumental de estruturas arqueológicas islâmicas, localizadas no claustro da Sé de Lisboa”.

Esta intenção contraria a vontade expressa pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC) que prefere desmontar as estruturas encontradas nas fundações da Sé Catedral, alegadamente para garantir a estabilidade do edifício. 

Foi para reforçar a estabilidade da Sé Catedral (edifício com mais de 800 anos de existência), que se procederam a trabalhos de escavação nos claustros e se descobriram, a alguns metros de profundidade, estruturas e artefactos que os arqueólogos dizem pertencer à antiga mesquita de Lisboa, sobre a qual se construiu a Sé Catedral, após a conquista da cidade pelo primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, no ano de 1147.

No projeto que o PCP entregou agora na Assembleia da República está dito que a DGPC (organismo do Ministério da Cultura) “desautorizou as suas próprias trabalhadoras, duas arqueólogas que são as diretoras científicas dos trabalhos arqueológicos, pois ignorou e desvalorizou a sua interpretação dos vestígios”. Direção Geral do Património e arqueólogos nunca se entenderam e a discussão entre técnicos já extravasou para a política e para a opinião pública.

No passado dia 14 de outubro, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, determinou que os vestígios da antiga mesquita, referenciada como “almorávida”, deviam ser mantidos no local. A decisão da ministra Graça Fonseca dissipou a possibilidade de exumação destes vestígios, por razões de segurança, alegadas pela DGPC.

Agora, resta saber se a opção de manter as estruturas no sítio significa mantê-las enterradas e inacessíveis ou se significa criar ali a possibilidade dessas estruturas poderem ser interpretadas e visitadas por estudiosos e público em geral, salvaguardando a integridade da Sé Catedral e da utilização que a Igreja Católica lhe dá. Esta seria a opção que iria agradar aos amantes e aos profissionais da arqueologia, mas talvez de difícil concretização em termos de engenharia. Não que a engenharia não tenha recursos para manter a Catedral de pé e destapar a mesquita que está por baixo. Mas que ninguém tenha dúvidas de que será um exercício dispendioso. Talvez esse seja o verdadeiro problema.

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