Vacina para todos (os amigos)

As vacinas chegaram. Depois de tantos meses de espera, eis que elas chegam, mas claro, diz-nos o bom senso que primeiro vacinamos as pessoas prioritárias e só depois alargamos o leque para a população em geral.

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Como sabemos, o ser humano é uma espécie tremendamente egoísta. “Primeiro estou eu e os outros que se lixem” e quem não pensar assim é visto como um tolo.
Em abono da verdade, todos nós nos achamos prioritários. Uns porque trabalham na segurança social, outros porque têm um restaurante, outros uma pastelaria. Uns porque são padres e têm uma mãe que vale mais do que a mãe dos outros – já agora, a senhora que é costureira e que faz bainhas como ninguém, também merece uma pica -, e outros porque as mulheres são médicas que estão na linha da frente, mas que se esqueceram que elas estão em casa há mais de um ano sem prestarem serviço. Por estes dias, ouvimos de tudo.
E no país do Chico Espertismo, continuamos a enterrar aos milhões no SNS, na TAP ou no Novo Banco. E sempre que existem estas crises, percebemos o porquê deste belo país, à beira-mar plantado, nunca ter dinheiro.

Toda a gente que tem poder se orienta e os burros dos contribuintes – que não têm cunhas – que fiquem para trás. É por isso que as empresas públicas são sumidouros de dinheiro. Porque há mais gente a tirar do que aquilo que lá conseguimos pôr, por mais que trabalhemos e descontemos.
Não sei tudo o que está a montante e a jusante do desvio de vacinas. Nem sei, tão pouco, se alguns desses desvios são legítimos ou não. Sei é que o tema está na ordem do dia. Todos sabemos que se há fumo também há fogo e o facto de ser notícia já é, por si só, tremendamente preocupante.
Todavia, não se apoquentem tanto com as vacinas, caros cidadãos, pois não é apenas no desvio delas que está o problema. O que se passa é muito maior do que o desvio de uns frasquinhos com o Santo Graal. Se numa altura tão complicada, se com um produto tão escasso e tão controlado estamos a deparar-nos com tantos casos, imaginem só tudo o que não acontece à nossa volta em tempos de não-covid.
Pensemos, então, a quantos “desvios” não estamos todos sujeitos ao longo de tantos e tantos anos, que vão desde umas canetinhas subtraídas do economato das finanças – mas que dão jeito aos putos lá para a escola -, a ex-primeiros-ministros capazes de viver na zona mais luxuosa Paris, mesmo assumindo-se como gente de posses humildes e “simples provincianos que tiveram a fatalidade de ascender na política”.
Não importa que Portugal seja governado à esquerda, à direita ou ao centro. Tanto faz! É necessário que consigamos assumir – quer o nosso povo queira ou não queira – que não é possível governar uma nação de gente mal-formada e trapaceira.

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