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Portugal tem dos combustíveis mais caros na Europa

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No boletim sobre os preços dos combustíveis no primeiro trimestre de 2021 da ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos – vem escrito que em Portugal o preço do litro dos combustíveis, sem impostos, foi “mais baixo do que em Espanha. A carga fiscal aplicada em Portugal (63% na gasolina) justificou integralmente a menor competitividade dos preços no contexto da Península Ibérica.” E é assim, lê-se nesse relatório, que o preço dos combustíveis em Portugal “são mais caros do que a média UE-27, situando-se na 6ª posição dos países com preços mais altos”.

Ou seja, apesar de sermos uma das economias mais fracas da Europa, onde o salário mínimo é dos mais baixos, pagamos os combustíveis como se fossemos ricos e, assim, financiamos com língua de palmo a despesa do Estado. Até estaria tudo bem se tivéssemos a certeza de que o dinheiro é aplicado com rigor no investimento público: mais escolas com turmas mais pequenas, mais hospitais devidamente equipados, mais estradas sem portagens. Mas não tem sido assim, como bem sabemos.

Se quiser saber com rigor como se calcula o preço dos combustíveis, veja o vídeo explicativo da própria ERSE. São apenas 2 minutos.

O 25 de abril é para magros!

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Um Governo ditatorial só se consegue manter no poder com o apoio das armas. Na altura, a exemplo do que acontecia com a generalidade da população portuguesa, nas nossas Forças Armadas havia um pequeno grupo com consciência política e vontade de ajudar na democratização do país. Destaco, por exemplo, Melo Antunes, Pezarat Correia, Ramalho Eanes e Salgueiro Maia (por serem os mais lembrados ainda hoje).

A imensa maioria dos militares do quadro vivia num total alheamento do mundo que os rodeava. Gente sem outra ambição que não fosse a sua própria carreira, na maior parte das vezes.

Um litígio de origem profissional entre os capitães do quadro e o Governo, provocou um enorme desagrado a alguns oficiais que, pela primeira vez, o demonstraram publicamente. As forças políticas da oposição, em conjunto com a referida elite intelectual dos militares, aproveitaram esse desagrado e trouxeram esses militares para junto de si. Assim nasceu o 25 de Abril.

Foi longa e dura a luta seguinte, até se conseguir que os mais preparados politicamente assumissem, depois, a liderança e conseguissem parar com populismos, por um lado e tentativas de regresso ao fascismo, por outro. Eram muitos, aqueles que tinham passado de anónimos a figuras de capa de todos os jornais e não menos os que queriam manter os privilégios de gerações. Todos foram sendo derrotados.

Passados todos estes anos, contudo, continuam a aparecer algumas figuras, quer de um lado quer do outro, a mostrar o seu descontentamento pelo resultado final da Revolução dos Cravos. A democracia, que traz vantagens à imensa maioria da população, desde logo por determinar que os cidadãos são todos iguais nos direitos e deveres, “prejudica” aqueles que eram tratados de modo diferente, para melhor, dado o seu estatuto social.

E também não satisfaz, completamente, alguns dos militares menos esclarecidos, de que falei acima, que não seguiram o exemplo dos principais (dos verdadeiros!) artífices do 25 de Abril, que se afastaram das luzes da ribalta, ficando, para sempre, no coração do Povo mas, pelo contrário, preferiram rentabilizar o facto de terem ficado conhecidos pela intervenção no processo recolhendo algumas mordomias a partir daí. Nada de ilegítimo, sequer condenável, não fosse o caso de passarem a considerar-se os “donos” de uma data que a maioria dos portugueses considera pertencer a todos os democratas.

A recente decisão de se considerarem no direito de escolher aqueles que podem participar num desfile comemorativo é bem o exemplo do que acabei de escrever. Quem lhes concedeu essa prerrogativa?

O 25 de Abril de 1974 é, para muitos, um dos dias mais felizes das suas vidas. Todos os anos faço questão de o comemorar. Este ano não será excepção.

A quarenta e oito horas da data ainda não sei como o farei, até pelos condicionalismos conhecidos, mas de uma coisa estou certo: não participarei em qualquer desfile encabeçado por ditadorzinhos.

Estas datas são para celebrar com gente simples, sedenta de justiça social, que luta pelos seus direitos e democratas sem reservas de qualquer espécie. Nunca com pretensas vedetas inchadas de vaidade ou pretensiosismos.

O 25 de Abril é para gente magra.

Celebremos o 25 de abril, porque…

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Em 25 de abril de 1974, a revolução acabou com a indignidade em que o povo vivia, subjugado e explorado desalmadamente pelos “donos disto tudo”. A revolução mudou a vida dos portugueses e acabou com as guerras na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. A pobreza empurrou milhões de portugueses para a emigração e as guerras mataram 10 mil jovens portugueses e um número indeterminado de outros jovens africanos. O pecado primordial da revolução foi não ter julgado os responsáveis políticos de tanta violência.

A revolução do 25 de abril teve também outras consequências: liberdade política, de imprensa e a liberdade de expressão. É assim que hoje podemos criticar as decisões dos governos e podemos, quando entendemos, mudar de governos, através do voto em eleições livres.

Portugal depois de 25 de abril de 1974 passou a ser outro país. O anterior era, genericamente, o que estas imagens retratam.

1967
1968
Lisboa, Prior Velho
Emigrantes portugueses atravessavam a pé a fronteira com Espanha, para fugir da miséria
Emigrantes portugueses a viver nos bidonville (bairros da lata) de Paris-foto de Gerald Bloncourt

A guerra colonial foi o fator decisivo para a queda da ditadura “Estado Novo”, também ela nascida através de um outro golpe de estado que terminou com o regime republicano em 1926. Em 1974, com a nação exausta ao fim de 11 anos de três frentes de guerra, com muitos milhares de mortes e feridos, alguns militares decidiram acabar com o estado a que tinham chegado. Foi a guerra que despoletou o descontentamento que teve como consequência um golpe de estado que se transformou numa revolução. Essa é uma dívida de gratidão que todos os portugueses democratas têm com o sacrifício dos jovens guerrilheiros dos diferentes movimentos independentistas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

O luxo não tem preço

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É um edifício icónico da cidade de Lisboa, foi construído de raiz para ali funcionar o jornal Diário de Notícias. A arquitetura exterior tem tudo a ver com a função de produzir e publicar um jornal, inspirada naquilo que era à época uma rotativa de impressão.

O Diário de Notícias foi um jornal importante e acumulou prestígio e História que, depois, mais recentemente, se perderam. A História é ignorada e o prestígio desapareceu. Ao longo de mais de um século, o jornal noticiou todos os factos relevantes do dia-a-dia de Portugal, desde a queda da monarquia em 1910, as vicissitudes da I República, o golpe militar de 28 de maio de 1926, a ditadura, a queda de Salazar da cadeira, o 25 de abril.  O jornal tem 157 anos (foi fundado em 1864), mas se isso valesse dinheiro não seria hoje propriedade do empresário Marco Galinha depois de, nos últimos anos, ter passado por outras mãos sem habilidade para este género de atividade empresarial.

1º número do Diário de Notícias, dezembro de 1864, fonte wikipedia.org

Em 1974 foi nacionalizado e, por entre várias crises políticas e reestruturações orgânicas, era um jornal credível e viável. A primeira machadada foi dada por Cavaco Silva, primeiro-ministro em 1991, que o vendeu a privados. Depois foi passando de mão em mão, da Lusomundo, à Portugal Telecom, passando pela Controlinveste, até chegar às mãos de Marco Galinha.

Pelo caminho ficou o tal edifício icónico, vendido para pagar dívidas. Hoje estão a vendê-lo em propriedade horizontal a chineses, russos e brasileiros candidatos aos vistos gold. É bem possível que nenhum dos apartamentos em que o edifício foi transformado venha a ser comprado por cidadãos portugueses. O vendedor diz que “o empreendimento oferece 34 apartamentos de distintas tipologias distribuídas por 5 pisos com estacionamento privativo: cómodos estúdios, passando por frações de T1 a T3 para pequenas ou grandes famílias, até ao exclusivo apartamento T5 na cobertura”.

Os T3 custam 2 milhões e 100 mil euros. Os T2 andam pelos 1 milhão 300 mil euros. Os T1 são mais baratos: 770 mil euros (estão quase todos vendidos). O “exclusivo apartamento T5 na cobertura” não tem preço anunciado… nem fotografias disponíveis.

Seja a que preço for, não valerá o dinheiro que pedirem por ele. A não ser que o preço inclua sessões pé-de-galo com os espíritos de Ramalho Ortigão, Eça, António Ferro, Vasco Pulido Valente ou Saramago. Isso é que era.

No rés-do chão, obras de Almada Negreiros nas paredes do hall de entrada e nas lojas

Claro que nada disto impedirá mais medidas economicistas que vão afetar a vida dos trabalhadores do Diário de Notícias. Estão anunciados para breve reduções no horário de trabalho e novo corte salarial em todas as áreas da Global Media:  jornais, gráfica e distribuição. Isto depois de no ano passado o grupo ter despedido 81 trabalhadores.

Não há dinheiro para salários, mas houve agora para comprar à Impresa 50% do capital social da VASP, uma distribuidora de jornais.

A Oficina da Cristina

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Entre números e encadernação artesanal

O que têm em comum Gestão de Empresas e a busca pelo papel reciclado perfeito para construir “aquele” álbum/caderno de viagens perfeito? Tudo, garante-nos Cristina Grosso, artesã de encadernação, e criadora de A Oficina da Cristina. A sala de sua casa, às portas do Jamor, é o local de onde saem peças que ela garante serem únicas. “O que me motivou? Por um lado, sempre gostei de fazer trabalhos diferentes, ser eu a fazer os meus trabalhos; comecei por ter workshops de várias áreas. A uma determinada altura, quando andava na Universidade, vi cadernos que tinham mapas na capa e aquilo atraía-me imenso; eu comprava tudo o que era esses cadernos, para usar e escrever”, afirma, enquanto lembra: “um dia pensei: eu tenho de fazer os meus cadernos. No meio desta minha grande vontade, descobri um curso que tirei sobre encadernação. Já lá vão uns bons anos”.

Cristina também conta com documentos antigos e únicos, papéis artesanais que encontra fruto de muita pesquisa, e até com os seus carimbos de infância que têm quase meio século. A primeira encomenda foi há cerca de vinte anos, quando ainda fazia sobretudo álbuns de fotografias, passando mais tarde para diários de viagens, álbuns para bebés, agendas anuais e cadernos escolares. Mesmo a tirar o curso de Gestão de Empresas, sempre gostou da parte criativa e de trabalhos manuais, e de criar sempre coisas originais e criativas, paixão que conjuga com o gosto pelos números e finanças. “Hoje dá-me jeito para organizar porque todo este trabalho criativo tem de ter sempre um trabalho administrativo e fiscal”, frisa.

A criatividade, essa, não pára. “Estou sempre a pensar… eu estou a fazer um trabalho e já estou a pensar no trabalho que vou a fazer a seguir”, confessa esta artesã, que revela que os mais jovens, por norma fãs do universo digital, também estão a interessar-se pelos cadernos artesanais e pela escrita.

O seu trabalho de investigação poderia comparar-se ao de quem trabalha em História, mas ela esclarece. “Não sou historiadora nem quero comparar-me a um, mas dou por mim às vezes a ter de ir pesquisar para que o trabalho esteja correcto no tema que estou a trabalhar, e porque gosto de aplicar essa precisão…Engraçado, porque muitas vezes me perguntam onde é que arranjas estes pormenores, onde foste buscar esta ideia. E como costumo dizer, é muita pesquisa, é andar à procura onde encontrar esses materiais”, acrescenta, garantindo que não só faz essa procura pela Internet mas sempre que possível em pessoa.

Ainda antes da pandemia, em 2019, fez o Mercado de Alvalade, que descreve como uma boa experiência com aceitação do público. Mas com a pandemia, e consequente confinamento, diz que ficou com algum tempo livre que aproveitou para colocar em prática um projecto adiado: a loja virtual. “Comecei a ver como se construía um site e fiz o meu próprio site”. Cristina alerta para o facto de este ser um projecto que exige dedicação e trabalho constantes para obter sucesso no aspecto comercial. “Ter uma loja online não basta, é como eu ter uma loja física num sítio estratégico muito bom, com material impecável para vender lá dentro, mas ainda não tirei os jornais dos vidros da montra, e quem passa não olha, não vê – não sabe que existe. Tive de arranjar uma alternativa que foi aprender a explorar”. Assim, a empresária tem contas no Facebook e no Instagram e está a aprender a trabalhar ambas de forma mais profissional; o propósito é ter mais visibilidade nessas redes sociais, divulgar a marca.

“Esta é uma área muito abrangente. Trabalha-se desde o marketing aos preços, passando pelas divulgações, contas, facturação, enfim…uma imensidão de áreas dentro desta área. Isso às vezes é difícil, porque sou eu que faço tudo (não tenho ajudante nem teria como pagar) mas é muito desafiante ir sempre buscar estas coisas, e ir criando isto”. No capítulo de vendas, admite: “Vai dando. Não vamos dizer que em cenário de pandemia se vende como se vendia antes. Este é um trabalho que as pessoas precisam de ver em mão, porque cada peça é única, e por vezes é difícil passar a imagem de cada um dos meus trabalhos. É uma coisa que tenho estado a aprender a fazer”. A artesã não deixa de admitir que os tempos não permitem grandes projectos, por exemplo, nas vendas ao público. “Os mercados estão muito incertos, mesmo que venha a acontecer como antigamente, só daqui a dois ou três anos. A prova é que alguns marcaram mas desmarcaram, como já aconteceu em Novembro e Dezembro (e são alturas muito boas para vender este tipo de trabalhos)”.Ainda acerca das feiras, esclarece que os artistas e artesãos têm de pagar taxas de ocupação do espaço mesmo que sejam em sítios das autarquias.“Paga-se e muitas vezes até se paga bastante”. Porém, está disponível para participar em feiras que possam vir a ocorrer. “Eu estou interessada em divulgar o meu produto, logo, estou interessada em participar”.

Exercícios Penosos

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Comparar os programas “The Voice Kids” (RTP) e “All Together Now” (TVI) é um exercício penoso.

O programa da RTP é a “jóia da coroa” da estação. Tudo, nele, é feito com profissionalismo e dedicação. O resultado é magnífico. São mais de 3 horas que passam a voar. Notável, a qualidade vocal da maior parte dos miúdos. Têm técnica e cantam com sentimento. Aparentam ter nascido para a função.

Nos bastidores, tudo aquilo será feito com pinças, exigindo grande envolvência da produção e dos jurados-mentores. A competição está lá, mas o clima é suave. O sucesso do programa reside, em boa parte, na qualidade dos jurados-mentores. Falam bem e sabem do que falam. Dizem sempre algo de interessante. E sem se repetirem.

Vozes com grande qualidade, produção a sério, bons cenários, qualidade técnica, adereços bem sacados, um conjunto de jurados-mentores difícil de repetir e temos um programa de sucesso. Comovente, por vezes.

Catarina Furtado é a apresentadora certa. Com presença crescente, nos últimos tempos. Talvez um pouco excessiva. Sugestão: acabem, de vez, com as perguntas “o que é que sentes?”, ou “o que é que sentiste?”. Toques de amadorismo, vindos, principalmente, da chamada “sala vermelha”, mancham a excelente qualidade geral do “The Voice Kids”.

Posto isto, é mesmo penoso falar do “All Together Now”. O modelo é o mesmo, agora com adultos e com 100 jurados. Quase todos ilustres desconhecidos, gente bizarra ou excêntrica, à mistura com umas caras da estação. Parecem macaquinhos nas jaulas, cada um procurando dar mais espectáculo que o parceiro do lado. 

A apreciação dos concorrentes é uma coisa penosa, a apresentação é abaixo de medíocre e quase não existem planos fixos. Um cansaço. Bem sabemos que a TVI quer ser “popular”. Mas o “popular” merecia mais e melhor. Mais profissionalismo. 

Assistir à entrevista a José Sócrates também se revelou um exercício penoso. O homem está cada vez mais cheio de si e toma-nos a todos por parvos. Na “Circulatura do Quadrado”, Pacheco Pereira e Lobo Xavier acharam a entrevista oportuna. Mas Lobo Xavier espera que a TVI não volte a convidar o sujeito. Não? Então e quando o Tribunal da Relação desqualificar Ivo Rosa não será interessante voltar a ouvir o homem? Já sabemos o que vai sair daquela boca, mas, nessa altura, o mais importante serão as perguntas. A malta já leva o figurão a sorrir.


(Esta crónica também é publicada no Jornal de Barcelos).

Maçons: na nova lei perpassa espírito bafiento de Salazar

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O GOI tem como grão-mestre Inácio Ludgero, ex-repórter fotográfico da Visão, premiado por inúmeros trabalhos jornalísticos, a nível nacional e internacional. Ludgero foi membro do Grande Oriente Lusitano, de onde saiu há dez anos para dar corpo a uma nova potência maçónica, congregando Portugal e as nações de Espanha.

Inácio Ludgero enviou para o Duas Linhas o comunicado, onde diz que iniciativa do PAN -apoiada pelo PSD- é o ressurgimento da “famigerada Lei 1901 de 21 de Maio de 1935”. 

Esta lei da ditadura salazarista dirigia-se de forma clara às Maçonarias. Em especial ao Grande Oriente Lusitano, que viu o seu edifício-sede ocupado pela Legião Portuguesa salazarista.

Inácio Ludgero declarou ao Duas Linhas que os maçons são homens e mulheres de bons costumes, unidos na defesa dos valores da liberdade, igualdade e fraternidade. E que um maçon que cometa um crime é de imediato expulso.

Para o grão-mestre do GOI esta tentativa de aprovar uma lei anti-maçonaria é igual a levantar a suspeita dos maçons serem criminosos. O que se rejeita por completo. 

A indignação do grão-mestre do GOI surge depois de Fernando Lima, grão-mestre da mais antiga potência maçónica portuguesa GOL (Grande Oriente de Portugal – com mais de 200 anos) ter afirmado que os maçons juram cumprir a Constituição e as leis do seu País. Deixando claro que os maçons terão de revelar a sua filiação maçónica caso a lei seja aprovada 

O Grande Oriente Ibérico divulgou o comunicado que publicamos agora na íntegra.

Lisboa diz adeus à Viúva Lamego

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A empresa já passou algumas crises, mas sobreviveu. Nas montras está a representação da última crise ultrapassada. Na montra da esquerda, um martelo velho e muita loiça partida. Na montra do lado direito, um martelo em porcelana que simboliza o renascimento da Viúva Lamego. A funcionária que nos recebeu confidenciou que “talvez esteja na hora de fazer outro martelo” que simbolize o atual momento.

Os azulejos da Viúva Lamego estão espalhados um pouco por todo o Mundo. Em Lisboa passamos por eles e nem reparamos, por exemplo, em algumas estações do Metropolitano, em reproduções ou originais de obras de arte de artistas plásticos portugueses.

Estamos acostumados a olhar para o azulejo como um revestimento de interiores, para cozinhas ou casas de banho. Mas nem sempre foi assim, há 200 anos o azulejo era o material de revestimento por excelência e muito utilizado em paredes exteriores. Em muitos casos, o azulejo pintado foi o material utilizado para os mais antigos outdoors publicitários de que há memória.

Muitas vezes, a publicidade servia de decoração para as paredes exteriores da loja ou da empresa que queria dar nas vistas. Foi o caso da Casa Viúva Lamego, que revestiu a loja e a fábrica com os seus próprios azulejos.

 A loja fecha e, de repente, o futuro de mais uma das Lojas com História de Lisboa torna-se uma incógnita. Têm sido muitos os casos em que estas lojas históricas são desperdiçadas depois de vendidas ou do negócio encerrar. A Câmara de Lisboa classifica os imóveis, mas depois não tem tido vontade política para os preservar.

No caso da loja da Viúva Lamego, o edifício tem a classificação de imóvel de interesse público e a fachada, em azulejo de estilo naïf oitocentista, é considerada exemplo pioneiro no uso do azulejo como meio publicitário. 

Construído entre 1849 e 1865, o edifício do Intendente apresenta a fachada decorada na íntegra por azulejos figurativos, da autoria do diretor artístico da fábrica, Ferreira das Tabuletas.

“Originalmente a oficina de olaria de António Costa Lamego, veio a converter-se em fábrica, e adoptou a denominação Viúva Lamego quando a mulher de António Lamego assumiu a sua gestão, na sequência da morte do marido, em 1876”, tal como conta a empresa na sua página web.

E se no lado do largo do Intendente nos parece ser um pequeno edifício, a fachada do lado da Almirante Reis revela-nos uma frente com mais de 50 metros, com a fachada completamente decorada com azulejos com mais de 170 anos.

Durante mais de um século a empresa manteve-se sempre na mesma família. Há cerca de 16 anos foi vendida ao grupo Aleluia Cerâmicas, tendo há quadro sido comprada pelo seu atual CEO, Gonçalo Conceição.

A Viúva Lamego continuará agora a produzir na fábrica-atelier, na Abrunheira, Sintra, onde tem o showroom aberto ao público. 

JOAQUIM PESSOA: «Um coleccionador é como um Guardador de rebanhos»

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– Quem é Joaquim Pessoa? Ou seja: que ideia faz de si próprio?

– Sou um militante da vida, um ser solidário que se revê e que faz parte dos outros, num mundo em que é uma utopia viver-se só, no sentido de que a vida, sendo a melhor de todas as coisas, deve ser partilhada com aqueles a quem amamos. Fundamentalmente, um poeta é os outros, pois é para os outros que escreve e a sua obra será sempre mais dos outros que de si próprio.

– Escreveu António Machado: “Caminhante não há caminho. Faz-se o caminho ao andar! E, ao olhar para trás são pegadas tuas o que vês” (tradução livre, a minha!) Ocorre-me, pois, perguntar que caminho foi o seu? E que pegadas deixou?

– O meu caminho, como o dos poetas em geral, tem sido um caminho solitário, na criação. Escrevi um dia: “A escrita é um acto solitário, e o poeta resultado dessa solidão, a solidão de um útero imenso, um vulcão que expulsa de dentro de cada um de nós as coisas mais difíceis de transformar, numa lava que vai tomando a forma das palavras, e as palavras são sempre, mas mais ainda, aquilo que nomeiam. De resto, não há destino, como afirma Machado. Somos nós que o fazemos, e é pelo rasto que se pode ver o caminho andado. Quanto ao meu próprio rasto, também um dos meus sonetos termina interrogando: “Porquê ambicionar ser imortal / se nunca saberei se fui capaz?”.

– Retrospectiva implica, amiúde, nostalgia e, até, algum pesar por não se ter logrado atingir metas fixadas. Assim acontece consigo?

– Não acontece, de facto. Não fixo metas. Procuro sempre fazer o melhor que posso e sei, ir o mais longe possível e o objectivo é, sempre, implícito: superar-me. A luta dos poetas é consigo mesmo e com as palavras. São elas que o escrevem, que o descrevem, que determinam o lugar e o tempo do poeta.

– Há pulsões internas que levam uma pessoa a ser Poeta, a exprimir por poucas palavras o que outros dizem por muitas ou nem sequer dizem. Como se sente Poeta?

– Não me sinto Poeta, sou Poeta. E nem sei se a pulsão é interna. Na realidade, no meu caso, penso que ela é externa a mim mesmo é, como diz Kierkgaard, o criador do acto poético não é mais do que um escape de uma linguagem universal. Cósmica, direi eu. E como se passa na construção de tudo o que é natural, o que for excesso mata ou atrapalha. A síntese é, na realidade o grande trunfo da poesia. Não terá sido por acaso que tantos poetas tiveram o seu percurso profissional ligado à Publicidade, actividade onde o tempo e o espaço custam muito dinheiro.

– Poeta é também aquele que sabe sentir o Homem de todos os tempos nas mais diversas manifestações artísticas? Foi essa tendência que o levou a ser coleccionador?

– O poeta é um ser, um homem de todos os tempos. O poeta carrega em si mais de cinco mil anos de cultura e, quando escreve um poema, é como se ele tivesse sido escrito pela mão de muitos milhares de homens em muitos milhares de anos. É por isso que a grande poesia (a Poesia) não tem tempo, é de todos os tempos, é de todas as idades. E esta forma de a sentir terá sido, talvez, o que me levou a ser coleccionador: viver neste tempo o tempo de todos, já que, na realidade, o tempo não existe, é a mais perigosa todas as abstracções.

– Que vida é essa de coleccionador? A de um homem rico – em dinheiro ou em saber?

– Convém, antes do mais, deixar claro que um coleccionador não é um ajuntador. É um amador no sentido literal do termo: aquele que ama, aquele cujo amor cobre a coisa amada que, se por um lado lhe pertence, a ela pertence também, de forma a transformar-se no guardião de um passado que, como um presente, ele há-de oferecer ao futuro. Porque coleccionador não é apenas aquele que junta, que guarda, mas também o que investiga, compara, defende, conserva e estuda com um deslumbramento permanente, para depois mostrar, dar a fruir, repartindo assim aquilo que durante algum tempo foi um enorme e profundo privilégio individual, transformando o que até aí pareceu egoísmo muito fechado numa generosa forma de partilhar com os outros aquilo que ele tem consciência de a todos os outros também pertencer. Como afirma a magnífica assinatura de uma das mais prestigiadas marcas de alta relojoaria, nós, coleccionadores, nunca somos verdadeiramente donos de um objecto. Só cuidamos dele para a geração seguinte. O coleccionador é sempre um homem rico, normalmente em saberes, como um Guardador de rebanhos.

– Sente-se… português? O espólio que foi reunindo tem a ver com um gosto meramente pessoal ou, também, com a vontade de não deixar fugir um património que, sendo seu, considera também de todos?

– Sinto-me, como disse o meu homónimo, homófono e homógrafo, um cidadão cuja pátria é a língua portuguesa. Este núcleo ibérico foi criado pelo facto de em nenhum espaço museológico nacional ter visto um conjunto tão significativo de artefactos iberos e celtiberos, povos que, na realidade, são as nossas verdadeiras raízes. Durante muitos anos fui adquirindo este conjunto que acabei por doar à minha mulher (Inês Pessoa) no dia em que atingi os 50 anos de idade, e parti noutra direcção porque um coleccionador é assim, não pára de procurar, a busca é permanente e, como lembra o Dr. Tarzzi, arqueólogo afegão ligado aos Budas gigantes que foram destruídos pelo governo dos Talibans, que quando estudamos um objecto, pensamos nele como um pertence pessoal. Aquilo, diz ele, torna-se um ente querido, um filho nosso. Claro que a preocupação de não deixar fugir o nosso património é grande e, nesse aspecto, essa preocupação do coleccionador é por vezes maior do que aquela que, amiúde, o Estado tem revelado.

– Que significado pode ter para si esta exposição?

– Penso aquilo que a minha mulher, detentora actual deste núcleo igualmente pensa: é uma forma de dar a possibilidade justa de cumprir um desígnio, mostrando pela primeira vez algo que o público de outra não teria possibilidade de conhecer. É tornar dos outros o que até aqui foi apenas nosso. E também uma homenagem merecida aos artesãos nossos antepassados que nestes objectos deixaram, para além da canseira, o seu tempo, o seu talento, a sua criatividade e uma deliciosa transposição do passado para o futuro. Porque, na realidade só o passado existe e é com ele que construiremos o que há-de vir. O presente não existe, é gerundivo, está existindo. E o futuro é o que disse Alberto Caeiro: “O que for, quando for, é que será o que é”. Este “voo sobre os Iberos” é, por tudo, também um voo sobre a nossa identidade, e demonstrativo igualmente de um percurso rico de influências das culturas mediterrânicas, alma mater da nossa cultura pré-atlântica.

– Como gostaria de ser recordado pelos vindouros?

– Caríssimo Professor, os vindouros não me conhecerão nunca, apenas conhecerão a minha obra, que é tudo o que pude e soube dar aos outros. Essa obra é deles. Julguem-na, e estarão a julgar-me, porque a minha obra sou eu e, se alguma diferença houver para melhor, ela será sempre a favor da Obra, não do Homem.

ASTRAZENACADO! (E mal pago…)

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Fui, hoje, vacinado contra a Covid.

Recebi a informação, há três dias, de que tinha chegado a minha vez na qualidade de velho. Escrevo velho porque não respeito o Acordo Ortográfico. Caso contrário, teria escrito “idoso”.

Fiquei estupefacto quando da primeira leitura da mensagem. Informavam-me que seria vacinado, no dia 21 de Abril, às 11 horas e 12 minutos. Este preciosismo deixou-me boquiaberto até que me lembrei que, agora, a vacinação estava a ser gerida por militares e estes são rigorosos nos horários. Daí que tenha preparado toda a agenda do dia de modo a poder corresponder aos novos critérios no que respeita à pontualidade.

Certo de que, antes de entrar para a sala da vacinação, teria de preencher alguma papelada (com militares ou sem militares continuamos em Portugal), estacionei o carro à porta do local indicado e entrei quinze minutos antes da hora. Um mar de gente e uma senhora da Protecção Civil a orientar.

– “Tenho a marcação para as 11 horas”, disse um dos presentes.

– “Nome?”, perguntou a Senhora.

– “José da Silva”, respondeu o homem.

Consulta aos papéis e a resposta:

– “Siga-me, por favor”.

Passados poucos segundos a Senhora regressou e, logo, outro indivíduo:

– “Eu tenho para as 11 horas e 34!”

– “Nome?”, questionou, de novo, a Senhora.

– “Alberto Costa!”

Consulta aos papéis e aí vai o Senhor Alberto e a Senhora.

Quando esta regressou eu avancei:

– “Minha Senhora, eu tenho marcação para as 11 horas e 12 e estão a entrar pessoas com marcação para depois dessa hora…”

– “Nome?”, perguntou de novo.

– “Vítor Ilharco”, respondi.

Consulta aos papéis e mandou-me segui-la. Junto de uma mesa entregou-me um papel para preencher e indicou-me a pessoa a quem o devia entregar de seguida. Vinte segundos e o documento ficou pronto.

Eram cerca de dez perguntas, sobre a nossa saúde, à frente das quais havia dois quadrados, com a indicação “Sim” e “Não”, que devíamos assinalar com um xis.

“Foi operado recentemente?”, “Tem alergias”, “Sofre de cancro”, etc., etc..

Respondi a todas as questões menos a última porque pensei que o médico de serviço conseguiria a resposta sem a minha colaboração.

– “Esteve grávida no último ano?”

Posto isto, entreguei a folha e fui encaminhado para uma sala de espera onde estariam uns cem pacientes.

(E agora sei, melhor, a razão do nome que foi dado aos utentes dos Serviços de Saúde!)

Entrei cinco minutos antes da hora para a qual fora convocado. Missão cumprida.

As pessoas foram sendo chamadas, pela instalação sonora, para a área da vacinação, a um ritmo razoável. Às 11 horas e 10 minutos levantei-me consciente de que estaria por segundos a minha chamada. Às 11 horas e 30 minutos tornei a sentar-me.

Os nomes sucediam-se e comecei a temer que o meu papel se tivesse perdido. Passei pelas brasas.

Acordei às 12 horas e 5 minutos e pensei que me tinham chamado sem eu ter percebido. Hesitei: vou explicar que adormeci, e que não ouvi o meu nome, ou espero um pouco mais? Dez minutos depois fui chamado.

Perguntei se era a primeira chamada, ou se eu não tinha ouvido, e tranquilizaram-me:

– “Não! É a primeira chamada!”

A explicação ficou clara para mim. Estando a cargo dos militares o sargento que me mandou a mensagem tinha trocado os números e escrito 11 horas e 12 minutos e não 12 horas e 11 minutos.

A vacina foi rápida e ministrada, com grande profissionalismo, por uma enfermeira simpática e divertida. Antes de ir para a sala do recobro deu-me o cartão com a marcação da data e hora da 2ª dose: 14 de Julho às 10 horas e 22 minutos.

Fiquei a temer o pior. Em termos de horas a confusão pode ser maior. Será às 10 da manhã e 22 minutos ou as 10 da noite (22 horas) e 10 minutos? Uma coisa é esperar uma hora, outra é esperar doze! Vou perguntar à Protecção Civil.

De qualquer modo o pessoal que ali se encontrava era bem simpático e está habituado a aturar a velhada!