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O anónimo da bancada

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Lembro-me do dia em que me tornei benfiquista. Devia ter onze, doze anos, o meu pai pegou na aquela almofada fininha, que se dobrava ao meio e, já com um brilho nos olhos, disse: hoje vais à bola com o pai.

Ena, o estádio era tão grande! Nunca tinha visto nada tão grande! O meu pai deu-me a tal almofada para sentar, finalmente percebi para que servia, e daí para a frente foi uma alegria! Gelados, chapéus de sol feitos de papel, queijadas, sumos… Tudo o que apareceu à frente o meu pai comprou. Muito fixe ir à bola!

O jogo começou, pouco depois o Benfica marcou. Ena, grande festa, numa tinha visto tanta gente contente ao mesmo tempo! Perguntei ao meu pai pelo nome do marcador. E não é que o Benfica marcou outra vez! Voltei a perguntar. Deu-me papel e caneta para apontar, disse-me seis vezes os nomes dos jogadores. O Benfica ganhou seis a zero! Seis a zero! Fiz-me benfiquista logo ali e ainda saí do estádio cheia de guloseimas.

Um clube não é apenas a equipa de jogadores, nem os dirigentes que confundem muitas vezes o seu papel. Não são donos do clube, são representantes dos anónimos da bancada.

Os que vão sempre ao estádio, ou acompanham os jogos pela tv religiosamente. Os torcedores. Sofrem como o caraças, mas acreditam, não viram as costas ao clube nas derrotas. Sabem perder. Os sportinguistas sabem perder. É uma virtude, a definição de ser adepto.

Toda a gente é responsável pela festa “semi-espontânea” dos “milhares de sportinguistas” na rua.  Todos erraram, em particular os tais “milhares” que puseram acima da saúde pública e do civismo, a sua vitória e paixão. Mandaram tudo cá para fora, o título, o maldito vírus, o peso desta pandemia, tudo. Foram felizes, foram egoístas. Não souberam ganhar.

A conquista do titulo é motivo de festa rija? Errar é humano? Sim. Posso sempre encontrar desculpas mas empatia, não. Não devia ter acontecido.

Estes “milhares de adeptos”, no entanto, não passam de um punhado de gente entre os mais de 100 mil sportinguistas. Esta esmagadora maioria pôs a saúde pública acima da euforia, conteve-se, não saiu à rua. Só eles sabem o que custou ficar em casa. Perderam a “festa” mas souberam ganhar.

São eles o Sporting Clube de Portugal, campeão nacional de futebol, 2020/21.

O que faz Ventura ajoelhar

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O Chega quer chegar ao Governo, fará qualquer coisa para o conseguir. A ideia foi, mais uma vez, afirmada no último congresso do agrupamento, realizado há dias em Coimbra.

O problema é que o deputado Ventura sabe que se continuar encostado à extrema-direita nunca vai conseguir os votos necessários. Então, a tática é ir por outros caminhos.  A religião é um deles.

Em termos políticos, infelizmente, religião rima com aberração, pântano em que o líder do Chega parece estar bastante à vontade. É nítido que o homem tem andado nalgum ginásio a praticar genuflexões. Em público, de cada vez que o faz, mesmo com o barulho do pessoal a entoar cânticos do tempo da “outra senhora”, ouvem-se as cartilagens dos joelhos do homem a estalar. Aquilo deve ser um sacrifício danado, mas os fins justificam os meios é um dos lemas ideológicos daquela sociedade recreativa.

Mas os que se interessam por este tipo de devaneios devem ter estranhado que, tendo ido ao Santuário de Fátima, para ser fotografado naquele local com um dos descendentes políticos de Mussolini, o deputado Ventura não tenha exibido os seus dotes no “joelhodromo”. Teria sido o máximo, foi uma oportunidade desperdiçada para o Chega e as audiências televisivas. Teria sido algo comovente, excepto para a igreja Maná que, segundo dizem, é quem patrocina o ginásio onde o homem exercita a genuflexão. E quem paga, manda.

Ventura queimou uma vela pequenina…

Fátima Lopes, a vendedora

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A conhecida apresentadora de televisão Fátima Lopes não está mais desempregada, se é que o termo se pode aplicar ao caso dela. Depois de ter sido empurrada pela borda fora na TVI, Fátima manteve até agora a ideia de que poderia regressar aos écrans noutro canal qualquer. E pode, mas não será já. O que acaba de ser anunciado pela própria é uma representação de uma agência que promove projetos empresariais, a Empower Brands Community.

A agência tem uma ligação direta à SIC através do programa Imagens de Marca que está há bastantes anos na grelha num dos canais do grupo, mas a missão de Fátima Lopes não significa um regresso imediato à pantalha. O que ela vai fazer é um programa de marketing empresarial no Empower Brands Channel. Dito de outro modo, no Youtube.

Não será o brilho da pantalha nos programas de família, mas é trabalho honesto. E se a relação perdurar, não está longe de um canal de televisão.

Fátima Lopes é ela própria uma empresa, já que fatura nas redes sociais dando a cara por vários produtos comerciais. Tem um site puramente comercial denominado Simply Flow by Fátima Lopes, onde ela dá o nome para dicas de saúde, estilos de vida, relações interpessoais, etc.  Há algumas semanas apenas foi inaugurado um canal no Youtube chamado Ó Chef!, em parceria com o chef de cozinha Vítor Sobral. No Instagram e Facebook é um pouco mais do mesmo,  promoções e marketing de produtos e empresários. Ou seja, faturar já ela faturava há muito tempo com este tipo de atividade e pode até ser que a ligação à Empower Brands Community não seja de agora, mas só agora tenha sido revelada. Não sabemos.

Birras

O partido Chega quer crescer para chegar ao poder. A tática é secar toda a direita para arrebanhar tantos votos quanto possível para, depois, se impor como parceiro do PSD e dos restantes partidos migalha que sobrarem na direita e extrema-direita.

Do recente congresso, o que saiu daquelas cabecinhas? Alguns exemplos: ilegalização de todos os partidos de ideologia marxista; sair da União Europeia; serviço militar obrigatório para homens e mulheres; isenção de contribuições para a segurança social a empresas que se instalem no interior do país; proibição do aborto e da eutanásia.

Algumas destas propostas foram assinadas por recém-chegados ao Chega, gente oriunda do PNR ou do Pró-Vida. Uma festa brava, em conclusão.

E se não for assim, fazem birra (retratada pelo lápis colorido do Hélder Dias).

Almoçar fora (outra vez)

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O que nós esperámos por isto… voltar a ter a oportunidade de ir relaxar para uma esplanada, aproveitar a brisa e o sol,  comer qualquer coisa na companhia de amigos… ou sozinho, mesmo.

O teletrabalho não proporciona estes momentos de diversificação ambiental… porque os espaços se confundem… trabalhamos onde comemos, trabalhamos onde devíamos descansar… é bom voltar a casa, nem sempre é bom estar sempre em casa.

Por isso é importante que o desconfinamento resulte, para não sermos obrigados a voltar atrás, mais uma vez.

Durante os meses de confinamento mais rigoroso, vimos várias imagens de animais que aproveitaram a ausência de humanos para se passearem em locais onde normalmente não são vistos.

Mas, agora que as pessoas voltaram às ruas, também podemos perceber que fizemos falta a alguns desses animais que não se domesticam…

Há muito que as gaivotas se associaram às atividades humanas e disso tiram proveito… são os barcos de pesca que estão sempre rodeados delas quando voltam ao porto carregados de peixe… ou até mesmo as lixeiras urbanas longe do mar que estão sempre cheias de gaivotas que encontram ali alimento… é um animal que aprendeu a aproveitar as oportunidades que surgem…

Tal como no vídeo, naquela mesa de restaurante, onde alguém partilhou com a gaivota esperta o arroz que veio a mais…

Os seres humanos têm a tendência para romancear tudo… mas basta termos alguma empatia pelos outros seres vivos para tornarmos a vida de todos menos difícil.

Esta é uma espécie de fábula dos tempos modernos, apesar de não termos escutado a gaivota a falar… a verdade é que de algum modo ela se fez entender…

Acabou o confinamento

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Neste momento, na cidade do Porto, devem estar contentes a vintena de tasqueiros que se fartaram de vender cerveja. Poucos mais, por muito que se goste de futebol. Foi um jogo que ninguém viu, exceto os que pagaram a peso de ouro o bilhete para lá estarem e os que pagam extra para terem um canal no cabo onde passam jogos de futebol premium.

Nos últimos dias, os canais generalistas de televisão gastaram horas de emissão a mostrar ingleses bêbados e polícias contrariados por terem de estar a controlar multidões de idiotas. Mas depois o jogo não foi dado em sinal aberto. Nem mesmo as imagens da consagração da equipa vencedora.

Confesso que vi pouco do que foi mostrado sobre o assunto nessas televisões, mas estive sempre à espera de perceber a razão de um jogo entre duas equipas inglesas ter lugar num outro país. Para lá da questão pandémica (teremos de aprender a viver e a morrer com isto, pelos vistos), será que alguém fez contas ao desperdício provocado pela deslocação de dezenas de milhar de pessoas só por causa de um jogo de futebol? Alguém calculou a pegada ecológica da iniciativa, com muitas centenas de aviões a queimar jetfuel para trazer e levar de volta essa malta toda? Se queriam fazer o jogo em campo neutro, podiam ter escolhido uma cidade inglesa, um local a meio caminho entre Manchester e Londres. Só se foi para evitar recrudescimento da pandemia em Inglaterra…

Quer queiram quer não, a organização deste jogo de futebol em Portugal foi uma espécie de pontapé de saída para o marimbanço quanto às regras de desconfinamento.

Táxis vão deixar de circular

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“Ah! Já está no Rendimento Social de Reinserção. Pois, até Ventura chegar ao governo com o PPD e a IL. Depois andaremos todos a penantes”.

As plataformas eletrónicas estão a praticar preços suicidas. E os motoristas estão a abandonar a profissão. Os velhos taxistas também.

A Uber estará em pânico porque a Bolt tem tarifas 25 por cento mais baixas. Atravessar Lisboa chega a custar 2,43. Na Bolt o que se ganha não dá para pagar as despesas. 

A Uber exige 25% aos motoristas e a Bolt 15%. Um motorista paga em média 245 euros por semana de amortização de custos. E depois os impostos.

Por causa disso, os motoristas das plataformas são nepaleses, do Bangladesh, paquistaneses, ucranianos e brasileiros. Sujeitam-se à miséria, com um comportamento exemplar, que envergonha muitos taxistas.

Afinal o uberismo não foi uma nova profissão para os portugueses. O Parlamento aprovou um caos da modernidade, sem estudos prévios.

A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) afirma que se registou uma quebra de 70% a nível nacional, “por causa do decréscimo do turismo e da concorrência “desleal” das plataformas eletrónicas”.

São desculpas sobre a rebaldaria criada. Havia milhares turistas e era mais barato para o português que adora pechinchas. O Parlamento lançou o caos em nome da livre concorrência. Em breve os táxis abandonarão as “praças” e deixarão de circular.

Ventura, o Sol que quer iluminar a nação

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No passado dia 28 de Maio, Ventura e seus acólitos desceram as ruas de Coimbra em acidentada marcha com a promessa de chegar a Lisboa.

Ventura recria nos pormenores da sua acção, algo que já foi feito e deixou más recordações. Não foi por acaso que Ventura escolheu o dia 28 de Maio para fazer o III Congresso do partido e descer ruas em Coimbra.

Foi em 28 de Maio de 1926 que se fez uma revolução que deitou abaixo a I República e deu caminho à implantação do Estado Novo que se prolongou, envelhecido, caquéctico, esgotado, até 25 de Abril de 1974. E Coimbra foi de onde saiu a marcha triunfal até Lisboa há 95 anos.

Ventura usa a simbologia para mostrar ao que vem. Tem de ser entendido não pelas palavras que fazem títulos nos jornais mas sim pelos actos.

O sonho de Ventura, que lhe aparece todas as noites – e dias também – é ser o Duce de Portogallo. Descer a Av. Da Liberdade, de braço levantado e mão espalmada e ser incensado por multidões ululantes de braço levantado e mão espalmada para baixo, tal como em 28 de Outubro de 1922 se marchou sobre Roma e se formalizou o fascismo em Itália.

Qual Gomes da Costa sem dragonas, Ventura promete o Sol, afirma-se imprescindível para fazer parte do Governo do país, convencido que o PSD precisará dele como nos Açores para se sentar nos sofás de S. Bento de onde decretará o coma induzido do Parlamento e a revisão da Constituição.

A marquise em forma de baliza rendada, é que era fixe!

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Há em cada um de nós um arquiteto. Também há um fotógrafo adormecido dentro de cada telemóvel. Por ironia do destino logo fui ter duas tarefas de que toda a gente sabe e decide mesmo.

O meu filho mais velho, 43, dizia aos 4 que o pai arquiteto tirava fotografias e o meu chefe no Ministério das Obras Públicas, chamava-me de senhor fotógrafo, quando me queria irritar sobre o meu trabalho de arquiteto. Mas o meu caso não interessa nada. Lembramos que o agente técnico Sócrates, mais tarde promovido num domingo a engenheiro, já rabiscava no seu período pré-socrático casas tipicamente portuguesas com janelas tipo fenêtre.

A alma de arquiteto está entranhada nos portugueses, desde gente letrada, como Cavaco Silva que gizou uma marquise na sua casa na Travessa do Possolo, ou o Comendador Berardo que meteu uma retrete na varanda, ao mais arreigado pato bravo de Tomar.

A Lisboa dos anos 60/90 foi toda ela rodeada de cidades à escala da tragédia urbana portuguesa, começando na histórica Brandoa, nascida clandestina e selvagem, até aos bairros sociais tipo caixote, desenhados por mentes brilhantes de arquitetos de esquerda, que tinham estagiado no SAAL do PREC.

Há no entanto uma elite de arquitetos que trabalha para as obras do Estado e para os grandes investimentos imobiliários. Esses arquitetos portugueses em geral, acham-se artistas e senhores do tipo de vida de quem vai habitar as suas obras. Muitos consideram a arquitetura antes de tudo, uma peça de arte onde quem condiciona os comportamentos sociais é a arquitetura, e não as pessoas. É a ideia de que a arquitetura contribui para a revolução socialista, ou o pedantismo de quem acha o espaço da vivência privada e social um jogo de formas desligadas da realidade. É uma ideia contrária a arquitetos como Le Corbusier ou Mies Van Der Rohe.

O escândalo da marquise mandada fazer por Ronaldo resume o estado da arquitetura portuguesa. Para o nosso génio da bola uma marquise, mesmo em forma de jardim de Inverno, faz parte do nosso imaginário infantil, pois palermas e marquises é o que mais há, e o que é preciso é que cumpra o seu papel: proteger os habitantes e tornar um terraço deslumbrante utilizável. E tem razão.

Para o autor do mamarracho com assinatura, a marquise é uma falta de respeito pela sua obra que na verdade faz lembrar em maquete, dois caixotes de fruta empilhados ao alto. É ainda a velha discussão entre a forma e a função, e sobre a ideologia que a estética desperta.

Uma coisa é certa: se a tal marquise lá foi posta porque fazia falta, o arquitetonto falhou. E se a bola é redonda, e se move para Ronaldo, faz sentido que a marquise lá esteja para o proteger mesmo que tenha resultado de uma grande penalidade. Claro que se o upgrade tivesse sido desenhado pela Joana Vasconcelos em forma de baliza estávamos perante mais um grande feito cultural ! Ainda vais a tempo Ronaldo!!!

Verde, verde, verde!

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Não, não escolhi este título por o Sporting Clube de Portugal – cuja cor é o verde dos lagartos – ter logrado sagrar-se campeão nacional de futebol. Respeito o clube e os seus adeptos, como sei que me respeita a mim, benfiquista desde que me conheço e até os nossos cães, em casa de meus pais, sempre se chamaram Benfica!

A razão prende-se por ser cor que está na moda e cronista que se preze deve, uma vez por outra, obedecer aos parâmetros em voga. De facto, ele é o combustível verde, a onda verde (essa já existe há muito tempo, para regalo dos automobilistas em Lisboa)… ‘Minuto verde’ é nome de programa televisivo e radiofónico onde se explica tintim por tintim como, no dia-a-dia, uma pessoa pode contribuir para o planeta se tornar mais verde, na convicção de que «grão a grão» até seremos capazes de pôr isto melhor do que está. Ilusões, claro, porque o verde que mais ordena é outro, o das notas graúdas!… Assim como assim, vamos adormecendo de consciência mais tranquila.

Para mim, o verde tem uma raiz mais profunda e essa nunca esmoreceu, vem dos bancos da Primária e tinha outro nome: fotossíntese. Claro, na altura, eu ainda não sabia que «foto» é palavra grega que significar «luz» nem que ‘síntese’ é assim a modos de uma mistura íntima, como aquele abraço quentinho de que tão precisados andamos;  mas a senhora professora explicou direitinho que as folhas verdes das plantas, por acção da luz solar, faziam a fotossíntese, ou seja, agarravam no anidrido carbónico do ar, um gás mau, roubavam-lhe o carbono e soltavam o oxigénio, que lá ia alegremente dar alento aos passarinhos e aos homens também. Abençoado esse verde! Por isso devíamos respeitar as árvores e ter plantas para o oxigénio nunca faltar e a gente não morrer asfixiada.

Eu cá penso que foi por isso, tantas décadas passadas, que achei piada aqui ao município vizinho agora se chamar Oeiras Valley! Oeiras (só) era nome sem graça nenhuma, embora os eruditos saibam que pode vir de aurarias, um qualificativo latino das areias do Tejo, porque elas traziam pepitas de ouro. Quem é que ia lá esmiuçar isso das origens romanas! E viraram-se, pois, para os ingleses – sim, esses que abandonaram a União Europeia e até nem arrebanharam um votinho só que fosse, no Festival Eurovisão da Canção, os desgraçadinhos… Portanto: o «vale de Oeiras», se esta é a tradução correcta. Certo é, todavia, que a palavra não remete, de certeza, para o «vale de lágrimas» da Salve-rainha nem para o «Vale dos Reis», que é local do Antigo Egipto onde magnificamente se sepultavam faraós.
Por isso, para que não houvesse dúvidas nenhumas, editou o município o número «Especial Espaços Verdes» (92 500 exemplares!).

Título em maiúsculas: OEIRAS, VIDA COM MAIS VERDE.

«770 hectares de áreas verdes: 43 m2/habitante»!

Palavras-chave: «qualidade de vida, lazer, biodiversidade, natureza, bem-estar, saúde» – e, em fundo, as águas límpidas e remansadas duma ribeira, sem casa nenhuma por perto… Idílico! – aqui ao lado!

(crónica publicada em 1ª mão no blog Notas&Comentários)