Verde, verde, verde!

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Não, não escolhi este título por o Sporting Clube de Portugal – cuja cor é o verde dos lagartos – ter logrado sagrar-se campeão nacional de futebol. Respeito o clube e os seus adeptos, como sei que me respeita a mim, benfiquista desde que me conheço e até os nossos cães, em casa de meus pais, sempre se chamaram Benfica!

A razão prende-se por ser cor que está na moda e cronista que se preze deve, uma vez por outra, obedecer aos parâmetros em voga. De facto, ele é o combustível verde, a onda verde (essa já existe há muito tempo, para regalo dos automobilistas em Lisboa)… ‘Minuto verde’ é nome de programa televisivo e radiofónico onde se explica tintim por tintim como, no dia-a-dia, uma pessoa pode contribuir para o planeta se tornar mais verde, na convicção de que «grão a grão» até seremos capazes de pôr isto melhor do que está. Ilusões, claro, porque o verde que mais ordena é outro, o das notas graúdas!… Assim como assim, vamos adormecendo de consciência mais tranquila.

Para mim, o verde tem uma raiz mais profunda e essa nunca esmoreceu, vem dos bancos da Primária e tinha outro nome: fotossíntese. Claro, na altura, eu ainda não sabia que «foto» é palavra grega que significar «luz» nem que ‘síntese’ é assim a modos de uma mistura íntima, como aquele abraço quentinho de que tão precisados andamos;  mas a senhora professora explicou direitinho que as folhas verdes das plantas, por acção da luz solar, faziam a fotossíntese, ou seja, agarravam no anidrido carbónico do ar, um gás mau, roubavam-lhe o carbono e soltavam o oxigénio, que lá ia alegremente dar alento aos passarinhos e aos homens também. Abençoado esse verde! Por isso devíamos respeitar as árvores e ter plantas para o oxigénio nunca faltar e a gente não morrer asfixiada.

Eu cá penso que foi por isso, tantas décadas passadas, que achei piada aqui ao município vizinho agora se chamar Oeiras Valley! Oeiras (só) era nome sem graça nenhuma, embora os eruditos saibam que pode vir de aurarias, um qualificativo latino das areias do Tejo, porque elas traziam pepitas de ouro. Quem é que ia lá esmiuçar isso das origens romanas! E viraram-se, pois, para os ingleses – sim, esses que abandonaram a União Europeia e até nem arrebanharam um votinho só que fosse, no Festival Eurovisão da Canção, os desgraçadinhos… Portanto: o «vale de Oeiras», se esta é a tradução correcta. Certo é, todavia, que a palavra não remete, de certeza, para o «vale de lágrimas» da Salve-rainha nem para o «Vale dos Reis», que é local do Antigo Egipto onde magnificamente se sepultavam faraós.
Por isso, para que não houvesse dúvidas nenhumas, editou o município o número «Especial Espaços Verdes» (92 500 exemplares!).

Título em maiúsculas: OEIRAS, VIDA COM MAIS VERDE.

«770 hectares de áreas verdes: 43 m2/habitante»!

Palavras-chave: «qualidade de vida, lazer, biodiversidade, natureza, bem-estar, saúde» – e, em fundo, as águas límpidas e remansadas duma ribeira, sem casa nenhuma por perto… Idílico! – aqui ao lado!

(crónica publicada em 1ª mão no blog Notas&Comentários)

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