Acabou o confinamento

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Neste momento, na cidade do Porto, devem estar contentes a vintena de tasqueiros que se fartaram de vender cerveja. Poucos mais, por muito que se goste de futebol. Foi um jogo que ninguém viu, exceto os que pagaram a peso de ouro o bilhete para lá estarem e os que pagam extra para terem um canal no cabo onde passam jogos de futebol premium.

Nos últimos dias, os canais generalistas de televisão gastaram horas de emissão a mostrar ingleses bêbados e polícias contrariados por terem de estar a controlar multidões de idiotas. Mas depois o jogo não foi dado em sinal aberto. Nem mesmo as imagens da consagração da equipa vencedora.

Confesso que vi pouco do que foi mostrado sobre o assunto nessas televisões, mas estive sempre à espera de perceber a razão de um jogo entre duas equipas inglesas ter lugar num outro país. Para lá da questão pandémica (teremos de aprender a viver e a morrer com isto, pelos vistos), será que alguém fez contas ao desperdício provocado pela deslocação de dezenas de milhar de pessoas só por causa de um jogo de futebol? Alguém calculou a pegada ecológica da iniciativa, com muitas centenas de aviões a queimar jetfuel para trazer e levar de volta essa malta toda? Se queriam fazer o jogo em campo neutro, podiam ter escolhido uma cidade inglesa, um local a meio caminho entre Manchester e Londres. Só se foi para evitar recrudescimento da pandemia em Inglaterra…

Quer queiram quer não, a organização deste jogo de futebol em Portugal foi uma espécie de pontapé de saída para o marimbanço quanto às regras de desconfinamento.

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