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O nosso amigo cão

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Dizer que o cão é o melhor amigo do homem, é pouco. O cão é amigo, companheiro, guardião, solidário, o bicho homem tem vindo a acumular uma dívida com os cães que dificilmente algum dia virá a ser devidamente recompensada.

Desde que o primeiro lobo foi domesticado, o cão revelou-se essencial para o desenvolvimento da sociedade humana. Desde guardião de pessoas e bens, guia de rebanhos, guia de pessoas com diversas incapacidades, desde os cegos aos emocionalmente frágeis, binómios no combate policial, na ação de bombeiros e militares, os cães ajudam na busca e salvamento de pessoas vitimas de catástrofes naturais, pesquisam bombas e minas anti-pessoais enterradas em campos de batalha, os cães são postos em risco de morte com frequência nessas atividades para as quais são treinados.

Infelizmente, o abandono e maus-tratos são também o dia-a-dia destes animais e tarda que a Lei dos homens reconheça o valor destes animais e os proteja devidamente.

Nestes tempos de pandemia, as situações de abandono foram exponenciadas e multiplicaram-se as dificuldades das associações que protegem os animais. Muitas destas associações têm hoje mais problemas para sobreviver e continuar a dar abrigo aos animais abandonados, porque os apoios diminuiram e os confinamentos impediram a ação dos voluntários.

A origem do cão como animal doméstico

Os cães são parceiros dos homens desde há 40 mil anos. De acordo com estudos genéticos, os primeiros lobos domesticados surgiram na China. Só depois essa prática foi adotada pelas populações humanas do  Médio Oriente e Europa.

Os cientistas acreditam que os lobos foram atraídos para acampamentos humanos para procurar sobras de comida. Com o tempo, alguns começaram a viajar com os humanos nómadas.

Existem até evidências científicas que apoiam o vínculo entre humanos e cães. Quando as pessoas se olham nos olhos, nos ligamos emocionalmente e libertamos uma hormona chamada oxitocina. Um estudo descobriu que quando cães e pessoas olham nos olhos uns dos outros, a mesma hormona é libertada tanto em humanos quanto em cães.

As raças de cães variam em popularidade e da zona geográfica. Em Portugal, por exemplo, desde a década de 1990, os Labradores Retrievers são os cães mais procurados como animais de companhia. Mas não é a subespécie que faz um cão melhor que outro. Trata-se, quanto muito, de uma questão meramente estética. Na opinião de muitos apreciadores da companhia dos cães, são os rafeiros os melhores parceiros do homem.  

Cão Labrador

Os cães em Portugal

Apesar do país ser pequeno, existem várias subespécies “portuguesas”, entre as quais alguns dos cães mais bonitos do Mundo, a saber: Cão da Serra da Estrela; Cão de Água Português; Cão de Castro Laboreiro; Rafeiro do Alentejo e o Cão de Gado Transmontano. No total há 12 subespécies de “cães portugueses”, alguns exclusivos do arquipélago dos Açores.

Cão de Castro Laboreiro

O Cão de Castro Laboreiro é talvez o cão mais antigo de Portugal, originário das montanhas mais a norte de Portugal, mais propriamente da aldeia de Castro Laboreiro. É uma região agreste que, até meados do século passado, sofria de um grande isolamento, o que contribuiu o apuramento das características do Cão de Castro Laboreiro, um cão pastor e guardião de propriedades.

Cavalos selvagens

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Já não há cavalos selvagens. O que há são cavalos que vivem em liberdade, mas são poucos. Segundo divulgou a FAO – organização das Nações Unidas para a alimentação – existem apenas cerca de 600 mil cavalos em liberdade, que vivem na natureza sem dependência do homem. Os restantes 58 milhões de cavalos são animais aprisionados.

Segundo uma pesquisa realizada pelos espanhóis Jesús Gil Morión, membro da Sociedade de História Natural de Cádiz, e Juanjo Negro, investigador da Estação Biológica de Doñana, “todos os cavalos selvagens descendem de animais libertados ou fugitivos”. Segundo estes investigadores, “pensava-se que uma espécie de cavalo selvagem, o przewalski, que vive nas estepes da Mongólia, fosse genuinamente selvagem, mas um estudo genético mostrou que descendia de cavalos domesticados por um grupo étnico nativo da Rússia e do Cazaquistão há mais de 5.000 anos.”

Cavalo przewalski

O cavalo foi domesticado há cerca de 6.000 anos na Ásia Central e o ancestral selvagem foi extinto no século 19. O cavalos do qual descendem todos os cavalos domesticados é o extinto Equus Ferus Ferus (nome científico), um animal de pelagem castanha e crina curta e ereta como a das zebras, algo que as pinturas rupestres do Paleolítico refletem.

Sem Garranos não haverá lobos

Em Portugal, temos o cavalo de raça garrano, com algumas manadas a viver em liberdade no norte do país, nomeadamente no Parque Nacional da Peneda-Gerês. É um animal pequeno mas resistente às adversidades do clima e à dureza da vida nas montanhas.

Cavalo Garrano, fotografia de Maria Lemos, Porto, Portugal

O garrano é uma espécie de ex-libris, de símbolo da Peneda-Gerês. Fizeram dele um atrativo turístico. Há empresas de safaris fotográficos que vivem de levar turistas a ver os Garranos em liberdade.

Esta raça de cavalos selvagens existe desde tempos primitivos. A sua origem remonta a um pónei ibérico pré-histórico que se adaptou à geografia e ao clima das regiões montanhosas do norte da Península Ibérica. Está patente em pinturas rupestres da era paleolítica em Portugal.

Por exemplo, no Sudeste de Trás-os-Montes, junto à aldeia de Mazouco, há um conjunto de figuras do Paleolítico assentes em xisto, do qual se destaca o desenho de um cavalo de dimensões relativamente pequenas com cerca de 20 mil anos de existência, gravura a que se deu o nome de “Cavalo de Mazouco”.

Cavalo de Mazouco

O garrano foi classificado em 1994 como uma raça em perigo de extinção pela CEREOPA. Os garranos em liberdade são fundamentais para a manutenção do ecosistema, uma vez que este cavalo faz parte da dieta alimentar do lobo ibérico. Provavelmente, sem garranos não haverá lobos.

Filipe Augusto toca violino nas ruas de Lisboa.

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Debaixo do arco da rua Augusta, onde não chove, Filipe Augusto dá música para quem passa na esperança de que quem passa deixe cair uma moeda ou duas.

Lá no Brasil, na terra dos índios Tupi, Filipe Augusto deixou três filhos com a mãe deles. Uma parte das moedas que caem destina-se a alimentar essas crianças.

Quem vai ganhar com o negócio do lítio?

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Os povos de Boticas e Montalegre já se levantaram contra a exploração do lítio, que lhes vai estragar a vida por meia dúzia de centavos. Vão esventrar-lhes as terras quilómetros ao redor e irão contaminar-lhes as águas. Um cenário dantesco.

Sabemos que a exploração do lítio em Portugal não será igual à extração de petróleo na Noruega. Por cá, o hábito é uns comilões ficarem com a massa. A história da GALP, EDP, barragens, REN, TAP, bancos e até do volfrâmio exemplificam a nossa má sorte com os políticos. Sobre quem já Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão escreveram.

Serão esventrados quase 2 milhões de hectares

Mira Amaral é o atual presidente dos conselhos da indústria e energia da Confederação empresarial de Portugal (CIP). E diz: a exploração tem de ser feita de acordo com as regras ambientais. Óbvio!

Pretende-se explorar 1 831 420,6 hectares, revela uma nota do colectivo que reúne as organizações Awakened Forest Project e Wildlings, Tamera, Teia da Terra, Linha Vermelha e a Quercus.
Armando Pinto, de Montalegre, revelou ao Correio da Manhã a existência de um contrato já assinado entre a Lusorecursos Portugal Lithium e o Estado, para exploração na freguesia de Morgade. E há ainda mais oito pedidos de prospeção, acrescentou.

Depois dos fogos, pedidos de exploração de lítio

Raquel Perdigão, monitora de educação ambiental em Arganil, disse ao Diário de Notícias ter despertado para o problema do lítio depois dos fogos de outubro de 2017. “Começaram a aparecer pedidos de prospeção nesta região muito rica neste minério”.

À febre do lítio não escapa sequer a Serra da Estrela com a concessão “Boa Vista”, que abrange a região da margem esquerda do rio Mondego, nos concelhos de Seia, Tábua, Oliveira do Hospital e Gouveia.

Os alertas contra a exploração do lítio estão lançados em centenas de páginas de jornais portugueses. Mas o assunto não tem sido discutido publicamente de forma clara. A exploração do lítio acarreta a destruição de ecossistemas. Será extraído e levado para fora do país, sem nenhum valor acrescentado.

O caos nas aldeias, vilas e estradas

A exploracão a céu aberto abrirá buracos gigantes na paisagem. Espalhando milhares de partículas por telhados, ruas, paredes, roupa e por toda a vegetação. As populações correm o risco de andar com o lítio espetado na cara!

Um dos maiores impactos da exploração do lítio será nos sistemas aquíferos e linhas de água superficiais, prejudicando fortemente a qualidade das águas para consumo e agricultura. Chegará também o barulho ensurdecedor das maquinarias. Os camiões não irão parar e as estradas serão um caos. 

Vamos ter, assim, centenas “de fábricas do tipo Caima“, tal como acontece mesmo em frente da lindíssima vila de Constância, onde se fabrica pasta de papel. 

As perguntas sobre este negócio

Em Constância o cheiro nauseabundo é constante e as descargas de gases tóxicos poluentes amarelados acontecem com frequência. Com explorações de lítio será ainda pior. Em cima da mesa ficam muitas perguntas. A água vai sair das torneiras de que cor? As serras e vales ficarão iguais à paisagem lunar? As populações vão ganhar exactamente o quê? Os impactos ambientais negativos serão minimizados como? Afinal qual é o verdadeiro lucro para Portugal, em todos os vários sentidos? Hortas com àgua e solos contaminados e pessoas de lítio na cara? Quem ganha com este negócio mal cheiroso?

Juiz Castro será corrido da magistratura

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Já se sabe que será no próximo dia 8 de outubro que o Conselho Superior de Magistratura vai decidir sobre o futuro do juiz Rui Fonseca e Castro.

O juiz está suspenso desde março passado, na sequência de várias declarações públicas, quase sempre nas redes sociais, que causaram espanto e alarme na população e no meio judicial.

Foram os apelos à resistência contra a “injeção da morte”, os insultos ao presidente da Assembleia da República, o desafio para uma cena de pancada feito ao diretor nacional da PSP, os delírios anti-maçonaria, enfim… se o juiz Fonseca e Castro queria ser expulso da magistratura fez tudo na perfeição, nem precisaria de tanto esforço, talvez.

A sanção mais comum do Conselho Superior de Magistratura, quando quer afastar um juiz, é a aposentação compulsiva. Acontece com alguma frequência, o último caso mais badalado foi o do juiz Rui Rangel. A expulsão liminar, sem direito a reforma, é mais rara. Mas acontece. E é bem possível que seja essa a decisão que vai afetar o juiz Rui Fonseca e Castro.

O juiz tem uma pequena legião de admiradores e seguidores, um grupo que se caracteriza pelo negacionismo em relação à pandemia, são contra as vacinas e tudo o que, na ótica deles, possa representar o sistema que dizem combater.

João Moura Júnior lesionou-se nos treinos

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João Moura Júnior sofreu um acidente na sua arena privada, em Elvas. Estava em treinos, ao que parece, e a vaca zangou-se. O cavalo foi colhido e na queda arrastou o cavaleiro. Da queda, resultaram lesões com alguma gravidade no cavaleiro. Nos animais não se sabe, são pormenores que não foram divulgados.

Moura está em Espanha, numa clínica privada de Badajoz. Tem lesões numa perna, no tronco, na cara e no olho direito (a lesão mais preocupante). O que aconteceu com Moura faz parte dos ossos do ofício de um toureiro. João Moura Júnior já teve outras colhidas, normalmente é o cavalo que morre. Fartam-se de maltratar animais, um dia acabam por pagar.

Para já, foi anunciado que o cavaleiro irá faltar ao compromisso de estar sábado, 25, na praça de Santarém para a tourada aprazada. Pode ser que este momento lhe sirva de reflexão e não volte a tourear, seja lá onde for. Há outros modos de vida, para quem tem uma herdade em Elvas.

João Moura Júnior foi denunciado por promover nessa herdade lutas de cães contra touros, um divertimento que organizava para gozo de amigos mais chegados e visitas mais proeminentes. E recorde-se que João Moura, pai de João Moura Júnior, tem também estado envolto em polémica, tendo inclusivamente sido detido em 19 de fevereiro de 2020 por suspeitas de maus-tratos a animais, em Monforte, Portalegre. Foram resgatados, na altura, 18 cães subalimentados e com sinais de maus tratos. 

luta de cães com touros na arena privada de João Moura Júnior

Lisboa, noite sem ajuntamentos nem violência

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A noite passada, largas centenas de jovens que se encontravam na zona de Santos, em Lisboa, começaram a dispersar pelas 23:00, hora em que os restaurantes e bares encerraram para evitar os habituais ajuntamentos de milhares de pessoas.

Numa medida piloto que envolveu a junta de freguesia da Estrela e 13 empresários da área da restauração e bares de Santos foi decidido antecipar três horas o encerramento dos locais até domingo de modo a controlar os ajuntamentos noturnos que têm sido habituais naquela zona ribeirinha.

Além do encerramento dos estabelecimentos, a PSP destacou para a zona vários agentes que circularam em grupo e fiscalizaram o cumprimento das regras e impediram os ajuntamentos.

Os jovens cumpriram as ordem dos donos dos estabelecimentos e saíram ordeiramente quando estes encerraram, constatou a Lusa no local.

Além da PSP estava no local uma equipa de fiscais para controlar o encerramento dos espaços na zona.

Nas últimas semanas, Lisboa tem registado situações de criminalidade violenta em contexto de diversão noturna, nomeadamente no Bairro Alto, Cais do Sodré e Santos, com ocorrências de esfaqueamentos.

O levantamento gradual das restrições em função da vacinação contra a covid-19 arrancou em 1 de agosto, com regras aplicáveis em todo o território continental, inclusive o limite de horário de encerramento até às 02:00 para a restauração.

LUSA

Presidente do clube é racista – acusa treinador Ricardo Nascimento

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O treinador acusa o presidente do clube de proferir “repetidamente comentários xenófobos e racistas para com os jogadores e a equipa técnica”, inclusivamente com o adjunto do treinador que é brasileiro. “Estamos no século XXI. Eu joguei na Coreia do Sul, em França, com jogadores de todas as raças e etnias”, diz Ricardo Nascimento que não aceita esse tipo de situações, muito menos no grupo de trabalho sob sua responsabilidade. “Não é possível um presidente julgar que pode dizer a um jovem jogador, de 19 anos, que por mais banhos que tomasse nunca iria ser branco, mas sempre preto…”

Trata-se de uma acusação gravíssima, merecedora de condenação pública e de queixa crime na esquadra mais próxima.

Na notável entrevista dada ao jornal Record, Ricardo Nascimento especifica várias situações ocorridas com o presidente do clube e que constituem insulto e agressão racista. “Para ele, nossa equipa é composta por “só pretos”, que acusava de serem “pretos de merda” e queixando-se de que “nunca teve tantos pretos”. Posso dar o exemplo concreto do jogador Agostinho Cá, formado no Sporting e que jogou no Barcelona, internacional português e com provas dadas. Nós acreditámos no seu valor futebolístico, mas o presidente, desde o primeiro dia, começou a implicar com ele, alegando que não iria tolerar jogadores malandros e que não corriam. O que de facto aconteceu foi que o Agostinho tinha uma pequena pubalgia que foi recuperada e agora está muito bem.”

A discriminação era evidente, segundo os relatos agora divulgados. “Tenho um treinador adjunto que, também, apenas por ser brasileiro, o presidente insistia que não tinha qualidade e, mais uma vez, tendo atos xenófobos, dizia que “estava farto de brasileiros”. Os casos de racismo e xenofobia no futebol são frequentes, como se sabe. Não tem havido pedagogia capaz de solucionar o problema. Talvez seja a altura da Justiça entrar em campo.

Em Sernache, Ricardo Nascimento não aguentou. “Eu ouvi, ninguém me contou, frases como ‘estou farto dos pretos’, ‘estou cheio de brasileiros’, quando o racismo não faz sentido no futebol. São frases que magoam, ferem, abalam o grupo. E se calhar, também por causa disso a bola bate no poste e vai para fora em vez de entrar. É impossível ter sucesso no futebol quando a vida e a condição humana não são respeitadas.”

E bateu com a porta. E denunciou. E fez muito bem.

Praxes criminosas e sexistas em Lisboa?

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A pergunta é estúpida, a todos os títulos. E foi feita na Praça do Comércio, em Lisboa. Mas primeiro fomos abafados por duas capas e depois perguntaram-nos: é jornalista, é do SIS ou da Judiciária? Como fosse tudo a mesma coisa.

– Achei graça ao que está a acontecer. E resolvi tirar umas fotos e fazer uns pequenos filmes. Fiz mal?

– Fez, mostre o seu telefone! Quero ver as fotos e os filmes.

Afinal, ai! ai! podem ser criminosas estas praxes estúpidas, que as autoridades permitem e as universidades consentem. Senão isto não acontecia. As praxes são atos humilhantes, sexistas e bárbaros, que já causaram muitas mortes e danos irreparáveis.

Se querem ocupar o tempo livre, os futuros estudantes de Veterinária tratem dos animais de companhia dos pobres. Os de Medicina ajudem os sem abrigo. Os de Direito façam voluntariado. São exemplos. Ou então virem-se para chás dançantes. Mais chatices, é que não!

vídeo do jornalista José Ramos e Ramos

Centro Cultural de Belém quase falido

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Por Therese C - Flickr: DSCN5750, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16119126

A grande obra de regime de Cavaco Silva foi o Centro Cultural de Belém. Custou uma fortuna, o orçamento inicial derrapou escandalosamente, nunca foi terminado. Em relação ao projeto inicial, faltam dois módulos.

Finalizar a obra tem sido uma intenção sempre adiada desde 1992, ano em que foi inaugurado. Existe um projeto para a instalação de um hotel e zona comercial nos dois módulos que faltam. Há até um contrato a concessionar a exploração desses dois espaços à Mota Engil, mas a crise meteu travão a tudo isso. Hoje é difícil encontrar alguém que queira construir hoteis e zonas comerciais. São agora investimentos de alto risco, dependentes de circunstâncias que não são controláveis pelos capitalistas. Talvez os cientistas e a medicina consigam dar uma ajuda, mas as incertezas são muitas, por enquanto.

Enquanto isso, há um problema financeiro que se agudiza. O CCB tem perdido receitas com a diminuição dos turistas e de visitantes. Há ano e meio que as iniciativas da área cultural, exposições e espetáculos, estão a funcionar com auditórios reduzidos ou pararam de todo. A Coleção Berardo não paga um tostão pelo espaço que ocupa. O dinheiro não entra, o concessionário que é a Fundação CCB não consegue que o ministério da Cultura financie os encargos que existem. Seria importante resolver esta questão da construção dos módulos que faltam, porque essa concessão iria render bastante para os cofres vazios do CCB.

Praticamente o único rendimento interessante que existiu, nos últimos 18 meses, foi o aluguer de instalações ao ministério dos Negócios Estrangeiros, durante os seis meses em que Portugal presidiu à União Europeia. Na verdade, as instalações quase não foram utilizadas, a maioria das reuniões foram online, mas foi um ato de caridade do Governo que salvou o CCB da falência, digamos assim.

O pior é que no futuro próximo, não se vislumbra que venha a surgir outra oportunidade semelhante.

Por Therese C – Flickr: DSCN5750, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16119126