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Fernando Nobre e Daniel Sampaio ou a diferença entre a sorte e o azar

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Daniel Sampaio e Fernando Nobre são ambos médicos e sobejamente conhecidos. Os dois estiveram infetados com covid-19. Daniel Sampaio passou 50 dias internado, em coma induzido. Fernando Nobre diz que se curou com “com medicamentos que não estão aconselhados para a covid-19”.

Daniel Sampaio escreveu um livro sobre a sua experiência de “quase morte”, a que chamou “Relato de Um Sobrevivente”. Fernando Nobre vai enfrentar um processo movido pela Ordem dos Médicos por ter feito declarações públicas de repúdio das regras sanitárias de combate à pandemia.

No livro, Daniel Sampaio escreve que “é preciso dizer que as pessoas não se conseguem mexer, os músculos são afetados pela doença e a pessoa, como eu digo no livro, nem sequer consegue fugir, há uma imobilidade total na fase aguda da doença e uma sensação de mal estar terrível”. O médico psiquiatra relata uma experiência assustadora e que “é preciso dizer que esta é uma doença muito grave.”

Fernando Nobre, médico cirurgião urologista, afirma que quando ficou doente se tratou a si próprio, assim como à mulher e à filha. “Numa semana estávamos todos bem”, assegurou Fernando Nobre.

Sampaio acredita nas vacinas. “As vacinas foram muito estudadas, muito experimentadas e administradas aos milhões no mundo inteiro. Os efeitos adversos são muito pequenos em relação ao número de administrações e a vacina protege sobretudo em relação à doença grave e à morte. Se estivesse vacinado, não teria tido uma doença tão grave”, e diz que é preciso “ir junto dessas pessoas (que se manifestam contra a vacinação) e chamá-las à discussão”.

Nobre desconfia das vacinas e diz até que o uso de máscaras é dispensável. “Sinto-me coagido nas minhas liberdades, direitos e garantias que são indeclináveis e que não podem estar sujeitas a interpretações porque isso pode-se tornar perigoso”, diz relativamente à obrigatoriedade do uso de máscaras. Quanto às vacinas anti-covid, considera “inacreditável” vacinar crianças e jovens dos 12 aos 16 anos.

Estes dois casos tão diferentes entre si são o paradigma desta doença. Os médicos que têm estado na chamada linha da frente hospitalar, dizem que num milhão de doentes infetados não há duas situações iguais. A atuação deste coronavírus não tem um padrão definido, os sintomas são multiplos e de gravidade muito variável de doente para doente. O que não justifica posicionamentos negacionistas e de menosprezo da doença que podem significar a morte de pessoas. Digamos que Fernando Nobre teve sorte. A infeção passou de raspão por ele. Daniel Sampaio foi atingido em cheio e esteve às portas da morte.

Os sofás e cadeirões do João

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O tempo passa sem darmos por ele. E de repente, percebemos que há gente amiga com quem não falamos há demasiado tempo. É o caso da minha amiga rica, que por acaso não deve ser assim tão rica porque vive na casa do lado e o nosso bairro é de gente remediada, digamos assim. Todos nós já vivemos dias melhores. Mas enfim…

Em vez de lhe telefonar, pus a máscara e fui bater-lhe à porta. Fizemos uma festa! Em vez de beijos e abraços, uns murrinhos idiotas e umas cotoveladas amaricadas, mas são sinais dos tempos.

E sentámo-nos. Desde abril ou maio que não falavamos. Primeiro foi o covid dela. Coitada, teve de ficar em isolamento em casa de um amigo, na Quinta Patiño, ali para Cascais.

– Um casarão, otimo para nos isolarmos. Piscina, barbecue, 12 quartos. Está a ver, até me perdia por ali. Tinha de perguntar aos criados a direção do meu quarto.

De quem é uma casa assim?, perguntei-lhe roído de inveja. “Do João”, respondeu-me. Mas qual João? “Do Rendeiro”, esclareceu-me. Ah! O tal que sacou não sei quantos milhões aos clientes do banco que geria… tenho lido notícias sobre o finório.

– É um querido, sabe? Uns mãos largas. E pede muito pouco em troca…

Bom, com a idade que tem, talvez já não valha a pena ser muito exigente, pensei eu, baseando-me na minha própria experiência de vida. Mas fiquei interessado naquele relacionamento da minha vizinha com um dos mais notórios fugitivos à Justiça portuguesa. Quanto valeria uma casa na Quinta Patiño?

– Oh, filho! Para cima de 20 milhões, garantidamente.

A minha amiga sempre foi boa avaliadora. E a surpresa não ficou por aqui. Não tinha reparado, mas ela chamou-me a atenção para algum mobiliário novo que tinha na sala. Por exemplo, eu tinha-me sentado num sofá Le Corbusier, ela estava num cadeirão lindíssimo desenhado por Charles Eames. Na sala, as cadeiras à volta da mesa são, agora, Mies van der Rohe… explicou-me.

Tudo super modernaço, design vanguardista, carérrimo, disse ela. Espólio que o João lhe pediu para guardar enquanto estivesse fora, não vá o Diabo tecê-las e a polícia entrar por ali e arrebanhar estas peças exclusivas a favor do Estado. Seria um desperdício, tive de concordar.

Quando voltará o João a casa? “Não sei… talvez nunca mais”, respondeu-me inigmaticamente.

Comprar casa está cada vez mais caro

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Os preços do imobiliário subiram 6,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Subiram mais nas habitações novas (6,9%) e um pouco menos nas casas em 2ªmão (6,5%).

A estatística diz respeito ao periodo de abril a junho de 2021, quando se venderam 52.855 habitações. O mercado parece estar a reanimar. Estas vendas representam um aumento superior a 58% relativamente ao trimestre anterior. É o desconfinamento a influenciar as espetativas das pessoas.

Em valor, no trimestre em análise, as habitações transacionadas contabilizaram aproximadamente 8,6 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 66,5% em termos homólogos.

Onde se vendeu mais foi na Área Metropolitana de Lisboa, com 38% do total de casas transacionadas no país.

O que se constata é que, em termos percentuais, o aumento do preço e da receita é bastante superior ao aumento do número de vendas, o que significa que a margem de lucro foi dilatada. Ou seja, quem vende está agora a ganhar mais do que fazia antes. Nas circunstâncias em que todos vivemos, isto revela falta de consciência social.

“Interesses comerciais” na 3ª dose de vacinas anti-covid, diz o Almirante

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A propósito do desconfinamento que se aproxima, ouvindo os virologistas pergunto qual é a lógica em abandonarmos repentinamente todas as medidas de prevenção e de proteção que até há uns dias nos diziam serem comprovadas cientificamente, indispensáveis e obrigatórias? Quais são os estudos científicos que dizem que estas agora já não são necessárias?

Principalmente quando nos é dito que:

1. As vacinas não nos protegem a 100%, nem individualmente nem coletivamente.

2. Que é provável que com o frio a situação se agrave novamente.

3. Que podem surgir outras variantes do Covid 19, em relação às quais as vacinas atuais não nos protegem.

4. Que a gripe sazonal pode aumentar a propagação do vírus e a gravidade da doença.

5. Que com o aumento da circulação de pessoas dentro dos países e entre os países, a propagação do vírus pode aumentar e surgirem novas variantes. 

6. Que com o início do ano escolar pode haver outro surto, pois os estudantes estão grande parte do dia numa sala em que a circulação de ar é limitada, e que nos recreios e nalgumas atividades curriculares a maior proximidade e os pequenos ajuntamentos são inevitáveis.

7. Que é possível que as pessoas com mais de 65 anos, principalmente se tiverem outras doenças associadas, necessitem de uma terceira dose de vacinação, (e muitas delas têm netos).

8. Que se desconhece a eficácia da duração da vacina ao longo do tempo.

9. Que os países, em que foram abandonadas todas as medidas subitamente, tal como no Reino Unido, tiveram de voltar atrás.

Se os especialistas nos dizem isto, não será mais eficaz baixarmos a guarda progressivamente enquanto monitorizamos os resultados e solucionamos atempadamente o que possa surgir, de forma a podermos avançar de facto, de forma sustentada, sem retrocessos?

Parece que vamos fazer tudo para que uma terceira vacinação de toda a população seja inevitável. Quem é que ganha com isto? Nós não somos e o país também não!

O Vice-Almirante Gouveia de Melo, segundo a SIC, “fala em pressão para administrar terceiras doses, que é motivada por interesses comerciais”. Não será prudente e indispensável ouvirmos o que tem a dizer?

As obras da vergonha

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As calçadas entram num reboliço entre pedras e pó para serem reparadas, as estradas são cortadas, inclusivamente, nas horas de maior tráfego para serem pavimentadas.
Nasce uma rotunda aqui, marca-se o pavimento ali, coloca-se nova sinalização acolá.

O país entra num alvoroço de máquinas e obras, a vida dos munícipes, fregueses e transeuntes transforma-se num caos.
Alguns negócios passam mal, com as ruas fechadas e os camiões de terra estacionados à porta. Ficam sem clientes e depois recebem uma miserável ajuda que não cobre um décimo dos prejuízos.
E estas obras, tão nobres quanto necessárias, começam a ser realizadas, sensivelmente, dois ou três meses antes das eleições, para que o povo (que como se sabe tem a memória curta) se lembre da cor do partido que tão grande progresso trouxe para a terra.

E assim é, por três motivos.
Porque os políticos não têm nenhum decoro, porque o povo vê (mas finge que não vê) e, também, porque a lei o permite.
É neste ponto que talvez valesse a pena refletirmos, acima de tudo porque será o único que podemos controlar.
Na verdade, retirar a ingenuidade às pessoas ou dotar os políticos de alguma vergonha, não me parece uma tarefa fácil.
É por isso que deveria ser proibida a realização de obras no último ano de mandato de qualquer autarca. E desta forma evitávamos duas coisas.
Que se iludissem as pessoas e que o autarca seguinte (quando assim acontece)  não inicie o seu mandato com os “cofres mais vazios” e para que este não possa passar os três anos seguintes queixando-se da falta de verbas que, como sempre, surgirão novamente nos três meses que antecedem as eleições.

Infelizmente esta cadência é uma autêntica pescadinha de rabo na boca. Cada candidato usufrui de três anos em que pouco ou nada faz e depois, milagrosamente, a três meses de terminar o mandato, aparecem os projetos, o dinheiro e a obra feita.
E o pior é que eles sabem qual é a realidade.
E a realidade é simples. Um número significativo de pessoas não veem o que se passa e as que sobram fazem pouco barulho e estão a borrifar-se para a questão em apreço.

Bem sabemos que partidos e políticos comem todos do mesmo tacho.
Por essa razão, jamais aprovariam uma lei que impedisse a realização de obras no último ano de mandato e, para que tal não sucedesse, arranjariam mil justificações em tempo recorde.
Então que assim seja, que assim continue a ser tudo como sempre foi.
Resta-me a esperança de que um dia, os políticos acordem numa qualquer manhã e sintam a vergonha de nesta vida, que é apenas uma, terem sido tão poucochinho.
Resta-me também a esperança de numa destas eleições, as pessoas, através do voto, mostrem aos abutres que quem manda é o Zé Povinho.

A bazuca sem ética

A bazooka de Costa dispara que se farta. Cada tiro, uma mão cheia de votos. O desespero das oposições é notório. Em plena campanha eleitoral, trata-se de uma vantagem pouco ética, sem dúvida. Mas, se tivermos memória, sabemos bem que no passado nenhum outro político desperdiçou oportunidades semelhantes.

Na verdade, os candidatos socialistas nestas eleições autárquicas não têm culpa do timing do PPR da União Europeia. O dinheiro está a ser distribuído simultaneamente por todos os Estados membros. Só que em Portugal há eleições…

A Comissão Nacional de Eleições já censurou António Costa e lembrou-lhe o “dever de neutralidade” que lhe assiste como primeiro-ministro. Costa responde que não há como evitar falar de 7 mil milhões de euros de dinheiros europeus destinados a recuperar a economia e a sociedade.

Moral da história: não há moral na política. O cartoon é de Hélder Dias, como sempre.

Fumar haxixe e beber um copo de bom vinho

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O movimento pela legalização do consumo desta planta com propriedades psicotrópicas tem vindo a crescer e já abarca militâncias insuspeitas. Enfim, talvez a perspetiva de que tudo isto vai ser um grande negócio tenha animado algumas dessas figuras, entre eles antigos ministros de diferentes governos. É realmente um pouco estranho que pessoas como, por exemplo, Laborinho Lúcio ou Paula Teixeira da Cruz (antigos ministros da Justiça de governos PSD) estejam agora a alinhar na institucionalização do consumo das chamadas drogas leves. Alguma vez fumaram uma ganza? É possível que sim, embora nunca tenham declarado infrações à Lei desse teor.

Mas esses dois antigos ministros fazem parte de uma extensa lista de notáveis que assinaram uma carta aberta dirigida à Assembleia da República, onde argumentam razões para se legislar a favor da despenalização e enquadramento legal do consumo de canábis. Em resumo, a regulação “deve servir para defender a saúde e combater a criminalidade”,  que isso faça com que “o consumo migre do mercado ilícito para o mercado controlado”, a Lei deve definir a idade mínima de consumo, o teor máximo de toxicidade dos produtos, definir regras para cultivo e produção, instituir fiscalização rodoviária apropriada e informação aos consumidores sobre riscos de dependência e alternativas para o tratamento. Tal qual se faz com o vinho.

Mas não se julgue que isto vai permitir plantações não autorizadas, vasos de canábis na sala de estar, jardins privados ornamentados com a icónica planta. Tudo será proibido em nome  do princípio do combate ao mercado ilícito, “eliminando progressivamente o mercado ilegal de canábis e o crime económico-financeiro”. Ou seja, só pessoas ou organizações devidamente autorizadas poderão cultivar a planta e produzir a substância. Isso permitirá a recolha fácil de impostos. No final da conversa é mesmo o que mais importa.

Diferentes formas de consumo

A Cannabis sativa (nome científico) é uma planta originária da Ásia e da América do Sul,  pode ser usada para a produção de estupefacientes sob três formas distintas: “erva”, haxixe e óleo de haxixe.

A “erva”, formada por folhas e flores secas da planta, tem um efeito alucinogénico suave. Também lhe chamam marijuana, liamba ou maconha, consoante a zona geográfica. O consumo faz-se de um modo idêntico ao de um cigarro de tabaco ou cachimbo.

O haxixe é a resina obtida a partir das folhas e do caule, depois de prensada fica com uma consistência quebradiça. Normalmente é misturado com tabaco, num cigarro enrolado (charro) e fumado, mas também se pode comer, adicionado a alimentos.

O óleo da haxixe é produzido a partir da resina da planta, misturada com um solvente, que, após evaporação e filtragem, liberta um óleo espesso com cheiro a plantas podres. É consumido enrolado em mortalhas e fumado, geralmente misturado com tabaco.

O efeito mais imediato de um charro é a desinibição. As pessoas riem-se muito. A longo prazo e dependendo da frequência do consumo, podem surgir alucinações, alterações de humor exageradas e o desencadear de problemas mentais, em indivíduos com predisposição para tal. Tal e qual acontece com o consumo de alcóol.

Seja como for, o negócio tem pernas para andar e já está a andar. De repente, chovem artigos na imprensa evidenciando as propriedades medicinais da coisa. Dentro de pouco tempo, teremos programas de culinária na televisão dedicados a pratos confecionados com canábis. Nas estufas do litoral alentejano já se produz a planta.

Chegou a ‘bike’ eléctrica para todos

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A mais recente novidade em matéria de bicicletas elétricas vem da China. Claro! É um triciclo elétrico, mais fácil de conduzir para quem vai subindo na idade.
E é bom frisar que são  acessíveis, os seguros para bicicletas. Cada vez mais sólidas e com mais eletrónica.

Na Europa, em regra, são apenas permitidas bicicletas com 250 watts e sem punho de aceleração. Ao contrário das trotinetes, muito instáveis e de roda perigosa.

Pedalar com prazer e sem esforço

Adivinha-se para breve a aprovação de motores de 350 watts e com o maior aproveitamento do potência.
Isso permitirá dar pedais ao sonho de andar de bicicleta nas cidades europeias. Subindo e descendo as colinas de Lisboa com todo prazer… E sem esforço.

O pote de ouro escondido numa igreja do Chiado

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Há muitas lendas de potes com ouro. Mas este teria pertencido ao bispo Lidefonso mencionado em algumas inscrições em São Miguel de Odrinhas, perto de Sintra. Estávamos por volta do ano 700 depois de Cristo. Cerca de 14 anos depois, a península ibérica era invadida por povos árabes.

Perdeu-se o pote cuja origem se desconhecia, mas o assunto foi sempre murmurado. A história do tesouro arrastou-se até Dom Afonso Henriques fazer o cerco a Lisboa, narrado por um cruzado inglês, na Carta de Osberno.

Afonso Henriques passou Lisboa a fio de espada

Nessa altura, árabes, berberes, judeus e cristãos  viviam em razoável harmonia até chegar Dom Afonso Henriques.  A cidade foi então passada a fio de espada. Terão sido chacinados milhares de habitantes.

Para o novo rei o pote de ouro era a tomada de Lisboa.  

Mas a lenda não morreu, porque o povo sempre gostou de Euromilhões.  E assim, há poucos anos, o meu avô ainda falava no tal pote.  Disse-me que lhe tinham dito que estava na fundações da Igreja dos Italianos (de 1518), na parede da muralha Fernandina. Já por ali se fizeram muitas obras, mas nunca se achou qualquer pote.

Por João Carvalho – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2215911

O pote de ouro tornou-se real

Se ele fosse vivo, levaria agora o meu avô à rua da Misericórdia. Começávamos pelo pedaço da muralha, em cima do qual está o antigo centro comercial Grão Pará.  E acabávamos num grande pedaço, perto do Cais do Sodré,  onde Siza Vieira meteu em cima um edifício modernaço, coberto de azulejos toscos, que nunca utilizaríamos em lado nenhum.

Ele havia de sorrir, por ter razão. Afinal o pote de ouro foi descoberto por certas pessoas que nos comem as papas na cabeça. É uma sorte o Mosteiro dos Jerónimos ser tão alto.

Canais de televisão em “guerra de bichas”

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No amor e na guerra de audiências televisivas, vale tudo até tirar olhos. Depois da TVI ter afastado da pantalha um sociólogo que apelidou de “bicha desocupada” um concorrente de um dos reality shows do canal e de ter dito que  as manifestações de orgulho gay são “marchas da vergonha”, eis que a CMTV aproveita a oportunidade e contrata o mesmo tipo para vir a lucrar com este tipo de polémica.

O psicólogo em questão chama-se Quintino Aires, pelos tiques e trejeitos que evidencia, ele próprio é aquilo a que chama a outros, uma bicha. Mas não está desocupado.

Este drama abichanado já ultrapassou fronteiras. No Brasil, por exemplo, um site informativo noticiou a coisa, titulando de homofóbico o comentador Quintino, que argumenta dizendo que “usar a palavra ‘bicha’ em 2021 em Portugal, só é entendido como ofensivo por alguém com limitação cognitiva ou séria perturbação da personalidade. Eventualmente, apenas para fazer birra”.

Quando dispensou os serviços de Quintino, a TVI afirmou em comunicado que “perante o discurso proferido ontem no ‘BB Extra’ pelo comentador Quintino Aires, a TVI afirma que não se revê neste tipo de comentários. Esta é uma opinião do comentador e a TVI refuta qualquer comportamento ou atitude homofóbica, xenófoba ou sexista.” Chafurdando na mesma lama, a CMTV avança com a contratação de Quintino.

Este é o exemplo acabado do baixo nível da programação dos canais privados, uma pobreza de espírito e de intelecto que devia envergonhar as administrações e direções de programas desses canais.