“O Plantador de Abóboras” de Luís Cardoso, é uma das dez obras literárias finalistas que concorrem ao prémio Oceanos 2021.
A propósito deste seu livro, “O plantador de Abóboras”, falámos há não muito tempo com Luís Cardoso, em Oeiras, o lugar que ele escolheu para viver.
O prémio é sustentado pela instituição brasileiro Itaú Cultural e premeia obras de autores de língua portuguesa.
Este ano, a lista de finalistas do Oceanos inclui Mia Couto, Pedro Eiras, Gonçalo M. Tavares, Jeferson Tenório, Cristóvão Tezza, Santiago Nazarian, Maria José Silveira, Edmilson de Almeida Pereira, Thais Lancman e Luís Cardoso. Um moçambicano, um timorense, dois portugueses, 6 brasileiros, sendo que é a primeira vez que uma obra escrita por um timorense é selecionada para este concurso literário.
O prémio tem um valor pecuniário, o vencedor receberá o equivalente a 40 mil euros, aproximadamente, os segundo e terceiro classificados terão direito a 12 e 8 mil euros, respetivamente.
Creio que o primeiro falhanço tático foi a escolha de uma 2ªfeira para estrear a CNN Portugal. Devia ser hoje, domingo. Domingo de chuva e frio é dia em que todos estão em casa a ver televisão. Todos, exceto aqueles que já deixaram de ver televisão. Mas, enfim, também na net há mais gente nos dias em que não se trabalha e está a chover. Não inaugurar hoje é como quem falha o tiro de partida e só acorda quando os outros já lá vão.
Não sabemos se é verídico ou uma provocação, o cartaz de promoção do canal que utiliza a figura e o estilo de comunicar do treinador de futebol Jorge Jesus. De qualquer forma, com ironia, ninguém sintetizaria melhor o perfil de um canal de televisão dirigido por Nuno Santos.
Jornalismo “embedded”
De resto, o que se tem visto é a tentativa do novo canal cavalgar as virtudes da CNN americana. Na propaganda da CNN Portugal, as palavras mais usadas são rigor, isenção, credibilidade e os restantes qualificativos do costume quando se promete fazer jornalismo. O diretor do canal, Nuno Santos, diz que vão absorver “tudo que a CNN traz em termos de estilo, forma de abordagem, tratamento das notícias, forma de enquadramento”, como se tudo o que a CNN faz ou fez seja irrepreensível.
Enfim, em Queluz não relevam que foram os americanos e em especial a CNN os primeiros a adoptar o jornalismo “embedded”, termo que designa o jornalismo engajado num dos lados do conflito.
Fernando Cabecinha é o novo Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL). O GOL é a potência maçónica portuguesa mais antiga e numerosa, fundada há 209 anos. E é secreta ou discreta?
A maçonaria portuguesa, em rigor o GOL, diminuiu a sua intervenção no mundo profano, nos últimos três mandatos de Fernando Lima. 10 anos! Há quem diga que a maçonaria nada deve fazer. Porque quem deve actuar são os maçons na sociedade civil. Esta ideia foi contestada por António Arnault, pai do Serviço Nacional de Saúde e ex Grão mestre, que só quis fazer um mandato.
Cabecinha de presidente da Dieta a Grão Mestre
A eleição de Fernando Cabecinha para Grão Mestre, contra Carlos Vasconcelos, impede a continuidade. Fernando Cabecinha dirigiu nos último anos à Grande Dieta (parlamento maçónico) de forma exemplar.
Com Fernando Cabecinha acabou o ‘nim’, dizem muitos. E ganha força o secretíssimo essencial às actividades maçónicas. Em boa verdade, nada se sabe das decisões dos órgãos directivos do Benfica, PSD, PS, PCP, Conferência Episcopal ou Cáritas. São exemplos! Todos respeitam as leis, nem outra coisa seria possível.
O Serviço Nacional de Saúde do GOL
O GOL foi responsável por grandes conquistas cívicas, sociais e culturais. Destaca-se a revolução liberal de 1820, abolição da pena de morte em 1867, a implantação da República em 1910, o Registo Civil de pessoas ou Serviço Nacional de Saúde.
Sobre a recente lei que pretende que todos os elementos de sociedades secretas façam uma declaração de interesses, convém dizer que o GOL não tem existência legal. O que existe é a versão civil designada de Grémio Lusitano. E por isso os maçons do GOL nunca terão de declarar esta sua condição.
Maçons não podem revelar nomes
A declaração é um ato individual. Os maçons não podem revelar o nome de outros maçons.
O GOL continuará a empenhar-se, ainda com mais força na Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Agora é tempo de esquecer eleições e de congregar forças, como sempre, em torno do Grão-Mestre Fernando Cabecinha. Vem aí a revolução.
Abriram um buraco no meio do pátio interior do Palácio da Ajuda e destaparam um túnel que não se sabe de onde vem nem para onde vai. É certo que quando o Palácio começou a ser construído, já lá vão 226 anos, desenharam um projeto de arquitetura, mas quem consulta hoje esse documento? É uma questão retórica porque todos sabemos bem qual a resposta.
Por JOSÉ DA COSTA E SILVA – JORNAL DA ASSOCIAÇÃO DOS ARQUITECTOS CIVIS PORTUGUESES, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2766338
Quando um pedreiro abre um buraco no meio de um pátio de um edifício histórico, devia estar acompanhado por um arqueólogo. Alguém que saiba ler os sinais transmitidos pela alvenaria que a picareta parte ou pelas pedras que se soltam. Alguém que pudesse ter dito “alto!” a tempo e impedido que o teto do túnel fosse partido.
Lisboa tem muitos palácios e na maioria deles existem tuneis. No tempo do Marquês de Pombal foram construídos muitos desses tuneis, destinavam-se a servir de caminho para a água que chegava à cidade pelo aqueduto e ficava armazenada em tanques. Os tuneis eram um privilégio de reis, condes e marqueses que, assim, tinham distribuição de água nos domicílios e não precisavam de mandar os criados buscar água às fontes.
fotografia de um dos muitos tuneis existentes em Lisboa que serviam para fornecer água a residências de nobres.
O Palácio da Ajuda foi construído 40 anos depois do terramoto de 1755 e certamente foi equipado com tuneis por onde chegava a água que se consumia ali.
É possível que o túnel agora destapado no Palácio da Ajuda não passe de uma antiga levada para a água. Mas não precisava de ter sido escavacado.
Multiplicam-se os sinais de que alguma coisa não está bem entre Dina Aguiar e a RTP. Primeiro foi uma “boca” que a jornalista largou numa entrevista ao site Sapo. Nessa entrevista, Dina dizia que é “a pessoa com mais horas de antena“, mas que a RTP não valoriza esse facto. “Vou acabar por ficar na história da televisão, embora a RTP não valorize isso, não o referencie quando se faz a história da casa“.
Dina Aguiar é aquilo a que se chama um “móvel da casa”. Está na RTP desde os anos 80, já foi apresentadora de noticiários e de vários programas de informação, diários e não-diários. Como se sabe, nos últimos anos é ela quem apresenta o noticiário regional, Portugal em Direto, no ar de segunda a sexta-feira a partir das 17h30.
Dina Aguiar lamenta saída de Sandra Felgueiras
Não se trata apenas de despeito, Dina Aguiar voltou agora às críticas quando comentou a saída de Sandra Felgueiras, contratada pela CMTV. No Facebook, Dina disse que “a RTP perde um dos seus patrimónios“, a empresa pública “não valoriza nem defende o seu capital humano“. Na opinião de Dina Aguiar, “é um caso para dizer que ficamos mais pobres”.
Sandra Felgueiras sai da RTP, mas o que surpreende é que se tenha aguentado na empresa depois de, em 2019, ter protagonizado um conflito com a diretora de Informação, Maria Flor Pedroso. Sandra acusou Maria Flor de ter censurado um dos trabalhos do Sexta às 9 sobre a exploração de lítio e acusou-a também de ter informado uma amiga suspeita de corrupção sobre o andamento de uma reportagem onde essa pessoa estava a ser investigada.
Curiosamente e contra o que é habitual neste tipo de situação, Maria Flor demitiu-se de funções, mesmo tendo tido o apoio da administração da RTP, e Sandra manteve-se até hoje na empresa. Sai agora pelo seu próprio pé. Resta esperar para ver se Dina Aguiar sai a bem ou empurrada.
Os ânimos parecem estar um bocadito exaltados entre as deputadas Inês Sousa Real e Cristina Rodrigues. Há quem acredite que pouco falta para se esgatanharem e arrancarem melenas de cabelo uma à outra.
Tudo começou quando a dirigente do PAN foi confrontada com o facto de ser sócia de duas empresas agrícolas que utilizam estufas e praticam agricultura intensiva, acusação despoletada por um dirigente da CAP, a Confederação dos Agricultores de Portugal. Ao mesmo tempo que Inês tentava negar essas acusações, a deputada Cristina Rodrigues dizia sibilinamente que a procissão ainda ia no adro, aludindo à existência de outros escândalos que poderiam embaraçar a dirigente do PAN.
Nas redes sociais, Cristina não se coibiu de gozar com a situação. É uma forma de fazer política, malhar na adversária quando ela está fragilizada. Já vimos isto muitas vezes, noutros quadrantes políticos.
Ferida mas não derrotada, Inês (ou alguém por ela) decidiu, agora, revelar que há uma queixa crime contra Cristina Rodrigues, por “suspeita de interferência informática deletéria, abusiva e criminosa nas contas de correio eletrónico do PAN, da qual resultou um “apagão informático” deliberado de todas as comunicações eletrónicas enviadas e recebidas até 25 de junho de 2020”, indica uma nota que o PAN divulgou. Cristina Rodrigues é acusada de ter acedido aos emails do partido e de ter apagado anos de correspondência com o intuito de causar prejuízos ao PAN.
O caso remonta a agosto de 2020 e não deixa de ser curioso que seja agora divulgado. Pretender dissociar esta revelação ao problema que rodeia Inês Sousa Real será inútil, porque ninguém vai acreditar. Cristina Rodrigues saiu do PAN dois meses antes desta alegada invasão informática, mas na altura não houve nenhum eco sobre esta quezília.
Ao telemóvel não se consegue ver o sorriso da pessoa com quem falamos (e as vídeo chamadas estão pela hora da morte…) mas às vezes é possível adivinhar. Pelo tom, pela ligeira tremura na voz, pelo teor da conversa, o sorriso adivinha-se. E quase que apostava como a minha amiga estava toda sorridente quando me disse que “já sabia que o Rendeiro não estava na África do Sul”. Terá sido a Maria de Jesus a confidenciar-lhe que tinha fornecido à PJ uma pista falsa.
“Mas, então, onde está esse gajo?”, perguntei-lhe eu, temeroso que a minha amiga se esteja a deixar envolver numa trapalhada de todo o tamanho. “Não sei, nem quero saber. Disse logo à Jesus que não me dissesse mais nada. Assim, se a polícia me perguntar, não precisarei de mentir”, respondeu-me. Fiquei aliviado, confesso.
E mentir à polícia e ao tribunal, não poderá trazer mais problemas à mulher “abandonada”? Não necessariamente. Ela até pode continuar a mentir e dizer que não sabe, que foi enganada por aquele malandro, etc. Como a PJ não usa polígrafo, fica difícil saber ao certo se alguém responde com verdade às perguntas postas.
Estava nestas conjeturas quando me assaltou uma ideia maluca. E se o homem não foi assim tão longe? Andam à procura dele pelo Mundo fora, mandatos internacionais de detenção, a Interpol e o diabo a sete, mas será que procuraram debaixo da cama? Isto é, nas redondezas. Não digo na Quinta Patiño, mas quem garante que o tipo não está onde ninguém suspeita? Bastaria deixar crescer o bigode, usar uma peruca e já poderia ir tomar a bica no café da esquina sem ser reconhecido. Por acaso, há uns dias, vi passar alguém que me fez lembrar o Rendeiro, mas não liguei.
Mil anos antes de Cristo ter nascido já havia gente a habitar a região de Sintra. E não eram saloios. Eram celtas e outros que tais. Depois deles vieram outros, nem sempre a bem. Naqueles tempos, a espada e a marreta eram os “passaportes” mais utilizados. Na língua deles, os celtas diziam “cynthia” quando queriam dizer lua. No sítio onde hoje vemos o Castelo dos Mouros esteve um templo pagão à deusa Cynthia, a deusa Lua. A designação monte da lua vem desse facto histórico. O nome Sintra deriva da palavra Cynthia, a deusa Lua. Curiosidades que, hoje, de pouco valem. Mas saber isto também não ocupa espaço.
As orações, os cânticos, os rituais em honra dessa deusa não ficaram na memória do povo de Sintra. Ninguém quer saber de deuses menores, excepto os filhos desses deuses menores.
Há em Sintra pelo menos uma pessoa que passa boa parte da noite a olhar para o Monte da Lua. Quando a deusa brilha é o seu candeeiro da cabeceira da cama de cartão. Quando há luar, a deusa é a confidente de Ildefonso. E o que dizem os deuses aos mortais? Quem estuda a mitologia diz que os deuses foram criados para nos explicar as coisas da natureza que não têm uma razão científica. Como a maldade humana, por exemplo. Deve ser por isso que Ildefonso sorri quando Basílio chama a Polícia Municipal.
Flagelada pelas críticas, Inês Sousa Real diz em tom de lamento que “em política não vale, ou não devia valer tudo”, mas ela sabe que não é assim. O primeiro tiro veio de um dirigente da CAP, Luís Mira. Disse o homem que a deputada do PAN vive em contradição com a ideologia, proprietária de duas empresas agrícolas que praticam agricultura intensiva em estufa.
Inês chamou o tipo de mentiroso. Não são estufas, são túneis. Mas são de plástico e confundem-se com estufas, Inês. E em política, as aparências iludem.
Mentiroso ou não, Luís Mira veio a terreiro denegrir uma colega, o que talvez não seja ético. Afinal, ambos são agricultores. Mas um usa pesticidas sem remorso e ela evita-os.
Na verdade, a opinião pública não sabia desta costela de agricultora da líder do PAN. A maioria das pessoas julgaria que ela apenas tinha um cachorrinho de estimação e que vivia num terceiro andar das avenidas novas, em Lisboa. Mas, afinal, é uma mulher do campo. E nunca escondeu que era, mas ninguém vai ver a declaração de interesses dos deputados que está disponível no site da Assembleia da República. Lá constam as tais duas empresas com que Inês e o marido arredondam o rendimento familiar.
Mas a mentira pega com facilidade, como sabemos. E quando é uma mentira de ódio ideológico, pega e nunca mais descola. A coisa é repetida até à exaustão, sem dó nem piedade, até mesmo por aqueles que, aparentemente, não lucram nada com isso. Alguns políticos falhados que ganham a vida a fazer comentário político funcionam como repetidores de mensagens. E cumprem a função, com as “armas” disponíveis.
A agricultora Inês e a veraneante Joana, possivelmente ambas em Odemira
Quando uma adversária como Joana Amaral Dias entra na liça, percebemos como vai ser difícil Inês conseguir apagar esta nódoa que lhe colaram à pele. É que não importa o que se diz, importa como se diz. E a boa da Joana é eficaz. Já a Inês não se livra de um certo ar de sonsa. Life is a bitch, indeed.
“A letter to a penfriend” é o nome do texto que hoje disse às colegas que não iria dar aos miúdos do 8º ano.
Eles não têm penfriends, disse também, é ou foi uma realidade que já não lhes diz nada. Agora têm amigos online e não escrevem e-mails quanto mais cartas.
Na verdade, já ninguém escreve cartas. Eventualmente enviam-se postais, de natal ou de férias, quando se quer personalizar a coisa com palavras manuscritas para alguém de quem se gosta muito.
Escrevi cartas em miúda, para os meus avós no Alentejo. Revi-as há pouco, trazidas até mim para me avivar a memória familiar. Escrevi muitas para as minhas primas, na mesma região. Escrevi postais de natal, muitos, há muitos anos, e alguns até ser mãe e porque fazia questão.
Tive dois penfriends. O primeiro era um rapaz da Polónia. Chamava-se Zbigniew e estava desempregado, não era um adolescente e era 8 anos mais velho do que eu. A segunda era uma miúda da Grécia, lindíssima, chamada Vaso. Tanto um como outro sonhavam em sair dos seus países.
Ele procurava mesmo emprego fora da Polónia e a ocidente. Ela dizia que a Grécia era um país bom para os turistas. Ambos escreviam sobre preocupações e eram introspetivos. Eu era mais ligeira e sem tanta carga dramática, para o bem ou para o mal.
Nunca mais soube deles. Era giro reencontra-los por aí, no facebook, espelhando os tempos de hoje. Não faço ideia se emigraram. Conservo as cartas que recebi, numa caixa com registos escritos variados que guardei e guardo desde que me lembro.
Já ninguém escreve cartas. Não há tempo nem paciência nem é preciso, tendo em conta as alternativas. Porém sempre foi e poderá ser ainda emocionante receber uma.