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Votar pró boneco

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A única coisa que vai mudar com a repetição das eleições no círculo da Europa vai ser o aumento da abstenção e dos votos nulos. A esta hora, os emigrantes cujos votos foram parar ao lixo devem estar pouco convencidos a votar segunda vez. Até porque o voto deles não vai mudar nada de essencial. A maioria absoluta tem dono e isso não muda, votem eles ou não. Só não se sabe o nome de dois deputados… pffff.

Mas, na verdade, o Tribunal Constitucional não tinha alternativa. A lei que existe foi aprovada pela Assembleia da República e os partidos políticos têm obrigação de a conhecer bem. Essa e todas as outras leis, como é evidente.

Mas, se alguém for votar, pode ser que algum dos pequenos partidos consiga eleger um deputado… pode ser que os eleitores se “vinguem” da desconsideração e votem num “boneco” diferente. Quem sabe se o CDS não consegue eleger um deputado dos dois possíveis? Ou o Livre ou o PAN?

O alentejano esquiador

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José Cabeça em ação (foto partilhada do Facebook)

Chama-se José Cabeça e está na China, nos Jogos Olímpicos. Competiu na prova de fundo de esqui, 15 quilómetros de distância. Foi a primeira vez de Cabeça, demorou 49 minutos e 12 segundos… não só não foi o último a cortar a meta como foi o melhor resultado de sempre no esqui olímpico português.

Eram 99 esquiadores, José Cabeça chegou em 88º lugar. Nunca antes um português tinha feito melhor.

Como “esquiar” em Évora…

O que é mais fantástico é a história do melhor esquiador olímpico português de sempre. Há dois anos, a ver uma prova de esqui na televisão, teve o sonho de se tornar no melhor esquiador português. Nunca antes tinha sequer tocado na neve.

Se bem pensou, melhor o fez. À falta de neve, adaptou aos esquis umas rodinhas e vai de patinar (esquiar) pelas ruas de Évora. Uma história de espantar, de descoberta de capacidades inusitadas e um exemplo de perseverança, que já foi publicada em jornais e televisões de todo o Mundo…

Tanto treinou que conseguiu os mínimos olímpicos para poder representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim.

José Cabeça é um daqueles casos que nos leva a perceber que se pode nascer no sítio errado. Fosse ele norueguês e vivesse rodeado de neve todos os dias e seria hoje campeão dos campeões.

José Cabeça a “esquiar” em Évora. Foto partilhada do Facebook

Guterres, eclipse total

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A real importância do cargo de secretário-geral das Nações unidas ficou demonstrada, agora, com o conflito entre a Ucrânia e a Rússia. Com os Estados Unidos da América e a NATO ao lado da antiga província soviética, António Guterres não foi tido nem achado na mediação do conflito.

Russos e americanos ignoraram o secretário-geral. Dispensaram qualquer protagonismo de Guterres. Ignoraram, igualmente, o Conselho de Segurança, que nem para palco de negociações serviu.

Menosprezando o Conselho de Segurança, as chamadas super potências mandaram às malvas a Carta das Nações Unidas, que institui o Conselho de Segurança como órgão fundamental para a paz e segurança no Mundo, cujas decisões têm de ser respeitadas por todos os Estados membros.

Guterres, europeu e pacifista, ainda tentou ter voz nesta questão. Através da agência noticiosa Efe, o secretário-geral da ONU fez saber que estava“profundamente preocupado com o aumento das tensões e especulações sobre um possível conflito militar na Europa”, e que estava disponível para mediar o conflito.

Aparentemente ficou a falar sozinho. Biden, Putin & Cº Lda. farão guerra ou paz sem lhe passar cavaco.

Artur Albarran, morreu

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Artur Albarran foi uma figura televisiva inconfundível. Pelo timbre de voz, pelo sorriso “pepsodent”, pelo atrevimento. Fez quase tudo o que podia ser feito em televisão, desde apresentação de noticiários a programas de entretenimento, foi repórter, esteve nos três canais generalistas: RTP, TVI e SIC.

Começou na rádio, em Moçambique, passou pela imprensa escrita, teve uma carreira longa e bem sucedida .

Esteve doente nos últimos 10 anos de vida. Leucemia reincidente, covid-19, meningite. O ano de 2011 deve ter sido penoso. Morreu hoje. Tão novo, ainda.

Bandidos em ação, cuidado com o e-mail

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Depois dos ciberataques aos sites e serviços online do jornal Expresso, da SIC, dos laboratórios Germano de Sousa e da Vodafone, preparemo-nos todos porque os bandidos vão atacar tudo e todos. Andam desvairados.

E-mails de origem desconhecida mas bastante imaginativos, chegam com ameaças de escândalo caso não se pague um resgate: 500 €.

Reproduzimos aqui um desses emails.

Claro que a coisa só funcionará com alguns incautos ou com pessoas de consciência muito pesada. Também há aqueles que preferem perder 500 € a ter de enfrentar a fúria do/a cônjuge e da sogra. Não sabemos se há textos alternativos para os diferentes géneros ou se a coisa apenas pretende atingir heterossexuais masculinos. Se for assim, é uma injustiça.

Também seria interessante saber se a Polícia Judiciária anda no encalce destes bandidos ou se espera alguma dica do FBI.

Notaram o ligeiro “sotaque” brasileiro da chantagem…? Claro que pode ser um bandido russo ou chinês. Os americanos atacam em inglês.

A vida por um fio

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Isabel Bapalpeme foi evacuada para Portugal de urgência, ao abrigo do programa de cooperação internacional para a saúde. Estava a morrer. Tinha 15 anos quando uma tuberculose a apanhou numa aldeia, algures na Guiné-Bissau. Nunca foi tratada durante oito anos em que o corpo definhava cada vez mais. Até que chegou ao Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Curaram a tuberculose, mas precisa de um transplante dos pulmões. Dos dois pulmões.

Na espera pela oportunidade do transplante, passaram mais seis anos. Sozinha, num apartamento minúsculo quase sem mobília. Ali vive amarrada a um reservatório de ar por um tubo comprido. Consegue dar meia dúzia de passos sem ter de carregar com a botija de ar.

A família tentou anos a fio obter visto para se juntar à Isabel, para a ajudar a carregar o pesado fardo da vida. A embaixada de Portugal recusou sistematicamente esse visto. Até que o jornal Expresso publicou esta história e o ministro dos Negócios Estrangeiros mandou acabar com entraves e burocracias.  Mas faltava dinheiro para as viagens. Isabel sobrevive graças ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e ao apoio possível e imprescindível do primo Silvânio.

A enfermeira Carmen Garcia leu a reportagem publicada no Expresso. Respirou fundo, criou um crowdfunding e em poucas horas reuniu um pouco mais de 3 mil euros, o suficiente para a família de Isabel apanhar um avião para Lisboa.

A enfermeira Carmen tem um blog, A Mãe Imperfeita, e faz dele instrumento para motivar outras pessoas a apoiar causas de solidariedade. O caso desta jovem guineense é apenas um entre muitos outros que Carmen Garcia já ajudou a resolver.

Os anos de solidão de Isabel Bapalpeme estão a chegar ao fim.

(Carmen Garcia é a pessoa que está na 1º fotografia, à direita, Isabel Bapalpeme é a pessoa que está nas outras imagens)

Inês quer o partido pela trela e com açaime

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Demitiram-se dos cargos que tinham no partido, mas não desistiram da luta. Os que contestam a atual direção do PAN acabam de publicar um manifesto para forçar a convocação de um congresso extraordinário eletivo do PAN. O documento está disponível para leitura e subscrição dos filiados. Se o documento for assinado por 20% dos militantes, obrigará à realização do Congresso.

O PAN cresceu sob a batuta de André Silva e estatelou-se ao comprido com Inês Sousa Real. O primeiro soube passar a mensagem, foi convincente. A segunda revelou-se destituída de carisma, um erro de casting.

André diz que Inês é “muleta” do PS. Na verdade, Inês há muito que está na órbitra de personalidades ligadas ao PS, pelo menos desde que foi apadrinhada por Basílio Horta para diretora do contencioso da Câmara Municipal de Sintra. É verdade que Basílio não é bem um socialista, mas isso ainda piora a imagem pública de Inês.

A maior machadada na credibilidade de Inês terá sido o caso das estufas das suas empresas agrícolas, despoletado pelo secretário-geral da CAP.

A dirigente do PAN nunca foi capaz de convencer as pessoas de que as suas estufas não eram estufas, mas sim túneis. Serão túneis que se parecem com estufas. Foi-lhe fatal. E o PAN sofreu.

Depois das eleições, o descalabro eleitoral do PAN provocou fissuras profundas na estrutura do partido. Pelo menos 10 membros da Comissão Política Nacional apresentaram a demissão.

Foi uma espécie de “não conseguimos respirar”, asfixiados pelo joelho pesado de Inês Sousa Real. E saíram em sinal de revolta nomes sonantes como, por exemplo, Nelson Silva (deputado que substituiu André Silva), o porta-voz regional e deputado na Assembleia da Região Autónoma dos Açores, Pedro Neves, o porta-voz regional e cabeça de lista na Região Autónoma da Madeira, Joaquim de Sousa. Ou nomes menos sonantes como é o caso de Jorge Alcobia.

A revolta aconteceu depois de ter sido rejeitado um congresso eletivo para discutir de forma ampla os resultados eleitorais, as táticas políticas que conduziram à derrota eleitoral, a eventual responsabilidade dos que decidiram o rumo e a atuação do Partido.

Quando Jorge Alcobia se demitiu da Comissão Política Nacional, tornou pública a sua carta de demissão. “Considero que deveria ter havido, por parte da Porta-Voz, a assunção inequívoca da sua quota parte de responsabilidade nos maus resultados, nomeadamente pela fragilização em que colocou o partido com as explicações, nunca convincentes, relativamente às notícias saídas na imprensa. O que, num partido transparente, levaria à colocação do respetivo lugar à disposição”, escreveu Alcobia, entre outras razões que justificaram a sua tomada de posição.

É muito provavel que este argumento seja partilhado por todos os outros que também se demitiram. Inês Sousa Real acusa-os, porém, de “pôr interesses pessoais à frente daquilo que possam ser os interesses coletivos”, fala em “jogada manifestamente infeliz”. Mas a ideia que fica desta querela é que quem está agarrado ao poder é quem não se demite.

Gripe das aves ataca em Torres Vedras

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Dois centros de criação de galinhas reprodutoras estão infetados com o vírus da gripe das aves, acaba de confirmar a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Este é o terceiro caso detetado na mesma região. No passado dia 8 tinha sido noticiado o surgimento de um primeiro foco numa exploração aviária de Torres Vedras.

Segundo a DGAV, as explorações afetadas localizam-se em A-dos-Cunhados e Macieira, estando as medidas de controlo já a ser implementadas, ou seja, os animais estão a ser abatidos.

Foi estabelecido um perímetro de vigilância num raio de 10 quilómetros ao redor dos locais onde o vírus surgiu, de modo a tentar controlar a disseminação da doença.

No passado dia 15 surgiu um novo foco em Santarém, numa exploração aviária de Constância, depois de uma primeira ocorrência no mês de dezembro que matou vários animais em aviários domésticos, nomeadamente perus e patos.

Segundo os veterinários da DGAV, a doença é transportada por animais selvagens que contaminam as aves em cativeiro. Patos e gansos selvagens são frequentemente encontrados mortos e depois de analisados confirma-se que a morte se deveu ao vírus das aves.

Em comunicado, a DGAV apela a todos os detentores de aves para o cumprimento das medidas de biossegurança e boas práticas de produção avícola. A notificação de qualquer suspeita deve ser realizada de forma imediata, permitindo a adoção das medidas de controlo.

A gripe das aves surge sazonalmente, principalmente durante o Inverno. Recentemente, a China, um dos principais importadores de aves do Mundo, cancelou importações de frango brasileiro devido ao surgimento de vários focos desta virose no Brasil.

Iniciativa Liberal abre concurso para assessores parlamentares

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A confirmar-se a lisura de procedimentos e transparência de critérios, a Iniciativa Liberal arrisca-se a ser o primeiro partido da história da democracia portuguesa a contratar assessores políticos para o seu grupo parlamentar por concurso público.

A verdade é que a Iniciativa Liberal tem concurso aberto, convida todos os interessados a apresentar candidatura pelo email recrutamento@liberal.pt e os requisitos estão explícitos: gosto pela política, formação académica ao nível da licenciatura, conhecimento do programa político da IL.

Veremos quantos primos e enteados acabam por ser contratados. A Iniciativa Liberal tem sido o partido com maior imaginação e irreverência na mensagem política e o concurso pode inserir-se num qualquer fait-divers político. Mas também pode ser uma lição. Um caso a acompanhar.

Na próxima legislatura, a Iniciativa Liberal conta com um grupo parlamentar de 8 deputados.

João Real, menino ou monstro?

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Síndrome de Asperger é um distúrbio neurológico que pode implicar défice cognitivo em doses muito variáveis. Digamos que não há dois casos iguais. Défice cognitivo pode significar dificuldade de aprendizagem, de processamento de informação e de decisão sobre problemas a resolver. Ou seja, um “Asperger” vive numa realidade própria, mais ou menos próxima da nossa, mais ou menos parecida com aquilo que consideramos ser a “normalidade” ou a “realidade”.

João Real nasceu com essa circunstância de ter Síndrome de Asperger. Será ele inimputável face à Justiça? Poderá ser julgado e eventualmente condenado, sem se levar em linha de conta a sua condição de “Asperger”? A realidade para um “Asperger” tem a mesma dimensão da que outras pessoas apreendem? Isto é, será que vemos as coisas da mesma maneira?

Na dificuldade em obter respostas assertivas, procurámos saber o que pensam sobre isto pessas que vivem intimamente com o Síndrome de Asperger. Responderam-nos Rita Nolasco e Paulo Tavares.

Rita diz que “todas as pessoas são diferentes umas das outras, com os seus traumas e suas vivências. Autistas/Aspergers não se catalogam, são seres humanos todos diferentes uns dos outros com traços comuns, obviamente, mas que a vivência, a educação, os traumas os vão moldar como moldam qualquer ser humano. Não existem fórmulas. É preciso olhar para cada ser humano como um todo, tendo síndrome de Asperger ou não, todas as pessoas são únicas.”

Paulo diz que “é legítimo que seja julgado, mas como qualquer outro tem de se avaliar se está na posse das suas faculdades… Ser Asperger não me parece ser neste caso qualquer atenuante.” Paulo acrescenta que “um ‘Asperger’ não vê o mundo da mesma forma, mas ninguém vê. E cada caso é mesmo um caso. Não há uma resposta simples.”

Para Rita há que ter em conta se a pessoa em questão tem défice cognitivo e em que grau. Será esse o caminho que a Justiça terá de levar para poder julgar o caso deste jovem que, até aqui, foi tratado como um delinquente.

“Gostava que o juiz tivesse em conta o que tem de ter”, diz Paulo Tavares, que acredita que ser “Asperger” não irá despertar compaixão de um juiz. Mas a condição de “Asperger” tem de ser avaliada e validada pelo sistema de Justiça. Se alguma vez João Real se sentar no banco dos réus, o tribunal tem de saber ao pormenor quem está a julgar. Aliás, deveria ser assim com qualquer um.

Comunicado da APSA

Entretanto, a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger divulgou um comunicado onde diz que “a violência e a agressividade não são características da Síndrome de Asperger, pelo que não pode ser feita qualquer associação direta entre os atos de violência descritos pela Comunicação Social e esta síndrome”.

Na verdade, não há atos descritos nos media. Primeiro, porque o suspeito não os chegou a cometer. Depois, porque os media apenas têm feito eco das suspeições que constam no comunicado inicial da Polícia Judiciária, e em pequenas fugas de informação sobre o que consta no processo, mas sem grande critério jornalístico.

(artigo atualizado às 17:22)