A 18 de fevereiro comemora-se o Dia Internacional da Síndrome de Asperger. Esta síndrome é uma condição psicológica do espectro autista que dificulta a capacidade para interagir socialmente e realizar certos comportamentos.
Ser “Asperger” implica uma dificuldade acrescida, mas não é obrigatoriamente um entrave inultrapassável. Elon Musk, o empreendedor multimilionário dono da marca Tesla é “Asperger”, confissão do próprio num programa de televisão na América, where else…?
Bill Gates, da Microsoft, dizem que também. Greta Thunberg, a ativista ambientalista, deve ser das “Asperger” mais famosas da atualidade. A cantora Susan Boyle, idem. O grande ator Anthony Hopkins. Assim como João Real.
Na passagem da efeméride, muitas pessoas que têm alguma relação com esta questão falaram do problema e expressaram preocupações. Produziram muitos comentários nas redes sociais. Um deles dizia assim:
“Nas últimas semanas alguns fizeram, em horas, mais pelo mau caminho e pela desinformação nesta luta contra a diferença de quem é Asperger do que anos de luta pela integração, pela igualdade, pela inclusão, com a história do “terrível terrorista” que era Asperger e do qual já nem se fala… Dar a mão em vez de apontar o dedo é tudo o que vos peço.”
No comunicado que despoletou a histeria mediática, a Polícia Judiciária desconhecia a condição de Asperger do putativo autor de um acto de violência. A polícia evitou o que talvez pudesse ter sido uma ocorrência nefasta. Mas não evitou ser, ela própria, a despoletar a “bomba do terrorismo” sem fundamento, alarmista apenas, pouco rigorosa.
Qualquer um sabe que, mesmo quando é executado por “lobos solitários”, o terrorismo é consciente, racional, exige planeamento e, por norma, as ações são planeadas em grupo com hierarquia definida e alguma coesão ideológica entre os seus membros.
Há 9 dias, o advogado Jorge Pracana disse que ia pedir que o juiz de instrução reapreciasse o caso e alterasse a medida de prisão preventiva. Sabemos que a Justiça é lenta, mas gostariamos de ter notícias sobre o andamento do caso.
Ana Gomes incomoda muita gente porque dispara “chumbo grosso” sobre aqueles que considera serem “escroques”, “criminosos fiscais”, “vigaristas”, “corruptos”. Esquecida a diplomacia, Ana Gomes assume-se como ativista e investigadora contra a corrupção.
O problema é que com isto coleciona inimigos. Inimigos ricos, poderosos e com advogados às ordens para lhe moverem processos. O professor de Matemática Paulo de Morais vive com o mesmo problema. Ambos passam metade da vida a caminho dos tribunais, para responderem a processos movidos contra eles por difamação.
É o que está a acontecer agora com Ana Gomes. No Tribunal do Bolhão, no Porto, responde ao processo que lhe moveu o patrão da TVI e da Douro Azul, senhor Mário Ferreira.
Sem papas na língua, Ana Gomes repetiu no tribunal o que ela considera ser uma evidência: “quem comete crimes fiscais é um trapaceiro maior”. E Ana Gomes considera que já foi demonstrado que Mário Ferreira cometeu crimes tais. Em causa estão meandros do negócio que envolveu a transação do ferryboat “Atlântida”, investigações e buscas policiais relacionadas com a subconcessão do Estaleiros Navais de Viana do Castelo e de negócios de navios.
No Tribunal do Bolhão, Ana Gomes revelou que depois de um outro processo julgado no Tribunal de Peso da Régua, Mário Ferreira terá tentado uma aproximação: “Tentou comprar-me”, é a convicção de Ana Gomes. Mário Ferreira confirmou ter convidado a senhora para um encontro, mas com o objetivo de lhe dar os esclarecimentos e documentos que pretendesse.
Mário Ferreira disse estar convencido de que uma das razões para a animosidade de Ana Gomes foi ele ter tomado o controlo acionista na TVI, canal de televisão concorrente da SIC onde Ana Gomes tem sido comentadora nos últimos tempos.
Continuamos sem ver quaisquer imagens que comprovem a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. A NATO diz que há mais de 190 mil soldados russos nessa fronteira. Se os contou é porque eles estão visíveis. É porque os satélites, os aviões espiões e os drones conseguem captar imagens que possibilitam essa estimativa. Mas essas imagens não estão a ser fornecidas às televisões.
Quando a guerra começar, já sabemos que vamos ver as maravilhas da tecnologia militar em ação. As bombas inteligentes, os bombardeamentos cirúrgicos… como já vimos acontecer antes, noutras guerras, no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia.
Mas atenção. A Rússia não é um pais de cameleiros. Nem a China. E a Europa arrisca-se a ser palco de uma experiência que pode correr muito mal.
O embaixador da Sérvia em Portugal morreu hoje em Cascais. Oliver Antic tinha 72 anos e, segundo o online Cascais24, o embaixador atirou-se ao mar na Boca do Inferno.
Socorrido pelos bombeiros que destacaram um socorrista com a mota de água da estação Salva-vidas de Cascais, o embaixador foi localizado no mar ainda com vida, mas chegou morto à marina.
A mota de água utilizada para resgatar o embaixdor do mar. Fonte Cascais24
O Cascais24 cita uma fonte dos bombeiros, garantindo que “as equipas de socorro fizeram tudo por tudo, realizando durante cerca de uma hora manobras de reanimação, mas sem sucesso, acabando a vítima por entrar em paragem cardiorrespiratória irreversível”.
Há uma testemunha do ocorrido, o próprio motorista do embaixador. Foi ele mesmo a dar o alerta, cerca das 14 horas.
A Boca do Inferno é um local frequentemente escolhido para tentativas de suicídio. Infelizmente, na maior parte das vezes, é uma viagem sem retorno.
Segundo a agência Reuters, Oliver Antic nasceu em Belgrado e foi professor universitário antes de ingressar na carreira diplomática.
José Eduardo Moniz regressa à TVI pressionado pelos resultados pouco satisfatórios do canal. O negócio da televisão é semelhante ao do futebol. Se a equipa não vence, troca-se de treinador.
A contratação de Moniz significa que a administração da TVI pretende ir à guerra pela reconquista do prime-time. Significa também que a liderança bicéfala Cristina Ferreira/Nuno Santos não correspondeu às expectativas.
Com Moniz como diretor-geral, Nuno Santos fica como diretor de Informação do canal generalista e da CNN Portugal, Cristina fica com rédea curta no entretenimento. A TVI diz, em comunicado, que Moniz é reconhecido no meio televisivo pelo seu “carácter arrojado e ideias inovadoras”.
“Atento às tendências internacionais e grande conhecedor do mundo da televisão, José Eduardo Moniz terá um papel determinante na consolidação e manutenção do percurso que a TVI tem vindo a fazer ao longo dos últimos meses, com vista à liderança”. Está tudo dito sobre o que se espera dele.
Nas redes sociais, Nuno Santos e Cristina Ferreira ensaiam a performance do costume quando se tenta minimizar os prejuízos. Mas, nas entrelinhas, nenhum deles deixa de “picar” o novo chefe. Nuno lembra que é galo para o mesmo poleiro… e Cristina, na pose de namoradinha, não deixa de lhe chamar velho…
O comércio tradicional está a desaparecer, agonizam as pequenas empresas com lojas de rua e que não têm a mínima hipótese de entrar para um centro comercial. Ontem fechou mais uma velha sapataria lisboeta que estava classificada como “Loja com História”.
Há até lei que pretensamente protege este tipo de lojas e de comércio, mas a verdade é que não funciona. É a lei 42 de 2017 que no artigo 3º diz:
Proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local
1 – Compete aos municípios, nomeadamente no âmbito das suas competências em matéria de gestão urbanística e preservação do património, proteger e salvaguardar os estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, designadamente: a) Proceder ao inventário e reconhecimento dos estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, nos termos da presente lei; b) Comunicar ao Estado a identificação dos estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local reconhecidos ao abrigo da presente lei; c) Aprovar regulamentos municipais de reconhecimento e proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, nos termos da presente lei; d)
Lindas palavras, boas ideias, fracos políticos. É o que se pode dizer, perante os factos. Nos últimos anos desapareceram 150 lojas com história, diz a União de Associações do Comércio e Serviços (UACS).
O Duas Linhas já abordou vários casos de Lojas com História que desapareceram. Por exemplo, a Camisaria Pitta, que era onde o ditador Salazar mandava fazer as suas ceroulas. Ou a Viúva Lamego… ou a Casa Frazão… ou da leitaria A Camponeza… enfim, são muitos os casos de delapidação do património à conta de um tipo de desenvolvimento que acaba por descaracterizar a cidade.
Ontem, a sapataria A Deusa, na Baixa de Lisboa, foi despejada. A loja estava de porta aberta há 70 anos. Com o tempo, o negócio enfraqueceu. As grandes superfícies “não fazem prisioneiros”, matam tudo que lhes possa fazer concorrência.
O dono do edifício não é ninguém que tenha coração. É um fundo imobiliário estrangeiro. Meteram na Câmara Municipal um projeto para mais um hotel. Lisboa precisa de muita coisa, mas não será de mais hotéis. A Câmara bem podia chumbar o projeto. Veremos se o autarca tem peito para tal ou por quantas moedas se deixará convencer…
A tão falada “bazooka” de financiamento europeu pode ser, realmente, ferramenta para desenvolvimento social, nomeadamente nas questão de habitação social em que Portugal é altamente deficitário. Apenas 2% da construção de habitações se destina a equipamentos sociais, tudo o resto é negócio para empresas de construção e banca.
Na Amadora vai nascer um exemplo do que se devia fazer com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), popularmente conhecido por “bazooka”. Também lhe chamam “chuva de dinheiro”. Trata-se da construção de uma residência para estudantes universitários.
A Câmara Municipal da Amadora compromete-se a construir, quem paga é o PRR. Ganha o empreiteiro a quem adjudicarem a obra. Ganha o município que renova parque habitacional e atrai população qualificada. No fim da linha, ganham os estudantes que venham para o ISCTE ou para a Nova e que passam a ter condições de vida para se dedicarem ao estudo. Depois disso tudo, pode ser que o país também beneficie, se os miúdos depois de se formarem não tiverem de emigrar.
O protocolo tripartido entre a CM da Amadora, o Instituto Sperior de Ciências do Trabalho e da Empresa e a Universidade Nova foi assinado. É o primeiro passo.
Tudo acabou numa espécie de coito interrompido. Andámos dias e dias a ouvir as notícias alarmantes sobre os avanços bélicos dos russos. Só dos russos. Os outros são tratados como se fossem nossos amigos, nossos defensores e anjos da guarda.
Mas as notícias só falavam dos russos. Estranhamente, não havia imagens. Os americanos que fazem vídeos de tudo, das bombas teleguiadas a atingir alvos do outro lado do Mundo, que têm satélites que tudo vigiam, não foram capazes de dispensar uns segundos que fosse para divulgar as imagens da concentração de tropas russas na fronteira da Ucrânia.
E de repente… pffff. Cartoon de Hélder Dias alusivo a jornalistas excitados…
Primeiro, saber que um actor vai vestir a pele de 35 personagens – trinta e cinco! – desperta logo expectativa. 35? Como é possível? Depois, lê-se a história. E vem a pergunta: como se passa para o palco toda essa trama, de uma actualidade flagrante, para mais veiculada por tão sugestivo cartaz?
A história
Charlotte von Mahlsdorf é o pseudónimo, feminino, de Lothar Berfelde, alemão nascido a 18 de Março de 1928. Faleceu em 2002. Um travesti, portanto, que viveu, na República Democrática da Alemanha, durante o nazismo e sob o regime comunista. Seu pai, nazi convicto, quis fazer dele um combatente activo, incorporou-o na Juventude Hitleriana em 1942. Mas Lothar assumia-se como… Charlotte! Acusaram-na, também por isso, como delinquente; conseguiram o seu internamento psiquiátrico e chegou a ser condenada a quatro anos de prisão.
O clima de guerras por que foi passando permitiu-lhe adquirir e apossar-se, nas casas bombardeadas, de obras de arte – relógios, espelhos, roupas, móveis, fonógrafos, gramofones… – com as quais criou, na cidade de Berlim, em 1960, o Museu Gründerzeit, que passou a ser lugar de encontros, nomeadamente da comunidade LGBT. Teve o museu peripécias várias: usurpado pelo governo da RDA em 1974, devolvido em 1976, assaltado em 1991 por neonazis… e Charlotte mudou-se para a Suécia. Parte da coleção viria a ser adquirida pela cidade de Berlim e o museu foi reaberto em 1997.
Sim, lê-se a história. Emocionante, sem dúvida. Pejada quiçá de extravagâncias. Uma Charlotte de personalidade riquíssima. E… como é que todo esse drama foi passado a escrito pelo norte-americano Doug Wright, livro que obteve, em 2004, o Prémio Pulitzer, um dos mais altos galardões da literatura universal. Doug Wright teve oportunidade de falar amiúde com a protagonista da peça que estava a preparar e, por conseguinte, não é de admirar que tudo nos seja agora apresentado na primeira pessoa.
O palco
E vem a pergunta: como se passa para o palco toda essa trama, de uma actualidade flagrante?
Não conheço o original de Doug Wright. A peça foi estreada em 2003, pouco tempo depois de Charlotte ter falecido. O que ora nos temos no Mirita Casimiro resulta da tradução de Miguel Graça, da cenografia e figurinos de Fernando Alvarez e, sobretudo, da sublime garra da encenação de Carlos Avilez.
Um só actor e 35 personagens? Sim. Marco d’Almeida. Sem dúvida, desde já, o papel da sua vida, que desempenha com uma simplicidade inconcebível. Como é possível? Quase duas horas a conversar com os espectadores, a desdobrar-se noutros, sem notas dissonantes na voz, numa serenidade que só um grande actor pode assumir sem tergiversar!…
Ficamos rendidos!
É ele, Marco, de vestido preto, cabeleira branca, colar de pérolas, numa fala sem enfeites, plena de naturalidade. Nem nos damos conta, nem nos passa pela cabeça pensar se é mulher com voz de homem… Nada! Ficamos presos, que a história é contada assim, naturalmente.
Desta feita, houve pano de cena, o que é raríssimo no TEC – e também o pano entrou na encenação! E o actor aparece-nos como se jogasse às escondidas, afastando uma fímbria do pano por correr. Aliás, pela fresta negligentemente deixada aberta a meio, o espectador até se vai apercebendo, antes de o espectáculo começar, que há alguém a passear-se por entre os móveis, junto dos relógios de pé, dos gramofones, como que a acariciá-los, a limpar-lhes o pó, a retocar-lhes a posição. É Charlotte. É Marco d’Almeida.
Um espectáculo vive também do seu contexto, o cenário, dizemos nós. Nas peças do TEC amiúde é despojado o cenário em que os personagens se movimentam. Para que seja a personagem a mostrar-se. Aqui, porém, Charlotte mostra-se-nos na sua casa, em meio das suas peças de arte, do seu museu. Os outros que ela evoca são ela própria. De resto, o original chama-se «Eu sou a minha própria mulher», um título que até pode suscitar algum desconforto em quem apressadamente o lê e, sobretudo, a quem não assistir à interpretação de Marco d’Almeida.
Exacto: dignidade! Essa, a palavra que nos surge, após os aplausos, após vermos as suas lágrimas de emoção no final, ao presenciarmos o longo e sentido abraço de Carlos Avilez. Um espectáculo que a ninguém deixa indiferente e que – se a temática que envolve a ‘comunidade LGBT’ se apresenta duma actualidade premente – é susceptível de apontar soluções: as da dignidade!
Uma palavra ainda para o que se poderia designar de interlúdio: a cena esfusiante de um cancã, que poderá considerar-se como assumindo dois pretextos: o de desanuviar eventuais tensões geradas nos espectadores – e que bem que desanuviam!… – e o de permitir a participação de Carolina Faria, Filipe Feio, Hugo Narciso e Susana Luz. Mais uma vez, o trabalho conjunto de uma grande equipa que bem sabe o que faz!
Outra palavra para os pormenores: tudo ali (ouso afirmar) foi minuciosamente estudado. Não apenas, como é normal, a movimentação do actor, a tonalidade assumida da voz, o gesto contido, ora displicente, ora cheio de vigor, mas também o preciso (e precioso!) manuseio dos objectos espalhados pela sala, uma sala em que, mesmo sem o querermos, nós, os espectadores, acabamos por nos sentir e situar. O bilhetinho escondido naquela secreta ranhura, o objecto que sai de inesperada gaveta…
Os textos de apoio
Finalmente, leia-se a documentação proposta nas folhas do programa.
Carlos Avilez incita os jovens a apreciarem o Teatro, a fazerem Teatro, que «está naturalmente envolvido na reforma social e promove a união humana e um sentido de comunidade entre todos os que nele participam […]. O Teatro é revolucionário, grita contra a opressão e resiste sempre». Para Avilez, Marco d’Almeida, «o jovenzinho que apareceu na escola com aqueles olhos brilhantes e uma noção do que queria, ou seja, do seu amor pelo teatro», Marco d’Almeida é «um exemplo e um orgulho», «só um grande actor» como ele «poderia representar» esta peça «sempre e ainda com os seus olhos brilhantes».
Por seu turno, João Vasco evoca o sólido percurso de Marco, que ganhou uma bolsa da Fundação Gulbenkian para estudar em Londres e nos Estados Unidos, um «profissional rigorosíssimo, com uma enorme cultura, emprega estudo profundo aos seus personagens». «Por tudo isso», conclui, «admiro o seu enorme talento e sou fiel admirador do miúdo de mochila às costas, naquele ano de 1993».
Do testemunho de Marco d’Almeida, recorto os dois últimos parágrafos, que, como historiador, particularmente me tocaram:
«No final da peça, Doug Wright, o dramaturgo, pergunta-lhe se alguma vez ela deita fora peças do seu museu por estarem velhas ou danificadas. Charlotte responde-lhe que não. Devemos guardar tudo e mostrá-lo tal como é.
É importante mostrar o que foi a nossa História, sob o perigo de a esquecer. Ou reescrevê-la».
A ler também a entrevista que Justin Sanders fez a Doug Wright, em Março de 2021, para a revista Creativefuture. Ilustrada com instantâneos de Charlotte, ocupa as páginas 8 a 16 dos textos de apoio. Segue-se-lhe (pp. 16-29), sob o título «Retrato de um enigma», em tradução de Miguel Graça, o relato do relacionamento de Doug Wright com Charlotte, escrito em Outubro de 2003, recheado de informações acerca dessa vida plena de peripécias.
Enfim, foi tudo uma surpresa total! Pela personagem, pela peça, pela serena beleza que envolve este acutilante grito de alerta! Também quem diz não gostar de teatro deve ir ao Mirita Casimiro. Sairá de lá com um gosto bem diferente!
É um longo monólogo em quase duas horas de espetáculo, ao longo do qual o ator Marco D’Almeida interpreta múltiplas personagens.
A peça teatral recria a história verídica de Charlotte von Mahlsdorf, uma mulher nascida num corpo masculino que sobreviveu a dois regimes políticos tão distintos e tão próximos: o Nazi e o Comunista na antiga República Democrática da Alemanha.
Uma história notável encenada por Carlos Avilez, uma interpretação de grande fôlego de Marco D’Almeida e as participações especiais de quatro jovens atores da mais recente fornada da Escola Profissional de Teatro de Cascais: Filipe Feio, Carolina Faria, Susana Luz e Hugo Narciso.
Nenhum deles merecia menos que salas cheias de público e longos aplausos no final. Infelizmente, ontem à noite, a sala estava a 1/3 da capacidade. Pouca gente para tão magnífico espetáculo.
A peça estará em cena até 27 de março. Às 9 da noite, de 4ª a sábado. Domingo tem matinée.