A vida por um fio

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Isabel Bapalpeme foi evacuada para Portugal de urgência, ao abrigo do programa de cooperação internacional para a saúde. Estava a morrer. Tinha 15 anos quando uma tuberculose a apanhou numa aldeia, algures na Guiné-Bissau. Nunca foi tratada durante oito anos em que o corpo definhava cada vez mais. Até que chegou ao Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Curaram a tuberculose, mas precisa de um transplante dos pulmões. Dos dois pulmões.

Na espera pela oportunidade do transplante, passaram mais seis anos. Sozinha, num apartamento minúsculo quase sem mobília. Ali vive amarrada a um reservatório de ar por um tubo comprido. Consegue dar meia dúzia de passos sem ter de carregar com a botija de ar.

A família tentou anos a fio obter visto para se juntar à Isabel, para a ajudar a carregar o pesado fardo da vida. A embaixada de Portugal recusou sistematicamente esse visto. Até que o jornal Expresso publicou esta história e o ministro dos Negócios Estrangeiros mandou acabar com entraves e burocracias.  Mas faltava dinheiro para as viagens. Isabel sobrevive graças ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e ao apoio possível e imprescindível do primo Silvânio.

A enfermeira Carmen Garcia leu a reportagem publicada no Expresso. Respirou fundo, criou um crowdfunding e em poucas horas reuniu um pouco mais de 3 mil euros, o suficiente para a família de Isabel apanhar um avião para Lisboa.

A enfermeira Carmen tem um blog, A Mãe Imperfeita, e faz dele instrumento para motivar outras pessoas a apoiar causas de solidariedade. O caso desta jovem guineense é apenas um entre muitos outros que Carmen Garcia já ajudou a resolver.

Os anos de solidão de Isabel Bapalpeme estão a chegar ao fim.

(Carmen Garcia é a pessoa que está na 1º fotografia, à direita, Isabel Bapalpeme é a pessoa que está nas outras imagens)

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