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O preço do pão

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Fui ao supermercado, no caso foi o Intermarché. Fui apenas comprar pão. Já há vários meses que abdiquei de consumir o pão de que gosto mais, por causa do preço. Tenho comprado pão de forma, da marca do próprio Intermarché. Era o pão mais barato do mercado. E como não gostamos muito desse tipo de pão, era o que mais tempo durava. Aumentou 20 cêntimos, de um dia para o outro. Há 3 dias comprei a 79 e hoje paguei 99 cêntimos.Nunca fui boa aluna a matemática na escola, mas creio que isto significa um aumento de 25% no preço do pão.

Nenhum dos custos de produção aumentou 25%, acho eu. Talvez o gás tenha tido um aumento grande, pelo que oiço dizer. Mas 25% é demais, minha nossa senhora!!

Sei que o preço é livre, faz parte das belezas do capitalismo, mas há que ter alguma noção e responsabilidade social. Por acaso alguma empresa aumentou os salários nessa ordem de grandeza? Não precisam de responder, todos sabemos a resposta.

Então, fica aqui o meu protesto. Espero que o Governo tenha mão nisto. Se não tiver, muita coisa vai correr muito mal.

(Nota da redação: textos enviados por leitores poderão ser editados para se adaptarem à configuração do site, sem que se altere o teor da mensagem, assim como fotografias que acompanhem os textos. A identidade do leitor será sempre preservada, desde que solicitado.)

MÉDICOS não são SANTOS

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No momento em que muitos hospitais estão com problemas sérios nos serviços de urgência (em boa parte devido a reivindicações salariais e a saídas de médicos para o privado), vem à baila a investigação judicial que incrimina 20 médicos dos hospitais do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central num esquema de viciação do controlo de assiduidade.

Muitos médicos escolhem a profissão na expetativa de virem a ganhar muito dinheiro e, assim, alguns acabam por entrar em esquemas ilegais para conseguir aquilo que a ciência ainda não alcançou: estarem em sítios diferentes ao mesmo tempo.

Neste caso, picavam o ponto uns dos outros e ganhavam salários de dois empregos, acumulando o serviço nos hospitais públicos com consultórios ou clinicas privadas, no mesmo horário de trabalho.

Médico – Salário médio

O salário médio de um médico em Portugal é de 3510 € por mês (46 160 € por ano), 2200 € (+168%) acima da média salarial portuguesa. A remuneração de um médico pode começar com um salário base médio de 2750 € por mês, enquanto o salário máximo pode exceder 5000 € por mês. fonte Quanto ganha um Médico? (salário 2022) | Jobted.pt

O esquema mais tornou-se difícil de contornar, a partir do momento em que o controlo de presenças passou a ser feito através de um sistema biométrico de impressão digital. O sistema anterior era de mera introdução de uma password no computador.

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central possui cerca de 2 mil médicos, num total de 8300 profissionais de saúde, e muitos deles circulam por seis unidades: Hospital de São José, o Hospital Curry Cabral a Maternidade Alfredo da Costa, o Hospital de D. Estefânia, o Hospital de Santa Marta e o Hospital dos Capuchos. Ou seja, médicos incumpridores não afetam apenas o funcionamento de um único hospital.

SALVAR A ANTIGA MESQUITA DE LISBOA

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Não é novidade que a Sé Catedral de Lisboa está em cima de uma mesquita antiquíssima, do tempo da ocupação islâmica da Península Ibérica e também não é novidade que existem dois projetos em rota de colisão: um que promove o soterramento e destruição dessas relíquias arqueológicas e outro que pretende preservá-las e permitir que se usufrua dessa riqueza.

O primeiro projeto alega que está em causa a estabilidade da Sé Catedral, que precisa de obras de reforço para que a estrutura não possa entrar em ruina. O segundo projeto defende que uma coisa não impede a outra e é possível preservar tanto a mesquita como a igreja católica.

Ontem, um grupo de gente preocupada com essa preservação patrimonial formou um cordão humano à volta da Sé Catedral, numa manifestação que apela ao engenho científico para que a questão deixe de ser discutida com premissas dogmáticas ou outras.

Há já mais de 20 anos que os primeiros vestígios da mesquita foram destapados, em obras de manutenção nos claustros da Sé Catedral. De então para cá, a dimensão e a importância da mesquita que a igreja esconde não deixou de espantar os que se interessam pelo assunto.

Os arqueólogos  dizem que “não se pode destruir um elemento patrimonial tão importante, do ponto de vista histórico, patrimonial, da cidade de Lisboa; é impossível aceitar uma coisa dessas, principalmente no âmbito de um projeto que o visa valorizar. É uma contradição absoluta e inaceitável”.

Ideias que contrariam a vontade expressa pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC) que prefere desmontar as estruturas encontradas nas fundações da Sé Catedral, alegadamente para garantir a estabilidade do edifício.

CARTA ao PRESIDENTE da REPÚBLICA

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Já há muitas semanas que o Presidente da República deixou de exibir medidas preventivas relacionadas com a pandemia. Deixou de usar máscara, voltou aos beijinhos e deixa-se envolver por multidões de desconhecidos, tal e qual fazia antes dos confinamentos.

Nas festas de São João, apareceu no Porto “rodeado de uma multidão eufórica, sem máscaras, em convivência sã.” A constatação consta de uma carta que a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) enviou ao Presidente, congratulando-se com os festejos.

Festas de São João, Porto 2022

No entanto, diz a APAR, “a meia dúzia de quilómetros, escondidos por muros altos, os reclusos do Estabelecimento Prisional do Porto (vulgo Custóias) assistiram com surpresa e revolta a esses festejos.”

“Revolta” e “surpresa” porque, lê-se na carta, a pandemia continua a ser a desculpa utilizada para justificar a manutenção de medidas restritivas. Medidas que a APAR classifica como “extraordinária série de ilegalidades”.

Na carta, a APAR destaca a diminuição drástica das visitas de familiares, com redução do número de visitantes e da duração das reuniões com cônjuges e filhos, e a exigência de apresentação do comprovativo da vacina anti-covid (mesmo se a vacina não é obrigatória) para a autorização de realização de visitas íntimas.

Realmente, nenhuma das sentenças até hoje ditadas pelos tribunais portugueses implicam a supressão de direitos aos condenados, com excepção da liberdade. Ou seja, as leis da República também se deviam aplicar no interior das cadeias portuguesas.

As colónias da Espanha em África

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Na passada sexta-feira, houve mais um assalto massivo organizado de milhares de pessoas que tentaram forçar as vedações que delimitam a entrada no pequeno território de Melilla. Seriam cerca de duas mil pessoas. No dia em que forem 20 mil, nada os conseguirá deter.

A violência na defesa das fronteiras foi ao ponto de a polícia espanhola ter morto 18 pessoas. E há muitas outras feridas com gravidade. Noutras circunstâncias, a isto chamar-se-ia massacre. É evidente que a morte de pessoas a esta escala tem um grande impacto político. Curiosamente, na Europa dos direitos cívicos e políticos não se nota… O mesmo não se passará nas opiniões públicas marroquinas, argelinas, tunisinas, líbias ou egípcias.

Ceuta e Melilla vivem num casulo feito de arame farpado, vedações eletrificadas, militares e polícias. Um muro que vai até ao mar. Nada que faça a felicidade das pessoas que ali vivem, tanto de um lado como do outro da cerca.

O reino de Marrocos nunca usou a força para reaver os territórios, colonizados pelos europeus desde o século XV. Mas Espanha fechou as fronteiras devido à imigração.

A questão de Ceuta e Melilla faz parte de um delicado equilíbrio geopolítico da região do Mediterrâneo e norte de África, onde se jogam os interesses de Marrocos na ocupação do Sahara Ocidental, os interesses do Reino Unido na manutenção da colónia de Gibraltar (em território reivindicado pela Espanha) e os interesses de “nuestros hermanos” nos dois enclaves que estão em território marroquinos.

Até aqui tem valido um entendimento “cordial” entre as partes, mesmo se Espanha e Reino Unido já antes “azedaram” as relações por causa de Gibraltar e Espanha e Marrocos quase se zangaram por causa do Sahara Ocidental.

Mas, de repente, tudo pode mudar. Como temos assistido noutras partes do mundo. No norte de África, basta que surja um líder que faça marchar as hordas de miseráveis sem medo e sem nada a perder.

MÃOZINHA de ZELENSKY

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Uma série de sinistros que estão a acontecer na Rússia, levam as autoridades do país a suspeitar que os ucranianos estão a dar início a uma guerra de guerrilha dentro do território russo.

A confirmar-se, será uma tática ofensiva que expande a guerra para lá o território do inimigo.

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Zédu já morreu

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A morte raramente traz alegrias a alguém, mas não é o caso. Adivinham-se felizes reuniões familiares, jubilosas manifestações de rua, Moet-Chandon a rodos em alguns esconsos políticos, um pouco por toda a Angola.

Claro que alguns chorarão. A família enlutada e os afilhados enriquecidos pelo regime. Mas o testamento está feito, a família não ficará mal e o tempo depressa fará esquecer o desgosto. Os afilhados continuam nos galhos do poder, sempre prontos para assaltar a moamba do povo.

De facto, Zédu já morreu politicamente, deixou de existir quando resignou a favor de João Lourenço, em 2017. Mas a morte física é um marco simbólico forte.

Pode ser que a oligarquia e ministros percebam que também morrem como os outros e o que fica deles é a memória que deixam. Zédu será lembrado como o grande cleptocrata.

E pode ser que o povo perceba que não pode esperar toda a vida que oligarcas e governantes corruptos morram de velhos. É que eles vão ao médico, em Paris, Barcelona, Nova Iorque, Lisboa e demoram a morrer.

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS apresenta notícia sobre ele próprio

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Depois do lançamento feito pelo apresentador, a reportagem começa com a frase “ainda não é, mas dentro em breve será…” blá blá blá. Ou seja, ainda não é notícia, ainda não aconteceu. É um projeto, quanto muito. Talvez seja interessante sabermos coisas sobre esse projeto, mas não se trata de uma notícia. É uma informação. São coisas diferentes, apesar de tudo.

Com isto quero dizer que a autopromoção da RTP sobre a adaptação do livro “O Codex 632” não é coisa para se enfiar num alinhamento noticioso.

A discussão grassa nas redes sociais sobre se o José Rodrigues dos Santos deveria ter apresentado uma notícia em que é parte interessada. A questão é pertinente sob o ponto de vista da ética e até da deontologia da profissão de jornalista. Não deixa de ser estranho vermos o jornalista-apresentador a ser foco da notícia que ele mesmo apresentou. Parece-nos evidente que é coisa que não deveria ter acontecido.

recorte do Facebook

Esta questão poderia ter sido evitada se tivesse havido algum pudor prévio, tanto da Direção de Informação da RTP, do próprio José Rodrigues dos Santos ou dos restantes jornalistas da redação. Um jornalista não devia aceitar ser utilizado como pau mandado. Mas a coisa foi pensada, envolveu a correspondente em Madrid e uma entrevista prévia ao evento com o autor, gravada em Lisboa e incluída na peça da Ana Romeu. Em último caso, na reunião de alinhamento desse dia, a reportagem deveria ter sido rejeitada.

Nada contra sinergias entre a RTP e atividades extra de quem lá trabalha. O José Rodrigues dos Santos podia ter ido ao excelente programa “As Horas Extraordinárias”, falar com a Teresa Nicolau sobre as coisas fantásticas que acontecem aos livros que escreve nas horas vagas.  E não haveria sururu. Mas, se calhar, é por isso…

O Estado somos nós

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Estou a escrever este texto na óptica de uma cidadã que nem sequer vota PS e que, quando trabalhava em redacções de jornais, só integrou a secção de Política durante seis meses.

Lembro-me de um velho amigo dos meus pais que, desde tempos anteriores ao 25 de Abril, se referia a ‘eles’ sempre que queria responsabilizar alguém por alguma coisa: ‘eles disseram que ia chover’, ‘eles não nos dizem o que se passa’, ‘eles fizeram uma Revolução’, e assim sucessivamente. Um dia perguntei quem eram ‘eles’. Olhou-me com ar de espanto e respondeu: ‘O quê? Não sabes? Eles são eles…’

Sinto-me como nos meus 12 anos, quando ouvi aquela resposta. Só que hoje consigo perceber mais do que naquela altura e pergunto-me se tantas pessoas ainda se mantêm nos 12 anos. Quer isto dizer: até à semana passada, por causa de Orçamento de Estado para a frente e para trás e de eleições antecipadas, finalmente o OE foi promulgado. Significa isto que até Junho – durante seis meses – vivemos de duodécimos. Nós vivemos de duodécimos. O Estado viveu de duodécimos. Nós somos o Estado, porque sem os nossos impostos não havia Estado!

Aparecem alguns iluminados a pedir a demissão da ministra da Saúde porque não paga mais aos médicos, a estes e àqueles. Não gosto nem desgosto da senhora. Não a conheço, mas reconheço que nos piores momentos da pandemia eu não gostaria de ter estado no seu lugar.

Na linha de que o Estado somos todos nós, a título de exemplo, recordo o que se passa com o fim das taxas moderadoras. Sou contra! Havia pessoas que estavam isentas por terem menos rendimentos e as com mais posses pagavam quantias que nem sequer eram elevadas. Querem que se pague mais aos médicos e que, por outro lado, seja tudo gratuito? Não podemos todos contribuir com pouco que seja?

Soube-se agora que há muitas vagas por preencher nos hospitais públicos porque os ordenados são baixos. Seria bom apurar quem são os médicos que, tendo exclusividade, fazem serviço para os privados ou em consultórios particulares. Têm necessidade? De quanto precisam para viver com dignidade, tendo em conta o investimento profissional que fizeram e o trabalho que desenvolvem, não esquecendo o custo que representaram para o Estado? E, já agora, que tipo de formação se dá aos mais jovens que tratam desabridamente os doentes, mesmo que eles sejam médicos mais velhos ou antigos colegas.

Recentemente, do alto dos seus 35 anos, um médico da urgência perguntou-me se eu não sabia que ‘o tempo do João Semana já acabou’. Limitei-me a dizer que a sua resposta era muito, muito triste.

Portugal não é um País assim tão grande e cada região tem um hospital. Na maioria dos casos, se um está sobrelotado, não será difícil recorrer a outro.

Falar em ‘caos’, ‘escândalos’ e ‘crises’ só interessa mesmo a uma certa comunicação social. Claro que há casos a lamentar. Mas esses não são, felizmente, a maioria e, por muito que nos queixemos do Serviço Nacional de Saúde, a verdade é que melhor ou pior nos serve a todos.

Atrevo-me ainda a acrescentar que as momices do Presidente da República e a sua capacidade de manipulação só ajudam a todo este estado das coisas. Afinal, quando o mais alto representante do Estado faz a figurinha de beijar a barriga de uma grávida está a querer dizer o quê, quando uns dias antes houve uma morte de uma criança, aparentemente por falta de um obstetra num hospital?

Há dois dias uma criança foi brutalmente assassinada em Setúbal. De súbito, toda a Comunicação Social se lembrou das Comissões de Protecção de Menores, o que sucede sempre que há uma tragédia desta natureza. As CCPJ, como é sabido, não têm mãos a medir para acorrer a todas as necessidades, além de que precisam do acordo dos pais para intervir, caso contrário o processo transita para o Ministério Público como, de resto, aconteceu nesta situação em concreto.

Mas o que é revoltante é ouvir os vizinhos e familiares dizerem que a criança era maltratada e queixarem-se da mãe. Então não comunicaram a situação às autoridades competentes? Demitiram-se das suas obrigações de cidadãos e de familiares? Em minha opinião, são todos cúmplices deste crime que vitimou uma menina de três anos.

Reitero: o Estado somos nós e se este tem obrigações, nós também temos responsabilidades, seja ao seu serviço, seja na denúncia dos crimes públicos que presenciamos e atingem os mais fracos e vulneráveis.

JUDITE DE SOUSA, o segredo

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Judite de Sousa, a extraordinária “senhora TV”, criou uma bolsa para apoiar jovens estudantes em dificuldades económicas. Notável!

A verba é canalizada para a SBE – Escola de Economia e Gestão da Universidade Nova, e é um tributo ao seu filho André que morreu em circunstâncias trágicas. Todos os anos há um estudante sem recursos económicos que pode estudar o mestrado de Economia da Nova graças à bolsa criada pela jornalista.

A jornalista Judite Sousa é uma mulher difícil no trato entre camaradas trabalho. E por isso tem sido muito criticada. Mas foi sempre combativa e corajosa. Recordo grato a sua ação destemida como membro do Conselho de Redação da RTP, ao lado de José Rodrigues dos Santos. 

Judite de Sousa sempre foi, infelizmente, acossada pelos invejosos e maldizentes. Quem não se lembra da Judite colada às paredes dos corredores da RTP, cabisbaixa, de olhos marejados e voz embargada, como se fosse um trapo abandonado pela vida e pelo amor?

E depois, a surpresa era brutal quando subia e sobe ao palco das notícias. Assertiva, sem dó nem piedade. A não ser com Marcelo Rebelo de Sousa. Mas pronto!

É uma mulher singular, filha de um militante comunista. A sua grandeza mede-se no nobre gesto ao criar a bolsa de estudo. Um segredo bem guardado durante oito anos. Até agora.

Um exemplo para todos, num país de egoístas.