Era na Versailles que Assunção gostava de esquecer as suas origens democráticas e transmontanas, pelo modo como falava com os empregados: “ Foi isto que lhe pedi?!“
Foi no tempo que Assunção Esteves abjurava Passos Coelho e queria pôr em prática o “projeto de visita da sociedade civil sem aviso” a sítios obscuros. Como prisões, infantários, lares, colégios especiais, orfanatos e mais sem número de organizações que vivem para lá dos nossos olhos. E do escrutínio imediato das instituições da nossa sociedade democrática.
Reforma dourada por inteiro aos 42 anos
Estudei Direito ao seu lado, andei pelos mesmos corredores e soube do seu dedicado pai, alfaiate, que lhe arranjou emprego num Ministério, que ela desvalorizou: “era o que faltava!”.
Mas foi à boleia da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva para a Assembleia da República. Depois veio a revisão da Constituição de Jorge Miranda, para ela que tinha estudado essa improvável matéria.
Mas as suas modestas origens transmontanas e o queimar de pestanas foram coisas arrasadas pelas alcatifas de São Bento. Tornou-se insensível. A cereja em cima do bolo foi a reforma por inteiro aos 42 anos, depois de 10 anos no Tribunal Constitucional.
Os lares, orfanatos, colégios especiais ou as prisões continuam a ser notícia pelas piores razões. Mas Assunção Esteves apenas lê jornais alemães. E sabe logo pelas roupas qual é a fila no aeroporto para o avião rumo a Portugal!
Que desilusão, Assunção! Há 24 anos a viver no “bem-bom” à conta do orçamento!
A Procuradoria Geral da República enviou para o magistrado do Ministério Público coordenador da Comarca de Vila Real, uma queixa de reclusos que se dizem vítimas de agressões físicas de guardas prisionais no Estabelecimento Prisional de Chaves.
A denúncia foi feita no início de junho através de uma carta da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) endereçada à PGR.
Num comunicado divulgado a 22 de junho, a APAR recorda que “um dos sindicatos do corpo da guarda prisional emitiu um comunicado refutando as acusações, e dizendo que a nossa denúncia era uma descrição completamente falsa dos factos (pelo que iria interpor ação judicial com vista a uma indemnização cível), mas sem informar quais eram os factos verdadeiros”.
A APAR acrescenta que “continuará a solicitar à Procuradoria-Geral da República que mande investigar todas as queixas de agressões”, independentemente de pressões e ameaças e que “o clima de medo, por parte de reclusos, e de impunidade, para os agressores, tem de terminar nas nossas cadeias”.
Estava bem patente no rosto de todos a enorme alegria do reencontro. Pessoas que trabalham na mesma instituição mas em secções separadas, amigos e amigas de longa data, que – por causa da epidemia – há anos que se não viam…
Foi por isso agarrada com unhas e dentes a oportunidade facultada pela Presidência da União de Freguesias Cascais Estoril de, sob amplíssima tenda montada no recinto do União Recreativa da Charneca, se reunirem todos para a já tradicional sardinhada, que a epidemia impedira de concretizar nos dois anos anteriores.
Opinião geral foi que a iniciativa resultou em pleno. Não só porque as sardinhas e os carapaus resultaram assados a preceito por mãos experientes, mas também porque o Executivo presidido por Pedro Morais Soares soube reunir largo punhado de boas vontades, criando um perspicaz e eficiente grupo de voluntários que nada deixaram faltar. Novos e menos jovens deram as mãos – e tudo correu a preceito!
Franja populacional privilegiada era constituída pelos utentes dos centros de dia; e foi de modo especial para eles que, no final da confraternização, Toy, com o seu jeito, cantou e encantou. Mas a esses seniores se juntaram elementos de todas as idades em representação de escolas e outras instituições públicas da freguesia.
O dia – quarta-feira, 22 – amanhecera cinzentão, a ameaçar chuva; mas, a partir do meio-dia, o sol apareceu e não mais deixou de sorrir! A acompanhar o sorriso de felicidade de quantos tiveram ensejo de, muito descontraidamente, participar na iniciativa!
Não tragam as crianças portuguesas presas na Síria para Lisboa, se for para fazer a patifaria dos belgas. Repatriaram as mães e os filhos. E já em Bruxelas deram as crianças à segurança social e meteram as mães na prisão.
Não se sabe quantas crianças portuguesas filhas de jihadistas estão ainda na Síria. Julga-se que sejam 20, acompanhadas dos respetivos pais.
As operações em Portugal estão sempre rodeadas, e bem, de grande secretismo do Grupo de Operações Especiais da PSP, muito bem-sucedido desde há 40 anos e com grandes elogios europeus.
Vão, mas não façam a asneira dos belgas. As crianças querem-se com os progenitores. Todos nós já fomos crianças. Temos opinião fundamentada.
27 mil crianças presas com as mães
A guerra na Síria foi um logro. E está quase tudo por explicar.
Algumas perguntas: O “califado” sustentava-se apenas num alegado exército montado em pick-ups? Onde estão os restos desse temível exército depois extinto?
Quem foi ao engano, já sofreu bastante. Tragam de volta as famílias portuguesas e por favor deixem-nas em paz!
Através da UNICEF chegam rumores de 27 mil crianças presas com as suas mães em condições sub-humanas nos campos de deslocados e prisões no nordeste da Síria. E desde há três anos, após a queda do último bastião do grupo Estado Islâmico ou Daesh, Boukamal.
Portugueses Cassino e Rómulo condenados
A Amnistia Internacional revelou que dezenas de crianças são obrigadas a trabalhar no duro. E a ONG Save the Children relata assassinatos de crianças em 2 campos, onde vivem 56.000 refugiados, metade com menos de 18 anos de idade.
O campo de Al-Hol têm uma divisão, o “Anexo”, onde estão mais de 600 mães e crianças europeias, segundo o Instituto Egmont, de Bruxelas.
Salvem-se aquelas crianças. E não se repita a condenação dos portugueses Cassimo Turé e Rómulo Costa por apoio, auxílio e colaboração com o terrorismo islâmico na Síria. Um deles cumpre 9 anos de cadeia, o outro 8 anos e 6 meses. Penas estúpidas para quem não tem nenhuma importância. Haja perdão, caridade e… bom senso!
Tornados violentos, inundações apocalípticas, incêndios florestais devastadores, abalos sísmicos mortais, pedras de granizo que caem do céu. Cientistas dizem que a natureza nos está a avisar…
O endereço da embaixada dos EUA em Moscovo acaba de ser alterado. Agora, o carteiro só entrega cartas que tenham a nova morada: Praça da República Popular de Donetsk, 1.
A mudança toponímica foi supervisionada pelo vice-Presidente do Parlamento russo, Pyotr Tolstoi.
Agora, todos esperamos para ver como os americanos vão retaliar.
Isto acontece depois da Lituânia, Albânia e Letónia terem mudado os respetivos endereços da embaixada da Rússia. As ruas agora ostentam nomes como Heróis da Ucrânia, Ucrânia Livre e etc.
Também em Lisboa há quem se tenha lembrado de entrar na brincadeira. O partido da direita, Iniciativa Liberal, propôs que a Assembleia Municipal recomende à Câmara Municipal de Lisboa à alteração do nome da rua onde está localizada a embaixada da Rússia. A sugestão é que a rua Visconde de Santarém passe a chamar-se Rua da Ucrânia. Aparentemente, a sugestão caiu em saco roto. Nunca mais se ouviu falar em tal coisa.
Passou na RTP 1, na quinta-feira, 16, «Uma Noite no Parque Mayer», homenagem de Filipe La Féria à revista à portuguesa. Ocasião houve, portanto, para recordar a rábula celebrizada por Raul Solnado, «A história da minha ida à guerra de 1908». Tendo-se posto a hipótese de comprarem, para o efeito, uma cavalgadura, que só se vendiam «com as carroças e com as moscas», a mãe apressou-se a recusar: “O meu filho não vai agora para a guerra encher a guerra de moscas!… O meu filho vai a pé mas vai limpo!”.
A crónica sobre a mosca
Tendo publicado uma crónica sobre a mosca, recebi os mais diversos comentários, uns de repulsa perante o nojento animal, portador privilegiado de doenças infecciosas, outros de admiração por saberem que, afinal, também a mosca consubstanciava em si inúmeros saberes: a espantosa velocidade a que movimentava as asas; a incomensurável capacidade de se reproduzir; a excepcional visão permitida pela extraordinária ‘arquitectura’ dos seus olhos, que deixam a léguas de distância o olhar humano, pois cada olho dispõe de… 4000 (quatro mil!) lentes hexagonais!…
mosca-assassina ou mosca‑predadora (Asilidae sp., de seu nome científico). O registo foi feito em Canidelo (Vila do Conde) a 21 de Julho de 2017, por Fernando Ferreira.
E doutras características não falei. Por exemplo, torna-se difícil apanhar uma mosca, porque dispõe de antenas-barómetros, que actuam por mecanismos sensíveis à pressão. Para se manter no tecto de cabeça para baixo, segrega automaticamente, na parte membranosa das suas asas, uma pequeníssima quantidade de um líquido viscoso, que lhe serve de cola. Também não referi que, se as pusermos debaixo de água, dificilmente se afogam, porque têm o corpo, as asas e as patas revestidos de uma rede serrada de pelos, e é o ar que neles está que lhes permite sobreviver durante muito tempo.
Enfim, o que mais se sabe comummente é que são ‘meninas’ capazes de inocular nos humanos os germes do tifo, das febres paratifóides, da cólera, da disenteria, da lepra, da poliomielite… Na barriga de uma mosca, o vírus da pólio pode conservar a sua capacidade de actuar durante 48 horas!…
Estaremos também todos recordados de que foram as moscas os agentes da 4ª praga do Egipto, conforme se lê no livro do Êxodo (VIII, 26):
«E vieram moscas molestíssimas sobre as casas do Faraó e dos seus servos e sobre toda a terra do Egipto; e a terra foi devastada por tais moscas».
Uma campanha, em Cascais, contra moscas e mosquitos
Se, em circunstâncias normais, é grande o incómodo provocado pela abundância de moscas e mosquitos, que dizer de uma zona turística?
Publicara o Governo Português, a 22 de Abril de 1929, a Portaria 6114 (Diário do Governo, I série, nº 92, p. 1028-1029), assinada pelo ministro do Interior, José Vicente de Freitas, com o fim de se incrementarem por todo o País medidas sanitárias contra as moscas e mosquitos. Nela constavam, bem explícitas, minuciosas instruções a pôr em prática – por exemplo, «os açucareiros a adoptar deverão ser os de modelo estudado pela Repartição de Turismo» – designadamente para evitar as poças de água.
Não teve, todavia, os imediatos efeitos pretendidos e, por isso, após a execução de medidas avulso, como a fiscalização de cocheiras, capoeiras, fossas, estrumeiras, etc., decidiu-se a Câmara Municipal de Cascais, em 1932, de mãos dadas com a Comissão de Iniciativa e Turismo, meter ombros a uma campanha devidamente organizada, que incluía, desde logo, a afixação de cartazes alusivos por todas as povoações do concelho.
Este primeiro impulso teve extraordinário eco, de tal modo que, em Coimbra, Bissaia Barreto «fez publicar na íntegra os ensinamentos que os cartazes continham, no jornal de propaganda contra a tuberculose».
Retirei este dado da apresentação «Um pouco de história», com que o então capitão José Roberto Raposo Pessoa abre o livro Moscas e Mosquitos – Campanha da Câmara Municipal de Cascais, edição da Junta de Turismo de Cascais, datada de 1939.
Tem esta publicação (de quase 250 páginas) prefácio do Prof. Ricardo Jorge, que começa assim:
«Vem-me à ideia a frase mordente de Garrett – Em paz e às moscas. Há nela alguma coisa de contraditório – ninguém pode estar em paz, se está às moscas. Doméstica apelidam por nosso mal a esta inimiga íntima que nos fisga a pele pela casa toda num ímpeto insaciável de mortificação que pela sua teimosia nos arrelia e enfurece». Louva, por isso, a «benemérita iniciativa, graças ao aporfiado apostolado do seu médico sanitário, o dr. Marques da Mata e do seu presidente da Câmara, coronel Carlos de Passos Pereira de Castro».
Apresentou o Dr. Marques da Mata um relatório à Comissão Municipal de Higiene e foi aprovado o seu plano de luta contra as moscas e mosquitos no ano de 1938.
Narra o volume – excelente repositório das medidas adoptadas – o enorme eco que a iniciativa despertou nas emissoras (mormente Emissora Nacional e Rádio Clube Português); a propaganda que se fez nas escolas e, para nosso regozijo, os ecos que teve no plano humorístico quer na rádio, no teatro, na pintura e até – pasme-se! – José de Oliveira Cosme escreveu o Fado Moscatel, que tem como um dos estribilhos:
Mosquitos a assobiar
Ninguém ouvirá jamais!
Já podemos ressonar!
Viva a Câm'ra de Cascais!
Se a guerra durar até ao inverno, a Rússia ganha. Em Portugal estranhamos a inflação, principalmente a que nos aparece na caixa dos supermercados e nos postos de abastecimento de combustível. Nos hospitais continuamos a beneficiar do SNS e nos transportes públicos ainda não houve aumento de tarifas. Mas, mais para norte, a malta precisa muito de aquecer casas no inverno, sob pena de morrer de hipotermia na própria cama. E isso custa muito caro, independentemente de as caldeiras serem a gás ou a petróleo.
Hoje, com o verão à porta, ainda somos valentes contra a agressão russa. Mas cada vez menos, à medida em que percebemos que as sanções só funcionam quando nos prejudicam também. No norte da Europa, andam a pensar recuperar as centrais de produção de energia a carvão. E na importação de gás da América. E, sei lá, se na lenha para cozinharmos.
Na Europa, já notámos que as opiniões estão divididas. No início eramos quase todos ucranianos, hoje somos cada vez menos. Até porque percebemos que fomos intoxicados por campanhas bastante inventivas que tentaram fazer de nós militantes da causa anti Rússia.
Isso já teve um custo político. Se duvidam, perguntem ao Macron e ao Sanchez. E proximamente veremos a erosão que tudo isto está a provocar na estrutura da União Europeia. A treta do alargamento à Ucrânia é puro tacticismo bélico. Porque como a EU não tem exército, estamos subjugados à NATO. Faz lembrar aquelas cenas dos filmes de Hollywood em que os mafiosos obrigam os merceeiros a pagar para ficarem protegidos dos mafiosos…
O cidadão Carlos Ferreira, mais conhecido pelo nome artístico Guida Scarllaty, está em vias de ficar sem a casa alugada onde sempre viveu.
Com raras exceções, os proprietários não são beneméritos, isso sabemos bem. Não fazem obras nas casas. Logo que podem sobem as rendas. Sempre atentos às oportunidades especulativas, nos últimos anos têm expulsado todos os inquilinos que se mantêm em casas com rendas baixas. E a Câmara Municipal de Lisboa não tem cumprido com a lei e passa a vida a fazer jeitinhos aos donos dos prédios de Lisboa. Há mais de 5 mil prédios em ruína e a autarquia não faz nada.
Guida Scarllaty ou Carlos Ferreira, como preferirem, vive desde sempre numa pequena cave, algures na Freguesia de Arroios, em Lisboa. Já era a casa dos pais quando Carlos nasceu. Como o arrendamento já antes tinha passado do nome do pai para o da mãe, e não pode haver nova transmissão, o senhorio decidiu aumentar exorbitantemente o valor da renda, caso o inquilino queira fazer novo contrato. Devíamos ter vergonha de todos os presidentes de Câmara (e deputados na Assembleia da República) que temos tido, rendidos à especulação imobiliária.
Guida Scarllaty não pode pagar 900€ por mês. Gastou as economias que tinha com o lar onde a mãe inválida viveu nos últimos 20 anos de vida. O artista envelheceu, deixou de ter trabalho. O Estado não dá amparo suficiente às pessoas. Sem casa, Guida Scarllaty arrisca passar a ser mais um sem-abrigo nas arcadas do Terreiro do Paço.
O homem que fez história nos espetáculos de travesti de Lisboa, que foi cabeça de cartaz no Parque Mayer e cuidador extremoso da mãe inválida durante dezenas de anos, está agora a caminho do olho da rua. Graças a uma lei “parida” por Assunção Cristas, a menina chic do Restelo.
As atuais condições de vida deste artista já são muito precárias. A pequena casa na Freguesia de Arroios espelha o abandono a que o senhorio lhe dedicou. Instalações de água e eletricidade decrépitas, estuque das paredes a escamar de humidade. Até mesmo a instalação do velho esquentador é uma improvisação que dura há décadas. E o senhorio pede 900€ por este “palácio”.